domingo, maio 11, 2014

Falsificando Machado

O Estado de S. Paulo

A autora de livros infantojuvenis Patrícia Engel Secco captou recursos da lei de incentivo de Ministério da Cultura para editar uma simplificação da novela O alienista, de Machado de Assis, da qual o Instituto Brasil Leitor distribuirá 300 mil exemplares para diversas instituições. A iniciativa não é isolada: isso também será feito com A pata da gazela, de José de Alencar.

Não se trata de paródia - caso de Memórias de minhas putas tristes, escrito em 2004 pelo Prêmio Nobel colombiano, Gabriel García Márquez, releitura assumida de A casa das belas adormecidas (de 1961), de outro laureado pela Academia Sueca, o japonês Yasunari Kawabata. A sra. Secco, cuja obra é vasta, mas sem ter necessariamente merecido repercussão crítica proporcional ao total de títulos, também não se propôs a adaptar os textos para seu público costumeiro. Isso já ocorreu antes com as fábulas populares atribuídas ao grego Esopo e vertidas pelo francês Jean de la Fontaine, mil anos depois. Há no mercado uma versão para o texto de Machado para história em quadrinhos, mas também não é o caso.

A ideia original, mas nada luminosa, dela foi diferente dos exemplos citados. Segundo Manya Millen, de O Globo, o objetivo dela é "levar boa leitura a quem não lê, sendo que o foco não é o público infantojuvenil, mas sim jovens e adultos já alfabetizados que não têm acesso ao livro". Ela "garante, também, que toda a carpintaria literária de Machado, assim como a de Alencar, foi preservada". Segundo a própria coordenadora do projeto, "houve um trabalho bastante elaborado para que Machado continuasse a ser Machado". E, após explicar que não escreveu, mas acompanhou as revisões e aprovou o resultado, ela lembrou: "Falei em facilitar a leitura, não simplificar o texto. A complexidade de Machado está lá, ele é um gênio inigualável".

Não é bem isso. No Caderno2 do Estado de ontem, João Cesar de Castro Rocha deu um exemplo da simplificação: Machado escreveu "sagacidade", "traduzido" para "esperteza". E concluiu: "Esperteza evoca o célebre jeitinho brasileiro e seu sentido nada tem a ver com o contexto das quatro ocorrências da palavra na obra".

A iniciativa gerou polêmica nas redes sociais. O escritor Ronaldo Bressane a apoiou, argumentando: "É preferível que o sujeito comece a ler através de uma adaptação bem-feita de um clássico do que seja obrigado a ler um texto ilegível e incompreensível segundo a linguagem e os parâmetros atuais". Pelo visto, ele parece não ter lido as novelas vitimadas pela simplificação. O alienista e A pata da gazela permitem leitura fácil e agradável sem exigir conhecimentos profundos das obras modificadas nem do vernáculo. Não é necessária ao leitor, por mais leigo que seja, a atenção exigida por Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, ou Os sertões, de Euclides da Cunha. Sem falar em Memórias póstumas de Brás Cubas, do próprio Machado de Assis.

"Pretensão e caldo de galinha não fazem mal a ninguém", diziam os antigos. Não é o caso da empreitada da sra. Secco: a simplificação de Machado e Alencar é uma contrafação, que, em vez de facilitar a leitura, modificará na essência textos de autores que ela diz admirar. E há algo mais grave: o aval do Ministério da Cultura à falsificação, permitindo o uso de recursos originários da lei de incentivo para enganar o "Brasil leitor" com a grosseira violação da obra de mestres no uso do vernáculo.

Ana Maria Machado, consagrada autora de livros infantis e membro da Academia Brasileira de Letras, definiu o engodo de forma exata e implacável: é "inconcebível passar a limpo um mestre da língua".

Outro acadêmico, Domício Proença Filho, sugeriu: "Seria mais adequado situar em nota explicativa a significação e a sinonímia dos termos usados por ele". Ou, quem sabe, verter para português escorreito os barbarismos dos discursos da companheira Dilma. Tanto uma quanto outra tarefa, contudo, exigiriam esforço intelectual e tempo de trabalho muito maiores do que simplesmente buscar sinônimos mais simples de termos aparentemente de difícil compreensão no dicionário para substituí-los.

‘Machado de Itararé, Barão de Assis’

Deonísio da Silva
O Globo

Quando junho vier, antes de outubro chegar, milhões de leitores serão enganados por um falso Machado de Assis.

É que serão distribuídos seiscentos mil exemplares (600.000; você não leu errado!) de uma edição falsificada de “O alienista”, uma história de loucos, isto é, de médico e louco, dos quais todos nós temos um pouco, mas não na dose a ser administrada ao distinto público nas próximas semanas.

Machado de Assis foi o maior escritor brasileiro de todos os tempos. De seu livro roubado e mutilado foi produzida essa montanha de equívocos, com o seu, o meu, o nosso dinheiro, por meio de um recurso fabuloso, a renúncia fiscal, que, entretanto, tem resultado em projetos culturais tão louváveis, bonitos e importantes! Mas que vem se prestando também a algumas falcatruas.

A vida do Bruxo do Cosme Velho, como o chamou Carlos Drummond de Andrade, não foi fácil, mas, se ele vivesse no Brasil de hoje, seria ainda pior. Poucos entendem seus livros nos circuitos escolares, e a razão é muito simples. Basta olhar nossos indicadores de educação no mundo!

Mas o motivo é outro, segundo nos esclarece Patrícia Secco, a autora da “adaptação”.

“De onde menos se espera, daí é que não sai nada”, profetizou o lendário humorista gaúcho Barão de Itararé. “Entendo por que os jovens não gostam de Machado de Assis”, disse Patrícia Secco ao jornalista Chico Felitti. “Os livros dele têm cinco ou seis palavras que não entendem por frase. As construções são muito longas. Eu simplifico isso.”

Escreve o jornalista: “Ela simplifica mesmo: Patrícia lançará em junho uma versão de ‘O alienista’, obra de Machado lançada em 1882, em que as frases estão mais diretas e palavras são trocadas por sinônimos mais comuns (um ‘sagacidade’ virou ‘esperteza’, por exemplo).” (…) “A ideia não é mudar o que ele disse, só tornar mais fácil.”

Machado era órfão de mãe (de pai é uma coisa, de mãe é outra, o abandono é ainda maior!), descendente de negros, pobre, gago, epiléptico, casou com uma solteirona portuguesa que tinha comido a merenda antes do recreio, e não tiveram filhos para não transmitir a ninguém o legado da doença. Mas deixou-nos uma obra imortal!

Mais que gênio, oxigênio de nossas letras, Machado venceu preconceitos de raça, de cor, de dinheiro, de tudo. Mas não passou pela senhora dona Patrícia Secco, em breve “coberta de ouro e prata (600.000 exemplares!)”, mas que “descubra seu rosto”, “queremos ver a sua cara”.

Augusto Meyer disse que “quase toda a obra de Machado de Assis é um pretexto para o improviso de borboleteios maliciosos, digressões e parênteses felizes”.

Araripe Júnior também foi outro que se enganou: “Filho das próprias obras, ele (Machado) não deve o que é, nem o nome que tem, senão ao trabalho e a uma contínua preocupação de cultura literária.”

Astrojildo Pereira enganou-se ainda mais: “Machado de Assis é o mais universal dos nossos escritores; (…) ele é também o mais nacional, o mais brasileiro de todos.”

O francês Roger Bastide, destacando a paisagem carioca que poucos viam em Machado, concluiu: “Escrevi estas páginas de protesto contra os críticos literários que lhe negam essa qualidade: humilde homenagem de um estrangeiro a um mestre da literatura universal.”

Paro por aqui. A senhora dona Patrícia Secco não tem o direito de fazer o que fez. A obra de Machado de Assis não é dela. É patrimônio do povo brasileiro.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Ao invés de se torrar milhares de reais para estuprar a literatura brasileira, assassinar o idioma e falsificar obras do nosso maior escritor brasileiro, não seria bem mais fácil ensinar as crianças a usar um dicionário e a escreverem certo?

Parece que os encarregados da educação e cultura do país fizeram a pior opção: tornar o povo cada dia mais analfabeto e com raciocínio mais restritivo. Não é de se estranhar, portanto, que escolas adotem livros didáticos com grosseiros erros de português, além de mandarem imprimir camisetas onde o idioma é maculado pela estupidez.  

O Brasil retardatário

O Estado de S.Paulo

O Brasil vai continuar entre os perdedores na maratona da recuperação global, neste e no próximo ano, segundo as novas estimativas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada por 34 países desenvolvidos e em desenvolvimento. No sexto ano da crise, melhoram as previsões para as economias desenvolvidas, enquanto o panorama da economia brasileira se torna mais sombrio, com perspectivas de menor crescimento, maior inflação e contas públicas em mau estado. O contraste entre o cenário de recuperação no mundo rico e o da estagnação no Brasil, já mostrado pelo Fundo Monetário e pelo Banco Mundial, aparece agora nas projeções de mais uma entidade multilateral. Vê-se o mesmo contraste quando se compara o desempenho brasileiro com o de vários países latino-americanos mais dinâmicos e mais equilibrados. Isso foi mostrado também num relatório recém-divulgado por uma entidade privada, a agência de avaliação de riscos Standard & Poor's. Se as bolas de cristal dessas organizações estiverem bem reguladas, os brasileiros aproveitarão muito modestamente a melhora do quadro econômico externo.

A economia mundial crescerá 3,4% em 2014 e 3,9% em 2015, segundo a OCDE. Para os 34 países sócios da entidade os números previstos são 2,2% e 2,8%. Todas essas estimativas são mais animadoras que as publicadas no relatório anterior, em novembro. Para os Briics (Brasil, Rússia, Índia, Indonésia, China e África do Sul) as previsões são de 5,3% neste ano e de 5,7% no próximo. A China mais uma vez estará na dianteira, com taxas pouco inferiores a 7,5% em cada ano.

O Brasil será o grande retardatário, com as projeções de crescimento reduzidas de 2,2% para 1,8% em 2014 e de 2,5% para 2,2% em 2015. A economia brasileira, segundo o estudo, continuará prejudicada por vários gargalos, como o baixo nível de investimentos, a infraestrutura deficiente, os impostos elevados, a escassez de mão de obra qualificada e o protecionismo comercial. Todos esses fatores são bem conhecidos.
Vários deles, como a oferta apertada de mão de obra, também contribuem para a inflação. Se o Banco Central mantiver a política de juros altos para conter a alta de preços, também esse fator dificultará o crescimento. Mas uma política severa será necessária, segundo a OCDE, para neutralizar as pressões inflacionárias. Além de manter os juros altos, será preciso conter o crédito oficial e executar o prometido aperto das contas públicas. Tudo isso envolverá custos em termos de emprego e de crescimento, "mas atrasar a ação só aumentaria os custos", diz a OCDE. A inflação projetada é de 5,9% neste ano e de 5,5% no próximo. As médias para os países-membros são de 1,8% e de 1,9%.

O contraste é igualmente forte quando se consideram as contas públicas. O déficit fiscal brasileiro, de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013, deve chegar a 3,4% em 2014 e cair ligeiramente para 3,1% em 2015. As projeções para os países-membros da OCDE apontam uma melhora contínua: 4,6% no ano passado, 3,9% neste e 3,2% no próximo.

Essas estimativas incluem as contas de países desenvolvidos com fortes desequilíbrios fiscais a partir da crise. As melhoras têm sido muito sensíveis e alguns desses países, como Itália e França, tendem a apresentar rapidamente déficits menores que os do Brasil nas contas públicas. As previsões para a França indicam déficits de 3,8% em 2014 e 3,1% em 2015. As estimativas para a Itália indicam 2,7% e 2,1%.

Restrições de crédito e desempenho mais fraco de alguns emergentes, principalmente a China, podem contrariar as expectativas indicadas no relatório da OCDE. Mas as projeções de investimento produtivo e de recuperação do comércio, novamente com expansão maior que a da produção global, parecem justificar, neste momento, uma atitude otimista.

A melhora do comércio internacional poderá beneficiar o Brasil, segundo o relatório. Mas, com tantos gargalos, o País aproveitará de forma limitada as oportunidades. Essa ressalva está embutida nas projeções de lento crescimento.

5 dados alarmantes sobre a vida financeira dos brasileiros

Julia Wiltgen
Exame.com

Pesquisa mostra que brasileiros têm dívidas caras, mas não sabem quanto pagam de juros, e ainda estão longe de investimentos além da poupança

Getty Images 
Dinheiro voa pela janela: 30% das pessoas não investem em nada, 
e 29% das pessoas não conversam com os parceiros sobre dinheiro

São Paulo – Os brasileiros costumam usar linhas de crédito caras, como cheque especial ecartão de crédito, e não sabem quanto pagam de juros. Esta é uma das conclusões de uma pesquisa sobre os hábitos financeiros dos brasileiros feita pela Ilumeo, em parceria com a Ricam Consultoria, do economista Ricardo Amorim.

Além disso, um percentual grande de pessoas tem péssimos hábitos financeiros, como não dialogar com os parceiros amorosos sobre dinheiro, não investir em nada ou apenas na caderneta de poupança, gastar acima do planejado ao ir às compras ou sequer manter uma planilha de orçamento pessoal, com seus gastos anotados.

O estudo foi feito pela internet nos dias 16 e 17 de abril deste ano com 1.155 brasileiros com idades entre 18 e 60 anos, das classes A, B e C de 255 municípios, em todas as regiões do país. Veja a seguir cinco dados preocupantes retirados do levantamento:

1 A maioria não sabe quanto paga por dívidas caras
A pesquisa mostrou que 60% dos brasileiros já ficaram com a conta no vermelho alguma vez, isto é, usaram o cheque especial. Porém, 69% das pessoas não sabem quanto pagam de juros nesta que é a segunda linha de crédito mais cara do país.

Além disso, 68% dos entrevistados disseram ter cartão de crédito, mas 66% deles não sabem exatamente quanto pagariam de juros caso atrasassem o pagamento da fatura. Lembrando que o rotativo do cartão é atualmente a dívida mais cara.

2 Alguns casais têm sérios problemas financeiros
Nada menos que 29% das pessoas não conversam com seus parceiros amorosos sobre questões financeiras. Além disso, apenas metade dos entrevistados diz estar em sintonia com o parceiro sobre o que fazer com o dinheiro que sobra mensalmente. Outros 28% sequer sabem quais são os planos do parceiro para esses recursos, e 23% acreditam que os dois têm planos diferentes.

3 Um terço dos endividados não planejou sua dívida
Em relação a endividamento, 63% das pessoas têm algum tipo de dívida no momento, e 32% delas não sabem em quanto tempo a quitarão.

4 O planejamento financeiro deixa a desejar
Apenas 32% dos entrevistados anotam todos os seus gastos em uma planilha ou algo que o valha. Outros 32% nunca anotam seus gastos, e 36% anotam só as maiores compras. Além disso, 69% das pessoas acham que têm gastos supérfluos que poderiam ser cortados.

Na última vez em que foram ao shopping, ao supermercado ou saíram de férias, de 30% a 40% das pessoas admitiram ter gastado mais do que planejavam. Veja na tabela como os entrevistados se saíram no seu planejamento:


Na última vez em que fui ao shopping
Na última vez em que fui ao supermercado
Na última vez em que saí de férias
Gastei exatamente quanto tinha planejado
31%
37%
30%
Gastei MAIS que o planejado
31%
41%
36%
Gastei MUITO MAIS que o planejado
8%
11%
19%
Gastei MENOS do que o planejado
13%
8%
9%
Gastei Muito MENOS do que o planejado
17%
3%
7%
Fonte: Ilumeo e Ricam Consultoria


5 Investimento ainda é conceito distante
Embora boa parte das pessoas já tenha ouvido falar de investimentos como previdência privada (66%), ações (59%), fundos de ações (39%), CDBs (31%) e fundos imobiliários (31%), 64% dos entrevistados só investem em poupança, o investimento mais conhecido. Pior, 30% não investem em absolutamente nada.


As pesquisas reforçam a advertência: Dilma Rousseff é o Celso Pitta do Lula

Augusto Nunes
Veja online


Ambos deslumbrados com os altos índices de aprovação registrados nas pesquisas de popularidade, o prefeito Paulo Maluf em 1995 e o presidente Lula em 2007 resolveram mostrar-se capazes de instalar qualquer nulidade no cargo que ocupavam. Para que cumprissem sem resmungos a missão de guardar o lugar do chefe, como registrou um post publicado em julho de 2010, os escolhidos deveriam ser desprovidos de autonomia de voo e luz própria. Quanto mais medíocre, melhor.

Maluf pinçou no secretariado municipal um negro economista. Lula pinçou no primeiro escalão federal uma mulher economista. Ao apresentar o sucessor, o prefeito repetiu que foi Maluf quem fez São Paulo. Mas quem arranjou o dinheiro foi um gênio da raça chamado Celso Pitta, secretário de Finanças. Ao apresentar a sucessora, o presidente reiterou que foi Lula quem pariu o Brasil Maravilha. Mas quem  amamentou o colosso foi uma supergerente chamada Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil e Mãe do PAC.

Obediente ao criador e guiado pelo marqueteiro Duda Mendonça, Pitta atravessou a campanha driblando debates e entrevistas, declamando platitudes e louvando o chefe de meia em meia hora. Como herdara uma cidade mais que perfeita, restou-lhe embelezá-la com espantos de matar alemão de inveja. Nenhum fez mais sucesso nos programas na TV do que  o Fura-Fila, um veículo leve sobre trilhos instalados em viadutos. Grávido de orgulho com o desempenho do poste que fabricara, o padrinho ordenou aos eleitores que nunca mais votassem em Paulo Maluf se o afilhado fracassasse.

Obediente ao criador e tutelada pelo marqueteiro João Santana,  Dilma percorreu o circuito eleitoral driblando debates e entrevistas, gaguejando frases descartáveis e bajulando o chefe a cada 15 minutos. Como herdara um país pronto, restou-lhe acrescentar refinamentos que fariam do País do Carnaval uma Noruega com praia, samba e futebol. A campanha eleitoral nem começara quando os primeiros apitos do trem-bala anunciaram a chegada do Fura-Fila de Dilma. Grávido de confiança no poste que esculpira, o padrinho deixou claro que disputava o terceiro mandato disfarçado de Dilma, já conhecida nas lonjuras da nação como a “mulher do Lula”.

São Paulo demorou três anos para descobrir que era governada pelo pior prefeito de todos os tempos. Descoberta a tapeação, os iludidos escorraçaram Pitta do emprego e Maluf nunca mais foi eleito para qualquer cargo executivo. Milhões de brasileiros já constataram que a nação é presidida por uma fraude. Os eleitores que ainda não enxergaram a vigarice são suficientemente numerosos para que a pior governante desde o Descobrimento continue a sonhar com um segundo mandato. Mas também sobram motivos para que a oposição acredite – e a última pesquisa Datafolha publicada nesta sexta-feira deixa ainda mais evidente – que uma era pode estar chegando ao fim.

“Volta, Lula!” não é uma palavra de ordem. É um grito de medo. Não é a senha para a ofensiva. É um pedido de socorro inútil. Se a afilhada naufragar, o padrinho não escapará do abraço de afogado. Dilma Rousseff é o Celso Pitta de Lula.

Eleitor sinaliza que chegou a hora da oposição

Josias de Souza

Considerando-se a quantidade de brasileiros que informaram ao Datafolha que desejam mudar a forma como o país é governado, pode-se dizer que 74% dos portadores de títulos eleitorais passaram a enxergar Dilma Rousseff como “isso tudo que está aí”.

Há um ano, a presidente não imaginava que poderia haver segundo turno em 2014. Muito menos que Aécio Neves e Eduardo Campos seriam alternativas a tudo que estaria ali. Por ora, nenhum governista admitiu em público. Mas, na intimidade dos gabinetes, não se fala noutra coisa: a hora da oposição pode ter chegado. Por duas razões:

1. Atolado numa conjuntura em que Guido Mantega na Fazenda derrete e Renan Calheiros vira herói da resistência no Congresso, o condomínio oficial vive a psicose do que ainda pode acontecer.

2. Beneficiado por uma conjuntura em que suas candidaturas crescem sem levar à balança meio quilo de ideias, o bloco oposicionista sabe que a chegada ao Planalto dependerá da sua capacidade de agir organizadamente.

Dilma se esforça para demonstrar que pode ser menos Rousseff. De volta às redes sociais, abre o Alvorada para jornalistas, insinua que encarnará a mudança de si mesma. Convence cada vez menos.

Em fevereiro, 19% dos entrevistados do Datafolha disseram que Dilma era a pessoa mais preparada para fazer as mudanças necessárias. Há um mês, a taxa caiu para 16%. Agora, oscilou para 15%. Os rivais da presidente fazem o caminho inverso.

Em dois meses, subiu de 10% para 19% a taxa de eleitores que enxergam Aécio como o mais preparado para executar as mudanças. Nesse quesito, Campos saltou de 5% para 10%. Nenhum deles superou Lula, visto por 38% como o mais talhado para corrigir o que sua ex-supergerente fez de errado.

No cenário mais provável esboçado pelo Datafolha, Dilma teria hoje 37% das intenções de voto, contra 38% atribuídos aos seus antagonistas somados. Um quatro que sinaliza o segundo turno. Mesmo sem apresentar nada parecido com um programa, Aécio avançou quatro pontos, de 16% em abril para 20%. Campos oscilou um ponto para cima, cravando 11%.

Menos conhecidos do que Dilma, Aécio e Campos vivem o seu melhor momento porque a circunstância lhes oferece a chance de se mostrar qualificados para o exercício do poder numa hora em que a plateia vê desqualificação no poder em exercício. Podem aproveitar ou não a oportunidade. Para desperdiçá-la, basta que continuem atirando um no outro.




Para 'FT', Dilma tem aura eficiente, mas performance de palhaços

BBC Brasil


Para FT, governo de Dilma foi uma "decepção"

Citando atrasos nas obras da Copa e da Olimpíada e a desaceleração da economia brasileira, o jornal britânico Financial Times (FT) comparou na sua edição de segunda-feira a performance do governo Dilma Rousseff na área de implementação de projetos às apresentações de um grupo de palhaços do cinema.

Em um editorial publicado nesta segund-feira, o FT diz que Dilma tem uma "tediosa aura de eficiência, semelhante à da (chanceler alemã) Angela Merkel", mas que a implementação de seus projetos parece obra "dos irmãos Marx" - comediantes que ganharam fama na primeira metade do século 20 nos Estados Unidos.
Segundo o FT, o Brasil precisa de um "choque de credibilidade", e o jornal sugere que os brasileiros cobrarão isso nas urnas.

"Se a senhora Rousseff não conseguir (promover esse choque), as eleições presidenciais de outubro o farão", afirma o jornal.

Desafios
Em seu editorial, o FT cita três desafios que, na sua avaliação, o governo brasileiro precisará enfrentar nos próximos meses: o escândalo de corrupção na Petrobras, o "crescente risco" de falta de energia, e a possibilidade de que sejam organizados grandes protestos durante o Mundial.

"Seria ainda pior para a senhora Rousseff se a equipe do Brasil não for bem", opina o FT. "Os brasileiros podem admitir os custos do evento se vencerem, mas não se falharem em obter uma performance respeitável - digamos, chegando ao menos às semifinais."

O FT qualifica o governo Dilma como "uma decepção", mas diz ver com bons olhos os rumores de que ela poderia dar independência formal para o Banco Central (BC) em um eventual segundo mandato e substituir o ministro das Finanças, Guido Mantega, pelo atual presidente do BC, Alexandre Tombini.

Segundo jornal, esses seriam sinais de que o debate político no Brasil estaria caminhando em uma direção que favoreceria os investidores. "Isso só pode ser algo positivo", conclui o FT.

Onda negativa
O editorial do FT é mais um em uma série de matérias, reportagens e artigos opinativos negativos sobre o Brasil e o governo brasileiro que vêm sendo publicados na imprensa internacional desde 2012 - quando ficou claro que a economia do país não retomaria o ritmo de crescimento acelerado da década passada.

Até então, o tom do noticiário sobre o Brasil parecia ser bastante positivo - principalmente em publicações econômicas como o FT e a revista britânica The Economist.

Em setembro do ano passado, a Economist perguntou em sua capa O Brasil estragou tudo?, depois de ter destinado outra capa ao Brasil de novembro de 2009 em que dizia que o Brasil tinha “decolado”.

Na semana passada, o vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), John Coates, que disse que os preparativos para a Olimpíada de 2016 são os "piores" que já viu – embora depois ele tenha voltado atrás na avaliação.

Rondando o teto

Míriam Leitão e Alvaro Gribel  
O Globo

Será conhecida hoje a inflação de abril e mesmo sem saber o número exato há concordância sobre a tendência. Os economistas acham que o índice ficará abaixo de março, mas o acumulado em 12 meses continuará subindo. Assim será também em maio. De novo, uma queda na taxa mensal, mas o IPCA permanecerá em alta. Nos próximos meses, ficará sempre no teto.

Com a inflação de abril, não será ultrapassado o topo da meta, mas em maio é bem provável que isso aconteça. O professor da PUC-Rio Luiz Roberto Cunha calcula que o dado de abril deve ficar em 0,75%; abaixo dos 0,92% de março. Mas o IPCA subiria para 6,33% em 12 meses. Em maio, a taxa pode cair de novo, segundo Cunha, para 0,55%, mas como será maior do que maio do ano passado, o acumulado ultrapassaria o limite de 6,5%.

— Depois, em junho, julho e agosto, a inflação em 12 meses deverá ficar em torno do teto, com a maior tendência de ser acima do limite porque no ano passado os três meses foram de preços bem baixos — disse Luiz Roberto Cunha.

O item que mais está pesando, e isso será mostrado hoje, é ainda a alimentação. Há preços subindo menos, mas, no conjunto, os alimentos ainda pressionam.

— Alimentação no domicílio ficou, em março, em 2,44% e, em abril, deve ficar em 2,21%. A alta de tubérculos vai cair, mas assim: de 22% para 8%. Por outro lado, carne e leite estão subindo mais. Há ainda impactos da energia no grupo habitação. No mês que vem, a energia terá ainda mais peso na alta de preços. Está também entrando uma nova estação e por isso o item vestuário deve também mostrar alta — diz Cunha.

Cada mês a sua agonia; os preços que pesam mais vão neutralizando as eventuais quedas. E, quando o índice fica menor, o acumulado sobe. O fato é que inflação voltou a ser tema diário nas conversas e nas preocupações das famílias e empresas. O índice não está descontrolado, mas permanece resistente, alto demais, criando incerteza e desconforto. Dá para sentir nas conversas, em qualquer lugar, com as pessoas responsáveis por fazerem as compras de feira e supermercado. Todos ficam pontuando os preços que dispararam.

O economista Samuel Pessoa, do Ibre/FGV, em artigo na "Folha de S. Paulo", mostrou que a situação atual é mais complexa até mesmo que a de 2002, que terminou com o IPCA em 12,5%. Ele percebeu que a inflação de serviços roda a casa de 8,5% há três anos, contra 5,5% daquela época. Os preços administrados, que subiram 14,7% em 2002, têm alta de 3,4% em 2014. Isso quer dizer que eles estão congelados e vão ter que subir à frente, principalmente gasolina, energia elétrica e transporte público. O país hoje tem déficit em corrente de 3,7% do PIB, contra 1,6% em 2002. Isso coloca pressão sobre a nossa moeda. O que mais chamou atenção foi a comparação das expectativas de inflação 12 meses à frente. Agora, elas são maiores do que naquela época: 6,4% contra 5,6%.

— Não tinha me dado conta disso até escrever o artigo. O problema desta vez é estrutural, quando naquele ano foi concentrado na alta do dólar. Levar a inflação para a meta este ano será mais difícil — disse Pessoa.
Não é culpa do tempo, da falta de chuvas, do imponderável. Claro que esses problemas aguçam a elevação dos preços. Mas o que trouxe a situação a esse ponto foi a sucessão de erros na administração da política anti-inflacionária. Quando a taxa já está estacionada em nível alto, qualquer inesperado faz o índice superar o limite.

— Num cenário de IPCA em 0,75% em abril, 0,55% em maio, e 0,2% em média mensal em junho, julho, agosto, o acumulado de 12 meses ficará sempre acima do teto. Se for 0,3%, em média, nesses três meses chegaremos a agosto com 7% — explicou Luiz Roberto Cunha.

As projeções servem para mostrar a tendência, mas a percepção das pessoas é de que os preços estão passando por um período de alta disseminada e de instabilidade. Isso encomenda outros reajustes. Quando sobe o preço do material de limpeza, o condomínio é reajustado. Quando os alimentos aumentam, certamente haverá alta de restaurante. Essa percepção precisa ser quebrada. O governo prefere acreditar que tudo vai se acertar quando passar a sazonalidade do alimento. Mas temos tido anos de inflação beirando ou superando a meta. E esta será de novo a trajetória neste ano.

Inflação se firma como grave problema nacional

Editorial
O Globo

O governo ajuda os pessimistas ao não conter a expansão dos gastos em custeio, combustível da elevação de preços, outra marca da administração Dilma

Na falta de boas notícias, o governo pode comemorar que a inflação (IPCA) de abril, de 0,67%, desacelerou em relação ao 0,92% de março, devido a um alívio na pressão dos preços de alimentos e tarifas de transportes. As autoridades que não param de alertar que a inflação dos alimentos é passageira, como em todos os anos, alardearão sua capacidade de análise, embora, infelizmente, a alta de preços esteja bastante disseminada pela economia.

Sempre é bem-vindo um arrefecimento no custo de vida. Mas, em bases anualizadas, o índice ficou em 6,28%. Continua, portanto, próximo do limite legal dos 6,5%, e deve, inclusive, ultrapassá-lo em breve. Isso preocupa dado o histórico de leniência do governo com a inflação. Tanto que o governo Dilma se notabilizará por jamais ter atingido a meta oficial de 4,5%, com dois pontos a mais e a menos de tolerância. Como cortina de fumaça, construiu a interpretação marota de que até 6,5% tudo é “meta”. Equivale a alterar a posição das traves para validar um gol.

Até mesmo um economista do círculo de assessores informais da presidente desenvolveu o raciocínio de que, como a média da inflação brasileira, dos últimos anos, tem sido 6%, não haveria problema em mantê-la neste nível — um dos mais elevados do mundo, ressalvadas as excrescências argentina e venezuelana.

Média, porém, lembra outro economista, é um conceito escorregadio. Pois uma pessoa com a cabeça no forno e os pés no congelador pode ter uma temperatura média na altura do umbigo bastante razoável. Mas não sobreviverá muito tempo.

Sempre vale repetir: é erro crasso deixar a inflação nesta faixa elevada, num num país com mecanismos de indexação bem azeitados. E como o BC parece ensaiar interromper o ciclo de aumento dos juros, as expectativas diante dos preços não melhorarão. Assim, a profecia de uma inflação persistentemente alta se concretizará. Neste ambiente, sem margem para a absorção de choques imprevisíveis — quebra de safras devido a fenômenos climáticos extremos —, o Brasil faz piquenique na borda de vulcão.

No jantar com jornalistas, há poucos dias, a presidente Dilma defendeu a leniência com a inflação em nome da manutenção dos empregos. É clássico este equívoco entre "desenvolvimentistas". Ora, inflação elevada corrói o salário do trabalhador e ainda cria zona de incertezas à frente dos empresários. Estes recuam nos investimentos, e, assim, criam menos empregos. A inflação perturba o sistema produtivo e, por isso, impede a economia de crescer a taxas mais elevadas, como acontece no Brasil. Do que resulta, também, menos empregos. Já se assistiu a este filme no país, mas a memória nacional é curta.

O governo também ajuda os pessimistas com a inflação ao não conter a expansão dos gastos em custeio, combustível da elevação de preços, outra marca do governo Dilma: no primeiro trimestre, a arrecadação subiu 10,6%, e as despesas, 15%.

Inflação, singeleza e seriedade

O Estado de S. Paulo

A simplicidade é um dom, ou uma dádiva, segundo uma bela e famosa canção shaker composta em 1848, mas pode ser assustadora quando incorporada num discurso ministerial sobre a alta de preços: assim como subiu, a inflação "vai descer para um patamar menor", garantiu ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Com a mesma singeleza, ele ainda prometeu: "Não vamos ultrapassar o teto da meta". O objetivo da promessa, aparentemente, é tranquilizar os brasileiros: o limite de 6,5% será respeitado. O governo, pelo menos, deverá contentar-se com qualquer número dentro da margem de tolerância, mas, para isso, ainda falta um caminho provavelmente acidentado. Em abril, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência para a política de metas, ainda subiu 0,67%. Acumulada em 12 meses, essa taxa resultaria em 8,34%, um número quase obsceno quando comparado com os indicadores de outros países em desenvolvimento, raramente acima da faixa de 3% a 3,5%.

Mas houve uma apreciável melhora, poderiam argumentar os porta-vozes do governo, em relação ao mês anterior, quando o IPCA aumentou 0,92%. É verdade, mas em 28 meses só ocorreram três taxas maiores que 0,67%: uma em dezembro de 2012 (0,79%), outra em dezembro de 2013 e a terceira em março deste ano. Além disso, a alta acumulada no ano passado, 5,91%, só foi possível com o represamento dos preços dos combustíveis, do transporte público em várias cidades e das tarifas de energia elétrica. Apesar disso, o aumento anual do IPCA ainda foi maior que o de 2012, 5,84%.

O padrão instalado há quase sete anos é de aumentos anuais próximos de 6%. O resultado só ficou abaixo de 5,9% em dois anos. Um deles foi 2012. O outro, com inflação de 4,31%, foi 2009, com uma recessão iniciada no fim de 2008 e encerrada no primeiro trimestre.

Nesse longo período – quase dois mandatos – a economia global afundou e entrou em recuperação. Os preços das commodities oscilaram. O valor do real subiu e desceu segundo as condições do mercado financeiro internacional. Mas a inflação brasileira foi sempre muito alta pelos padrões globais. Apesar disso, o governo sempre insistiu, e ainda insiste, em atribuir a alta de preços no Brasil a fatores ocasionais e geralmente ligados ao quadro externo.

Esse tipo de explicação obviamente conflita com a permanência da inflação em níveis muito altos e quase constantes durante período tão extenso. Faz muito mais sentido associar a alta de preços a outros fatores muito mais relevantes, como o excesso de gastos públicos, a expansão do crédito, as condições apertadas do mercado de mão de obra, a indexação remanescente e os estímulos dirigidos muito mais ao consumo que à produção. Esses fatores foram repetidamente apontados, às vezes de forma diplomática, em relatórios do Banco Central (BC). Mas também dirigentes da instituição têm realçado, às vezes, os fatores ocasionais, como choques de preços agrícolas e impactos do câmbio. Nenhum desses fatores, no entanto, tem maior valor explicativo que os desajustes apontados nos relatórios, quando se trata de dar conta da persistência da inflação.

Em abril, a alta acumulada em 12 meses bateu em 6,28%. Continuou muito próxima do limite de tolerância, 6,5%, impropriamente chamado de teto da meta. Não há teto nem centro. A meta é simplesmente 4,5% e a variação de 2 pontos só é admissível em condições anormais. Terá havido tanta anormalidade em quase sete anos? Pelos padrões internacionais, o fato mais anormal foi a tolerância do governo brasileiro, por tanto tempo, a taxas tão altas de inflação. A própria meta de 4,5%, bem acima dos padrões internacionais, tem valor meramente retórico, quando o governo aceita, seguidamente, resultados bem piores.

Não se espere mudança desse quadro, se isso depender do atual governo. Não haverá redução da meta, disseram nesta semana a presidente Dilma Rousseff e o ministro Guido Mantega. Nem da meta oficial nem da inflação real, pode-se acrescentar. Outra política exigiria um fator muito escasso – seriedade maior na administração.

A trajetória da inflação brasileira até abril

João Pedro Caleiro
Exame.com

IPCA de abril caiu em relação à março, mas levou o acumulado de 12 meses para 6,28% - próximo do teto da meta



Técnicos do Banco Central dizem que serviços estão comprometidos e cobram contratações

Gabriela Valente 
O Globo

Foram aprovados mil técnicos em concurso do órgão, mas governo autorizou a contratação de 250. Segundo o BC, 2.286 vagas estão vazias

BRASÍLIA - Com dificuldades na área fiscal, o governo federal autorizou nesta sexta-feira o Banco Central a contratar apenas 250 novos técnicos dos mil aprovados no último concurso da instituição. Mesmo com o novo contingente, 2.286 vagas continuarão vazias. Os analistas do BC dizem que a instituição está perto de uma crise de Recursos Humanos. Com o apoio dos concursados, criaram um movimento nas redes sociais para que ao Ministério do Planejamento libere mais cargos: #liberabelchior.

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, entretanto, não atendeu os apelos dos internautas de autorizar pelo menos 750 vagas. Com isso, o BC continuará com o menor quadro de funcionários desde 1975.

— Estamos na iminência de uma crise de RH e o mercado não percebeu o risco que a gente está enfrentando. Na hora de controlar a inflação, quanto menos análise a gente tiver, podemos dar um remédio além da dose e causar recessão no país — alertou Max Meira, presidente da sessão regional de Brasília do Sindicato dos Funcionários do BC.

Meira lembra que, enquanto o quadro de funcionários fica cada vez mais vazio por causa das aposentadorias, as responsabilidades do Banco Central só aumentam. Nos últimos anos, a autarquia passou a fiscalizar áreas como cartão de crédito, factory e ainda a criação de novos meios de pagamentos como o mobile payment (quando o telefone celular funciona como carteira eletrônica).

— Estamos numa situação difícil e com aumento de atribuições. Temos trabalhos descontinuados. Não tem gente para, por exemplo, operar uma máquina de imprimir dinheiro no Pará.

A assessoria do BC nega que serviços foram descontinuados, mas admitiu que maquinário ficou parado por falta de pessoal. Ainda confirmou que a situação é a pior dos últimos vinte e nove anos.

“A gestão tem buscado racionalizar a alocação de RH de sorte a não comprometer a continuidade das atividades essenciais”, disse o BC ao GLOBO. “O quantitativo atual é, de fato, baixo e as aposentadorias potenciais são significativas. Mas a expectativa é que se consiga complementar o quantitativo homologado para o concurso/2014 (500 servidores) ainda no próximo semestre, mitigando riscos eventuais”.

Produção de veículos do Brasil tomba 21% sobre um ano antes

Exame.com
Com informações Agência Reuters

Produção foi pressionada por recuo nas vendas no mercado interno e exportações na comparação com 2013

Paulo Fridman/Bloomberg 
Carros: setor de automóveis produziu 277,1 mil veículos em abril

São Paulo - A produção brasileira de veículos em abril cresceu 1,6 por cento sobre o fraco resultado de março, mas despencou 21,4 por cento sobre o mesmo mês do ano passado, pressionada por recuo nas vendas no mercado interno e exportações na comparação com 2013.

O setor produziu 277,1 mil veículos em abril, informou nesta sexta-feira a associação de montadoras, Anfavea. Com o desempenho, a indústria acumula produção de 1,07 milhão de veículos no ano até abril, queda de 12 por cento sobre o primeiro quadrimestre de 2013.

O desempenho já motivou recuo no nível de emprego, que caiu 1,1 por cento em abril sobre o mesmo mês do ano passado, para 154,2 mil postos de trabalho, segundo os dados da entidade.

Muitas montadoras de veículos do país adotaram nas últimas semanas estratégias para corte de produção, diante de acúmulo de estoques em concessionárias e pátios. As medidas incluíram programas de demissão voluntária e redução nas horas trabalhadas.

Até março, o estoque acumulado era de 387,1 mil veículos, equivalente a 48 dias de vendas. A Anfavea ainda não divulgou dados atualizados para os inventários em abril.

Por segmento, a produção de carros e comerciais leves caiu 21 por cento sobre abril do ano passado, enquanto o volume de caminhões montado despencou 31,6 por cento na mesma comparação. O segmento de ônibus exibiu recuo de 8 por cento.

Já as vendas de veículos novos no mês passado somaram 293,2 mil unidades, crescimento de 21,8 por cento sobre março e recuo de 12,1 por cento no comparativo anual.

Com o resultado, os licenciamentos acumulam queda de 5 por cento nos quatro primeiros meses do ano, para 1,11 milhão. A previsão da Anfavea para todo 2014 é de crescimento de 1,1 por cento.

No mercado externo, as vendas de abril corresponderam a 36.735 veículos, uma queda anual de 30,4 por cento, que elevou o recuo acumulado no primeiro quadrimestre para 31,9 por cento, ou 111.928 unidades.

Em valores, as exportações brasileiras de autoveículos entre janeiro e abril acumulam queda 21,7 por cento sobre o mesmo período de 2013, para 3 bilhões de dólares, segundo a Anfavea.

Visão míope

Adriano Pires
O Estado de S. Paulo

O monopólio da Petrobras tem sido prejudicial ao crescimento do gás na matriz energética

A discussão da autossuficiência energética no Brasil tem se limitado à questão do petróleo e dos combustíveis fósseis. De fato, a estagnação da produção da Petrobras, a insuficiente capacidade de refino num cenário de consumo crescente, vem fazendo com que o volume de importações seja cada vez maior, sendo responsável por parte significativa da deterioração das contas externas e dos maus resultados da estatal. No entanto, essa discussão deveria ter um caráter mais abrangente, uma vez que o Brasil possui uma grande diversidade de fontes energéticas, capazes de garantir a autossuficiência energética e a segurança de abastecimento, fatores fundamentais para um país que deseja ter um papel preponderante na cena internacional.

Nesse sentido, tanto o gás natural quanto o etanol têm apresentado uma participação na matriz energética brasileira muito abaixo dos seus potenciais. Isso é consequência de uma visão míope por parte do governo, que não leva em consideração as características desses dois combustíveis em relação aos demais, principalmente, no que se refere ao meio ambiente.

O monopólio da Petrobras tem sido prejudicial ao crescimento do gás na matriz energética. Na realidade, a estatal sempre considerou o gás como subproduto do petróleo, focando suas campanhas exploratórias na descoberta de petróleo na plataforma continental. Com o sucesso das descobertas de petróleo e gás associado no mar criou-se a ideia de que o Brasil não tem petróleo e gás em terra. Quando a verdade está no fato de que quase não se furou em terra no Brasil. Assim, têm-se adiado a descoberta e a produção de um gás natural mais barato, quer pela ausência de leilões onshore contínuos, quer pela ausência de uma legislação e regulação específicas que diferenciem a exploração do mar e da terra.

A ideia de que não existe gás em terra já foi contrariada pela descoberta de pelo menos três bacias: Bacia do Solimões, Bacia do Parnaíba e Bacia do São Francisco. Na Bacia do Parnaíba, já se descobriram reservas com mais de 30 bilhões de m³ de gás natural, dos quais mais de 7 bilhões de m³ já são provados na Agência Nacional do Petróleo (ANP). Em relação à Bacia do São Francisco, que tem potencial para mudar o mercado brasileiro de gás, devido à proximidade com os centros consumidores, a campanha exploratória já notificou mais de 16 descobertas de hidrocarbonetos, desde 2005.

No entanto, as médias empresas que estão à frente desses projetos esbarram na falta de tecnologia, capital e infraestrutura para levar esse gás ao mercado. O seu aproveitamento parcial vem se dando por meio da instalação de usinas termoelétricas na “boca do poço”, deixando-se de lado usos mais nobres como a cogeração e o consumo na indústria.

No caso do etanol, que antes do pré-sal era visto como estratégico, perdeu competitividade por conta da política de preços subsidiados da gasolina e pelo fim da Cide. A baixa competitividade do etanol fez com que os consumidores optassem pela gasolina, fazendo com que as vendas do derivado disparassem, enquanto as do biocombustível se reduziram nos últimos anos. Com a redução da demanda, as empresas se viram em dificuldades financeiras, levando o setor a um ciclo negativo de falta de investimento, baixa de produtividade e queda de produção. O resultado é que trocamos o projeto “Arábia Saudita Verde” pelo projeto de nos tornarmos membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), à semelhança da Venezuela.

Os problemas apontados no gás natural e no etanol afetam as demais fontes de energia e se refletem na falta de planejamento de longo prazo, abandonado pelo atual governo. Em vez de definir metas de participação para cada uma das fontes na matriz energética e estabelecer políticas públicas, baseadas em regras de mercado, que garantam esse objetivo, o governo opta por eleger o “preferido” da vez, que é beneficiado e ao mesmo tempo punido com medidas de curto prazo, como o pré-sal, criando distorções de preços relativos e contribuindo para uma má alocação de recursos na economia. O Brasil possui enorme vantagem comparativa quando o assunto é disponibilidade de energia. No entanto, a interferência governamental desastrosa não permite que essa vantagem comparativa se traduza em vantagem competitiva e desenvolvimento para o país.

Distribuidoras de energia querem mais R$ 7,9 bilhões

Eduardo Rodrigues
Agência Estado

Empréstimo bancário de R$ 11,2 bilhões anunciado em março pelo governo para o setor não durou até o fim do mês passado 

BRASÍLIA - A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) vai pedir ao governo mais R$ 7,9 bilhões para que as empresas do setor consigam honrar seus compromissos entre maio e dezembro de 2014. Isso porque o empréstimo bancário de R$ 11,2 bilhões anunciado em março pelo governo não durou até o fim do mês passado.

Cerca de R$ 8,7 bilhões foram gastos apenas para cobrir o rombo da companhias de fevereiro e março. Os R$ 2,5 bilhões restantes não serão suficientes para pagar pelo buraco de abril - que será liquidado em junho.

Os cálculos originais dos empresários do segmento apontavam um buraco de R$ 7,2 bilhões na contabilidade da distribuição eletricidade para os próximos oito meses. Mas no começo da tarde de ontem a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) corrigiu os valores da parcela para cobrir o rombo de março, que passou de R$ 3,3 bilhões para R$ 4 bilhões.

Somados com os R$ 4,7 bilhões usados para pagar fevereiro, o desembolso passou de R$ 8 bilhões para R$ 8,7 bilhões para os dois meses. Com isso, os R$ 3,2 bilhões de crédito que sobrariam para pagar a conta de abril viraram R$ 2,5 bilhões, insuficientes para pagar a fatura.

"Nós acreditamos que os R$ 3,2 bilhões dariam para pagar apenas a liquidação de abril, que ocorrerá em junho. A própria Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) já tem conhecimento disso", disse ao Estado o presidente da Abradee, Nelson Leite. Para a associação, o empréstimo não cobre R$ 700 milhões do rombo do mês passado.

Os recursos são usados para cobrir a necessidade das empresas de distribuição de luz comprarem eletricidade no mercado à vista, já que não conseguiram contratos de longo prazo suficientes para suas demandas no leilão realizado no fim do ano passado. Além disso, o dinheiro ajuda a pagar o alto custo da energia térmica durante a estiagem que derrubou os níveis dos reservatórios.

Curto prazo. 
Com o leilão emergencial no último dia de abril, essa exposição das distribuidoras ao preço elevado cobrado no mercado de curto prazo caiu significativamente, mas, nos cálculos da Abradee, essa necessidade de recorrer ao suprimento à vista custará mais R$ 1 bilhão até o fim do ano.

"E o próprio leilão gerou um custo adicional, porque a energia foi comercializada a R$ 268 por MW/hora, mas as distribuidoras que tiveram seus reajustes anuais de tarifas antes de abril estão sendo remuneradas em menos de R$ 150 por MW/hora. Essa diferença terá um impacto de mais R$ 1,2 bilhão até dezembro", acrescentou Leite.

Além disso, a estimativa da Abradee para o gasto com o despacho das usinas térmicas de maio a dezembro é de mais R$ 1,5 bilhão. "E há ainda outro custo, que é o chamado risco hidrológico, que agora passou a ser dividido com os consumidores. Essa conta corresponde aos períodos em que as hidrelétricas geram menos e precisam comprar eletricidade no mercado à vista. A nossa estimativa para essa variável é de mais R$ 3,5 bilhões até o fim do ano."

Para Leite, as distribuidoras não têm como arcar com esses R$ 7,9 bilhões e precisarão da ajuda do governo. O executivo, no entanto, acha muito difícil que o Tesouro faça um novo aporte para o setor. "Mas é possível se buscar uma solução de mercado, como foi feito com os R$ 11,2 bilhões por intermédio da CCEE. Não sei se usando o mesmo modelo de empréstimo com os mesmos bancos, mas o governo vai ter que pensar nisso. Trata-se, afinal, de um valor bem mais baixo do que aquele já foi negociado."

Angra 3: 600 trabalhadores são demitidos e outros mil postos devem ser fechados

Ramona Ordoñez 
O Globo

Andrade Gutierrez alega aumento de custos na obra e renegocia valores com Eletronuclear

Agência O Globo
As obras na usina de Angra 3 são estimadas em cerca de R$ 13 bilhões

RIO - As renegociações de contratos das obras da usina nuclear de Angra 3 entre a Eletronuclear e a construtora Andrade Gutierrez já resultaram na demissão de 500 a 600 trabalhadores. Segundo fontes do mercado próximas ao caso, a estatal e a construtora discutem uma repactuação de cerca de R$ 120 milhões para compensar aumento de custos. Outras mil demissões deverão ser feitas pela construtora nos próximos dias. As dispensas de empregados na construção da usina nuclear foram informadas por Ancelmo Gois, na edição desta quinta-feira do GLOBO.

Antes das demissões, trabalhavam no local cerca de 2.500 operários. A Andrade Gutierrez confirmou, em nota, que está demitindo e que o processo continua em andamento, mas não divulgou números. A empresa justifica o desligamento de funcionários com o aumento de gastos na obra, que atingiram valor superior ao fixado nos contratos. A construtora discute com a Eletronuclear, estatal responsável pela construção e operação da usina, questões referentes ao atraso na obtenção de licenças e documentos e diversos ajustes no projeto para aumentar a segurança, que contribuíram para o aumento de custos.

Estatal: decisão foi unilateral
O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção Civil de Angra dos Reis e de Paraty (Sticpar) confirmou que, desde o início de maio, 600 trabalhadores foram mandados embora. Os sindicalistas afirmam que estão em conversas com a construtora e tentam falar com a Eletronuclear.

A estatal informou reconhecer parte dos pleitos e que está em negociações para formalizar dois aditamentos aos contratos. A estatal destacou que as demissões antes da conclusão das negociações foram uma decisão unilateral da construtora. As obras para construção de Angra 3 são estimadas em cerca de R$ 13 bilhões. A usina tem previsão de entrada em operação em 2018.

Enquanto Brasil patina no 3G, operadora japonesa irá iniciar testes com 5G ainda neste ano

Victor Caputo
Exame.com

A NTT Docomo começará ainda em 2014 a fazer testes com redes 5G, que devem ser dez vezes mais rápidas do que o 4G

Kiyoshi Ota/Bloomberg 
NTT Docomo iniciará testes com tecnologia 5G ainda este ano

São Paulo – Uma operadora de telefonia móvel japonesa, a NTT Docomo, começará a realizar testes com a tecnologia 5G ainda este ano. O 5G deve ser a próxima geração de transmissão de dados de maneira móvel.

Neste primeiro ano, os testes serão realizados apenas em ambientes fechados. Eles acontecerão no centro de pesquisa e desenvolvimento da operadora, em Yokosuka, no Japão. Somente em 2015 devem começar os testes em locais abertos.

Para a pesquisa, a NTT Docomo fechou parceria com outras empresas que atuam no mercado móvel. Elas são: Alcatel-Lucent, Ericsson, Fujitsu, NEC, Nokia e Samsung.

De acordo com a operadora, o 5G deve ser capaz de atingir velocidade de transmissão de dados máxima de 10 Gbps. Esse valor é o equivalente a dez vezes a velocidade do 4G (a velocidade máxima teórica do 4G é de 1 Gbps).

Evolução
Tradicionalmente, as tecnologias de transmissão de dados móveis mudam de geração a cada década. A primeira geração (ainda de maneira analógica) começou comercialmente nos anos 80. A chegada do 2G marcou a mudança dos padrões analógicos para os digitais, nos anos 90.

Com o 3G, houve um grande aumento na velocidade de transmissão. Estamos atualmente com a tecnologia do 4G, com velocidades ainda maiores, que começou a ser implementada em dois padrões—o WiMax (pouco adotado) em 2010 e LTE em 2011.

A NTT Docomo prevê que o 5G deva ser usado comercialmente apenas em 2020. Antes disso, será preciso estabelecer padrões para o 5G.

A operadora afirma que isso deve acontecer em uma conferência internacional de telecomunicações em 2016. Descobertas importantes feitas até lá serão cruciais no processo de padronização da tecnologia.

PRIVILÉGIO INDECENTE: Norma da Anatel pode dar faixa de 4G "de graça" para Nextel

Exame.com
Com informações Teletime

O assunto veio à tona nesta sexta, 9, em audiência pública realizada para discutir a proposta de revisão do regulamento do Serviço Móvel Especializado

Germano Lüders/EXAME.com 
Nextel: sua operação pode ser realizada através de Serviço Móvel Pessoa, entende a Anatel

São Paulo - A Anatel está discutindo uma alteração nas regras do Serviço Móvel Especializado (SME) que pode resultar em entregar "de graça" uma valiosa porção do espectro na faixa de 800 MHz – capaz de prestar serviço 4G – para as operadoras que hoje só estão autorizadas a fazer o serviço de trunking (radiochamada).

O assunto veio à tona nesta sexta, 9, em audiência pública realizada para discutir a proposta de revisão do regulamento do SME de modo a permitir que as outorgas possam ser adaptadas para o Serviço Móvel Pessoal (SMP), para o Serviços Limitado Privado (SLP) ou para o Serviço Limitado Especializado (SLE).

A questão, levantada por Raimundo Duarte, representante do grupo Claro/Embratel, é que a proposta vai destinar a faixa de 806 MHz a 821 MHz e de 851 MHz a 866 MHz, hoje conferida exclusivamente ao SME, para os outros serviços.

A partir daí, caberia aos outorgados do SME escolher se desejam adaptar as suas outorgas para qualquer dos três serviços.

A Nextel – que hoje é a maior prestadora de SME –, portanto, poderia adaptar a sua outorga para o SMP e, automaticamente, estaria apta a prestar serviço de banda larga móvel de quarta geração sem pagar nada pelo novo uso que dará à faixa.

"Essa proposta aparentemente não leva em consideração os preços pagos para a prestação do SMP terem sido muito superiores ao pago pelas prestadoras do SME", afirmou Raimundo Duarte, da Claro/Embratel.

"Entendemos que seja necessário ao menos o pagamento adicional e, como parâmetro, o que foi pago pelo 3G; e é importante ressaltar que essa frequência é compatível com o LTE", completou ele.

A representante da Oi, Aline Mourão, acrescentou que, se na época da licitação dessa faixa para o trunking ela estivesse destinada ao SMP, certamente o preço pago teria sido maior, em função da competição com as operadoras do SMP.

Pela norma em consulta pública, caberia à prestadora do SME escolher se quer ou não adaptar a sua outorga para qualquer dos três serviços.

Mas, caso a opção seja por não adaptar, a outorga do SME não será renovada. A vontade da Anatel é justamente acabar com o serviço.

A agência entende que a operação da Nextel, que é de longe a maior, pode ser realizada através do SMP.
Já as pequenas operações poderiam ser realizadas com o SLP ou o SLE – que são serviços que não têm a carga regulatória do SMP.

A empresa que optar pela adaptação não deverá recolher a Taxa de Fiscalização de Instalação (TFI) do Fistel.

O entendimento é de que, quando as estações foram ativadas para o SME, elas já pagaram a taxa. Duarte, da Claro, também se manifestou contra essa regra.

"A gente entende a questão da convergência, mas existe diferença ainda grande entre esses dois serviços, sem contar que existirá a não arrecadação por parte da União, que a gente acha que é muito expressiva".

Raimundo Duarte também colocou que a Nextel (sem citá-la) já tem um benefício dentro do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) ao não ser considerada com Poder de Mercado Significativo (PMS) no mercado de interconexão móvel. Por esse motivo, a empresa teria um bill and keep mais benéfico em relação as demais.

"Entendemos que a norma parece conceber maior beneficio ao um grande prestador do SME", disse ele.

Os representantes do SindiTelebrasil, da Oi e da TIM manifestaram preocupação semelhante.

Todos eles pediram que a Anatel disponibilize os dados de ocupação da faixa, as áreas de prestação dos atuais operadores de SME e o preço pago pelas faixas, a fim de analisarem melhor a proposta.

Além disso, pediram também a prorrogação da consulta pública – que acaba em 22 de maio – por mais 30 dias e a realização de outra audiência pública.

Já o representante da Nextel, Luis Fernando Almeida, lembrou que a convergência entre o SME e o SMP foi elencada no Plano Geral de Atualização da Regulamentação (PGR). Mas pediu revisão em alguns prazos, já que se trata de uma adaptação "complexa".

A empresa que optar por migrar para o SMP terá 180 dias para cumprir as normas do Regulamento de Qualidade, 90 dias para se adequar ao nono dígito e 90 dias para adaptar os seus planos de serviço ao Regulamento Geral de Direitos do Consumidor (RGC).

PF identifica um dos autores de ameaças de morte a Joaquim Barbosa

Robson Bonin
Veja online

Homem que desejava atentar contra a vida do presidente o STF é um integrante da Comissão de Ética do PT. E agora?

(Joel Rodrigues/Frame/Estadão Conteúdo)
PROCURADO - A PF tenta descobrir a identidade de um tal "Antonio Granado", 
que incita os militantes a atentar contra a vida do ministro 

Desde que o julgamento do mensalão foi concluído, em novembro do ano passado, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, tornou-se alvo de uma série de constrangimentos orquestrados por seguidores dos petistas condenados por envolvimento no maior escândalo de corrupção da história. A chamada “militância virtual” do PT, treinada pela falconaria do partido para perseguir e difamar desafetos políticos do petismo na internet, caçou Barbosa de forma implacável. 

O presidente do Supremo sofreu toda sorte de canalhice virtual e foi até perseguido e hostilizado por patetas fantasiados de revolucionários nas ruas de Brasília. Os ataques anônimos da patrulha virtual petista, porém, não chegavam a preocupar Barbosa até que atingiram um nível inaceitável. Da hostilidade recorrente, o jogo sujo evoluiu para uma onda de atos criminosos, incluindo ameaças de morte e virulentos ataques racistas.

Os mais graves surgiram quando Joaquim Barbosa decretou a prisão dos mensaleiros José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino. Disparadas por perfis apócrifos de simpatizantes petistas, as mensagens foram encaminhadas ao Supremo. Em uma delas, um sujeito que usava a foto de José Dirceu em seu perfil no Facebook escreve que o ministro “morreria de câncer ou com um tiro na cabeça” e que seus algozes seriam “seus senhores do novo engenho, seu capitão do mato”. Por fim, chama Joaquim de “traidor” e vocifera: 

Tirem as patas dos nossos heróis!”. Em uma segunda mensagem, de dezembro de 2013, o recado foi ainda mais ameaçador: “Contra Joaquim Barbosa toda violência é permitida, porque não se trata de um ser humano, mas de um monstro e de uma aberração moral das mais pavorosas (...). Joaquim Barbosa deve ser morto”. Temendo pela integridade do presidente da mais alta corte do país, a direção do STF acionou a Polícia Federal para que apurasse a origem das ameaças. Dividida em dois inquéritos, a averiguação está em curso na polícia, mas os resultados já colhidos pelos investigadores começam a revelar o que parecia evidente.

Petrobras: PF calcula que ex-diretor da estatal desviou R$ 300 milhões

Jailton De Carvalho 
O Globo

Esquema teria se apropriado de comissões para frete de navios

Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo 2-5-2014 
PF começou a suspeitar de desvios de descontos especiais 
ao analisar planilha apreendida em poder do ex-diretor da Petrobras 

BRASÍLIA - A Polícia Federal (PF) calcula que o grupo supostamente chefiado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava-Jato, desviou cerca de R$ 300 milhões em negócios da estatal, entre 2004 e 2012. A PF chegou a esse número a partir de documentos apreendidos em poder de Costa e do doleiro Alberto Youssef, também um dos alvos centrais da Lava-Jato.

Os investigadores suspeitam ainda que o grupo do ex-diretor tenha se apropriado de boa parte da “address commission”, desconto de 1,25% que armadores tradicionalmente concedem em contratos de fretamento de navio.

A Petrobras recorre sistematicamente ao fretamento de navios para o transporte de combustível. O negócio movimentaria, só em “address commission”, aproximadamente US$ 30 milhões por ano (cerca de R$ 66 milhões). Pela lei, a comissão deveria retornar aos cofres da Petrobras a partir do pagamento dos fretes dos navios.

A PF começou a suspeitar dos desvios dos descontos especiais tendo por base uma das planilhas apreendidas em poder do ex-diretor da Petrobras. Os dados nessa lista corresponderiam ao valor da comissão. A polícia descobriu a coincidência desses números com a ajuda de um técnico da Petrobras.

Área de fretes cobiçada por políticos
“As comissões chamadas ‘address commission’, que deveriam ser retornadas aos afretadores, ficam com os ‘brokers’, que, acredita-se, são repassadas para os patrocinadores do esquema de corrupção”, alerta um ex-executivo da Petrobras em relato por escrito entregue aos delegados da Lava-Jato. “Brokers” são os corretores que fazem a intermediação dos fretes. O aluguel tem custo diário de aproximadamente US$ 40 mil (cerca de R$ 88 mil), segundo estimativas do ex-executivo. A área de fretes seria uma das mais cobiçadas por políticos interessados em indicar dirigentes para a estatal.

A PF descobriu ainda indícios de que boa parte do dinheiro arrecadado com o desconto não repassado à Petrobras teria sido depositada na conta de uma corretora, com sede no bairro do Cosme Velho, no Rio de Janeiro. Após uma visita ao escritório da empresa, policiais concluíram que a corretora só existe no papel. A PF deverá pedir à Justiça Federal a quebra do sigilo bancário para identificar os destinatários finais da movimentação financeira da corretora.

— Esse fato (sobre a corretora) chegou ao nosso conhecimento, mais do que isso não posso dizer — disse um dos procuradores da força-tarefa criada pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, para reforçar a Lava-Jato.

A PF iniciou a Lava-Jato com o rastreamento de movimentações financeiras entre os doleiros Carlos Habib Chater, de Brasília, e Alberto Youssef, do Paraná. Numa das frentes de investigação, policiais descobriram que Youssef presenteou Paulo Roberto Costa com um Range Rover Evoke de R$ 250 mil em 2012, logo depois que o ex-diretor deixou a Petrobras. Ao aprofundar a apuração, policiais descobriram uma série de negócios suspeitos com obras e serviços pagos com dinheiro da Petrobras.

Entre as transações suspeitas está o repasse de R$ 90 milhões de 17 empresas, entre elas grandes empreiteiras, para a MO Consultoria, de Youssef. Segundo a polícia, a MO é uma empresa fictícia e só teria sido criada para movimentar dinheiro de origem ilegal. Pelas informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), empresas de Youssef e outros três doleiros sob investigação movimentaram R$ 10 bilhões nos últimos anos de forma considerada atípica.

Só o grupo de Youssef é acusado de mandar U$ 444 milhões (cerca de R$ 980 milhões) para o exterior ilegalmente. As investigações resultaram em oito processos contra Paulo Roberto Costa, Youssef e outros 40 acusados. O GLOBO tentou, sem sucesso, falar com o advogado Fernando Fernandes, responsável pela defesa do ex-diretor da Petrobras. Em entrevistas anteriores, Fernandes afirmou que as acusações da PF e do Ministério Público não foram comprovadas. Segundo ele, a polícia provou apenas o recebimento do carro, o que, diz o advogado, não é ilegal.

Fernandes alega que seu cliente recebeu o carro a título de pagamento por uma consultoria oferecida ao doleiro. O ex-diretor da Petrobras, no entanto, ainda não apresentou provas de que prestou consultoria. O advogado Antônio Figueiredo Basto, que defende Youssef, disse desconhecer a nova corretora sob investigação. Youssef e Costa estão presos no Paraná. O advogado de Youssef afirmou que o próximo passo da defesa é pedir ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, que ele se declare incompetente para continuar à frente do caso.

— O juiz participou da colheita de provas. Tem juízo formado. Não pode julgar o feito — afirmou o advogado.

STF decidirá se vai investigar Vargas
A Operação Lava-Jato tem tido forte repercussão política. Por conta de supostas ligações com Youssef, o deputado André Vargas (sem partido-PR) renunciou à vice-presidência da Câmara e enfrenta um processo por quebra de decoro no Conselho de Ética. Troca de mensagens interceptadas pela PF com autorização judicial indica que Vargas atuou em favor da contratação de uma empresa de Youssef, o laboratório Labogen, pelo Ministério da Saúde. O contrato, suspenso após o surgimento do caso, seria de R$ 31 milhões.

As investigações mostraram ainda que Vargas viajou com a família num jato providenciado por Youssef. Em troca de mensagens também capturadas pela PF, o deputado pede ao doleiro a melhor suíte de um hotel, provavelmente o Blue Tree de Londrina, que pertence a Youssef. A polícia suspeita que o Labogen era usado por Youssef para mandar dinheiro para o exterior de forma ilegal. Os trechos sobre as relações entre Vargas e Youssef foram enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá se abre investigação contra o deputado.