quinta-feira, julho 17, 2014

A máscara do gigante

Mario Vargas Llosa 
El Pais

O mito da seleção Canarinho nos fazia sonhar formosos sonhos. Mas no futebol, assim como na política, é mau viver sonhando e sempre preferível se ater à verdade, por mais dolorosa que seja

FERNANDO VICENTE

Fiquei muito envergonhado com a cataclísmica derrota do Brasil frente à Alemanha na semifinal da Copa do Mundo, mas confesso que não me surpreendeu tanto. De um tempo para cá, a famosa seleção Canarinho se parecia cada vez menos com o que havia sido a mítica esquadra brasileira que deslumbrou a minha juventude, e essa impressão se confirmou para mim em suas primeiras apresentações neste campeonato mundial, onde a equipe brasileira ofereceu uma pobre figura, com esforços desesperados para não ser o que foi no passado, mas para jogar um futebol de fria eficiência, à maneira europeia.

Nada funcionava bem; havia algo forçado, artificial e antinatural nesse esforço, que se traduzia em um rendimento sem graça de toda a equipe, incluído o de sua estrela máxima, Neymar. Todos os jogadores pareciam sob rédeas. O velho estilo – o de um Pelé, Sócrates, Garrincha, Tostão, Zico – seduzia porque estimulava o brilho e a criatividade de cada um, e disso resultava que a equipe brasileira, além de fazer gols, brindava um espetáculo soberbo, no qual o futebol transcendia a si mesmo e se transformava em arte: coreografia, dança, circo, balé.

Os críticos esportivos despejaram impropérios contra Luiz Felipe Scolari, o treinador brasileiro, a quem responsabilizaram pela humilhante derrota, por ter imposto à seleção brasileira uma metodologia de jogo de conjunto que traía sua rica tradição e a privava do brilhantismo e iniciativa que antes eram inseparáveis de sua eficácia, transformando seus jogadores em meras peças de uma estratégia, quase em autômatos.

Não houve nenhum milagre nos anos de Lula, 
e sim uma miragem que agora começa a se dissipar

Contudo, eu acredito que a culpa de Scolari não é somente sua, mas, talvez, uma manifestação no âmbito esportivo de um fenômeno que, já há algum tempo, representa todo o Brasil: viver uma ficção que é brutalmente desmentida por uma realidade profunda.

Tudo nasce com o governo de Luis Inácio 'Lula' da Silva (2003-2010), que, segundo o mito universalmente aceito, deu o impulso decisivo para o desenvolvimento econômico do Brasil, despertando assim esse gigante adormecido e posicionando-o na direção das grandes potências. As formidáveis estatísticas que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística difundia eram aceitas por toda a parte: de 49 milhões os pobres passaram a ser somente 16 milhões nesse período, e a classe média aumentou de 66 para 113 milhões. Não é de se estranhar que, com essas credenciais, Dilma Rousseff, companheira e discípula de Lula, ganhasse as eleições com tanta facilidade. Agora que quer se reeleger e a verdade sobre a condição da economia brasileira parece assumir o lugar do mito, muitos a responsabilizam pelo declínio veloz e pedem uma volta ao lulismo, o governo que semeou, com suas políticas mercantilistas e corruptas, as sementes da catástrofe.

A verdade é que não houve nenhum milagre naqueles anos, e sim uma miragem que só agora começa a se esvair, como ocorreu com o futebol brasileiro. Uma política populista como a que Lula praticou durante seus governos pôde produzir a ilusão de um progresso social e econômico que nada mais era do que um fugaz fogo de artifício. O endividamento que financiava os custosos programas sociais era, com frequência, uma cortina de fumaça para tráficos delituosos que levaram muitos ministros e altos funcionários daqueles anos (e dos atuais) à prisão e ao banco dos réus.

As alianças mercantilistas entre Governo e empresas privadas enriqueceram um bom número de funcionários públicos e empresários, mas criaram um sistema tão endiabradamente burocrático que incentivava a corrupção e foi desestimulando o investimento. Por outro lado, o Estado embarcou muitas vezes em operações faraônicas e irresponsáveis, das quais os gastos empreendidos tendo como propósito a Copa do Mundo de futebol são um formidável exemplo.

O governo brasileiro disse que não havia dinheiro público nos 13 bilhões que investiria na Copa do Mundo. Era mentira. O BNDES (Banco Brasileiro de Desenvolvimento Econômico e Social) financiou quase todas as empresas que receberam os contratos para obras de infraestrutura e, todas elas, subsidiavam o Partido dos Trabalhadores, atualmente no poder. (Calcula-se que para cada dólar doado tenham obtido entre 15 e 30 em contratos).

As obras da Copa foram um caso flagrante de delírio e irresponsabilidade

As obras em si constituíam um caso flagrante de delírio messiânico e fantástica irresponsabilidade. Dos 12 estádios preparados, só oito seriam necessários, segundo alertou a própria FIFA, e o planejamento foi tão tosco que a metade das reformas da infraestrutura urbana e de transportes teve de ser cancelada ou só será concluída depois do campeonato. Não é de se estranhar que o protesto popular diante de semelhante esbanjamento, motivado por razões publicitárias e eleitoreiras, levasse milhares e milhares de brasileiros às ruas e mexesse com todo o Brasil.

As cifras que os órgãos internacionais, como o Banco Mundial, dão na atualidade sobre o futuro imediato do país são bastante alarmantes. Para este ano, calcula-se que a economia crescerá apenas 1,5%, uma queda de meio ponto em relação aos dois últimos anos, nos quais somente roçou os 2%. As perspectivas de investimento privado são muito escassas, pela desconfiança que surgiu ante o que se acreditava ser um modelo original e resultou ser nada mais do que uma perigosa aliança de populismo com mercantilismo, e pela teia burocrática e intervencionista que asfixia a atividade empresarial e propaga as práticas mafiosas.

Apesar de um horizonte tão preocupante, o Estado continua crescendo de maneira imoderada – já gasta 40% do produto bruto – e multiplica os impostos ao mesmo tempo que as “correções” do mercado, o que fez com que se espalhasse a insegurança entre empresários e investidores. Apesar disso, segundo as pesquisas, Dilma Rousseff ganhará as próximas eleições de outubro, e continuará governando inspirada nas realizações e logros de Lula.

Se assim é, não só o povo brasileiro estará lavrando a própria ruína, e mais cedo do que tarde descobrirá que o mito sobre o qual está fundado o modelo brasileiro é uma ficção tão pouco séria como a da equipe de futebol que a Alemanha aniquilou. E descobrirá também que é muito mais difícil reconstruir um país do que destruí-lo. E que, em todos esses anos, primeiro com Lula e depois com Dilma, viveu uma mentira que seus filhos e seus netos irão pagar, quando tiverem de começar a reedificar a partir das raízes uma sociedade que aquelas políticas afundaram ainda mais no subdesenvolvimento. É verdade que o Brasil tinha sido um gigante que começava a despertar nos anos em que governou Fernando Henrique Cardoso, que pôs suas finanças em ordem, deu firmeza à sua moeda e estabeleceu as bases de uma verdadeira democracia e uma genuína economia de mercado. Mas seus sucessores, em lugar de perseverar e aprofundar aquelas reformas, as foram desnaturalizando e fazendo o país retornar às velhas práticas daninhas.

Não só os brasileiros foram vítimas da miragem fabricada por Lula da Silva, também o restante dos latino-americanos. Por que a política externa do Brasil em todos esses anos tem sido de cumplicidade e apoio descarado à política venezuelana do comandante Chávez e de Nicolás Maduro, e de uma vergonhosa “neutralidade” perante Cuba, negando toda forma de apoio nos organismos internacionais aos corajosos dissidentes que em ambos os países lutam por recuperar a democracia e a liberdade. Ao mesmo tempo, os governos populistas de Evo Morales na Bolívia, do comandante Ortega na Nicarágua e de Correa no Equador – as mais imperfeitas formas de governos representativos em toda a América Latina – tiveram no Brasil seu mais ativo protetor.

Por isso, quanto mais cedo cair a máscara desse suposto gigante no qual Lula transformou o Brasil, melhor para os brasileiros. O mito da seleção Canarinho nos fazia sonhar belos sonhos. Mas no futebol, como na política, é ruim viver sonhando, e sempre é preferível – embora seja doloroso – ater-se à verdade.

Palácio do Palanque

Dora Kramer  
O Estado de S.Paulo

O instituto da reeleição impõe um desafio legal (e moral) difícil de ser cumprido. Nem por isso deve deixar de ser perseguido por candidatos a um segundo mandato consecutivo: a separação dos atos de campanha dos compromissos de governo.

O limite da distinção entre uma agenda e outra é sutil, mas com boa-fé, com respeito ao jogo limpo, com um mínimo de discernimento sobre o momento em que se ultrapassam essas fronteiras e, sobretudo, com consciência sobre o significado da representação do cargo público, principalmente quando se refere ao conjunto da Nação, é possível o governante administrar a vantagem natural sem perder a estribeiras.

Pois a presidente Dilma Rousseff, que já tinha ficado perigosamente próxima de perdê-las na semana passada naquela megassolenidade via teleconferência de entrega de casas populares e promessas de construção de outras tantas unidades, em ato financiado com dinheiro público para ser usado no horário eleitoral, agora vai deixando desandar a carruagem.

Deu uma entrevista à TV Al Jazeera, do Qatar, simplesmente pedindo votos. "Eu acredito que o povo brasileiro deve me dar a oportunidade de um novo período de governo pelo fato de que nós fazemos parte de um projeto que transformou o País", disse.

Na condição de presidente de uma república em entrevista a uma emissora internacional, falando como representante de todo o Brasil, no exercício de seu posto, Dilma Rousseff apresenta-se como integrante de um grupo. A referência ao já notório "nós" pressupõe a existência do igualmente afamado "eles", um ente apartado do País.

Definitivamente, não são maneiras de um mandatário. Nem de candidato à reeleição na posse ética para o jogo. E o pior é que não foi um lapso. A presidente prosseguiu ao falar sobre os índices de pobres e miseráveis que passaram a integrar a classe média: "Nós transformamos a vida dessas pessoas".

Faltou completar, mas deixou implícito: e, por isso, devem por gratidão votar em "nós". A senhora Dilma Rousseff, talvez empolgada com a campanha eleitoral que agora se inicia, parece ter perdido a noção de que até o dia 1.º de janeiro de 2015 ainda é presidente do Brasil e pode vir a ser por mais quatro anos.

Enquanto estiver no exercício da Presidência representa todos os brasileiros. Ou entende isso, e assim se comporta, ou se enfraquecem os apelos ao respeito à instituição presidencial quando a chefe de governo é desrespeitada, por exemplo, em estádios.

No discurso de palanque ao microfone da Al Jazeera Dilma recitou o versinho marqueteiro: "Nós oferecemos o seguinte: quem fez, sabe continuar fazendo, enquanto quem quando pode não fez, não sabe fazer. É simples a opção".

Paralelo a isso, o Palácio do Planalto faz toda uma cenografia de neutralidade dizendo que há um esquema especial de comando de governo para evitar a ultrapassagem de limites.

Ocorre que os ministros escalados para ficar em Brasília, oficialmente com funções exclusivamente relacionadas com o governo, informalmente participam de decisões de campanha. Funcionarão como "consultores", alega-se.

Sabem o senhor e a senhora como é? Quando vários ministros no auge da campanha estiverem em pleno horário de expediente se movimentando para cima e para baixo, recebendo prefeitos, dirigentes partidários, reunindo-se para discutir como responder a esse ou àquele ataque da oposição, serão apenas atos de "consulta".

Não importa que todos eles façam isso a partir da estrutura de governo. Do Palácio do Planalto (do Palanque?), dos ministérios, a qualquer hora, de qualquer local. Na prática, está tudo liberado.

Como a partir de agora a presidente não pode inaugurar obras nem anunciar novas realizações de governo, faz uma agenda de entrevistas. No exercício do cargo de presidente. E nelas pede votos na condição de candidata.

O melhor do Brasil

Eliane Cantanhêde
Folha  de São Paulo

BRASÍLIA - Na hora dos balanços sobre a Copa, é necessário reconhecer: todo mundo (quase literalmente) achava que o Brasil levaria a taça nos gramados e daria um vexame fora deles, com manifestações, quebra-quebra, violência policial, aeroportos insuportáveis, estádios cheios de tapumes e uma onda de assaltos a nacionais e a estrangeiros. Ocorreu justamente o oposto.

Se a expectativa era muito favorável à seleção e bem pessimista quanto à capacidade do país em recebê-lo, no fim o time do Felipão é que se revelou um fiasco histórico, enquanto a Copa se afirmava como um sucesso para brasileiros e para torcedores das mais diferentes nacionalidades.

Como sempre se critica aqui o uso despudorado dos instrumentos e da visibilidade da Presidência da República para fazer campanha aberta, agora faça-se justiça: depois de meses engolindo críticas e dúvidas, Dilma, como presidente, acertou ao reunir uma penca de ministros para prestar contas, fazer um balanço, apontar o dedo na cara dos "pessimistas" e capitalizar o sucesso do maior evento desportivo do planeta.

Vá lá que obras de mobilidade urbana ficaram para "depois" e que houve atrasos e improvisos, com tudo entregue em cima da hora, incompleto e com problemas, mas, no geral, os aeroportos e estádios funcionaram a contento e o esquema de segurança foi integrado e aparentemente impecável.

E a "hospitalidade" do brasileiro, o clima do Brasil e o ambiente da festa fizeram o resto e definiram o êxito, como confirma o Datafolha.

Podemos até estar perdendo o carimbo de "país do futebol", mas, ainda assim, um mês de Copa do Mundo fez mais pela diplomacia e pela imagem do Brasil no mundo do que os quatro anos de política externa do governo Dilma Rousseff.

Conclui-se, pois, de uma vez por todas, que --apesar da corrupção, da violência, da malemolência e do espírito "macunaímico"--, o melhor do Brasil é mesmo... o povo brasileiro.

O perigo é o abraço.

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Durante muitos anos, descreveu-se o PSDB (e a descrição vale até hoje) como um partido formado 100% por amigos que são 100% inimigos. Neste ano, a descrição passa a valer para o PT (quase com perfeição, porque há no partido uma unanimidade: Lula): todos são petistas, todos são amigos, todos se odeiam. 

Franklin Martins e João Santana, por exemplo, disputam ferozmente o comando do conteúdo da campanha de Dilma - a tal ponto que Martins só não foi embora por um pedido especial de Lula. Martins é também duro adversário de Paulo Bernardo, e a tropa de choque que mobiliza - o MAV, Movimento de Arregimentação Virtual, que atua coordenadamente na Internet - periodicamente abre fogo contra o ministro das Comunicações. Aloízio Mercadante e Guido Mantega, que já concorreram pela posição de formulador da política econômica petista, continuam tendo restrições um ao outro (se bem que a disputa pelo comando a política econômica tenha sido encerrada, com a derrota de ambos. Quem manda é Dilma e pronto). E ninguém gosta do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, a começar por sua chefe Dilma Rousseff. E Carvalho, petista desde a fundação do partido, ligadíssimo à base sindical e de esquerda católica que sempre deu respaldo a Lula, é o guardião da história do PT. Sabe tudo.

Gilberto Carvalho deve agora, segundo o bem-informado colunista Lauro Jardim, de Veja, deixar o Governo para entrar na campanha de Dilma. A presidente, ao que parece, está feliz - não com a entrada de Gilberto, mas com sua saída.

Tudo claro
Já sabemos por que a Seleção brasileira sofreu contra a Alemanha o apagão citado por Luiz Felipe Scolari, e levou de sete. A explicação é dada por Rui Costa Pimenta, candidato do PCO, Partido da Causa Operária, à Presidência da República (www.pco.org.br): "A derrota esmagadora da seleção brasileira aconteceu muito antes deste fatídico 8 de julho no Mineirão. Foi preparada pela direita nacional organizada pelo imperialismo, pelos monopólios capitalistas do esporte, pela imprensa ‘nacional’ (vendida para o capital estrangeiro) e, inclusive pela esquerda pequeno-burguesa que trabalha a serviço da direita como o PSOL, o PSTU e outros grupos menores do mesmo quilate. Acuaram os brasileiros para não torcer pelo Brasil, buscaram de todos os meios desestabilizar o time brasileiro. A seleção foi derrotada pela política, mais precisamente pela pressão política".

Completando
Hulk jogou um bolão, Fred atormentou as defesas adversárias, Fernandinho mostrou que é craque. Se não fossem a imprensa e o imperialismo, seria "tóis"!

O país normal
O Congresso não funcionou durante a Copa - embora não se tenha esquecido de alugar carros com motorista. Mas vá lá: embora o país não tenha parado, andou devagar. Agora, que acabou a Copa, o Congresso tem de votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias e só: entra em recesso nesta sexta, que ninguém é de ferro.

O caminho das pedras
Lembra da guerra que resultou em duas CPIs sobre a Petrobras, uma na Câmara, outra mista, de deputados e senadores? Pois é: as duas estão formadas. E quietinhas. O Governo controla as duas, por meio do mesmo senador Vital do Rego, do PMDB paraibano, e não quer fazer marola. A oposição, que já não gosta de se opor, neste caso quer opor-se ainda menos, e pelo mesmo motivo do Governo: para que atingir financiadores de campanhas? Nos últimos 20 dias, foram ouvidos o ex-presidente e a atual presidente da Petrobras.

E fiquemos por aí, que cada parlamentar e cada partido sabem direitinho que o calo doi é no bolso.

A fonte do dinheiro
As propinas em São Paulo já não podem ser atribuídas apenas ao homem-forte do Governo Covas, Robson Marinho: aos poucos, vão surgindo novos suspeitos, novas evidências. Este colunista não acusa nem defende: quer apenas saber quem andou levando, se é que alguém andou levando. E tem certeza de que ninguém rouba sozinho. 

Quando será feita a investigação completa sobre os companheiros de Robson Marinho no primeiro Governo da atual dinastia tucana?

Discretíssimo
Copa vem, Copa vai, e a portaria nº 734 do ministro da Saúde, Arthur Chioro, publicada noDiário Oficial da União de 5 de maio, vai passando batida (veja 


Pela 734, médicos, farmacêuticos, dentistas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos formados em países do Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai), estão dispensados de revalidar o diploma para trabalhar no Brasil. A portaria já está em vigor.

Os próximos
A Venezuela não está citada na portaria 734, mas como é membro pleno do Mercosul está, por direito, tacitamente incluída. Os cinco Estados associados ao Mercosul - um status menos elevado - também não são citados; por enquanto, o benefício do diploma sem revalidação não se estende aos profissionais neles formados. Os Estados associados são Colômbia, Equador, Peru, Chile e Bolívia. 

carlos@brickmann.com.br 
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Felipão, o professor de gestão de Dilma

José Nêumanne
O Estado de S.Paulo 

Dilma Rousseff disse, em 1.º de julho de 2013, que seu governo tinha o "padrão Felipão", em resposta a uma pergunta sobre se seus ministros tinham "padrão Fifa". Referia-se ao ex-técnico da seleção brasileira Luiz Felipe Scolari após reunião ministerial depois da vitória sobre a Espanha por 3 a 0 no Maracanã, onde ela seria vaiada várias vezes domingo, na final da Copa, antes e ao entregar a taça ao capitão alemão, Philipp Lahm. A comparação havia sido feita na temporada de protestos nas ruas em que o povo exigiu "padrão Fifa" para a gestão pública federal, nada exemplar. Apesar de ter escolhido o treinador como modelo, ela não foi entregar a Copa das Confederações ao time que ele treinou. Um ano e 13 dias depois, tendo o mesmo time sofrido hecatombes inéditas nos jogos finais da "Copa das Copas", ela o relegou ao ostracismo para se refugiar no verso de um samba de Paulo Vanzolini ("levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima") e na criatividade ("a derrota é a mãe de todas as vitórias").

Dilma não atuou na seleção nem a treinou. Não é também dirigente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Mas não resiste a recorrer ao dito esporte bretão para parecer simpática. Nascida em Minas, comemorou a conquista da Libertadores da América pelo Atlético Mineiro em 2013 em redes sociais. "Congratulo (sic) com toda a torcida do Atlético pela conquista do título. Eu sou torcedora do Atlético e, quando criança, ia com meu pai a muitos jogos do Galo no Mineirão", postou. Não faltou quem nos mesmos veículos lembrasse que 1) como nasceu em 1947, tinha 18 anos e, portanto, não era criança quando o estádio foi inaugurado; e 2) que o pai morrera em 1962, três anos antes de sua inauguração.

Consta que Clio, a deusa da história, é irônica. Pelo visto, os deuses do futebol também. Em 8 de julho o estádio foi palco da derrota mais humilhante que o Brasil sofreu na história, ao perder de 7 a 1 na semifinal da Copa. Dela o técnico saiu como padrão de incompetência, e não de excelência.

Nenhum torcedor dotado do mínimo de bom senso teria apostado pesado no time de Scolari na Copa: ganhou da Croácia com a ajuda do juiz, empatou com o México contando com muita sorte e ao vencer Camarões passou para as oitavas de final contra o Chile, e não contra a Holanda, por absurdos erros do árbitro, que anulou dois gols legítimos dos mexicanos no jogo de estreia contra os africanos. A trave nos últimos segundos da prorrogação e no último pênalti carimbou o passaporte para as quartas de final contra a Colômbia, que nunca foi páreo para a canarinha nos melhores momentos dela e nos piores desta. O Brasil ficou entre os quatro melhores com a ajuda da sorte e de apito amigo.

Mas na véspera da semifinal contra a temida Alemanha a presidente resolveu apostar todas as fichas de chefe de governo e de Estado e de candidata à reeleição no "padrão Felipão" de excelente gestão. A página oficial da Presidência da República na internet, usada na campanha eleitoral com uma sem-cerimônia só comparável à do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao desconhecer o fato, divulgou sua "conversa" com internautas sobre a Copa. Chamou os adversários de "urubus", condenou o "pessimismo indevido" de um sujeito oculto chamado imprensa, vulgo "mídia golpista", e adotou como mascote de palanque o craque Neymar, cuja dor, ao ser atingido por um jogador do time que fora menos violento do que o Brasil no jogo, segundo ela, "feriu o coração de todos os brasileiros". Para completar, sem se dignar a explicar o significado do gesto nem da expressão, copiou do astro do Barcelona o "é tóis", paródia criada por ele para o "é nóis" dos corintianos, com a letra T formada pelos braços e pelo cotovelo. E enquanto a torcida lhe fazia eco gritando o nome do ídolo ferido, os alemães impingiram à seleção mais campeã das Copas a pior goleada em semifinais do torneio.

Felipão, fiel a seu padrão de embromation, mal consumado o desastre elogiou o próprio trabalho, lembrando que seu "grupo" - sua "família", ou seja, as vítimas de suas doses patéticas de autoajuda - foi o primeiro a chegar a uma semifinal desde a Copa em que ele mesmo treinou o time campeão, em 2002, há 12 anos. O auxiliar técnico Carlos Alberto Parreira comprometeu o respeitável currículo de campeão mundial de 1994 lendo na entrevista a carta de uma fã que elogiou a preparação do time de um esporte cujos fundamentos ela própria dizia desconhecer.

Antes de o "padrão Felipão" ser submetido a outro vexame na disputa pelo terceiro lugar contra a Holanda na arena Mané Garrincha, com o nome de um gênio do tempo em que nosso futebol tinha cara e vergonha, os bombeiros do Planalto correram para salvar a chefe do incêndio. Descalçaram-lhe as chuteiras e ela pôs de novo o capacete de chefe de obras, para jogar espuma sobre a tentativa canhestra de barganhar o sucesso da seleção por votos na eleição. Apelaram até para o óbvio: "Futebol e política não se misturam". Fez-se isso com desleixo idêntico ao de estropiarem a frase de Nelson Rodrigues "a pátria em chuteiras" por outra, que só adquiriu nexo após o vexame: "a pátria de chuteiras". Dilma e seu professor (assim os pupilos chamam seus técnicos) usaram pátria, hino e bandeira para chutar a realidade para escanteio.

Dilma ainda contribuiu para o besteirol de político ignorante em esporte ao atribuir o chamado mineiratsen à exportação dos melhores jogadores nacionais para o exterior. O uso da palavra exportação, cabível para médicos cubanos, mas não para nossos craques, omite as evidências de que a seleção atuou em nível similar ao dos campeonatos locais por absoluta incapacidade de dirigentes que se recusam a aprender como se joga nos mercados que hoje vencem. E de governantes que perdoam as dívidas monstruosas acumuladas por estes bancando papagaios de pirata para ganhar votos, perdendo o pudor e as Copas.

Para inglês ver

Percival Puggina
Zero Hora

A Copa foi bom negócio? Sob qual ponto de vista? Cá, de onde a vejo, como cidadão, não me parece que a resposta seja afirmativa. É obvio que não opino e não devo opinar sobre ela na condição de torcedor, que sou, porque considero essa posição imprópria como ponto de observação para analisar empreendimento tão vultoso e oneroso. Como torcedor, talvez fosse arrastado para a lógica de Ronaldo, segundo quem "não se faz Copa do Mundo com hospital". Nem posso assumir como meus os pontos de vista da FIFA, dos jogadores, dos patrocinadores, ou seja, da rentável cadeia produtiva do espetáculo futebolístico. Vista por eles, a Copa é algo tão extraordinário quanto deveria ser porque, afinal, trata-se de empreendimento padrão FIFA.

Mas não é esse o modo correto, como cidadão brasileiro, de avaliar o evento. No próximo dia 14 - no day after - alguém já terá erguido o caneco e os visitantes terão ido embora. Nos gramados, mescladas com suor e sangue, terão secado todas as lágrimas de alegria e de tristeza. Nesse dia, estarei olhando meu país e me lembrando das cidades que o príncipe Potemkin construiu para despertar o interesse de Catarina II pela região da Crimeia, onde ele queria implantar um projeto de colonização. Consta que a rainha o acompanhou nessa longa viagem por motivos que não eram propriamente de Estado. E consta que eram todas de fachada as cidades salpicadas pelo príncipe ao longo do caminho por onde os dois arrulhantes pombinhos haveriam de passar. Eram para inglês ver, como dizemos por aqui. Será inevitável pensar assim depois de ter visto nossas capitais tão bem guarnecidas, nosso noticiário policial tão sossegado, nosso trânsito tão fluido nos dias de jogos. E é nisso que penso hoje ao observar multidões carregando nos rostos as cores da pátria. Como não se vê em Sete de Setembro algum.

Estaremos, meados de julho, em situação melhor do que estávamos em meados de junho? Não parece crível, depois de tanto empréstimo tomado e de tanto gasto feito para "inglês ver". Levarão em conta, as avaliações oficiais, as consequências no PIB nacional das horas e dos dias não trabalhados em todo o país? Pois é.

Para que não digam que só vi problemas, a Copa deixa um legado político significativo. A turma do "Não vai ter copa", aqueles aprendizes de terrorista, arrogantes, perniciosos, que se mediam pelos estragos que faziam, doravante terão que conviver com a irrecusável constatação de sua insignificância e da rejeição que o mundo civilizado nacional lhes explicitou. Também esses brutamontes, grotescos e supérfluos, foram só para inglês ver.

Muita inflação pela frente

O Estado de S.Paulo 
Editorial 

As bolas de cristal do mercado financeiro continuam errando para menos nas projeções de inflação. Se há algum jogo especulativo nessas previsões, deve estar funcionando ao contrário - e isso já ocorre há um bom tempo. Com 6,52% até junho, a alta de preços acumulada em 12 meses furou com um mês de antecedência o limite da margem de tolerância, de 6,5%. Pelas contas oficiais, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,4% no mês passado, pouco acima da mediana das projeções do mercado, de 0,33%. Por essas estimativas, ainda haverá um recuo neste mês, para 0,25%, e em seguida uma nova aceleração - de 0,30%, em agosto, até 0,64%, em dezembro. Esses números integram a série coletada na sexta-feira 27 de junho, antes de conhecido, portanto, o último dado. O resultado final do ano será de 6,48%, de acordo com a mesma série, atualizada semanalmente pelo Banco Central (BC). Na avaliação do governo, complacente com a alta de preços e com a própria política, a inflação ainda estará dentro da meta - embora a meta oficial, em sentido próprio, seja de 4,5%.

De acordo com aquelas projeções, a inflação acumulada em 12 meses ficará sempre acima do limite até novembro. O pico, de 6,80%, está previsto para setembro. Apesar do recuo dos preços por atacado e, especialmente, da acomodação dos preços dos alimentos, economistas do mercado têm mantido a expectativa de recrudescimento da inflação a partir de agosto. Pode parecer estranho, até porque uma parte dos aumentos de junho foi classificada como "inflação da Copa". Esse é o caso das tarifas aéreas e das diárias de hotéis. Esses aumentos serão provavelmente anulados nos próximos meses, ou, como se diz no jargão obviamente impreciso dos especialistas, "devolvidos".

Para o pessoal das instituições financeiras e das consultorias, o recuo das taxas mensais, iniciado há algumas semanas, é, portanto, apenas uma trégua. Essa trégua talvez seja explicável, em parte, pelas nove altas de juros a partir de abril do ano passado. Mas nem o BC aposta com muita firmeza em efeitos a curto prazo. Por isso, mantém projeções de inflação acima de 5% ao ano até junho de 2016. Suas projeções conhecidas publicamente acabam aí.

Há mais de uma razão para projetar uma nova intensificação da alta geral de preços nos próximos meses. Uma delas é o reajuste previsto de vários preços administrados ou meramente controlados pelo governo, como o da energia elétrica. Também tarifas de transporte coletivo e preços de combustíveis poderão subir. As contas de eletricidade já começaram a subir, mas as companhias do setor continuam à espera de mais aumentos. A presidente da Petrobrás, Graça Foster, insiste em cobrar reajustes, até porque a empresa precisará de caixa para pagar pelos novos campos de petróleo recebidos do governo sem licitação. A estatal precisará, de fato, de muito mais dinheiro para enfrentar os investimentos previstos - ou prometidos - para os próximos anos.

Mas há razões bem mais importantes para a expectativa de muito desarranjo nos preços, tanto no segundo semestre quanto no próximo ano. A mais importante é o mau estado das contas públicas. O governo poderá maquiar seu balanço e tentar disfarçar o fracasso em relação à meta fiscal definida para o ano, mas isso de nenhum modo reduzirá as pressões inflacionárias. A gastança continuará, reforçada pelos interesses eleitorais, e incentivos setoriais financiados pelo Tesouro serão mantidos - sem efeito duradouro sobre a economia. Algumas indústrias poderão elevar ou manter suas vendas. Será muito otimismo, no entanto, esperar maiores investimentos como consequência dessa política.

Além disso, nada indica, pelo menos até o fim do ano, novas altas de juros, mesmo com o recrudescimento da inflação. Alguns analistas já duvidam até de um aperto fiscal e monetário mais sério no próximo ano. Um ajuste mais forte na fase inicial poderá facilitar nos anos seguintes o trabalho do governo eleito, mas falta saber, em primeiro lugar, se haverá disposição - ou condições políticas - para uma política severa em 2015. Tudo parece reforçar, portanto, a expectativa de inflação elevada ainda por muito tempo.

Em São Paulo, cesta básica custa 50% do salário mínimo; em Aracaju, 33%

Yolanda Fordelone
O Estado de S.Paulo

Pesquisa do Instituto Assaf mostra que alimentos básicos pesam mais no bolso do consumidor em alguns locais; para Dieese, salário para dar conta das necessidades básica deveria ser de R$ 3.079

Foto: Maurício de Souza/Estadão 
Em São Paulo, a cesta básica custa R$ 366,54. 

A diferença de custo de vida das cidades brasileiras é gritante, algo que pode ser percebido pelo custo da cesta básica. Em São Paulo, a cesta básica custava R$ 366,54 em maio, ou pouco mais de 50% do valor atual do salário mínimo (R$ 724). Na capital cuja cesta básica tem menor valor (em Aracaju, ela custa R$ 241,72), o porcentual é de apenas 33,39%, apontou um levantamento do Instituto Assaf, feito com base em dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) de maio.

Em média, no Brasil a cesta custa 44,5% do salário mínimo. “Em maio do ano passado o porcentual era de 44,3%, mas o salário mínimo era menor (R$ 678). Ou seja, mesmo com o salário mínimo tendo subido entre os dois anos, o porcentual que a cesta básica representa manteve-se praticamente estável na média nacional”, comenta o pesquisador do Instituto Assaf, Fabiano Guasti. “Isso significa que gastou-se mais, embora porcentualmente não tenha tido variação significativa”, explica.

Com base nisso, o Dieese calculou em maio que o salário mínimo necessário para satisfazer as necessidades básicas de uma família deveria ser de R$ 3.079,31, ou seja, 4,25 vezes o mínimo em vigor. No infográfico abaixo, o porcentual da cesta básica sobre o salário mínimo em 15 cidades cujo valor aumentou entre 2013 e 2014:

Em relação a maio de 2013, o preço da cesta aumentou em 15 de 17 capitais, ou em 88% das cidades pesquisadas. “É a inflação que dói no bolso, no dia a dia, porque envolve os alimentos de consumo básico”, diz Guasti. Entre os fatores que contribuíram para a alta está o clima e a sazonalidade da produção.

Entre as 15 altas, nove ficaram acima da inflação oficial do governo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que até maio acumulava alta de 6,38%. Nas capitais em que o valor aumentou, a variação média foi de 7%, sendo portanto 0,62% superior ao IPCA.

Duas capitais registraram queda: em Manaus houve recuo de 3,1% e em João Pessoa a cesta básica caiu 5% entre maio de 2013 e maio de 2014.

A cesta básica do Dieese é composta por carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, legumes (tomate), pão francês, café em pó, frutas (banana), açúcar, óleo de banha e manteiga. A quantidade varia de acordo com a região.

Pouco amigável

Celso Ming
O Estado de S.Paulo

Não há nenhuma indicação de como a presidente Dilma pretende restabelecer um mínimo de confiança caso vença as eleições

À TV árabe Al Jazeera, a presidente Dilma declarou segunda-feira que “precisamos de um Estado mais amigável tanto para os empresários como para os cidadãos”. Para não ir mais longe, é o reconhecimento de que o Estado não é suficientemente amigável para o empresário e para o cidadão.

Ficou faltando explicar o que a presidente Dilma entende por essa pretendida transformação do Estado. A campanha eleitoral poderia ser uma boa ocasião para tanto. Mas parece inútil esperar por isso.

Nos investimentos, que estão cada vez mais baixos, o Estado é inoperante e ineficiente. Os programas de concessão avançam muito lentamente, as várias repartições de administração do Estado não se entendem.

Há nove meses, a então ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que na ocasião coordenava os leilões de concessão de infraestrutura, denunciava a existência de um grande número de repartições do governo envolvidas nos projetos que se ignoram sistematicamente umas às outras. Apenas na área dos transportes rodoviários, apontava ela, um emaranhado de siglas composto pela própria Casa Civil, Ministério dos Transportes, Ministério da Fazenda, Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Ibama, encarregado dos licenciamentos ambientais, Tribunal de Contas da União (TCU) e, naturalmente, BNDES. Cada um com sua burocracia, sua cultura, seu ritmo, seu jogo.

As agências reguladoras operam mais como instâncias resultantes do loteamento do poder do que como organismos empenhados em fiscalizar o cumprimento do marco regulatório do setor de que estão encarregados.

O financiamento da máquina estatal é asfixiante tanto para o empresário como para o cidadão comum, na medida em que impõe uma carga tributária pesada demais. A Justiça, outro braço do Estado, é excessivamente lenta no desempenho de sua função de dirimir conflitos e punir desmandos, a ponto de deixar incerto e inseguro até mesmo o passado, como já denunciou o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan.

O problema não está apenas nas relações exageradamente complicadas entre Estado e empresários e Estado e cidadãos. Muita coisa se confunde com a atuação da própria administração.

O governo Dilma inteiro insiste em dizer que não há nada de errado na economia, que o crescimento baixo demais e a inflação alta demais são consequência da crise externa, e não de opções equivocadas da política econômica nem consequência da intromissão ou da má gestão dos organismos do Estado.

Entenda-se com esse tipo de diagnóstico, que não estamos mais nos tempos do presidente Lula, quando a turbulência global não produzia por aqui mais do que aquelas “marolinhas”. Agora, o governo não consegue sozinho enfrentar a crise, embora esta já não produza os vendavais e os vagalhões vistos em 2008.

A confiança na política econômica está abalada. É o que demonstram à exaustão os levantamentos sobre o estado de espírito na Indústria, no Comércio e no Consumidor . Não há nenhuma indicação de como a presidente Dilma pretende restabelecer um mínimo de confiança caso vença as eleições.

Coerente com o diagnóstico de que não há nada de errado na economia, para um possível segundo mandato, ela acena apenas com mais do mesmo e retoques de maquilagem, nada que garanta a virada do jogo hoje perdedor.

IBGE indica que a economia está entrando em estagnação

Wagner Pires
Tribuna da Imprensa

Os números do IBGE relativos às contas do primeiro trimestre foram avassaladores: recuo do consumo, recuo do investimento e avanço do PIB em apenas 0,2%, isto é, estagnação! Ou estagflação, se a estagnação ocorre simultaneamente à inflação.

Acredito na projeção feita pelos analistas do Banco Itaú de que a economia está encolhendo. Vamos aguardar os próximos números do IBGE.

O pepino agora é tentar abaixar as taxas de juros tendo, ainda, a inércia inflacionária pelas costas. Este ano, muito provavelmente teremos a inflação superando a banda superior de controle do BACEN, que é de 6,5%.

Por enquanto a possibilidade é que cheguemos a 7,63% de inflação anual, mas, acredito que este número vai subir até o fim do ano, a partir de agosto.

Com relação aos preços administrados que camuflam a inflação verdadeira, já havíamos previsto que seriam reajustados, mas, claro, após as eleições.

Tenho para mim que os números do IBGE relativos ao primeiro semestre que serão divulgados em 29 de agosto confirmarão a recessão econômica brasileira.

E a desgraçada falta de investimento deste maldito e retrógrado governo.

…………………………………………………………….

PS.: Tendência inflacionária atual: [(1,0055 x 1,0069 x 1,0092 x 1,0067 x 1,0046 x 1,004)^2 - 1] x 100 = 7,63%.

Governo segue empurrando a economia com a barriga

Tribuna da Imprensa
Vicente Nunes, Correio Braziliense

Dentro do governo, o que se ouve é que, dada a situação atual da economia, com inflação alta no acumulado de 12 meses — o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve se manter acima do limite de tolerância pelo menos até outubro —, o jeito será empurrar com a barriga e apostar nos marqueteiros da presidente Dilma Rousseff para convencer o eleitorado de que tudo vai muito bem.

Do ponto de vista prático, o governo não pode fazer nada. O elevado custo de vida não recomenda ao Banco Central baixar a taxa básica de juros (Selic), que está em 11% ao ano, e, na área fiscal, as agências de classificação de risco Standard & Poor’s e Moody’s estão ávidas por verem o superavit primário deste ano. Se a meta de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) não for cumprida, o rebaixamento do país será inevitável.

O governo ainda está contando com a força do crédito para segurar o consumo das famílias até o fim do ano e, assim, evitar um vexame do Produto Interno Bruto (PIB), mas são remotas as chances de os empréstimos e financiamentos sustentarem o ritmo da atividade.

JUROS ALTOS DEMAIS
Além de os bancos estarem arredios na hora de fechar operações, temendo o calote, elevaram os juros de uma forma espantosa. Enquanto a taxa básica da economia (Selic) subiu 3,25 pontos desde abril do ano passado, o custo do cheque especial saltou, no mesmo período, 25 pontos. Ou seja, seis vezes mais. Nos financiamentos de automóveis, a alta foi de 9 pontos.

Na visão do sistema financeiro, é mínimo o espaço para as famílias se endividarem. De cada 10 pedidos de empréstimos e financiamentos, no máximo dois estão sendo aprovados, mesmo assim, com garantias seguras de que os pagamentos das prestações serão feitos em dia. Mesmo aqueles que não têm por hábito entrar no cheque especial estão tendo os limites de crédito em conta-corrente reduzidos.

Os bancos justificam que o momento é de ajuste. Como a renda e o emprego já não crescem na velocidade do passado, restringiu-se muito a margem disponível nos salários para a tomada de dívidas. As instituições alegam ainda que são pouquíssimos os novos clientes conquistados pelo sistema nos últimos meses. Então, não há como expandir o crédito, como quer o governo.

SEM DEMANDA
“De que adianta termos linhas para emprestar se não há quem queira se endividar”, diz um executivo do sistema. “Temos percebido, entre os trabalhadores, um temor crescente do desemprego. Muitos chegam às agências assustados com a possibilidade de serem demitidos diante do fraco desempenho da economia. O pior é que a maioria já está com a corda no pescoço”, acrescenta. Ele diz mais: “A falta de espaço no orçamento para tomar crédito não se restringe às pessoas físicas. Também entre as empresas, os limites para dívidas estão estourados”.

No entender de técnicos da equipe econômica, há exagero no discurso das instituições financeiras. Com base em informações do Banco Central, eles garantem que o sistema está sadio e com folga para liberar crédito. A resistência maior está entre as instituições privadas, que, no discurso, dizem estar atuando normalmente, mas, na prática, botaram o pé no freio como há tempos não se via.

ARRUMANDO A CASA
Apesar das críticas ao que chama de má vontade dos bancos, parte do governo reconhece que, após forte expansão, com crescimento anual superior a 20%, o mercado de crédito ao consumo necessitava equilibrar as contas. A arrumação da casa, sobretudo depois das medidas macroprudenciais baixadas pelo BC no fim de 2010, resultou em menor quantidade de recursos disponíveis no sistema. E, provavelmente, fez cair o risco de calotes em série.

Brics engrossam a voz

Vinicius Torres Freire
Folha de São Paulo

Com banco e 'mini-FMI', grupo dá um passo para ir além da retórica na disputa de poder. Bom?

OS BRICS deixaram de ser mera conversa fiada desde ontem, quando criaram o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e uma espécie de "mini-FMI", o Acordo de Reservas de Contingência.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul pingaram dinheiro na mesa a fim de dar alguma substância e marca política a sua ação conjunta, mas quase retórica, contra o predomínio americano e europeu.

Se isso vai resultar em algum benefício para o Brasil, são outros quinhentos. Mas o bonde andou.

O dinheiro é pouco. O capital inicial para valer do NBD é de US$ 10 bilhões. Com apenas esse capital, mas se comportando como um banco multilateral mais agressivo, o NBD pode emprestar uns US$ 40 bilhões em uma década. Em tese, o dinheiro vai para a infraestrutura de países ainda mais pobres que nós.

O BNDES, por exemplo, tem ativos de US$ 334 bilhões, mais que os US$ 324 bilhões do Banco Mundial.

O Banco de Desenvolvimento da China tem o equivalente a US$ 1,2 trilhão em empréstimos, um quarto disso, estima-se, em empréstimos externos --sim, a China vem alugando e comprando boa parte do mundo pobre.

Aliás, para a China tudo isso é troco. O que os chineses estão dizendo para o mundo rico é: "Olhem a minha turma, com o fortão aí do quintal de vocês (Brasil). E vai ficar ainda maior".

O capital pingado pelos Brics é troco perto das reservas internacionais desses países (dinheiro em moeda forte, "dólar", guardado como seguro). A China tem US$ 3,8 trilhões em reservas. A Rússia, US$ 467 bilhões. O Brasil, US$ 368 bilhões. A Índia, US$ 321 bilhões.

O "mini-FMI" dos Brics teria US$ 100 bilhões, um fundo que poderia ser parcialmente sacado em caso de crise de financiamento externo. Não é lá grande dinheiro para as economias dos Brics, com exceção da África do Sul. Na verdade, mesmo o FMI não tem fundos para lidar com o tamanho dos desastres financeiros mundiais.

Note-se de passagem certa ironia ridícula nisso de o governo do Brasil criar um banco para se ajudar em caso de problema financeiro que, em parte, esse governo mesmo cria.

Esse sisteminha financeiro Brics pode, claro, se transformar em seguro para outros países, tomando parte do lugar do FMI e Banco Mundial, dominados por EUA e Europa.

Os Brics dizem que as contrapartidas exigidas não seriam aquelas do FMI. No entanto, qualquer instituição financeira precisa receber seus empréstimos de volta e tem de exigir garantias. Como os Brics vão fazer essa "nova política" financeira?

É fato que o FMI demonstrou incompetência criminosa e terminal nas crises de 1997 a 2008. Cobrindo-se de ridículo atroz, o Fundo dizia que o mundo seguia risonho e franco até a coisa explodir nas suas fuças. Pior, as contrapartidas que o FMI exigia para "socorrer" países causaram dano econômico e desastres políticos e humanitários.

As crises causadas pela finança mundializada e bucaneira foram um dos fatores que levaram os países de fora do centro do mundo a acumular imensas reservas financeiras a fim de se defender do caos.

Com PIBs ainda maiores, Brics e outros blocos agora começam a partir para o ataque no jogo da política financeira mundial.

Aporte do Brasil ao banco dos Brics virá do Tesouro, diz Mantega

Talita Fernandes
Veja online

Valor de 10 bilhões de dólares com que país deve contribuir não será transferido de uma vez, podendo ser integralizado ao banco em até sete anos

 (Nacho Doce/Reuters) 
A presidente Dilma Rousseff durante a  VI cúpula dos Brics, em Fortaleza 

O aporte de 10 bilhões de dólares que o Brasil fará ao banco dos Brics virá do Tesouro Nacional, afirmou o ministro Guido Mantega nesta terça-feira. O valor não será transferido de uma só vez, podendo ser integralizado ao banco em até sete anos. Ao todo, o banco dos Brics – cujo nome oficial é Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) – contará com capital inicial de 50 bilhões de dólares, podendo chegar a 100 bilhões de dólares. Todos os cinco países membros do grupo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) deverão fazer aportes no mesmo valor.

Mantega afirmou ainda que o banco poderá ter novos sócios e que outros países emergentes já sinalizaram intenção de investir. Contudo, os cinco membros criadores deverão manter participação mínima total de 55% no capital da instituição. "Teremos novos sócios porque muitos emergentes querem participar. Mas não querem participar porque querem o poder, e sim porque querem dinheiro", disse o ministro. Segundo o ministro, apenas sócios poderão sacar fundos da instituição. Já o Arranjo Contingente de Reserva (ACR), que servirá como uma espécie de fundo de reservas para os Brics, não terá nenhum outro sócio.

Questionado sobre as taxas de juros do banco, o ministro disse que ainda era cedo para falar sobre isso, mas acrescentou que serão "razoáveis". Ele destacou que o governo brasileiro terá ainda de submeter a criação do banco ao Congresso e que a nova instituição não competirá com o BNDES, principalmente porque, segundo ele, há escassez de crédito para investimento. Em sua avaliação, o banco fará com que as empresas do Brasil tenham mais facilidade para tomar crédito.

Tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o ministro Guido Mantega foram questionados sobre a possibilidade de o banco socorrer a Argentina, país que, devido à gestão incauta da família Kirchner, se encontra não só em descrédito no mercado internacional, mas também à beira do calote junto a credores externos. Dilma afirmou que antes de qualquer coisa, será necessário que a Argentina se associe ao banco e peça ajuda. "Nosso olhar para os países em desenvolvimento será generoso. Mas isso não significa que o banco não terá regras bem claras que garantam a sustentabilidade", disse.

Cúpula — 
Os chefes de governo dos Brics definiram nesta terça-feira os principais detalhes sobre o Novo Banco de Desenvolvimento, criado pelo grupo para fazer frente ao Banco Mundial no que se refere ao financiamento de nações em desenvolvimento. A decisão foi anunciada pela presidente Dilma Rousseff durante a VI Cúpula dos Brics, em Fortaleza.

O encontro entre Dilma Rousseff, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da China, Xi Jinping; e da África do Sul, Jacob Zuma; e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também definiu o tempo de mandato da presidência do NBD, fixada em cinco anos. A presidência da instituição será rotativa e o Brasil será o próximo a indicar um chefe para a instituição. A China, por ser a sede do banco, será o último país a presidi-lo. O Brasil ficará com a presidência do conselho de administração, enquanto o presidente do conselho de governadores será da Rússia. Haverá ainda uma subsidiária africana para o banco, chamada de Centro Regional Africano do Novo Banco de Desenvolvimento, que será estabelecida na África do Sul.

Brasil não se interessou em sediar o banco dos BRICS, mas todos os outros países queriam

Tribuna da Imprensa
Flavia Villela, Agência Brasil 


O Banco e o Fundo do Brics, que estão sendo criados na sexta reunião de cúpula do bloco, que termina hoje em Brasília, não serão competidores do Banco Mundial (Bird) nem do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas suplementares a essas entidades, segundo o embaixador José Alfredo Graça Lima, subsecretário de Política do Ministério das Relações Exteriores.

“Os financiamentos serão para projetos sustentáveis e de infraestrutura. O banco suplementa o Bird e o arranjo de contingente de reservas espelha o FMI. Os países do Brics têm propostas de reformas que não podem ser atendidas, especialmente pelo FMI. De certa maneira, a criação do arranjo contingente de reservas e do banco atende a essas necessidades”, disse ele.  “O foco da participação do Brics está na responsabilidade em uma ordem mais justa, não para ter mais poder. Nos dias de hoje não é importante apenas crescer, é preciso crescer com melhor distribuição da renda, e é disso que estamos justamente tratando na 6ª Cúpula do Brics”, completou.

CAPITAL INICIAL
O capital inicial autorizado do banco será US$ 100 bilhões e o capital subscrito do banco será US$ 50 bilhões, igualmente distribuídos entre os cinco países que integram o Brics. O primeiro escritório regional do banco será na África do Sul, a primeira direção da equipe de governadores será da Rússia e a primeira direção da equipe de diretores será do Brasil.

Depois da assinatura do acordo para sua criação, o banco terá que ser aprovado pelos Parlamentos dos cinco países. O fundo terá capital inicial de US$ 100 bilhões para fazer face a desequilíbrios nos balanços de pagamentos de algum dos países do Brics que venha a enfrentar dificuldades.

A expectativa é que outros países em desenvolvimento também possam tomar empréstimos do banco, mas os critérios para tanto serão definidos em um segundo momento, disse Graça Lima.

No seu entendimento, com esse aporte de recursos e foco no desenvolvimento sustentável, o banco deve influir em uma ordem econômica mais justa. “Isso é parte de uma estratégia não escrita, mas muito segura, dos países do Brics, de procurar influir, mas de maneira construtiva”, comentou.

BRASIL NÃO SEDIARÁ
A presidência do banco, que será rotativa, e a sede serão definidas na cúpula, bem como o conselho de administração e outras questões técnicas. O Brasil foi o único membro que não se candidatou a sediar o banco. As opções eram Xangai (China), Joanesburgo (África do Sul), Moscou (Rússia) e Nova Delhi (Índia). A escolhida foi Xangai e a primeira presidência do órgão será de um representante da Índia.

O primeiro escritório regional do banco será na África do Sul, a primeira direção da equipe de governadores será da Rússia e a primeira direção da equipe de diretores será do Brasil. A presidência do banco será rotativa entre os integrantes do bloco.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O desinteresse do Brasil em sediar o Banco é inexplicável. Havia interesse em sediá-lo no Rio de Janeiro, mas a delegação brasileira deixou para lá. Foi uma grande bobeada. É muito mais importante ter uma instituição desse porte em nosso país do que sediar uma Copa ou uma Olimpíada. (C.N.)

Brics se reúnem com líderes sul-americanos para ampliar influência do bloco

João Fellet
BBC Brasil 

Países apresentarão aos sul-americanos seu recém-criado Novo Banco de Desenvolvimento (NBD)


Chefes de Estado dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) se reúnem nesta quarta-feira em Brasília com líderes da América do Sul para tentar ampliar a influência do bloco entre países emergentes. O governo brasileiro espera que todos os chefes de Estado sul-americanos estejam presentes.

No encontro, que ocorrerá em meio à sexta cúpula dos Brics, iniciada na terça-feira em Fortaleza, os Brics apresentarão aos sul-americanos seu recém-criado Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).

Inspirada no Banco Mundial, a instituição financiará investimentos em infraestrutura em países pobres e emergentes que integrem ou não os Brics.

Em entrevista recente a jornalistas, o subsecretário do Ministério das Relações Exteriores José Alfredo Graça Lima disse que o Novo Banco de Desenvolvimento poderá se abrir a outros bancos multilaterais ou de desenvolvimento regionais.

Como, segundo Lima, os critérios para essas participações ainda não foram definidos, é possível que os líderes sul-americanos também tratem desse tema com os membros dos Brics.

O diplomata diz que o convite dos Brics aos chefes de Estado sul-americanos integra a estratégia do bloco de expandir suas ações, com prioridade aos países em desenvolvimento.

Na última cúpula do bloco, em 2013, na África do Sul, os Brics se reuniram com líderes de países africanos.

Em entrevista recente à TV estatal NBR, o embaixador Flávio Damico disse que a presença de líderes de outros países "é muito positiva tanto para os Brics, por enriquecer seus debates com outras perspectivas, e também permitir a outros países em desenvolvimento que conheçam melhor os Brics e suas potencialidades".

Adesão argentina
Nesta quarta, é possível que a Argentina reforce junto aos Brics seu interesse de integrar o bloco. Na semana passada, a agência oficial de notícias da Argentina, Telám, divulgou que a China apoiaria a entrada da Argentina no grupo.

Entre os demais membros do bloco, porém, não há consenso quanto à questão.

Damico lembrou que a composição dos Brics já mudou uma vez, com o ingresso da África do Sul, em 2010.

Ele mostrou-se contrário, porém, a novas adesões.

"Acreditamos que estamos com a composição ideal neste momento, mas isso não significa que os Brics estejam fechados ao diálogo com outros países em desenvolvimento e economias emergentes."

Na última semana, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, também expôs cautela quanto às aspirações da Argentina.

"A questão de aumentar o número de seus membros por enquanto não está em questão", ele afirmou à agência Prensa Latina, durante visita a Cuba.

Segundo observadores, a crise econômica vivida pela Argentina seria um dos principais entraves à sua adesão.

Crescimento inclusivo
O tema oficial desta cúpula dos Brics é "Crescimento inclusivo: soluções sustentáveis". O encontro desta quarta deve se iniciar às 11h, no Palácio Itamaraty, em Brasília.

A reunião se encerrará após o almoço, por volta das 15h.

Antes do encontro, a presidente Dilma Rousseff deverá se encontrar às 8h30 com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, no Palácio da Alvorada.

Na quinta-feira, será a vez de Dilma se reunir em privado com o presidente da China, Xi Jinping, que fará uma visita de Estado ao país.

Brasil pode sofrer novo 7X1 na economia, diz Financial Times

João Pedro Caleiro
Exame.com

Economia brasileira caminha para terminar 2014 com inflação próxima dos 7% e crescimento por volta de 1%, diz blog do jornal britânico

Victor Moriyama/Getty Images


São Paulo - O trauma da derrota para o time alemão por 7 a 1 na semifinal da Copa do Mundo pode ganhar em breve um equivalente econômico, segundo o Financial Times.

Um texto publicado hoje no blog Beyond Brics, do site do jornal britânico, diz que o Brasil pode fechar 2014 com inflação próxima de 7% e crescimento do PIB em 1%.

Em junho, a inflação no país desacelerou mas chegou a 6,52% no acumulado de 12 meses, acima do teto da meta do governo, de 6,5%.

A avaliação de economistas é que a pressão dos alimentos sobre os preços está diminuindo, mas que a inflação acumulada só vai voltar para abaixo do teto mais para o fim do ano. Em relação ao crescimento, as perspectivas só pioram. 

O último boletim Focus, uma sondagem do Banco Central que compila a opinião de vários economistas e instituições, prevê que 2014 vai fechar com inflação de 6,45% e expansão de 1,05% no PIB.

O texto do Financial Times termina com uma análise do que este cenário pode significar para as eleições de outubro:

"Alguns economistas começaram a falar sobre a possibilidade de uma recessão técnica em 2014 se os dados do PIB do primeiro trimestre forem revisados para baixo no mês que vem. Para os candidatos de oposição do Brasil, esse pode ser o 'gol contra' que eles estiveram esperando do PT - tudo que eles precisam para ganhar eleitores no que deve ser a disputa eleitoral mais disputada dos últimos 25 anos." 

Brasil continua líder mundial em juros reais

João Pedro Caleiro
Exame.com

Mesmo com a manutenção da Selic em 11%, Brasil segue em primeiro lugar no ranking mundial de juros reais (juros nominais menos inflação)

Marcos Santos/USP Imagens


São Paulo - Pela segunda vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu não mexer na Selic.

A taxa básica de juros da economia, que chegou a atingir 7,25% em março do ano passado, continua em 11%.

A manutenção, no entanto, é insuficiente para tirar o Brasil do primeiro lugar no ranking dos maiores pagadores de juros reais do mundo.

De acordo com um levantamento feito todos os meses pelo site MoneYou com 40 países, os juros reais do Brasil estão em 4,21%. O segundo lugar fica com a China, com 3,41%.

No final da lista aparecem Argentina e Venezuela, com juros de -14,70 % e -28,16%, respectivamente.

A conta é feita subtraindo a taxa de inflação dos últimos 12 meses da taxa de juros nominal.

Veja o ranking com 20 países:

País
Juros reais
1
Brasil
4,21%
2
China
3,41%
3
India
2,27%
4
Rússia
1,51%
5
Hungria
1,39%
6
Indonesia
1,22%
7
Polônia
1,08%
8
Colombia
1,07%
9
Taiwan
0,87%
10
Turquia
0,79%
11
Grécia
0,55%
12
Bélgica
0,30%
13
Coréia do Sul
0,20%
14
Suécia
0,15%
15
Filipinas
0,10%
16
Malásia
0,05%
17
Suiça
-0,10%
18
Chile
-0,14%
19
Espanha
-0,15%
20
Australia
-0,29%