terça-feira, julho 29, 2014

Censura atenta contra a democracia

Adelson Elias Vasconcellos


A censura, além de execrável forma de calar a voz dos críticos, é inconstitucional. Apesar disto, alguns “juízes” parecem ignorar o texto constitucional, e este é o caso de alguém que, no TSE, resolveu aplicar uma “dura” na lei. É lamentável.  Isto em nada engrandece o país, tão pouco eleva o debate político tão necessário quanto ausente no Brasil dos dias atuais. 

Mas não apenas algumas alas do judiciário resolveram empobrecer a democracia do país com liminares acolhendo a censura mas, também, criticar o poder central, seus membros dirigentes,  e o bando  de parasitas que circula entre eles, é um pecado a ser evitado a qualquer custo. Ora, se indaga se uma opinião sobre o cenário eleitoral do país é capaz de mudar este cenário. Ou, por outra, se cassar e calar a voz de quem analisa este cenário é capaz de alterar sua essência.

O blog foi, quiçá, um dos primeiros espaços a qualificar o governo da senhora Rousseff de medíocre. Digamos que alguém achasse isto ofensivo e mandasse o blog retirar o comentário do ar. Isto faria o governo desta senhora ser melhor ou pior?  Não, em absoluto, ele continuaria tão medíocre como sempre foi. Assim, esta ação babaca de se pretender calar a opinião de consultorias privadas, que não dependem do ervanário oficial para sobreviver – porque trabalham -, goste ou não o juiz que determinou a retirada das páginas na internet que publicaram-nas,  é golpe contra a democracia e o direito da livre manifestação, garantido na carta magna do país. Ou será que qualquer pilantra que não gostar da opinião sobre o governo, vai se achar no direito de cassar o direito sagrado da livre manifestação. É, sim, uma forma autoritária de poder, porque o poder não é apenas exercido pelo Executivo Federal, também o é pelo Judiciário, tanto quanto pelo Legislativo. Da forma como se procede, fica-nos o direito de pensar ou que a decisão foi fruto de retribuição na prestação de algum favor, ou por absoluta simpatia ideológica com o partido no poder. Nada, além disto, explica melhor este verdadeiro golpe à uma garantia legal. 

E, é exatamente para evitar estes golpismos indecentes, que os eleitores precisam retirar, em outubro próximo o PT do poder. Há muito de retrocesso institucional em marcha, e muitos outros há prontos e desenhados para serem impostos ao país. Estes profanadores da democracia, que detestam-na por ela não lhes permitir o vale tudo político, e porque ela cria condições para a alternância no poder, precisam ser expurgados da vida política brasileira. São traidores da pátria, são malfeitores do povo, são demônios que depravam e degradam a liberdade. Jamais levantaram sua voz durante a ditadura, jamais ofereceram alguma forma de resistência contra o regime totalitário. São amantes de outras tantas ditaduras espalhadas pelo mundo, e que ajudam a financiar desviando dinheiro do povo brasileiro para enriquecer os totalitários que oprimem seus povos. Ou alguma vez o leitor leu alguma crítica de algum petista, seja ele cacique ou militante, ao regime de Cuba?  Ou ao que acontece na Venezuela bolivariana? 

Em 2002, já publicamos aqui, o mesmo Banco Santander que enviou uma análise a alguns de seus clientes, também fez a mesma crítica ao governo de então, de Fernando Henrique Cardoso, e se desconhece que o ex-presidente tenha pedido a Justiça que se decretasse censura e se demitisse os funcionários por aquele texto. Aliás, bem que a senhora Rousseff, juntamente com a turma do PT, poderiam esclarecer ao distinto público, qual lei o texto do Banco Santander infringiu? Dizer que se tratou de “uma interferência” não significa zorra nenhuma.    Em 2010, e a pedido do PT, rolaram na rede muitos textos relatando sobre o “risco Serra”.  Também naquele momento, não se soube de que Serra ou alguém de seu partido tenha pedido por censura. 

E o arquivo do blog está cheio de textos a comprovarem duas coisas: que a política econômica do governo Dilma é e tem sido danosa para o país. E que a presidente não tem a menor competência para, com os rumos dados por seu governo, revigorar o crescimento brasileiro. É péssima gestora, incompetente e arrogante demais para conhecer os caminhos para tanto.

Basta recuperar as críticas que fizemos à intervenção descabida e desastrosa no setor elétrico; o excesso de incentivos à indústria automobilística dando prioridade ao transporte individual em detrimento do coletivo – razão para a loucura que se transformou o trânsito dos grandes centros;  os bilhões repassados ao BNDES para impulsionar o crescimento – foram mais de 300 bilhões de reais – sem resultados;  a deterioração dos serviços públicos; a mistificação do legado da copa, que deixa dívidas, elefantes brancos e dezenas de obras inacabadas; a queda vertiginosa da balança comercial – hoje negativa; o aumento crescente do déficit nas contas correntes; o aumento da dívida pública em níveis preocupantes; queda da arrecadação em detrimento do aumentos de gastos;  os entraves já conhecidos  que dificultam o ambiente de negócios no país e que nos leva a ver redução de investimentos. o baixo crescimento, maldosamente combinado com juros e inflação alta. Gostem ou não, mas esta herança maldita vai consumir meio mandato do eleito em outubro, para corrigir a rota.  Dai porque as consultorias , em sua maioria, preveem que uma possível reeleição da senhora Rousseff poderá ser danosa para a economia brasileira.   . 

Aliás, nem precisa haver reeleição de Dilma para a situação econômica do país deteriorar-se. Seu primeiro mandato já fala por si.

E quando chegarem os debates na tevê, ministro Admar Gonzaga,  vossa excelência também decretará censura aos candidatos de oposição que ficarão impedidos de falarem da ruindade do governo Dilma? Serão tolhidos no seu direito de expressar apreensão pela reeleição da atual presidente e as consequências danosas para a economia e desenvolvimento do país? 

Ter um juiz no TSE jogando contra a democracia, apenas para proteger seus padrinhos no poder, além de vergonhoso, é preocupante. Nosso país não pode admitir este tipo de retrocesso. É preciso que o povo dê sua resposta e faça a devida higienização da política nacional no próximo pleito. E um recado ao juiz do TSE amante da censura: calar a voz dos críticos só tornará este governo defendido por vossa excelência mais medíocre e ridículo ainda. Porque, além da internet, há outros meios de comunicação possíveis de serem usados para melhor informar o eleitor brasileiro. E uma pergunta final: a censura idolatrada por vossa excelência tornou a economia menos ruim do que ela já está?  Creio que em suas idas ao supermercado vossa excelência encontrará as respostas.

É inadmissível num país democrático, um juiz eleitoral achar-se no  direito de cassar a palavra de um analista de mercado financeiro sobre os cenários da realidade. Se este cenário é ruim, a culpa não é do analista que o revela, e sim de quem,  tendo a responsabilidade de governar, permitiu que a situação chegasse a tal ponto. É o mesmo que querer matar o mensageiro.  

Nem parte do Judiciário, nem a senhora Rousseff, tampouco a tropa toda do PT entenderam ainda que vivem num país democrático. Não por outra razão, são adoradores de um totalitarismo rombudo e retrógrado.  

Cardozo explica mas não justifica
Na semana passada, já se informava que ninguém menos do que o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, intercedeu nos Estados Unidos em favor do procurado pela Interpol, Paulo Maluff, que diz ser petista desde criancinha. O ministro desejava que o nome do deputado fosse retirado da lista de “procurados”. Então, tá...

Hoje, a Folha de São Paulo nos informa mais uma proeza do ministro Cardozo, a de que ele teria pressionado  o TCU para adiar o julgamento do relatório sobre a fantástica compra da Refinaria de Pasadena. Como Lula já pressionara José Múcio, que fora seu ministro, hoje no TCU, para que embromasse a votação do relatório, correndo promessa até de vaga no STF. 

Cardozo tentou enrolar com a explicação  de que se tratava de “atividade ordinária do ministério”.  Ok, vamos supor que “acompanhar” processos que digam respeito à União e estatais seja uma de suas atribuições. Porém, o que o ministro praticou foi um vergonhoso tráfico de influência, tentando barrar e adiar a votação de um relatório sobre uma atividade da Petrobrás. Ministro, entre acompanhar processos e pedir para adiar julgamentos há uma enorme e quilométrica diferença...

Santander: Verdades que não cabem num extrato

Geraldo Samor 
Veja online

Doze anos depois da ‘carta’, um extrato assusta o PT

O episódio que começou com a singela opinião de um analista do banco Santander e terminou num pedido de desculpas, na vitimização do PT e na demissão de funcionários do banco, mostra o crescente constrangimento do debate de ideias no Brasil, já tão pobre e imbecilizado.

Dizer que, se Dilma for reeleita, a Bolsa vai cair e o dólar vai subir é como “prever” que o rio corre para o mar, ou que o dia amanhecerá depois da noite.

Ao tentar envenenar a análise clara do Santander, o PT só prova que, além de ser mau gestor da economia, o partido está cada vez mais medroso, mais cheio de mimimi, e mais distante da democracia.

Senhoras e senhores, liberais e conservadores, petistas e tucanos: O dinheiro não aceita desaforo. O dinheiro não é “amigo” de uns, nem tem antipatia com outros. Ele não é um ente político nem partidário. Ele é um freelancer que só busca uma coisa: retorno sobre o investimento. Boa parte do PIB nacional já “votou” no PT em 2006 e até em 2010, uma época em que o partido deixou a economia em paz no seu tripé e foi cuidar dos programas sociais.

Mas, ensinam os livros de economia, os donos do dinheiro são sujeitos excêntricos: eles só acham possível obter retorno quando as regras são claras e estáveis, quando a inflação está baixa, e quando o País cresce. Infelizmente — para a Presidente Dilma, para o mercado e para o País — seu governo falhou nos três quesitos. Nada pessoal, Presidente.

O Santander está certo: se este governo que produz PIBinho atrás de PIBinho e que faz com que empresários represem investimentos for reeleito, as empresas brasileiras valerão menos, o dólar valerá mais, e a economia continuará crescendo pouco ou nada. Isto é uma realidade econômica, mas se você não entende o sentido da frase “não existe almoço grátis”, nem precisa continuar lendo.

Qualquer brasileiro pode se lixar para o valor das empresas, dar de ombros para o valor do dólar, e não se ligar na taxa de crescimento do Brasil — apesar das três coisas terem impacto na sua vida e na do seu vizinho — e pode votar na Presidente Dilma. É um direito dele, assim como deveria ser direito de um analista de banco…. analisar os incentivos dos agentes econômicos, como fizeram os funcionários do Santander.

É curioso que, na eleição de 2002, o então candidato Lula (então conhecido no mercado como Satã) entendeu a importância de se comunicar com o mercado (ainda conhecido no PT como Satã) em sua famosa “carta ao povo brasileiro” — mais conhecida, na piada que a história consagrou, como “carta ao banqueiro brasileiro”. Para quem não se lembra, era uma carta em que o PT jurava que ia honrar as dívidas e não bagunçar a economia que FHC havia acabado de consertar.

É isto mesmo, companheiros. Saboreiem a ironia: o partido que um dia teve a coragem de escrever uma carta pública, renunciando a 20 anos de nonsense econômico, hoje se faz de vítima histérica de uma opinião nada controversa escrita num reles extrato. Pior: não quer que sua política econômica passe pela análise de profissionais de uma empresa financeira que é paga para orientar seus correntistas.

Rui Falcão, presidente do PT, disse ao Estadão: “O que aconteceu é proibido, porque você não pode fazer manifestações que por qualquer razão interfiram na decisão de voto. E aquele tipo de afirmação pode sim interferir na decisão do voto.”

Levada ao limite, a tese de Falcão impediria o debate político, já que qualquer cidadão que emite uma opinião “interfere” na decisão de voto de alguém. Se fosse assim, só nos restaria sentar e assistir à propaganda eleitoral, aquele espaço onde existe tudo, menos verdade.

Os esforços do PT de se fazer de vítima do mercado nessa estória revelam a pobreza intelectual do partido, sua incapacidade de lidar com críticas e seu oportunismo em bancar a vítima. Nos EUA, quando os democratas estão na frente numa corrida eleitoral, os bancos frequentemente dizem que isso é má notícia para o mercado (“vendam suas ações”), pois democratas tendem a querer mais impostos e mais gastos. Apesar disso, não há registro do Partido Democrata ameaçar o JP Morgan ou a Goldman Sachs de “interferir no processo”.

Quanto ao Santander, que assumiu o “erro” e pediu desculpas, também aprendemos uma coisa: Nem o banco mais umbilicalmente conectado com o Governo — com exceção dos próprios bancos estatais — conseguiu controlar uma opinião que, de tão óbvia, passou desapercebida por qualquer controle interno.

A postura subalterna do Santander — noves fora a covardia inominável de demitir seu time de analistas — não é, entretanto, de se estranhar. O banco é como o capital: só quer saber de seu retorno. É um negócio amoral.

Já da política se espera muito mais — o livre debate de ideias — e é preocupante que os políticos não estejam à altura das expectativas.

No final das contas, o extrato do Santander só mostrou uma democracia com saldo negativo.

Dilma admite efeitos de crise financeira: 'Todos nós erramos'. “Nós” quem, cara pálida?

Gabriel Castro
Veja online

Em sabatina, presidente-candidata culpou cenário internacional por desempenho fraco da economia brasileira. Ela também disse que houve "dois pesos e 19 medidas" no caso do mensalão

(Pedro Ladeira/Folhapress) 
MAROLINHA – A presidente-candidata Dilma Rousseff
 em sabatina UOL/Folha/SBT/Jovem Pan: 
"Minimizamos os efeitos da crise sobre a economia brasileira" 

A presidente-candidata Dilma Rousseff admitiu nesta segunda-feira que o Brasil sofre os efeitos da crise financeira internacional e afirmou que a avaliação do então presidente Lula, que se referiu à turbulência como "marolinha", foi equivocada. "Todos nós erramos, sabe por quê? Porque a gente não tinha ideia do grau de descontrole que o sistema financeiro internacional tinha atingido", disse ela. Dilma participou de sabatina promovida pela Folha de S. Paulo, peloUOL, SBT e pela rádio Jovem Pan.

"Nós minimizamos os efeitos da crise sobre a economia brasileira", disse a presidente, quando tentava explicar os números acanhados do crescimento econômico em seu governo. Ela também afirmou que "nenhum país se recuperou" até agora.

Mensalão – 
Durante a sabatina, que durou cerca de uma hora e meia, Dilma também respondeu sobre o episódio do mensalão e, apesar de dizer que não comenta decisões judiciais, afirmou que falta critério à Justiça. "Nessa história da relação com o PT, tem dois pesos e umas dezenove medidas, porque o mensalão foi investigado, agora o mensalão mineiro, não", afirmou ela, esquecendo-se que o valerioduto mineiro foi investigado, porém ainda não foi julgado porque o processo mudou de instância no Judiciário. "No nosso caso, tomamos todas as providências. Nós não tivemos nenhum processo de interromper a Justiça, não pressionamos juiz, não falamos com procurador, não engavetamos processo", continuou.

Ainda falando sobre corrupção, Dilma admitiu que, para atender a um pedido do PR, trocou o ministro dos Transportes, César Borges, por Paulo Sérgio Passos – que ela havia demitido do mesmo ministério em 2011, em meio a denúncias de desvio de recursos.  Dilma negou, entretanto, que o episódio tenha caracterizado chantagem em troca do apoio do PR nas eleições – e dos minutos do partido na propaganda eleitoral na TV. "Eu me sentiria chantageada se eu colocasse no Ministério dos Transportes uma pessoa na qual eu não confio e que não conheço", disse.

A petista também se enrolou ao comentar por que voltou a se aliar a Carlos Lupi, demitido do cargo de ministro do Trabalho após recomendação do Comitê de Ética Pública da própria Presidência. "Não vou concordar em chamar o ex-ministro Lupi de um cara que fez malfeitos. O ministério pode ter cometido falhas administrativas que vários ministérios (sic), nem um, nem dois, nem três...", declarou, sem completar a frase.

No final, Dilma cometeu uma gafe e tentou corrigi-la a tempo: tentando explicar a mania de guardar dinheiro vivo em casa (152.000 reais, segundo a declaração entregue ao Tribunal Superior Eleitoral). Ela lembrou os tempos em que foi perseguida pela ditadura, mas não conseguiu apresentar uma explicação convincente: "Tenho essa mania com esses meus 150.000 reais que não vou mudar". Um dos entrevistadores afirmou que, se investisse esse montante na poupança, Dilma ganharia pelo menos 10.000 reais por ano. Dilma respondeu: "O que que é 10.000?". Segundos depois, ela percebeu o potencial negativo da frase e emendou: "Eu acho que 10.000 são muito, eu não jogo fora nenhum dinheiro".

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

Criou-se um mito no nosso país, de que o povo brasileiro tem memória curta. Bem, talvez, grande parte deste povo, que só conhece noticiário pela tevê, pouco lê, isto quando “sabem” ler, porém, tem  muita gente por aí que cultiva boa memória. Em parte, até me orgulho da minha. E tenho viva a lembrança de que, no auge da crise financeira de 2009, o senhor Luis Inácio, o ex-presidente em exercício, cantou as glórias de seu governo e afirmou para o mundo inteiro de que a crise, no Brasil, não passaria de uma marolinha.

Ah, estes glutões de língua solta, como o tempo os faz cínicos e hipócritas, sem falar da sua memória que se apaga como por encanto, diante do fato que contesta suas “verdades”. 

Durante todo o restante do seu mandato, Lula dedicou-se a eleger Dilma como prioridade máxima, e a criar medidas após medidas para contornar os efeitos da marolinha. A grosso modo, tais medidas até que produziram seus efeitos positivos, muito embora a conjuntura interna propiciaram para tais resultados acontecerem. 

A partir de janeiro de 2011, outra copisa não se ouviu do governo petista, a não se escorar na tal “crise internacional’ para justificar seus fracassos. Há algumas semanas atrás, de centésima vez, a senhora Rousseff justificou os tropeços e os maus indicadores como frutos da “crise internacional”, muito embora países que mergulharam fundo na crise, há a tenham superado.  Mesmo outros emergentes, tão ou mais afetados pela crise de 2009, também superaram suas dificuldades e hoje crescem mais e com maior dinamismo do que o Brasil. 

Assim, quem errou não foram os analistas, e sim o próprio governo petista que, num primeiro momento desdenhou da própria crise, esquecendo que ela afetaria o crédito externo, do qual somos grandes dependentes, e a redução no comércio de commodities do qual somos grandes exportadores. 

Depois, errou em tentar repetir a fórmula superada pelos fatos.Errou ao apostar excessivamente no mercado interno, limitado que é pela renda média dos brasileiras, ainda baixa. Errou em insistir na concessão de incentivos para determinados ramos industriais, quando já se verificava redução de consumo por parte das famílias. Errou em não promover as reformas estruturais para revigorar não apenas a indústria mas a economia de um modo geral. Em suma, errou em não ter percebido que o modelo havia se esgotado e era preciso criar novos caminhos. 

Portanto, senhora Rousseff, não venha imputar e transferir a terceiros as culpas que pertencem exclusivamente a seu governo, pelo muito de improviso, de feitiçarias e intervencionismo exacerbado. Saiba assumir sua responsabilidade, (se é que consegue saber o que é isto).

Abaixo, o vídeo do jornalista Josias de Souza sobre a as declarações da senhora Rousseff na sabatina feita pela Folha. Como se perceberá, a senhora Rousseff ainda mora e vive numa fantasia criada pelo seu ego, mas que nada tem a ver com a realidade do pais que imagina governar. 

Falta à retórica de Dilma uma dose de autocrítica


Dilma, rainha de um reino inexistente

Carlos Chagas
Tribuna da Imprensa


Preocupam-se os caciques do PT diante do aumento do índice de rejeição da presidente Dilma, estimado em 47% na última pesquisa do Ibope. O número supera as preferências, estagnadas em 38%. As esperanças do partido são de que a popularidade voltará a superar a rejeição a partir do início da propaganda eleitoral gratuita em agosto. Será?

Todo presidente da República desgasta-se  ao  exercer o poder.  Fernando Collor, Fernando Henrique, o próprio Lula e Dilma são exemplos recentes. Como exceção, destaca-se Itamar Franco, que aterrissou de surpresa no palácio do Planalto, com as mãos abanando, sem nada que alimentasse as expectativas nacionais. Saiu elegendo o sucessor, sob os aplausos gerais, Não apenas por conta do Plano Real e por haver adotado postura inflexível diante da corrupção, mas pela forma de como  enquadrava seus ministros e os partidos da base oficial, não empurrando para debaixo do tapete os problemas que se sucediam no país. Em especial, também, por não julgar-se acima da sociedade que, por um golpe do destino, levou-o a conduzi-la.

Dilma assumiu bafejada  pelas realizações sociais do Lula e pela postura de gerentona que além de continuar  desenvolvendo   a melhoria de vida das classes menos favorecidas, passaria o rodo nas mazelas deixadas pelo antecessor.  Até que começou bem, não poupando os caciques  dos partidos incrustados na aliança costurada pelo primeiro-companheiro para garantir maioria parlamentar. No primeiro momento viram-se catapultados líderes do PR, do PDT e do PTB, bem como ministros, empresários e líderes sindicais flagrados em malfeitos.

A presidente, porém, perdeu-se nos meandros do próprio ego e nos compromissos herdados do Lula. Nunca havia disputado uma eleição, nenhuma aproximação tinha e continuou sem ter com o Congresso e com o povão.  Desdenhou da imprensa, dos governadores e de seu próprio partido. Espalhou o terror junto a seus auxiliares pela forma de como os tratava.

Isolou-se. Comportou-se como rainha de um reino inexistente. Tudo chegou à opinião pública.  Vieram as primeiras vaias, ela não entendeu. Imaginou que distribuir benesses e implementar ainda mais o assistencialismo bastariam para reforçar o pedestal onde se refugiou. Ignorou a lição  de que o monarca precisa freqüentar os súditos. O resultado aí está.

História sem fim

Dora Kramer  
O Estado De S.Paulo

Quem acusa todo mundo acaba não acusando ninguém. Fazendo um paralelo com comissões parlamentares de inquérito: quanto mais amplas, menos eficazes são.

Partindo desse princípio o ministro José Jorge, relator do processo que investiga a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás, considera que o Tribunal de Contas da União fez a opção certa ao não queimar etapas e, nessa primeira fase, se concentrar na diretoria executiva da estatal.

Até haveria embasamento para se estender a responsabilidade ao Conselho de Administração à época do negócio presidido por Dilma Rousseff e composto por pesos pesados do empresariado nacional.

Mas, no lugar de transitar pelo terreno minado, a escolha foi se desviar dos obstáculos a fim de garantir o objetivo. Para isso havia o parecer da unidade técnica corroborando o argumento de que o conselho aprovara a compra da refinaria com base em documentos incompletos fornecidos pela diretoria executiva.

Quanto mais gente estivesse envolvida, mais difícil seria aprovar o relatório e o trabalho de um ano poderia ficar perdido. Em março de 2013, o que se tinha era um emaranhado que foi sendo destrinchado até que se construiu uma trilha da qual emergiu a dimensão do prejuízo: US$ 792 milhões de dólares.

Esse número está consolidado. O relatório foi aprovado por unanimidade, o que não deixa dúvida sobre a opinião do colegiado. Resta agora a segunda etapa. Nela, todos os 11 diretores executivos apontados como responsáveis pelo negócio vão se defender.

Aí é que os integrantes do Conselho de Administração poderão (ou não) ser levados de volta à cena da qual foram inicialmente afastados. Tudo vai depender da linha de defesa dos diretores. A situação deles não é fácil: o Tribunal de Contas determinou o bloqueio de seus bens e, se confirmada a culpa, serão obrigados a devolver o valor do prejuízo.

Note-se, não são apenas onze pessoas, mas onze famílias atingidas. Se na defesa aceitarem que a responsabilidade foi mesmo só deles, vão lhes restar as artimanhas de postergação, mas dificilmente conseguem fugir da responsabilização.

Mas, e se a defesa atribuir a responsabilidade final ao Conselho de Administração? Caso apresentem fatos consistentes, o TCU não terá como recusar a inclusão dos conselheiros que por enquanto estão isentos.

Até porque o colegiado aprovou sem contestações o relatório apontando o prejuízo e as irregularidades encontradas no processo de compra da refinaria de Pasadena.

A reação inicial de alguns dos diretores não indica uma posição de conformismo com a decisão do Tribunal de Contas da União. Nestor Cerveró e Ildo Sauer, por exemplo, dizem que o estatuto da Petrobrás é claro: a responsabilidade na aquisição de ativos cabe ao conselho e não à diretoria.

Ao contrário de algumas interpretações exclusivamente referidas nas eleições, a decisão do tribunal de contas não arrefece o caso. Por outra, acende a chama da revolta em homens cuja luta daqui em diante se resume a sobreviver.

Mau começo. A presidente Dilma Rousseff em nota ao Estado criou o argumento que amparou a decisão do Tribunal de Contas da União para excluir o Conselho de Administração da Petrobrás do primeiro relatório sobre a compra da refinaria de Pasadena.

Nesse aspecto, saiu-se bem levando em conta a questão eleitoral. Mas, na Petrobrás o sentimento é o de que para se safar a presidente jogou a companhia no fogo.

Quando o caso veio a público em função da manifestação da presidente, um ministro do TCU confidenciou a um senador governista que a corte estava pronta para aprovar a compra da refinaria com base nos dados fornecidos por José Sérgio Gabrielli e Graça Foster.

Mas voltou atrás com base na seguinte razão: se ela que era a presidente do conselho disse que o negócio estava errado não seria o tribunal que se arriscaria a aprovar.

No TCU, estranhas confabulações sobre Pasadena

Percival Puggina
Tribuna da Imprensa

Mergulhou fundo em estranhas confabulações o relatório do TCU sobre a aquisição da refinaria de Pasadena. Saiu ensopado, mas saiu como o governo queria, nada respingando para o lado do Conselho de Administração. Ou seja, para o lado da presidente Dilma, que, à época da inconcebível compra, pilotava o órgão de aconselhamento superior da estatal.

O jornal O Estado de São Paulo informa, na edição do dia 25 de julho, que o ministro do TCU José Múcio Monteiro, na segunda-feira 21, dois dias antes da sessão de julgamento, esteve reunido em São Paulo com o ex-presidente Lula. Segundo o ministro, foi uma visita para matar saudade e jogar conversa fora. Para Lula, nem isso. Jacaré não vai para o céu e Lula sabe muito bem o motivo. Recusou-se a comentar o assunto.

Para as fontes do jornal, no entanto, o encontro efetivamente ocorreu como parte de uma investida do governo para blindar a presidente e evitar danos à sua imagem quando ela está em plena campanha para suceder a si mesma. Até o início da semana havia a expectativa de que o relator do processo, ministro José Jorge, indicaria responsabilidade de Dilma em virtude de sua posição no Conselho à época dos fatos.

“PROCUROU OS COLEGAS E PONDEROU…”
Transcrevo parte da matéria: “Após a conversa com Lula, o ministro do TCU procurou os colegas e ponderou que responsabilizar Dilma neste momento pré-eleitoral seria politizar demais o caso, além de repetir a defesa do governo de que a presidente votou a favor da compra da refinaria com base em resumo incompleto sobre o negócio. Um ministro, ouvido pelo Estado sob a condição de anonimato, relatou que até uma vaga no Supremo Tribunal Federal foi mencionada. A votação foi unânime“.

Noutra parte da mesma matéria, lê-se: “Lula sinalizou que até mesmo cargos em um eventual segundo mandato de Dilma poderiam ser usados como elemento de convencimento dos ministros”.

DECISÃO UNÂNIME
No dia 23, enquanto os corredores se agitavam e os celulares esquentavam as orelhas, o ministro Benjamin Zymler pediu vistas ao processo. O pedido, formulado com intuito preventivo, foi imediatamente retirado quando se evidenciou que a maioria dos membros da corte se inclinava em favor da não inclusão da presidente. Nesse mesmo sentido, aliás, posicionou-se o relator, ministro José Jorge, no voto que proferiu. Decisão unânime.

A questão que fica no ar, sem possibilidade de resposta conclusiva, é a seguinte: a deliberação do TCU foi influenciada, ou não, pelo que ocorreu nos bastidores? O que sim, se sabe, é que as fontes do Estadão relatam algo que, desgraçadamente, se torna muito verossímil porque tem toda a cara do Brasil que, a cada dia, mais e melhor conhecemos.

Modelo adotado no setor elétrico já não funciona

O Globo
Editorial

O sistema tem qualidades, mas se mostra impraticável em situações como a atual, com poucas chuvas e depois da intervenção atabalhoada do governo

A matriz hídrica faz do Brasil uma das exceções no mundo da geração de energia elétrica. Com a aproveitamentos hidráulicos de vulto, a exemplo da usina de Itaipu, o país conseguiu montar uma matriz de calcada em uma fonte renovável e de custo relativamente baixo.

Mas uma matriz elétrica com essas características depende do regime de chuvas. Para reduzir a vulnerabilidade desse modelo, muitas hidrelétricas foram construídas no passado com reservatórios que acumulam água para uso posterior, nos anos de chuvas insuficientes.

Os aproveitamos que permitem a construção de reservatórios de acumulação se esgotaram, ou as exigências para licenciamento ambiental se tornaram mais rígidas, limitando as áreas passíveis de inundação. Na Amazônia, essas restrições fazem com que as novas usinas sejam praticamente a fio d’água, ou seja, operem com a vazão natural dos rios. Assim, nos períodos de cheia as hidrelétricas funcionam a plena capacidade, e na vazante podem até ser paralisadas.

Esse sistema é interligado nacionalmente, de modo a otimizar a energia armazenada nos reservatórios. A interligação de faz por meio de linhas de transmissão, que possibilitam, inclusive transferir excedentes de energia de uma região para outra, a longas distâncias. Mesmo com tal possibilidade, a matriz de base hídrica precisa de outras fontes que a complementem. A maneira mais convencional é a de origem térmica, utilizando-se o vapor decorrente da queima de combustíveis fósseis (carvão, gás, óleo diesel, óleo combustível, biomassa) ou da fissão nuclear.

Os custos de operação dessas usinas são mais elevados que os das hidrelétricas e, por isso, geralmente elas são instaladas junto às áreas de produção dos combustíveis ou dos centros de consumo. Outras fontes renováveis vêm sendo progressivamente utilizadas, como é o caso das usinas eólicas e de energia solar, mas ambas opções também dependem do clima. Em situação de normalidade, esse modelo funciona com um custo médio razoável. Mas em momentos de anormalidade, como o atual, a equação não fecha. Com índices pluviométricos bem abaixo das médias históricas nas áreas que concentram a maior parte dos reservatórios no Brasil, a participação da usinas térmicas mais caras (que deveriam ser acionadas apenas ocasionalmente) aumentou enormemente na matriz elétrica do país.

Para completar o cenário de crise, a intervenção atabalhoada do governo Dilma no setor, para forçar o corte de tarifas, provocou um enorme desequilíbrio financeiro. E para evitar reajustes de tarifas em período eleitoral, o Tesouro tem subsidiado parte dos custos, assim como por meio de empréstimos bancários. A conta poderá chegar a R$ 60 bilhões, este ano. E terá de ser transferida de alguma forma ao consumidor. É um dos mais sérios e urgentes problemas que estarão à espera do próximo presidente, em janeiro.

Mexer em eletricidade pode dar choque

Paulo Brossard
Zero Hora 

Foi amplamente divulgado que 35 empresas do setor elétrico eram devedoras à União de R$ 3 bilhões e chamava a atenção a circunstância de a revelação ter o abono do advogado geral da União que, obviamente, é possuidor da informações que o comum dos mortais não possui. Com todas as letras foi dito que a atualização de tarifa dar-se-ia em dezembro, ou seja, após as eleições, reconhecido que praticamente todos são consumidores de energia elétrica, desde o grande industrial até o operário mais modesto; a técnica foi denominada de “preços administrados”. Ora, entra pelos olhos de um cego que o expediente apenas adia determinada medida de natureza inevitável, de modo que o adiantamento agrava o problema, pois, na hora de trazê-lo à realidade, sua dimensão cresceu. É elementar que o poder pode muito, mas não pode tudo. O problema não será de R$ 3 bilhões, mas superior a R$ 7 bilhões, como foi divulgado. Não tenho elementos para pronunciar-me nem teria porque fazê-lo.

Não é segredo que o adiantamento da revisão de tarifa em causa foi a maneira encontrada pelo governo, não porque fosse justa ou plausível, mas para não embaraçar a reeleição da presidente da República. E aí está uma das razões pelas quais é inconveniente a reeleição dos cargos executivos, aliás, vedada desde a proclamação da República.

Merece ser lembrada a apregoada competência profissional da senhora presidente em matéria de energia elétrica e agora, por ironia das coisas, lhe cai no colo o problema de dimensões nacionais que mais se agiganta quanto mais tempo decorre em resolvê-lo.

Se é exata a versão proclamada de ser a senhora presidente a suma doutora quanto aos segredos da energia elétrica, como e por que ter deixado de solucionar o problema, que não ocorre de inopino, para que ele viesse a infernizá-la exatamente quando é nada mais nada menos que a chefe de Estado e do Governo, detentora da última palavra a respeito.

Se a situação das empresas devedoras não é lisonjeira, melhor não é a do governo que deixou o caso chegar ao ponto a que chegou.

Ao final, quem vai pagar esta conta serão os consumidores. Diz a sabedoria popular que mexer em eletricidade sem entender, pode dar choque…

Penúltima badalada

Celso Ming
O Estado de São Paulo

Ainda há quem acredite que, antes da última badalada, a Argentina possa fazer um acordo com os credores que recusaram os termos da renegociação da dívida e, assim, escapar de novo default (calote), que, desta vez, pode ser mais desastroso. Mas essa hipótese é difícil de acontecer, pela camisa de força que o próprio governo argentino se impôs.

Apenas para quem está chegando agora, nesta quarta-feira, 30 de julho, vence o prazo imposto pelo juiz Thomas Griesa, de Nova York, para que a Argentina pague US$ 1,6 bilhão aos holdouts, os credores que recusaram as condições das renegociações da dívida que começaram em 2005. Correspondem a menos de 7% dos credores. Os demais aceitaram a troca de títulos que impôs perdas de 63% sobre o total devido.
Esses holdouts, que o governo Argentino chama de fundos abutres, recorreram à Justiça para serem pagos pela totalidade da dívida.

(FOTO: Pablo Corradi/La Nacion)
Griesa. É o foro de Nova York 

A presidente Cristina Kirchner avisou que não há concessão a fazer aos abutres e, nesta segunda-feira, uma nova delegação argentina viajou para Nova York com o recado de que só vai conversar com o mediador, Daniel Pollack, nomeado pelo juiz, e não com os credores.

A restrição original é a de que toda emissão de títulos de dívida deve definir um tribunal para dirimir eventuais conflitos de interesse. Nesse caso, foi acertado que o foro para isso é o de Nova York. Poderia ser outro, como o de Londres, Frankfurt ou de outra capital financeira.

Argumentar que o juiz Griesa, designado para presidir esse processo, violou a soberania do Estado Argentino ou tomou decisões inaceitáveis, implica exigir que a Justiça americana só profira sentenças favoráveis à Argentina e, nesse caso, não seria necessário juiz.

Não há, para casos de dívidas soberanas, nenhum acordo internacional que preveja procedimentos judiciais e critérios de prioridade de pagamento para casos de incapacidade de resgate de títulos, como acontece em casos de falência ou de recuperação judicial de empresas.

O próprio contrato dos títulos da Argentina inclui a cláusula Rufo (Right Upon Future Offers) com validade até 31 de dezembro de 2014. Ela determina que qualquer benefício acertado com uma parcela de devedores deve ser estendido para os demais. Os próprios advogados da Argentina vêm garantindo que não cabe flexibilidade na aplicação dessa cláusula.

Se concordasse em pagar mais aos abutres, como determinou o juiz, a Argentina estaria sujeita a um dilúvio de processos judiciais dos outros credores, que exigiriam igualdade de tratamento. Nesse caso, os termos da renegociação da dívida perderiam validade. Além de problemas com a nova quebra (default), a Argentina teria de enfrentar outro processo de renegociação.

As trancas a um acordo com os abutres não terminam aí. A Lei Ferrolho (Ley Cerrojo), aprovada pelo Congresso argentino, tratou de fechar todas as portas para um entendimento. Impede pagamentos a credores que não aceitassem a reestruturação da dívida. Além disso, o governo argentino está proibido, também por lei, de oferecer quaisquer benefícios não previstos na renegociação anterior.

Essas razões sugerem que não há nem saídas fáceis nem saídas rápidas. Mas ainda não soou a última badalada.

CONFIRA: 
A Pesquisa Focus, feita pelo Banco Central, apontou nova queda da expectativa de crescimento do PIB deste ano, desta vez para 0,9%. Acompanhe no gráfico.



Alavanca diplomática?
O governo argentino pretende aproveitar a reunião de cúpula do Mercosul, nesta terça-feira e em Caracas, para fortalecer o movimento de apoio contra as decisões do juiz Thomas Griesa, que impôs o pagamento aos credores que não concordaram com a renegociação anterior da dívida. Difícil saber o que esse apoio mudaria na situação.

O socorro de Lula a Dilma

O Estado de S.Paulo 
Editorial 

Foi necessário que o ex-presidente Luiz Inácio da Silva entrasse em campo para evitar que a presidente Dilma Rousseff fosse incluída pelo Tribunal de Contas da União (TCU) entre os responsáveis pela desastrosa compra da Refinaria de Pasadena, no Texas, pela Petrobrás. Sem a intervenção pessoal de Lula, Dilma teria de lidar na campanha eleitoral com o fato de não ter impedido a realização de uma das transações mais lesivas aos cofres públicos na história da Petrobrás. Para quem já enfrenta queda de popularidade e críticas cada vez mais pesadas pela condução ruinosa da economia nacional, ser ademais tachada de inepta na administração dos negócios da mais emblemática empresa estatal do País certamente traria prejuízos incalculáveis à sua candidatura. Por isso, Lula não titubeou.

Dois dias antes de o assunto sobre a refinaria entrar na pauta do TCU, Lula recebeu José Múcio Monteiro, ministro do tribunal, em São Paulo. Múcio foi ministro de Relações Institucionais do governo Lula e nomeado para o TCU pelo petista.

"Somos amigos", resumiu Múcio ao Estado, ao relatar seu encontro com Lula - no qual, segundo disse, trataram de "política, eleição, Brasil, o governo dele, as perspectivas, blá-blá-blá, a vida dele, a minha... conversa de compadre, foi exatamente o que aconteceu".

Múcio negou ter falado sobre Pasadena, mas o fato é que, após a reunião com Lula, ele conversou com seus pares no TCU para adverti-los de que responsabilizar Dilma neste momento, em plena campanha, seria politizar demais o assunto - como se o tribunal devesse se pautar pelo calendário eleitoral.

De fato, o caso tinha, e talvez ainda tenha, grande potencial para causar estragos na campanha de Dilma. Ela era nada menos que a presidente do Conselho de Administração da Petrobrás quando este autorizou a estatal a comprar metade da Refinaria de Pasadena, em 2006.

Os problemas envolvendo o negócio, conforme revelou em 2012 a Agência Estado, começaram com o pagamento de US$ 360 milhões ao grupo belga Astra Oil, dono de Pasadena, por 50% da refinaria. O valor era 8,5 vezes maior do que o que havia sido desembolsado pela Astra para adquirir a refinaria toda.

No ano seguinte, o conselho, ainda presidido por Dilma, vetou a compra da outra metade da refinaria. Com isso, a Astra foi à Justiça invocando uma cláusula contratual, a Put Option, que obrigava um dos sócios a comprar a parte do outro em caso de desavença. A Petrobrás foi derrotada e teve de pagar aos belgas cerca de US$ 820,5 milhões, valor que incluiu honorários e custas.

No início deste ano, quando confrontada pelo Estado com documentos que atestavam seu voto favorável à compra de Pasadena, Dilma respondeu que tomou sua decisão com base em um resumo executivo "técnica e juridicamente falho". Segundo ela, o resumo não mencionava nem a Put Option nem outra cláusula, a Merlin, segundo a qual a Astra teria remuneração anual de 6,9% fosse qual fosse a situação do mercado. A presidente afirmou que, se soubesse dessas condições, "seguramente" não teria aprovado o negócio.

Decerto a presidente percebia que poderia ser acusada de crime de responsabilidade em tão danoso negócio. Preferiu jogar o escândalo no colo dos executivos da empresa, na expectativa de que o TCU a isentasse.

Foi o que aconteceu, mas, ao que parece, só depois da intervenção de Lula. O relator do caso no tribunal, ministro José Jorge, um ex-pefelista, foi avisado de que seu relatório seria rejeitado se incluísse Dilma entre os responsáveis pelo negócio. Ao apresentar suas conclusões sem apontar nenhum integrante do Conselho de Administração, Jorge disse que preferiu focar a investigação nos executivos da Petrobrás. O Palácio do Planalto respirou aliviado.

Mas o alívio pode ser momentâneo, porque os executivos da estatal não parecem dispostos a assumir o escândalo sozinhos. Como disse o presidente da Petrobrás na época da compra de Pasadena, José Sergio Gabrielli, Dilma "não pode fugir da responsabilidade dela".

O pretexto das pesquisas

Vinicius Mota
Folha de São Paulo

SÃO PAULO - Se a intenção de voto em Dilma melhora nas pesquisas, as principais ações da Bovespa caem; e a recíproca também vale. Esse é um fato. As interpretações é que podem variar.

A mais banal atesta que "o mercado" torce pela derrota do PT. Ela faz bem a dilmistas, como reforço ao discurso de que a presidente seria vítima da elite egoísta. Os adversários também gostam dessa interpretação, mas como sinal de que a vitória da oposição faria bem à economia.

Será que um grupinho de compradores e vendedores de lotes maiores de ações, com foco no curtíssimo prazo dos pregões diários, pode ser chamado de "mercado"? Será que esses negociantes torcem por algo além de seus próprios lucros imediatos? A melhor resposta é não.

Quando se trata de mercado de ações, sobretudo de um periférico e mal povoado como o brasileiro, é recomendável ampliar o horizonte antes de tirar conclusões pretensiosas. Salta os olhos, nessa visada, o baixo nível em que está o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa.

A errática recuperação até esta altura do ano não foi suficiente para devolver o indicador à marca do final de 2010. O preço dos títulos de grandes empresas brasileiras listadas na Bovespa ainda é de liquidação. Arrisca-se pouco ao especular com elas em busca de lucro instantâneo.

Do outro lado, a alta dos juros internos ofereceu aos aplicadores de curto prazo uma excelente opção de ganho seguro, entre as melhores disponíveis hoje no mundo. O que se arrisca numa ponta, a da Bolsa, pode ser compensado na outra, com papéis do governo e derivados. É um mundo maravilhoso para quem movimenta muito dinheiro e vive de oportunidades abertas na negociação diária.

Pesquisas eleitorais são só o pretexto da vez para especulador pular de galho em galho. Esse tipo de "mercado" torce mesmo é para tudo continuar como está.

'Sou pago para falar o que penso', diz analista de consultoria cerceada pelo PT

Ana Clara Costa
Veja online

Após episódio com o banco Santander, partido atua para neutralizar análises da consultoria Empiricus, que prevê "futuro sombrio" para a economia brasileira caso a presidente Dilma se reeleja

(André Duzek/Estadão Conteúdo) 
PT protocola representação contra consultoria 
que prevê economia indo mal se Dilma se reeleger 

Na última sexta-feira, toda a artilharia petista se armou contra o banco Santander depois que um relatório enviado a clientes de alta renda previa mais dificuldades para a economia brasileira se a presidente Dilma Rousseff se reeleger. Temendo represália, o banco enviou nota ao mercado desculpando-se pelo texto da equipe de análise e assegurando que medidas haviam sido tomadas em relação aos responsáveis. No mesmo dia, o partido silenciosamente protocolou uma representação contra a consultoria de investimentos Empiricus Research no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A justificativa foi a mesma que a usada pelo presidente do PT, Rui Falcão, para recriminar o banco Santander na sexta-feira: "terrorismo eleitoral". Ou, de forma mais sofisticada, "fazer manifestações que interfiram na decisão de voto".

Segundo a representação, a Empiricus estaria vinculada ao candidato tucano Aécio Neves, à coligação Muda Brasil e ao Google numa campanha com o intuito de manchar a imagem da presidente Dilma por meio de propaganda paga. A consultoria, conhecida no mercado pela forma dinâmica e descomplicada com que produz suas análises, anunciou alguns de seus textos por meio da ferramenta Google Ads. Ao longo do último mês, permaneceram em evidência no Google os anúncios mais clicados por leitores, que eram justamente os textos intitulados: Como se proteger de Dilma e E se Aécio ganhar. O ministro Admar Gonzaga, do TSE, acatou o pedido protocolado em nome de Dilma e concedeu liminar impedindo a Empiricus de propagandear suas análises no Google. O gigante da internet também foi alvo de representação, assim como o candidato do PSDB e sua coligação. Em entrevista ao site de VEJA, o autor dos textos, Felipe Miranda, afirmou que a medida não intimidará seu trabalho. "O que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento. Mas vamos continuar atuando da mesma forma. Não tenho rabo preso e sou pago pelos meus clientes para falar o que penso", afirma. Confira trechos da conversa.

O TSE informou a consultoria sobre a representação do PT?
Não, ainda não recebemos nenhum comunicado oficial. Ficamos sabendo pela internet. Mas a situação é absurda, pois não há campanha eleitoral da nossa parte. Podem não gostar do que escrevemos, mas nos colocar ali é absurdo.

Estão impedidos de produzir análises com foco eleitoral?
Não. Há uma liminar que nos obriga a tirar aqueles textos do ar. Mas não existe a possibilidade de alguém nos proibir de fazer nossas análises críticas, pois aí seria censura explícita. Já seria um ato institucional contra a liberdade de expressão. Além disso, o que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento. Mas vamos continuar atuando da mesma forma. Não tenho rabo preso e sou pago pelos meus clientes para falar o que penso.

Como o Google distribuiu os anúncios dos textos produzidos pela Empiricus?
Os dois textos são muito claros: tratam de uma tese econômica que não é nova e que mostra que a bolsa cai quando a Dilma sobe nas pesquisas, e sobe quando o Aécio melhora. O objetivo é simples: nossos clientes devem se proteger desses solavancos. Os anúncios dos textos chegam de forma idêntica ao Google, mas, de acordo com a métrica de distribuição desses anúncios, ficam mais expostos os que são mais clicados. Diante disso, podemos escolher tirar do Google Ads os anúncios menos rentáveis. O que não foi o caso dos anúncios sobre as perspectivas econômicas num cenário de vitória da Dilma e do Aécio.

A consultoria sofreu algum tipo de represália fora a representação no TSE?
Tirando esse clima de caça às bruxas, de perseguição, nada foi feito. Há, claro, a militância. Desde a semana passada recebo xingamentos e ameaças de toda a natureza por email e por meio das redes sociais. Nosso site já caiu várias vezes e tentaram invadir nossos emails. 

Desde a repercussão do caso Santander, o mercado está mais amedrontado?
Não posso falar pelo mercado, pois não estou a par. Mas o que é certo é que estão tentando cercear nossa liberdade e nosso dever fiduciário de prover boas dicas. Nós estamos pessimistas em relação à economia e não posso ignorar isso em minhas análises. No caso do Santander, entendo que ficou feio para o banco ter de voltar atrás na opinião de um analista. Mas não me surpreende, pois os grandes bancos não querem romper relações com o governo. Mas nós somos independentes e só temos compromisso com nossos clientes.

O Congresso não respeita a Constituição Federal

Sandra Starling 
Tribuna da Imprensa

Pela segunda vez consecutiva, as duas Casas do Congresso entram em recesso sem terem votado um dos instrumentos que deveriam ser levados muito a sério: senadores e deputados vão cuidar de suas vidas – neste ano, com a desculpa de fazer campanha eleitoral – sem terem votado a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Parece brincadeira.

Quem ergueu a bandeira do orçamento impositivo para não ficar à mercê dos humores do Executivo nem sequer se lixa para verificar quais prioridades serão observadas na peça orçamentária que o governo deverá mandar ao exame congressual até 31 de agosto. Traduzindo, se é verdade que as manifestações populares reclamaram das péssimas condições dos serviços públicos mais importantes para a maioria, Suas Excelências não se preocupam em balizar, pela LDO, o que o Executivo deve necessariamente contemplar nesse prévio e verdadeiro guia para o conhecimento, pelo menos, de que o dinheiro público vai ser empregado nisso, e não em suntuosas obras inacabadas ou em prometidas obras jamais começadas.

Para completar essa verdadeira lição de cinismo, saem de férias e impedem que seus assessores – que têm o mesmo direito – o façam, de modo que televisões e rádios, ou mesmo a mídia escrita, não encontrem às moscas salas e corredores das duas Casas. Ficam lá os assessores dedicadamente trabalhando no que devem fazer, ou apenas fazendo hora, até que as redações retirem dali seus jornalistas para fechar a tempo suas edições. Pena que poucos chiem contra isso. Onde estão a OAB, a ABI, a CNBB – todas legítimas e insuperáveis defensoras dos direitos do povo brasileiro?!

ATENDIMENTO PONTUAL
Esse tipo de comportamento escancara o que significa um sistema político-eleitoral em que a relação mandatário/eleitor fica reduzida a um atendimento pontual de interesses locais e localizados. Cada parlamentar que é candidato só quer saber de agradar a seu público, isto é, àqueles que estejam ao alcance de sua campanha. Daí a palhaçada de votações em que, para agradar a uma categoria reivindicante, os parlamentares usam em fila o microfone para fazer entre si rapapés, cada um frisando a importância do outro para que aquela reivindicação seja atendida.

Num dia desses, um professor da UFRJ, que pertence a um amplo conjunto de outros intelectuais Brasil afora, concedeu entrevista, chamando a atenção para o fato de que só o incremento individual ou familiar da renda não é suficiente para atender as necessidades das amplas massas, quando estas se amontoam nos conglomerados das nossas regiões metropolitanas legal ou apenas informalmente constituídas. Como atender aquilo de que precisa a maioria em transporte coletivo, equipamentos de saúde, escolas, locais de moradia quando não há um diálogo nem um arranjo institucional capaz de melhorar de fato a qualidade de vida das pessoas?

Nada disso preocupa os que têm mandato ou ocupam cargos públicos. Cada um quer mandar um dinheirinho para seu município… Ao fim e ao cabo, qualquer problema só lhes incomoda durante a campanha eleitoral. Passada esta, adeus preocupação! 

(transcrito de O Tempo)

Pisos, tetos e bolsas

José Roberto de Toledo
O Estado de São Paulo

Bocejo dos bocejos, a intenção de voto em Dilma Rousseff (PT) não muda desde abril. A falta de movimento e novidade aumenta a frequência de títulos que querem enxergá-los onde não existem. Dilma "cai" e "sobe" em casas decimais imaginárias. Às vezes, a notícia é explicar a ausência de notícia.

Um entediado poderia se indagar sobre o motivo pelo qual Dilma, a despeito da piora dos indicadores e das expectativas econômicas, nunca vai abaixo de 36% - na média dos institutos calculada pelo Estadão Dados. As raras pesquisas em que isso ocorreu foram pontos fora da curva, o que é tão mais esperado quão mais pesquisas são feitas. Os pontos estavam fora porque nas pesquisas seguintes ela voltou aonde estava. Vale a curva.

Por que, então, Dilma tem um piso tão acima do que tem sido, por enquanto, o teto dos seus adversários? A recente pesquisa Ibope permite testar muitas hipóteses, mas confirma poucas.

O primeiro motivo parece óbvio, mas não necessariamente é: Dilma é conhecida de praticamente todo o eleitorado. Ter mais presença na memória do eleitor do que os concorrentes é uma vantagem, porém, apenas quando se é popular. A presidente deve ter saudades de quando 20% dos eleitores achavam seu governo ruim ou péssimo. Desde abril, sua desaprovação supera 30%.

Logo, a alta taxa de reconhecimento do seu nome não explica por que o colchão de Dilma na opinião pública é tão alto e resiliente. Afunda, mas volta. Há de haver outra explicação.

E há. Mais de uma.

O Ibope perguntou ao eleitor se ele ou alguém em sua casa é beneficiário de ao menos 1 entre 16 programas federais, como Bolsa Família, Prouni, Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos e Farmácia Popular. Pelas respostas, um terço do eleitorado vive em domicílios onde pelo menos uma pessoa se beneficia diretamente por algum desses programas do governo. Isso, 33%.

A pergunta óbvia é "como votam esses eleitores?"

A maioria absoluta, 51%, declarou que votaria em Dilma. O dado consolidado pode ser enganador, porém. Apenas um dos programas federais faz diferença na eleição, justamente o maior e mais famoso de todos eles: entre os beneficiários do Bolsa Família a presidente chega a 58% das intenções de voto. Na média dos atendidos pelos outros 15 programas, a taxa de voto em Dilma é 38% - alta, mas igual à sua média no eleitoral total.

A interpretação enfadada desses números levaria à conclusão de que a candidata do PT só está à frente dos seus adversários na corrida eleitoral por causa do clientelismo do Bolsa Família. Infelizmente para a oposição, as coisas nunca são tão simples assim. Entre quem não ganha nada do governo federal - nem ele próprio nem ninguém de sua família - Dilma tem 32%.

E Aécio Neves (PSDB)? O principal candidato oposicionista tem uma taxa de votos muito mais alta entre os "sem programa" do que entre os beneficiários: 25%, contra 16%. Se não houvesse Bolsa Família e similares, o tucano estreitaria sua diferença em relação à presidente, mas ainda ficaria sete pontos atrás.

Dos 38% de intenção de voto em Dilma, 17 pontos percentuais vêm do dito assistencialismo federal, mas os outros 21 pontos são de eleitores que nada têm a ver com o Bolsa Família e quetais. Do mesmo modo, quase metade dos eleitores assistidos pelos programas do governo não declaram voto na presidente: 16% votam em Aécio; 7%, em Eduardo Campos (PSB); 6% nos nanicos; 12% vão anular ou votar em branco; 7% são indecisos.

Dar bolsa ao eleitor aumenta em 60% as chances do candidato ganhar seu voto, mas não o garante. O alto conhecimento de Dilma e o assistencialismo explicam apenas em parte a resiliência da intenção de voto da presidente. O resto vem de quem aprecia o Bolsa Família e similares mesmo sem recebê-los. Quem? Isso é assunto para outra entrevista com os dados.

O TSE não pode se omitir em punir CUT e Lula pelo ato ilegal

Comentando a Notícia

O título acima é do blog, e o texto que segue é do jornalista Reinado Azevedo. Vamos ver como os valentes do TSE reagem ao ato da CUT e às palavras “carinhosas”  de Lula. Pelo manutenção do poder, esta gente que nem caráter tem, joga na lama qualquer escrúpulo e limite legal. 

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Num ato escandalosamente ilegal da CUT, Lula e sindicalistas fazem terrorismo eleitoral; chefão petista puxa o saco de banqueiro espanhol, pede a cabeça de uma bancária e diz que ela não entende “porra nenhuma” de Brasil! É o nível dessa gente…


Lula praticando ilegalidades em plenária da CUT:
 lei proíbe entidade sindical de fazer campanha eleitoral

Pois é… Vamos ver por onde começar.

Luiz Inácio Lula da Silva era o convidado de honra do encerramento da 14ª Plenária da CUT, a Central Única dos Trabalhadores, que ocorreu nesta segunda-feira, em Guarulhos. Falou pelos cotovelos, puxou o saco de banqueiro, pediu a cabeça de uma bancária, disse palavrão, fez terrorismo eleitoral… Tudo em parceria com dirigentes da entidade… Barbarizou, enfim, como é de seu feitio. Vamos ver.

Sindicatos e centrais sindicais tiram parte considerável de seu sustento de um imposto — a tal contribuição obrigatória, que está na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) desde 1940. Ainda que o vivente não seja sindicalizado, é obrigado a doar para a entidade sindical um dia de seu trabalho. Em 2008, foi aprovada aLei 11.648 que reconhecia a existência das centrais sindicais e lhes entregava uma fatia da verba bilionária. Só para vocês terem uma ideia, em 2013, a contribuição sindical rendeu R$ 3,2 bilhões, que têm de ser assim distribuídos:

a) 5% para a confederação correspondente;
b) 10% para a central sindical;
c) 15% para a federação;
d) 60% para o sindicato respectivo; e
e) 10% para a “Conta Especial Emprego e Salário”.

Muito bem! Isso quer dizer que os sindicatos arrecadaram, sem precisar fazer o menor esforço, por determinação legal, R$ 1,920 bilhão (sim, um bilhão, novecentos e vinte milhões de reais). As centrais, sozinhas, ficaram com R$ 320 milhões. No projeto de lei original, essas entidades teriam de prestar contas ao TCU sobre o uso desse dinheiro. Lula vetou. Elas gastam a grana, que é de todos os trabalhadores, como lhes der na telha, sem prestar contas a ninguém.

Sigamos. Lula foi ao evento da CUT. E ouviu o presidente da entidade, Wagner Freitas, fazer terrorismo eleitoral contra o tucano Aécio Neves, defendendo, de quebra, a candidatura de Dilma Rouseff. Afirmou o rapaz: “Alguém acha que a eleição do Aécio vai significar investimento em política pública de qualidade no Brasil? Uma coisa central é reeleger a presidente Dilma. É importantíssimo para nós continuar tendo um governo que se articule direto conosco”.

O rapaz não parou por aí: “Se nós conseguirmos todos os aumentos nas campanhas salariais e o Aécio ganhar a eleição, vamos ter problema e teremos de fazer campanha para defender a empresa pública, os nossos direitos e o salário. Se o Aécio ganhar a eleição, ele vai acabar com a conquista que se consolidou com o presidente Lula, de valorização do salário mínimo”.

É incrível! Essa gente é capaz de dizer as mentiras mais disparatadas sem nem mesmo corar. Atenção, meus caros! Nos oito anos do governo FHC, o mínimo teve valorização real (descontada a inflação, pelo IPCA), de 85,04%; nos oito anos de Lula, foi um pouco maior: 98,32%; no quatro anos de Dilma, deverá ser de apenas 15,44%.

E isso foi apenas parte das falas terroristas do dia. Aí Lula pegou o microfone. Afirmou que as conquistas sociais só terão continuidade se Dilma for reeleita. E se referiu ao informe que o Banco Santander (leiam post) enviou a alguns correntistas, alertando para o risco de deterioração dos indicadores econômicos caso a presidente volte a subir nas pesquisas. O chefão petista não teve dúvida: puxou o saco do banqueiro, o presidente mundial do Santander, Emilio Botin, e pediu a cabeça da bancária, a analista. E apelou, como é de seu feitio, a um palavrão:

Botin, é o seguinte, querido: tenho consciência de que não foi você quem falou. Mas essa moça tua que falou não entende porra nenhuma de Brasil, e nada de governo Dilma. Manter uma mulher dessa em cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar embora e dar o bônus dela pra mim que eu sei o que falo.”

 Ora vejam… Lula, segundo quem Dilma vai governar para o andar de baixo, e seus adversários, para o andar de cima, ficou de joelhos diante do banqueiro, que é do andar de cima, e pediu a cabeça da bancária, que é do andar de baixo.

Afirmei que o ato foi escandalosamente ilegal, certo? Pois é. Existe uma lei que regulamenta as eleições: a 9.504. Estabelece o Inciso VI do Artigo 24:

Art. 24. É vedado, a partido e candidato, receber direta ou indiretamente doação em dinheiro ou estimável em dinheiro, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie, procedente de:
(…)
VI – entidade de classe ou sindical.

A simples expressão de preferência de um órgão sindical, ainda que por meio de um boletim eletrônico, que pode sair a custo quase zero, caracteriza uma forma de publicidade. O que se viu nesta segunda foi muito mais: a CUT organizou uma plenária que serviu, de modo escancarado, para fazer campanha eleitoral. É evidente que está caracterizada aí uma doação a Dilma “estimável em dinheiro”. E de que “dinheiro” estamos falando? Justamente daquele que sai do bolso de todos os trabalhadores, sejam eles sindicalizados ou não.

Que coisa fabulosa! O TSE mandou uma consultoria tirar da Internet simples avaliações que fazia sobre as possíveis consequências da eventual reeleição de Dilma. Estamos a falar de uma consultoria privada, que faz isso às próprias expensas. Lê a sua análise quem quer. E no caso da CUT? Parte do dinheiro que a entidade movimenta é pública. Todos os trabalhadores a sustentam, queiram ou não, sejam sindicalizados ou não. Contrariando flagrantemente a lei, seus dirigentes expressam preferência por uma candidatura, demonizam a outra e ainda chamam para discursar o garoto-propaganda de um partido.

Aí, em nome dos trabalhadores, o dito-cujo, que atende pelo nome de Lula, faz mesuras ao banqueiro e chuta o traseiro da bancária.

Não sei se o evento foi mais asqueroso do que ilegal ou mais ilegal do que asqueroso.

CUT prega 'terror' em caso de vitória de Aécio ou Campos

Felipe Frazão
Veja online

Lula diz que analista do Santander não entende 'p**** nenhuma' de Brasil

Ex-presidente Lula discursa na 14ª plenária nacional da CUT

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT, indicou nesta segunda-feira o apoio formal à reeleição da presidente Dilma Rousseff durante a abertura da sua 14ª plenária nacional, em Guarulhos (SP). Na quinta-feira, Dilma participará do encerramento do evento e receberá um documento com a pauta da CUT, com temas como o fim do fator previdenciário e a redução da jornada do trabalho. Será a primeira agenda de campanha de Dilma no Estado de São Paulo. O presidente da CUT, Wagner Freitas, afirmou que a entidade tem de eleger Dilma e fez um discurso de "terror" contra os dois principais adversários da petista nas eleições, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

Freitas disse que o tucano "nunca trabalhou na vida" e busca o apoio de centrais sindicais. "Alguém acha que a eleição do Aécio vai significar investimento em política pública de qualidade no Brasil? Uma coisa central é reeleger a presidente Dilma. É importantíssimo para nós continuar tendo um governo que se articule direto conosco", discursou Freitas.

"Se nós conseguirmos um plebiscito popular para reforma política e o Aécio ganhar a eleição ele joga o plebiscito no lixo. Se nós conseguirmos todos os aumentos nas campanhas salariais e o Aécio ganhar a eleição, vamos ter problema e teremos de fazer campanha para defender a empresa pública, os nossos direitos e o salário. Se o Aécio ganhar a eleição ele vai acabar com a conquista que se consolidou com o presidente Lula, de valorização do salário mínimo". 

O líder sindical também dirigiu o discurso contra Eduardo Campos, para uma plateia com dirigentes e militantes de Pernambuco, Estado que o candidato governou. "O Eduardo Campos disse que não só vai cumprir a plataforma da classe trabalhadora como vai fazer mais. É verdade, pessoal de Pernambuco, que o Eduardo vai cumprir a plataforma?", perguntou aos sindicalistas. A reposta foi negativa.

Caso Santander – 
Na abertura do encontro, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva criticou a carta com projeções econômicas negativas sobre uma eventual vitória eleitoral de Dilma. O texto foi enviado a correntistas do banco Santander. Lula afirmou que o "não há lugar no mundo em que o Santander ganhe mais dinheiro do que no Brasil". Em discurso dirigido ao presidente mundial do Grupo Santander, Emilio Botin, Lula disse que "o Brasil não vai jogar fora a confiança que conquistou".

"Botin, é o seguinte, querido: tenho consciência de que não foi você quem falou, mas essa moça tua que falou não entende p**** nenhuma de Brasil, e nada de governo Dilma", disse Lula. "Manter uma mulher dessa em cargo de chefia, sinceramente... pode mandar embora e dar o bônus dela pra mim que eu sei o que falo."

Lula também afirmou que, no mercado financeiro, "um engole o outro" e "todos os dias as pessoas inventam mentira sobre outras pessoas e falam mal para tentar derrubar as ações de empresas e governos, para levantar as próprias".

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Pelo baixo nível de linguagem empregada por Lula, além do incrível que sempre destila em seus discursos, dá para concluir o desespero desta gente diante da perspectiva de ser alijada do poder. Mas é possível entender a imensa necessidade que o Brasil tem para trocar de comando. Precisamos de governantes que tenham um pouco mais de compostura, e de não de desequilibrados. Um detalhe importante: por lei, centrais sindicais e sindicatos estão proibidos de fazerem propaganda eleitoral. Com a palavra o TSE. 

O fantasma da recessão começa a rondar a economia brasileira

Carla Jiménez 
El Pais

Economistas projetam um aumento de demissões para este ano e um quadro de ‘estagflação’ até 2015

UESLEI MARCELINO (REUTERS) 
Dilma Rousseff no último dia 17 no Palácio do Itamaraty. 

Havia tempo que a palavra recessão estava descartada do dicionário brasileiro. Mas, os últimos indicadores divulgados nesta semana, como a prévia da inflação acima da meta estabelecida pelo Banco Central, e uma redução dos ganhos salariais em grandes capitais, fizeram os economistas perderem a timidez para falar sobre o assunto. “Já estamos entrando em uma recessão, num ligeira recessão”, diz o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos interlocutores da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula.

“O desempenho da economia no segundo trimestre será negativo”, diz Belluzzo que prevê demissões nas empresas até o final do ano, o que pode promover um terceiro trimestre estagnado, portanto, dentro do que o mercado costuma chamar de “recessão técnica”, quando a economia não cresce por dois trimestres seguidos. No caso de três consecutivos, se configura a recessão clássica.

O setor industrial já vem registrando saldo negativo de emprego (mais demissões que contratações) há três meses. A construção civil também começou a contabilizar cortes de pessoal no mês de junho, segundo o último levantamento do Ministério do Trabalho. 

Ao todo, foram criadas 25.300 vagas, a menor geração de vagas formais registrado para o mês desde 1998, observa o Departamento de Estudos Econômicos do banco Bradesco.

Nesta quinta-feira, dia 24, a pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou, ainda, um recuo nos salários em quatro grandes capitais entre maio e junho: em Recife, por exemplo, houve queda de 1%, em Belo Horizonte, -2,2%, no Rio de Janeiro, -0,5%, e em São Paulo,-1,6%. 

Alessandra Ribeiro, sócia da consultoria Tendências, diz que o cenário vai ficar bastante delicado a partir de agora. “Além de um PIB negativo no segundo trimestre, os dados dos primeiros três meses do ano podem ser revisados para baixo, o que já nos colocaria em recessão técnica”, afirma. Entre janeiro e março deste ano, o país cresceu 0,2%, mas se o dado for revisto para baixo, o desempenho será negativo.

Ribeiro lembra que os números ruins de junho levaram todas as consultorias a revisarem para baixo o crescimento do PIB do país neste ano. A Tendência, por exemplo, passou de 1,3% para 0,6%. O próprio Governo já havia reduzido sua expectativa, de 2,5% para 1,8%, conforme projeção do Ministério do Planejamento.

A inflação persistente, acima da meta de 6,5%, já pesa nos custos das empresas, que devem promover novas demissões. O Bradesco projeta um cenário de elevação gradual da taxa de desemprego ao longo do segundo semestre, com uma taxa média de desemprego de 5,2% neste ano e de 5,7% em 2015.

Os números revelam que o setor empresarial se mantém em compasso de espera, um quadro típico dos anos eleitorais. Quem tem investimentos a fazer, prefere esperar a troca de comando para definir sua estratégia de atuação.

Estagflação
A economia estagnada com inflação em alta cria um círculo vicioso que é o pesadelo de todo governante. Com preços mais altos, o consumidor adia a compra. Sem vender, os empresários adiam seus planos de investir. Sem investimento, não há incentivo para novas contratações. E diante dessa perspectiva, o trabalhador fica mais cauteloso, portanto, menos animado para se endividar.

Na terça-feira, dia 22, o IBGE divulgou a prévia da inflação de julho que se mantém nos 6,51% em 12 meses, embora apontando para uma desaceleração.

Para aumentar o labirinto, a inflação alta faz o Banco Central manter os juros altos, o que encarece o custo do dinheiro para o empresário e o consumidor. Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira, o BC assegurou que manterá a taxa básica de juros em 11%, admitindo uma inflação persistente neste ano e no ano que vem, maior inclusive do que havia sido projetada no mês passado.

A margem de manobra para virar esse jogo, no curto e médio prazo, é mínima e o quadro de estagnação com inflação, ou estagflação se torna inexorável. “Esse quadro de estagflação pode durar por seis meses. Mesmo com a entrada de um novo presidente”, diz Fabio Silveira, da GO Associados, que não dá tanta importância ao eventual status de recessão. “É só um nome. O fato é que a economia está parada”, completa.

Se houver alguma injeção de ânimo importante, os resultados econômicos mais positivos só vão aparecer em 2016, calcula Silveira, que prevê uma expansão de apenas 0,5% para o PIB deste ano. Mas para isso, é preciso oferecer um farto leque de opções para o crescimento do setor produtivo, que garanta o aumento da oferta e das exportações, que perderam o vigor de outrora com o fim do ciclo de valorização das commodities. Leia-se facilidades para investir, redução de burocracias, e apoio na busca de novos mercados para exportar. Medidas que são colocadas de pé apenas no longo prazo.

As frágeis contas externas

O Estado de S.Paulo
Editorial

Continuam mal as contas externas, embora os números de junho tragam pelo menos duas boas notícias - uma raríssima coincidência, nos últimos anos, quando se trata do balanço de pagamentos. Contas externas em bom estado são importante fator de segurança. A maior parte das grandes crises brasileiras esteve associada a problemas nessa área.

A primeira novidade positiva foi a redução do déficit em conta corrente. O resultado negativo ficou em US$ 3,34 bilhões, o menor em nove meses. Desde outubro, o buraco havia sido sempre maior que US$ 5 bilhões. A conta corrente, a medida mais ampla das transações com o exterior, inclui a balança comercial, as contas de serviços e de rendas e as transferências unilaterais. A segunda boa notícia foi o ingresso de US$ 3,92 bilhões de investimento direto estrangeiro, valor mais que suficiente para cobrir aquele déficit. Esse tipo de investimento, destinado ao setor empresarial, é a mais segura e mais produtiva forma de financiamento de origem externa.

O quadro mais amplo é muito mais feio. No primeiro semestre, o déficit em transações correntes chegou a US$ 43,31 bilhões, pouco superior ao de um ano antes e equivalente a 3,84% do Produto Interno Bruto (PIB). O investimento direto, de US$ 29,26 bilhões, ficou muito longe do necessário para financiar aquele rombo. O cenário é também ruim quando se examinam os números acumulados em 12 meses: déficit de US$ 81,19 bilhões e investimento direto de US$ 63,27 bilhões, pouco menor que o acumulado no mesmo período até junho do ano passado: US$ 65,53 bilhões.

O único dado positivo, nesse conjunto, é a aparente disposição dos investidores de manter um fluxo muito parecido com o do ano passado. Ainda há muitos empresários, segundo essa indicação, otimistas quanto às possibilidades econômicas do Brasil. Investimentos diretos são lucrativos quando a economia prospera ou, na pior hipótese, quando vai bem o setor escolhido para a aplicação. O dado negativo é o descompasso, muito amplo nos últimos dois anos, entre as necessidades de financiamento e os fluxos de recursos mais seguros e produtivos.

O déficit em conta corrente acumulado nos 12 meses até junho ficou em 3,58% do PIB estimado para o período. Desde agosto do ano passado essa proporção se tem mantido pouco acima ou pouco abaixo de 3,6%. Não é um desastre nem se pode falar de perigo a curto prazo. Em caso de nova turbulência internacional, o País terá, pelo menos por algum tempo, a segurança de bom nível de reservas, atualmente na vizinhança de US$ 380 bilhões.

Reservas, no entanto, podem diminuir em ritmo perigosamente rápido, quando se combinam más condições de mercado e desconfiança crescente em relação às perspectivas do País. Experiências desse tipo estão registradas na história econômica do Brasil e de muitos outros países, alguns desenvolvidos. Sem confiança, nem o fluxo anual de cerca de US$ 60 bilhões de investimento direto estará garantido.

Para este ano, o Banco Central (BC) estima um déficit em conta corrente de US$ 80 bilhões (3,47% do PIB) e investimento direto estrangeiro de US$ 63 bilhões. Esses itens corresponderam, no ano passado, a US$ 81,06 bilhões e US$ 64 bilhões. A mudança esperada, portanto, é muito pequena e os números projetados são quase iguais aos contabilizados nos 12 meses terminados em junho.

O principal desafio continuará localizado na balança comercial. Estima-se para 2014 um superávit de US$ 5 bilhões na conta de mercadorias, superior ao de um ano antes, de US$ 2,55 bilhões, mas muito inferior à necessidade brasileira. O País precisa de resultados muito melhores no comércio de bens para compensar, pelo menos em parte, o déficit estrutural em serviços e rendas. Há dois anos o superávit comercial brasileiro ainda superou US$ 19 bilhões.

A queda do resultado comercial é explicável, principalmente, pela redução - iniciada há vários anos e acelerada recentemente - da competitividade da indústria. A piora do comércio é gêmea da estagnação de uma indústria com baixa eficiência e custos altos. Reflete o fracasso de uma política. Essa é a fonte principal do risco externo.