terça-feira, junho 03, 2014

Governo gasta muito e gasta mal

Mário Antônio Guerreiro
Instituto Millenium

Considerando a notória precariedade da educação no país, infere-se imediatamente que os governos do PT não podem ser acusados de gastar pouco com a educação, mas podem ser acusados de gastar muito mal com a mesma

Ainda se discute muito se o problema do Estado brasileiro é que os governos gastam muito ou que gastam mal. Contudo, até onde me é dado ver, os governos gastam muito e gastam mal.

Não disponho de dados quantitativos, mas tenho a impressão de que os governos do PT foram os que mais gastaram até hoje em ambos os sentidos.

Gostaria mesmo que economistas dedicados à econometria, confirmassem ou refutassem minha impressão.

Apareceu na primeira página da “Folha de São Paulo”, em 23/5/2014, a seguinte manchete: “Copa custa só um mês de gastos com a educação”. Ao deparar com essa manchete, pude surpreender o subentendido: os gastos com a Copa não são tão extravagantes quando se propala, se os compararmos com os gastos com a educação. Segundo a “Folha”, os gastos com a Copa equivalem a 9% dos gastos com a educação.

Neste caso, considerando a notória precariedade da educação no país, infere-se imediatamente que os governos do PT não podem ser acusados de gastar pouco com a educação, mas podem ser acusados de gastar muito mal com a mesma. E quando falamos em precariedade da educação, estamos baseados em dados fornecidos por instituições que fazem pesquisas internacionais em 180 países.

De acordo com estas mesmas, o Brasil ocupa o 88º lugar no ranking mundial de qualidade da educação básica e o 66º lugar no ranking de qualidade da educação superior. Além disso, nossa melhor universidade, a USP, está abaixo do 200º lugar no ranking da qualidade das universidades. Esses dados, por si sós, já são vergonhosos para um país que ostenta o 6º ou o 8º PIB do mundo! Esse horripilante contraste talvez seja explicável, ao menos em parte:

Se, por um lado, nossa educação vai muito mal das pernas, nossa agroindústria e empresas como a Embrapa são um grande sucesso, digno dos aplausos dos mais acerbos críticos das condições socioeconômicas brasileiras. A matéria da “Folha” vem acompanhada por um elenco dos gastos do governo no ano de 2014. E estes gastos foram estimados conforme medições feitas em 2011 com valores atualizados de acordo com o crescimento da economia, segundo o Portal de Transparência do Governo Federal.

Compra da Refinaria de Pasadena (EEUU)…………………… 2,8 bi
Transposição do Rio São Francisco …………………………….. 8,2 bi
Um ano de Bolsa Família …………………………………………. 24,7 bi
Gasto Total da Copa ………………………………………………… 25,8 bi
Hidrelétrica de Belo Monte …………………………………………. 30 bi
Gasto Anual em Saúde ………………………………………………. 206 bi
Gasto Anual em Educação …………………………………………..280 bi
Gasto Federal Anual ……………………………………………………1,2 tri
Gasto Público Total Anual ……………………………………………………….2 tri

Quanto ao gasto com a Refinaria de Pasadena houve um aumento descomunal do preço inicial pago pela Petrobras, coisa que levantou a suspeita de superfaturamento e corrupção.

Quanto ao gasto com a transposição do São Francisco parece ter sido dinheiro jogado fora, pois a obra está paralisada e se deteriorando. [O que nos dá todo o direito de suspeitar que não passou de uma jogada de "marquetingue" político de Lula, fazendo parte do PAC (Plano para Alavancar a Companheira)].

O gasto com o Bolsa Família não passa de descarado assistencialismo e cínica compra de votos. Aqui quem tem razão é Patativa do Assaré, grande cantador nordestino:

“ Esmola na mão de homem são, ou cobre de vergonha ou vicia o cidadão”.

Podemos dizer dos gastos com a saúde o mesmo que já dissemos dos gastos com a educação, levando em conta o fato de que as condições dos hospitais públicos do SUS são tão precárias quanto as das escolas públicas.

Quanto aos gastos com a hidrelétrica de Belo Monte não sabemos dizer se o governo gastou demais ou se gastou mal. Isto porque carecemos de informações a respeito dos gastos e sobre a prioridade dessa gigantesca obra de infraestrutura. Mas sabemos muito bem das péssimas condições gerais da infraestrutura do país, das nossas rodovias, dos nossos silos, dos nossos aeroportos e principalmente dos nossos portos. O Brasil ocupa o 123º lugar no ranking mundial da qualidade dos portos! Estamos há tempos recolhendo informações numéricas sobre o Brasil.

Eis o belo resultado das pesquisas internacionais feitas em 180 países. Vejam as posições em que se encontrava o Brasil em 2012. De lá para cá esses números só podem ter piorado.

88º lugar em educação básica
66º lugar em educação superior
48º lugar em competitividade econômica
78º lugar em qualidade das instituições
99º lugar em liberdade de imprensa
84º em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)
69º lugar em países menos corruptos
123º lugar na qualidade dos portos.
107º lugar em qualidade de infraestrutura.
91º lugar em expectativa de vida
116º lugar para fazer negócios (lícitos, é claro).
61º no ranking dos melhores países do mundo para aposentados, segundo o Banco Natixis, da França.
1º lugar em violência generalizada. Só homicídios são 50.000 ao ano, superando a guerra do Vietnã. Não contando assaltos, estupros, violência doméstica, abortos clandestinos, relações incestuosas com menores, etc.
6º PIB do mundo. Interpretação minha: muito dinheiro circulando nas mãos de muito pouca gente.
3º lugar no mundo em venda de cosméticos e perfumes.

Este último item – só para contrariar os milhões de Policarpos Quaresmas deste nosso Brasil varonil – é a maior prova de que o povo brasileiro é mesmo superficial e epidérmico.

Se as cirurgias plásticas estéticas – não as reparatórias – fossem um pouco mais baratas, o Brasil seria o campeão do mundo em mudanças de narizes, seios e nádegas.

Bem, não podemos dizer que nada muda em Pindorama, a Terra das Palmeiras…

Crédito zero, pacote para carros

Vinicius Torres Freire
Folha de São Paulo

Total de empréstimos que não são bancados ou regulados pelo governo para de crescer

Acabou o gás do crédito. Afora os empréstimos com dinheiros bancados ou regulados pelo governo, o total de empréstimos parou de crescer em abril, em relação ao ano passado, descontada a inflação. O total de dinheiro emprestado para a compra de carros, por exemplo, diminuiu. Atarantado e pressionado pelas montadoras, o governo discute um pacote a fim de arrumar dinheiro para financiamento de veículos (vide o final da coluna).

O total de crédito dito "livre", aquele dinheiro emprestado pelo mercado sem depender de regras e fundos estatais, crescera a 9,4% 2011, a 7,3% em 2012 e minguara ao ritmo de 1,8% de 2013. Nos 12 meses encerrados em abril passado, parou de crescer.

O crescimento restante dos empréstimos vem de recursos direcionados (como o do dinheiro da poupança para financiamentos imobiliários) e de bancos estatais (como os do BNDES), vitaminados na prática por fundos públicos financiados por meio de dívida pública.

Nos últimos 12 meses, o total do dinheiro emprestado (estoque de crédito) cresceu 6,7% (crescia ao ritmo de 11,5% em 2011).

Por que o crédito "livre" zerou e o total ainda cresce? Primeiro, porque o crédito direcionado é mais barato, claro, muitas vezes subsidiado, como o dinheiro emprestado a grandes empresas pelo BNDES, a taxas de juros reais negativas (menores que a inflação).

Segundo, porque os bancos privados e/ou comerciais estão na retranca, segurando empréstimos, pois temem calotes, dado o desempenho pífio da economia. Terceiro, porque os consumidores estão evitando fazer dívidas, pelo mesmo motivo dos bancos comerciais: prudência.

O crédito para pessoas físicas não entrou em colapso porque o mercado de financiamento imobiliário ainda vai muito bem, um nicho de que os bancos gostam: mais seguro, firmam relacionamentos longos com os clientes, o "funding" (origem dos recursos) é mais ou menos estável e em conta.

Em termos reais, cresceu quase 23% nos últimos 12 meses. Neste ano, o crescimento do crédito imobiliário foi responsável por quase 61% do total do dinheiro emprestado para pessoas físicas (sendo que o financiamento de imóveis responde apenas por 28% do crédito total para pessoas físicas).

O colapso do crédito para veículos, as férias coletivas e as ameaças de demissão anunciadas pelas montadoras devem levar o governo a anunciar algum pacote de estímulo.

A princípio, será um pacotinho de crédito. O governo permitiria que bancões maiores comprem os empréstimos concedidos pelos bancos das montadoras (isto é, passariam a receber as prestações, seriam os novos credores, abrindo espaço para os bancos das montadoras emprestarem mais).

Para tanto, o governo liberaria parte dos fundos que os bancos são obrigados a deixar parados no Banco Central (reservas compulsórias), um esquema usado vez e outra desde a crise de 2008.

No fundo, não faz muito sentido. Entenda-se: o Banco Central vinha elevando os juros justamente a fim de segurar o ritmo de crédito e, pois, o da economia. O governo abriria, assim, um buraco na represa do BC.

Enfim, pode não dar muito certo. Pode ser simplesmente que o crédito para carros esteja minguando porque as pessoas não queiram comprar mais carros.

Comparar inflação de Dilma e FHC é ‘fraude intelectual’, diz Aécio

Elizabeth Lopes e Pedro Venceslau  
O Estado de S.Paulo 

Tucano, porém, exagera ao dizer que PSDB ‘pegou inflação em 80% ao mês’; em 1994, índice mensal não passou de 48%

São Paulo - O pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, chamou nesta sexta-feira, 16, de "fraude intelectual" a propaganda do PT exibida na quinta-feira, em cadeia de rádio e TV, que comparou a inflação nos períodos dos governos Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso. Mas, ao justificar a crítica à peça, o tucano usou números errados – quase dobrou os índices do período anterior à gestão do PSDB na Presidência.

Na peça petista, um locutor relata a média de inflação na gestão Dilma, de 6,08%, e no governo FHC, de 9,25%. "É uma fraude intelectual do PT porque eles sabem como era o governo do presidente Fernando Henrique. Nós pegamos a inflação em 80% ao mês", disse Aécio em evento na Câmara Americana de Comércio (Amcham), na capital paulista. "Isso é fazer pouco da inteligência dos brasileiros."

Aécio referia-se à conjuntura de inflação elevada anterior ao Plano Real, de 1994. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou aquele ano em 916,43%, mas em nenhum momento a inflação passou de 48% ao mês. Com o real, em julho, o índice caiu para patamares de um dígito. O pico de inflação na gestão FHC ocorreu em 2002, quando passou de 12%.

O senador mineiro também criticou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Numa ironia ao bordão de Lula, disse que, se o petista tivesse utilizado sua popularidade "nunca antes vista neste País", poderia ter colocado em prática as reformas necessárias ao desenvolvimento do Brasil. Segundo o tucano, os problemas na economia brasileira começaram com a flexibilização dos pilares macroeconômicos durante o segundo mandato de Lula.

Para a plateia de cerca de 600 empresários, Aécio afirmou que seu diagnóstico do País não difere muito do que agentes econômicos pensam sobre o País, e prometeu fazer uma reforma tributária com redução de tributos e um choque de infraestrutura. O empresariado aplaudiu.

Além da pauta econômica, o presidenciável do PSDB disse que, se eleito, investirá no campo social. Citou que Minas Gerais, Estado que governou, tem hoje a melhor educação fundamental do País, reconhecida pelo Ministério da Educação. O tucano também citou a pauta apresentada pela Amcham, reiterando que é preciso ter "coragem" para flexibilizar as amarras do Mercosul para impulsionar os acordos e ter "a obsessão" de ampliar a pauta de negociações com outros mercados, como o europeu e o norte-americano.
"Hoje devíamos estar falando de competitividade e inovação, mas infelizmente temos de falar do retorno da inflação, da falta de confiança (no País) e da maquiagem de dados."

Serra. Ex-desafetos, Aécio e o ex-governador José Serra chegaram juntos a ato do PSDB de apoio à candidatura do senador, em Cotia, região metropolitana de São Paulo, na noite desta sexta. O evento, que integra a caravana de apoio à candidatura de Aécio, foi o primeiro ato que teve a participação da dupla.

O encontro ocorre no momento em que o nome de Serra surge na lista dos cotados para assumir a vaga de candidato a vice-presidente na chapa tucana. A jornalistas, Aécio tentou demonstrar proximidade com o ex-governador. "Eu falo com José Serra muito mais do que vocês imaginam. Nós só não damos publicidade a isso", disse.

O senador mineiro afirmou, porém, que, "por enquanto", a escolha de Serra para a vice não está sendo cogitada.

Crédito e credibilidade

Folha de São Paulo
Editorial 

A reticência e o pessimismo de consumidores e empresas têm aparecido nas pesquisas de confiança com especial intensidade neste bimestre. O desempenho do crédito bancário em abril evidenciou sinais concretos desse desânimo.

Parou de crescer o total de dinheiro emprestado nas modalidades chamadas de "livres" nas estatísticas oficiais. Isto é, de empréstimos concedidos nos termos, prazos e taxas do mercado com fundos obtidos no mercado, aqueles que não são regulados por diretrizes estatais ou financiados de algum modo pelo governo.

Descontada a inflação, o total do crédito "livre" para pessoas físicas ou jurídicas era, no mês passado, idêntico ao de abril de 2013.

O bolo como um todo ainda cresce devido ao desempenho das modalidades "direcionadas" (financiamento imobiliário com recursos oriundos da caderneta de poupança, empréstimos do BNDES e crédito rural, por exemplo). São concedidos devido ao desejo do governo de estimular uma economia apática faz mais de três anos, estatizando em parte o mercado de crédito.

Mesmo assim, há uma desaceleração. Em termos reais, o total de empréstimos aumentou 6,7% no ano decorrido até abril deste 2014. Em 2013, crescia ao ritmo de mais de 9%. Em 2011, a mais de 13,6%.

A estagnação do estoque de crédito "livre" resulta decerto da relutância dos bancos comercias, que temem o risco de inadimplência. Mas a procura de crédito por parte dos clientes também diminui.

É compreensível. O número de pessoas empregadas nas grandes cidades deixou de crescer no último semestre, assim como o total dos salários no bimestre passado. O ambiente de protestos nas ruas não contribui para a restauração da confiança no futuro próximo.

As estatísticas, contudo, não indicam degradação das condições financeiras. A inadimplência diminuiu desde o ano passado e estabilizou-se, assim como o nível de endividamento das famílias.

Embora perca velocidade, o crédito imobiliário para pessoas físicas ainda cresce a quase 23% ao ano. O brasileiro consome menos, como no caso de veículos, mas ainda investe em moradia.

No conjunto, porém, tornou-se claro que, desta vez, a concessão de empréstimos não vai compensar o desânimo e a baixa da atividade, como ocorreu em 2008 e 2009. Crédito, renda e confiança estão em ritmo de declínio, e assim vão marcar o passo da economia.

Desemprego entre graduados equivale a um terço da taxa de quem tem ensino médio incompleto

Clarice Spitz 
O Globo

Índice é de 12,7% entre os que têm ensino médio incompleto, maior que a média nacional, de 7,1%

Arquivo O Globo
Trabalhador da indústria de brocas. 
Desemprego ficou em 7,1% no primeiro trimestre do ano, segundo Pnad Contínua  

RIO - O desemprego no Brasil, que ficou em 7,1% no primeiro trimestre, atinge mais fortemente a população com menos instrução. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, a taxa de desocupação entre as pessoas com Ensino Médio incompleto era de 12,7% nos primeiros três meses do ano, enquanto, entre aqueles com Ensino Superior, foi o equivalente a um terço: apenas 4%.

Esta é apenas uma das disparidades do mercado de trabalho, apontadas pelos números divulgados nesta terça-feira pelo IBGE. Regionalmente, o Sul continua com o menor nível de desocupação, de apenas 4,3%. taxa que cai a 2,4%, considerando os que têm Ensino Superior. No Nordeste, o desemprego ficou em 9,3%, 2,2 pontos percentuais acima da média nacional. Entre os jovens daquela região, a taxa chegou a 20,1%.

Ainda no Nordeste, as mulheres tinham a mais alta taxa de desemprego do país, 11,4%. No Sul, chegava à mínima: 5,4%. A região também tem mais pessoas fora do mercado. No país, 38,9% das pessoas em idade de trabalhar estavam fora da força de trabalho. Esse percentual chegava a 43,1% da população no Nordeste. No Norte, correspondia a 38,7% e no Sudeste a 38,1%.

Entre os trabalhadores domésticos, apenas 31,4% tinham carteira de trabalho assinada, número menor que a média nacional: 77,7% de todos os ocupados no setor privado possuíam o documento no primeiro trimestre, um avanço de 1,6 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre de 2013.

DESEMPREGO AUMENTA FRENTE A TRIMESTRE ANTERIOR
A taxa de 7,1% diminuiu em relação ao mesmo período de 2013, quando o desemprego medido pela pesquisa havia sido de 8%. No entanto, é maior que o apurado no quarto trimestre do ano passado, cuja taxa ficou em 6,2%.

Pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), também do IBGE, mas cuja amostra é menos abrangente, a desocupação acumulada no trimestre ficou em 5%, o melhor resultado trimestral desde o início da série.

— A dispensa de trabalhadores temporários principalmente nos meses de janeiro e fevereiro foi muito forte — afirmou o coordenador de Trabalho e Rendimento, Cimar Azeredo.

— O recuo da taxa de desemprego frente ao primeiro trimestre de 2013 mostra uma situação ainda favorável do mercado de trabalho. Esse aumento em relação ao fim do ano passado é normal, já que a tendência é que o último trimestre tenha mais vagas por causa das contratações de Natal — afirma o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.


A principal diferença entre a PME e a Pnad Contínua é a abrangência da pesquisa. A PME acompanha o mercado de trabalho nas seis maiores regiões metropolitanas brasileiras. Já a Pnad Contínua dá um retrato mais amplo e levanta dados de 3.464 municípios.

Até então, os dados nacionais a respeito de mercado de trabalho só eram pesquisados uma vez ao ano, pela Pnad antiga, e a divulgação ocorria com um ano de defasagem. A abrangência também era menor: 1.100 municípios.

Azeredo afirmou que a redução da taxa de desocupação no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado se deu em razão da criação de vagas. A ocupação subiu 2% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, o que significou a abertura de 1,770 milhão de vagas. — Na Pnad Contínua, vemos uma redução da taxa de desocupação pelo aumento de ocupados. Já a alta ( do desemprego) em relação ao quarto trimestre é esperada — afirmou.

Ele descartou um efeito da Copa do Mundo, que segundo ele tem pouca influência no interior do país, mas não soube explicar a criação de vagas mesmo com uma atividade econômica fraca. No primeiro trimestre, o PIB teve avanço de apenas 0,2% em comparação ao último trimestre do ano passado.

Ainda segundo a Pnad, a população desocupada ficou em 7 milhões, um aumento de 1,6% em relação ao mesmo período do ano passado, e de 0,3% na comparação com os últimos três meses de 2013. Já a população ocupada caiu 9,7% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e 0,7% frente ao quarto trimestre, somando 91,2 milhões.

DIVULGAÇÃO É A PRIMEIRA APÓS ESTOURO DA CRISE
A Pnad Contínua teve sua interrupção anunciada no início de abril, o que detonou uma crise no IBGE que resultou na saída de duas diretoras e a revolta de técnicos.

O instituto anunciou sua decisão de voltar atrás na suspensão da pesquisa até o ano que vem, mas não pôs fim à crise. A greve de funcionários entra em sua segunda semana.

Sindicalistas estão na sala de divulgação, carregando cartazes com dizeres contra a precarização do trabalho no instituto.

— A defesa de autonomia técnica significa ter solidez na construção das informações, significa ter gente para construir os dados, ter orçamento para produzir — disse Ana Carla Magni, da Assibge, durante a divulgação.
Os dados do último Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) para o mês de abril fizeram com que especialistas vissem uma deterioração do mercado de trabalho. A indústria de transformação cortou 3,4 mil postos, em um período em que deveria contratar.

Os dados do Caged mostram que a criação de vagas com carteira assinada foi de 105.384 no quarto mês do ano, queda de 46,5% em relação ao mesmo período do ano passado e o pior resultado para abril desde 1999.

Colaborou Lucianne Carneiro

Balança comercial tem pior saldo para maio em 12 anos

Veja online
Com informações  Estadão Conteúdo

Exportações superam importações em US$ 712 milhões no mês mas, no acumulado do ano, o saldo está negativo em US$ 4,85 bilhões

(Ivan Pacheco) 
As exportações somaram US$ 20,75 bilhões em maio 

A balança comercial brasileira registrou superávit de 712 milhões de dólares em maio, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O resultado é o pior para o mês desde 2002, quando houve saldo positivo de 423 milhões de dólares. Enquanto as exportações somaram 20,75 bilhões de dólares, com média diária de 988,2 milhões, as importações totalizaram 20,04 bilhões de dólares no mês passado, com média diária de 954,3 milhões de dólares.

O resultado do mês de maio ficou acima das previsões dos analistas, de saldo negativo de 75 milhões de dólares. As projeções variavam de um resultado negativo de 600 milhões de dólares a um superávit de 100 milhões de dólares. 

Na última semana de maio, houve um superávit de 1,06 bilhão de dólares. No acumulado dos primeiros cinco meses de 2014, o saldo ficou negativo em 4,85 bilhões de dólares, com exportações de 90,06 bilhões de dólares e importações de 94,92 bilhões de dólares.

Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, afirmou que continuava com a expectativa de um saldo positivo em 2014. "Vamos esperar para ver qual efetivamente foi o saldo (de maio), mas eu continuo acreditando que nós teremos saldo positivo no final do ano", afirmou.

Brasil cai em ranking de investimento externo

Flavia Lima
Valor


O Brasil caiu da terceira para a quinta posição no Índice de Confiança de Investimento Estrangeiro Direto (FDICI) de 2014, uma espécie de termômetro global da atratividade dos países com relação aos investimentos estrangeiros diretos, a ser divulgado nesta segunda pela consultoria global de gestão A.T. Kearney. No entanto, o país se manteve entre os cinco destinos preferidos de investimentos produtivos pelo quarto ano consecutivo. No geral, o ranking mostra a recuperação da atratividade dos países desenvolvidos, com Estados Unidos, Canadá e Reino Unido entre os cinco destinos preferidos.

"Dentro da América Latina, o Brasil continua disparado o número um", ressalta o sócio do escritório de São Paulo da A.T. Kearney, François Santos. Segundo ele, o país passa por uma crise de autoconfiança e restava saber como isso se refletiria lá fora. A consulta, feita com 300 empresas globais entre janeiro e fevereiro deste ano mostra, porém, que "não houve mudança". De 2012 para cá, ressalta Santos, as expectativas com relação ao Brasil, na verdade, melhoraram, com México e Chile em crescimento bem mais modesto.

Segundo maior destino dos investimentos estrangeiros diretos na América Latina, o México perdeu três posições no ranking geral (12ª posição), ainda beneficiado pela integração com as cadeias de suprimento americanas. Terceiro destino latino-americano, o Chile subiu cinco posições (17º global) de 2013 para 2014.

Diante do quadro, Santos diz que o investidor externo dá sinais claros de confiança na solidez e perspectivas de crescimento da economia brasileira no longo prazo. "O fato é que o país continua bem na foto para quem pensa no longo prazo", afirma. Para ele, a repercussão de eventos como as manifestações de junho se mantém muito limitada domesticamente. "Se fosse um índice de mercado financeiro, talvez a história fosse diferente", pondera.

Na classificação geral, os Estados Unidos mantiveram a primeira posição que tomaram da China no ano passado, com metade dos entrevistados indicando uma perspectiva mais positiva sobre a economia americana do que há dois anos - o melhor avanço na história do indicador. Depois da China, o Canadá aparece na terceira posição, seguido por Reino Unido e Brasil. Santos lembra que a questão energética americana, com a descoberta do gás de xisto, tem grande peso sobre o apelo do país, assim como o renascimento da indústria local focado em alguns setores e uma mão de obra chinesa cada vez mais cara.

O Canadá, diz Santos, tem feito um trabalho forte de atração de investimentos de alto valor agregado - empresas como GE e Samsung abriram recentemente novas fábricas ou laboratórios de pesquisa no país. Na quarta colocação, a Inglaterra subiu quatro posições por ser um centro financeiros com impostos menores do que no resto da Europa, diz ele.

Entre os emergentes, a Rússia caiu do 11º lugar no ano passado) e não figura nas primeiras 25 posições, apesar de a pesquisa ter sido realizada antes da crise política com a Ucrânia. A Índia, por sua vez, ficou com a sétima posição, dois lugares atrás do ranking anterior. Um dado curioso é que a Etiópia - que não constava no ranking passado - agora aparece no 11º lugar do ranking, à frente de países como África do Sul (13º) e Espanha (18º).

Países do norte da Europa, como Suécia e Dinamarca, chegaram às primeiras 25 colocações da listagem pela primeira vez. Já a Bélgica e a Holanda retornaram ao índice após algum tempo fora dos radares dos investidores. No total, a Europa atrai mais do que um quarto dos fluxos totais de IED do mundo.

Segundo Santos, o fôlego maior dos desenvolvidos mostra ainda que a crise de 2008 vai, aos poucos, ficando para trás. Há uma melhora geral do humor com relação à economia mundial, com aproximadamente quatro de cinco entrevistados mais otimistas do que estavam há um ano, sugerindo uma mobilização das empresas que repousam sob enormes reservas de dinheiro de volta para o investimento produtivo.

Governo quer criar fundo para elevar crédito de carros

Exame.com
Mauro Zanatta, Estadão Conteúdo

O valor do fundo deve ser de R$ 5 bilhões

REUTERS/Jason Lee 
Autoindústria: o mercado tem encolhido nos últimos meses

Brasília - Na tentativa de estimular a venda de veículos novos no país, o governo negocia com um grupo de grandes bancos de varejo e de instituições financeiras ligadas a montadoras de automóveis a estruturação de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) no valor de R$ 5 bilhões.

O objetivo é alavancar a concessão de crédito para dinamizar um mercado que tem encolhido nos últimos meses.

A costura entre governo e setor financeiro prevê, segundo apurou o jornal o Estado de S. Paulo, o uso do novo fundo na compra de parte da carteira de crédito dos bancos de montadoras pelos bancos de varejo.
Isso ajudaria a diversificar as fontes de recursos, reforçaria o capital de giro e reduziria as taxas de juros na captação do dinheiro pelos bancos de montadoras. No fim, a medida facilitaria o financiamento de veículos a juros mais baixos.

Pelo desenho preliminar, haveria a compra de 90% das cotas do novo FIDC pelos bancos de varejo. O restante ficaria com os bancos de montadoras. Isso limitaria as "perdas" dessas instituições financeiras ao teto de 10% de sua participação no fundo.

A criação do fundo ainda depende de um sinal verde do Banco Central para a liberação de parte dos depósitos compulsórios a prazo mantidos de forma obrigatória pelos bancos na conta da autoridade monetária.

A medida tem implicações para a política monetária conduzida pelo BC, pois estimula a demanda agregada por meio da ampliação do crédito.

Na crise global financeira de 2008, o governo liberou uma fatia dos depósitos compulsórios para incentivar a compra das carteiras de crédito de bancos de pequeno porte por instituições com maior poder de fogo.

Baixo risco
Sob a ótica do investidor, o fundo significaria diversificação de investimentos, retorno elevado e baixo risco.
O desenho desse tipo de FIDC prevê a cessão, pelos bancos, dos direitos sobre os chamados recebíveis, como contratos e financiamentos, vinculados às suas vendas para elevar a captação de dinheiro mais barato no mercado.

O FIDC em estudo teria dois tipos de cotas. A classe sênior e as chamadas cotas subordinadas, uma espécie de garantia ou "colateral" feitos, nesse caso, pelos bancos de montadoras para ter um colchão contra eventuais inadimplências.

A engenharia financeira prevê, ainda, o mecanismo de "first loss", onde haverá um limite para perdas com esse tipo de transação. Assim, os ativos do FIDC ficariam livres de contaminação por eventual inadimplência.

Os chamados cotistas seniores do FIDC teriam garantida a rentabilidade negociada na emissão das cotas. "Assim, fixamos um grau máximo de perda, levamos a eventual inadimplência para o fundo e a segregamos do restante da carteira", diz uma fonte graduada do governo. 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Menor taxa de poupança desde 2000 compromete PIB futuro

Tainara Machado
Valor

A taxa de poupança da economia brasileira no primeiro trimestre foi de apenas 12,7% do Produto Interno Bruto (PIB), a menor desde 2000, pelo menos, e 1 ponto porcentual abaixo da observada em igual período do ano passado (13,7%). Para economistas, a queda acentuada da poupança nos últimos anos foi uma das más notícias mostradas pelo IBGE ao divulgar as contas nacionais de janeiro a março, na sexta-feira, porque compromete a capacidade de o Brasil voltar a crescer de forma mais significativa no futuro, em um momento em que o ciclo puxado pelo consumo dá sinais mais evidentes de esgotamento.

Com baixa disponibilidade de poupança doméstica, aumenta a dependência do financiamento externo. O problema, dizem economistas, é que o déficit em conta corrente já se encontra em patamar elevado, de 3,7% do PIB nos 12 meses encerrados em abril, maior nível desde 2002. Neste cenário, aumentar a taxa de investimento, de apenas 17,7% do produto no primeiro trimestre, uma das menores da América Latina, exigiria maior ingresso de recursos estrangeiros, caso a poupança interna não volte a subir, dizem.


Para Margarida Gutierrez, professora de economia do Instituto Coppead e do grupo de conjuntura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), como o consumo das famílias teve queda de 0,1% no primeiro trimestre e os investimentos recuaram 2,1% no mesmo período, é principalmente o aumento do consumo pelo governo, que cresceu 0,7% no trimestre, que está levando a poupança doméstica a diminuir. Margarida ressalta que o setor público tem poupança negativa porque a receita é menor do que a despesa corrente (que não inclui investimentos, por exemplo).

Em sua avaliação, o baixo nível de poupança é uma restrição cada vez maior para o crescimento da economia brasileira porque o déficit em conta corrente já aumentou significativamente nos últimos anos, sem que a taxa de investimento tenha acompanhado. "Historicamente, o aumento da taxa de investimento vem acompanhado da importação de bens de capital, porque são mais baratos e tem maior conteúdo tecnológico. Só que não dá mais para elevar a taxa de investimento com financiamento externo, porque o aumento do déficit nos últimos anos financiou o consumo", afirma.

Além disso, diz Margarida, o governo deveria estar mais atento à mudança do contexto internacional. À medida que o Federal Reserve, o Banco Central americano, reduzir estímulos para a economia, a quantidade de recursos disponíveis para os países emergentes vai diminuir, com efeitos adversos sobre essas economias, como foi observado em janeiro e fevereiro deste ano, por exemplo. Por isso, é preciso reduzir a dependência dos recursos externos, diz a professora.

Para Carlos Antônio Rocca, diretor do Centro de Estudos do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Cemec/IBMEC), o desempenho recente da economia brasileira mostra alguns limites para a expansão da atividade cada vez mais evidentes: há falta de mão de obra, gargalos de infraestrutura e baixa taxa de poupança. Entre o primeiro trimestre de 2011 e igual período deste ano, a poupança caiu 4,3 pontos do PIB.

Rocca tem se dedicado a estudar a evolução recente da poupança doméstica, ao lado de outro pesquisador do Cemec, Lauro Santos Jr. Embora as contas nacionais só mostrem a composição desse indicador até 2009, o pesquisador realizou estimativas para a evolução mais recente dessa variável, com base em dados do BC e do IBGE. As evidências sugerem que o setor público tem poupança negativa desde 2000, mas ela não se alterou muito nos últimos anos e está em torno de menos 1,5% do PIB.

Já a perda de rentabilidade das empresas brasileiras nos anos mais recentes parece dar uma sinalização mais clara das razões pelas quais a poupança caiu tanto desde 2011, diz. A partir de uma análise dos dados obtidos com a consolidação de balanços das empresas que compõem a base de dados da consultoria Economática, os pesquisadores concluíram que, neste período, houve redução dos lucros, mas a distribuição de dividendos praticamente se manteve. Como o investimento caiu, mas menos do que o lucro retido, as empresas reduziram o financiamento de investimentos com recursos próprios e passaram a depender mais de dívida.

O Relatório Trimestral de Financiamentos dos Investimentos do Cemec de setembro de 2013 mostra que a participação do mercado de capitais no total do financiamento do investimento privado, que era de 5,1% em 2000, passou para 14,5% em 2013. Já o BNDES financiava 7,6% dos investimentos em 2000 e agora tem participação de 19,7% no total. Para financiar o banco de fomento, o Tesouro aumentou seu endividamento bruto, que em boa parte é financiada com recursos externos, diz Rocca.

Alexandre Chaia, professor da pós-graduação em Finanças do Insper, avalia que o aumento da oferta de recursos pelo banco de fomento a taxas de juros subsidiadas desestimula a poupança por parte das empresas. Chaia, porém, não considera que o déficit em conta corrente seja uma restrição relevante ao crescimento do PIB. Em sua avaliação, o problema é que neste momento os empresários não têm disposição para embarcar em novos projetos.

O investimento baixo e em queda mostra uma economia com clara dificuldade de crescimento no médio prazo, diz Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, e não há sinais de que o consumo das famílias vai voltar a ter fôlego suficiente para impulsionar o PIB nos próximos trimestres.

Homem morre em frente a hospital em greve em Laranjeiras

Rafael Galdo
O Globo

Vítima sofreu infarto dentro de ônibus, na porta do Instituto Nacional de Cardiologia

 Pablo Jacob / Pablo Jacob
Policial Militar verifica homem que infartou e morreu dentro de ônibus 
em frente ao Instituto Nacional de Cardiologia, em Laranjeiras  

RIO — Um homem morreu, na manhã desta segunda-feira, supostamente vítima de um infarto, dentro de um ônibus da linha 422 (Grajaú-Cosme Velho) parado em frente ao Instituto Nacional de Cardiologia, na Rua das Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. Aparentando cerca de 60 anos, ele agonizou por cerca de uma hora diante da unidade de saúde — que está em greve e não tem atendimento de emergência. Nesse tempo, contaram testemunhas, passageiros buscaram socorro no hospital, mas nenhum médico do instituto o atendeu.

O motorista do ônibus, Amarildo Gomes, contou que o homem que acabou morrendo tinha embarcado no Largo do Machado, brincando com outros passageiros e conversando. Logo após, depois das 11h30m, ele passou mal, com fortes dores no peito. Como estava próximo ao Instituto de Cardiologia, Amarildo decidiu para na porta do hospital. Segundo ele, passageiros desceram para pedir ajuda na unidade, mas ouviram que não havia emergência e, por isso, o homem não podia ser atendido.

— Achei aquilo um absurdo, um pouco caso com a vida humana. Podia ser qualquer um no lugar dele — lamentou Amarildo.

Os passageiros e o próprio motorista, então, chamaram o Samu. Nesse momento, uma outra ambulância, que seria de uma unidade municipal, chegou trazendo um paciente. O paramédico dessa ambulância que prestou os primeiros socorros ao homem, tirando a pulsação dele e fazendo uma massagem cardíaca. Aproximadamente 30 minutos depois de parar em frente ao hospital, conta Amarildo, a ambulância do Samu chegou. Antes de o homem morrer, os bombeiros ainda tentaram reanimá-lo por cerca de 40 minutos, mas sem sucesso, relatou o motorista.

— No total, passou cerca de uma hora entre nossa chegada e a morte do passageiro, sem que nenhum médico do hospital descesse — disse Amarildo.

Leitor Rodrigo Barbosa 
Técnicos do Samu, que estavam transportando outro paciente 
para o hospital, tentaram reanimar homem que infartou  

Após a morte, a Polícia Militar não encontrou documento algum junto ao corpo. O homem carregava apenas uma bolsinha com chaves, moedas e R$ 42 em notas, e tinha um esparadrapo colado no braço esquerdo. Até a retirado do corpo do local, por volta das 15h30m, o homem ainda não tinha sido identificado, nem apareceram parentes dele no local. Diante da cena do homem morto em frente ao hospital, testemunhas mostraram revolta.

— Foi um absurdo que isso tenha acontecido na porta do hospital. Dá uma dor muito grande no coração por não terem feito nada — dizia a doméstica Rosimar de Deus Lima.

Leitor Rodrigo Barbosa
 Homem sofre infarto dentro de ônibus em frente a hospital em greve 

Segundo funcionários do hospital, havia médicos de plantão. De acordo com um deles, na unidade coronariana, por exemplo, eram pelo menos três plantonistas.

Em nota, o Instituto Nacional de Cardiologia informou que não houve tempo de prestar socorro ao homem que passou mal. Segundo a nota, a pessoa que o acompanhava disse que ele já apresentava dores fortes no peito quando o ônibus em que estavam parou em frente à unidade para pedir socorro. “Apesar de não estar credenciado a atender emergências, o INC deixou a postos uma equipe de médicos e um leito para atendimento. Técnicos do Samu, que estavam transportando outro paciente para o hospital, tentaram reanimá-lo, mas a pessoa infelizmente veio a óbito. O homem não pôde ser retirado do ônibus, pois o movimento dificultaria a reanimação”, afirmou a nota.

Delegado da 10ª DP (Botafogo), onde o caso foi registrado, Breno Carnevali afirmou que até o meio da tarde não tinha sido registrada denúncia formal de omissão de socorro por parte do hospital. Mas, segundo ele, caso constatada essa hipótese, ela será investigada. Foi feita uma perícia no local, mas apenas a necropsia, afirmou ele, apontará a causa da morte.

De acordo com o cardiologista Alexandro Coimbra, o atendimento do homem no hospital não seria uma garantia de que ele sobreviveria. Mas, segundo o especialista, quanto mais rápido um atendimento num caso do tipo, maiores a chances de sobrevivência.

— A unidade (o Instituo de Cardiologia) não tem emergência. É difícil falar sobre o fato de ele não ter sido atendido no hospital. Mas uma certeza há: quanto mais rápido ele fosse atendido, maiores as chances que teria de sobrevida. Tempo, nesse caso, é crucial. Tempo é vida — afirmou o cardiologista.

Bloqueio chapa-branca

Folha de São Paulo
Editorial

Maioria governista consegue vitória na CPI mista sobre a Petrobras, em manobra para que investigação não municie oposição na disputa eleitoral

Mostram-se incertas as perspectivas de que uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito venha a dar alento às investigações sobre irregularidades na Petrobras.

Instalada na quarta-feira, a CPI mista dedicada ao tema, reunindo deputados e senadores, apresentava-se como alternativa capaz de superar o impasse em curso na sua equivalente no Senado.

Ali, a sólida maioria governista diminuía de tal modo as possibilidades de atuação incisiva que a oposição resolveu boicotar os seus trabalhos, depositando expectativas mais ambiciosas na comissão que acaba de se instituir.

Feitas as indicações dos nomes que iriam compor o novo grupo investigativo, um razoável número de deputados e senadores da oposição, a que vieram somar-se parlamentares da chamada base rebelada do governo, anunciava ao menos a chance de maior equilíbrio.

Para tanto, a oposição patrocinou a candidatura de um deputado pedetista, o gaúcho Ênio Bacci, à presidência da CPI mista; confiava que sua filiação a um partido da base governamental pudesse favorecer o consenso.

A proposta foi malsucedida, sobretudo porque o governo Dilma Rousseff (PT) cerrou esforços para impedir que qualquer investigação sobre a Petrobras venha a municiar o discurso dos adversários na disputa presidencial.

Deu-se, assim, a bizarra solução de eleger para presidente desse grupo de trabalho, supostamente mais combativo, o mesmo congressista que já presidia a chamada CPI chapa-branca do Senado.

Não são apenas os senadores Vital do Rêgo (PMDB-PB) e Gim Argello (PTB-DF) que garantem a predominância governista, ocupando respectivamente a presidência e a vice do colegiado. Também para o cargo de relator --usualmente cedido às correntes minoritárias-- foi eleito um fiel depositário das confianças do Planalto, o deputado Marco Maia (PT-RS).

A tradição de manter um mínimo de paridade entre governo e oposição nas comissões de inquérito foi, assim, rompida. Não se trata de mera cortesia parlamentar; é crucial preservar a credibilidade de foros dessa natureza.

Resta esperar que, nos sempre imprevisíveis desdobramentos dessas comissões, o bloqueio "chapa-branca" seja rompido pelo contingente, agora um pouco mais numeroso, de oposicionistas.

Vale lembrar, em todo caso, que o mesmo bloqueio se exerce, com sinal trocado, nos esforços do PSDB paulista para abafar as investigações, no Legislativo estadual, das milionárias transações que celebrou no escândalo dos trens.

Desse modo, ninguém tem tanto assim do que se queixar --exceto a maioria dos cidadãos, que vê os casos de irregularidade no setor público endossados, na prática, pelos representantes que elegeu.


Era só o que faltava: CPI depende de decisão de Zavascki para obter provas da Operação Lava Jato

Tribuna da Imprensa
André Richter, Agência Brasil 



O compartilhamento das provas obtidas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras vai depender de decisão do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao receber pedido da comissão, o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, decidiu hoje (2) que as provas não podem ser liberadas à comissão, porque toda a investigação foi remetida ao Supremo.

“Em princípio, a solicitação de compartilhamento afigura-se pertinente e oportuna. Entretanto, por força de decisão do eminente ministro Teori Zavascki, foram avocados por aquela Egrégia Corte todos os processos pertinentes. Assim, antes que haja eventual revisão daquela decisão, com a devolução dos processos, este juízo está impossibilitado de atender à solicitação”, decidiu o juiz.

O presidente da CPI da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), também pediu diretamente ao STF o compartilhamento das provas das oito ações penais resultantes das investigações. Entre as ações, está a investigação de supostos desvios de recursos públicos na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. O processo envolve o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef.

SUPERFATURAMENTO
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os desvios na construção da refinaria pernambucana ocorreram por meio de contratos superfaturados, feitos com empresas que prestaram serviços à Petrobras entre 2009 e 2014. Segundo o MPF, a obra foi orçada em R$ 2,5 bilhões, mas custou mais de R$ 20 bilhões. De acordo com a investigação, os desvios tiveram a participação de Costa, então diretor de Abastecimento, e de Youssef, dono de empresas de fachada.

Na defesa prévia apresentada à Justiça Federal no Paraná, os advogados do ex-diretor informaram que os pagamentos recebidos das empresas do doleiro, identificados como repasses ou comissões, foram decorrentes de serviços de consultoria. No entanto, de acordo com o juiz Sérgio Moro, a Polícia Federal e o Ministério Público não encontraram provas de que os serviços foram prestados. Moro era responsável pela condução do processo, mas a investigação foi suspensa e remetida ao Supremo por determinação do ministro Zavascki.

Petrobras fez 'conta de padeiro' na refinaria de Abreu e Lima, segundo Paulo Roberto Costa

Veja online

Em entrevista ao jornal 'Folha de S. Paulo', ex-diretor preso na operação Lava-Jato diz que participou de "arrecadação legal" de recursos para campanha de um candidato

(Folhapress) 
 Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras 

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que a Petrobras fez "conta de padeiro" para aprovar a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que começou com um custo de 2,5 bilhões de dólares (5,6 bilhões de reais) e deverá sair por 18,5 bilhões de dólares (41,5 bilhões de reais). O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou indícios de superfaturamento na obra. A declaração de Costa foi feita em entrevista ao jornalFolha de S. Paulo, publicada neste domingo. Ele ficou dois meses preso por envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro que movimentou 10 bilhões de reais, investigado na operação Lava-Jato da Polícia Federal, e responde a processo criminal por ter desviado recursos da refinaria com o doleiro Alberto Youssef. 

Costa afirmou que a Petrobras "errou" por ter divulgado que a refinaria de Abreu e Lima sairia a 2,5 bilhões de dólares sem saber qual seria o custo real do projeto. "Não teve superfaturamento. Como você avalia o custo de uma refinaria? A Petrobras pegou uma refinaria no golfo do México e falou: quanto custa o preço por barril para construir uma refinaria lá? Custa 15.000 dólares, 20.000 dólares. Se fosse 15.000 dólares por barril e Abreu e Lima produzisse 200.000 barris, a obra ficaria em 3 bilhões de dólares. Essa é uma conta de padeiro. As condições aqui são muito diferentes das do golfo do México. A Petrobras errou. Divulgou o valor de 2,5 bilhões de dólares sem saber quanto a refinaria iria custar, sem ter um projeto", afirmou o ex-diretor da estatal.

Ele afirmou ainda que "era dono do orçamento, mas não mandava na obra" de Abreu e Lima. "Os contratos têm de ser aprovados pela diretoria colegiada: o presidente e sete diretores. Quem levava esses documentos é o diretor da área de serviços, não a minha diretoria", justificou. 

Outro caso que era investigado pela Polícia Federal, até todos os inquéritos e processos originados pela operação Lava-Jato serem interrompidos por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), envolvia a suspeita de que Costa faturou indevidamente 6,2 milhões de reais em comissões de afretamento pagas pela Maersk para transportar cargas da Petrobras. De acordo com documentos apreendidos pela polícia, os recursos foram desviados por uma corretora que pertencia a um amigo de carteado do ex-diretor, Wanderley Gandra. De acordo com laudo da Polícia Federal, há indícios de que a empresa do amigo de Costa foi criada unicamente para receber esses recursos. O ex-diretor afirmou que "essa acusação não tem sentido". "Não recebi esse dinheiro. A Maersk é a maior empresa de navegação do mundo e, por volta de 1986,1987, passou a atuar no Brasil no transporte de gasolina e gás. Ela veio por meio de um amigo, o (Wanderley) Gandra. É corretora, como a de imóveis. O broker (corretor) faz a intermediação e negocia a comissão. A empresa não tem nada a ver comigo", afirmou. 

O relacionamento do ex-diretor com o doleiro Alberto Youssef também foi abordado na entrevista. Costa disse que conheceu Youssef em 2007, quando ele assessorava o deputado José Janene (PP), que morreu em 2010. "Às vezes nos encontrávamos com o deputado. Soube que ele teve problemas no passado, mas nunca entrei em detalhes sobre isso. Ele me procurou em 2013 para prestar consultoria. Ele queria comprar a Ecoglobal, que estava prestes a assinar um contrato com a Petrobras", afirmou. 

A polícia acusa Costa de esconder a origem de recursos ilícitos com a ajuda de Youssef. Uma prova desse relacionamento criminoso é o fato de o ex-diretor ter ganhado um Land Rover de 300.000 reais do doleiro, de acordo com denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal. Costa nega que tenha praticado "lavagem de dinheiro" e diz que recebeu o veículo como pagamento pelo serviço de consultoria que prestou a Youssef. Pela versão inicialmente divulgada por seus advogados, foi uma consultoria sobre o mercado futuro de petróleo. Agora, o ex-diretor alega que forneceu ao doleiro uma análise sobre a Ecoglobal. "Youssef falou: 'Não entendo nada de petróleo. Queria que você analisasse esse negócio para mim'. Acertamos a consultoria em 300.000 reais e, em maio de 2013, um ano e um mês depois de eu ter saído da Petrobras, ele me pagou com um carro, o Land Rover Evoque. Minha participação em lavagem de dinheiro e remessa para o exterior é zero", afirmou. 

De acordo com a polícia, Costa ajudou a Ecoglobal a obter um contrato de 444 milhões de reais com a Petrobras e queria comprar 75% de participação na empresa por 18 milhões de reais, associado com Youssef. O ex-diretor nega. "De maneira alguma. A imprensa tem uma interpretação errônea. Contrato não quer dizer lucro. Você pode conseguir um contrato de 400 milhões de reais e ter um prejuízo de 50 milhões de reais. Jamais tive contato com ninguém da Petrobras sobre a Ecoglobal", afirmou. 

Doações
Numa agenda apreendida pela polícia, aparecem nomes de empresários e executivos de grandes fornecedores da Petrobras com anotações sobre quanto cada um deles aceitou contribuir em doações para campanhas políticas. Costa alega que era "arrecadação legal", mas não revela quem seriam os beneficiados. "Eram ações que iam ser tomadas e não foram. Era arrecadação legal. Era ação de apoio para uma candidatura. O nome eu não posso falar. Participei da reunião, mas não posso falar quem estava lá", afirmou. 

O ex-diretor afirmou que a reunião para tratar de tais doações ocorreu "uma semana ou 15 dias" antes dele ser preso em 20 de março. Ao falar sobre seu relacionamento com a presidente Dilma Roussef, Costa afirmou que teve uma relação "muito próxima": "Tivemos uma relação técnica e amistosa. Nunca tive problemas com ela e ela foi presidente do conselho de administração (da Petrobras). Nossa relação sempre foi muito próxima", afirmou.

Mesmo com as suspeitas de superfaturamento e o custo da obra ter mais do que triplicado em relação à estimativa inicial, Costa alega que jamais teve "reparos" ao seu trabalho feitos pela presidente. "Nunca. Ela foi várias vezes à refinaria Abreu e Lima e sabe disso tudo que eu te falei. O presidente Lula e a presidente Dilma iam visitar (as obras de) Abreu e Lima e perguntavam como estavam as coisas. Eu dizia que tinha problemas porque tinha de fazer três vezes a mesma licitação por causa dos preços altos. Minha relação com ela sempre foi de muito respeito".

A compra da refinaria de Pasadena, no Texas, outro negócio da Petrobras que é investigado pela Polícia Federal, foi defendida pelo ex-diretor. "Na época não foi um mau negócio. A Petrobras chegou em 2004, 2005 a exportar 700 mil barris de petróleo. Não é bom negócio exportar barris. É bom exportar derivados, porque você agrega valor. Eu não participei da negociação de Pasadena. Já falaram até que participei ilicitamente", afirmou.

Vejam como o governo do PT conseguiu derrubar a valorização da Petrobras

Wagner Pires
Tribuna da Imprensa

É incrível como o Partido dos Trabalhadores mediante seu governo, conseguiu derrubar a valorização que a Petrobras teve após a confirmação das reservas do pré-sal.

De R$ 430 bilhões em 2007, o valor de mercado da empresa caiu para R$ 214 bilhões no início de 2014.

As ações da empresa, negociadas no open market, que chegaram a valer R$ 52,51 em maio de 2008, hoje valem pouco mais de R$ 16,0.

A associação da empresa ao clientelismo político e ao fisiologismo, sua utilização como massa de manobra política e econômica para o governo atingir números e mistificar índices econômicos, tudo isso está esgarçando a competência comprovada da maior empresa brasileira.

O pior é que essa turma não tem a mínima vergonha de divulgar dados e números mendazes e insistir na transferência da competência da empresa ao partido dos enganadores – o PT.

Veja a variação dos valores de mercado da Petrobrás no decorrer do tempo:

PERÍODO…………….VALOR DE MERCADO (em bilhões)
2003……………………….R$ 87,5
2004……………………….R$ 112,5
2005……………………….R$ 174,0
2006……………………….R$ 230,0
2007……………………….R$ 430,0 (valorização de 87% em função da mensuração do pré-sal)
2008……………………….R$ 224,0
2009……………………….R$ 347,0
2010……………………….R$ 257,0
2011……………………….R$ 292,0
2012……………………….R$ 254,0
2013……………………….R$ 214,0

O incrível é que a presidente Dilma Rousseff tenta enganar as pessoas dizendo que o valor da empresa é formado pelo patrimônio dela, quando na verdade o que conta é a capacidade da empresa em gerar resultados positivos. É a capacidade de lucro que conta.

Do que adianta um patrimônio inerte?!

Além do mais, a empresa deve 55% de todo o seu ativo. É a empresa mais endividada do mundo e está comprometendo sua capacidade de investimento por ter a sua capacidade de gerar lucro reduzida pela interferência do governo petista na política de preços de combustíveis da empresa.

Veja abaixo, que a capacidade da entidade de gerar lucro foi diminuída de 1/3 a 50% a partir de 2012:

ANO………………………..LUCRO LÍQUIDO
2004………………………..R$ 16,9 bilhões
2005………………………..R$ 23,7 bilhões
2006………………………..R$ 25,9 bilhões
2007………………………..R$ 21,5 bilhões
2008………………………..R$ 33,9 bilhões (novo patamar de lucratividade da empresa)
2009………………………..R$ 33,3 bilhões
2010………………………..R$ 35,9 bilhões
2011………………………..R$ 33,1 bilhões
2012………………………..R$ 21,2 bilhões (36% de queda na lucratividade)
2013………………………..R$ 23,6 bilhões

Obs.: o lucro normal da Petrobras neste estágio de desenvolvimento deveria ser acima de R$ 30 bilhões como nos anos de 2008 a 201; isto é, sem a interferência da política petista de utilizar a empresa para conseguir manter a inflação dentro da meta do Banco Central.

O PT confunde criatividade com governabilidade e competência. Confunde contabilidade criativa com contabilidade real e informativa.

Sem pré-sal, produção da Petrobras se iguala a 2005

Cláudia Schüffner
Valor

Para 2014 está previsto um salto na produção, que deve crescer em torno de 7%, primeiro incremento desde 2011

A Petrobras anunciou que atingiu, no dia 11 de maio, o recorde de 470 mil barris produzidos diariamente no pré-sal, mas a realidade é que está sendo difícil aumentar a produção nos níveis prometidos alguns anos atrás, o que a empresa promete mudar em breve. Se toda produção do pré-sal fosse da Petrobras, esses barris representariam quase um quarto dos 1,933 milhão de barris de petróleo que a companhia extraiu diariamente no Brasil em abril, último dado disponível.


Contudo, a parcela da estatal no pré-sal foi de 299 mil barris por dia. Na campanha publicitária sobre a produção na região, a Petrobras não esclarece que parte desse petróleo pertence às sócias BP, Repsol Sinopec e Galp. A companhia informa que o número recorde é extraído por meio de 24 poços perfurados nos campos do pré-sal.

Sem a sua fatia no pré-sal, a companhia estaria produzindo 1,634 milhão de barris. Esse volume é inferior à produção em 2005 (ver gráfico), já que ela encerrou aquele ano com 1,684 milhões de barris produzidos na média diária.

Já a produção do país como um todo, sem o pré-sal, cai para 1,463 milhão de barris por dia quando retirada a parcela da Petrobras e dos sócios. Nesse caso, o recuo é de dez anos, pois o volume ainda é menor que os 1,49 milhão de barris produzidos em 2004.

O paradoxo é que, depois que as enormes reservas do pré-sal se tornaram públicas, a produção começou a cair, apesar de a área de exploração e produção da companhia ter investido R$ 247,8 bilhões entre 2007 e 2013. Já a dívida explodiu nesse período, saindo de R$ 26,7 bilhões para R$ 221,6 bilhões, um aumento de 730%.

No mesmo período, as exportações de petróleo caíram para compensar a menor disponibilidade interna. As exportações de óleo bruto, que tinham atingido o pico de 506 mil barris diários em 2010, baixaram para 206 mil barris em 2013, menores que a média de 353 mil barris diários exportados em 2007, quando ficou claro o potencial das descobertas no pré-sal.

A queda da produção da Petrobras depois do pré-sal se deve em parte ao esgotamento natural das reservas na Bacia de Campos, que no caso da Petrobras sempre ficou em torno de 10% ao ano. Mas houve uma perda de eficiência nos últimos anos e também uma mudança abrupta de foco da companhia, que ficou com pressa para explorar a nova fronteira. Como se brinca nessa indústria, companhias deste tamanho são como transatlânticos que não permitem mudanças abruptas de direção.

Uma pergunta inevitável é como o Brasil estaria em termos de produção e atendimento ao mercado interno se essa província não tivesse sido descoberta, dada a queda galopante da produtividade da Bacia de Campos. Essa Bacia, que respondia por 85% da produção nacional em 2010, hoje representa 75%, mas a participação relativa tende a cair.

Em sua resposta sobre o assunto a estatal afirma que se o esforço exploratório na camada do pré-sal não tivesse se mostrado tão bem sucedido, outras áreas ao longo da costa brasileira poderiam ter sido priorizadas "com possíveis bons resultados também".

A estatal continua dizendo que, com o pré-sal, "optou pela alternativa que se mostrou mais atrativa em seus estudos de viabilidade técnica e econômica, a partir dos excelentes resultados apresentados pelo esforço exploratório nos reservatórios situados na camada pré-sal". E essa estratégia, diz a empresa, "mostra-se acertada a cada aumento da produção nos novos campos".

Um programa para aumentar a eficiência operacional da Bacia de Campos, lançado depois que Graça Foster assumiu a presidência da Petrobras, foi responsável por um aumento de 63 mil barris/dia à produção naquela região. E até abril a contribuição era de 55 mil barris diários.

Desde 2006, quando descobriu Paraty, o primeiro campo no pré-sal da Bacia de Santos, a Petrobras tem enfrentado e vencido uma série de desafios tecnológicos que permitiram chegar a 2014 extraindo uma média de 28 mil barris por dia de cada poço nessa região geológica.

No campo de Sapinhoá, antigo Guará, um único poço está produzindo 36 mil barris diariamente. É mais do que a OGPar (ex-OGP) e HRT extraíram juntas em março: 25.031 barris por dia, segundo o último boletim da Agência Nacional do Petróleo.

Outras questões, contudo, chamam a atenção de forma não tão favorável. Uma delas é o atraso no cumprimento das metas. No plano de negócios 2007-2011 a estatal previa que a plataforma P-55 entraria em operação para começar a terceira fase de desenvolvimento do campo de Roncador, um dos gigantes da Bacia de Campos, em 2011. Mas ela só entrou em operação em janeiro deste ano.

O plano de negócios de 2007 já previa um declínio natural da produção de 1,114 milhão de barris até 2011. A meta era fechar 2011 produzindo 2,374 milhões, já descontado o declínio. Como se viu, era excessivamente otimista. A previsão não se cumpriu em 2011 e mesmo hoje ela extrai 441 mil barris a menos.

Questionada sobre as causas do baixo ritmo da produção nos últimos anos, os motivos do acentuado declínio e as alternativas se não tivesse encontrado o pré-sal, a Petrobras respondeu de forma pouco elucidativa. A empresa afirma que seus planos de negócios são revisados anualmente, o que todo mundo sabe, "refletindo as melhores opções de portfólio", levando em conta "análise e interpretação das novas informações adquiridas".

Entre as variáveis mencionadas estão o resultado do esforço exploratório (descoberta de novos reservatórios depois da perfuração de poços), a performance dos reservatórios postos em produção, desempenho da construção da infraestrutura de produção e de apoio, e a projeção da eficiência operacional das instalações, entre outros.

"Trata-se de um processo contínuo, a partir do qual novos planos são elaborados, refletindo o melhor conhecimento daquele momento, que se traduz na priorização de áreas com resultados mais promissores e em ajustes nos cronogramas de atividades".

Um tema sensível e que será fundamental para que a empresa possa retomar a credibilidade com relação a suas metas é o compromisso com a construção de plataformas e outros equipamentos no Brasil. A indústria naval brasileira ainda não mostrou condições de competir com a rapidez de entrega dos estaleiros da Coreia do Sul, China e Cingapura, mas uma afirmação de Graça Foster de que a produção seria mais importantes do que o cumprimento do conteúdo local, que podem resultar em multas, gerou reações na indústria. Para 2014 está previsto um salto na produção, que finalmente deve crescer em torno de 7%, a primeira vez que se verá um incremento desde 2011.

No ano passado as duas plataformas que entraram em operação no pré-sal acrescentaram 240 mil barris por dia. Mesmo assim, a produção no país, em dezembro, caiu 3,4% quando comparada com o mesmo mês de 2012. Já os recordes no pré-sal deverão ser registrados nos próximos 30 anos, à medida que gigantes como Libra e Franco entrarem em produção junto com outros da região, e considerando ainda que a base de comparação é zero.

Este ano já entraram em operação as plataformas P-58 (180 mil barris diários) e a P-62, também em Roncador. Até dezembro outras duas plataformas vão aumentar em 300 mil barris diários a capacidade instalada da companhia. A previsão é que no segundo semestre ela comece a conectar a plataforma P-61, associada a uma unidade de perfuração no campo de Papa-Terra, onde a Chevron tem 37,5%. O conjunto de equipamentos vai aumentar em 580 mil barris/dia a capacidade instalada de produção no pós-sal.

Também estão previstas para o segundo semestre as plataformas Cidade de Mangaratiba (Lula) e Cidade de Ilhabela (Sapinhoá), ambos no pré-sal de Santos. Se tudo der certo, as onze plataformas instaladas neste ano e em 2013 trarão um aumento de 1 milhão de barris diários na capacidade instalada de produção exclusiva da companhia. Outros 296 mil barris são dos sócios.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Nota do Lauro jardim, na Veja online:

Conta-petróleo: mais de 6 bilhões de dólares de déficit no ano
O total do déficit da conta-petróleo do Brasil no primeiro quadrimestre superou os 6 bilhões de dólares – para ser exato 6,031 bilhões de dólares que o Brasil importou a mais do que exportou em petróleo, derivados e gás natural.

Ao contrário do que o senso comum imagina, não é o petróleo o grande vilão desse vermelho. O petróleo contribui com apenas 13,6% do déficit. Derivados e gás natural é que são os maiores responsáveis, com 53% e 33,4% do total, respectivamente.

STF anula a desapropriação da refinaria de Manguinhos, no Rio

Bruno Rosa
O Globo

Decisão do ministro Gilmar Mendes foi proferida na sexta-feira

Fabio Rossi/07-04-2006 
Decisão. STF anulou a desapropriação da 
Refinaria de Manguinhos, na Baixada Fluminense 

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a suspensão de um decreto do Estado do Rio que desapropriava um prédio na Refinaria de Manguinhos, que já foi esponsável pelo processamento de 0,6% da produção nacional de petróleo e por 20% do abastecimento de combustíveis no Rio. A decisão, proferida na sexta-feira pelo ministro Gilmar Mendes, determinou ainda o " RJ (Estado do Rio) a reembolsar as custas antecipadas pela autora e a honorários advocatícios fixados”. Os custos estão estimados em R$ 20 mil, de acordo com a decisão.

Segundo o site do STF, a decisão ainda precisa ser publicada no Dirário de Justiça Eletrônico. Só, após essa publicação, é que o Estado do Rio pode entrar com recurso. Para isso, terá um prazo de de até cinco dias. O STF julgou o caso após Paulo Stolf Cesnik, advogado da Perimeter, fundo dono de 17% da refinaria de Manguinhos, entrar com ação na Justiça Federal de São Paulo para declarar nula a desapropriação, em agosto de 2013.

Cesnik diz que se descobriu que a área da Refinaria de Manguinhos, sediada desde 1946, não pertencia ao Estado, mas sim, a União. Segundo Cesnik, "o Estado desapropriou um patrimônio que não lhe pertencia, que era da União". Para isso, fundamentou sua petição em pareceres dos juristas Kiyoshi Harada e Celso Antonio Bandeira de Mello, para quem o ato do Estado do Rio de Janeiro era "flagrantemente nulo".

Com a desapropriação, em outubro de 2012, cerca de 1000 funcionários foram demitidos, lembrou o advogado. Segundo o STF, o ministro Gilmar Mendes destacou que cabe "à ANP (Agência Nacional do Petróleo) autorizar a prática das atividades de refinação, liquefação, regaseificação, carregamento, processamento, tratamento, transporte, estocagem e acondicionamento da indústria do petróleo, do gás natural e dos biocombustíveis". Em sua decisão, ele explicou: "A objeção articulada pelo Estado do Rio de Janeiro quanto a esse aspecto não se reveste de consistência jurídica. Diante desse quadro normativo, e considerando que o domínio útil do imóvel ocupado pela refinaria, enquanto perdurar o aforamento, integra o patrimônio da empresa, resta evidenciada a plausibilidade jurídica da pretensão da autora, porquanto suficientemente demonstrado que a atividade desenvolvida pela Refinaria de Petróleo de Manguinhos S.A. depende de autorização da ANP e se subordina à sua fiscalização".

Em outubro de 2012, foi anunciado o investimento de R$ 1,4 bilhão até 2016 na refinaria, que elevaria a capacidade de tancagem dos atuais 1,5 milhão de barris para 6,5 milhões de barris de óleo. Porém, lembrou a Permiter, em nota, que uma semana após divulgar seu plano de investimentos, um decreto do governo do Estado do Rio de Janeiro desapropriou a área. "Foi uma grande vitória não apenas do ponto de vista jurídico-financeiro, mas pelo impacto social causado com a perda de postos de trabalho ", finaliza, Cesnik em nota.

O decreto 43.892 de 2012 havia declarado de utilidade pública e interesse social o prédio situado na Refinaria e não a área onde está a refinaria. Procurado, o governo do Estado disse que não iria comentar, pois não foi notificado.

Políticos fazem US$ 1 tri ir para o lixo em infraestrutura

Roberta Paduan
Revista EXAME

Para o diretor global de infraestrutura da consultoria McKinsey, o Brasil gastaria um terço menos com obras se os projetos não fossem alvo de interferência política

Divulgação 
Robert Palter, da McKinsey:
 “A maioria dos projetos não tem viabilidade econômica”

Rio de Janeiro - O canadense Robert Palter, diretor global de infraestrutura da consultoria americana McKinsey, fez as contas e concluiu: o mundo investirá 57 trilhões de dólares em infraestrutura até 2030 para sustentar o crescimento econômico. No Brasil, serão 3 trilhões de dólares.

Um terço desse dinheiro deverá ser perdido para a ineficiência, que começa na interferência política. Palter diz, porém, que vários governos do mundo têm conseguido ganhos de eficiência no planejamento e na execução de obras. Os bons exemplos geralmente contam com estruturas públicas especializadas em infraestrutura, a salvo da pressão política.

1) EXAME - No Brasil, as obras não costumam cumprir prazo e orçamento. Por que somos tão ineficientes?
Robert Palter - Há várias razões, e elas não são exclusivas do Brasil. Em geral, a seleção dos projetos tem como base motivações políticas. Com isso, a maioria dos projetos não tem viabilidade econômica. As contratações governamentais também são problemáticas, pois não favorecem a inovação.

2) EXAME - Por que os governos inibem a inovação?
Robert Palter - Os processos de concorrência nas obras foram pensados para reduzir o risco decorrupção. Todas as informações de uma concorrência têm de ser compartilhadas entre os competidores. Mas isso gera um problema: se alguma empresa quiser usar uma nova tecnologia, essa informação terá de ser repassada aos concorrentes. Resultado: adeus, inovação.

3) EXAME - Mas como resolver isso?
Robert Palter - Permitindo que as concorrentes apresentem suas ideias individualmente. Para isso, é preciso ter uma terceira parte idônea e imparcial que acompanhe o processo. Isso é possível, e já é feito em Nova York e em Ontário, no Canadá.

4) EXAME - Em seu estudo global, o senhor mostra que o setor de construção civil não ganhou produtividade nos últimos 25 anos. Por quê?
Robert Palter - As leis trabalhistas e de segurança aumentaram muito os custos das obras nos últimos 25 anos. Há lugares em que os sindicatos definem a atividade que cada empregado pode desempenhar. Se um funcionário falta, outro não pode assumir seu lugar, e o trabalho é paralisado.

5) EXAME - Há governos realmente eficientes no planejamento e na execução de obras?
Robert Palter - Sim. A província de New South Wales, na Austrália, e a de Ontário, no Canadá, conseguem. Várias cidades da Coreia do Sul também. Esses governos contam com órgãos que têm equipes especializadas em infraestrutura e que não sofrem interferência política. O trabalho delas é selecionar os projetos, financiá-los, negociar com construtores e monitorar as obras até a entrega. 

6) EXAME - Como se mede a eficiência de uma organização dessas?
Robert Palter - Em sete anos de existência, a Ontario Infrastructure, responsável pelas obras da província, descumpriu o prazo e o orçamento em apenas um único projeto. Creio que esse é um bom parâmetro.

7) EXAME - O que o senhor diria sobre o Brasil a seus clientes investidores?
Robert Palter - O Brasil tem elementos fundamentais para atrair investimento: urbanização, expansão da classe média e a necessidade de melhorar sua infraestrutura para conseguir crescer. Mas, como em toda decisão de investimento, é preciso identificar os riscos políticos, econômicos e regulatórios.