sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Quando quis ser claro, Barroso confundiu, ou um juiz em busca de holofote

Adelson Elias Vasconcellos



Não fosse a intervenção da ministra Carmem Lúcia e do ministro Marco Aurélio, e sua excelência Barroso teria atravessado o samba e declamado uma das maiores barbaridades que o Supremo já pode ouvir de um de seus membros.

Seja como for, Barroso, mesmo antes de assumir, já mostrava claramente sua gratidão a quem  o nomeou e, o pior: sinalizava que na hora “H”, esta gratidão seria devidamente reconhecida e paga. Não deu outra. Porém, a posição extremamente política que assumiu, muito embora desejasse ser técnica, fere qualquer lógica, apesar de que não surpreende. Era isto mesmo que todos já indicavam pelo discurso de Barroso, antes e durante. 

O surpreendente é a ministra Carmem Lúcia ter embarcado nesta canoa. E por quê? Vamos refletir rapidamente sobre o caso. Temos de um lado, uma agência de propaganda ao qual se juntaram uma empresa bancária, que se coligou com uma empresa de cartões de crédito, ao qual se filiaram diversos políticos petistas que resolveram entregar dinheiro para outros políticos de outros partidos políticos. Reparem a cadeia de comando, reparem como são diversas completamente entre si, empresas e pessoas. Na vida real, a não ser por interesse lícitos, jamais se associariam, jamais se coligariam. Porém, estavam todos presentes no cometimento dos mesmos crimes, visando uma mesma finalidade. E assim permaneceram por mais de três anos. E só não continuaram associados porque a trama foi delatada.

Admitir que esta junção de pessoas não se caracteriza  em formação de quadrilha, fica impossível à luz dos conceitos emitidos por alguns ministros do STF, entender o que faz o artigo 288 colocado no Código Penal. Tornou-se peça decorativa, de pura ficção, sem utilidade prática alguma já que jamais será adotado, quando se tratar de punir sob seu conteúdo gente graúda do poder. 

Se disse que a quadrilha para ter existência fática, precisa ameaçar a paz pública. O que o de maior ameaça pode representar uma  junção de pessoas, cometendo os mesmos crimes, com o objetivo de assaltar a democracia? Que maior terror pode representar a utilização de recursos públicos de maneira ilícita para subjugar uma das instituições pilares do regime democrático? 

Sem dúvida, a página que o Supremo começou a escrever representa uma chaga vergonhosa que dificilmente será apagada. Quando se tinha esperança de ver criminosos de alta estirpe serem exemplarmente punidos, vemos ministros, nomeados de favor, capitulando diante do poderoso lobby  governista. Sabem qual será a consequência imediata desta decisão estúpida e que afronta fatos e ao bom senso? O descrédito ainda maior da sociedade em relação ao Poder Judiciário. Falar de justiça “justa” , como fez Barroso, para livrar a cara de malandros de alto coturno, é passar um atestado de idiotice em toda a sociedade. 

Barroso, portanto, deve ir dormir de alma lavada. Pagou o preço que lhe foi cobrado pela nomeação ofertada em bandeja de prata. E, mais uma vez, vemos o STF ir enterrando sua própria história, admitindo que se associem quantos queiram para agredir, assaltar e subverter a ordem democrática brasileira, porque dentre seus membros, jamais faltará nem quem se comporte como defensores públicos dos bandidos, tampouco que falte maioria para deixá-los livres e soltos. Não sei em que mundo vivia o senhor Barroso, e até mesmo aqueles que o acompanharam na absolvição, quando este país viveu sob o chumbo pesado de uma ditadura militar. Como desconhece de que lado todos eles se esconderam da luta desferida durante 21 anos para a redemocratização do país.  Mas uma certeza podemos ter: eles não se perfilaram ao lado daqueles resistentes que enfrentaram as armas para repor a ordem democrática. Porque os que lutaram, certamente, não foi para ter esta democracia que aí está, falsa e manipulada. Queríamos, acima de tudo, que a lei fosse igual para todos. O Supremo hoje decretou que uns ainda serão, por muitas décadas, bem mais do que outros.  O STF, pelo aparelhamento que sofreu e pela ideologia que abraçou, curvou-se ao obscurantismo e enxovalhou sua história. Assim, não será mais o poder a curvar-se diante da lei, do estado de direito: é este que se curvará aos caprichos dos governantes. Esta será a triste herança que Barroso e seus cúmplices de voto deixarão como marca indelével de sua má consciência. 

Porém, é preciso fazer uma leitura correta sobre a marginal decisão do STF que absolveu a quadrilha de ser quadrilha. Os dois últimos atores desta cena patética, Luiz Barroso e Teori Zavasckki não podem carregar sozinhos o ônus do luto e da vergonha judiciária. Este teatro tem um primeiro ator que contribuiu, e muito, para ser o protagonista da pornochanchada.  Foi o tal ministro revisor que, além de atrasar o quanto pode o início do julgamento, apostando numa prescrição dos crimes, ainda contribui de forma decisiva para levar às cordas da aposentadoria duas figuras proeminentes: Ayres Brito e Cesar Peluso. Com a abertura de novas vagas, seria possível trazer para o palco figurantes que se encaixassem no perfil do juiz bonzinho. Lewandovski, como revisor, portou-se muito melhor que os advogados de defesa dos condenados.  Aliado à sua ação de enrolar e obstruir o andamento dos trabalhos, teve um moleque de recados que, aliás, fosse esse um país sério, sequer teria sido alçado à corte suprema. Trazendo no currículo a bagagem de ter atuado como advogado do partido no poder,  seria inimaginável fosse ele um dos que condenariam os companheiros de alta patente.  Portanto, se a pornochanchada transformou-se num circo espetacular, é preciso trazer para o tablado todos os protagonistas e coadjuvantes que encenaram a peça de acordo com os propósitos desejados pelos marginais do poder. Mais do que agredir o bom senso, esta gente toda agrediu de forma infame a república, o estado de direito e o regime democrático.   Foi preciso, em suma, uma quadrilha de juízes para absolver uma quadrilha de marginais de seus crimes!

Quando olhamos para a bagunça institucional que vivem, por exemplo, Argentina e Venezuela, ficamos muitas vezes surpresos em constatar  que, onde antes se imaginava que tudo ia bem, de repente despencar numa zorra total. Porém, recuperando a história, veremos que o estado de caos não se instalou da noite para o dia, não se construiu a bagunça assim tão de repente: a escalada seguiu um processo lento e gradual de degradação. Nestes dois países, dois pilares da democracia, Legislativo e Judiciário, foram lentamente destroçados em suas independências para acabarem engolfados pelos caprichos de governantes autoritários. Na mesma linha, abriram-se tenebrosas guerras contra a imprensa independente. Agora, vemos que o Brasil vai pouco a pouco sedimentando os mesmos caminhos percorridos pelos dois vizinhos. Por enquanto, ainda não se conseguiu aniquilar a voz da imprensa independente, muito embora haja cada vez menos imprensa independente entre nós.  Como digo no post que encerra esta edição, o brasileiro honesto, trabalhador, que se esforça para não ser ou tornar-se  um simples servo ou mero capacho do poder instalado, acabará sendo expulso do  Brasil por bom comportamento... 

A pior petrolífera

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

Na era chavista, num momento de alta demanda pelo óleo, a PDVSA conseguiu perder produção e reservas

O melhor negócio do mundo é uma companhia de petróleo bem administrada; o segundo, dizia Nelson Rockefeller, é uma petrolífera mal administrada. E o terceiro, acrescentou um gaiato brasileiro, é a Petrobras.

Seria a venezuelana PDVSA a quarta?

A gestão do negócio é um desastre. Na era chavista, num momento de alta demanda pelo óleo, a empresa conseguiu perder produção e reservas. Isso foi consequência de incapacidade gerencial, na medida em que os postos de comando da estatal foram preenchidos por políticos e militantes. Menos engenheiros, mais companheiros.

Mas como petróleo dá dinheiro mesmo com ofensas, o segundo grande desastre venezuelano foi na utilização das receitas da PDVSA. O que seria o certo? Investir primeiro na própria companhia, de modo a torná-la mais produtiva e mais rica — quando, então, pagaria mais dividendos e mais impostos para o caixa do governo. Com esse bom financiamento, o governo poderia fazer as políticas sociais que quisesse.

Chávez, porém, avançou no caixa da empresa. Convenhamos que era uma tentação irresistível para um político populista: todo mês, aquela montanha de dinheiro ali, dando sopa... Precisa comprar fogão para distribuir nas favelas? Manda a PDVSA comprar. Quem precisa de petróleo e faz fogão barato? A China. Negócio fechado.

Para Cuba e outros amigos, a PDVSA passou a entregar petróleo quase de graça e, ainda assim, pago com o trabalho de médicos e agentes do serviço secreto. Verdade que os médicos também são muito mal remunerados e os agentes, muito úteis para reprimir protestos. Mas o óleo continua saindo barato para os amigos e caro para a PDVSA.

Com tudo isso, não espanta que um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo tenha conseguido ficar sem dólares. O caos econômico em que o chavismo meteu a Venezuela é o desastre da PDVSA em escala nacional.

A Petrobras não é a PDVSA — qualquer um percebe isso. Mas, olhando no detalhe, parece que tem muita gente do governo querendo imitar os companheiros venezuelanos.

A estatal brasileira divulgou lucro em seu balanço na última terça. Ontem, as ações da companhia despencaram na bolsa. As ordinárias caíram abaixo dos R$ 13. Valiam mais de R$ 50 há apenas cinco anos.

Não é especulação de mercado. Reflete, por exemplo, a queda na produção nacional, embora existindo muito petróleo para ser explorado. Uma queda tão expressiva que se a produção subir 7% neste ano — conforme promessa da empresa —voltaria ao nível de 2010. Ou seja, a empresa está fazendo muito menos do que poderia. Por isso, vale menos.

A presidente da Petrobras, Graça Foster, ali colocada pela presidente Dilma, não critica a gestão anterior, do tempo de Lula. Mas tudo que ela faz e diz é, sim, crítica a seus antecessores. Diz que, para recuperar a companhia, está cortando custos e mudando sistemas de modo a ganhar mais eficiência e eliminar desperdícios. Feitos por quem?

Também criou um programa de prevenção a fraudes. Notaram a palavra “prevenção”? Pois é, por que não colocaram “combate” à corrupção? Porque seria um ataque direto aos antecessores, também petistas, como elas, Dilma e Graça.

Mas está claro para todo mundo que o programa foi anunciado quando apareceram denúncias fortes, inclusive no exterior.

O governo brasileiro não está avançando diretamente no caixa de sua petrolífera. Mas indiretamente, está. Ao reprimir os preços da gasolina e do diesel, para combater a inflação, o governo obriga sua empresa a importar por um preço e vender aqui mais barato. Prejuízo na veia, dívida em alta.

Nesse ambiente, manda a Petrobras ampliar seus investimentos, inclusive em refinarias alocadas politicamente, uma delas, a de Pernambuco, em sociedade com, ela mesma, a PDVSA.

Graça Foster diz, em resumo, o seguinte: OK, tivemos problemas, mas daqui em diante será diferente. Mas faz algum tempo que diz isso. E faz algum tempo que não consegue seus objetivos, como a crucial correção dos preços dos combustíveis.

E há detalhes, digamos assim, que inquietam. Descobriram que a Petrobras entrou com R$ 650 mil em patrocínios para o Congresso Nacional do MST — aquele em que os congressistas tentaram invadir o Supremo Tribunal Federal. Perguntada, a Petrobras disse que o dinheiro se destinava a uma mostra de cultura camponesa, parte do congresso, e que o patrocínio se alinha com o programa da estatal na direção de uma “produção inclusiva e sustentável”.

Petróleo “inclusivo e sustentável”? Nem a PDVSA conseguiria frase, assim, mais reveladora.

Dilma, a falida

Sebastião Nery  
Tribuna da Imprensa

Em um jantar em São Paulo, na campanha presidencial de  2002, no aniversário de um radialista amigo, o candidato José Serra, tenso, pegou pelo braço o deputado e fundador da Força Sindical, Luiz Medeiros:

- Medeiros, desta vez você vai ficar conosco?

- Não posso, Serra. Sou PL e meu partido deve apoiar o Lula. Pela primeira vez vou ficar com o Lula. Da próxima conte comigo.

- Não haverá a próxima, Medeiros. Será agora ou nunca. Estou com 60 anos,  minhas energias e chances são agora. Vi o Montoro acabar o governo gagá, aos 70 anos. (Montoro nasceu em 16 de julho de 1916, terminou o governo em 86 e morreu em 16 de julho de 99. Serra nasceu em 19 de março de 1942. Estava com 60, agora 72). Medeiros, vai ser tudo ou nada. Vou jogar tudo e passar por cima de quem ficar na minha frente.

Não adiantou. Serra perdeu.

SERRA
Agora, doze nos depois, o PSDB expeliu a candidatura de Serra e ele, caráter sem jaça, com os cotovelos inchados, joga tudo para derrotar Aécio e vingar-se. Fazendo conferencia para “consultores financeiros” (banqueirinhos de banqueiros), Serra mordeu as canelas de Aécio :

- “Eu não vejo que o quadro econômico seja tão calamitoso quanto se divulga. Não significa que estamos bem, mas o que não vejo é que seja tão calamitoso – disse Serra, ao começar a análise da conjuntura econômica.

Há perda de manobra na área fiscal, mas não há perspectiva de descontrole na área fiscal e muito menos de calote. Não há isso”.

Será que Serra está querendo substituir Mantega?

GERENTONA
O que vocês não sabiam é que Dilma, a “gerentona” da propaganda do PT, é uma empresaria falida. Ela mesma é quem confessou, em Minas :

- “A minha experiência é essa, de muitos empresários do país”.

A ex-ministra foi microempresária entre fevereiro de 1995 e julho de 1996. Em sociedade com a ex-cunhada Sirlei Araujo, estruturou empresa de importação de produtos e brinquedos do Panamá. A sócia-gerente era a economista Dilmona, A empresa foi registrada com o nome de “Pão & Circo” (que nome! muito estranho!), em Porto Alegre, em março de 1995 e encerrou  suas atividades em julho de 1996. Falida.

MARQUETEIROS
O servilismo rafeiro de alguns institutos de pesquisa e setores dos autoproclamados formadores de opinião asseguram que Dilma  será reeleita. Os marqueteiros estipendiados pelos milhões de reais não ficam atrás. O marqueteiro-mor João Santana já definiu os dois candidatos oposicionistas como integrantes de um “picadeiro de anões”,

Traduzindo em linguagem direta: Aécio Neves e Eduardo Campos seriam figuras liliputianas na vida política brasileira. Na área oficial, enquanto o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, ameaça que o “bicho vai pegar”, a re-candidata confessou, em 4/3/2013:

- “Nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição.”

GIRASSOL
A oposição não pode tergiversar no enfrentamento desse descalabro de incompetência. Precisa falar em sintonia com o clamor popular que hoje vive situação de orfandade. Os idos de junho de 2013 comprovaram isso. Demonstrar que falta ao Brasil um projeto de país que redefina o futuro que precisa ser planejado com competência, remodelando a estrutura do Estado.

Nos últimos anos nenhuma obra de grande importância na infraestrutura foi concluída. Os portos e rodovias estão em situação de calamidade. Os hospitais e escolas públicas vivem penoso ciclo de desintegração. Na agricultura obtemos safras recordes, mas os caminhoneiros esperam dias para descarregar, sem armazenamento.

A transposição do São Francisco é um engodo, afetando a vida de milhões de nordestinos. A ferrovia Norte Sul, aproximando-se dos 30 anos, está longe da realidade.A manipulação da verdade,propaganda massacrante e marqueteiros são os grandes agentes do “planejamento nacional.”

A empresaria falida que se cuide. As elites políticas e empresariais brasileiras são como girassol, vivem cultivando o sol. E o que nasce é mais poderoso do que o que se recolhe no fim do dia.

Jornalistas e pesquisas compradas não ganham eleição.

O que diz o Brasil?

Luiz Felipe Lampreia
O Globo

Silêncio em relação à Venezuela é um erro

Regimes opressivos e violentos, que desservem às aspirações do povo, acabam um dia colhendo o que semearam: a revolta. É o caso da Ucrânia, onde o que era uma disputa administrável tornou-se confronto sangrento. Mais próxima de nós, está a tragédia da Venezuela.

Sob a presidência de Nicolás Maduro, a quem falta o enorme carisma de Hugo Chávez, o país está descendo às profundezas do desgoverno e da brutalidade. Quando as prateleiras dos supermercados estão vazias, a moeda nacional derrete, a inflação está em alta vertiginosa — é natural que haja manifestações de protesto. Qualquer regime democrático as aceita, sob regras publicamente definidas de local, hora e não violência. O regime de Maduro, ao contrário, alegou que se tratava de uma conspiração fascista financiada pelos EUA e começou a baixar o porrete. As forcas policiais usaram fartamente cassetetes e gás lacrimogêneo, a Sebin (a Gestapo venezuelana) usou armas de fogo contra a multidão. Os relatos de tortura, espancamentos e ameaças de morte são numerosos. A imprensa tem sido reprimida na cobertura dos choques e, segundo relatos confiáveis, muitos jornalistas têm sido presos ou agredidos na tentativa de encobrir a repressão. A violência de atirar contra os manifestantes é também levada a cabo pelos esquadrões chamados colectivos, em tudo semelhantes às tropas de choque nazistas da SS ou os squadristi de Mussolini, inclusive por terem sido lançados pelo governo de Maduro.

Prognosticar se o governo de Maduro vai cair não é o escopo deste artigo. O tema principal aqui é a posição do governo brasileiro sobre o massacre que está em curso na Venezuela. Em primeiro lugar, coloca-se a questão de saber se o governo da Venezuela viola seus compromissos jurídicos internacionais. Vale lembrar que, nas normas jurídicas continentais, consta o Compromisso Democrático da OEA, assinado por todos os países membros, que coloca com clareza o que é uma democracia, bem como o Protocolo de Ushuaia do Mercosul (tive a honra de assiná-lo como chanceler brasileiro em 1998), que contém a cláusula democrática e prevê inclusive a suspensão do país que a viole.

Por que o governo brasileiro se omite nessas condições? Por que, por muito menos e de forma altamente discutível e prejudicial aos interesses nacionais, castigou o Paraguai em nome da referida cláusula democrática? E agora, em face das atitudes antidemocráticas do governo venezuelano, nada diz.

O respeitado jornal “La Nación”, de Buenos Aires, publicou matéria no dia 21 de fevereiro em que afirma: “Silêncio cúmplice. Erro estratégico. Postura inadmissível de um suposto líder regional com aspirações globais. Ante a crise que se vive na Venezuela, são cada vez mais numerosas as vozes que condenam a falta de ação do Brasil no conflito que sangra seu vizinho e mais recente sócio no Mercosul.”

Creio, com a maior convicção, que o silêncio do Brasil face à repressão violenta sobre a oposição que está sendo praticada pelo governo Maduro é um erro que afeta a credibilidade de nosso país em sua tradicional defesa dos direitos humanos e dos valores democráticos. É uma mancha para o atual governo, que espero seja apagada por uma postura mais definida .

Os seis marielitos

Carlos Brickmann
Broickmann & Associados Comunicação

É Brasil: primeiro, foram comprados 36 caças supersônicos Grippen NG, ao custo de US$ 4,5 bilhões; depois da compra, discute-se se a compra deveria ter sido feita. O debate sobre o já decidido ocorre amanhã, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, com a participação do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, com início marcado para as dez da manhã.

O valor da compra nem é tão alto: equivale a seis vezes o que o Brasil gastou na modernização do porto de Mariel, em Cuba; ou a quatro vezes o prejuízo com a compra da refinaria de petróleo obsoleta de Pasadena, nos Estados Unidos. E o investimento deve ser mais útil que aqueles: esta coluna - que tinha levantado dúvidas sobre a necessidade de novos caças, perguntando se drones, muito mais baratos, não fariam o mesmo serviço de supervisão de fronteiras e de regiões economicamente sensíveis, como campos petrolíferos em alto mar - recebeu mensagens de especialistas de prestígio, que consideram que a compra foi essencial. 

Diz o engenheiro aeronáutico Isu Fang, especialista em administração: "A escolha do Grippen NG foi elogiada por profissionais sérios, tecnicamente excelentes. Os drones não servem para todas as missões que a FAB tem de cumprir; e é preciso lembrar que nossa Força Aérea está praticamente sem aviões de combate, após a aposentadoria dos Mirage". Sobraram Tigers F-5 e Skyhawks A-4, alguns modernizados, mas bem idosos. Completa Isu Fang: "Se vamos manter uma força aérea precisamos dar-lhe condições mínimas de cumprir suas funções". 

Dúvida pertinente
Fang faz, entretanto, uma pergunta fundamental, para um país que tem poucos recursos (e ainda precisa dividi-los para financiar outros países, além de gastá-los em instalações caríssimas e improdutivas no Exterior): "O que deveria ser discutido de maneira aberta é o que o país espera de suas forças armadas e, em função disso, seus efetivos e os investimentos necessários para que possam operar".

Não é o que parece
Não leve a sério as ameaças dos partidos aliados a Dilma de criar dificuldades aos projetos do Governo, ou de aderir a candidaturas oposicionistas à Presidência. Eles até podem aderir a candidatos oposicionistas, em duas circunstâncias: se os oposicionistas forem favoritos (no momento, não são), ou se ganharem as eleições, caso em que procurarão demonstrar que sempre foram ferozmente contra Dilma, Lula e tudo o que pareça petismo. 

As ameaças têm objetivo preciso: renegociar, para melhor, os termos do apoio à presidente, obtendo mais cargos, em ministérios mais rentáveis, e mais verbas parlamentares. O mais feroz desses leões parlamentares é amansável com boa alimentação e muito carinho oficial.

Falar, sim; largar, não
Observação de um arguto colunista carioca, Aziz Ahmed, de O Povo: o PT do Rio rompeu com o Governo do peemedebista Sérgio Cabral e prometeu entregar os cargos que ocupava. Dos 500 petistas lá empregados, nem 10% saíram. O PSB do candidato Eduardo Campos rompeu com o Governo Dilma e prometeu entregar os cargos. Nem 20% dos socialistas empregados no Governo Federal entregaram os cargos até agora.

Romper, sim; largar o osso, nem pensar.

O culpado é o leitor
Sabe quem é o responsável pelas tentativas de invasão do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, no dia 12, por tropas de choque do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, MST? Sabe quem é o responsável pelo tumulto que provocou ferimentos em trinta PMs encarregados da segurança dos prédios públicos? 

Pois olhe-se no espelho, caro leitor. O Incra, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, entrou com R$ 448 mil para o congresso do MST que redundou nos tumultos. A Caixa Econômica Federal economizou: deu só R$ 200 mil. E o BNDES contribuiu com R$ 350 mil para evento tão essencial aos objetivos do banco, a busca do desenvolvimento econômico e social. Tudo está devidamente documentado, publicado no Diário Oficial da União. Ao que se saiba, perto de um milhãozinho - fora o que ainda não apareceu. 

E por que o caro leitor é o culpado? De onde é que sai o dinheiro do BNDES e do Incra?

Pagando a conta
Mas não se diga que o MST não entregou nada em troca do generoso e gentil patrocínio oficial ao quebra-quebra que promoveu em Brasília. Depois de promover os tumultos, depois de ferir trinta policiais, depois de pregar o fim da Constituição e de chamar o Poder Judiciário de "assassino", o MST foi recebido pela presidente Dilma Rousseff em Palácio. 
E deu de presente a Sua Excelência uma cestinha pequenina com produtos originados, dizem, de seus assentamentos.

Os números do problema
Não é difícil entender os problemas da Petrobras. Dois deles: a) com a falta de chuvas, as usinas a diesel estão funcionando em plena capacidade. As importações de diesel cresceram 40% de dezembro para janeiro. E a Petrobras o vende abaixo do custo; b) o gás natural é importado a US$ 17 o milhão de BTU (unidade de medida) e vendido para usinas a preços que variam de quatro a dez dólares o milhão de BTU. 

Um dia a Petrobras precisará de recursos para pagar a conta.

carlos@brickmann.com.br 
www.brickmann.com.br

Ela fala pelo Brasil

O Estado de S.Paulo

Até mesmo o lusófono presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, deve ter tido sérias dificuldades para entender os dois discursos da presidente Dilma Rousseff proferidos em Bruxelas a propósito da cúpula União Europeia (UE)-Brasil. Não porque contivessem algum pensamento profundo ou recorressem a termos técnicos, mas, sim, porque estavam repletos de frases inacabadas, períodos incompreensíveis e ideias sem sentido.

Ao falar de improviso para plateias qualificadas, compostas por dirigentes e empresários europeus e brasileiros, Dilma mostrou mais uma vez todo o seu despreparo. Fosse ela uma funcionária de escalão inferior, teria levado um pito de sua chefia por expor o País ao ridículo, mas o estrago seria pequeno; como ela é a presidente, no entanto, o constrangimento é institucional, pois Dilma é a representante de todos os brasileiros - e não apenas daqueles que a bajulam e temem adverti-la sobre sua limitadíssima oratória.

Logo na abertura do discurso na sede do Conselho da União Europeia, Dilma disse que o Brasil tem interesse na pronta recuperação da economia europeia, "haja vista a diversidade e a densidade dos laços comerciais e de investimentos que existem entre os dois países" - reduzindo a UE à categoria de "país".

Em seguida, para defender a Zona Franca de Manaus, contestada pela UE, Dilma caprichou: "A Zona Franca de Manaus, ela está numa região, ela é o centro dela (da Floresta Amazônica) porque é a capital da Amazônia (...). Portanto, ela tem um objetivo, ela evita o desmatamento, que é altamente lucrativo - derrubar árvores plantadas pela natureza é altamente lucrativo (...)". Assim, graças a Dilma, os europeus ficaram sabendo que Manaus é a capital da Amazônia, que a Zona Franca está lá para impedir o desmatamento e que as árvores são "plantadas pela natureza".

Dilma continuou a falar da Amazônia e a cometer desatinos gramaticais e atentados à lógica. "Eu quero destacar que, além de ser a maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica, mas, além disso, ali tem o maior volume de água doce do planeta, e também é uma região extremamente atrativa do ponto de vista mineral. Por isso, preservá-la implica, necessariamente, isso que o governo brasileiro gasta ali. O governo brasileiro gasta um recurso bastante significativo ali, seja porque olhamos a importância do que tiramos na Rio+20 de que era possível crescer, incluir, conservar e proteger." É possível imaginar, diante de tal amontoado de palavras desconexas, a aflição dos profissionais responsáveis pela tradução simultânea.

Ao falar da importância da relação do Brasil com a UE, Dilma disse que "nós vemos como estratégica essa relação, até por isso fizemos a parceria estratégica". Em entrevista coletiva no mesmo evento, a presidente declarou que queria abordar os impasses para um acordo do Mercosul com a UE "de uma forma mais filosófica" - e, numa frase que faria Kant chorar, disse: "Eu tenho certeza que nós começamos desde 2000 a buscar essa possibilidade de apresentarmos as propostas e fazermos um acordo comercial".

Depois, em discurso a empresários, Dilma divagou, como se grande pensadora fosse, misturando Monet e Montesquieu - isto é, alhos e bugalhos. "Os homens não são virtuosos, ou seja, nós não podemos exigir da humanidade a virtude, porque ela não é virtuosa, mas alguns homens e algumas mulheres são, e por isso que as instituições têm que ser virtuosas. Se os homens e as mulheres são falhos, as instituições, nós temos que construí-las da melhor maneira possível, transformando... aliás isso é de um outro europeu, Montesquieu. É de um outro europeu muito importante, junto com Monet."

Há muito mais - tanto, que este espaço não comporta. Movida pela arrogância dos que acreditam ter mais a ensinar do que a aprender, Dilma foi a Bruxelas disposta a dar as lições de moral típicas de seu padrinho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acreditando ser uma estadista congênita, a presidente julgou desnecessário preparar-se melhor para representar de fato os interesses do Brasil e falou como se estivesse diante de estudantes primários - um vexame para o País.

Um argumento para Dilma

José Casado
O  Globo

Ninguém soltou fogos. Salvo o tom habitualmente recalcado do presidente do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, para quem "caiu a farsa da formação de quadrilha", no governo Dilma Rousseff e na cúpula petista houve opção preferencial pela alegria comedida.

Há razões para tanto, neste início de campanha presidencial. O motivo básico está naquilo que Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, evitou dar nome, mas insinuou, com ressentimento:

"Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que esse é apenas o primeiro passo" - ele disse, acrescentando: "Porque essa maioria circunstancial [no plenário do STF] tem todo o tempo a seu favor para continuar na sua sanha reformadora".

No tapete jurídico, o nome do jogo agora passa a ser "ação de revisão criminal", instrumento pelo qual a defesa dos mensaleiros poderá recorrer para tentar alterar ou modificar a pena, reclassificar a infração penal e, no extremo, até pedir a absolvição dos réus ou anulação dos processos.

A decisão do STF, dando o dito pelo não dito, nas palavras do ministro Marco Aurélio Mello, abriu essa nova trilha jurídica.

Sua adoção, possibilita ao governo e ao PT uma leitura aplicada à disputa presidencial: se um adversário sacar a "espada" do mensalão, Dilma Rousseff poderá argumentar que o caso ainda está "sub judice", em análise no STF.

Pode parecer frágil, mas já é algo concreto para quem sentia falta de argumentos para entrar na disputa presidencial tendo sobre a cabeça a "lâmina" da condenação e prisão de parte da cúpula petista. E por corrupção.

No palácio e no PT os mais otimistas achavam, ontem, que passou a existir até a possibilidade de José Dirceu sair livre da Papuda a tempo de participar da cerimônia de posse de Dilma, caso ela vença a eleição - coisa que muitos petistas ainda duvidam.

Apagar das luzes

Dora Kramer  
O Estado de S.Paulo

Na primeira sessão de julgamento dos recursos que podem mudar alguma coisa nas penas de alguns condenados do mensalão os advogados de José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino optaram por fazer a defesa política de seus clientes.

Como quem diz: já que no julgamento o Supremo Tribunal Federal não obedeceu aos parâmetros legais e que tudo não passou de uma conspirata política, utilizemos as mesmas armas.

Houve citação de pesquisas de opinião que, por apontarem a presidente Dilma Rousseff à frente dos adversários na próxima eleição, supostamente inocentavam os réus.

Um dos defensores chegou a dizer que ele e os colegas haviam se arrependido de terem feito defesas técnicas. Deveriam ter trilhado antes o caminho do manifesto. Pois sim.

Isso é bem mais fácil de dizer quando os clientes já estão condenados e nada mais pode ser feito para livrar os réus da prisão. Na fase em que ainda havia a possibilidade de absolvição o tratamento reservado aos juízes não era assim desassombrado.

Agora, quando o que não tem remédio remediado está, não seria um advogado inflamado na tribuna apontando os "erros" da Corte que iria impressionar os ministros que nesta semana prosseguem e talvez concluam o julgamento dos embargos infringentes.

Da mesma forma esses votos não alteram a realidade que teve mais um ciclo fechado com a decretação da prisão de Roberto Jefferson.

Eles podem mudar, no máximo, o regime de cumprimento das penas, mas não mudam a condição de presidiários dos condenados.

Estavam equivocadas as análises de que a aceitação por parte do STF de examinar os recursos dos que tiveram mais de quatro votos pela absolvição nos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro significava anulação de tudo o que havia sido feito anteriormente.

Caso haja redução de penas e o benefício de regime mais brando para alguns e possibilidade de progressão para liberdade condicional mais rápida para outros, tampouco isso deve justificar gritas contra o Tribunal. É a normalidade do processo legal.

Processo este que agora está mesmo chegando ao fim. Não obstante uma pendência aqui, outra ali.

Há a investigação do Ministério Público sobre as doações para o pagamento das multas dos petistas junto à Justiça (um êxito realmente esquisito diante do fracasso de um jantar para arrecadação, feito no ano passado) e há as dúvidas sobre o uso de telefone celular por José Dirceu e privilégios dados a Delúbio Soares dentro do presídio.

As coisas já poderiam ter voltado ao normal não fosse a insistência do PT em resistir a uma situação que está resolvida. E tão mais bem solucionada para o partido estará se seus líderes e militantes desistirem dos gestos inúteis de confrontar o Supremo e agredir os fatos.

Como ao PSDB também não interessa levar o assunto mensalão ao palanque devido ao processo em que é réu o ex-deputado Eduardo Azeredo, quanto mais calmo se mantiver o PT mais distante o assunto ficará da eleição.

A menos, claro, que o ministro Joaquim Barbosa resolva, até o dia 5 de abril, entrar no jogo eleitoral.

Dados de trabalho. 
Mais conhecido entre os eleitores das classes A e B, o senador Aécio Neves ainda é o famoso quem para aqueles cuja renda familiar os enquadra nas categorias C, D e E.

Eles serão, claro, forte foco do PSDB daqui em diante - que também concentra esforços na faixa dos jovens entre 18 e 28 anos onde se concentram 54% do eleitorado.

De ordem legal. 
Só para constar: candidatos podem ser trocados até dez dias antes da data da eleição. Não há inferência política nessa informação. Apenas um lembrete de que trata a legislação em vigor.


Me Engana Que Eu Gosto!

Ferreira Gullar
Folha de São Paulo (*) 

A tentativa de desmoralizar a decisão do Supremo Tribunal Federal, que condenou os responsáveis pelo mensalão, começou com uma falsa indignação e está se tornando molecagem. Não pode ser qualificada de outro modo a atitude do vice-presidente da Câmara, que na sessão solene de abertura do ano legislativo fazia ostensivamente gestos de provocação contra o presidente da suprema corte de Justiça do país.

Sentado ao lado do ministro Joaquim Barbosa, repetia o gesto de José Dirceu e Genoino, quando, ao serem presos, fizeram-se de vítimas de uma discriminação política. Se tais gestos, naquele momento, eram apenas uma descarada farsa, repetidos agora não passam de um desrespeito ao Supremo e ao próprio Congresso Nacional.

Esse desespero dos petistas é compreensível, ainda que inaceitável. É compreensível porque o mensalão pôs a nu o que efetivamente é agora o PT, partido criado para supostamente restaurar a ética na política brasileira. A verdade é que esse partido nunca foi isso. Fingiu ser, e desse modo ganhou a adesão de algumas personalidades destacadas da vida intelectual brasileira.

Essas personalidades deram respaldo à jovem agremiação, cujo principal líder era um operário. Ninguém imaginaria que esse mesmo líder viria, mais tarde, chegado ao poder, aliar-se ao que há de pior na política nacional. Em consequência disso, aquelas personalidades, decepcionadas, deixaram o partido, sendo que algumas delas chegaram a denunciar o logro de que foram vítimas. Mas Lula e sua turma seguiram em frente, porque seu objetivo, após chegar ao poder, é nunca mais sair dele. E daí, entre falcatruas, o mensalão.

MENSALÃO 
Como já disse aqui, o mensalão foi o modo encontrado por Lula de conseguir o apoio dos pequenos partidos sem lhes dar ministérios e empresas estatais, que reservou, na quase totalidade, para o próprio PT, onde empregou seus partidários aos milhares e usou das verbas como quis. Nesse projeto, estava implícito o uso do dinheiro público em função dos interesses do governo.

Logo ficou evidente que partido era aquele e quais seus reais objetivos. Já a vitória de Lula à Presidência da República deveu-se à mudança drástica em sua pregação de candidato. No governo, abriu os cofres do BNDES a grandes empresas privadas, ao mesmo tempo que se apropriava dos programas sociais, criados por Fernando Henrique.

Conforme afirmou recentemente um economista, o dinheiro dado aos empresários foi muitas vezes superior ao destinado ao Bolsa Família, isso sem contar que os empréstimos eram feitos a juros abaixo do mercado, o que permitiu aos empresários aplicar o capital que não investiram em suas empresas e assim ampliá-lo, graças aos altos juros do mercado financeiro.

Tudo isso mostra que do PT surgido em 1980 não restou quase nada. O mensalão não foi inventado por ninguém e, sim, atestado e comprovado por documentos, depoimentos e investigações, levados a cabo pelos órgãos policiais e judiciais. O julgamento desse processo foi feito publicamente, transmitido pela televisão. Cada ministro manifestou sua opinião, suas concordâncias e discordâncias, do que resultou a condenação da maioria dos acusados.

PEGAM MAL… 
Entende-se que, para um partido, que está no poder há 11 anos e nele pretende se perpetuar, tais condenações pegam muito mal, já que os condenados são gente de sua cúpula. Como explicar, num ano de eleições, que altas figuras do partido tenham sido condenadas pelo Supremo Tribunal Federal?

Como explicar que Henrique Pizzolato, nomeado por Lula diretor do Banco do Brasil, tenha falsificado o passaporte do irmão morto para fugir do país? Ele era membro destacado do PT, tendo sido até candidato do partido ao governo do Paraná.

Impossível explicar aos eleitores tanto vexame e tantas falcatruas. E, sobretudo, impossível negá-las se foram comprovadas e punidas pela mais alta corte de Justiça do país.

Não há outra saída para os petistas senão afirmar que se trata de uma farsa, montada pelos ministros do Supremo. Mas como admitir isso se, dos 11 ministros, oito foram nomeados por Lula e Dilma? O PT só engana mesmo quem quer ser enganado.

E o valerioduto mineiro? É esperar para ver.

(Transcrito do site da Tribuna da Imprensa)

Vendendo a alma a Deus por um punhado de votos

José Nêumanne 
O Estado de S.Paulo

Entre os entrevistados da última pesquisa do instituto MDA para a Confederação Nacional de Transportes (CNT), divulgada na semana passada, a maior parte dos eleitores questionados sobre o estilo administrativo da atual presidente - 37,2% - disse acreditar que ela precisa "mudar tudo" na forma de governar. Os idiotas da objetividade, definição cruel e exata de Nelson Rodrigues, dirão que a oposição pode botar o bloco na rua uma semana antes do carnaval porque, depois de 12 anos de reinado petelulista, tucanos e socialistas teriam, enfim, sua vez. Certo? Completamente errado: a mesma pesquisa informou que, com 43,7% da preferência do eleitorado, Dilma Rousseff seria reeleita no primeiro turno, superando a soma dos votos dos oponentes.

"Com mil e seiscentos diabos!", exclamaria meu avô Chico Ferreira, alisando o maxilar e espiando o céu de estio à espera de chuva. E maior seria seu susto no domingo quando soubesse de outra pesquisa, do Datafolha, que dava informação ainda mais aziaga aos netos de Tancredo Neves e de Miguel Arraes. Não, não seria tanto o índice maior dela (47% a 43,7%), porque, afinal de contas, como se aprendia antigamente no primário, não se somam (e, portanto, não se comparam) alhos com bugalhos nem laranjas com mamões. Não dá para avaliar somas de pesquisas diferentes - cada coisa é uma coisa. Mas, sim, por um dado mais perturbador para os adversários da aliança governista: a soma de futuros votos nulos, em branco ou dos que não sufragariam agora nenhum dos candidatos de outubro, que já andava seguindo como uma sombra o mineiro, agora o ultrapassa: 18% a 17%. E o pernambucano mal conseguiu entrar no reino dos dois dígitos ao alcançar meros 12%, apesar das notícias de que, enfim, a sustentável Marina Silva está para subir na garupa de sua montaria, que ainda se mostra bem claudicante. Pelo visto, o eleitor não aprecia a gestão de Dilma (conforme mostram outros indicadores da pesquisa MDA-CNT), mas prefere que ela, e não ele próprio, mude tudo.

A pergunta, também da categoria rodriguiana do "óbvio ululante", que não quer calar é: e por que ele o faria? O que de sensato, concreto e inteligente o senador tucano Aécio Neves trouxe de novo em seus três anos de atividade no Congresso? Que projeto espetacular tem seu sobrenome herdado do avô materno? A falta de propostas do PSDB é de tal obviedade ululante que o presidenciável do principal partido da oposição se propõe a "ouvir" o eleitor. A plataforma de sua candidatura é tão pobre que não inclui nem promessa. Se é fato que o cidadão se cansou de políticos que não cumprem promessas, que fique logo claro que ninguém parece disposto a investir em quem nem se dá ao trabalho de prometer.

Se Geraldo Alckmin conseguiu a proeza de ter no segundo turno de 2006 menos votos do que no primeiro e Aécio hoje perde até para ninguém, ingente também é o desafio de Eduardo Campos à química, segundo a qual água e óleo não se misturam, ao compor a chapa com Marina, não é? Como Aécio teve em seu Estado, Campos tem desempenho mais do que satisfatório no governo de Pernambuco. Ambos gozam de muito prestígio entre seus governados, mas se Minas, tido como a síntese do Brasil e com um enorme colégio eleitoral, não basta para eleger seu ex-governador, o que dizer de um pobre Estado nordestino? Apesar de desaforos trocados com os petistas no poder federal, ele não conseguiu apagar de sua imagem de realizador os benefícios de verbas federais para fazer uma boa administração estadual. Não dá para esquecer que a quase totalidade das verbas do Ministério da Integração, comandado por um cabo eleitoral dele, foi destinada a seus rincões. Tampouco dá para digerir a retórica antioportunista de sua oportuna chapa com Marina Silva. Rebentos dos Neves de São João Del Rey e dos Alencar de Crato liderarem uma "nova política" parece tão falso como uma moeda de R$ 4.

Se tudo isso é verdade, por que, então, a presidente, em vez de surfar na onda positiva, resolveu adotar a estratégia de "fazer o diabo" no pleito deste ano, vendendo a alma logo a Deus? Karl Marx e Friedrich Engels, que decretaram a condição de "ópio do povo" à fé religiosa, devem dar voltas no túmulo ao saberem que sua velha discípula de guerra tem uma imagem de Nossa Senhora Aparecida no gabinete presidencial. E, pior, já beijou a mão do representante de Jesus Cristo na Terra três vezes em menos de um ano. Em março do ano passado foi a Roma para acompanhar a missa de inauguração do papado de Francisco levando uma comitiva de provocar repulsa pelo exagero de dispêndio e ostentação ao padroeiro do bispo de Roma, São Francisco de Assis. Em agosto fez discurso palanqueiro ao receber Sua Santidade no Rio. E agora voltou a Roma para ver o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, ser introduzido no Colégio dos Cardeais. Para dizer o mínimo, que exagero!

Devota do marketing político, Dilma fantasia-se de peregrina de ocasião para conquistar o voto católico em outubro. Mas por que o faz, se entre seus índices de preferência e os de seus adversários há 30 pontos porcentuais e a crescente opção do eleitorado pelo direito de não ter de escolher? A julgar pelo noticiário dos últimos dias, há, de fato, um fantasma que passou a persegui-la: o padim Lula de Caetés. Mais do que os índices das pesquisas que desnudam sua má gestão, assusta-a o fato de companheiros, empresários e outros ex-bajuladores irem a São Bernardo do Campo buscar consolo contra o estilo truculento dela no profeta que só precisou do próprio carisma para fazê-la sucessora. Se nem sequer pode usar o maior peso do poder da República, o chumbo do Diário Oficial (até porque este não é mais impresso a quente), para extinguir a onipresença do patrono no Planalto na pessoa de seu abusado secretário Gilberto Carvalho, ela tem é de rezar e de beijar muito o anel do sucessor de São Pedro para expulsar de seu sono inquieto essa assombração.

O Brasil será a Tailândia do século XXI?

José Milton Dallari
O Globo

O problema é que, por enquanto, Brasília não se mexe para promover um choque de confiança no setor privado

Dezessete anos depois de a Tailândia iniciar a chamada crise dos Tigres Asiáticos, os países emergentes voltam a ficar na berlinda. Deixaram o posto de locomotiva do mundo, conquistado recentemente, para novamente tornarem-se um ponto de interrogação. A desconfiança do investidor internacional dessas nações já está provocando uma mudança no fluxo de investimentos diretos e de capitais especulativos que vêm ganhar com os juros altos ou com ações baratas na Bolsa de Valores de São Paulo. Esse dinheiro começou a migrar para as economias maduras, como Estados Unidos e países da zona do euro, que começam a se recuperar da crise de 2008.

Para amargura do governo federal, o Brasil foi citado entre os emergentes como o segundo país mais vulnerável nesta crise. Só perde para a Turquia. Bancos de investimento criaram um ranking chamado de “os cinco frágeis”. Além do Brasil e da Turquia, estão nessa lista a Índia, a Indonésia e a África do Sul. A nova presidente do Federal Reserve, o banco central americano, Janet Yellen, ratificou a lista e citou nominalmente o Brasil. Ela disse que a mudança de política monetária nos EUA, com redução dos estímulos à economia, que deve levar a uma alta de juros no futuro, não é a única razão para a debandada dos investidores dos países emergentes.

Yellen tem razão. É difícil para Brasília admitir que algumas correções de rota são necessárias na economia para tirar o Brasil desse grupo. O Brasil tem reservas internacionais da ordem de US$ 370 bilhões, um colchão mais que suficiente para amortecer qualquer disparada do dólar caso a crise se aprofunde. Mas, assim como seus pares emergentes, tem uma situação fiscal muito ruim, só pior que a da Turquia. Sua economia cresce pouco, a inflação está em alta, os juros sobem para conter a alta dos preços, mas travam ainda mais o crescimento econômico.

O fluxo de dólares, incluindo o investimento direto, para o país não cobre mais o déficit de transações correntes. O BC informou que o fluxo cambial está positivo em apenas US$ 46 milhões no mês até o dia 7 de fevereiro. Os investidores estrangeiros não param de vender ações na Bolsa de Valores. O saldo de investimento estrangeiro na Bovespa está negativo em R$ 1,452 bilhão em fevereiro até o dia 10. A safra agrícola corre o risco de quebrar por causa do verão seco, o que poderia comprometer uma parte importante das exportações. Serão ainda menos dólares entrando no país. Além disso, o Brasil está na mira das agências de classificação de risco e corre o risco de ser rebaixado.

O problema é que, por enquanto, Brasília não se mexe para promover um choque de confiança no setor privado. O corte de R$ 30 bilhões em despesas, número ventilado pela imprensa, não foi anunciado. Os gastos públicos aumentam. Um exemplo é o setor de energia que terá que ser compensado para evitar um aumento da conta de luz para os consumidores. Serão quase R$ 18 bilhões saindo do Tesouro.

Nesse cenário de incertezas internas e externas, o dólar continua subindo e já se fala em algo como R$ 2,60 ou R$ 2,70 no fim deste ano. É mais lenha na fogueira da inflação. Ou Brasília se mexe ou corremos o risco de 2014 se tornar um ano perdido do ponto de vista econômico. Num período de eleições, este é um capital político que nenhum candidato quer. Melhoria substancial na gestão pública é um dos caminhos.

Um morto e alguns “vivíssimos”

Paulo Brossard
Zero Hora

O nomeado poderia ser tudo, menos pessoa de “ilibada reputação e notória capacidade”

Foi enorme a repercussão do caso Pizzolato e não poderia deixar de ser, envolvia um diretor do Banco do Brasil, que pertence ao Brasil, pois a União Federal é seu maior acionista.

O caso foi esquadrinhado e divulgado, de modo que não vou me ocupar dele; vou partir do fato, que também se tornou público, que o famigerado fraudador, sucessivamente ou concomitantemente, tanto era diretor do Banco como figura de proa do esquema do mensalão.

Tornou-se igualmente público que, quando o escândalo do mensalão ganhou as galas da publicidade, um dos implicados sentiu o alcance da investigação do inquérito policial e a inevitabilidade da consequente instauração da ação penal e, desde então, cuidou de elaborar um plano pelo qual pudesse evadir-se do poder da Justiça, enquanto os restantes parecem não terem dado a devida importância ao caso, pois ainda depois da condenação do maior número dos investigados, eles exibiam seu descoco ao insultar a Justiça em geral e, em particular, o Supremo Tribunal Federal que os condenara.

Enquanto o processo criminal avançava, o ágil falsificador ressuscitava um irmão para fabricar documentos com o nome do morto, para uso do vivíssimo falsário. Sem deixar de ser Henrique, também passou a ser Celso, ambos com o mesmo sobrenome. E, quando procurado para ser recolhido à prisão, fazia algum tempo que percorrera tortuoso caminho que o levara a instalar-se na Itália.

Até 2002, o bancário e sindicalista Pizzolato concentrava sua atividade na Previ do Banco do Brasil, mas em meados desse ano passou a dedicar-se inteiramente a operar área financeira da campanha do candidato Luiz Inácio, tendo como companheiro Delúbio Soares. Luiz Inácio foi eleito para seu primeiro quadriênio; logo no início dele, a 17 de fevereiro de 2003, Pizzolato assumia o cargo de Diretor de Marketing e Comunicação do Banco do Brasil, onde permaneceu até 24 de julho de 2005, quando se aposentou e se desligou do banco. O escândalo do “mensalão” entrava em combustão. De 17 de fevereiro 2003 a 24 de julho de 2005, Pizzolato foi diretor do Banco do Brasil, e nesse período o “mensalão” foi concebido e entrou em execução.

Tendo em vista e em se tratando de instituições financeiras públicas, compete ao presidente da República nomear o presidente e diretores do Banco do Brasil dentre pessoas de reputação ilibada e capacidade notória, como manda a lei. É de concluir-se que Henrique Pizzolato tenha sido nomeado pelo senhor presidente da República. De qualquer sorte, dir-se-á que o presidente não pode fazer investigações pessoais sobre todos os que tem de nomear, mas, também óbvio, que o mesmo tenha auxiliares capazes para fazer este levantamento de caráter personalíssimo em relação a quantos deva nomear, pessoas de sua absoluta confiança e em cujo juízo possa se basear.

A surpresa foi de tal monta que o nomeado tomou a iniciativa de aposentar-se e desligar-se do banco, tão logo iniciava a investigação do caso, e possivelmente por em prática a elaboração do plano de sumiço; vale salientar que foi o único a evadir-se. Ainda agora o líder do PT, na Tribuna da Câmara dos Deputados, disse duras palavras a respeito do fugitivo e foi explícito ao sustentar que, enquanto o PT vinha se esforçando em desqualificar o julgamento judicial, o fugitivo dava testemunho da legitimidade do desfecho.

Enfim, se o ladino diretor de Marketing foi realmente nomeado pelo presidente da República, de todo o esforço se verifica à evidência que a autoridade suprema deixou de usar da exação que a lei lhe impõe, para retribuir ao correligionário pelos serviços na esfera financeira da campanha eleitoral; desse modo se evidencia que as atribuições mais relevantes podem ser praticadas pelos critérios mais ordinários, uma vez que o nomeado poderia ser tudo, menos pessoa de “ilibada reputação e notória capacidade”.

Violência revolucionária

Denis Lerrer Rosenfield
O Estado de S.Paulo

A morte de um cinegrafista da Band, atingido no crânio por um rojão disparado por um black bloc, tendo contado com a ajuda de outro membro do mesmo grupo, está suscitando uma série de reações indignadas. Algumas dessas reações têm conteúdo eminentemente político, para não dizer que vertem lágrimas de crocodilo. O apoio velado, para não dizer explícito, agora se traduz pela condenação. Ora, a impunidade com que tal grupo tem agido desde junho já anunciava um desenlace como esse. Era só questão de tempo.

Observemos que não se trata de um assassinato qualquer, como esses que são estampados todos os dias nas notícias impressas e televisivas. Há uma nítida tentativa de alguns responsáveis governamentais e formadores de opinião de desqualificar o componente político desse assassinato, como se fosse uma espécie de acidente que poderia acontecer a qualquer um. Desde junho a violência sob a forma de vandalismo, quebra-quebra e das mais variadas formas de intimidação tomou conta das ruas brasileiras. Mais recentemente esses mesmos grupos procuraram apropriar-se do movimento não violento dos rolezinhos, com o intuito de lhe conferir uma dimensão político-ideológica. Ainda mais recentemente, o MST ameaçou invadir o Supremo e o Palácio do Planalto fazendo uso explícito da violência, 30 pessoas sendo feridas. Transfere para as cidades o que já fazia no campo brasileiro.

Agem todos esses grupos impunemente, apoiados por movimentos sociais organizados e partidos de esquerda e extrema esquerda. Agora, com o assassinato político, todos procuram dissociar-se do ocorrido pela simples razão da condenação e do repúdio observados na opinião pública. Procuram dissociar-se do que até ontem, por assim dizer, apoiavam. Outro fato digno de nota nesse processo é que a qualificação de puro assassinato procura retirar dessa morte a conotação propriamente política, como se não fossem os grupos de extrema esquerda que estivessem por trás - ou à frente - deles. É como se a "esquerda" não tivesse nada que ver com isso.

Imaginem se fosse um grupo de extrema direita o responsável por esse assassinato. Os formadores de opinião "engajados" não cessariam de ressaltar que a direita é culpada de todo o acontecido. Palavras como "fascistas" seriam proferidas e escritas diariamente. Como se trata da "esquerda", procura-se não mais falar disso!

Nas jornadas de junho já havia ficado patente o charme que a violência dos black blocs exercia sobre uma esquerda nostálgica do período áureo do marxismo. É como se se tratasse de um recurso legítimo dos descontentes e revoltados contra o status quo, o "capitalismo", a "burguesia", os "conservadores" e a direita em geral. Tudo estaria justificado em nome da moralidade de um fim maior, que seria uma sociedade sem classes, chamada de socialismo ou comunismo. Quando a violência era mencionada, o objetivo era apenas denominar a ação policial mediante o recurso da força. O jogo ideologicamente encenado era o seguinte: a violência da extrema esquerda seria legítima e moralmente justificada, enquanto o uso da polícia para coibir essa violência seria ilegítimo e imoral. Mesmo máscaras chegaram a ser justificadas. Seria a estética de uma violência glamourizada.

A extrema esquerda, por exemplo, personificada no PSOL, que agora procura dissociar-se do assassinato do cinegrafista da Band, dizia há pouco tempo, na fala de seu secretário-geral: "Em tese, as táticas black bloc dispõem-se a proteger manifestações da sociedade civil contra ações truculentas das forças do Estado". E ainda completou: "Não nos parece que o conceito da tática black bloc seja algo retrógrado ou mesmo indesejável em essência e propósitos originais. É algo progressivo, politicamente moderno, trazido pelas mãos da dialética na História". Eis a "modernidade dialética" do assassinato, travestido de ato revolucionário.

Eis um discurso da Academia, que deveria ser um lugar de inteligência, o que não é, aliás, manifestamente o caso: "Ao chamar a atenção para os bancos, para as grandes marcas e para o Estado brasileiro, o Black Bloc resgata a atenção dos meios de comunicação e a redireciona para o sistema econômico e político que está na gênese da verdadeira violência da nossa sociedade". Eis, enfim, a violência revolucionária apresentada como moralmente legítima. O assassinato faz parte desse percurso!

Há uma mentalidade reinante que tende a justificar qualquer ato violento por razões de ordem pretensamente política, como se fosse válida a concepção marxista da luta de classes. Os conflitos seriam estruturais por seu caráter de classe, de modo que qualquer ação que visasse a destruir o status quo capitalista seria legítima. A violência, nessa perspectiva, seria moralmente justificada. Há o que poderíamos chamar de um marxismo-leninismo difuso que se apresenta sob a forma do politicamente correto.

Segundo essa abordagem, a violência seria somente um meio da classe dominante visando a assegurar a exploração dos trabalhadores, sendo a polícia o seu instrumento. Note-se que, na grande maioria das notícias e análises, o foco esteve centrado na dita violência policial, como se o uso legítimo da força não fosse monopólio do Estado. Intencionalmente, a causa foi confundida com o efeito. O uso policial da força, reativo, foi tido como se fosse a causa. A violência causadora, a dos grupos de extrema esquerda, era tida por moralmente válida, sendo uma ferramenta legítima da luta política.

Uma vez que esses grupos conseguiram impor a sua visão, as forças policiais foram desmobilizadas. Passaram a observadoras das cenas de violência, não intervindo. A impunidade abriu o caminho para que a violência se generalizasse. Não mais contidos, os grupos de extrema esquerda passaram a aumentar o grau de violência. As autoridades públicas, nesse sentido, têm também a sua parcela de responsabilidade.

Pilares da democracia

Luiz Fernando De Carvalho
O Globo

Judiciário e imprensa sofrem tentativas de intimidação, quando não agressões diretas, para evitar que exercício de suas funções limite poder imperial do Executivo

Há momentos em que calar é mentir, afirmou Miguel de Unamuno, reitor da Universidade de Salamanca, resistindo à invasão do campus pelas tropas falangistas, sob o comando do general Milan Astray.

Duas instituições viscerais da democracia — Judiciário e imprensa — vêm sendo alvo de tentativas de intimidação, quando não de agressões diretas, sempre para evitar que o exercício de suas funções crie limitações ao poder imperial do Executivo. Este, quanto ao Judiciário, aposta suas fichas na pressão contra o controle de constitucionalidade das leis e também contra a limitação dos atos de poder e das políticas públicas. Sobre a mídia, paira uma névoa a respeito do conteúdo do apregoado controle social.

Os mensaleiros e seus companheiros persistem em ofensiva contra o Judiciário e a imprensa, que apontam como participantes de uma conspiração para enfraquecer o partido do governo e seus correligionários, muitas vezes fazendo a crítica desbordar para a galhofa.

O deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), em manobra sem um mínimo de pudor, apresentou emenda constitucional para revisão de decisões do STF pelo Congresso Nacional, violentando a separação de poderes. A aventura golpista até agora não prosperou, mas permanece em chocadeira como um ovo de serpente.

Nas veias abertas da nossa América Latina, não é diferente o panorama. Argentina, Venezuela, Equador, Cuba e Bolívia, entre outros, mantêm o Poder Judiciário, inclusive suas cortes supremas, sob acentuado controle, dando-lhes, invariavelmente, um tratamento de apêndices do Poder Executivo. Quanto à imprensa, não menos ostensivas as agressões, que vão desde o empastelamento do “El Universo” no Equador, passando pelo bloqueio econômico ao grupo Clarín, na Argentina, para, no patamar mais feroz, acumular recordes de assassinatos de jornalistas.

Outros exemplos de insólito caráter autoritário são lembrados. As ditaduras de todos os matizes se comprazem na busca de domesticação do Judiciário — não podem conviver com o império da constituição e das leis — e de censura contra a imprensa livre.

Os que utilizaram as manifestações de junho último como biombo para a violência contra pessoas e o patrimônio público e privado se mostram hostis ao trabalho da imprensa, que deve ser garantido pelo poder público. Cabe ao Judiciário, com a necessária isenção, garantir as liberdades públicas e examinar as violações aos direitos constitucionais e legais, aí avultando os de integridade física, de expressão e de ir e vir. O caso Santiago Andrade, página trágica de horror anunciado, pode, por irresponsabilidade de arrivistas da inconsequência ou omissão do poder público, se repetir pela criminosa conduta de seus levianos artífices.

A conclusão que se extrai é que, mesmo com suas reconhecidas imperfeições, o Judiciário e a imprensa, pilares do estado democrático de direito, devem resistir às tentativas de emasculação, pugnando na trincheira por uma vida em ambiente de liberdades públicas.

O saco sem fundo

Maria Helena RR de Sousa
Blog Noblat

Tem quem ache que o verbo descobrir para o início da vida em nosso país não está certo. O Brasil não foi “descoberto” por Cabral. O Brasil foi colonizado pelos portugueses depois que Cabral veio dar com os costados aqui e subjugou os índios, que aqui já viviam sabe-se lá desde quando.

E tem quem ache, como os petistas, que foi Lula quem descobriu o Brasil. Descobriu, colonizou, moldou e nele fincou sua bandeira. É tudo deles, ou quase tudo.

Do material ao imaterial, tudo pertence ao PT. A foto do Lula com as mãos encharcadas de petróleo lembra o personagem de James Dean em “Giant” (Assim Caminha a Humanidade, 1956), quando o poço em suas terras começa a jorrar petróleo. Tirando a nenhuma semelhança física entre Dean e Lula, o resto é tal, qual.
Quando Lula está num palanque, aos poucos nos damos conta que ele criou tudo que vemos, as armas, os barões, as praias, os coqueiros, as baianas...

O homem é insaciável e seus partidários alimentam sua fome, querendo mais e mais.

Pensei que fossem se satisfazer com a Capital Federal e seus palácios, afinal de que adianta tanta riqueza sem ter onde e para quem se exibir? Onde estender o tapete vermelho, aterrissar o jato executivo, deslumbrar o povaréu para arrebanhar cada vez mais seguidores e contribuintes para o novo brinquedo petista, a caixinha registradora da vaquinha mococa? 


Boba eu. Não pensei em tantas coisas. Mas o PT pensou e hoje já domina bens que jamais pensei fosse querer conquistar, que dirá controlar:

*Você é artista plástico ou colecionador? Já leu o Decreto nº 8.124/2013 publicado no Diário Oficial da União em 18 de outubro passado? O que regulamenta o Estatuto de Museus? Sabe que essa lei garante que o Estado pode declarar qualquer obra de interesse público? A desapropriação é um risco que o colecionador parece correr. Leia o excelente artigo Decreto-confusão, de Márion Strecker (19/02/2014). E procure se informar antes de ceder seus quadros a alguma exposição.

* Você é compositor, músico, arranjador, regente? Então, meu amigo, abra o olho. O PT conseguiu, com alguns amiguinhos dedicados, acampar no ECAD. O que é o ECAD? É o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, ou seja, a estrutura da gestão coletiva dos direitos autorais. É uma instituição privada que pertence às Associações de Direitos Autorais.

Mas o governo petista preferiu ignorar as dez associações e conseguiu a aprovação de uma lei que lhe dará o direito de interferir no ECAD! Isto é, vai poder nomear oito petistas para tomar conta do que é de, entre muitos e muitos outros, Paulinho da Viola, Alceu Valença, Paulo Cesar Pinheiro... e até meu! Não é uma graça?

Não é, não! Para isso existe o STF que é onde se travará a batalha: os músicos armados com seu talento e a Constituição Federal e o governo com sua cobiça e seu desprezo pelo "livrinho".

Por quem você torce?


Quatro anos depois de escancarar o abismo existente entre um palanqueiro e um estadista, Óscar Arias mostra a diferença que separa um democrata corajoso de uma cúmplice do capataz da Venezuela

Augusto Nunes
Veja online
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Em março de 2010, com poucas horas de diferença, os presidentes do Brasil e da Costa Rica se manifestaram sobre o tratamento dispensado pela ditadura cubana a presos políticos e oposicionistas em liberdade vigiada. Como atesta o post reproduzido na seção Vale Reprise, o que Lula disse durante outra visita à ilha-presídio e o que Óscar Arias escreveu num artigo publicado no jornal El País escancararam o abismo existente entre um palanqueiro sem grandeza e um genuíno estadista.

Passados quatro anos, chegou a vez de Dilma Rousseff ser exposta a uma desmoralizante comparação com Óscar Arias, desta vez provocada por opiniões antagônicas sobre a reação brutal do presidente Nicolás Maduro às manifestações de protesto promovidas pela oposição venezuelana. Um comunicado oficial endossado pelo governo brasileiro formalizou o apoio incondicional dos países do Mercosul ao companheiro ameaçado por “atos de violência”, “tentativas de desestabilizar a ordem democrática” e “ações criminosas de grupos violentos que querem disseminar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela, como instrumento de luta política”.

Nesta sexta-feira, de novo com um texto publicado no jornal El País sob o título Venezuela: inferno de perseguição, o costarriquenho premiado em 1987 com o Nobel da Paz implodiu mais um monumento ao cinismo erguido pelo clube dos farsantes. Confira:

Quero juntar minha voz ao coro de preocupação que se ouve em grande parte da nossa América.

Multidões de estudantes e cidadãos que se opõem ao governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro foram brutalmente atacados com armas de fogo pelas forças de segurança.

Em nenhum país verdadeiramente democrático alguém é preso ou assassinado por discordar das políticas do governo ou por manifestar em público seu descontentamento. A Venezuela de Maduro pode fazer todos os esforços de oratória para vender a ideia de que é efetivamente uma democracia. Cada violação dos direitos humanos que comete nega na prática tal afirmação, porque sufoca a crítica e a dissidência.

Todo governo que respeite os direitos humanos deve respeitar o direito de seu povo de manifestar-se pacificamente. O uso da violência é inaceitável. Recordemos a advertência de Gandhi: “Olho por olho e o mundo inteiro se tornará cego”.

Sempre lutei pela democracia. Estou convencido de que, se não existe oposição numa democracia, devemos criá-la, não reprimi-la e condená-la ao inferno da perseguição, como parece fazer o presidente Maduro.

O governo da Venezuela deve respeitar os direitos humanos, sobretudo os dos opositores. Não há nenhum mérito em respeitar apenas os direitos de seus partidários.

Martin Luther King Jr. disse que “os lugares mais quentes do inferno estão reservados àqueles que num período de crise moral se mantiveram neutros. Num determinado momento, o silêncio se converte em traição”.

Estou consciente de que estas afirmações me deixarão exposto a todo tipo de crítica por parte do governo venezuelano. Serei acusado de imiscuir-me em assuntos internos, de desrespeitar a soberania nacional e, quase com certeza, de ser um lacaio do império.

Sou, sem dúvida, um lacaio do império: do império da razão, da tolerância, da compaixão e da liberdade. Sempre que os direitos humanos forem violentados, não vou calar-me. Não posso calar-me se a mera existência de um governo como o da Venezuela, uma afronta à democracia. Não vou calar-me quando estiver em perigo a vida de seres humanos que apenas defendem seus direitos de cidadão.

Vivi o suficiente para saber que não há nada pior do que ter medo de dizer a verdade.

A resposta de Dilma ao jornalista que quis saber em Roma se tinha algo a dizer sobre a crise venezuelana reiterou que, como o padrinho, a afilhada não tem compromisso com a verdade. “Não quero de problemas internos de outro país”, mentiu a avalista do infame documento do Mercosul. O post de 2010 registrou que Arias é um democrata exemplar, um devoto do Estado Democrático de Direito que tenta moldar um mundo mais justo e generoso. Dilma só pensa na reeleição. O ex-presidente da Costa Rica se guia por princípios éticos e valores morais. Dilma não sabe o que é isso.

Nos 20 anos do Plano Real, o que “eles” disseram. Uma coisa não mudou: Guido Mantega só sabe prever o passado…

Reinaldo Azevedo

Guido, o gênio. 
No passado e no presente, ele é uma constante: erra sempre

Nos 20 anos do Plano Real, quero aqui lembrar frases célebres da companheirada. Antes, no entanto, algumas considerações.

Como vocês devem ter lido em toda parte, ocorreu nesta terça, no Senado, uma sessão solene em homenagem aos 20 anos do Real. A estrela do dia foi o presidente Fernando Henrique Cardoso. As conquistas oriundas do plano devem ser um dos pilares da campanha do tucano Aécio Neves à Presidência — foi ele, aliás, quem dirigiu as palavras mais duras contra o governo Dilma.

Falando, como é de seu feitio, uma linguagem mais institucional, FHC reconheceu os avanços, inclusive do governo Lula — deferência que seu sucessor jamais lhe fez —, mas afirmou que o país precisa de mudanças, de ventos novos, porque há “fadiga de material”, o que disse ter percebido também em seu governo.

Referindo-se à eventual reeleição de Dilma, afirmou:

“A partir de certo momento, tem fadiga de material. Eu sofri essa fadiga quando estava no governo. Agora, tem fadiga de material: ‘De novo o mesmo, meu Deus?’. O Brasil é um país novo, precisa de sentir ventos novos”.

Para Aécio, “os 12 anos de governo do PT levaram o Brasil a estar hoje mergulhado em ambiente de desesperança e descrença do futuro”. “De tijolo sólido, viramos hoje frágil economia. (…) Quem suceder ao atual governo governará em tempos difíceis até o país recuperar o entusiasmo num futuro melhor.”

Guerra de propaganda
Os vinte anos do Plano Real estão a merecer, certamente, um trabalho de fôlego. É impressionante que os tucanos tenham perdido a guerra de propaganda para o PT nos últimos, vá lá, 14 anos — já que o governo FHC ficou sob intenso bombardeio nos dois anos finais.

Lembre-se de que, um ano antes do Real, o então ministro da Fazenda FHC adotou um conjunto de 58 medidas para criar as precondições da estabilização da economia — de pronto combatidas por Lula (vejam abaixo frase de janeiro de 1994).

Como todo mundo sabe, o partido não ficou só na retórica: votou contra a MP do Real no dia 29 de junho de 1995. Foi além. Recorreu ao Supremo com uma ADI (Ação Direita de Inconstitucionalidade) contra o plano. E voltou ao tribunal para tentar derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Abaixo, um pouco do que disseram alguns patriotas.

*
*  Lula
Esse plano de estabilização não tem nenhuma novidade em relação aos anteriores. Suas medidas refletem as orientações do FMI (…) O fato é que os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, aí sim haverá condições” (O Estado de S. Paulo, 15.1.1994).

“O Plano Real tem cheiro de estelionato eleitoral” (O Estado de S. Paulo, 6.7.1994).

* Guido Mantega
“Existem alternativas mais eficientes de combate à inflação (…) É fácil perceber por que essa estratégia neoliberal de controle da inflação, além de ser burra e ineficiente, é socialmente perversa” (Folha de S. Paulo, 16. 8.1994).

* Marco Aurélio Garcia
“O Plano Real é como um “relógio Rolex, destes que se compra no Paraguai e têm corda para um dia só (…) a corda poderá durar até o dia 3 de outubro, data do primeiro turno das eleições, ou talvez, se houver segundo turno, até novembro” (O Estado de S. Paulo, 7.7.1994).

* Gilberto Carvalho
“Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse golpe viciado que as elites aplicam, na forma de um novo plano econômico” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto).

* Aloizio Mercadante
“O Plano Real não vai superar a crise do país (…) O PT não aderiu ao plano por profundas discordâncias com a concepção neoliberal que o inspira” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto)

* Vicentinho, atual líder do PT na Câmara dos Deputados
“O Plano Real só traz mais arrocho salarial e desemprego” (“O Milagre do Real”).

* Maria da Conceição Tavares
“O plano real foi feito para os que têm a riqueza do País, especialmente o sistema financeiro” (Jornal da Tarde, 2.3.1994).

*  Paul Singer
“Haverá inflação em reais, mesmo que o equilíbrio fiscal esteja assegurado, simplesmente porque as disputas distributivas entre setores empresariais, basicamente sobre juros embutidos em preços pagos a prazo, transmitirão pressões inflacionárias da moeda velha à nova” (Jornal do Brasil,  11.3.1994).

O Plano Real é um arrocho salarial imenso, uma perda sensível do poder aquisitivo de quem vive do próprio trabalho” (Folha de S.Paulo, 24.7.1994).

* Gilberto Dimenstein
“O Plano Real não passa de um remendo” (Folha de S.Paulo, 31. 7.1994 ).

FHC: Brasil precisa de 'ventos novos'

Gabriel Castro
Veja online

Ex-presidente participou de sessão em homenagem aos vinte anos do Plano Real e afirmou que há desgaste do grupo que está no poder

(Pedro Franá/Futura Press/Folhapress) 
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao lado dos senadores Renan Calheiros
 e Aécio Neves, antes da sessão no Congresso que celebra 20 anos do Plano Real 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta terça-feira que há "fadiga de material" no governo Dilma Rousseff e que o país precisa de "ventos novos". O tucano, que compareceu a uma sessão em homenagem aos vinte anos do Plano Real no Senado, evitou fazer críticas diretas aos petistas, mas afirmou que as mudanças no poder são naturais.

Fernando Henrique foi acompanhado todo o tempo pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), a quem citou como "um bom candidato" à Presidência. "Eleição depende muito do momento e da força que o candidato demonstra. O que ele tem de dizer ao país é isso: eu tenho um caminho, o caminho é esse", disse o ex-presidente, que prosseguiu: "Eu acho que, a partir de certo momento, há uma fadiga de material. Eu sofri isso. E agora tem essa fadiga. De novo, o mesmo? O Brasil é um país novo. Precisa de aeração, de ventos novos."

O ex-presidente disse que a permanência de um mesmo grupo no poder cria um desgaste natural, e que o PT chegou a essa etapa: "Eu não fico jogando pedra nos meus sucessores. Eles fazem o que podem, dentro de circunstâncias. Mas chegou a hora em que tem que mudar. Eu acho que agora estamos chegando numa hora de mudança".

Real - 
Fernando Henrique afirmou que a implementação do Real teve momentos de tensão e criou resistências dentro do próprio governo. O então ministro da Fazenda chegou a entregar o cargo. "Eu cheguei até a pedir demissão na véspera, porque havia muita resistência de ministros que não entendiam o processo. Mas o presidente Itamar foi firme", disse o tucano.

O ex-presidente também afirmou que a economia brasileira precisa de novos ajustes: "O Brasil está num compasso um pouco diferente do compasso do mundo. Tem que ajustar de novo. Mas vamos ser otimistas", declarou o tucano.

Em seu discurso na tribuna do Senado, FHC - que recebeu da Casa a medalha Ulysses Guimarães - pediu uma reforma política e administrativa. "Não dá mais. Ter trinta partidos e 39 ministérios é a receita para a paralisação da administração", afirmou. 

O tucano também criticou a postura dúbia do PT sobre as privatizações - que, na gestão da presidente Dilma Rousseff, são chamadas de "concessões". "O que eu fiz com a telefonia não foi concessão? É a mesma coisa. Por que ter medo de dizer as coisas? Por que não dizer a verdade?", disse Fernando Henrique.