quarta-feira, julho 23, 2014

O teatrinho de Xi Jinping no Congresso

Elio Gaspari
O Globo 

A diplomacia chinesa tem obsessão pelo ritual, e a do comissariado gosta de brincar com eventos. Durante a ida do presidente Xi Jinping ao Congresso, juntaram-se os dois num episódio constrangedor. Xi falaria na quinta-feira, mas temeu-se que não houvesse plateia e antecipou-se o evento para a quarta. Metade das poltronas ficaram vazias. Esse foi o problema de forma, mas haveria também o de conteúdo.

Esperar um discurso claro ou informativo de um dirigente chinês é ilusão democrática. Xi repetiu palavras simpáticas, até o momento em que, cripticamente, entrou na questão do controle da internet:

"Não há espaço para duplo critério na área de informática, onde todos os países têm o direito de defender a sua própria segurança informática. Não é aceitável que um ou alguns países fiquem seguros e outros não, para já não dizer obter a chamada segurança absoluta de um país à custa da segurança dos outros."

"Hoje em dia, o desenvolvimento da internet traz novos desafios para a defesa da soberania e interesses do desenvolvimento. Todos os países têm o direito de se defender. A comunidade internacional deve atuar com base nos princípios de respeito e confiança mútua, e estabelecer um sistema multilateral, democrático e transparente de administração sobre a internet."

À primeira vista, o presidente chinês condenou a espionagem do companheiro Obama. Lendo-se de novo, vê-se que defendeu a sua. Serão necessários mais 20 séculos para saber o que a China entende como "sistema multilateral, democrático e transparente de administração" da internet.

Por enquanto, a China é um modelo futurista de censura e espionagem na rede. Estima-se que sua polícia cibernética tenha um exército de dois milhões de pessoas. Bloqueiam palavras e sites, multam e prendem quem sai da linha. Um texto repassado mais de 500 vezes e lido por mais de 5.000 pessoas pode custar até três anos de prisão. A astúcia com que a China expandiu sua rede, tornando-a a maior do mundo ao mesmo tempo em que conseguiu controlá-la, é um exemplo da competência tecnológica. O companheiro Xi acha que esse modelo é bom para o seu país. Tudo bem, mas não devia tentar exportá-lo com raciocínios empulhadores.

Exposta, a espionagem eletrônica americana é discutida em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos. Já a chinesa está protegida pela ditadura de vitrine que governa o país. Cinco comandantes militares chineses foram denunciados pelo governo dos Estados Unidos por atividades de espionagem eletrônica. Não vai dar em nada, mas foram identificados.

Os discursos de chefes de Estado em visitas oficiais ao Brasil são negociados durante a preparação das cerimônias. O Itamaraty poderia ter sugerido ao companheiro Xi que tirasse as referências à internet de seu discurso no Congresso. Não se trataria de censura, mas apenas de boas maneiras.

Viagens presidenciais envolvem cuidados, e os chineses cuidam de sua parte, mas a diplomacia brasileira não cuida da sua. Em 2004, quando o presidente Hu Jintao veio ao Brasil, disse que em seis anos esperava aumentar o comércio do seu país com a América Latina para US$ 100 bilhões anuais. O tradutor terceirizado trocou comércio por investimento. Todos os embaixadores e cônsules chineses no Brasil falam português. Nenhum dos brasileiros fala mandarim. Em 2011, a doutora Dilma foi ao Império do Meio, e sua comitiva anunciou um investimento de US$ 12 bilhões da empresa Foxconn. Era lorota. Na volta, ela trouxe apenas uma gripe.

DILMÊS
No que se refere à ligeireza e à confusão das falas da doutora Dilma, ela deu uma boa amostra quando tratou da derrubada do jato da Malaysia Airlines:

"Acho prudente a gente tomar cuidado porque, ao mesmo tempo, tem um segmento da imprensa que diz que este avião que foi derrubado estava na rota da volta do presidente Putin, que coincidiu a hora."

Ganha uma viagem a Kiev quem souber o que é "um segmento da imprensa".

De qualquer forma, logo se soube que, mais ou menos à mesma hora do comentário de Dilma, Vladimir Putin tratou do assunto e não mencionou a suspeita. A doutora poderia verificar qual foi o segmento de sua assessoria que sugeriu a fala imprudente.

EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota e soube que 89% das escolas públicas têm computadores, mas só em 6% as máquinas são usadas pelos alunos nas salas de aula.

O cretino sabe que, se os computadores ficarem nas salas, poderão ser roubados. Ainda assim, ficou com a impressão de que, para um gestor do dinheiro da Viúva, é fácil comprar equipamentos, ganhando a simpatia dos fornecedores e engordando estatísticas. Duro mesmo é trabalhar na segurança e na manutenção das escolas.

TÁXI DO POVO
Para quem quer saber mais sobre o delicado quebra-cabeça da política interna chinesa e não tem paciência para ler sobre Confúcio, Mao Tse-tung ou até mesmo Deng Xiaoping, há um bom livro na rede. É "The New Emperors", de Kerry Brown, professor da Universidade de Sydney. Sai por US$ 15,12.

Nele aprende-se que Xi Jinping tenta popularizar-se deixando circular a história de que um dia tomou um táxi.

O MENSALÃO COMEÇOU ASSIM
Na tarde de quarta-feira, o deputado José Augusto Maia foi à tribuna da Câmara e denunciou que foi destituído da presidência do Pros de Pernambuco e excluído da lista de candidatos "por não aceitar uma proposta indecorosa e vergonhosa do presidente nacional do partido, Euripedes Junior (...), para me coligar ao PSB".

O Pros efetivamente coligou-se com o PSB. Há alguns meses, numa reunião do Pros ocorrida em Brasília, Euripedes Junior defendeu a necessidade de lutar pela nomeação de um ministro porque isso permitiria a obtenção de financiamentos de fornecedores e sua canalização para as campanhas. Nessa ocasião, houve um pequeno mal-estar. Se as doações fossem formais, não haveria por que falar em "proposta indecorosa e vergonhosa". Numa segunda reunião, numa narrativa de Maia, o assunto voltou a ser tratado, com mais detalhes.

Maia foi prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, esteve no PMDB e no PTB. Teve suas contas rejeitadas quatro vezes e, no último dia 6, anunciou que desistia de se candidatar à reeleição. Se ele era um barra brava, o Pros correu risco ao aceitá-lo, entregando-lhe a presidência da seção pernambucana. De qualquer forma, fica a esperança de que especifique a proposta "indecorosa e vergonhosa" que recebeu. Afinal, o deputado Roberto Jefferson, que detonou o mensalão, também passara pelo MDB e pelo PTB, além de ter sido um dos coronéis da tropa de choque do presidente Fernando Collor no Congresso.

Anatomia de uma estagflação

Samuel Pessoa
Folha de S.Paulo

A forte queda da atividade que ocorreu de 2013 para 2014 até o momento não fez cócegas na inflação

Na última coluna do ano passado, meu cenário sustentava crescimento da economia em 2014 de 1,8% ao ano e inflação de 6%.

Transcorrido o primeiro semestre, parece-me que a atividade corre para fechar o ano em medíocre 1%. A inflação deve ficar em 6,5% ou 6,7% se houver aumento de gasolina de 5%. O aumento provavelmente virá após as eleições, se a presidente Dilma conseguir se reeleger.

Ou seja, temos atividade para baixo e inflação para cima. A estagflação aprofunda-se.

Se olharmos o cenário inflacionário, o item com maior erro de previsão foi a inflação dos serviços. Esperávamos no final de 2013 que, devido ao fraco crescimento da economia, o mercado de trabalho começaria a dar sinais de maior folga, o que contribuiria para moderar a inflação de serviços. Esta deveria ficar mais próxima de 7,5% do que dos 8,5% em que deverá fechar este ano.

Nosso erro de previsão da inflação não ocorreu por causa de algum choque específico e não relacionado à política econômica. A elevação atípica nos preços de alimentos observada no primeiro semestre já foi parcialmente devolvida, enquanto a parcela do choque absorvida de forma permanente não explica a parte mais substancial da surpresa nos preços livres.

Com relação aos itens dos serviços – hotelaria e passagens áreas – que estiveram pressionados em junho em razão da realização da Copa, a expectativa é que terão seus preços normalizados entre julho e agosto.

Lembremos que a inflação de serviços nos 12 meses findos em junho encontra-se em 9,1%. Ou seja, para fechar o ano em 8,5%, terá que haver até o final de 2014 desinflação de 0,6 ponto percentual (ponto percentual). Isso não é nada desprezível em se tratando dos serviços, o item com maior inércia do índice. Essa redução de inflação de serviços fica por conta da devolução da inflação da Copa.

Limpando o efeito dos choques – alimentos e Copa -, a inflação deste ano de serviços e de bens livres em geral está seguindo a do ano passado. A inflação maior em 2014 em relação ao ano passado, 6,5% ante 5,8%, deve-se ao ajuste dos preços administrados, que deverão fechar o ano com aumento de 5%, bem acima dos 1,5% de 2013.

A forte queda da atividade que ocorreu de 2013 para 2014 até o momento não fez cócegas na inflação. A inflação parou de subir, mas não há sinais de que tenha começado a baixar.

Minha leitura é que a desaceleração tem sido causada pela política de elevação da taxa de juros, mas também pela desorganização da atividade produtiva que resulta do regime de política econômica adotado a partir de 2009.

Um exemplo claríssimo é a forte desaceleração da produção de veículos automotores. Seguidos planos de desoneração anteciparam consumo. Adicionalmente, uma política de fechar ainda mais o setor à importação estimula forte aumento da oferta, muito além da demanda. A carência de demanda e o excesso de oferta certamente requererão ajuste no setor. Ele vai desempregar.

No entanto, o ajustamento e a desaceleração do setor automobilístico não seguem prioritariamente da política monetária contracionista. O setor vai mal pois a política econômica desorganizou a sua dinâmica. Compreende-se melhor sua perda de dinamismo como perda de produtividade e de eficiência da economia.

A indústria automobilística é somente um exemplo do impacto desastroso de uma política microeconômica cujo princípio básico é ser discricionária e de uma política macroeconômica que reduz a previsibilidade e aumenta a expectativa de inflação. Em ambos os casos, trocam-se regimes e regras por medidas “ad hoc”, sem fundamento na teoria econômica padrão.

A demanda cai em razão da política monetária mais apertada e a oferta cai como resultado da desorganização produtiva induzida pela política econômica.

Oferta e demanda para baixo resultam em atividade em retração apesar da estabilidade da inflação.

O longo prazo chegou. Construímos a estagflação.

Dilma e a economia

Suely Caldas
O Estado de S.Paulo 

Na última semana pesquisas diversas constataram: o desempenho da economia piorou e vai piorar mais, caem os índices de avaliação do governo e de intenção de votos na presidente Dilma e cresce sua rejeição entre os eleitores, alcançando 35%, a taxa mais alta entre todos os candidatos. Cenário áspero, cada dia mais difícil para uma disputa eleitoral que há seis meses dava como certo um segundo mandato para a petista.

Desde o primeiro ano, 2011, a fragilidade do governo Dilma tem sido desordenadamente construída pelo vazio de um projeto para o País e por uma sucessão de erros na gestão econômica, que têm nas medíocres taxas de crescimento do PIB a inescapável resposta. Entre 2011 e 2013, a taxa média do PIB foi de 1,97% e, se conseguir alcançar 1% em 2014 (há apostas abaixo disso), Dilma terminará seu mandato com 1,7% - o terceiro pior desempenho econômico da história do País, depois dos presidentes Collor (-1,3%) e Floriano Peixoto (-7,5%).

Diferentemente de seu antecessor e padrinho: em oito anos de Lula, a expansão média do PIB ficou em 4%. Em 2010 a taxa subiu para 7,5% e ajudou (muito) a eleger Dilma. A situação agora se inverte e ela não consegue ajudar a si própria. É certo que Lula contou com a sorte de uma economia mundial próspera em seu primeiro mandato. E, no segundo, o País abalado com a crise financeira do mundo rico, Lula usou de artifícios para acelerar a economia e vencer a eleição em 2010, fez a sucessora, mas lhe entregou uma herança pesada que ela não soube desfazer e até aprofundou. Exemplo: o represamento de tarifas públicas e a preocupante situação financeira da Petrobrás.

Pesquisas recentes (retração de 0,18% na economia, medida pelo Banco Central, o BC; estagnação das vendas do comércio e serviços; desaceleração na geração de empregos) e outras antigas e renitentes (inflação colada no teto da meta; juros nas alturas; queda da produção industrial) não são surpresa para o governo Dilma. Elas têm sido captadas pelo Banco Central, para monitorar suas ações e decisões, e explicitadas em cada relatório trimestral da inflação que a diretoria do banco apresenta ao Senado. No último deles, no fim de junho, o BC manifestou preocupação com o baixo crescimento de todos os setores da economia e previu: em 2014 a agricultura vai despencar de 7% para 2,8%, a indústria retrocede 0,4% e serviços crescem só 2%. Depois das últimas pesquisas, certamente o BC está refazendo essas projeções.

Portanto, surpresa não é. Mas, a cada pesquisa de maus resultados, a equipe da presidente Dilma reage como avestruz: viu antes, mas finge que não viu, surpreende-se e descreve um mundo cor-de-rosa (e desacreditado) para o futuro, garantindo que o quadro será revertido nos meses seguintes. Na arte da ilusão o ministro Guido Mantega é campeão, mas a última foi do ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT): ao divulgar que a geração de 25,4 mil empregos em junho foi a pior desde 1998, ele reagiu: "Nos próximos meses vai expandir mais porque a presidente vai anunciar medidas de estímulo para as pequenas e médias empresas".

E tem sido assim. Se o emprego vai mal, se a indústria se retrai, se o consumo recua, o governo corre para tapar buracos. Desde 2006, quando Dilma venceu a disputa pelo comando da economia com o ex-ministro Palocci e a ordem passou a ser gastar mais, imediatamente surgiu a operação "tapa-buraco" em rodovias. Não se pensou em construir novas e carentes estradas, mas em queimar dinheiro cobrindo buracos nas existentes, que as chuvas e o desgaste do asfalto tratam de refazer.

A "mãe do PAC" fez um plano para o País acelerar o crescimento no presente e vencer disputas eleitorais, mas não se preocupou em desenhar estratégias e construir projetos para o futuro. E assim tem sido nestes quatro anos. Junte-se aí uma sucessão de erros de gestão (o represamento de tarifas de combustíveis e energia elétrica e os truques e mágicas nas contas públicas são os mais graves), e Dilma Rousseff colhe agora a descrença de quem pretende e tem potencial para investir, mas acaba adiando investimentos. E o mau desempenho da economia reflete isso.

Bestifique-se.

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Stanislaw Ponte Preta, um dos maiores cronistas do Brasil, autor do monumental Samba do Crioulo Doido, juntou o que lia e ouvia e lançou o Febeapá - Festival de Besteiras que Assola o País. Stanislaw morreu há 46 anos, mas o Febeapá vai bem, obrigado. Mas o crioulo doido do samba está superado. 
Três exemplos notáveis mostram o vigor do inesgotável Febeapá:

1 - O deputado federal Jean Willys, PSOL, militante da luta pelos direitos dos homossexuais, acha possível que o avião da Malaysia Airlines tenha sido derrubado por homofobia, porque nele havia cerca de cem pesquisadores da cura da Aids. "Diante desses fatos - e sem querer estimular teorias da conspiração - questiono se o fato de haver especialistas em HIV/AIDS a bordo terá sido mera coincidência ou pode apontar para outra explicação sobre o abatimento da aeronave numa região da fronteira entre dois países conservadores? É uma pergunta!"

2 - De Dilma: "É prudente tomar cuidado, porque tem um segmento da imprensa dizendo que o avião que foi derrubado estava na rota da volta do avião do presidente Putin. Coincidia com o horário e o percurso (...) Então, o governo brasileiro não se posicionará quanto a isso até que fique mais claro (...)" E, é óbvio, a ingênua segurança russa deixaria o presidente sobrevoar uma zona de conflito. 

3 - De Marina Silva (PSB), candidata a vice de Eduardo Campos, ao inaugurar o comitê central da campanha: "Será um polo estabilizador (...) para realizar a agregação dispersiva". E também, acrescentemos, para dispersar a agregação.

Apelo
Dunga voltou. Volta, Stanislaw Ponte Preta! Há muita gente no país fazendo uma força imensa para facilitar a organização de um novo Febeapá!

Os problemas 
Franklin Martins e João Santana não chegam a ser amigos. O PMDB é aliado do PT mas petistas cuidadosos não aceitarão um cafezinho oferecido por peemedebistas. Dilma adora seu ministro Gilberto Carvalho, desde que bem passado e com fritas. Mas o maior problema de Dilma, na campanha da reeleição, não tem muito a ver com o mau relacionamento de seu pessoal: o problema é a economia. A inflação cresce e aparece na feira. A economia cresce menos que a população (o que significa menos renda por pessoa). Economia estagnada com preços em alta explica por que Dilma perdeu pontos nas pesquisas. E, o que é interessante, sem que esses pontos sejam transferidos à oposição.

Dilma não tem problemas com os adversários, que até agora não mostraram muita capacidade de empolgar eleitores. Aquilo que perdeu, perdeu para si própria. Tem de mudar este jogo, ou corre o risco de ser batida por candidatos que pouco fazem para ganhar.

Aeroporto bobo
A palavra "candidato" vem do latim "candido", branco, a cor da toga de quem disputava algum cargo. A toga branca simbolizava um pretendente sem manchas. E ao candidato, como se dizia da mulher de César, não basta ser imaculado. Precisa também parecer imaculado. O aeroporto construído no Governo de Aécio Neves em Minas, em terras desapropriadas a seu tio-avô e cuja indenização ainda se discute nos tribunais, viola todas essas regras: por mais honesta que seja a operação, abre flanco para dúvidas. E há poucas coisas piores numa campanha do que ter de se explicar - ainda mais numa história dessas. 

Resumindo: o Governo mineiro desapropriou parte de uma fazenda da família da avó de Aécio, Risoleta Neves. No final do mandato de Aécio, construiu o aeroporto, por R$ 14 milhões. Como a desapropriação continua sendo debatida na Justiça, o aeroporto não pode ser homologado. Enquanto isso, quem quiser visitá-lo tem de pedir a chave aos donos da fazenda, da família Tolentino, parentes de Aécio. Dizem os tucanos que tudo tem explicação. Mas o simples fato de ter de explicar-se mostra que, em termos políticos, fazer o aeroporto no lugar onde está foi uma bobagem. 

Quem inventou o trabalho? 
O prefeito paulistano Fernando Haddad, PT, bem antes de completar dois anos de mandato, tirou férias pela segunda vez. Foi discreto: nada publicou no Diário Oficial, não disse quando volta. 

Talvez, ao descansar, esteja atendendo a Lula, que lhe pediu para ajudar a candidatura de Alexandre Padilha ao Governo.

Gato faminto
Perto das eleições, os Governos não podem fazer propaganda. Mas compensam: nos últimos meses, governos estaduais dos mais diversos partidos e o Governo Federal multiplicaram gastos publicitários (o levantamento é do Ibope Media). Nosso dinheiro foi amplamente utilizado para mostrar como temos governos maravilhosos, realizadores, padrão FIFA. 

Em maio, o Governo Federal gastou R$ 379 milhões em propaganda - 97% mais que em maio do ano passado, quando não havia eleições. Em junho, torrou R$ 419 milhões, 93% mais que em junho de 2013. Os governos estaduais gastaram R$ 163 milhões em maio (54% mais que em maio de 2013) e R$ 196 milhões em junho (130% mais que em junho do ano anterior). 

Quando vierem as histórias sobre falta de verbas para segurança, para salários de professores, para abastecer hospitais com remédios, para fazer aquilo que governos foram eleitos para fazer, parte da explicação é esta.

carlos@brickmann.com.br 
www.brickmann.com.br

Vocação bolivariana

 Ives Gandra da Silva Martins
O Estado de S.Paulo 

A edição do Decreto n.º 8.243/14 pela presidente Dilma Rousseff, instituindo conselhos junto aos diversos ministérios, com funções nitidamente de imposição às políticas governamentais, está na linha do aparelhamento do Estado, que pretende criar uma nova classe dirigente no estilo denunciado por Milovan Djilas em A Nova Classe, quando o fantasma soviético preocupava o mundo ocidental. Esse decreto objetiva tornar o Poder Executivo o verdadeiro e único poder, reduzindo o Congresso Nacional a um organismo acólito.

Tive a oportunidade de ler as Constituições da Venezuela, da Bolívia e do Equador, a pedido da Fundação Alexandre de Gusmão, quando era presidida pelo embaixador Jerônimo Moscardo, que veiculou o texto de todas as Constituições das Américas, com estudos de constitucionalistas de diversos países. Impressionou-me a imensa diferença entre os três textos e o da Constituição brasileira, que, no artigo 2.º, assegura a independência dos Poderes.

É de lembrar que o Poder Executivo, politicamente, não representa o povo por inteiro, mas apenas a sua maioria. E nos casos em que o chefe do Executivo foi eleito em segundo turno, nem a maioria. Por outro lado, o Poder Judiciário é apenas um poder técnico, sendo a Suprema Corte escolhida por uma pessoa só, o presidente da República.

A totalidade da representação popular está no Parlamento, constituído que é por representantes do povo, tanto os favoráveis ao governo como os contrários a seus detentores. Pode não ser o ideal, contudo representa a vontade de toda a sociedade.

Ora, nas três Constituições bolivarianas o Poder Legislativo é amesquinhado, ao ponto de, na Carta venezuelana, poder declinar de sua competência, transferindo-a para o chefe do Executivo. Os plebiscitos e referendos, nessas Constituições, podem ser convocados pelo presidente. No Equador, o presidente pode dissolver o Parlamento, mas se este o destituir, dissolve-se automaticamente. Na Bolívia, a Suprema Corte é eleita pelo povo, cuja manipulação pelo Poder Executivo não é difícil.

É que tais modelos conformam um sistema político de dois Poderes principais e três Poderes secundários, a saber: o Executivo e o povo são os principais; o Judiciário, o Legislativo e o Ministério Público, os secundários. Por conseguinte, como o povo é facilmente manipulado em regimes de Executivo forte, os modelos dos três países têm um único Poder - e a população é facilmente enganada.

Não se pode esquecer que o culto povo alemão foi envolvido por Adolf Hitler, o mesmo tendo acontecido com o povo italiano, por Benito Mussolini, para não falar dos russos nos tempos de Josef Stalin.

Voltando ao referido Decreto 8.243/14, pretende ele substituir a democracia das urnas por outra dirigida pelo Poder Executivo, com seus grupos enquistados em cada ministério. Então, se o Conselho da Comunicação Social, por exemplo, entender que deve haver controle da mídia, o Executivo, prazerosamente, dirá que o fará, pois essa é a "vontade dos representantes da sociedade civil organizada"!

A veiculação do decreto, em momento no qual se torna evidente o clamoroso fracasso da política econômica do governo Dilma, obrigará um futuro presidente da República, se sério e competente, a realizar um forte ajuste de contas. Caso decida extinguir os conselhos, poderá ser acusado de estar "agindo contra o povo"; e se os mantiver, terá dificuldades para governar.

Na eventualidade de ser a presidente reeleita, poderá impor os seus sonhos guerrilheiros, que ficaram claros quando, em atitude de adoração cívica, em recente visita a Fidel Castro, teve estampada a sua fotografia com o sangrento ditador cubano.

É isso o que me preocupa, em face da permanente proteção da atual presidente aos falidos governos boliviano, venezuelano e argentino, assim como a resistência em firmar acordos bilaterais com países desenvolvidos, sobre dar sinais de constante aversão à lucratividade das empresas, seja nas licitações, seja por meio de esdrúxula política tributária, indecente para um país como o Brasil.

Além do mais, o seu governo tornou a Petrobrás e a Eletrobrás instrumentos de combate à inflação pelo caminho equivocado do controle de preços. Tal política sinaliza que dificilmente ela fará os necessários reajustes na esclerosada máquina administrativa.

Com os tais conselhos criados, sempre que o governo tomar uma medida demagógica, poderá dizer que a "sociedade civil organizada" é que a está exigindo...

Por essa razão, é de compreender o discurso ultrapassado, do século 19, de luta contra as elites, apresentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preparando o terreno para medidas "a favor do povo" e contra "os geradores de empregos", que, na sua visão, são os ricos. Por isso também Vladimir Putin, que deseja restaurar o Império Soviético, é para a presidente Dilma Rousseff um parceiro melhor do que Barack Obama (EUA), representante, para ela, da "oligarquia econômica".

Como cidadão, respeitando a presidente pelo cargo que ocupa em razão de uma eleição democrática, tenho, todavia, cada vez mais receio de que o eventual risco de perder o poder leve seu grupo a ser dirigido pelos mais radicais, que se utilizarão dos ditos conselhos para, definitivamente, semear a cizânia, na renascida democracia brasileira.

Eleitores gostam de ser enganados. Gostam?

Percival Puggina
Tribuna da Imprensa

O economista e contador Darcy Francisco Carvalho dos Santos, membro, como eu, do Grupo Pensar+, publicou em Zero Hora do dia 19 um artigo que merece refelexões. O autor, que acompanha com regularidade e grande conhecimento a situação das finanças públicas do Rio Grande do Sul, afirma:

“Seja quem for o próximo governador, terá ele enorme dificuldade para manter a folha de pagamento em dia e cumprir os reajustes salariais já concedidos. Isso sem falar na recuperação dos investimentos e da melhoria dos serviços públicos, sabidamente insuficientes e de baixa qualidade“.

Passadas apenas 48 horas, Zero Hora trouxe na segunda-feira uma matéria em que colhe a posição dos oito (dos quais quatro são fake) candidatos ao governo gaúcho. Todos prometem mundos e fundos exatamente onde estão os problemas de precariedade dos serviços públicos e as deficiências da infraestrutura estadual. Há, de parte dos candidatos, uma boa pontaria para acertar no alvo das carências. E os fundos de onde virão? Como bem registra a matéria, sobre essa pauta recai o silêncio das mais insuficientes generalidades.

Embora as campanhas eleitorais sejam concebidas para um encontro dos cidadãos com a situação do Estado, repete-se, mais uma vez, diante de nossos olhos e ouvidos cívicos, o velho e surrado distanciamento da realidade, tão próprio da nossa pior tradição republicana. Parece que os eleitores gostam de ser enganados e que os marqueteiros dos candidatos têm plena consciência disso.

Escapismo, estádio e voto

Rogério Furquim Werneck 
O Globo

O vexame da seleção brasileira na Copa do Mundo poderá afetar as avaliações do eleitor

Em que medida o desastroso desempenho da seleção na Copa poderá afetar a eleição presidencial? O que se pode dizer sobre essa questão complexa que vem dividindo analistas do quadro eleitoral?

O governo sempre sonhou com a possibilidade de extrair fartos benefícios eleitorais da Copa. É claro que muitos dos seus devaneios iniciais foram superados pela realidade dos fatos. E, há alguns meses, diante das dificuldades encontradas na complexa organização do evento e do risco de que os jogos pudessem ser empanados por distúrbios violentos, o governo chegou a cruzar os dedos e simplesmente rezar para que as coisas dessem certo.

Receando que não dessem, o Planalto, de início, procurou guardar distância prudente do evento, especialmente após os lamentáveis insultos à presidente Dilma na cerimônia de abertura. Mas, aos poucos, ao constatar que, apesar dos temores, a organização do evento vinha sendo bem avaliada e que a seleção avançara até as semifinais, o Planalto decidiu voltar a se envolver mais de perto com o evento.

Ganhara força a esperança de que uma vitória do Brasil na Copa pudesse, afinal, dissipar o clima de desalento que tanto vem preocupando o governo. Ao discutir como reverter o “mau humor” de segmentos importantes do eleitorado em relação à presidente Dilma, no fim de junho, o ex-presidente Lula foi muito claro sobre a importância que vinha atribuindo a uma vitória da seleção na Copa. “Nós vamos ganhar esse caneco porque o Brasil está precisando.” (“O Estado de S. Paulo”, 25 de junho).

Tivesse a seleção sido simplesmente desclassificada, a frustração dessa expectativa de reversão do “mau humor” teria tido pouco impacto sobre o projeto da reeleição. Mas o que se viu no fatídico jogo de 8 de julho, no Mineirão, não foi uma mera desclassificação e, sim, uma traumática e humilhante derrota por 7 a 1 para a Alemanha. Que diferença isso pode ter feito?

Os mais propensos ao cartesianismo clamam pelo bom senso. Gente, foi só um jogo... Mas a verdade é que foi bem mais do que isso. Respaldado por longa reflexão sobre a antropologia do futebol, Roberto DaMatta nos lembra (“O Estado de S. Paulo”, 12 de julho) que, “numa Copa do Mundo, os times não são clubes, mas símbolos vivos de estados nacionais que, obviamente, vão além do futebol”.

País afora, o 7 a 1 deflagrou um processo generalizado do que os anglo-saxões chamam de soul searching. Cada um à sua maneira, perplexos, indignados e revoltados, estamos todos remoendo o desastre na Copa, em busca das razões profundas para desempenho tão lamentável, compelidos a aceitar fatos que nos recusávamos a enxergar. É um processo que promete ser prolongado e penoso. E que, longe de estar restrito à introspecção, deverá ser marcado por muita interação, troca de ideias e desabafos.

É bem possível que esse turbilhão de reflexão coletiva redunde em sério agravamento do que o governo rotula de “mau humor”. E que esse estado de espírito deixe o eleitorado bem mais refratário à campanha eleitoral etérea e escapista que o Planalto vem ensaiando, para tentar passar ao largo do outro espinhoso 7 a 1 com que o governo terá de lidar neste fim de mandato.

Não bastasse o risco de que a inflação ultrapasse 7% em 2015, quando o represamento eleitoreiro de preços administrados for afinal rompido, o PIB mal deverá crescer 1% em 2014. Por absurdo que possa parecer, a intenção do governo era passar batido por esse desastre, acenar com a vaga promessa marqueteira de “um novo ciclo histórico de prosperidade” e só falar da política econômica de 2015 depois das eleições.

Esse discurso escapista ficou agora bem mais difícil. Com o país inteiro engajado em intensa troca de impressões sobre os resultados desastrosos que podem advir da improvisação, do voluntarismo e da arrogância, as inevitáveis analogias entre o futebol e a economia vão se tornar cada vez mais frequentes.

O Planalto tem boas razões para estar preocupado. E não pode reclamar das analogias fáceis. Foi a presidente quem primeiro sugeriu que seu governo era “padrão Felipão”.

O presidente de Bobajal do Norte

Vinicius Torres Freire
Folha de São Paulo 

Programas de governo do país não podem se limitar a listas de "propostas" de gestão de condomínio

Uma crítica comum a candidatos a presidente reclama que se explique de onde sairá o dinheiro para financiar os lindos programas eleitorais. Na crítica, está implícita a sugestão de que os candidatos deveriam apresentar "propostas realistas", isto é, que caibam num Orçamento. Essa ênfase em exigir "propostas" que possam ser discriminadas como em um livro de contabilidade transforma a conversa política num debate de condomínio ou da prefeitura de Bobajal do Norte.

Óbvio que o candidato dado a apresentar projetos que não cabem todos no Orçamento demonstra despreparo provinciano ou tendência ao estelionato político-administrativo. Mas a recíproca pode não ser muito razoável também: listar "propostas" e seus fundos não resolve um programa de presidente.

O governo exige não apenas ideias de como criar e arranjar recursos, mas também de como criar condições políticas e institucionais que permitam a solução de problemas.

Considere-se uma lista muito básica, embora fundamental, de problemas brasileiros. A violência bárbara (umas 100 mil pessoas mortas por ano devido a tiro, facada e acidente de trânsito). A escola ruim. A desigualdade. O baixo crescimento econômico.

Para um bom começo de conversa, esses assuntos não podem ser formulados em termos de dinheiro ou de projetos com nome de fantasia marqueteira, "Brasil Fofinho", "Mais Tudo", "ProTudoBrás" etc.

Alguns desses problemas fundamentais nem são de alçada direta ou exclusiva do Executivo federal (segurança, educação), mas devem ser objeto de um programa liderado politicamente pelo presidente.

O caso da violência demanda talvez reformas institucionais (organização das polícias), política de fronteiras, drogas, armas etc. Antes de arrumar o dinheiro para tais providências, quais são as reformas que criam condições de solução dos problemas?

Antes de reservar 10% do Orçamento, do PIB ou dos tesouros do céu para a educação, seria bom conversar sobre o que é preciso fazer para que as crianças aprendam o básico em qualquer canto do país, o que demanda discussões tidas como tediosas sobre Federação, currículos nacionais e qualidade de aulas e livros. Havendo ou não fundos bastantes, o que faremos com eles?

Desigualdade é um tema avassalador de complicado, imenso e caro. Mas nos limitamos a discutir programas de renda mínima, necessários, mas insuficientes, para dizer o mínimo.

Muita miséria brasileira está no fato de milhões viverem em um mundo marginal, sem qualificação, isolados geograficamente, sem infraestrutura e à margem de mercados e da Justiça, atolados em atividades improdutivas (serviços-bico, agricultura de subsistência, coletas). Não haverá dinheiro direto para resolver a situação horrível da vida dessas pessoas. Antes de investir, é preciso ter um diagnóstico prático do nosso sistema de exclusão.

Sobre política macroeconômica, nem é preciso dizer muito. É de graça fazer bobagem ou, pelo menos, um bom arroz com feijão (mas consequência pode ser muito cara). Mas também não há debate eleitoral de política econômica, menos ainda de reforma econômica: dos meios de arranjar dinheiro.

Enfim, do que estamos falando?


Quase um milagre econômico

O Estado de S.Paulo
Editorial

Será quase um milagre econômico. A presidente Dilma Rousseff poderá encerrar seu quarto ano de mandato com a economia brasileira crescendo menos que a dos Estados Unidos e a da zona do euro e muito menos - como há anos - que a da maior parte dos emergentes. Pela primeira vez o crescimento econômico previsto para este ano ficou abaixo de 1% na pesquisa realizada pelo Banco Central (BC), semanalmente, com cerca de 100 economistas de instituições financeiras e de consultorias. Na oitava queda consecutiva, a expansão estimada para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,05% para 0,97%. Em contrapartida, a inflação projetada para 2014 diminuiu ligeiramente, de 6,48% para 6,44%, mas continuou muito longe da meta, 4,5%, e muito próxima do limite de tolerância, de 6,5%. Além disso, a previsão para o próximo ano subiu de 6,10% para 6,12%, acompanhando uma projeção pouco melhor para o PIB - aumento de 1,5%.

Economias mais afetadas pela crise iniciada em 2008 já têm desempenho melhor que o da brasileira. As últimas projeções publicadas pelo FMI apontam para os Estados Unidos crescimento de 2% neste ano e de 3% em 2015. Para a zona do euro as estimativas são de 1,1% e 1,5%. Previsões de outras entidades multilaterais e de instituições privadas ficam em torno desses números.

Um novo panorama da economia global será divulgado pelo FMI na próxima quinta-feira. Alguns números serão certamente alterados, mas é fácil prever um detalhe: o Brasil continuará perdendo a corrida para outros países emergentes e em desenvolvimento e para vários desenvolvidos, com crescimento menor e inflação muito maior.

A estimativa pouco menor de inflação em 2014 pode ser compatível com a piora da previsão para o PIB, mas seria muito arriscado apontar nesses números um indício mais claro de estabilização dos preços. A inflação continuará elevada por muito tempo, segundo as estimativas do mercado e também do BC, responsável principal pela política anti-inflacionária. Diante da perspectiva de atividade ainda muito fraca, os economistas consultados na pesquisa semanal continuam projetando juros básicos estáveis até o fim do ano: a taxa básica, a Selic, deverá continuar em 11%.

Para 2015, no entanto, a expectativa é de juros maiores, embora o crescimento econômico esperado ainda seja abaixo de medíocre. A taxa Selic estimada para o próximo ano, de 12%, tem aparecido no relatório do BC há várias semanas. Não se espera, portanto, contribuição importante da gestão orçamentária para a estabilização dos preços. Se houver algum ensaio de austeridade, ainda será insuficiente, mesmo acompanhado de novo aumento dos juros, para derrubar a inflação para menos de 6% ao ano.

O baixo crescimento econômico estimado para este ano e para o próximo está fortemente associado ao mau desempenho projetado para a indústria. Para 2014 a expectativa é de uma produção industrial 1,15% menor que a do ano passado. Na pesquisa realizada quatro semanas antes já se projetava um produto industrial em queda de 0,14%. Para 2015 ainda se calcula algum crescimento para a indústria, mas muito baixo. Em quatro semanas a estimativa caiu de 2,3% para 1,7%.

De acordo com a avaliação dos especialistas consultados pelo BC, a indústria continuará, portanto, muito perto da recessão. Além disso, o crescimento esperado para 2015 ficará muito abaixo do necessário para uma retomada efetiva, depois de três anos muito ruins.

A fraqueza da indústria está refletida nos números muito ruins do comércio exterior. O saldo comercial de mercadorias ficará em apenas US$ 2 bilhões em 2014, segundo a pesquisa. A estimativa para 2015 caiu de US$ 10 bilhões, há quatro semanas, para US$ 9,4 bilhões e depois subiu para US$ 9,8 bilhões na última sondagem. Todos esses números ficam muito abaixo das necessidades brasileiras, porque nem de longe compensam o déficit estrutural das contas de serviços e de rendas. Esse quadro reflete, com muita clareza, o fracasso das políticas industrial e de comércio exterior mantidas há quase 12 anos.

Para governo, não há milagre que estimule alta do PIB em 2014

Valdo Cruz
Folha de São Paulo

A forte desaceleração da economia brasileira nos últimos meses preocupa o governo Dilma Rousseff, mas a avaliação é que, no curto prazo, não há "milagre" a ser feito para reativar o ritmo do país neste ano eleitoral.
Segundo assessores, não adianta remar contra a maré e inventar pacotes para estimular a economia porque o empresariado e os consumidores não estão dispostos a investir nem gastar mais até que fique definido quem será o próximo presidente.

O discurso interno no Planalto é que, depois das eleições, o país voltará à normalidade aos poucos porque não haveria "motivos concretos" para o pessimismo atual quanto ao futuro econômico.

O país passa, segundo o governo, por um momento de "expectativas negativas", que abalaram a confiança de empresários e consumidores. Isso não significa, porém, que o ano está "perdido".

O governo continua apostando que o crescimento da economia não será tão ruim quanto as previsões do mercado, que já apontam para uma expansão do PIB abaixo de 1%, ante 2,5% em 2013.

A equipe econômica, reservadamente, avalia que a economia tem condições de crescer ao menos 1,5%. Esta previsão, porém, não é consenso dentro da própria equipe.

Depois dos últimos dados ruins da economia, inclusive na geração de empregos, setores do governo já começam a trabalhar com a hipótese de o PIB ficar na casa de 1%.

Editoria de Arte/Folhapress



Apesar da expectativa negativa quanto ao curto prazo, um assessor diz que isso não significa que o governo jogou a toalha e está parado esperando a eleição passar.

Ele diz, por exemplo, que o governo já está obtendo vitórias no combate à inflação, com os índices mensais recuando, apesar de a inflação acumulada em 12 meses ainda estar muito elevada –6,52% em julho, acima do teto da meta oficial (6,5%).

A ordem, afirma, é seguir vigilante na política anti-inflacionária. Pior do que o baixo crescimento seria um repique na inflação nos próximos meses, o que traria mais desgastes para a presidente na campanha eleitoral, já que o tema está sendo explorado pelos adversários na eleição.

O governo sabe que os próximos dados sobre o crescimento da economia podem ser mais negativos. O PIB do segundo trimestre, que sai em agosto, pode ter encolhido.

Em junho e julho a indústria deve registrar queda mais forte ainda, já que a Copa, apesar de ter sido um sucesso como evento, diminuiu o ritmo do setor. Além disso, consumidores frearam os gastos no período do torneio.

Por outro lado, esse desaquecimento terá um efeito mais forte sobre a inflação, que deve seguir recuando nos próximos meses.

A expectativa da equipe presidencial é que terceiro trimestre continue fraco e que uma recuperação só aconteça no último trimestre do ano, quando o cenário eleitoral já estará definido. 

Panorama pós-Copa leva Dilma a tomar medidas contra declínio

Exame.com
Raymond Colitt, Bloomberg

Desaceleração econômica voltou ao centro da cena, renovando as dúvidas sobre a capacidade da presidente de conquistar um segundo mandato

Reuters 
Dilma Rousseff: atual cenário eleitoral 
está apertado demais para prever um vencedor

 Brasília - A euforia pela Copa do Mundo acabou e a desaceleração econômica do Brasil voltou ao centro da cena, renovando as dúvidas sobre a capacidade da presidente Dilma Rousseff de conquistar um segundo mandato nas eleições de outubro.

Duas pesquisas publicadas desde 17 de julho mostram que sua vantagem frente ao desafiador Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), está se reduzindo depois que a organização da Copa no Brasil entre 12 de junho e 13 de julho aumentou seu apoio.

Sua liderança sobre Neves em um possível segundo turno caiu dentro da margem de erro em ambas as pesquisas pela primeira vez, o que significa que a concorrência é apertada demais para determinar um vencedor.

Embora as pesquisas mostrem que os eleitores desejam uma mudança nas políticas do governo à medida que o crescimento desacelera a e inflação acelera, Dilma pode se gabar de uma redução da pobreza e conta com mais tempo de propaganda na televisão, bem como o apoio do seu mentor e antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, para frear o declínio do seu apoio, disse Mauro Paulino, diretor executivo da empresa de pesquisas Datafolha.

“Ela ainda tem muitos trunfos na manga”, disse Paulino, cuja empresa mostrou que a liderança de Rousseff se reduziu em uma pesquisa realizada em 15 e 16 de julho, em entrevista por telefone. “Esta eleição continua totalmente aberta”.

A pesquisa da Datafolha concluiu que Rousseff obteria 44 por cento dos votos em um segundo turno contra Neves, que reuniria 40 por cento.

A brecha de quatro pontos porcentuais se compara com uma diferença de sete pontos porcentuais em uma pesquisa da Datafolha realizada em 1 e 2 de julho e cai dentro da margem de erro de mais ou menos dois pontos porcentuais.

Panorama econômico
Durante boa parte do mandato de Dilma, uma economia em desaceleração foi contida pela crescente criação de empregos e pela demanda de consumo. Dados publicados no mês passado mostram que isso está mudando.

Na semana passada, o governo disse que a economia criaria cerca de 1 milhão de empregos neste ano, frente a seu prognóstico prévio de até 1,5 milhão.

A confiança do consumidor medida pela Fundação Getúlio Vargas, instituição de educação e pesquisa com sede no Rio de Janeiro, está perto do seu nível mais baixo em cinco anos. Em junho, as vendas de carros caíram 17 por cento em relação há um ano.

A inflação anual, que não está no centro da meta dentre 2,5 por cento e 6,5 por cento desde a posse de Dilma, ultrapassou o teto pela primeira vez em um ano em junho.

Economistas consultados em 18 de julho reduziram suas previsões de crescimento do PIB para 2014 pela oitava vez consecutiva para 0,97 por cento. O PIB se expandiu 2,5 por cento no ano passado.

‘Mais futuro’
Com a pesquisa da Datafolha mostrando que quase três de cada quatro brasileiros desejam que o próximo governo adote políticas diferentes, o partido de Dilma realizou campanhas publicitárias prometendo uma mudança sem riscos caso ela seja reeleita.

Seu slogan de campanha é “Mais Mudanças, Mais Futuro”.

Neves promete expandir e melhorar a eficiência de programas de previdência social como a iniciativa de transferência de dinheiro Bolsa Família, além de garantir que o Brasil superaria o crescimento lento e a inflação acima da meta que estão corroendo a renda de trabalhadores e famílias.

Diferentemente dos EUA, onde as campanhas começam quase um ano antes das eleições, a corrida eleitoral no Brasil não começa de verdade nem captura a atenção do público até dois meses antes da votação em 5 de outubro, disse Carlos Manhanelli, consultor de marketing eleitoral em São Paulo.

Isso aumenta a influência potencial dos anúncios, disse ele.

O ex-presidente Lula, que saiu do cargo como o líder mais popular desde a volta da democracia ao Brasil em 1985, se compromete a fazer campanha por Dilma.

Embora ele tenha negado várias vezes que tomaria seu lugar como candidato se ela não se saísse bem nas pesquisas, Paulino, da Datafolha, disse que ele conseguiria atrair muitos eleitores em nome dela.

“Lula ainda é o maior decisor eleitoral do País”, disse Paulino.

Governo corta previsão de crescimento do PIB em 2014 para 1,8%

Adriana Fernandes, Renata Veríssimo e Laís Alegretti 
O Estado de S.Paulo

Apesar do recuo, projeção é mais otimista que a média do mercado, que espera alta menor que 1% do PIB; expectativa para a inflação subiu para 6,2%

Diante do fraco desempenho da atividade econômica no primeiro semestre, a equipe econômica foi obrigada a reduzir de 2,5% para 1,8% a projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2014. Apesar do recuo, a nova estimativa ainda é considerada otimista. Os analistas do mercado financeiro projetam, segundo a última pesquisa semanal Focus do Banco Central, uma alta de apenas 0,97% do PIB este ano. Já o BC projetou um crescimento de 1,6% no Relatório Trimestral de Inflação de junho.

A nova projeção de PIB do governo foi incluída no relatório bimestral de reprogramação do Orçamento, divulgado nesta terça-feira, 22, pelo Ministério do Planejamento. A estimativa de PIB é usada como parâmetro para as projeções de receitas e despesas.

No relatório, o governo elevou também a projeção de IPCA para o ano de 5,60% para 6,20%. O valor está abaixo da projeção de inflação do BC de 6,4% para 2014. O mercado, na pesquisa Focus, projeta que o IPCA terminará o ano em 6,44%. A previsão de IGP-DI em 2014 foi mantida em 7,25%.

Extra. 
O governo contará com receitas extraordinárias de R$ 27,016 bilhões de julho a dezembro de 2014. Somente com a reabertura do Refis da Crise é esperada uma arrecadação extra de R$ 18 bilhões. No relatório anterior, a previsão de receitas com o Refis era de R$ 12,5 bilhões. 

No relatório anterior, a previsão de arrecadação extra era de R$ 24,338 bilhões entre maio e dezembro desse ano. De janeiro a abril, as receitas extraordinárias já somaram R$ 4,1 bilhões. 

Também foram incorporados R$ 2,2 bilhões às estimativas de receitas não administrada pela Receita Federal. Desse total, R$ 2 bilhões são referentes ao bônus de assinatura da Petrobrás pelo excedente da exploração de petróleo e gás da camada de pré-sal. O restante se refere, segundo o relatório, à "atualização das estimativas das fontes próprias, convênios e doações, considerando as novas informações fornecidas pelos órgãos e entidades da União que têm valores a receber no ano de 2014". 

O relatório divulgado não fez referência à previsão de receita com concessões e dividendos.

De GE a JBS, empresas disputam os bilhões da iluminação pública no País

Marina Gazzoni  
O Estado de S.Paulo

Após determinação da Aneel, municípios devem delegar a gestão desses ativos à iniciativa privada - mudança que já começa a se desenhar em São Paulo; estimativa é de que só a troca de lâmpadas nos postes do País movimente R$ 40 bilhões

 Prefeitura de SP recebeu 11 propostas

Fabricantes de lâmpadas, distribuidoras de energia, investidores da área de infraestrutura e diversas outras empresas estão se preparando para entrar em um negócio novo para muitos deles: a gestão de iluminação pública. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou que as prefeituras assumam a gestão desses ativos até 31 de dezembro e muitas devem fazer parcerias com a iniciativa privada - negociação que já está em curso em São Paulo.

As empresas querem aproveitar a mudança de gestão para vender projetos de eficiência energética, focados na adoção de tecnologia LED. O potencial de negócios com a troca da lâmpada para o LED nos cerca de 20 milhões de postes do País é estimado em R$ 40 bilhões, cifra que pode se tornar maior com a oferta de novos serviços "agregados" aos postes.

A primeira disputa por esses negócios já começou. A Prefeitura de São Paulo abriu consulta pública para receber propostas para modernizar sua rede de iluminação, de 561 mil postes, e recebeu 11 projetos. A Prefeitura quer que o sistema seja automatizado, capaz de identificar sozinho quando uma lâmpada não funciona e de alterar a intensidade de luz caso necessário.

O Estado teve acesso às propostas apresentadas. Os estudos de viabilidade econômica são diferentes, mas apontam para investimentos de até R$ 5,5 bilhões e receitas que podem chegar a R$ 23,7 bilhões em 30 anos, segundo as maiores estimativas apresentadas.

Entre as empresas que fizeram propostas estão as fabricantes de lâmpadas General Electric (GE), Philips e Unicoba, a consultoria KPMG, as concessionárias de energia CPFL e AES Eletropaulo, a J&F Infraestrutura (do mesmo grupo do frigorífico JBS) e diversas empresas que prestam serviço de instalação, manutenção e consultoria para o setor elétrico.

O processo está em fase de consulta pública, mas algumas já fecharam parcerias e apresentaram projeções financeiras. A Philips e a AES Eletropaulo, por exemplo, querem entrar juntas no negócio e calculam receita potencial de R$ 8,13 bilhões em 30 anos. A projeção das empresas é investir R$ 2,7 bilhões no período, sendo R$ 1,2 bilhão em troca de lâmpadas.

A maioria das propostas segue um modelo parecido com outras concessões de infraestrutura, como rodovias ou aeroportos - não há referência no Brasil para PPPs de iluminação pública desse porte. Os concessionários investem nos primeiros anos e recuperam esses valores no longo prazo. No estudo do consórcio de GE, Citéluz e Engeform, por exemplo, o investimento se paga em 13 anos.

Além de participar da PPP de São Paulo, a GE criou uma divisão para captar projetos de iluminação em várias prefeituras. "Hoje só 2% dos postes têm iluminação LED. Vamos oferecer a solução no País inteiro", disse o presidente da GE Lighting para a América Latina, Rodrigo Martins. Segundo ele, a empresa tem "estudos avançados" para construir uma fábrica de LED no Brasil, que só depende do fechamento de contratos.

A Philips afirma que vai ampliar sua fábrica, em Varginha (MG), se fechar negócios. O argumento das fabricantes de lâmpada é que o LED trará economias de energia de cerca de 50%. Só em São Paulo, a troca gera uma economia de energia capaz de abastecer uma cidade como Florianópolis.

Apesar de apostar na tecnologia, a CFPL Energia ainda vê com ceticismo a transição. "Nem todas as prefeituras terão condições de migrar para o LED neste momento. Cada lâmpada custa cerca de oito vezes o valor da luminária de sódio", disse o diretor de engenharia da CPFL, Paulo Bombassaro. A empresa hoje faz a gestão da rede pública de 500 municípios da área de concessão, serviço que voltará às prefeituras em 2015. "O diferencial desse negócio é o serviço, e não a lâmpada. Vamos disputar todos os contratos de prefeituras que nos convidarem."

Serviços adicionais. 
A mudança no sistema de iluminação da capital paulista abre oportunidades de oferta de outros serviços. O consórcio formado por J&F Infraestrutura, Alusa e FM Rodrigues propõe, por exemplo, construir uma rede de fibra óptica para conectar o sistema de iluminação, que pode gerar receitas adicionais de R$ 7,4 bilhões em 30 anos. A proposta também prevê oferta de banda larga e até venda de crédito de carbono.

Outros projetos, como os apresentados pela KPMG e pelo consórcio Renova (formado por seis empresas), também preveem a oferta de serviços como recarga de veículos elétricos, monitoramento de tráfego e Wi-Fi grátis em locais públicos por meio dos postes.

A Secretaria de Serviços encerrou a análise das 11 propostas na semana passada e encaminhou a cinco secretários municipais. Após o parecer deles, a Prefeitura vai lançar o edital para a licitação. Aí a disputa pelo contrato começará de fato.

Procuradoria-geral revisa impacto de planos econômicos para R$ 21,87 bilhões

Victor Martins  
O Estado de S.Paulo

Estimativa anterior de possível prejuízo para os bancos caso eles percam a disputa em torno dos planos econômicos era de R$ 441,7 bilhões

O possível prejuízo para os bancos, caso eles percam a disputa em torno dos planos econômicos e do impacto no saldo da poupança, foi reduzido de R$ 441,7 bilhões para R$ 21,87 bilhões. A reestimativa foi feita pela Procuradoria Geral da República (PGR), que enviou hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF) o novo número.

Segundo o documento, anteriormente, a PGR havia levado em conta o saldo da poupança à época dos planos econômicos. O valor de R$ 441,7 bilhões correspondia a 20% dos saldos totais, no período de cada plano, número que foi corrigido até setembro de 2008. 

Agora, a instituição passou a considerar a faixa livre de exigências de aplicação da poupança, aqueles recursos que não tem obrigação de serem aplicados em financiamento imobiliário ou crédito rural. Na prática, a PGR diz que o lucro dos bancos com os planos econômicos foi de R$ 21,87 bilhões. 

O Banco Central, procurado para comentar os novos números da PGR, informou que o procurador-geral do BC não teve acesso à nova estimativa sobre os ganhos dos bancos na época dos planos e nem terá antes dos relatores. O BC informou ainda que seu procurador esteve em audiência na Procuradoria-Geral da República uma vez, conforme registro veiculado em sua agenda pública do dia 25/6, quando expôs os argumentos do BC sobre os equívocos metodológicos da estimativa anterior. 

O julgamento das cadernetas foi adiado no STF em 28 de maio, quando a PGR pediu novo prazo para rever os números de impacto. O julgamento ainda não tem prazo para recomeçar.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Em razão da disparatada diferença entre o cálculo inicial e este último, seria aconselhável que o STF nomeasse um perito para refazer os números e se chegar a uma realidade factível com as reais perdas provocadas pelos planos econômicos. 

Nem o primeiro valor estava correto, dada o astronômico valor apontado, tampouco este pode ser considerado correto, devido a sua redução irracional. Assim, um terceiro cálculo, feito por perito independente nomeado pelo STF poderia apontar um valor de indenização mais de acordo com a realidade.  

IPCA-15 desacelera a 0,17% em julho, acumula alta de 6,51%

Exame.com
Camila Moreira, Agência Reuters

Prévia foi beneficiada pelos preços de transportes e alimentos, mas em 12 meses inflação estourou o teto da meta do governo

Arquivo 
Inflação: medianas das expectativas apontavam 
alta de 0,20% na base mensal e de 6,55% em 12 meses

São Paulo - A prévia da inflação oficial no país desacelerou em julho, com alta de 0,17 por cento sobre o mês anterior, beneficiada pelos preços de transportes e alimentos, mas em 12 meses estourou o teto da meta do governo ainda que abaixo do esperado.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acumulou em julho alta de 6,51 por cento em 12 meses, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, abaixo do esperado pelo mercado.

As medianas das expectativas em pesquisa da Reuters apontavam alta de 0,20 por cento na base mensal e de 6,55 por cento em 12 meses.

Em junho, o indicador havia mostrado alta de 0,47 por cento, acumulando em 12 meses avanço de 6,41 por cento. A meta do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Este mesmo IPCA que baliza a meta de inflação acumulou em 12 meses até junho alta de 6,52 por cento.

A última vez em que a inflação superou o teto da meta ao final do ano e que o BC teve de publicar uma carta aberta foi em 2003, no primeiro ano do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando a alta do IPCA foi de 9,3 por cento.

Em 6,51 por cento, no entanto, o Banco Central ainda não teria de dar explicações por meio de carta aberta porque adota a metodologia da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para eventualmente arredondar a segunda casa do IPCA após a vírgula.

Alimentos e transportes
Os principais responsáveis pelo resultado de julho do IPCA-15 foram os grupos Transportes e Alimentação e Bebidas. O primeiro, segundo o IBGE, recuou 0,85 por cento em julho após alta de 0,50 por cento no mês anterior, com impacto negativo de 0,16 ponto percentual no índice do mês.

Já Alimentação e Bebidas registrou variação negativa de 0,03 por cento, sobre alta de 0,21 por cento em junho, com impacto negativo de 0,01 ponto percentual.

Para tentar segurar a inflação, o Banco Central elevou a Selic para o atual patamar de 11 por cento durante um ciclo de aperto monetário que durou um ano.A maioria dos agentes econômicos não espera que o BC mude a Selic neste ano, mas acredita que irá elevá-la novamente em 2015. Segundo pesquisa Focus do BC com economistas, a Selic deve ir a 12 por cento no próximo ano.

Inflação alta e crescimento baixo vêm abalando a confiança em geral no ano em que a presidente Dilma Rousseff busca a reeleição. A perspectiva para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no Focus foi reduzida nesta semana para abaixo de 1 por cento.

Segundo socorro

Míriam Leitão e Alvaro Gribel 
O Globo

O governo procurou os bancos que emprestaram para as distribuidoras de energia e pediu mais. Quer que aquele crédito de R$ 11,2 bilhões tenha um aditamento de mais R$ 6,5 bilhões, segundo fontes do mercado financeiro. O pedido partiu do Ministério da Fazenda e o argumento usado foi primário: já que vocês emprestaram, será mais fácil aprovar agora. É o oposto: na visão dos bancos, isso concentra o risco.

Essa conversa já mostra como está grave a situação do setor elétrico. O governo continua de pires na mão para cobrir rombos de empresas privadas que foram provocados pelos erros do próprio governo. E essa é apenas uma das áreas da energia que está pedindo socorro. A hipótese levantada na conversa com os banqueiros foi que R$ 3 bilhões poderiam sair do BNDES e os outros R$ 3,5 bilhões os bancos dariam.

As distribuidoras ganharam da Aneel prazo até 31 de julho para pagar a conta de maio do que elas têm comprado no mercado de curto prazo. E o valor só daquele mês é de R$ 1,2 bilhão. Para quem já se perdeu em tantos bilhões que têm sido jogados sobre o setor elétrico para evitar o pior, aqui vai a lembrança de que essas mesmas distribuidoras receberam um empréstimo de R$ 11,2 bilhões concedido pelos bancos através da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. O dinheiro seria, pelos cálculos da Fazenda e do Ministério das Minas e Energia, o suficiente para cobrir o desequilíbrio entre custo e receita das distribuidoras até o fim do ano. Durou só até abril.

Algum dia a MP 579 será ensinada em cursos de administração como estudo de caso de um erro com consequências explosivas. O projeto original era antecipar revisões de concessões, para que a presidente Dilma pudesse apresentar a queda do preço da energia como um feito da sua administração.

A MP conseguiu produzir uma confusão enorme numa área já cheia de complexidades e espalhou perdas e desequilíbrios por todo o sistema. Somou-se a isso o fracasso de um dos leilões feitos pela EPE, porque o preço teto era irrealista. Por causa desse fracasso, muitas distribuidoras entraram em 2014 sem ter comprado toda a energia que teriam que entregar ao seus consumidores. Ficaram “descontratadas”. Aí veio um ano hídrico ruim. Os preços no mercado de curto prazo dispararam pegando as distribuidoras expostas a esse mercado. Com pouca água nos reservatórios, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mandou todas as térmicas funcionarem. A energia das térmicas é muito mais cara do que o preço que as distribuidoras podem cobrar. O rombo aumentou.

O empréstimo inicial de R$ 11,2 bi foi garantido por um documento da Aneel, permitindo cobrar do consumidor, a partir do ano que vem, o valor para pagar esse crédito. Agora, o governo pede esse aditamento. Que garantia será dada? Os bancos que participaram do rateio anterior achavam que já tinham dado sua cota. Agora, terão que aumentar o risco a que estão expostos diante dessa confusão que virou o setor.

Os cálculos dos especialistas na área são de que a trajetória das contas de energia dos consumidores, pessoas físicas e jurídicas, é “explosiva”. E a bomba de efeito retardado começará a estourar no ano que vem, com novos choques nos anos seguintes. A confusão é tamanha que pouco se fala de outros erros gerenciais: apenas há 15 dias, mais de dois anos depois de instalado, é que um parque eólico na Bahia foi interligado ao sistema. Jogava energia ao vento.

Com o novo empréstimo, as distribuidoras ganham mais um fôlego, e os consumidores, mais um passivo no mercado futuro de contas de luz. Mas a fila dos que pedem socorro ao governo só aumenta. Geradoras hidráulicas e térmicas estão apresentando ao governo contas de prejuízos.

Crise se espalha por todo o setor elétrico

Renée Pereira 
O Estado de S. Paulo

Problema originado nas distribuidoras agora afeta toda a cadeia; empresas dependem do governo para fechar suas contas

Foto: News Rondônia 
Usina Santo Antônio briga na Justiça 
para não pagar conta de compra de energia

As chances de o Brasil enfrentar um novo racionamento este ano diminuíram, mas a crise financeira que assola o setor elétrico a cada dia ganha contornos mais preocupantes. Em um ano e meio, o segmento deixou de ser autossuficiente e passou a depender de medidas paliativas do governo federal para fechar as contas do mês. Hoje, sem dinheiro extra, o caixa das companhias ficaria desfalcado e elevaria o risco de quebradeira geral no setor.

O problema começou com as distribuidoras, mas já ameaça geradores, comercializadores e grandes consumidores que não têm conseguido pagar a conta de luz por causa da alta dos preços no mercado à vista, também chamado de PLD. Até agora o cliente residencial foi poupado, mas, a partir de 2015, pagará boa parte da fatura gerada pela crise atual - iniciada em 2012 com a decisão do governo federal de antecipar a renovação das concessões das hidrelétricas.

Na época, as estatais estaduais Cesp, Cemig e Copel não aceitaram a proposta de renovação oferecida pela presidente Dilma Rousseff. Sem a adesão do total das empresas, as distribuidoras perderam parte dos contratos de suprimento e tiveram de recorrer ao mercado à vista para atender 100% de seu mercado. 

Numa situação normal, de chuvas dentro da média histórica, a falta de contratos não causaria estragos tão grandes como o atual, pois os preços estariam abaixo de R$ 100 o megawatt hora (MWh) - em 2012, estava em R$ 12 o MWh.

Mas a hidrologia não conseguiu recuperar o nível dos reservatórios e o preço do mercado à vista alcançou o valor máximo de R$ 822 o MWh. A conta das distribuidoras atingiu cifras bilionárias e obrigou o governo a entrar em campo para evitar uma quebradeira do setor.

“Este mecanismo de PLD é um vetor de destruição de valor na economia. Quem estiver indexado ao preço do mercado à vista e exposto, quebra”, afirma o professor da UFRJ, Nivalde Castro.

Desde o ano passado, o Tesouro já colocou dinheiro nas distribuidoras e negociou um empréstimo de R$ 11,2 bilhões com bancos públicos e privados para que as empresas honrassem o pagamento da compra de energia no mercado à vista. O dinheiro foi suficiente para cobrir as operações até abril.

Sem dinheiro. 
A liquidação de maio foi adiada para 30 de julho porque as distribuidoras não têm mais dinheiro para quitar a fatura de R$ 1,3 bilhão na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), responsável pela liquidação financeira das operações de compra e venda de energia no País. Um novo empréstimo deverá ser feito para evitar a inadimplência das concessionárias. 

Se elas não pagarem, todos os outros integrantes da CCEE terão de dividir o valor entre si, o que aumenta o risco de outras empresas terem problemas financeiros. Segundo dados da consultoria PSR, somando os valores de 2013 e 2014, a conta chegará a R$ 56 bilhões - montante duas vezes maior que o volume gasto para a organização da Copa do Mundo.

Para piorar a situação, desde o mês passado as geradoras passaram a conviver com a sombra do PLD elevado. O problema surgiu com a redução do consumo de energia e manutenção da geração termoelétrica nos últimos meses.

Na prática, isso significou menos geração das hidrelétricas, que entregaram quantidade inferior ao previsto nos contratos. Como no caso das distribuidoras, as geradoras também tiveram de recorrer ao mercado à vista para comprar a energia que não produziram.

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine), Luiz Fernando Vianna, o rombo na conta dos geradores pode chegar aos R$ 20 bilhões - número que ainda está sendo auditado.

Embora sejam casos parecidos, o governo afirma que esse prejuízo é um risco das geradoras e não pode adotar medidas como as que foram tomadas para as distribuidoras. 

“O risco hidrológico de fato é um risco do negócio. Mas o que é risco hidrológico? O fato de as térmicas serem despachadas fora das regras do modelo (fora da ordem de preços) é um risco do gerador?”, questiona Vianna.

Geradoras. 
Segundo ele, um estudo está sendo elaborado para fazer um diagnóstico preciso e discutir a situação com o governo. Ele explica que o problema é geral, mas afeta as geradoras de forma diferenciada.

Para tumultuar ainda mais o setor, a Santo Antônio Energia (dona da Hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira) entrou na Justiça para suspender o pagamento da liquidação de maio na CCEE.

Com as obras atrasadas, a empresa não teve como cumprir o contrato firmado com seus clientes e ficou exposta ao mercado à vista. Em abril, a conta da geradora ficou em R$ 400 milhões.

“Era credor e só recebi 50% do valor. Estamos muito inseguros com todo esse imbróglio jurídico”, afirma Marcelo Parodi, da Compass Energia. Com a forte atuação do governo federal e sem considerar os valores que estão amparados por liminar, a inadimplência na CCEE tem sido baixa. 

Em maio foi 3,27% e, em abril, 4,08%. Ainda assim, todos os meses, alguns milhões de reais (R$ 196 milhões em abril e R$ 117 milhões em maio) não pagos por alguns consumidores estão sendo divididos por todos os integrantes da CCEE.

Com mais um socorro a elétricas, conta deve subir 24% em 2015

Danilo Fariello, Ramona Ordoñez e Martha Beck
O Globo

Novo empréstimo será de R$ 6,5 bi. Deste total, BNDES entra com R$ 3 bi

Michel Filho / O Globo/14-3-2014
 Usina hidrelétrica de Marimbondo, em Minas Gerais: 
distribuidoras devem receber novo empréstimo até
 o fim do mês. BNDES deve usar recursos próprios 

BRASÍLIA e RIO - O governo federal fechou a concessão de mais um socorro para as distribuidoras de energia, no valor de R$ 6,5 bilhões. O acordo, fechado na semana passada com um consórcio de dez grandes bancos, prevê que o BNDES entrará com R$ 3 bilhões e os demais bancos com R$ 3,5 bilhões, seguindo os moldes do empréstimo anterior, de R$ 11,2 bilhões, realizado em abril por um consórcio de bancos públicos e privados. Segundo fontes do governo, esta será a última operação de ajuda ao setor elétrico em 2014 e 2015.

As condições de financiamento ainda estão sendo fechadas, mas já é certo que o BNDES emprestará os recursos nas mesmas condições dos demais bancos e usará recursos próprios, sem necessidade de aportes do Tesouro. O novo empréstimo deve ser anunciado pelo governo até sexta-feira e liberado às distribuidoras até o fim do mês. Procurado, o BNDES não comentou o assunto.

O novo socorro pesará ainda mais no bolso dos consumidores. Segundo cálculos da Safira Energia, considerando o novo empréstimo e o socorro anterior, de R$ 11,2 bilhões, além do repasse de custos das térmicas de 2013, que foi adiado para 2015, a conta de luz deve ficar de 24% a 25% mais cara em 2015 e também em 2016. Somente este novo empréstimo tem impacto de cerca de 3% na conta de luz.

O governo recorreu ao BNDES diante da impossibilidade de novos aportes por parte do Tesouro e da resistência dos bancos privados em bancar integralmente a necessidade de financiamento das distribuidoras.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prorrogou para o dia 31 deste mês o vencimento de um débito de R$ 1,3 bilhão que as distribuidoras têm junto à CCEE exatamente para dar tempo de negociar uma saída financeira para o setor. A alternativa de mais um aporte direto do Tesouro, na avaliação da equipe econômica, não seria viável em um momento de aperto nas contas públicas.

‘É A SOLUÇÃO MAIS VIÁVEL’
Para Fábio Cubeiros, gerente de Regulação da Safira Energia, o governo deve confirmar o novo empréstimo às distribuidoras.

— Tudo indica que deve sair esse empréstimo porque é a solução mais viável e porque na época do primeiro já se previa essa possibilidade. Eles devem estar acertando os detalhes — destacou Cubeiros.

Segundo Cubeiros, apesar de as tarifas já registrarem reajuste elevados neste ano, há uma boa parte de custos represados — em razão do ano eleitoral e do possível impacto na inflação — que só será repassada para as tarifas nos próximos dois anos.

A especialista em energia e ex-diretora do BNDES Elena Landau diz que as empresas estão apenas aproveitando a oportunidade que lhes foi dada.

— Está tudo dentro do previsto na legislação. É uma combinação da queda na demanda e no ritmo de atividade com a elevação do preço de energia. Tentativa de controlar o mercado artificialmente nunca dá certo — destacou Elena.

O empréstimo de abril, de R$ 11,2 bilhões, foi bancado por um grupo de dez bancos com taxa de Certificado de Depósito Interbancário (CDI) mais juro de 1,9% ao ano e prazo de quitação até outubro de 2017, mas sem data clara de carência para início dos pagamentos.

A necessidade de recursos para o setor elétrico vem, principalmente, da renovação das concessões de energia em 2012 e foi agravada pelas condições do mercado, em razão das chuvas escassas e da redução do nível dos reservatórios. Estes fatores levaram a uma disparada do preço da energia elétrica no mercado de curto prazo neste ano.

Eletrobrás faz captação de R$ 6,5 bi com BB e Caixa

Karin Sato, Anne Warth e João Villaverde  
O Estado de S. Paulo

Empréstimo será usado para viabilizar plano de negócios; segundo fontes ligadas à operação, bancos privados não quiseram participar

O Conselho de Administração da Eletrobrás aprovou a captação de recursos, com garantia da União, no valor de R$ 6,5 bilhões, a serem desembolsados em até três parcelas, sendo a última em 2015. A operação decorreu de um processo no qual foram convidadas diversas instituições financeiras, sob coordenação do Banco do Brasil. Segundo apurou a Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, só os bancos estatais demonstraram interesse pela operação. 

Ao final, os recursos foram contratados junto à Caixa e ao Banco do Brasil, que ofereceram propostas firmes para a concessão de R$ 2,5 bilhões e R$ 4 bilhões, respectivamente. O capital será aplicado no cumprimento do Plano Diretor de Negócios e Gestão 2014-2018.

A captação será formalizada por meio de Contrato de Abertura de Crédito e de Cédulas de Crédito Bancário a serem emitidas pela Eletrobrás a cada desembolso e ainda depende de aprovação pelos órgãos governamentais competentes.

O prazo total da captação é de 8 anos, com prazo de carência do principal de 2 anos. O custo financeiro é de 119,5% do CDI. A taxa de estruturação é de 0,75% e a taxa de compromisso, de 0,60% ao ano sobre os recursos não desembolsados.

Bancos. 
A Eletrobrás consultou 18 bancos para conseguir o empréstimo de R$ 6,5 bilhões. O Broadcast apurou que nada menos do que 16 instituições financeiras não demonstraram qualquer interesse em participar dessa operação. Todos esses bancos são privados. Restou, portanto, ao Banco do Brasil e à Caixa colocar o financiamento de pé. No entanto, mesmo esses dois bancos públicos cobraram um preço alto pelo dinheiro repassado à Eletrobrás - 119,5% do CDI, índice considerado “muito elevado” para companhias do porte da Eletrobrás.

A negativa dos 16 bancos surpreendeu a direção da companhia, que não esperava uma reação tão negativa. A parte da Caixa, de R$ 2,5 bilhões, já estava engatilhada desde o ano passado. O Broadcast revelou a intenção da Eletrobrás contratar um empréstimo junto à Caixa em agosto de 2013. 

A operação surgiu no âmbito da Medida Provisória 579, transformada em lei em fevereiro de 2013, e que possibilitou a redução da conta de luz. Na lei, por força do Tesouro, passou a se prever um empréstimo bancário à Eletrobrás para sustentar despesas com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Como as responsabilidades da CDE já estavam sendo bancadas diretamente pelo Tesouro, o empréstimo da Caixa à Eletrobras seria para ajudar a fortalecer a companhia, que passou por grandes dificuldades após a redução das tarifas. 

Quando a informação foi revelada, o Tesouro reagiu com uma nota pública negando tudo. Dois meses mais tarde, no entanto, o Conselho de Administração da Eletrobrás aprovou o empréstimo da Caixa, da ordem de R$ 2,5 bilhões, e o secretário do Tesouro, Arno Augustin, defendeu a medida publicamente. O empréstimo foi sustado em dezembro, por ordem do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Agora, sete meses mais tarde, o empréstimo sairá do papel. 

Procurada pela reportagem, a assessoria da Eletrobrás informou que a empresa não daria além do Comunicado ao Mercado.