quinta-feira, fevereiro 27, 2014

Uso político do BNDES pelo PT é um dos maiores crimes contra a Nação

Carlos Newton
Tribuna da Imprensa

Surgem cada vez mais críticas ao desempenho do BNDES, que na gestão de Luciano Coutinho se transformou num simples instrumento de governo. Para mim, ex-funcionário do BNDES, é algo inaceitável. Na gestão da dupla Carlos Lessa/Darc Costa, a melhor administração que o banco de fomento já teve, eu trabalhava em Brasília, representando a diretoria junto ao Congresso Nacional.

Na época (2003), o BNDES era um dos pratos do dia da oposição (PSDB, DEM e PPS). Eram frequentes os ataques ao banco, mas com argumentos ardilosos e falseados. Eu anotava tudo, respondia as críticas por escrito, imediatamente enviava ao parlamentar oposicionista, e no dia seguinte comparecia ao gabinete e explicava como ele estava ingenuamente sendo usado por “informantes” mal intencionados. E eu sempre acabava a conversa usando um argumento irrespondível:

“O BNDES não pertence ao PT ou ao governo. O BNDES trabalha para desenvolver o País social e economicamente. Não está a serviço de grupos ou facções”. Entregava ao parlamentar da oposição um manual sobre os financiamentos do BNDES e explicava que o banco estava à disposição para projetos em todos os Estados e municípios brasileiros, e não nos interessava se eram governados pelo partido A ou B.
Os parlamentares oposicionistas que haviam criticado o BNDES ficavam envergonhados e nunca mais caiam na esparrela dos “informantes”, como aconteceu com Artur Virgilio, Alberto Goldman, José Agripino Maia, Alvaro Dias e tantos outros que foram procurados por mim.

RETROCESSO
Era um prazer trabalhar com dois intelectuais brasileiros como Carlos Lessa e Darc Costa, ambos nacionalistas e somente dedicados aos interesses do país. Estabeleceram uma nítida separação entre empresa nacional e multinacional, ao mesmo tempo em que criaram incentivos às empresas de setores estratégicos e tecnológicos (como energia,medicamentos e informática). Fizeram uma dobradinha com a Petrobras e rapidamente recuperaram a indústria naval. Lançaram o Cartão BNDES e o banco enfim passou a financiar micros, pequenas e médias empresas. Bons tempos.

Depois, vieram as gestões de Guido Mantega e Demian Fiocca, e o BNDES começou a ser usado politicamente pelo governo, primeiro de forma tímida, depois escancaradamente. Mas nada que se compare à administração de Luciano Coutinho, um verdadeiro desastre.

Hoje o banco funciona como um instrumento do governo, criando degenerações, como o Friboi e o Grupo X, de Eike Batista, e fazendo financiamentos bilionários a Cuba e a outras nações financeiramente arruinadas e sem perspectivas.

E AS GARANTIAS???
Agora, pergunta-se pelas garantias, que no tempo de Carlos Lessa e Darc Costa eram anunciadas e detalhadas nos press-releases do banco. Hoje, se tornaram garantias secretas e não sai uma CPI, ninguém reclama, nada, nada…

Não pode ser assim, não pode continuar assim. As garantias precisam ser transparentes, para evitar o que aconteceu num vultoso financiamento a Eike Batista, que teve como avalista o Banco Votorantim.

Mas onde se lê Votorantim, por favor leia-se Banco do Brasil, que livrou da ruína o banco da família Ermírio de Moraes, da mesma forma que a Caixa Econômica Federal salvou o PanAmericano, da família Abravanel, evitando a falência de Silvio Santos.

E tudo isso graças à generosidade de Lula, um ignorante a serviço dos banqueiros e das elites, ao invés de estar a serviço do país. Mas já é outro assunto, que envolve executivos tipo Henrique Pizzolato, um exemplo do patriotismo dos políticos brasileiros desta geração fracassada. Dá um desânimo danado. Precisamos de um novo Brizola, mas cadê ele?

Ação criminosa

O Estado de S.Paulo

O caso da ocupação e reintegração de posse de um condomínio popular do programa Minha Casa, Minha Vida em Itaquera, na zona leste, que deixou 22 invasores e dois policiais militares (PMs) feridos, mostra que já está na hora de o poder público rever o seu comportamento em relação aos chamados movimentos sociais voltados à questão da moradia, em especial ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que estão longe de ter a pureza que se atribuem, podendo mesmo descambar para a criminalidade pura e simples. Além disso, deve também, como propõe o Ministério Público Estadual (MPE), investigar a existência de máfias que "vendem" moradias populares a famílias desavisadas.

Dessa vez, nenhuma liderança de "esquerda" - em geral com mal disfarçada simpatia de altos funcionários federais - pode acusar o governo estadual de truculência no cumprimento de ordem judicial, como costuma acontecer. O enorme condomínio de 940 unidades, invadido por cerca de 3 mil pessoas, é de um programa federal que é a menina dos olhos da presidente Dilma Rousseff e a reintegração de posse foi pedida pela Caixa Econômica Federal, que financiou sua construção. Ele foi ocupado no fim de julho do ano passado e desde então a Caixa fez o que pôde para recuperar pacificamente os imóveis.

Ela afirma em nota que os invasores "foram comunicados sobre a reintegração no mês de setembro de 2013 por meio do oficial de Justiça" e depois avisados por panfletos distribuídos pela Polícia Militar entre dezembro e janeiro. De nada adiantou. Mas nesse caso houve outras coisas igualmente graves. Em primeiro lugar, os invasores não tomaram propriedades de burgueses, que na ótica de movimentos sociais devem mesmo ter esse destino para reparar injustiças. As moradias eram destinadas a famílias carentes com renda de até R$ 1.600, que se tornaram suas vítimas. Elas tiveram seus direitos atropelados por pessoas que quiseram furar a fila em que estavam.

Elas foram selecionadas pelo Minha Casa, Minha Vida, da mesma forma que os governos estaduais e municipais fazem com seus programas habitacionais. Mas o MTST não aceita essa regra. Quer passar por cima do poder público em todos os seus níveis - federal, estadual e municipal - e impor a distribuição das moradias populares de acordo com lista de invasores feita pela entidade. Em resumo, quer se transformar numa espécie de "poder popular", que dita as regras da distribuição de imóveis construídos com dinheiro público, segundo seus critérios ideológicos. Uma clara subversão da ordem, encarnada no caso desse condomínio pelo governo do PT, que tem ministros que mesmo assim cortejam "movimentos sociais".

Paralelamente a isso, há fortes indícios da existência tanto de máfias que "vendem" moradias, conforme denúncia que o MPE deseja apurar, como de outras que cobram para colocar famílias nas listas dos programas habitacionais.

Outro aspecto preocupante do comportamento dos invasores do condomínio de Itaquera foi o vandalismo. Antes de abandonar os imóveis, numa ação em que a PM atuou com notável moderação, danificaram seriamente centenas deles. Derrubaram portas e janelas e quebraram vidraças, pias e vasos sanitários. Em outros apartamentos, colocaram fogo em cortinas e colchões. E ainda furaram a caixa d'água do condomínio. Foi como se dissessem - se eu não posso, outras pessoas também não vão morar aqui. O rastro de destruição que deixaram com sua ação criminosa - isto mesmo, criminosa - foi impressionante.

A Caixa garantiu "aos beneficiários de direito (os escolhidos pelo programa do governo) que as unidades habitacionais serão entregues em perfeito estado de habitabilidade". Vai custar caro ao contribuinte, mas isso é o de menos.

O mais importante - porque isso pode evitar a repetição de casos lamentáveis como esse - é saber se daqui para a frente as autoridades, especialmente as do governo federal, vão concordar em ser tuteladas por movimentos sociais que não hesitam em agir como bandidos para atingir seus objetivos. O preço dessa rendição seria muito mais caro para o País do que elas podem imaginar.

Petrobrás também bancou evento do MST

Eduardo Bresciani
O Estado de S.Paulo

Como BNDES e Caixa, estatal contratou sem licitação e liberou R$ 650 mil para associação ligada ao movimento; Incra gastou com estrutura


BRASÍLIA - A Petrobrás fechou um contrato de patrocínio, sem licitação, com entidade ligada ao Movimento dos Sem Terra (MST) para evento realizado no 6.º Congresso Nacional do MST, realizado há duas semanas em Brasília. A estatal confirmou ter contribuído com R$ 650 mil.

O congresso do movimento culminou com uma tentativa de invasão do Supremo Tribunal Federal e um quebra-quebra na Praça dos Três Poderes que deixou 32 feridos, sendo 30 policiais. O Estado já tinha revelado que a Caixa Econômica Federal e o BNDES colaboraram com um total de R$ 550 mil para o evento, por meio de patrocínios para a Associação Brasil Popular (Abrapo).

A Abrapo recebeu os patrocínios para a Mostra Nacional de Cultura Camponesa, atividade que serviu como ponto de encontro para os integrantes do congresso do MST. Ao todo, foi gasto cerca de R$ 1,6 milhão em recursos públicos e de empresas com economia mista.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desembolsou R$ 448 mil para a montagem da estrutura da Feira Nacional da Reforma Agrária, outra atividade ligada ao Congresso.

A Abrapo e o MST têm relação próxima. A conta corrente da associação no Banco do Brasil aparece no site do movimento como destino de depósito para quem deseja assinar publicações como o jornal Sem Terra.

A Petrobrás diz que os R$ 650 mil foram destinados porque a Mostra "alinha-se ao programa Petrobrás Socioambiental na linha dedicada à produção inclusiva e sustentável".

Além do patrocínio para o evento, a estatal informou ainda que planeja bancar uma outra iniciativa da Abrapo, "para a produção e lançamento de CD, DVD e caderno de canções infantis no meio rural, como estímulo à preservação e difusão da cultura tradicional e popular brasileira". Este contrato tem valor de R$ 199 mil.

Ressarcimento. 
A Frente Parlamentar da Agropecuária pediu ao Ministério Público que investigue os patrocínios e peça ressarcimento aos cofres públicos em caso de irregularidade. A bancada ruralista quer também aprovar um requerimento para convocar o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para depor na Comissão de Agricultura da Câmara.

A Caixa, que patrocinou a Mostra com R$ 200 mil, e o BNDES, que destinou R$ 350 mil, alegam que havia motivos comerciais para fazer o patrocínio. Os contratos foram assinados sem licitação. O Incra afirma não ter repassado recursos à Abrapo, sendo responsável apenas pela montagem da estrutura física do evento e pela infraestrutura de transporte de mercadorias dos produtores selecionados. 


BNDES deu R$ 350 mil para evento do MST

Eduardo Bresciani
 O Estado de S.Paulo

Caixa também liberou R$ 200 mil para Mostra de Cultura Camponesa; congresso nacional da entidade teve passeata que terminou em tumulto


BRASÍLIA - A Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fecharam contratos sem licitação de R$ 200 mil e R$ 350 mil, respectivamente, com entidade ligada ao Movimento dos Sem Terra para evento realizado no 6.º Congresso Nacional do MST. O evento, há duas semanas, terminou em conflito com a Polícia Militar na Praça dos Três Poderes que deixou 32 feridos, sendo 30 policiais. Houve, ainda, uma tentativa de invasão do Supremo Tribunal Federal.

A Associação Brasil Popular (Abrapo) recebeu os recursos para a Mostra Nacional de Cultura Camponesa, atividade que serviu de centro de gravidade para os integrantes do congresso do MST. As entidades têm relação próxima, tanto que a conta corrente da Abrapo no Banco do Brasil aparece no site do MST como destino de depósito para quem deseja assinar publicações do movimento social, como o jornal Sem Terra.

O contrato de patrocínio da Caixa, no valor de R$ 200 mil, está publicado no Diário Oficial da União de 3 de fevereiro de 2014. Foi firmado pela Gerência de Marketing de Brasília por meio de contratação direta, sem licitação. A oficialização do acordo do BNDES com a mesma entidade foi publicada três dias depois. O montante é de até R$ 350 mil. A contratação também ocorreu sem exigência de licitação e foi assinada pela chefia de gabinete da presidência do banco de fomento.

A Mostra Nacional de Cultura Camponesa, objeto dos patrocínios, ocorreu na área externa do ginásio Nilson Nelson, em Brasília. O congresso teve suas plenárias na área interna. Os dois eventos tiveram divulgação conjunta e o objetivo da mostra era mostrar os diferentes produtos cultivados pelos trabalhadores rurais em assentamentos dentro de um discurso do MST da valorização da reforma agrária.

Marcha. 
O congresso foi realizado de 10 a 14 de fevereiro e reuniu 15 mil pessoas. No dia 12, uma marcha organizada pelo movimento saiu do ginásio e percorreu cerca de cinco quilômetros até a Esplanada dos Ministérios. O objetivo declarado era a entrega de uma carta ao secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, com compromissos não cumpridos pela presidente Dilma Rousseff na área da reforma agrária.

No decorrer da passeata, o grupo de sem-terra integrou-se a petistas acampados em frente ao STF desde as prisões do mensalão, ameaçando invadir a Corte. Na presidência dos trabalhos, o ministro Ricardo Lewandowski suspendeu a sessão que ocorria no momento.

Um cordão de isolamento feito por policiais e seguranças da Corte impediu os manifestantes de avançar em direção ao Supremo. Eles então se dirigiram ao outro lado da Praça dos Três Poderes, rumo ao Palácio do Planalto. Quando os sem-terra romperam as grades colocadas na Praça o conflito começou.

Manifestantes atiravam cruzes que faziam parte da marcha, pedras e rojões contra a polícia, que usou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os militantes. Ao todo, 30 policiais e dois manifestantes ficaram feridos.

No dia seguinte ao conflito, a presidente Dilma Rousseff recebeu líderes do movimento para debater a pauta de reivindicações, atitude que sofreu críticas de parlamentares da oposição e ligados ao agronegócio. 

Incra gasta R$ 448 mil em evento no Congresso do MST

Eduardo Bresciani  
Agência Estado


O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) aplicou R$ 448,1 mil para montar a estrutura para um evento que ocorreu dentro do 6º Congresso do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado há duas semanas e que culminou com um conflito entre militantes e policiais na Praça dos Três Poderes no dia 12 de fevereiro. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo desta segunda-feira, 24, mostrou que Caixa e BNDES destinaram, sem licitação, R$ 550 mil em patrocínios a uma entidade ligada ao MST, a Associação Brasil Popular (Abrapo), para a realização de uma Mostra no mesmo Congresso.

Em nota, o Incra afirma que os recursos foram aplicados para a contratação de uma empresa "para montagem de estrutura de feira, transporte de mercadorias e montagem de estandes da Feira Nacional da Reforma Agrária". A autarquia destaca que a contratação foi feita com licitação e que não houve repasse a nenhuma entidade.

A Feira Nacional da Reforma Agrária foi realizada na área externa do ginásio Nilson Nelson, na área central de Brasília, e a requisição ao governo do Distrito Federal para a cessão da área foi feita pela Abrapo, mesma entidade que recebeu os patrocínios da Caixa e do Banco do Brasil. O Incra não soube informar se o evento era de responsabilidade da entidade e sustentou que apoia ações de comercialização de produtos de assentados desde 2000.

O 6º Congresso do MST foi realizado de 10 a 14 de fevereiro e reuniu 15 mil pessoas. No dia 12, uma marcha organizada pelo movimento saiu do ginásio e percorreu cerca de cinco quilômetros até a Esplanada dos Ministérios. O objetivo declarado era a entrega de uma carta ao secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, com compromissos não cumpridos pela presidente Dilma Rousseff na área da reforma agrária. No decorrer da passeata, o grupo de sem-terra integrou-se a petistas acampados em frente ao STF desde as prisões do mensalão, ameaçando invadir a Corte. Na presidência dos trabalhos, o ministro Ricardo Lewandowski suspendeu a sessão que ocorria no momento.

Um cordão de isolamento feito por policiais e seguranças da Corte impediu os manifestantes de avançar em direção ao Supremo. Eles então se dirigiram ao outro lado da Praça dos Três Poderes, rumo ao Palácio do Planalto. Quando os sem-terra romperam as grades colocadas na Praça o conflito começou. Manifestantes atiravam cruzes que faziam parte da marcha, pedras e rojões contra a polícia, que usou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os militantes. Ao todo, 30 policiais e dois manifestantes ficaram feridos. 

Brasília vai avaliar uso de pelotão ninja em protestos

Exame.com
Laura Maia de Castro, Estadão Conteúdo

Os agentes são especializados em artes marciais e sem armas de fogo

Valter Campanato/ABr 
Vários movimentos fazem protesto em frente ao Congresso: em Brasília, 
o ministro da Justiça falou também sobre o projeto de lei elaborado 
pelo governo para coibir abusos nas manifestações

São Paulo - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta segunda-feira, 24, que o uso nas manifestações populares de um "pelotão ninja" da Polícia Militar - especializado em artes marciais e sem armas de fogo - será avaliado pelo governo federal e pelos secretários estaduais.

Segundo o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, a experiência no ato de sábado foi "exitosa".

"Houve inovação em relação à tática e ao comportamento da polícia de São Paulo. Evidentemente essa tática será avaliada. Há uma ação conjunta de secretários de Segurança com o governo federal para discutirmos permanentemente a tática adequada para garantir liberdade de manifestação e coibir os abusos que têm ocorrido em protestos ultimamente", afirmou o ministro Cardozo.

No entanto, ele não quis fazer uma avaliação mais aprofundada sobre a experiência, tampouco analisar se houve excessos dos policiais.

O ato contra a Copa reuniu 2,3 mil policiais e 1,5 mil manifestantes no centro paulistano e foi a estreia do "pelotão ninja". O comandante da Polícia Militar na região central da cidade, Celso Luiz Pinheiro, disse que a megaoperação foi um "sucesso" porque diminuiu os danos ao patrimônio (apesar de ao menos duas agências bancárias terem sido depredadas), o número de policiais e civis feridos e os confrontos com manifestantes.

"A estratégia foi um sucesso. Foi quase nula a utilização de substâncias químicas e não usamos elastômero (balas de borracha)", disse, indicando que o método deve ser aplicado nos próximos protestos.

Por outro lado, o número de pessoas detidas na noite de sábado chegou a 262, recorde em manifestações. Somados aos 135 detidos no protesto de 25 de janeiro, a quantidade de presos em atos neste ano (397) já é maior do que o total registrado em 2013, quando ocorreram 374 detenções, segundo a Secretaria da Segurança Pública.

"A PM tem toda uma estratégia de ação. Toda a ação se deu, segundo o comandante da operação, em um momento em que se iniciou a quebra da ordem (o vandalismo). O propósito inicial era de isolar as pessoas que se predispõem a atos de quebra-quebra, de dano e de vandalismo. Portanto, foi uma operação feita com esse propósito, de evitar a quebra da ordem. E foi exitosa ao nosso ver porque nós tivemos um menor número de feridos, uma quantidade muito inferior de danos e um tumulto muito menos expressivo para a sociedade", reiterou Grella.

A nova estratégia motivou questionamentos porque muitos policiais utilizaram contra os manifestantes um golpe de arte marcial de maior contenção chamado "mata leão". O isolamento de profissionais de imprensa foi outra queixa. "Se houve erros, nós vamos apurar", ressaltou o secretário.

Lei de manifestações
Em Brasília, o ministro Cardozo falou também sobre o projeto de lei elaborado pelo governo para coibir abusos nas manifestações. Segundo ele, o texto final está sendo redigido pela Casa Civil juntamente com o Ministério da Justiça e será encaminhado ao Congresso Nacional até o fim desta semana.

Na remessa estará o pedido de que tramite em regime de urgência, o que acelera sua apreciação.

"É um projeto que desde já tem linhas muito claras de garantir a liberdade de manifestação, dar segurança ao manifestante e coibir abusos que têm ocorrido nos protestos ultimamente. Vamos coibir os abusos, independentemente de onde eles vierem, sejam de manifestantes ou de policiais", afirmou o ministro.

Questionado se proibirá a utilização de máscaras nas manifestações, Cardozo voltou a defender a proposta.
"O projeto tem uma linha muito clara na medida em que a Constituição já veda o anonimato. Tem muita gente falando que é um AI social (em relação ao Ato Institucional número 5, baixado durante o regime militar e um marco do endurecimento do governo), mas é exatamente o contrário. É uma lei que visa a garantir a segurança, o direito à manifestação e à transmissão de pensamento."

O projeto deve tramitar ao lado de dezenas de outros projetos no Congresso. Há parlamentares que pretende igualar crimes em manifestações a ações terroristas, para intimidar a tática Black Bloc. Indagado sobre a organização dos atos de vandalismo em ações públicas, o secretário Grella informou nesta segunda-feira que tudo está sendo investigado.

"Temos um inquérito para apurar a eventual existência de um crime de organização criminosa. Quem dirá se esse crime está ou não configurado é o Ministério Público.

À polícia cabe apurar todos os fatos e identificar participantes e líderes e submeter esse conjunto de provas ao Ministério Público. Uma série de providências está sendo tomada como: quebra de sigilo, busca e apreensões, colhida de depoimentos, apreensão de pessoas e reconhecimento. 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Polícia vai indicar 40 black blocs por formação de quadrilha armada

Veja online

Acusações formais devem acontecer nesta terça-feira. Arquivo com trezentos suspeitos de integrar o movimento foi organizado pela polícia

Nacho Doce/Reuters 
Manifestante do grupo chamado Black Bloc durante ato em apoio aos protestos
 no Rio de Janeiro, e também contra a PM e o governador Geraldo Alckmin na avenida Paulista 

Pelo menos quarenta pessoas são apontadas pela Polícia Civil de São Paulo como suspeitos de comandarem ações de black blocs em manifestações que terminaram em conflitos, quebra-quebra e depredações em São Paulo. O Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), responsável pela investigação, aponta que os suspeitos serão indicados pelos crimes de formação de quadrilha armada no inquérito que associa black blocs a uma organização criminosa. Segundo o DEIC as acusações formais devem acontecer nesta terça-feira. 

O crime de formação de quadrilha armada prevê pena de quatro a oito anos de prisão. O delegado responsável pelo caso, Wagner Giudice, trabalhou em parceria com a Polícia Militar e o Ministério Público e reuniu provas e fotos de pelo menos trezentos potenciais black blocs. Eles foram listados e são investigados.
Os dados foram compilados em boletins de ocorrência registrados em protestos e informações conseguidas com membros dos black blocks presos durantes as manifestações, e liberados em seguida. 

Tecnologia – 
Câmeras de celulares, fotos postadas no Facebook e até convocações para manifestações foram rastreadas pela polícia para que o cerco aos quarenta responsáveis pelo movimento fosse feito. Até mensagens via SMS foram rastreadas. Nenhum suspeito está preso. 

Um arquivo com mais de 700 fotografias de pessoas que foram averiguadas e apontadas como manifestantes violentos foi reunido e servirá de base para incriminar possíveis envolvidos em ações de vandalismo e depredações. 

A diferença, segundo a polícia, entre black blocs e manifestantes pacíficos é o tipo de arsenal que carregam. Black blocs, em geral, vão aos protestos munidos de paus, pedras e artefatos explosivos, como coquetel molotov, e morteiros. Parte desses objetos foi apreendida com suspeitos detidos, segundo o DEIC. 

Brasileiras estão entre as maiores vítimas de tráfico de seres humanos na Europa

Jamil Chade
O Estado de São Paulo

Primeiro informa feito pela UE aponta que trafico é “a escravidão de nossos tempos” 

GENEBRA - Elas são verdadeiras escravas numa das sociedades mais desenvolvidas do mundo. O primeiro levantamento publicado pela União Europeia sobre o tráfico de seres humanos em todo o continente constata que as brasileiras estão entre as três nacionalidades mais frequentemente alvo de tráfico, perdendo apenas para nigerianas e chinesas. Os dados revelam uma dimensão até hoje desconhecida, com mais de 2 mil mulheres estrangeiras identificadas a cada ano no continente europeu vítimas do tráfico e muitas delas trabalhando como escravas modernas.

Se o levantamento é o primeiro a ser publicado pela Europa com os dados de todos os 28 países, o informe traz informações apenas até 2011. Ainda assim, o documento revela que o padrão é constante e que, na realidade, o número de vítimas apenas aumenta.

Entre 2008 e 2010, um total de 330 brasileiras foram identificadas como vítimas do tráfico de pessoas, em redes que hoje movimentam mais dinheiro que o tráfico de armas. O número foi coletado a partir da cooperação entre as polícias dos 28 estados do bloco e revelam que as brasileiras representam cerca de 15% de todas as vítimas estrangeiras de tráfico de seres humanos no bloco.

Em 2009, por exemplo, o Brasil ocupou a segunda colocação entre as nacionalidades que foram vítimas do maior número de casos de tráfico, com 151 pessoas envolvidas. A UE deixa claro que essas foram apenas as pessoas identificadas e que, na prática, o número total pode ser bem superior.

“O tráfico de seres humanos é a escravidão de nossos tempos”, alertou a UE em seu informe. “As vítimas são frequentemente recrutadas, transportadas ou mantidas por força em condições de exploração e fraude, incluindo exploração sexual, trabalhos forçados, atividades criminais e remoção de órgão”, apontou a UE.

Ainda que a Europa não disponha ainda dos números para 2011, 2012 e 2013, os autores do informe estimam que pouco teria mudado desde então. No total, a Europa estima que mais de 7,5 mil pessoas são vítimas do tráfico a cada ano, incluindo mulheres do próprio bloco, como romenas e búlgaras. Entre 2008 e 2010, a constatação é de que o fenômeno ganhou força, com um aumento de 18% no número de casos.

Segundo o levantamento, 62% dos casos identificados estavam relacionados com exploração sexual, contra 25% de casos de trabalho forçado.

Criminosos - 
Os dados também apontam que muitas das redes de tráfico de mulheres que operam na Europa são compostas por brasileiros. Em 2010, por exemplo, 94 brasileiros foram identificados como membros de grupos criminosos, um número que só foi superado pelos nigerianos atuando no ramo, com mais de 107 casos.

Em três anos, 151 brasileiros foram identificados pelas polícias europeias como fazendo parte da rede de criminosos responsáveis pelo tráfico de seres humanos. Em 2010, a Europa levou à Justiça mais de 1,2 mil pessoas por conta desse crime.

Após polêmica, Adidas tira do mercado camisetas com conotação sexual da Copa

O Estado de S. Paulo

Divulgação da linha da empresa alemã causa desconforto no Governo brasileiro

SÃO PAULO - Após a polêmica em relação à venda de camisetas nos Estados Unidos com conotação sexual para a Copa do Mundo, a Adidas afirmou nesta terça-feira à tarde que a linha não estará mais à venda em suas lojas. De acordo com a empresa, a opinião dos consumidores é sempre acompanhada de perto. "Os produtos em questão não mais serão comercializados pela marca", divulgou a empresa de material esportivo em nota oficial.

A linha de produtos da Adidas fez com que a presidente Dilma Rousseff declarasse que o País está pronto para combater o turismo sexual durante o Mundial da Fifa. "O governo aumentará os esforços na prevenção da exploração sexual de crianças e adolescentes do Brasil", disse a presidente por meio do seu perfil no Twitter.

Reprodução
Camiseta polêmica coloca imagens 
que são vistas como duplo sentido e possuem conotação sexual

De acordo com a Adidas, a edição das camisetas era limitada e estaria disponível apenas para as lojas nos Estados Unidos. Na loja virtual da empresa, duas camisetas ligadas à Copa no Brasil traziam mensagens de duplo sentido. Uma delas apresenta a frase "Lookin to score", que pode ser traduzida por algo como "em busca dos gols", mas também é uma expressão que significa "pegar garotas".

A outra camiseta coloca um coração amarelo que pode ser enxergado no formato de nádegas de uma mulher com um fio dental verde. Também passa uma mensagem de duplo sentido e fala "Eu amo o Brasil".

A Embratur repudiou a linha da empresa, como fez Dilma. "O governo brasileiro discorda dessa linha de produtos, não aceitamos o turismo sexual. Claro que as pessoas podem namorar durante a Copa, mas não queremos uma mercantilização disso. Acaba sendo, inclusive, um desserviço à própria marca, porque ela está se associando a um tema muito negativo", disse Flávio Dino, presidente da Embratur. 

Reprodução
Imagem mostra uma garota de biquíni, 
com uma paisagem do Rio de Janeiro ao fundo

Estádios vazios no Brasil? Culpa da violência, diz Guardian

Marina Pinhoni
Exame.com

Jornal repercute o caso do santista que foi espancando até a morte no domingo. Reportagem afirma que torcedores brasileiros são piores do que hooligans ingleses

Buda Mendes/Getty Images 
Futebol brasileiro: jogadores do Santos comemoram gol em partida 
contra o Fluminense no Maracanã, em agosto de 2013

São Paulo – A morte brutal do santista Marcio Barreto de Toledo - que foi espancado com barras de ferro por torcedores do São Paulo após a partida entre os clubes no último domingo - chamou a atenção da imprensa internacional para a violência no futebolbrasileiro.

Matéria publicada nesta terça-feira pelo jornal britânico The Guardian afirma que o aumento da incidência de casos como este é um claro sinal de que o Brasil “precisa fazer mais”, caso queira evitar uma “tragédia maior” às vésperas da Copa do Mundo 2014.

“Considerando a combinação de aumento da violência e estádios com construções de baixa qualidade, uma calamidade como a de Heysel está longe de ser impensável”, diz o jornal, em referência ao episódio que deixou 39 mortos e mais de 600 feridos no estádio da Bélgica, em 1985.

Ao mencionar o assassinato do torcedor do Santos, o Guardian constata que o caso não ganhou tanto destaque na imprensa local.

“Incidentes como esse já se tornaram muito comuns”, diz o jornal, ao relatar que as mortes relacionadas com o futebol têm alcançado índices recordes no Brasil.

“Cenas como essa ajudam a explicar por que os hooligans ingleses estiveram tão pouco em foco neste ano. Talvez porque – comparado com o que está acontecendo no Brasil – mesmo o mais sórdido ‘torcedor-pitbull’ inglês parece relativamente manso”, afirma.

O correspondente Jonathan Watts, autor da matéria, também relata sua própria decepção com o “mistério” da grande quantidade de assentos vazios quando assistiu, no passado, às suas primeiras partidas aqui.

“Eu ouvi incontáveis explicações, (...) incluindo o alto preço dos ingressos e o êxodo dejogadores renomados para a Europa. Mas o que fez mais fez sentido foi o que um amigo brasileiro disse quando eu sugeri pela primeira vez que a que assistíssemos a uma partida. ‘É muito perigoso’, ele respondeu”, conta o jornalista.

Segundo o jornal, a Copa do Mundo precisa representar o início de um avanço neste sentido.

“Uma vez que o torneio acabar, as autoridades brasileiras ainda terão trabalho em persuadir o público de que as partidas de futebol não são mais desastres iminentes. Se elas não conseguirem fazer isso, os grandes novos estádios ficarão tão vazios quanto os antigos”, conclui o jornal.

Inflação deve subir nos meses da Copa, dizem economistas

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

Especialistas avaliam que aumento mais expressivo dos preços ocorrerá na alimentação, hotelaria e passagens aéreas

(Ivan Pacheco) 
Copa do Mundo: Economistas preveem 
que IPCA vai atingir o pico em julho, a 6,46% 

A inflação de junho e julho de 2014 deve fugir à sazonalidade padrão observada nos últimos anos e dar um salto. O impulso virá, principalmente, do setor de serviços, que enfrentará um pico de demanda em função da Copa do Mundo. Mas especialistas ponderam que a aceleração será pontual e, nos meses posteriores ao torneio, haverá acomodação dos preços. No fim deste ano, é possível que o Mundial não tenha mais influência na inflação.

Na previsão da LCA Consultores, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em doze meses vai atingir o pico em julho, a 6,46%. "Isso não faz parte da sazonalidade normal. Historicamente, salvo outras exceções, os meses do meio do ano têm inflação mais perto da mínima do que da máxima", explica o economista Étori Sanchez, da LCA.

Três itens devem ter os preços influenciados de forma expressiva no período da Copa: alimentação fora do domicílio (que inclui refeições, lanches e bebidas), hotelaria e passagens aéreas. No resultado do IPCA de janeiro, esses itens tiveram pesos de 8,52%, 0,42% e 0,67% na inflação geral, respectivamente.

Impacto —
 Levando em consideração esses pesos, o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), estima que cada 1% de alta simultânea nos três itens provocará um impacto positivo de 0,1 ponto porcentual na leitura mensal do IPCA. 

No caso específico das passagens, o impacto pode começar já em maio, por uma questão metodológica. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) captura os preços para viagens dali a 30 dias. Ou seja, a variação de preços dos bilhetes de junho será medida no índice do mês anterior. Apesar disso, Braz afirma que o evento envolve condições que são difíceis de antecipar, o que se torna um obstáculo para projeções de quanto esses itens realmente poderiam subir no período do Mundial.

"A inflação de serviços já vem pressionada, e a pressão será ainda maior na Copa", observa o economista-chefe da Concórdia Corretora, Flávio Combat. Segundo o IBGE, o IPCA de serviços registrou alta de 8,26% em 12 meses até janeiro, acima do índice geral (5,59%) no período.

Em dezembro de 2013, o próprio Banco Central (BC) tentou mensurar o peso dos megaeventos esportivos sobre os preços. Em um estudo publicado junto ao Relatório Trimestral de Inflação (RTI), a autoridade monetária estimou que a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 vão adicionar dois pontos porcentuais à inflação acumulada entre 2007 (quando o Brasil foi confirmado como país-sede da Copa) e 2017. Ainda de acordo com o estudo, o efeito máximo para a inflação ocorreria em 2015, ano seguinte à realização do Mundial.

Devolução — 
A pressão sobre os preços de serviços durante o Mundial é incontestável para os analistas. Mas o impacto, segundo eles, será limitado em termos anuais, já que nos meses posteriores ao evento haverá devolução das altas. André Braz, da FGV, ressalta que o Brasil receberá muitos turistas de fora do país. Quando isso passar, a concorrência se encarregará de promover os ajustes para baixo. "Não acho que vá haver efeito permanente", diz.

Há chances, porém, de o retorno ao patamar anterior não se realizar integralmente, já que empresários podem aproveitar o ensejo e recompor alguma margem de lucro perdida nos últimos tempos. "Mas essa inflação residual deve ser pequena", opina Étori Sanchez, da LCA. "Quando a demanda adicional sair, será preciso trazer os preços de volta, porque nada aconteceu em termos de renda ou poder aquisitivo para que a curva seja deslocada eternamente."

Os analistas tampouco apostam que a inflação "extra" provocada pela Copa será suficiente para romper o teto da meta perseguida pelo BC, que é de 6,5%. "Acho pouco provável que ultrapasse, pois o BC está prolongando o ciclo de aperto monetário", diz Combat, da Concórdia. "Isso tem reflexo em termos de desaceleração de demanda."

O economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, acrescenta que, a não ser que fatores secundários entrem em jogo, como uma escassez na oferta de alimentos, dificilmente o teto da meta será ultrapassado, mesmo nos meses de maior pressão por conta da Copa. "Esperamos uma aceleração da inflação no terceiro trimestre, chegando a 6,4% (em doze meses), mas será devido à base mais baixa", afirma, lembrando que o IPCA de julho de 2013 foi de apenas 0,03%, influenciado pela queda nas tarifas de ônibus urbanos. A partir de setembro deste ano, a descompressão fará com que o IPCA encerre o ano em 6%, nas projeções do economista.

O professor de Economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) Reginaldo Nogueira pondera que os preços já estão fortemente pressionados por fatores como o câmbio e as eleições gerais, que ocorrem em outubro. "Como temos uma inflação próxima do teto da meta, qualquer choque para cima pode estourar os 6,5%. O fato é que a inflação em 2014 é um problema para o governo, e a Copa não ajuda em nada, só atrapalha."

Sedes rasgam os contratos – e arranham imagem da Copa

Veja online

Quedas-de-braço em torno das despesas com as estruturas temporárias e Fan Fests ameaçam desgastar a reputação do país, principalmente entre empresas

(Buda Mendes/Fifa/Getty Images) 
Fan Fest montada em Fortaleza durante a Copa das Confederações, no ano passado 

"As cidades precisam entregar as Fan Fest, que estão incluídas num compromisso assinado por todos. Se houve compromisso financeiro, por que a Fifa deve recuar? Foi algo acordado há anos", disse Valcke

No fim de semana, o site de VEJA revelou os resultados de uma pesquisa de opinião que mostrou a péssima imagem da Copa do Mundo entre os brasileiros – para nove entre cada dez entrevistados, o evento deixará uma imagem negativa. Mesmo depois de despejar muito dinheiro na organização do Mundial (93,7% dos 8,9 bilhões de reais gastos até agora nos estádios saíram dos cofres públicos), o país se arrisca a manchar sua imagem também no exterior. Por enquanto ainda é cedo para falar em fracasso da Copa como vitrine do país. É provável é que o torneio transcorra sem problemas desastrosos, ainda que o país-sede decepcione seus visitantes com dores de cabeça nos deslocamentos pelo país, na qualidade dos serviços e no transporte público deficiente. Mesmo que tudo dê certo, porém, a reputação dos brasileiros já terá sido arranhada entre algumas das empresas mais influentes do mundo. Elas são as patrocinadoras oficiais da Fifa que esperam com apreensão pela resolução dos impasses que cercam alguns dos preparativos finais para a Copa. Em quase todas as cidades-sede, pendências diversas emperram a montagem de dois aparatos de responsabilidade dos anfitriões: as estruturas temporárias nos estádios e as Fan Fests da Fifa. Nos dois casos, são instalações que interessam diretamente às gigantes multinacionais que pagam dezenas de milhões de dólares para atrelar suas marcas ao evento. E em ambos os casos, há risco de que os preparativos sejam prejudicados por causa da resistência dos responsáveis em cumprir o que foi combinado.

Idealizadas como uma forma de aumentar o envolvimento das pessoas com o torneio – e amenizar a frustração de quem ficou sem ingresso –, as Fan Fests estrearam na Copa da Alemanha-2006 e foram um enorme sucesso. Na África do Sul-2010, a presença de público foi mais modesta. No Brasil, há o temor de que os festivais, montados nas áreas públicas de todas as doze cidades, sejam prejudicados pelas manifestações violentas contra o evento. As sedes não se empolgam com o evento, e não é só por causa da preocupação com possíveis tumultos. A montagem dos festivais – com um caderno de exigências extenso e detalhado, como de costume nos empreendimentos da Fifa –, custa caro. Recife, a primeira sede a anunciar que não pretende arcar com as despesas, calculou o investimento com sua Fan Fest em 20 milhões de reais. Além da instalação das estruturas (parte delas, oferecida pela própria Fifa), as sedes precisam bancar os gastos com segurança, seguros e licenças e até com o cumprimento das exigências de artistas convidados para se apresentar nos palcos montados em cada cidade. Para quem já torrou centenas de milhões de reais para erguer ou reformar estádios, esse gasto adicional não cai bem, é verdade. Mas é tarde demais para reclamar. Ao assinar o compromisso para receber o Mundial – depois de muito lobby e muita briga política nos bastidores, aliás –, cada cidade-sede se comprometeu a arcar com essas contas, parte do custo necessário para abrigar as partidas. O rompimento de contrato a menos de quatro meses para a abertura é uma irresponsabilidade, por mais que o gasto seja salgado, e por mais que o retorno seja questionável. 

Como as patrocinadoras aproveitam a Fan Fest para divulgar suas marcas e produtos, através de tendas, estandes e distribuição de brindes, o cancelamento do evento, como promete Recife, reduziria o retorno prometido na hora em que essas empresas fecharam seus acordos multimilionários com a Fifa. A encrenca, portanto, tem tudo para acabar nos tribunais, com a entidade e seus parceiros comerciais cobrando as sedes pelas perdas financeiras. Na semana passada, a Fifa confirmou a intenção de processar a capital pernambucana caso não haja Fan Fest na cidade. "Se você tem um contrato com um parceiro e ele não corresponde, uma ação pode ser tomada contra ele. Mas vamos esperar para ver o que acontece. Se precisar, acionaremos nossos advogados", disse Thierry Weil, diretor de marketing da entidade. Ele deixou claro que a saída mais civilizada – a negociação – nunca foi descartada pela dona da festa. "Podemos negociar, sim. É possível cortar algumas atrações e mudar a localização, por exemplo", disse Weil durante o congresso técnico da Fifa, em Florianópolis. Recife, porém, dava pistas de que esperava uma ajuda financeira direta. "Não podemos arcar sozinhos com o investimento. Vamos aguardar que a Fifa nos traga outras sugestões", disse o secretário de Esportes George Braga. A entidade ressalta, entretanto, que não colocará dinheiro no evento, e que pode auxiliar apenas na tentativa de ajudar a atrair investidores. Em algumas sedes, as próprias parceiras comerciais da Copa fecharam patrocínios adicionais para ajudar a bancar as festas. Cogita-se que outras cidades que não conseguiram um lugar no Mundial (como Florianópolis e João Pessoa) organizem uma Fan Fest no lugar do Recife.

O secretário-geral Jérôme Valcke mostrou irritação ao ser questionado sobre o tema. "As cidades precisam entregar as Fan Fest, que estão incluídas num compromisso assinado por todos. Se houve compromisso financeiro, por que a Fifa deve recuar? Foi algo acordado há anos", reclamou o francês em sua última visita ao país. Entre as gigantes que patrocinam o Mundial estão Coca-Cola, Sony, Visa, Hyundai, Adidas, Johnson & Johnson e Emirates, além das brasileiras Garoto, Itaú e Oi. Nenhuma patrocinadora reclama publicamente do possível cancelamento dos festivais, mas todas acompanham com receio a controvérsia em torno do assunto. Outro foco de preocupação para a Fifa e seus parceiros é a instalação das estruturas temporárias para a Copa, mais uma empreitada custosa ligada ao evento. 

Orçadas em cerca de 30 milhões de reais, elas consistem em todo o aparato necessário para a realização das partidas, como esquema de segurança (com detectores de metais), instalação de redes de comunicação e áreas montadas para receber torcedores, convidados e imprensa. Nos três estádios privados do evento – Itaquerão, Beira-Rio e Arena da Baixada –, os donos das arenas pediram para dividir os custos (por contrato, de sua responsabilidade) com o poder público. Porto Alegre, São Paulo e Curitiba aceitaram ajudar, ainda que sem investimento direto, captando patrocínios, por exemplo. O presidente do Inter, Giovani Luigi, falou em desistir da Copa caso não recebesse auxílio para arcar com gastos que o próprio clube havia assumido.Foi atendido pela prefeitura da capital gaúcha. Nos estádios públicos, o problema é a demora nas licitações para contratar os serviços. Sem as estruturas temporárias, a Fifa não consegue realizar as partidas, repete Valcke, cada vez mais irritado com o tema. "Há acordos firmados. Todas as partes têm compromissos muito claros. O país anfitrião organiza a Copa com apoio da Fifa. Existem acordos e comprometimentos, e as cidades se propuseram a entregar X, Y ou Z. Nós pagamos tudo que estamos usando e não estamos pedindo dinheiro para nada."


Atraso em obra faz ministro ser passageiro frequente em MT

Exame.com
Jonas da Silva, Agência Reuters

Wellington Moreira Franco disse precisar "ver para crer" o resultado das obras de ampliação do Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Cuiabá

Secopa - MT 
Obras no aeroporto Marechal Rondon, em Cuiabá: 
cronograma atrasado já fez o ministro desembarcar na cidade
 em duas ocasiões no intervalo de cerca de um mês

Cuiabá - O ministro da Secretaria da Aviação Civil, Wellington Moreira Franco, disse nesta segunda-feira precisar "ver para crer" o resultado das obras atrasadas de ampliação e reforma do Aeroporto Internacional Marechal Rondon, na região metropolitana de Cuiabá, cidade-sede da Copa do Mundo.

A obra está atrasada mesmo com três termos aditivos no contrato, cujo valor inicial de 77,289 milhões de reais atualmente está em 80,505 milhões de reais, dos quais 32,583 milhões de reais já executados.

A área construída é de 13 mil metros quadrados e fará o aeroporto ter capacidade para movimentar 5,7 milhões de passageiros anualmente, contra os atuais 2 milhões.

O cronograma atrasado já fez o ministro desembarcar na cidade em duas ocasiões no intervalo de cerca de um mês, como nesta segunda-feira, e o fará voltar no prazo de 30 dias para nova vistoria.

A obra deveria ser entregue em março, segundo o sócio da Engeglobal, engenheiro Robério Garcia, mas tem "cronograma para entregar em 30 de abril". Há um ano a construção está em andamento. A Engeglobal lidera o consórcio construtor.

O ministro afirma que estará de volta "daqui um mês" por ser "devoto de São Tomé: preciso ver para crer", disse a jornalistas no aeroporto.

"Daqui um mês estarei aqui de volta para ver se o número de empregados que estou vendo aqui é o mesmo, e se as obras mantiveram o mesmo ritmo", disse. Havia 470 trabalhadores na obra na hora da visita. Os turnos foram reforçados no fim de semana, informaram fontes do setor à Reuters.

Equipamentos
O porta-voz da empresa responsável pela obra diz que houve problema de projeto e sua redefinição, pois "era para assinar em agosto" e foi assinado em dezembro de 2012.

Garcia acrescentou que há 20 dias equipamentos importados como elevadores, ponte de embarque e escadas rolantes estão no porto de Santos para desembaraço fiscal.

Em janeiro, Moreira Franco avaliou a ampliação com nota cinco, devido ao fato de haver "poucos trabalhadores na obra" e desta vez, como a "empresa reagiu positivamente", deu nota oito.

O governador Silval Barbosa (PMDB) confirmou a inauguração da ampliação do aeroporto para o final de abril e lamentou que "as obras não andaram do jeito que quer". Barbosa também argumentou a "dificuldade séria, como falta de mão-de-obra".

O governador, o ministro e autoridades vistoriaram nesta segunda as obras no aeroporto, uma parte exclusiva para a recepção das seleções e outra geral de passageiros, com mais três esteiras e toda estrutura aeroportuária para receber passageiros.