sábado, janeiro 18, 2014

Os rolezinhos e a falange do mal

Adelson Elias Vasconcellos

Sempre que qualquer grupamento de pessoas reunirem-se para protestar,  estejam certos de que os esquerdopatas brasileiros haverão de se infiltrar para tomaram conta do movimento.

Aquilo que era para ser uma simples arruaça de jovens acabou se transformando em movimento de protesto.  Voltem aos primeiros rolezinhos nos shoppings paulistas. Ninguém exibiu um único cartaz ou pronunciou uma só palavra de protestos. 

O que pouca gente se deu conta é de que os protestos no Brasil, que são um direito perfeitamente legal, não concedem salvo conduto a ninguém para destruir e quebrar patrimônio alheio, seja ele público ou privado. Um shopping,  gostem ou não, é terreno privado. Assim, aqueles que o administram tem todo o direito de impedir que ação de moleques promovam arruaças e terrorismo.  Ali é o lugar menos indicado para quem quer que seja realizar movimentos de protestos. 

Ora, é de se perguntar, desde quando algum shopping é culpado pelos problemas sociais do país? O que não falta em São Paulo são parques e praças para aqueles que estiverem insatisfeitos com o poder público agitarem bandeiras e protestarem. 

Grande parte dos protestos, realizados em 2013, terminou em pancadaria, destruição e vandalismo. E isto deixou, há muito tempo, de ser um direito. Protesto pacífico, respeitador da lei, da ordem e do patrimônio pode ser feito dentro destas regras. O direito de uns não pode invadir o direito de outros.   

Diz-se que os primeiros rolezinhos tiveram originem na suposta proibição de realização de bailes funk. Imaginemos que isto seja real. Mas venham cá, meus caros, o que os shoppings, consumidores e funcionários das lojas localizadas ali dentro têm a ver com isso?  NADA. Portanto, o local escolhido para a arruaça é inapropriado. As imagens captadas pelas tevês mostram claramente que a ação não se desenvolveu de forma pacífica. Pessoas foram atropeladas, vidros foram quebrados, celulares foram furtados,  foram feitos saques em alguns estabelecimentos comerciais e muitas pessoas se sentiram acuadas e aterrorizadas num ambiente em que deveria haver paz e lazer. 

Aqueles quantos defendem os rolezinhos são os mesmos bacanas vagabundos que defenderam a ação marginal dos protestos  com vandalismo e agressões realizados em 2013. São os promotores da baderna com fins espúrios. São políticos cujo intuito cretino é desestabilizar um poder constituído legitimamente. Querem tomar o lugar usando não uma plataforma política, mas a instituição da baderna. 

Não me surpreende que gente da laia de um Gilberto Carvalho, Secretário da Presidência, resolva agora abrir sua bocarra imunda para reclamar da ação de segurança, pública e privada, que tenta impedir que “vândalos modernosos”  aterrorizem pessoas pacíficas em locais privados. É o mesmo canalha que, diante do horror dos sistema penitenciário do Maranhão, se acordou e se mantive calado. Nenhum uma palavra, sequer para solidarizar-se com as vítimas e seus familiares. Que moral tem este cafajeste de quinta categoria para vir agora recriminar a segurança dos shoppings que, no seu direito, tentam reprimir a ação de vândalos? 

Gilberto Carvalho não é apenas um mero secretário, trata-se de um calhorda e leviano. Tivesse um pingo de dignidade e sequer se manifestaria na mesma semana em que se acovardou para a barbárie do Maranhão. 
Houve quem comparasse os tais rolezinhos aos arrastões que se fazem nas praias cariocas.  Há muitos vídeos no youtube e que não deixam margem à duvida: a ação policial em momento algum agrediu os tais “manifestantes”. Pelo contrário. Além disso, muitos dos baderneiros são frequentadores de shopping, muito sequer se incluem na categoria de “pobres e negros”.  Tratam-se de arruaceiros na melhor qualificação que se possa emprestar e a baderna que tentam promover escolheu o pior dos locais. 

Seria o mesmo que alguns destes moleques escolhessem a minha casa, ou a sua, para invadirem-na para sua ação estúpida. Estaria o dono da casa, neste caso, apenas por serem “pretos e pobres” impedido de defender seu patrimônio ou de chamar a polícia para expulsá-los? Tenham a santa paciência!!!

Todos os brasileiros são livres para se manifestarem  e protestar, desde que o façam sem ferir os direitos de outrem, sem que resulte de sua ação vandalismo ao patrimônio, público ou privado.  

As manifestações advindas da turma de Brasília  demonstram bem o estado de barbárie a que o país está sendo conduzido. Para o que se viu no Maranhão, silêncio e nenhuma palavra de consolo às vítimas. Para a baderna paulista, todas as vozes são críticas para aqueles que defendem a ordem e a paz.

E não venham com este papo cretino de que se trata de preconceito contra pobre ou favelado. Muitos pobres e favelados do bem, que estudam e trabalham, e vivem sua vida honestamente, sequer tem tempo para participarem de badernas em shopping. 

Não é gratuito o aumento da criminalidade principalmente nos estados governados pelo PT e seus aliados. Para esta gente, não há dúvida, de que quanto maior a degradação mais seu império prospera. Quanto maior a selvageria, a bagunça, a falta de civilidade, maior a possibilidade de reinarem absolutos. 

Em relação ao Maranhão, houve quem classificasse aquilo tudo como retorno à Idade Medieval.  Mas também já afirmamos aqui que, a continuar o Brasil entregue às hostes demoníacas do petismo e a esquerda bucéfala,a grande falange do mal, há grande possibilidade de o país regredir ao século 19. Pelo quadro que se tem, parece não estarmos muito distantes deste encontro.  É incrível como o Brasil tem optado por abandonar os valores de uma sociedade civilizada, sob as luzes e as benções de uma intelectualidade hipócrita e uma elite política decrépita.  E, por favor, não pensem que a falange do mal é uma fantasia: ela existe, é destrutiva de tudo aquilo que possa obstaculizar seu projeto de poder. Há tempo para expurgá-la de nosso meio, mas  este tempo está cada dia mais curto. 

A declaração de Blatter sobre atrasos é a pura verdade.

Comentando a Notícia

A imprensa brasileira deu destaque a duas declarações de Joseph Blatter, presidente da FIFA, de tal forma que, a segunda pareceu ser um recuo, quando na verdade não há recuo algum.

Vamos lá.   Primeiro,  Blatter afirmou, com todas as letras que jamais, desde que é dirigente, e isto começou em 1975, jamais viu tamanho atraso de um país para a realização de obras relacionadas à Copa do Mundo. 
Façamos um ato de contrição: onde está o exagero no que afirmou o dirigente?  Não são estes atrasos fruto de matérias quase diárias na imprensa do país, há praticamente dois anos? 

Aliás, perdoem-me a falta de modéstia, mas fui um dos primeiros a chamar atenção desta realidade.  Fiz isto em 2008, 2009 e em 2010, ano este em que o país deu os primeiros passos para cumprir o caderno de encargos que a FIFA impõem aos países que sediarão o Mundial. 

Afirmei que o projeto apresentado pelo Brasil para tentar ganhar a corrida, em 2007, não peça de uma peça de puro marketing. Grande parte dos projetos e obras não passavam de pura ilusão, feitos apenas para agradar os olhos, mas distantes daquilo que o país realmente poderia executar e concluir. Tanto é assim que hoje, quase 40% do previsto ou já foi abandonado ou sequer saiu do papel. 

E a afirmação de Blatter sobre o tamanho do atraso, não é portanto, nenhum desrespeito para com o Brasil, é apenas uma advertência focada na realidade que se vê, se sente e se percebe no dia a dia. 

E é aí que começa o nosso grande erro. Para impulsionar o desenvolvimento, se acreditou que bancar eventos do porte de uma Copa do Mundo faria do Brasil um receptador de muitos bilhões de dólares de investimentos.  O diabo é que o ambiente de negócios é muito ruim, e tem se tornado cada dia pior. Em 2010, diante da perspectiva de um retumbante, os tais “bilhões” tiveram que sair dos cofres públicos, mais precisamente BNDES e Caixa Federal, porque do contrário,  não conseguiríamos atender as obrigações assumidas. Diante da escassez de recursos fruto da nossa falta de atratividade, precisou o governo brasileiro rever o plano de obras, decidindo por adiar para depois da Copa muito do que estava previsto, cancelar definitivamente outras tantas, e concentrar seus esforços, primeiramente, nos estádios, e depois, em algumas poucas obras realmente indispensáveis, apenas para dizer que cumpriu com o prometido. O fato é, gostemos ou não, o projeto Copa 2014 vai se revelando num imenso fracasso. Podemos até ganhá-la dentro do campo, o que atenuaria a nossa incapacidade de realização fora dele. 

A segunda declaração veio na esteira da reação da senhora Rousseff que tentou se justificar afirmando que esta seria a “Copa das Copas”. Se pela desorganização, atrasos e falta de comprometimento, esta será a Copa de todas as copas.  Diante disso, Blatter disse que, apesar dos atrasos, sua primeira declaração, acreditava que a Copa   no Brasil seria um sucesso. Ora, em momento o presidente da FIFA se contradiz entre as duas declarações. Uma revela uma constatação, a dos atrasos, e a outra traduz mais do que um sentimento, mas uma esperança que ao cabo tudo corra bem. 

Nesta altura do campeonato, ninguém mais fala em legado, que legado mesmo, se restringirá  a alguns elefantes brancos e as dívidas a serem pagas no longo prazo. Restará, ainda, meia dúzia de obras que, passado o evento, já não mais serão realizadas na urgência inicial, arrastando sua conclusão no tempo e no seu valor a ser acrescido em sucessivos aditivos. 

Fica claro, também, que a crítica feita quanto ao exagerado número de subsedes, vai se confirmando. Somente um governo devotado ao populismo rombudo poderia  imaginar ser possível bancar , com eficiência, o custo de 12 cidades sedes. Apenas a metade já seria suficiente. Não somente se reduziria o custo total, mas também a concentração de esforços e  foco dos investimentos em um número menor de cidades, permitindo realizarmos uma Copa da qual nos orgulhássemos.  E orgulho, como se vê, só se concretizará se, dentro de campo, nossa seleção for campeã. Fora dele, haverá muito para nos arrependermos.

Uma última observação: alguém, aí e agora, faltando menos de seis meses para início do evento, saber dizer ao certo o custo total desta brincadeira? Reparem num detalhe: o estádio de Brasília, o mais caro de todos, precisará de alguns “arranjos”, coisa de mais uns cento e poucos milhões de gastos, para arrumar os vazamentos que ocorrem em dias de chuva. E, vale registrar, que o estádio já foi entregue como concluído e sediou jogos da Copa das Confederações em 2013. 

Não, ninguém sabe afirmar com exatidão o quanto nos custou, até agora, sediar a Copa de 2014.  Talvez nem cheguemos a saber ao certo.  E o constrangedor é perceber  que as tais obras de mobilidade urbana, além de portos e aeroportos, permanecerão na mesma inhaca de antes. E isto ficou claro nas festas de fim de ano, quando os aeroportos se transformaram no inferno dos infernos.  E o que dizer do serviço de péssimo atendimento aos turistas no Rio de Janeiro na passagem de ano? 

Portanto, seria muito mais honroso se o país fizesse uma profunda reflexão sobre suas prioridades e parasse de querer bancar algo para o qual ele, definitivamente, não está preparado. Somos ainda um país pobre, com imensas necessidades sociais, com imensas carências nos serviços públicos básicos, com indicadores educacionais vergonhosos e que merecem ser atendidas à frente de qualquer coisa. Enquanto não nos convencermos da nossa própria realidade e não atendermos, primeiramente, todas estas imensas carências, devemos dar às costas para eventos desta grandeza.  Chega de mascararmos nossa própria miséria, principalmente as de natureza moral.

Não são apenas as obras da Copa que estão em atraso: todas as obras dos governos petistas padecem do mesmo mal, sofrem com os custos em permanente elevação e ritmo de execução em triste desaceleração. O lançamento de cada obra ou programa é festejado em cerimoniais onerosos cujo único propósito é serem exibidos no horário eleitoral e apresentados nas campanhas de marketing de pura enganação.  O resumo desta ópera bufa que se chama governo Dilma é o atraso em que o país vem  mergulhando.

E, para encerrar,   o que não faltam às oposições, são argumentos e fatos irrefutáveis, e a má organização   da Copa é apenas um dentre muitos, para desconstruir a candidatura da senhora Rousseff à reeleição. Conceder-lhe mais quatro anos é conduzir o Brasil para mais quatro anos de mediocridade, farsas, imposturas, mentiras,  feitiçarias econômicas e abandono completo daquilo que nos é essencial para sair da pasmaceira em que o petismo  colocou o Brasil, deixando completamente travado seu desenvolvimento em todos os níveis.  Foram quatro anos de um primeiro mandato em que se teve verdadeiros absurdos em matéria de gestão pública. Havia espaço para a desconstrução. Infelizmente, primeiro, escolheram desconstruir a si mesmos e, segundo, escolheram fazer oposição apenas durante a campanha. Enquanto o governo da senhora  Rousseff está hás mais de um ano mergulhada em pré-campanha, a oposição ainda discute alianças, estratégias e discurso.

Portanto, corre o risco de apanhar de novo. Se da eleição presidencial  deste ano se pode apontar uma marca esta é a da mediocridade. A da candidata vencedora para mais quatro anos de desgoverno superando a mediocridade de uma oposição covarde e omissa. Sinceramente, não sei o que é pior, porque a democracia só se realiza diante da presença vigorosa da oposição, coisa que no Brasil está se convertendo em entidade   fantasma.

Texto da Folha de São Paulo, informou que “...O contraste entre planos para a Copa e realidade não é pequeno...” Precisamente esta foi a grande crítica que fizemos desde o anúncio, em 2007, a qual  juntamos a afirmação de que o país tinha outras prioridades mais urgentes para serem atendidas, e nas quais deveria empregar o volumoso dinheiro que iria apenas para atender as exigências da FIFA. Pois bem, ao longo deste tempo, muitos dos que aplaudiram a decisão do governo Lula de investir num projeto megalômano para acolher a Copa, foram se dando conta de que nossas críticas, não apenas eram bem embasadas, mas eram oportunas em face da realidade brasileira. 

E o legado disto tudo talvez nem possamos sentir imediatamente após o término do evento. A grande lição que fica é que chegou o momento em que o Brasil terá de escolher entre o secular pão e circo da política carcomida pela imoralidade, e a necessária modernização do Estado onde tamanho nunca foi sinônimo de eficiência. Pelo contrário. Sabemos, hoje,  que o governo destinou, entre 2010 e 2013, nas cidades de São Paulo, Rio e Brasília, mais recursos para a construção de estádios do que para a educação. Apenas isto já bastaria para um despertar permanente de consciências. Terá sido suficiente?

No discurso, prioridade; na ação, é descaso mesmo

Comentando a Notícia

Um dos grandes problemas das esquerdas é não praticar aquilo que proferem no discurso. São campeões em vender  como obra feita um produto que não passa de mera fantasia. Se querem como exclusivos da perfeição,  da gestão extraordinária, do atendimento imediato das necessidades dos povos que, por desgraça, os escolheram para comandarem  seus governos.

Contudo, a história está aí para provar o grande engodo que são os governos de esquerda. Exemplos, no caso do Brasil, é que não faltam. Não há um único serviço público básico que alcance ao menos uma nota regular. Todos estão em condições deprimentes, e isto o povo já  se deu conta faz tempo. 

O final de 2013 trouxe novo tormento para aqueles brasileiros residentes no Espírito do Santo e Minas Gerais. As chuvas torrenciais fizeram milhares de desabrigados,  dezenas de feridos e também dezenas de mortos. O diabo é que este tormento se repete numa frequência assustadora, ano após ano. Contados os desabrigados, morte os e feridos,  ficam para a posteridade os discursos de sempre, as promessas de ações que buscarão reduzir ao mínimo os prejuízos que as chuvas de verão vão contabilizando anualmente. 

Agora não foi diferente. E lá se foi a senhora  Rousseff, presidente do país, a sobrevoar as áreas atingidas e, rotineiramente, repetir os velhos discursos, as velhas promessas, destinando agrados e verbas que, passados algum tempo, acabarão ou no chavão comum do esquecimento, ou da inépcia, quando não no desvio para fins particulares. O coletivo, o interesse público que se dane.

Logo após ter sobrevoado os estados do Espírito Santo e Minas Gerais o que disse a senhora Rousseff? “Evitar mais mortes com enchente é prioridade...”. Segundo ela, é necessária ainda uma ação conjunta de prevenção entre os governos federal e estadual, com mecanismos de alerta. Ok, muito bonitinho, muito pomposo, mas por conta do que o seu governo liberou em 2013 apenas 28% do dinheiro destinado ao plano nacional contra desastres naturais?  Eis aí: quem detém a maior parte dos recursos para tal fim é o governo federal. Mortes e desastres se repetem numa incansável sucessão de anos e o que se vê, ao fim e ao cabo, é um governo federal inerte sem cobrar de forma decisiva ações dos governos estaduais e municipais, ou mesmo que firmem parcerias com o governo  central  para o desenho de projetos de prevenção.

Depois, com o desastre instalado, fica fácil para um ministro boçal alegar que o governo não liberou recursos por falta de projetos por parte dos governos estaduais e prefeituras.  As três pontas desta maçaroca estão erradas. E fazem de sua inépcia, de seu comportamento de descaso a razão maior para as tragédias anuais que as chuvas de verão irão provocar. 

Como bem alerta manchete de texto da Exame.com,  “não dá para culpar São Pedro pelas enchentes”. Ao que acrescentaríamos, não dá, também, para culpar as chuvas pelas tragédias humanas que o descaso do poder público acaba provocando. 

Por enquanto, sofrem as populações do Espírito Santo e Minas Gerais. Mas se as chuvas vierem castigar o Rio Grande do Sul, é bom a população da grande Porto Alegre apelar aos santos para não sofrerem as mesmas agruras. Para se ter ideia, o Governo só liberou 28% do dinheiro destinado a plano nacional contra desastres naturais para projetos no Estados. Aliás, dizer-se “projetos” é apenas uma força de expressão. 

Um ano depois de anunciados pelo Ministério do Planejamento para projetos emergenciais de combate às cheias na Região Metropolitana de Porto Alegre, R$ 793 milhões em recursos do Plano Nacional de Gestão de Risco e Resposta a Desastres Naturais ainda não foram usados pelo governo gaúcho. Os recursos deveriam ser destinados à construção de diques, casas de bombas, barragens e reservatórios. A previsão é de que o conjunto de intervenções esteja pronto apenas no fim de 2017.

Foram contemplados nove projetos no Rio Grande do Sul, envolvendo sete cidades da grande Porto Alegre. Embora as obras tenham sido consideradas na época pelo então secretário de Planejamento estadual, João Motta, como fundamentais para enfrentar as cheias, os avanços foram tímidos. Nenhuma das obras foi sequer projetada. O estudo hidrológico sobre a vazão do rio Gravataí, necessário à elaboração dos projetos, também não foi licitado.

Fica claro que se no discurso a prioridade “Evitar mais mortes com enchente”, na prática, nas ações efetivas, não passam de palavras vazios, puro descaso de quem é pago (e muito bem pago) para zelar pela vida, segurança e bem estar das pessoas. E mais: ninguém obrigou dona Rousseff a ser presidente do Brasil. Lá está por vontade própria e porque foi eleita para tanto, contando com uma plataforma de campanha que prometia o paraíso aos brasileiros e brasileiras, muito embora, 80% de suas promessas não passassem de doce ilusão, demagogia barata com intenções que se sabiam , não se realizariam ou sequer atingiriam os propósitos apresentados.

E que se observe: em 2014, o PT fechará um ciclo de 12 anos de poder, nos quais sempre pode contar com uma base parlamentar suficiente até para mudar a Constituição se pretendessem. Podia ter realizado verdadeira revolução virtuosa nos serviços básicos essenciais. E o que se tem é que estes mesmos serviços se degradam ano após ano. Sempre com a desculpa porca de se empurrar a responsabilidade para terceiros, acusando uma falácia de herança maldita não existente.  Chega a ser criminosa a gestão petista na presidência da república. E, a descontar o campo da educação, nos demais serviços públicos o que não faltam são vítimas fatais ocorridas pela omissão federal. E, mesmo na educação, se todos ainda permanecem vivos, estão sendo  condenadas muitas gerações ao desastre do  analfabetismo funcional. 

Em 2014, o PT pode até ganhar mais  quatro anos de poder federal, mas nunca será por obra de   suas virtudes,e sim por conta da falta de consciência crítica  dos cidadãos brasileiros, cuja maioria prefere negociar sua consciência a preço de banana. 

E o confisco salarial do PT ataca outra vez

Comentando a Notícia

Parece que o o governo federal considera que, aqueles que recebem dois a três salários mínimos/mês, são milionários para pagarem imposto de renda na fonte. E, como vem acontecendo desde que o PT assumiu o governo federal, mais uma vez ele confisca salários dos brasileiros. Enquanto a inflação do ano deve fechar em torno de 5,8%, com a maior cara de pau,  ele corrige o valor da tabela do imposto da renda abaixo do índice inflacionário, ou, mais precisamente, em 4,5%.

Nos anos anteriores, fomos vozes quase que isoladas na denúncia desta malfadada prática. Quase nenhum sindicato ou central de trabalhadores levantou sua voz para proteger  os trabalhadores com renda mais baixa. Protestos isolados foram ouvidos de forma isolada e, mesmo assim, timidamente. 

É um despropósito e um verdadeiro assalto aos trabalhadores de menor renda. Este é um confisco injustificável, haja visto que cem por cento acaba sendo restituído no ano seguinte. Se é desejo e necessidade do governo petista fazer caixa para cobrir seus rombos, frutos  da má gestão, que o faça sobre quem ganha mais, e não como tem sido regra, sobre quem ganha menos. De que vale arrotar para o mundo que os aumentos do salário mínimo são acima da inflação, se a carga tributária sobre eles pesa cada vez mais? É o mesmo que dar com uma, e depois tirar com outra das mãos. 

Menos mal que pelo menos a OAB resolveu protestar e ameaça ir ao Supremo para obrigar o governo Dilma a agir de forma decente e respeito com os assalariados. 

É mais do que hora de se rever a correção da tabela do IR. A correção de 4,5% baseou-se na ilusão de que a inflação ficaria no centro da meta. Mas o governo Dilma não conseguiu isso em três anos e nem se espera que o consiga em 2014.

Neste ano, ficaram isentos do IR na fonte os contribuintes receberam  até R$ 1.710,78 por mês, valor que passará a R$ 1.787,87 mensais em 2014.

Assim, a defasagem no período chegará a 66%. Em 2014, com a elevação do salário mínimo de R$ 678,00 para R$ 724,00, serão beneficiados os que percebem até 2,47 salários mínimos, apenas.

A correção da tabela do IR em porcentual inferior ao dos índices de preços significa que a inflação - cuja maior responsabilidade é do governo, dado o desequilíbrio fiscal - acaba servindo como instrumento de aumento da carga tributária.

As novas faixas já serão deduzidas na folha de pagamento em 2014 e valerão para a declaração do IR de 2015. 

Convenhamos que o discurso em defesa dos mais pobres, dos trabalhadores e das minorias, fica visto que não passa de pura demagogia.  Aumentar a carga tributária sobre os menores salários é uma comprovação do cinismo com que a senhora Rousseff e os militantes e políticos filiados ao seu partido se apresentam ao país.   

E este discurso só tem sido vitorioso, dada a covardia e falta de uma liderança política competente pelo lado da oposição.  Criticar de forma veemente o governo petista apenas em períodos de campanha eleitoral, como tem agido a turma do PSDB, que nada mais do que é o principal partido de oposição, tem sido determinante para o sucesso de público dos petistas, muito embora  haja um sentimento de completa insatisfação com sua atuação. 

Contudo, a fraqueza e praticamente ação de nulidade política da oposição, não justificam a má gestão da coisa pública com que o PT tem se comportado. Isto não torna sua inépcia mais ou menos virtuosa. Dada a fraqueza de seus adversários é que o PT está no poder, e não por sua virtudes, por suas realizações. Porque rigorosamente, naquilo que o PT tem acertado, seja no tempo de Lula, como no atual governo da senhora Rousseff, nada mais é do que a mera continuação do que já fora realizado por Fernando Henrique, seja na economia ou no campo social. No resto, vai muito mal, obrigado.

Aécio Neves, virtual candidato tucano  à sucessão presidencial, afirmou que é tempo do PT sair do governo. Ok, mas para por quem em seu lugar, o senhor Aécio cujo discurso sequer ser agradável aos seus colegas de partido, o que dirá à massa eleitora?  Primeiro, que ele cresça, depois apareça. 

Em relação ao confisco salarial que vem sendo praticado ano após ano, quando foi que o presidente do PSDB se posicionou de maneira veemente? Quando foi que acionou uma ação no Supremo obrigando o governo petista a reajustar a tabela do imposto de renda na fonte de modo equivalente ao índice de inflação? Até se poderá  ouvir, aqui e ali, algum muxoxo seu, diante da posição assumida pela OAB. Mas, estejam certos, ficará apenas na periferia.

Pelo mesmo lado, qual central sindical levantou sua voz para defender os trabalhadores a elas filiados? Ocorre que seu silêncio foi devidamente comprado pelo repasse de parte desta estrovenga ditatorial chamada de imposto sindical!

Fica claro, de forma cada vez mais límpida, que os trabalhadores brasileiros, de modo geral, estão largados à própria sorte. Como de resto, a população brasileira pobre, que padece com serviços públicos degradantes e uma carga tributária confiscatória e extorsiva.  

E. se os que trabalham tem seus salários tributados a cada ano com maior voracidade, os pobres aposentados da iniciativa privada veem sua minguada aposentadoria de quinta categoria, minguar cada vez mais. Neste 2014, mesmo sendo ano de eleição, esta classe esquecida e ignorada pelo poder público, apesar dos muitos anos de trabalho, sequer teve a felicidade de ser contemplada com a reposição da inflação. E olhe que a diferença foi até ridícula. Com boa vontade e respeito, o reajuste poderia ao menos ter empatado.  Mas qual?, nem isso!  Portanto, está na hora dos petistas reverem sua sigla: precisa transformá-la de partido dos trabalhadores, para trambiqueiros. O conjunto da obra diz tudo.

Castigo imerecido.

Há muito tempo que criticamos o governo federal pela condução da política econômica. Ao invés de tornar o país mais atraente e, com isso, facilitar a atração de investimentos, faz-se o contrário. Criamos tamanha barreira e graus de dificuldades, tornando o ambiente de negócios tão nefasto, que acabamos por perder excelentes oportunidades  de associar o capital externo a investimentos produtivos aqui dentro  capazes de impulsionar nosso desenvolvimento. É visível o preconceito com que o governo petista trata o investidor privado.

Pois bem, toda a política econômica petista, mesmo a partir do governo Lula, incentivou  o produto importado e o investimento do Brasil no exterior. Geramos emprego e renda lá fora. Enquanto aqui, o povo precisa conviver com baixos salários, serviços públicos indecentes, alta carga tributária e completa falta de competitividade dos produtos produzidos pela indústria que sofre pela completa política industrial que a favoreça. Não se trata de criar barreiras aos importados, mas de descontaminar o produto brasileiro da imensa carga chamada “Custo Brasil”.   

Assim, anos a fio os brasileiros que podiam viajar para o exterior, foram incentivados a fazê-lo. E descobriram a mina de ouro que  era comprar no exterior similares aos nacionais, mas  com melhor tecnologia e preços bem mais atraentes. Face à explosão das importações, incentivadas principalmente para conter a inflação, e as compras exteriores que também explodiram, apesar da valorização do dólar, nosso déficit externo já atingiu impressionante marca de R$ 80 bi.  

Porém, ao invés de reduzir seus gastos para permitir uma gradual redução da carga tributária, criando condições para os produtos brasileiros se tornarem mais competitivos e atraentes, o governo Dilma decidiu seguir em direção oposta. Castiga aqueles que são penalizados justamente por suas más políticas. Para reduzir o volume de compras no exterior, vai tributar mais fortemente os consumidores, aumentando o IOF, mas sem aliviar a barra para a indústria nacional que, até pode tirar vantagem nesta medida, porque internamente poderá melhorar suas vendas. Porém, se pergunta se isto aumentará também sua produtividade capaz de oferecer produtos com melhores preços. 

Na medida recém tomada, não há nenhuma ação que sinalize tal possibilidade.  Vamos continuar produzindo menos, com menos qualidade  e com preços maiores.    Azar do consumidor que tenta fugir do preço alto, da má qualidade, com o propósito de valorizar seus ganhos. 

Fica claro que ao governo não interessa implementar, mesmo que modestamente, uma política  industrial consistente, permitindo ao empresário  investir em inovação, qualidade e produtividade, caminho mais curto para o país sair da pasmaceira em que se encontra. Do mesmo modo, não interessa ao governo proteger o consumidor, porque, no fundo, não importe o que se compre, seja produto nacional ou estrangeiro,  interessa que se consuma o máximo possível porque o governo continua ganhando do mesmo jeito. Só não ganha quanto o brasileiro gasta lá fora. Porém, tal alternativa só se tornou viável, graças a uma política econômica torta, improvisada, de curto prazo.  Assim, não faz sentido agora querer penalizar aquele consumidor que podendo comprar lá fora, produtos melhores e com menores preços, não encontrou no mercado interno condições de fazê-lo,  até porque o governo não lhe permitiu optar. 

Claro que o governo irá lucrar com  sua medida, como sempre, com o consumidor brasileiro pagando por erros do próprio governo.  E para piorar, esta medida  entra em vigor justo no início do período de férias, justamente quando as pessoas já haviam programado suas viagens.

Contudo, aquele rombo nas contas externas não deriva, em sua grande parte, das compras dos brasileiros no exterior, e sim, pela explosão da conta petróleo que, em 2013, importou cerca de 40 bi, também por conta da má gestão petista na Petrobrás além do crescimento vertiginoso dos derivados no mercado interno.  Ou seja, tanto o governo incentivou a indústria automobilística, mas sem nenhuma previsão ou cuidado, que agora o país paga o preço seja nos congestionamentos, seja na importação de derivados de petróleo.  Mas o penalizado é o consumidor, quando deveria ser o governo inepto, que criou esta situação absurda.  

Mas o consumidor ainda pagará, também, por dar crédito a um governo ruim, com políticas medíocres, mastodôntico, ineficiente, incompetente. Ah se o Brasil tivesse uma oposição digna do nome e que justificasse a confiança dos mais de 40 milhões  de votos recebidos em 2010! Talvez o consumidor fosse mais respeitado e a indústria nacional pudesse desenvolver-se sem precisar mamar nos favores federais!

Deus e o Diabo na Terra do Sol

Sandro Vaia
Blog Noblat

Sempre que houver uma dificuldade aparecendo no horizonte, faça como a presidente Dilma: chame o ministro Gilberto Carvalho. Ele não vai resolver o problema, claro, mas com certeza vai complicar aquilo que parece simples.

Gilberto Carvalho é um homem de fé, e a primeira crença dele é em Gilberto Carvalho. Desde os tempos de Celso Daniel, ele, como Batman, gosta de sobrevoar trevas.

Mas ele não está sozinho no embate. Ao lado dele, a solerte ministra da Igualdade Racial, Luiza Barros, que vê nos rolezinhos do shopping uma manifestação contra a discriminação racial.

Lucas Lima, o garoto de 17 anos que foi entrevistado pela Folha nesta semana, e que organizou o rolezinho de Itaquera no sábado anterior, contou que tudo começou com encontro de garotos e garotas marcados via redes sociais e que ele estava satisfeito porque conseguiu “beijar 16 ou 17 garotas”.

Com uma lata de gasolina na mão, Gilberto Carvalho acusou a polícia de jogar gasolina na fogueira no mesmo instante em que o secretário da Segurança de São Paulo dizia que a polícia não tem nada com isso, mesmo porque os shoppings são espaços privados de utilização pública e a segurança interna é de responsabilidade de seus administradores. 

Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência

Mas é difícil viver sem uma bandeira a desfraldar . Como dormir sem uma causa para acalentar o sono? Como acordar sem achar que há alguma engenharia social a fazer para tornar o mundo melhor?

Enquanto o rolezinho não rolar como uma bola de neve e não houver um policial desatinado pronto a criar uma vítima, o agito não cessa. Enquanto a farra adolescente não virar um movimento social e não fornecer toneladas de teses à intelligentsia ociosa das universidades ou dos jornais ou dos partidos brasileiros, alguém não vai sossegar.

Nas redes sociais, que se tornaram o mais divertido rolezinho de sandices que a avalanche de modernidade tecnológica foi capaz de criar, houve quem escrevesse - a sério - que as correrias desgovernadas dos jovens que querem beijar as meninas eram um protesto contra os shoppings, que representam “a utopia neoliberal”.
Atreva-se a sorrir e pedir “menos”, e prepare-se para ser linchado como sujeito de rara insensibilidade social.

Enquanto isso, no confortável presídio de Pedrinhas, do Maranhão, em consequência – segundo a governadora do Estado - de explosivo enriquecimento do Estado, as cabeças são literalmente cortadas, sem que haja sequer um Gláuber Rocha vivo para registrar para a posteridade esse embate entre Deus e o Diabo na Terra do Sol.

O ministro da Justiça levou para lá o seu ar mais grave, aquele dos grandes momentos, para posar ao lado da governadora nas fotos, mas preferiu guardar o recato em seus pronunciamentos, e assim poupou-se do vexame de Luiza Barros e de Gilberto Carvalho.

E olha que o rolezinho de Pedrinhas é coisa de gente grande.

A ditadura da liberdade

Rodolfo Araújo
Portal Administradores.com

O tema é a onda de rolezinho que, por enquanto, anda assustando a paulicéia e adjacências. Mas poderia ser a sequência de manifestações que, inutilmente, varreu o país no ano passado. Fique comigo mais um pouco e você entenderá o porquê

Através das redes sociais, jovens combinam de se encontrar em grandes shoppings da cidade. O motivo? Confesso que até o momento não sei. Combinam pela simples razão de combinar. Encontram-se pelo simples motivo de se encontrar. Ou pelo menos era assim no início.

Depois do primeiro evento, os responsáveis pelos shoppings ficaram preocupados - e com muita razão para isso. (Explico mais tarde.) Ato contínuo, tomaram providências para evitar riscos, tanto às pessoas que frequentam os locais, quanto ao patrimônio de quem os paga para zelar.

Então, como de hábito, vêm os defensores das minorias (que, neste caso, é maioria, mas não vem ao caso), das liberdades, dos inocentes e desprivilegiados. Sem pestanejar, traçam uma grossa e definitiva linha separando estes dos ricos, poderosos, segregacionistas, nazistas, fascistas, usurpadores, elitistas, arianos e assemelhados. Chegaram a sugerir a formação de um apartheid.

Então, como de hábito novamente, somos todos obrigados a aceitar essa divisão e escolher um lado. Porque se você é legal, você tem que defender o rolezinho. Se não, cai em uma das nefastas categorias do segundo bloco. Sem meio termo, sem argumentação. Em nome da liberdade, você é forçado a concordar com os movimentos sociais, mesmo que eles sejam apenas movimentos, sem conotações sociais.

Aqui começam as semelhanças com o inútil inverno dos 20 centavos: uma reunião que começou com uma finalidade, mas que logo foi usurpada e deturpada por outros grupos - estes, sim, com uma agenda específica e definida.

O enredo chega a ser patético, de tão batido e primário: jovens combinam de se encontrar - repito: só por se encontrar - e logo enxergam uma geração descontente, protestando contra uma sociedade injusta, que propositadamente nega-lhe o futuro a que têm direito.

Em outras palavras: o pessoal vai passear no shopping e isso vira notícia. A notícia é transformada em movimento. O movimento passa a ser entendido como rebelião. A rebelião passa a ser a verdade absoluta, com ares de justiça social. E ai de quem discordar.

Agora vamos à parte que está todo mundo pisando em ovos para debater, sequer enxergar:

A grande mentira por trás de tudo o que se diz sobre o rolezinho é que, como de hábito - pela terceira vez - tomam liberdade como um conceito absoluto. E a partir deste ponto tudo se deturpa.

Shopping centers são locais fechados, com acessos limitados e, por isso, potencialmente perigosos quando se junta muita gente - independentemente da classe social desta "muita gente". Quando uma multidão entra em pânico, não importa se é composta por analfabetos ou doutores, por serventes ou servidos. Todos saem correndo, passando por cima de quem estiver à frente.

Gente morre pisoteada por causa disso e não fica bonita na foto. Alguns, inclusive, aproveitam-se desses momentos para depredar e saquear lojas, como no ano passado. Só que isso, obviamente, fica em segundo plano. Lembrar disso, aliás, é preconceituoso.

Mas de onde vem esse preconceito? Se os dirigentes dos shoppings estão reforçando sua segurança e chamando a polícia - precaução que seria tomada em qualquer lugar do mundo - isso não é preocupação com a segurança, é preconceito. Mas preconceito de quem? De quem faz ou de quem julga?

E se nenhuma providência for tomada e acontecer uma tragédia? Culparão os shoppings e o poder público por omissão? Os mortos tornar-se-ão mártires de um mundo injusto? E se um parente seu estiver na lista, isso muda?

Acho bacana todo esse pessoal defendendo os rolezinhos, protegidos atrás dos muros altos dos seus condomínios, na segurança e conforto de seus lares. Mas eu quero ver você, defensor do rolezinho enquanto manifestação social legítima, ter coragem de ficar num shopping com seus filhos, assistindo a cenas como estas: 






Quero ver você, árduo defensor das minorias, pensar que fugir correndo de um ambiente assim é coisa de gente preconceituosa. Que as pessoas mostradas no vídeo estão exercendo seus direitos, gozando de sua liberdade, plena e absoluta como gostam de definir.

Nem pensar, né? Você vai sair correndo, se borrando de medo. Vai se esquecer do seu belo discurso sobre igualdade e tentar, a todo custo, proteger seus filhinhos apavorados, procurando minimizar o inevitável trauma.

Como disse há pouco, liberdade não é um conceito absoluto. Neste caso, estão confundindo a liberdade de ir aos lugares públicos com a liberdade de criar tumulto. Estão confundindo liberdade com anarquia. Tal como aconteceu no inverno dos 20 centavos. E sempre haverá gente disposta a tirar proveito disso.

Lembram-se qual foi a consequência daquelas manifestações do ano passado? Os resultados? Bem, de benefícios práticos para a população o saldo foi zero. Como herança, no entanto, agora temos  manifestações todos os dias, por todos os motivos. Os reais e os banais.

Trinta pessoas se reunem para protestar contra a mudança de mão de uma rua e fecham a Via Dutra, a mais importante rodovia federal. Tudo bem. Cinquenta professores se juntam para reivindicar mais segurança e bloqueiam a Avenida Paulista. Estão no seu direito. Quinze alunos se aglomeram para pedir mais verbas para a educação e interditam a Ponte Rio-Niterói. Pobrezinhos.

Pois bem, os Sem-Terra já marcaram seu rolezinho em shoppings da Zona Sul de São Paulo. É só o começo.

Houve, ainda, quem fizesse a esdrúxula comparação entre o rolezinho e o flash mob que, segundo querem fazer crer, é o rolezinho do rico e por isso é permitido. Faz-me rir o argumento, especialmente quando vemos um flash mob deste quilate:




- Mas isso é na Europa, não dá para comparar, dirão alguns. Claro que não dá para comparar! Especialmente enquanto nós mesmos formos os responsáveis por reforçar o aparentemente intransponível abismo entre nós e o Velho Continente.

Então eu pergunto por quê não há rolezinhos nos museus da cidade? Nas bibliotecas? Nas inúmeras ofertas de lazer e cultura que as cidades proporcionam, mas que vivem às moscas?

- Porque no shopping a gente vai causar, dirão os jovens.

- Porque os jovens não têm esses hábitos, são de uma outra geração, responderão os mais velhos, os engajados.

- Ora, deste jeito, jamais terão esses hábitos. Jamais sairão da condição em que vivem, retrucarei eu.

São, por natureza, por herança, desprivilegiados. Não têm dinheiro nem acesso à cultura. Em parte, isso é verdade. Em parte, porque como pode ser visto no primeiro vídeo, têm dinheiro para nikes, abercrombies e smartphones. E "causar" vem em primeiro lugar. Mas muitos escolhem fazer parte desta geração nem nem - que nem estuda, nem trabalha e, segundo o IBGE, soma 20% dos jovens.

Certamente muitos torcerão o nariz para o "escolhem", em negrito na frase anterior. A eles eu respondo que alguns dessa geração conseguem se descolar de seus pares e trilhar caminhos diferentes, mesmo partindo das mesmas condições que seus pares. Se isso acontece é porque isso é possível. Porque estes alguns também escolhem dar outros rumos para suas vidas - sem que seja preciso renunciar às suas origens. É preciso apenas vontade e coragem.

Vontade de mudar de vida e coragem para não se deixar enganar por quem passa-lhes a mão na cabeça, perdoando seus pecados e legitimando suas faltas. Escapam de seus pseudodefensores que, no fundo, são os grandes responsáveis pela perpetuação desta condição, na medida em que os coloca na posição de pobres vítimas.

Memórias do Maranhão

Fernando Gabeira 
O Estado de S.Paulo

Fui algumas vezes ao Maranhão. Não é, para mim, uma região distante que possa analisar racionalmente em laboratório. Gosto de lá e tenho apreensão por seu futuro.

Os primeiros contatos que tive com o Maranhão foram estimulados pelo interesse por Alcântara, uma bela cidade, ligada a São Luís pela Baía de São Marcos. Alcântara são ruínas deixadas pelos ricos que a abandonaram, levando consigo maçanetas de porta, janelas, tudo o que puderam carregar.

Em Alcântara trabalhei na mediação entre os interesses das comunidades negras e indígenas e a base espacial, marcada por fracassos e até uma tragédia. Minha hipótese era de que, recuperando o casario colonial, harmonizando o interesse de quilombolas, indígenas e a própria base, seria possível construir um modelo em que várias épocas do Brasil convivessem no mesmo espaço. Isso ampliaria as possibilidades turísticas do Estado. Quase ninguém se animou com a ideia.

Mais tarde voltei ao Maranhão para cobrir as enchentes em Trizidela do Vale. E, finalmente, fiz um trabalho em Buriti Bravo sobre saúde, tendo de percorrer hospitais e postos em vários pontos da região, incluindo cidades médias, como Caxias.

A visita da última semana a São Luís foi a segunda que fiz por causa dos conflitos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Cabeças decapitadas, superlotação, luta interna na cúpula da Segurança, quase tudo do mesmo jeito. Quase tudo porque o governo, em vez de refletir sobre a ideia de manter metade dos presos de todo o Estado num só presídio, contratou uma empresa de segurança de aliados.

A governadora Roseana Sarney afirma que dizer que o Maranhão é dominado por uma família há 48 anos se trata de ignorância ou má-fé. Para mim, soa como afirmar que é ignorante quem acredita que a Terra gira em torno do Sol.

O que os olhos me dizem em São Luís e outras cidades? Que a família Sarney é onipresente em nome de ruas, vilas, maternidades, escolas. O ponto máximo dessa ocupação simbólica é a transformação do Convento das Mercês numa espécie de museu José Sarney, mascarado sob a denominação Fundação da Memória Republicana Brasileira. Se vejo TV, ouço rádio, leio o jornal diário e pergunto quem são os donos, a resposta é sempre a mesma: a família Sarney.

Sarney ganhou uma dimensão nacional superior à importância política do Maranhão. Ele não só enriqueceu mais, mas também ocupou mais espaços no poder do que seu Estado natal ocuparia sem ele. Com a crise de Pedrinhas, o Maranhão ressurge no noticiário e é razoável examinar a trajetória de Sarney em relação ao Estado que domina há quase meio século.

Quando foi eleito governador, em 1966 Sarney foi tema de um filme de Glauber Rocha. Fazia discursos inflamados, prometia acabar com a corrupção, com a impunidade, enfim, revolucionar um Estado paupérrimo. Hoje o Maranhão tem 12% de miseráveis, mais da metade da população não tem banheiros. Sarney tornou-se poderoso, os empreendimentos da família cresceram, mas tudo indica que agora essa relação dominadora pode ser derrubada.

Sarney e Roseana são aliados do PT. Certamente se inspiraram na forma de argumentar do governo federal para se defenderem na crise. Roseana afirmou que o Maranhão se tornou violento porque ficou mais rico. Quem não se lembra, em junho de 2013, dos argumentos de que a prosperidade era a causa das manifestações de rua?

Mas ela errou o tom. Na mesma semana licitava lagostas e caviar para alimentar o Palácio dos Leões, como o próprio nome indica. Sarney também lançou mão da tática do governo federal: ressaltar um ou outro aspecto positivo e se fixar nele como tábua de salvação, como o ministro Aloizio Mercadante ao examinar o baixo resultado do Pisa ou o ministro Guido Mantega descrevendo criativamente os números da economia.

No Maranhão, disse ele, há conflitos nos presídios, mas não se espalham pelas ruas. E foi mais longe na tática de argumentação dos setores oficiais da esquerda: apontou para os problemas dos outros. Mencionou o Espírito Santo e Santa Catarina, onde houve conflitos de rua, até mesmo acabando com o carnaval capixaba. Horas depois, distritos policiais metralhados, ônibus incendiados, uma menina de 6 anos morta pelas chamas, em São Luís. Não estavam preparados para a crise precisamente porque todos esses anos de dominação criaram uma espécie de viseira, alimentada pela falta de uma imprensa independente mais forte, à altura do Maranhão.

Embora o declínio seja visível, a força de Sarney no Maranhão também o é. As eleições maranhenses podem ter dimensão nacional. O adversário mais bem colocado é o presidente da Embratur, Flávio Dino, do PC do B. Depois de 48 anos de dominação do clã, passar às mãos do PC do B não deixa de ser uma trajetória singular para um Estado com tanto potencial.

Como o campo da política é mais pantanoso, não se sabe até que ponto virão mudanças. A sensação que tive em São Luís é de que, ao menos na capital, há um desejo de romper com o longo domínio. Com baixos índices sociais e alto nível de violência, os sobressaltos na sociedade são tão imprevisíveis quanto na política.
Devo voltar ao Maranhão para filmar os búfalos que importaram para desenvolver uma região do Estado. Os búfalos multiplicaram-se tanto que arrasaram a lavoura, e continuam aumentando. Quem sabe, correndo por fora, os búfalos não se tornem também protagonistas de destaque no Estado? Eles dão carne, leite e queijo, mas devastam tudo o que há ao redor.

Isso me parece muito com o destino de um Estado que cresce, mas deixa um rastro de destruição, violência e miséria. Os poderosos estão felizes. Os búfalos, também.

José Sarney precisava ter acreditado nos seus discursos de 1966, quando se elegeu. Estão lá no filme do Glauber. Seguiu um caminho diferente. O filme agora é outro: poder, riqueza, glória e o mesmo povo pobre das imagens de Glauber.

Fichas limpas, fichas sujas

Luiz Garcia 
O Globo

Proibição de inquéritos policiais por crimes eleitorais é aplaudida principalmente por políticos que têm alguma razão para não serem simpáticos a esses inquéritos

É muito raro acontecer, mas políticos governistas e de oposição estão unidos numa cruzada a favor de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Entende-se essa união: o TSE proibiu que a Polícia Federal e o Ministério Público investiguem possíveis crimes eleitorais nas eleições deste ano.

Para os políticos, como o senador Cássio Cunha Lima, do PSDB, o MP precisa ser controlado. Parece óbvio que, como qualquer órgão público, suas iniciativas tenham de ser acompanhadas pela opinião pública e sujeitas às leis do país. Entende-se também, por triste motivo, a posição de Cunha Lima: ele certamente não se esquece que chegou a ser impedido de assumir o mandato, há três anos, em consequência de uma denúncia de promotores, com base na Lei da Ficha Limpa.

A resposta dos policiais à tomada de posição do TSE foi clara: em nota, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal afirma que é sua missão “instaurar investigação diante de qualquer crime que chegar ao seu conhecimento”. E acentua que, para isso, não precisará de autorização de um juiz (eleitoral, no caso). É uma afirmação óbvia: a agilidade nas investigações policiais é parte indispensável do êxito de suas ações.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ameaçou recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a decisão do TSE. E vale a pena não esquecer que ela foi recebida com aplauso — e certamente também com alívio — por políticos como o senador Cássio Cunha Lima, que teve sua posse ameaçada em 2011 por ter sido denunciado pelo Ministério Público Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa.

Muitas vezes, a qualidade de uma decisão, como essa do TSE, pode e deve ser aliada pela identidade de quem a defende. A proibição de inquéritos policiais por crimes eleitorais está sendo aplaudida principalmente por políticos que têm alguma razão para não serem simpáticos a esses inquéritos.

E ela está sendo condenada por membros do Ministério Público e delegados da Polícia Federal. Nenhum deles tem, que se saiba, interesses pessoais em jogo. Pelo visto, a proibição de inquéritos sobre possíveis crimes eleitorais nas últimas eleições pode e deve ser avaliada pela biografia de quem a defende. Ou seja, pelo grau de limpeza de sua ficha.

Simpatias em Davos para o azar não crescer

Marco Antonio Rocha
O Estado de S. Paulo

No último artigo escrito para esta página (19/12/2013), sugeri que o maior desafio que a presidente Dilma Rousseff tem pela frente talvez não se resuma em ser reeleita, e, sim, na obrigação de bem conduzir o Brasil a partir de 2015. Esse desafio tem grande probabilidade de tornar sua reeleição uma vitória de Pirro e de levar o seu segundo mandato ao desastre. O pior é que uma boa parte do que possa dissipar o nevoeiro da economia e da política, no horizonte pós-eleitoral, depende mais da sorte do que da presidente e da equipe do governo.

Dilma parece ter percebido que a sorte precisa lhe sorrir – como sorriu em 2008 para o seu antecessor e padrinho – e decidiu embarcar para Davos, na Suíça, na semana que vem, à frente de luzida equipe de governo.

O Fórum Econômico de Davos tornou-se, ao longo de anos, o maior palco de exibição, de negociação, de consultas ou de simples auscultação da nata do capitalismo privado mundial e da nata dos administradores de políticas públicas dos governos mais poderosos. No seu tempo, Lula estimulou, do Brasil, a realização de um outro fórum, no mesmo local, um fórum de desenvolvimento social, arrebanhando lideranças de “movimentos” os mais diversos. É difícil de saber exatamente o que de proveitoso resultou daquilo, mas, aparentemente, nada.

A presidente Rousseff nunca se importou com Davos nem compareceu nos três conclaves realizados durante o seu mandato. Ao que parece, estava mais empenhada e preocupada com a extinção da miséria do que com a promoção da riqueza. Mandava representantes. Um deles, o eminente ministro Antonio Patriota, tentou justificar a ausência de Dilma dizendo que “a Davos só vai quem procura promoção pessoal”.

Supomos, então, que neste “4º Davos” do seu mandato ela tenha resolvido “procurar promoção pessoal”. Tanto assim que o sr. Antonio Patriota não vai – provavelmente para não fazer sombra.

Mas, longe de apenas promoção pessoal, o que ela vai procurar é promoção para o seu governo, seus ministros e para o Brasil em geral. Em resumo, vai dizer para os ouvidos capitalistas do mundo ali reunidos aquilo que Stephen Zweig dizia nos anos 30: que “o Brasil é o país do futuro!”. Vai procurar provar que é um grande equívoco a desconfiança em relação ao Brasil e seu futuro, que tem tido espaço na imprensa e em muitos ambientes de negócios internacionais – inversamente ao que aconteceu no segundo mandato de Lula, quando o Brasil chegou a ser quase um xodó dos fazedores de dinheiro em proveito próprio -, e que aqui é que realmente pode estar o novo eldorado capitalista, e não na China ou nos países árabes.

Como uma Branca de Neve de vermelho, levará consigo alguns dos mais sábios dos seus anões, que tentarão convencer os “nervosinhos” e “pessimistas” do mundo inteiro de que as incongruências e inconsistências de política econômica interna, nos resultados fiscais, monetários, creditícios e fiscais – causadores de pressões inflacionárias, insegurança entre investidores e incertezas na população -, são apenas naturais e “parte do processo”.

Ao Mestre, por exemplo, caberia explicar que “contabilidade criativa” é um novo olhar sobre a realidade, e esta é muito saudável. Ao Feliz incumbiria falar do perfeito estado do Tesouro; ao Soneca, dos rumos do PAC; ao Dunga, dos transportes. Branca de Neve dirá que não teme o Lobo Mau.

A missão é da maior importância, pois, no SMD (Segundo Mandato Dilma), a economia brasileira precisa retomar uma taxa de crescimento decente e sair deste brejo do PIB do PMD (Primeiro Mandato Dilma). A retomada exige forte aporte de investidores privados internacionais, já que os nacionais estão curtos de grana e do superávit primário do governo pouco se espera, pois só existe na “contabilidade criativa”.

Erva-de-bicho, guiné, arruda-macho, espada-de-são-jorge, tudo fervido em 3 litros d’água. E muita fé.

E o País que se lixe

O Estado de S.Paulo

Os brasileiros não estão propriamente com o coração na boca à espera do que decidirá a presidente Dilma Rousseff sobre a reforma ministerial depois que tiver voltado, no dia 29, de um peculiar rolê por Davos, Havana e Caracas. Por dever de ofício a imprensa registra os encontros entre ela e seu vice, Michel Temer, presidente de facto do PMDB, assim como as reuniões entre ele e a cúpula da agremiação, sedenta por mais ou melhores posições na Esplanada.

Mas o público sabe intuitivamente que, na mais caridosa das hipóteses, o governo continuará sendo a lástima que é em matéria de competência administrativa do seu primeiro escalão, sejam lá que siglas e quais dos seus ungidos se aboletarão nas pastas que vagarem com a saída de titulares que pretendem se candidatar a mandatos eletivos ou pela substituição dos interinos.

Fala-se, evidentemente, daqueles Ministérios passíveis de barganhas com a base aliada, o que exclui, por definição, os 18 em posse do PT, do enxundioso Gabinete de 39. Envolvem repartições poderosas ou insignificantes. Entre as primeiras o PMDB saliva pela Integração Nacional, como é designado o que, em essência, é um Ministério do Nordeste, com recursos e empregos para oligarca nenhum pôr defeito.

A pasta, feudo do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, era ocupada por seu aliado e também pernambucano Fernando Bezerra Coelho. Com a pré-candidatura de Campos e a saída do pessoal que ele alojara no Planalto, Coelho foi substituído interinamente pelo engenheiro civil cearense Francisco Teixeira, que já ocupava a Secretaria de Infraestrutura Hídrica do setor.

Mas talvez ele não tivesse sido alçado ao comando do Ministério, apesar de suas credenciais, não fosse o patrocínio dos seus mais influentes conterrâneos, os irmãos Gomes, Cid, o governador, e Ciro, o ex-muitas coisas, ambos caciques do recém-formado Pros. A Integração é o único Ministério da nova sigla - e talvez seja mais fácil o sertão virar mar do que Dilma removê-la desse privilegiado espaço em benefício do PMDB a quem Ciro tem aversão (o sentimento é correspondido).

Celebrizada por sua voracidade, a legenda - a segunda maior da Câmara e a primeira do Senado - se considera sub-representada no Executivo, com cinco pastas. Só que o seu poder de pressão ficou enfraquecido com as atribulações maranhenses do soba José Sarney e o desgaste do seu sucessor na presidência do Senado, Renan Calheiros, depois da sua grotesca tentativa de repassar ao contribuinte a conta do implante capilar a que se submeteu.

De mais a mais, Dilma conta com o vice Michel Temer, que não tem nenhuma intenção de alimentar um conflito que possa culminar com a deserção de seu partido da reeleição da presidente, logo, com sua substituição na chapa por outro alguém. Temer há de ter parte com a presumível demanda peemedebista pela Secretaria dos Portos, ocupada interinamente pelo economista Antonio Henrique Pinheiro, egresso da Fazenda.

No Congresso e na Secretaria de Governo de São Paulo, exerceu notória influência sobre a estatal que administra o Porto de Santos. Ele não se fará de rogado para indicar um nome para o lugar de Pinheiro, com o que o PMDB, ostentando contrariedade, como de praxe, aceitará a compensação por não ter abocanhado a Integração. De resto, os profissionais da sigla conhecem os seus limites e a natureza do jogo.
Sabem que a prioridade para Dilma é abrigar na Esplanada o maior número de siglas, a exemplo do PTB, que se desgarrou do Planalto depois que o seu chefe Roberto Jefferson denunciou o mensalão e arfa pela oportunidade de voltar, na pessoa de seu presidente Benito Gama, cotado para o Turismo.

Os enlaces partidários de Dilma não visam à multiplicação dos seus palanques pelo Brasil afora. Disso Lula cuida. O que ela quer é ter no horário eleitoral tempo à farta, o que se consegue incluindo mais letrinhas na sopa da coligação. A meta é ter pelo menos tempo igual ao de todos os outros candidatos somados. Se pudesse, criaria tantos quantos "Ministérios da Reeleição" fossem necessários para satisfazer todos os interessados. E o País, como disse aquele deputado da opinião pública, "que se lixe".

O ministro nervosinho

Alexandre Schwartsman
Blog Mão Visível

Muito embora o ministro da Fazenda tenha afirmado que sua decisão de antecipar o anúncio do resultado fiscal do ano passado (presumindo que não esteja errado, como esteve em outubro) fosse destinada a “acalmar os nervosinhos”, não é preciso muito esforço para perceber que são seus próprios nervos que se encontram à flor da pele.

Caso não estivessem, talvez lhe fosse possível perceber a futilidade da sua iniciativa. A começar porque só alguém muito divorciado da realidade poderia acreditar que a divulgação de um número tão conspurcado quanto o dado oficial do superávit primário poderia moderar os receios do mercado.

Ainda que, segundo o ministro, este tenha atingido um valor em torno de R$ 75 bilhões, sabe-se que apenas em novembro o montante de receitas não recorrentes atingiu nada menos do que R$ 35 bilhões, quase metade do saldo do ano. Na verdade, até novembro do ano passado, as receitas de concessões, dividendos e o Refis (o refinanciamento de dívidas tributárias em condições favoráveis) chegaram a R$ 59 bilhões. Assim, enquanto o número oficial do governo registra um superávit federal equivalente a 1,9% do PIB nos 12 meses terminados em novembro, o número corrigido – reflexo mais fiel do esforço fiscal – mal alcança 0,3% do PIB.

Neste sentido, como todos os analistas sérios são capazes de corrigir tais dados (com pequenas diferenças de abordagem), ninguém deve ter ficado particularmente impressionado com o anúncio autolaudatório. Se o ministro esperava fanfarras em resposta à sua entrevista, deve ter ficado muito decepcionado.

Mais decepcionado, porém, ficou o mercado. Ao antecipar um resultado que nada vale e se esquivar de qualquer comprometimento mais firme acerca do desempenho fiscal futuro, a mensagem passada ao setor privado não poderia ser mais clara: não há qualquer plano que contemple a possibilidade de um ajuste fiscal neste ano que se inicia, nem talvez sequer nos próximos, dadas as convicções do governo sobre o tema.

A reação negativa, expressa na desvalorização da moeda e elevação das taxas de juros, não ocorreu, assim, nem por acaso, nem por força de fatores internacionais, mas sim por conta da percepção cada vez mais disseminada de piora dos fundamentos do país. Mais um tiro, enfim, que saiu pela culatra, marca registrada hoje em dia da gestão de política econômica no país.

Isto dito, o nervosismo do ministro também se escancara em sua relação com o mercado. Ao contrário de seus antecessores imediatos, que reagiam de forma serena mesmo quando divergiam da análise do setor privado, o ministro quase sempre busca o enfrentamento, apenas para mais tarde reconhecer – forçado pelas circunstâncias – seus equívocos crescentes, como, mais recentemente, no que se refere às mudanças de regras para as concessões de infraestrutura.

É natural, em face do desempenho medíocre da economia, que o ministro da Fazenda esteja sujeito a toda sorte de pressões, inclusive do próprio governo, cujos objetivos políticos dependem, em certa medida, de crescimento mais vigoroso do que o ostentado pelo Brasil nos últimos anos.

O que se espera, contudo, é que o titular do cargo tenha as condições de suportar estas tensões, e que seja capaz de formular respostas efetivas aos problemas enfrentados nofront econômico. Em particular, que suas falas não contribuam para o aprofundamento da crise de confiança que hoje assola o país.

Neste último aspecto, a falta de compostura do ministro da Fazenda, mesmo depois que quase 8 anos no cargo, revela sua inabilidade para trabalhar sob pressão e compromete ainda mais sua já escassa capacidade de formulação de política.

Num mundo caracterizado por preços elevados de commodities e liquidez mundial abundante é mais fácil controlar os nervos; quando estas condições, porém, se alteram para pior, quem não tem preparo fica mesmo “nervosinho”.

Casamento de fachada

Dora Kramer  
O Estado de S.Paulo

O PT é um parceiro difícil e, convenhamos, o PMDB também não é fácil. Nunca se deram bem, entre outros motivos porque nada têm em comum: desde a origem, o jeito de agir, os personagens, as identidades; são entes feitos de massas completamente diferentes.

Ainda assim, a partir do segundo governo de Lula da Silva resolveram se casar oficialmente. Nada a ver com amor. A regra do interesse sempre foi clara: o PT entra com os lotes da administração federal e o PMDB, com a força no Congresso, resultantes de grandes bancadas conseguidas a partir da máquina partidária País afora e dos instrumentos recebidos do poder central para "fazer política".

A insatisfação entre os nubentes também sempre foi nítida. Reclamações de parte a parte, mas o reconhecimento de que precisavam um do outro.

Agora, contudo, depois de quase oito anos de convivência forçada, nada mais une um partido ao outro e quase tudo parece desuni-los. A motivação da aliança vai desaparecendo. O PMDB não recebe do PT os mecanismos considerados eficientes para "fazer política" - ministérios com dinheiro, obras e visibilidade - e por isso mesmo o partido está cada vez menos disposto a ceder palanques aos petistas nos Estados.

Teme perder esse espaço que lhe assegura peso congressual, deixando de eleger grandes bancadas. Nas contas para governos estaduais, os pemedebistas por ora vislumbram chance de vitória em Rondônia, Amazonas, Ceará e Bahia. Pouco para uma legenda cuja força é regional e precisa cuidar dessa seara.

O PMDB quer o Rio de Janeiro e em Minas já faz movimentos em direção ao PSB. Como ninguém atende ao interesse de ninguém nessa aliança, é de se perguntar o que ainda os une além do desejo de Michel Temer de ser vice, de Henrique Alves e Renan Calheiros de presidir mais uma vez a Câmara e o Senado.

O partido como um todo anda indisposto a se manter fiel a projetos individuais de expectativas não realizadas. Percebe o risco à sobrevivência do coletivo e chegou à conclusão de que onde houver os chamados palanques duplos Dilma e Lula darão preferência ao PT, deixando o PMDB no ora veja.

Como, aliás, já fizeram em outros carnavais.

Aposta real. 
Parecia blefe, mas a insistência do PMDB em manter candidatura própria ao governo do Rio de Janeiro é "à vera". Pelo seguinte: o partido tem certeza de que o vice-governador Luiz Fernando Pezão chega ao segundo turno.

Conta com as máquinas no Estado e da Prefeitura e não seria contaminado pelo desgaste do governador Sérgio Cabral exatamente pelos atributos opostos aos que fizeram Cabral ser mal avaliado: deslumbramento, imprudência e arrogância.

Pezão é bem quisto, pé de boi e refratário a excessos sociais. O PMDB acha que, partindo do patamar de 25% de aprovação de Cabral, o vice multiplica o patrimônio assim que o governador se afastar da cena.

Sobre os adversários a avaliação é a seguinte: PSDB e PSB estão fora do páreo. No campo governista, Anthony Garotinho e Marcello Crivella têm boa largada, mas teto insuficiente para uma boa chegada. Lindbergh Farias, do PT, não deslanchou ainda.

Verdade seja dita, em boa medida por ação de Cabral junto a Lula para que o PT não saia do governo e, assim, impeça o petista de fazer oposição contundente ao PMDB.

Mal menor. 
O PSDB não vê grandes danos na adesão do PPS ao PSB (agora ameaçado pela resistência de Marina Silva em apoiar Geraldo Alckmin em São Paulo).

Significa apenas 15 segundos de acréscimo na propaganda eleitoral, enquanto boa parte das alianças nos Estados está acertada entre os tucanos e Eduardo Campos. Notadamente para o segundo turno, onde houver.

Difícil travessia

Rogério Furquim Werneck
O Globo

O quadro econômico mostra-se muito mais precário do que o Planalto esperava. E é bem possível que se deteriore ainda mais

Faltam menos de nove meses. Mas as duas primeiras semanas do ano já foram suficientes para que o governo se desse conta de que ainda tem pela frente longa e difícil travessia até as eleições.

O quadro econômico mostra-se muito mais precário do que o Planalto esperava. E é bem possível que se deteriore ainda mais ao longo do ano. A perspectiva de crescimento da economia continua medíocre. A margem de manobra para manipulação da inflação e das contas públicas estreita-se a cada dia. E o governo agora caminha em gelo fino, assustado com a possibilidade de ter de lidar com os desdobramentos de um rebaixamento do risco soberano do país em pleno ano eleitoral, em meio à contração da liquidez internacional.

Não obstante a vigorosa repressão de preços administrados, a taxa de variação do IPCA terminou o ano encostada em 6%, depois de ter registrado a maior inflação de dezembro dos últimos 11 anos. Já não há mais dúvida de que o Banco Central vai de fato se permitir atravessar todo um mandato presidencial com a inflação substancialmente acima da meta.

Permanecem as preocupações com a evolução das contas públicas. A política fiscal continua claramente expansionista. E a disparatada ideia do ministro da Fazenda de antecipar a divulgação do resultado fiscal de 2013, para acalmar os mercados, acabou tendo o efeito inverso. Serviu tão somente para deixar claro que o governo já nem tenta fingir que tem um discurso minimamente coerente sobre a condução da política fiscal.

É inacreditável que, a esta altura dos acontecimentos, ainda se alegue que o que falta é explicar ao distinto público que a deterioração das contas públicas é simples consequência da necessidade de conciliar as demandas sociais com a queda de receita tributária. E que não há razões para preocupação com a evolução da dívida bruta porque, em contraste com que o que foi prometido e não cumprido no ano passado, o governo deverá afinal reduzir as transferências do Tesouro ao BNDES, em 2014, iniciando o que agora vem sendo pomposamente rotulado de “tapering do BNDES”.

Mas a verdade é que nem mesmo o próprio Planalto acredita nesse discurso descosido. O governo tem plena consciência de o quão precário é o quadro econômico do País e da vulnerabilidade que isso representa para o projeto da reeleição. Sem possibilidade de assegurar redução crível dessa precariedade em tempo hábil, a presidente, em seu pronunciamento de fim de ano à Nação, preferiu apelar para a denúncia à “guerra psicológica” que instila “desconfiança injustificada” nas perspectivas da economia.

A indisfarçável insegurança do Planalto com a situação econômica do país tem sido fonte de grande tensão na coalizão governista. E, nesse clima tenso, o PT vem claramente enfrentando dificuldades para manter a frieza necessária para conduzir uma campanha eleitoral complexa que, com alta probabilidade, só terá desfecho no segundo turno. Basta ter em mente as desastradas diatribes apócrifas contra Eduardo Campos e Marina Silva publicadas na página oficial do partido no Facebook, na semana passada.

Mas não é só da economia que poderão advir dificuldades inesperadas. Fazer o amplo arco da base governista avançar no mesmo compasso, em movimento harmônico, nos próximos meses, será um grande desafio. E a presidente agora se dá conta de que marchar ao lado de certas falanges pode acabar sendo proibitivamente oneroso, como bem ilustra o tétrico e desgastante circo de horrores com que o governo teve se envolver na capital maranhense neste início de ano.

Na sexta-feira passada, os principais jornais do país estamparam imagens emblemáticas do ministro da Justiça, ao lado da governadora do Maranhão, em São Luís, contorcendo-se para tentar sair bem numa foto em que visivelmente não queria estar. Queixo apoiado no punho, em pose que lembrava “O pensador”, de Rodin, o ministro parecia se indagar que cálculo político ainda justificaria manter o projeto da reeleição atrelado a forças tão escancaradamente associadas à vanguarda do atraso no país.

Bactéria mais resistente

Celso Ming  
O Estado de S.Paulo

O Banco Central teve de ir mais longe do que pretendia no aperto dos juros. Essa mudança de planos também diz mais do que poderia parecer.

Ficou claro que a dose anterior do remédio não foi suficiente. A infecção é mais séria do que apontavam os diagnósticos oficiais. Ou seja, está sendo questionada a capacidade do Banco Central de prever a trajetória da alta dos preços. Ele mais vem sendo conduzido pela inflação do que a vem conduzindo.

Desde novembro, os comunicados vinham passando o recado de que o ciclo de alta dos juros estava no fim. Esse fim ficou mais uma vez adiado até que esteja mais clara a convergência da inflação, não propriamente para a meta, mas para um ponto qualquer mais próximo dela, que é de 4,5% ao ano.

Fica questionado, também, o procedimento adotado. O Banco Central foi levado a reforçar a alta de juros não só porque a política fiscal não ajuda - ou porque a austeridade na condução das contas públicas é insuficiente para reduzir a demanda por bens e serviços que corre acima da capacidade de oferta da economia. Também vai ficando inevitável admitir que a política monetária (política de juros) perdeu certo grau de eficácia. Enfrenta uma bactéria geneticamente modificada bem mais resistente aos antibióticos convencionais.

Esse parece, em parte, o resultado das decisões do próprio governo, que vem represando artificialmente suas tarifas. Quanto mais interfere nos preços sobre os quais a política de juros não atua - ou sobre 25% da cesta de consumo -, mais, também, o Banco Central tem de puxar pelos juros, de maneira a agir sobre o segmento que cobre os 75% restantes.

Em outras palavras, a reindexação, ou seja, a prática de reajustes automáticos de preços, de que o Banco Central vem reclamando, também fica tanto mais acirrada quanto mais o governo atrasa seus reajustes: os agentes econômicos (os fazedores de preços livres) tendem a remarcar mercadorias e serviços não mais de acordo com a inflação, mas de acordo com a evolução dos preços livres.

Como vem sendo observado por esta Coluna em edições anteriores, em 2013, por exemplo, os preços administrados diretamente pelo governo avançaram apenas 1,52%, enquanto os preços livres subiram 7,27%.

Tudo indica que o Banco Central não tem clareza sobre os próximos passos. Segue determinado a desacelerar a alta dos juros, mas, diante do que aconteceu em dezembro, não sabe o quanto sua política será exigida nos próximos meses. A introdução da expressão "neste momento", usada pela primeira vez em seu comunicado para justificar a alta dos juros decidida quarta-feira, sugere que continuará monitorando os momentos seguintes e, a partir daí, agirá.

Em parte, depende do resto do governo, especialmente da qualidade da política fiscal dos próximos meses. Mas depende, principalmente, do comportamento futuro da própria inflação. As expectativas do mercado, colhidas pelo próprio Banco Central por meio da Pesquisa Focus, são de que, apesar do aperto monetário, a inflação continuará correndo acima dos 6,0% ao ano.

Remédio forte

 Míriam Leitão  
O Globo

Juros incomodam, mas a inflação incomoda muito mais. Essa pode ter sido a convicção do Banco Central ao decidir manter o mesmo ritmo de alta, apesar de a maioria do mercado apostar que ele reduziria a dose. As apostas em redução do ritmo tinham mais a ver com a falta de confiança na autonomia do BC do que na análise da conjuntura. A inflação permanece alta e as expectativas pioraram.

A inflação do final do ano surpreendeu todo mundo. Até o BC. Natural que a ação continuasse sendo forte. Com a alta de ontem, esse ciclo de aperto já produziu um aumento de 3,25 pontos percentuais nos juros. A Selic começou a subir em abril, quando foi de 7,25% para 7,50%. De lá para cá, o Banco Central elevou a taxa sete vezes. É um forte aumento, mas a situação está mesmo complicada. E os juros ainda estão abaixo do ponto em que estavam quando o Copom começou a reduzi-los, em julho de 2011, quando estavam em 12,25%.

O remédio é amargo, vai sofrer críticas internas e externas, porém a inflação permanece resistente e só não estourou o teto da meta porque o governo reprimiu preço. Sem a queda da energia, o controle da gasolina do governo federal e a revogação dos aumentos de ônibus e metrô nos principais estados e cidades, o IPCA teria superado o teto. Inflação prorrogada um dia encontra o índice.

Portanto, o Banco Central fez bem, mas receberá agora as críticas de praxe. Num ano eleitoral, no entanto, o maior risco era deixar a inflação subir. E risco, bem entendido, não apenas para a presidente-candidata, mas para o país. A inflação está alta, alguns itens estão com a taxa reprimida, o dólar está subindo e deve continuar com essa tendência ao longo do ano.

O Bank of America projeta uma inflação em 6% este ano pelas várias fontes de pressão. Além do dólar alto, as outras pressões são: o mercado de trabalho, que tem mantido os salários mesmo com baixo crescimento da economia, os preços administrados que terão que se recuperar um pouco este ano, a falta de espaço fiscal para o governo conceder reduções de impostos que poderiam baixar preços.

A Selic é instrumento com o qual o Banco Central faz política monetária. É remédio amargo, mas pode ter como resultado uma desaceleração da inflação. O que é difícil de aguentar é o spread. A taxa de juros média para pessoas físicas, com recursos livres, subiu de 34,2% em abril de 2013 para 38,5%. Linhas para aquisição de veículos estão em 21% ao ano, uma taxa que parece pequena perto da cobrada na aquisição de outros bens, que foram de 68,3% para 72,6%. O cheque especial é sempre uma taxa punitiva em qualquer país, mas no Brasil é de matar o devedor: saiu de 136% para 146% nesse tempo em que a Selic está em alta.

A boa notícia é que mesmo com juros em alta — e juros do mercado em níveis escorchantes — a inadimplência das pessoas físicas caiu nesse período de 7,5% para 6,7% entre abril de 2013 até novembro de 2013.

Os preços dos alimentos subiram neste começo de ano, mas não tanto quanto no ano passado. Pelo índice da GO Associados, eles subiram 2,3% em dezembro, e, neste começo de janeiro, 0,7%. Segundo Fábio Silveira, carnes de frango, boi, suína, milho, café e laranja subiram. O tomate caiu 5% em dezembro e na primeira semana do ano despencou 31%.

Se o país atravessar esse período mais difícil da inflação com a alta de alimentos sazonal mais comportada poderá ter um ano mais tranquilo. Até porque essa dose forte de juros tenderá a fazer efeito nos próximos meses. Um deles é na confiança do compromisso do Banco Central em reduzir a inflação.

Inflação é bicho-papão do Brasil, diz Economist

João Pedro Caleiro
Exame.com

Texto da revista britânica publicado nesta quarta-feira diz que inflação e aumento dos juros podem ter impacto político em 2014

Ueslei Marcelino/Reuters 
A Economist diz que o ano não começou bem para Dilma Rousseff

São Paulo - A The Economist voltou a focar nos problemas econômicos brasileiros.

Em texto publicado nesta quinta-feira, a revista britânica diz que "o ano não começou bem para Dilma Rousseff".

O problema principal é a inflação, nosso "bicho-papão" e uma questão política central, já que "a maioria dos adultos se lembra do período hiperinflacionário do início dos anos 90".

De acordo com a Economist, Dilma "tem feito o que pode para manter os preços baixos", mas o congelamento dos preços administrados pode causar estrago nas estatais.

O IPCA de dezembro veio mais alto do que o esperado e levou o Copom a aumentar os jurosem 0,5% ontem, mais do que os 0,25% esperados pelo mercado.

A revista também cita outros dados negativos recentes do país, como a primeira queda nas vendas de carros em 10 anos e a maior saída de dólares desde 2002.