sexta-feira, junho 06, 2014

Desejo de Lula se cumpre: sem metrô e com trânsito caótico, paulistano pode usar jumento para ver a seleção

Veja online

Paulistano passou a manhã preso no maior engarrafamento da história da cidade nesse horário. E a situação deve piorar à tarde quando a seleção brasileira estará em campo no estádio do Morumbi


(Ricardo Stuckert/Instituto Lula)
PROFECIA – 
O ex-presidente Lula durante entrevista a blogueiros da rede de apoio ao PT 

O desejo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se cumpriu nesta sexta-feira, a menos de uma semana da abertura da Copa do Mundo na cidade de São Paulo. No último dia 16 de maio, o petista afirmou ser "babaquice" a preocupação de oferecer metrô para o torcedor chegar aos estádios. "Nós nunca tivemos problemas em andar a pé. Vai a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa", disse Lula, em palestra para blogueiros. Nesta sexta, o paulistano que comprou ingresso para assistir ao último amistoso da seleção brasileira antes da estreia no Mundial, no Morumbi, não poderá usar o metrô, parado pelo segundo dia de greve. E o carro também não será um bom negócio: com chuva e o rodízio de veículos liberado pela prefeitura, as ruas e avenidas da maior cidade do país estão travadas.

 Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), foram registrados 251 quilômetros de vias engarrafadas às 10h30, recorde  histórico para o horário. As principais artérias que cortam a cidade estão congestionadas. Por volta das 11h, um protesto de metalúrgicos ajudou a piorar o cenário caótico ao bloquear duas faixas da Avenida Paulista. Outras manifestações, de funcionários da construção civil e as marchas diárias dos sem-teto (MTST), estão programadas para esta sexta.

A greve dos metroviários paralisa parcialmente três linhas do metrô – 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha. Nas primeiras horas da manhã, grevistas decidiram realizar piquetes em estações e impedir funcionários que não aderiram à paralisação de trabalhar normalmente. A Polícia Militar utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo e impedir depredações. O Metrô informou em sua conta no Twitter que havia "impedimento da entrada de funcionários nos postos de trabalho por grevistas".

Marcos Bezerra/Futura Press
Movimentação intensa de usuários do metrô em ponto de ônibus da estação
 Ana Rosa do Metrô durante a paralisação dos metroviários em São Paulo, SP, nesta sexta-feira (6)  

Os metroviários vão fazer um ato de protesto, às 16 horas, na Estação Tatuapé, com possibilidade de fechar a Radial Leste, principal via de ligação da Zona Leste ao Centro da capital. "Há risco de a greve continuar (até a Copa), se o governador não negociar", afirmou Altino de Melo Prazeres Júnior, presidente do sindicato.

Em reunião na sede do sindicato nesta sexta-feira, os metroviários rejeitaram a proposta de reajuste de 8,7% feita pelo governo paulista e decidiu manter a paralisação. O governo de São Paulo acionou o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) por considerar a greve abusiva. O Tribunal de Justiça de São Paulo marcou para sábado o julgamento da liminar que obriga os funcionários a manter 100% da frota funcionando em horário de pico, e 70% no restante do dia.