sexta-feira, fevereiro 07, 2014

A arapuca da copa

Mauro Santayana
Tribuna da Imprensa

(Hoje em Dia) – Pudesse voltar atrás, e talvez o Presidente Lula não tivesse apresentado a candidatura do país à Copa do Mundo de 2014.

Os problemas que o Brasil tem enfrentado são tantos – e a resistência a tudo que cheire a Panem et Circenses tão grande, nos dias de hoje,  que até  a capital da Suécia, uma das nações mais ricas do mundo, acaba de recusar – com certeza alertada pelo que está ocorrendo em nosso país – o polêmico privilégio de sediar as Olimpíadas de Inverno de 2022, com a justificativa de  economizar recursos públicos.

Com sua ingenuidade, lassidão e, as vezes, “salto alto” – pura arrogância e soberba, segundo seus inimigos – o PT não percebeu, em 2007, que, em política, toda vitória aparente pode ser usada  contra o vitorioso, até prova em contrário. Que o mel que se oferece hoje ao povo, pode se transmutar rapidamente em fel quando não se presta atenção aos detalhes. E que – como no caminho da Chapeuzinho para a casa de sua avó – existem mais percalços que se possa imaginar entre o sonho e a realidade.

Considerando-se os recursos que envolvia, e sua importância estratégica para o governo e a Nação, a Copa deveria ter sido tratada – sem licitação ou terceirização – do planejamento à execução, como uma operação de Estado.

Se o governo tivesse constituído uma estatal binacional com a China, aproveitando a experiência de Pequim na organização das Olimpíadas, os estádios, por exemplo, estariam prontos em poucos meses e seu custo não seria de um centavo a mais que o previsto.

TRATADA COMO FESTA
Na comunicação, a Copa continua sendo tratada como festa e não como um projeto nacional com investimento, retorno, criação de empregos e renda definida, e os altos e baixos na relação com a FIFA beiram o improviso.

Enquanto isso, cidadãos voltam às ruas, e com eles, episódios absurdos e constrangedores, como o protagonizado por soldados da PM contra um manifestante em São Paulo.

Os soldados envolvidos poderiam alegar que estavam sendo ameaçados, se estivessem correndo do rapaz – como foi o caso do coronel agredido por manifestantes em junho – e não o contrário.

Cercado por homens fardados, armados e perigosos, que o perseguiam, com a evidente intenção de agredi-lo, e – como se viu pelo vídeo – provavelmente, matá-lo, era o rapaz – mesmo que estivesse portando um estilete – que estava em situação de legítima defesa, e não os soldados.

Nunca é demais repetir, enganam-se aqueles que pensam que os protestos contra a Copa irão beneficiar, de alguma forma, a oposição.

Primeiro, porque nos estados que comanda e que sediarão jogos, a oposição – a exemplo do próprio governo – virou vidraça para as pedras – que não possuem rumo certo ou filiação partidária – da ala mais radical dos manifestantes.

E, também, porque a oposição não pode fingir apoiar os “anti-copa”, enquanto sua polícia persegue e acua, agride, ataca e atira em quem protesta contra o evento, como vimos em São Paulo.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Pois é, senhor Mauro Santayana, hoje diante da bagunça generalizada que se transformaram as organizações tanto da Copa quanto dos Jogos Olímpicos, é muito fácil falar e criticar e, de arremate, dizer que o melhor teria sido o país não ter-se candidatado. 

Aqueles poucos que criticaram a decisão na época, apanharam muito por conta de suas posições. O tempo se encarregou de lhes dar razão. 

Porém, quando se criticou o assanhamento com que o país se jogou nesta aventura estúpida, fomos taxados de maus brasileiros. Aliás, o Pan realizado no Rio naquele mesmo período, já era uma pequena amostra do nosso despreparo. 

Todos os projetos de obras, seja de infraestrutura ou de mobilidade urbana,  já eram   necessárias para o país, sem que precisássemos embarcar nesta fantasia de sediar grandes eventos. A megalomania foi uma constante nos dois mandatos de Lula, o ex-presidente em exercício. Exemplo disto foi querer escalar 12 cidades sedes, extravagância que está nos custando muito caro.

Assim, hoje aos críticos de ontem se ajunta um sentimento de repúdio quase unânime. O País, de fato, não estava tampouco está preparado para bancar esta megalomania toda, este oba-oba de país pobre metido a besta, achando que é aquilo que está há séculos de ser.

Ao fim e ao cabo desta fanfarronice toda o que restará são obras inacabadas que se arrastarão anos a fio e superfaturamento a perder de vista, elefantes brancos inúteis e bilionários, alegria de políticos e empreiteiras, e um povo  tratado com total descaso  por bancar uma carga tributária  escorchante para ter serviços públicos que jamais lhe são entregues.   

Seria ótimo que os defensores da maluquice na ocasião, hoje, ao menos, fizessem  um mea culpa sincero.

E, para encerrar, está na hora da imprensa mudar os nomes que estão dados os movimentos de protestos: manifestar opinião não casa, numa democracia, com baderna, vandalismo, quebra-quebra. Quem pratica tais atos, não está "manifestando-se" coisa nenhuma. Estás praticando crimes, como o que ocorreu com um cinegrafista da Band, no Rio, covardemente  atacado por estes "manifestantes". 

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