terça-feira, setembro 24, 2013

Os EUA, Liliana e Dilma Rousseff

Mauro Santayana 
Tribuna da Imprensa

Depois de marchas e contramarchas, a Presidente Dilma Roussef resolveu postergar a visita de Estado que faria aos Estados Unidos, no dia 23 do mês que vem. Mesmo considerando-se a repercussão alcançada pela medida, tomada sob a natural indignação suscitada, no Brasil e no governo, pela espionagem cibernética norte-americana – e a desenvolta presença  de agentes norte-americanos no Brasil – essa pode não  ter sido a solução mais adequada para responder ao insulto.

Quando se trata de uma relação madura, entre dois estados do mesmo nível, o melhor é ir até lá, encarar o interlocutor diretamente, e dizer tudo o que tinha a ser dito, não apenas a Obama e ao governo dos EUA, mas à comunidade internacional.

Deixando de ir, Dilma Roussef abriu mão de um palanque único – com  cobertura assegurada pela imprensa mundial – que poderia ter utilizado para passar a mensagem do Brasil  neste momento, não apenas com relação à espionagem dos EUA, mas também a questões como a Síria, por exemplo.

Isso poderá ser feito na reunião da ONU em Nova Iorque, mas talvez tivesse maior repercussão, se suas declarações fossem dadas sob o teto de Obama, nos jardins da Casa Branca.

De toda forma, os últimos fatos mostram que os EUA não têm a menor intenção de mudar a sua política com relação ao Brasil, e que, pretendem, pelo contrário, aprofundar sua atitude de antagonismo e beligerância com relação ao nosso país.

A NOVA EMBAIXATRIZ
A nomeação, para o cargo de embaixadora em Brasília, de Liliana Ayalde – no lugar de Thomas Shannon, chamado de volta a Washington para trabalhar como assessor de John Kerry – deixa claras as intenções do governo Obama.

Formada em artes e em saúde pública nos EUA, Liliana Ayalde  trabalhou para a USAID na Colômbia e foi responsável pela área de Cuba, América Central e Caribe do Departamento de Estado.

Se envolveu com a polêmica  instalação de bases dos EUA na Colômbia, e com a “cooperação” do Comando Sul dos Estados Unidos em ações “humanitárias” no Paraguai, onde repassava “doações” norte-americanas a organizações de segurança de combate ao “tráfico de drogas” e à “corrupção”.

Em março de 2010, Ayalde organizou uma reunião na embaixada dos EUA em Assunção. Do encontro, participaram militares americanos, militares paraguaios da ativa, membros da oposição e o então vice-presidente paraguaio Federico Franco.

O tema era a abertura de um processo contra o Presidente Fernando Lugo no Congresso, para tirá-lo do poder. Acusada pelo então Ministro da Defesa do Paraguai de interferência na política interna paraguaia, Ayalde negou que tivesse essa intenção. Menos de dois anos depois Lugo seria processado e substituído por Federico Franco, por meio de um golpe  branco em Assunção.

Da “doação” de dinheiro à realização de convênios da DEA e da CIA com autoridades brasileiras – como os denunciados pela Folha esta semana – à interferência em assuntos internos, o currículo da sra Ayalde fala por si só, na hora de avaliar sua nova missão no Brasil. É melhor pensar nisso, antes de conceder-lhe o agreement.

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