quarta-feira, agosto 20, 2014

O califado petista

Arnaldo Jabor
O Estado de São Paulo

As eleições para presidente não serão "normais" - apenas uma disputa entre dois partidos para ver quem fica com o poder. Não. Trata-se de uma batalha entre democratas e não democratas. Está na hora de abrirmos os olhos, porque está em curso o desejo de Dilma e seu partido de tomar o governo para mudar o Estado. Não tenho mais saco para tentar análises políticas sobre a "não política". Não aguento mais tentar ser "sensato" sobre a insensatez. Por isso, só me resta fazer a lista do que considero as doenças infantis do petismo, cuja permanência no poder pode arrasar a sociedade brasileira de forma irreversível.

O petismo tem a compulsão à repetição do que houve em 1963; querem refazer o tempo do Jango, quando não conseguiram levá-lo para uma revolução imaginária, infactível. Os petistas querem a democracia do Comitê Central, o centralismo democrático, o eufemismo que Lenin inventou para controlar Estado e sociedade. Eles não confiam na 'sociedade'; só pensam no Estado, na interferência em tudo, no comportamento dos bancos, nos analistas de mercado e, principalmente, no velho sonho de limitar a liberdade de opinião. Assinam embaixo da frase de Stalin: "As ideias são muito mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, porque deveríamos permitir que tenham ideias?". Nossa maior doença - o Estado canceroso - será ignorada e terá uma recaída talvez fatal. Não fazem autocrítica e não querem ser criticados. 

A teimosia de Dilma é total - vai continuar errando com galhardia brizolista. Sua ideologia é falha, mal assimilada nessa correria sindicalista e pelega. Até agora governaram um país capitalista com regras e métodos anticapitalistas - dá no desastre econômico a que assistimos. Eles odeiam a competência. Acham que administrar é coisa de burguês - vejam o estrago atual. Acham que planejam a História, que 'fazem' a História. Por isso, adotaram a mui útil "mentira revolucionária". Assim, podem ocultar tudo da sociedade para o "bem dela". Aliaram-se ao que há de pior entre os reacionários brasileiros e vivem a volúpia de imitá-los, com um adorável 'frisson' perverso ao cometerem malfeitos para "fins justos". Aliás, nem sabem o que são seus "fins"; têm uma vaga ideia de 'projeto' que não passa de um sarapatel de "gramscianismo" vulgar com getulismo tardio e um desenvolvimentismo dos anos 1960. Foi assim que criaram a 'roubalheira de esquerda', que chamam de "desapropriação" de dinheiro da burguesia. Isso justificou o mensalão, feito para eleger Dirceu presidente em 2010. Fracassaram. Aliás, o PT abriga muitos fracassados porque, ao se dizerem "revolucionários" sentem-se superiores a nós, os alienados, os neoliberais, os direitistas, os vendidos ao imperialismo.

Não entendem o mundo atual e continuam com os pressupostos de uma política dos anos 30 na URSS. Leiam os livros do período e constatem se um Gilberto Carvalho não pensa igualzinho ao Molotov. Para eles, a oposição é a união da "burguesia" contra o "povo". No entanto, quem se aliou à pior burguesia patrimonialista foram eles; ou Sarney, Renan, Jucá, Maluf e Severino do macarrão são bolcheviques? Petistas só pensam no passado como vítimas ou no futuro como salvadores e heróis. O presente é ignorado, pois eles não têm reflexão crítica para entendê-lo. Adoram estar num partido que pensa por eles. Dá um alívio não ter de pensar - só obedecer. A mediocridade sonha com o futuro onipotente. A morte súbita de Eduardo Campos pirou os "hegelianozinhos de pacotilha", que descobriram que a História é intempestiva e não obedece ao Rui Falcão. Agora, rumam em massa para Pernambuco para elogiar quem chamavam de 'traidor e menino mimado'.

Querem criar os tais "conselhos" sociais, para adiar os problemas, fingindo uma "humildade democrática" para 'ouvir' a população, de modo a ocultar seu autoritarismo renitente. Vivem a ideia de um futuro socialista como o substituto do sonho de 'imortalidade' dos cristãos. Comunista não morre; vira um conceito. O homem é um ser social, e o 'ser social' nunca morre. Para eles (e para o Kim da Coreia do Norte), o indivíduo é uma ilusão que criou essa dor melodramática. Quem morre é pequeno-burguês. Muitos intelectuais e artistas, que sabem dessas doenças infantis, preferem cavalgar o erro a mudar de ideia. Consola a consciência ter uma estrelinha vermelha pendurada na alma.

Os petistas têm uma visão de mundo deturpada por conceitos compartimentados e acusatórios: luta de classes, vitimização, culpados e inocentes, traidores e traídos. Acham que a complexidade é um complô contra eles, acham a circularidade inevitável da vida uma armação do neoliberalismo internacional. Confundem simplicidade com simplismo. Nunca fazem parte do erro do mundo; sentem-se superiores a nós, tocados pelo dedo de Deus.

Agora, no mundo modificado pelo fim do socialismo real, pelos impasses do Oriente Médio, pela crise financeira do capitalismo, pela revolução digital, sentem falta de uma ideologia que os justifique e absolva. E como não existe nenhuma disponível (social-democracia, nem pensar...), apelam para o tosco bolivarianismo que nos contamina aos poucos. É inacreditável como batem cabeça para ditadores e criminosos, de Ahmadinejad a Maduro, de Putin a Fidel, tudo em volta do fascismo populista de Chávez.

Dilma se acha Brizola, Lula imita Getúlio: nacionalismo, manipulação da liberdade, ódio a estrangeiros, desconfiança dos desejos da sociedade. Nada pior do que o brizolismo-getulista, neste momento do País. Estávamos prontos para decolar no mundo contemporâneo, mas seguraram o avião e voltamos para trás.

Por isso, repito a frase oportuna de Baudrillard: "O comunismo, hoje desintegrado, tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro; não através da ideologia, nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de desfuncionamento e da desestruturação da vida social".

Este é o perigo.

As eleições e as nuvens

Gil Castello Branco 
O Globo

Campanhas somarão R$ 72 bilhões, conforme previsões dos concorrentes. Mais de duas vezes o gasto prometido para a Copa

A conhecida frase de Magalhães Pinto, ex-banqueiro e parlamentar mineiro, permanece atual: “Política é como nuvem.” De fato, a cada olhar, enxerga-se um novo formato. Até a semana passada, o filme seria o já visto nas cinco últimas eleições presidenciais, com o PT e o PSDB no duelo final. A dúvida era se Dilma venceria no primeiro turno. A morte de Eduardo Campos viabilizou a terceira via e o segundo turno, no qual Marina Silva (PSB) passou a ser favorita.

Independentemente do desfecho imprevisível, 25.366 cidadãos irão concorrer às vagas de deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República. Curiosamente, três candidatos já passaram dos 90 anos. Estão no páreo, por exemplo, 2.321 empresários, 1.481 professores, 1.386 advogados, 544 policiais, 23 motoboys, 21 garis, cem sacerdotes, oito artistas de circo e dois coveiros. Ao que parece, Tiririca deixou legado.

O interesse em servir à sociedade — ou servir-se dela, como fazem alguns — envolve ricos e pobres. Nas declarações de bens encontram-se 63 aeronaves e 216 embarcações. De um jato, adquirido por R$ 7,5 milhões, a um bote inflável de R$ 462. De duas Ferraris a um burro. Cerca de dez mil candidatos não informaram patrimônio. Como as declarações de bens entregues no registro das candidaturas não são cruzadas com as do Imposto de Renda — o que deveria ocorrer — é provável que a Justiça Eleitoral e o Leão tenham informações diferentes.

A partir de hoje, quando começar o horário eleitoral, estarão disputando votos pretendentes com nomes curiosos como Hora do Rango, Cachorrão, Chiclete, Chupa Cabra, Cição Bandido, Barack Obama, Mister M, Filho do Padre, Eu te Amo e Bagunça. O último, se eleito, vai se sentir em casa.

As campanhas somarão R$ 72 bilhões, conforme previsões dos concorrentes. O valor corresponde a mais de duas vezes o gasto prometido para a Copa 2014, incluindo as obras de mobilidade urbana, aeroportos, estádios, turismo e segurança pública. Desde 1965, a lei eleitoral prevê a possibilidade de o Legislativo fixar tetos para as campanhas, o que nunca ocorreu. Para os partidos políticos, candidatos e doadores, aparentemente, quanto mais dinheiro, melhor.

Tal como acontece há várias eleições, os maiores doadores têm relações com o governo federal. A maior empresa de proteína animal do mundo, a JBS (Friboi), lidera as doações. A caridade somou R$ 53,3 milhões, distribuídos para nove partidos. O grupo recebeu R$ 12,8 bilhões do BNDES, de 2002 a 2012. Por mero espírito democrático, doou R$ 5 milhões para a campanha de Dilma e valor idêntico para a de Aécio. O PSB recebeu apenas R$ 370 mil, por enquanto.

A promessa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de acabar com as doações ocultas não se concretizou. As doações continuam sendo feitas em grande parte aos comitês, diretórios e aos partidos. Posteriormente, quando do repasse aos candidatos, frequentemente não são identificados os doadores originais. Assim foi na primeira prestação de contas dos três então principais candidatos à Presidência da República, mau exemplo de transparência.

As regras eleitorais contêm aberrações, a começar pelo favorecimento descarado aos que concorrem exercendo mandatos de deputado, senador, governador e presidente da República. Até estas eleições, as “autoridades” fingiam desempenhar as funções públicas durante o dia e se dedicar às campanhas somente na hora do almoço, à noite e nos fins de semana. Agora, o que se vê é a caça de votos durante o expediente, com entrevistas nos palácios, lançamentos de planos e concessão de incentivos às vésperas do pleito, às barbas do TSE. O que já era ruim, piorou.

As cartas estão na mesa nas eleições presidenciais, com reflexos nas estaduais. A favor de Dilma, 15 pontos percentuais à frente, segundo o Datafolha, quase 12 minutos na televisão e Lula como cabo eleitoral para mostrar o que o partido fez em 12 anos. Aécio e Marina vão lembrar a inflação alta, o crescimento pífio do PIB e os escândalos da Petrobras. O mineiro confiará na polarização PT/PSDB e na sua vida política. A segunda, ungida como sucessora de Campos, contará com o fator emocional e o seu peso eleitoral elevado fruto do “recall” das eleições de 2010. Todos com os pés na estrada para conquistar os 24 milhões de eleitores indecisos e que pretendem anular ou votar em branco. Sem falar no “volta Lula”...

Enfim, se a política é como nuvem, ninguém poderá prever o “clima” nos dias 5 e 26 de outubro. Nem os cientistas políticos, tampouco os meteorologistas.

O homem planeja; e Deus ri.

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Dilma Rousseff e Lula estavam irritadíssimos com Eduardo Campos, por se considerarem abandonados, por acharem que sua presença, no importante celeiro de votos petistas do Nordeste, aumentava as probabilidades de um arriscado segundo turno. Aécio Neves queria que o candidato do PSB, com esquálidas intenções de voto, crescesse mais, para levar as eleições ao segundo turno.

Com a morte de Eduardo Campos, sumiu do horizonte petista o aliado que os abandonara, o perigoso candidato que dividiria o voto nordestino com que Dilma conta. E sumiu do horizonte tucano a possibilidade de não haver segundo turno.

Em troca da realização dos sonhos dos dois maiores candidatos, caiu sobre eles o tsunami Marina Silva: nas primeiras pesquisas, empate técnico com Aécio Neves no primeiro turno, empate técnico com Dilma no segundo. Tudo bem, são as primeiras pesquisas, ainda realizadas sob o impacto emocional da morte trágica de Eduardo Campos. Mas alarmaram os adversários: Marina já virou o alvo favorito de ambos. O PT a acusa de ser a candidata dos bancos e dos empresários (na verdade, de uma das sócias de um banco e de um empresário de porte), o PSDB relembra as brigas de Marina com o agronegócio. Aécio, que tratava Eduardo Campos com carinho (precisaria de seu apoio no segundo turno), está mais duro: acha que Marina, se ficar fora da disputa, irá declarar-se neutra. É possível.

O título desta coluna é um provérbio judaico. A frase final é um provérbio grego: os deuses, quando querem destruir os homens, atendem a seus desejos.

Um olhar à frente
O fenômeno Marina era esperado: primeiro, por sempre ter estado nas pesquisas acima de seu companheiro de chapa; segundo, pela comoção provocada pela morte trágica de Eduardo Campos. O que não se esperava é que seus dois principais adversários continuassem nos mesmos patamares. Se não foi deles que Marina tirou suas novas intenções de voto, foi buscá-las em setores que pretendiam votar em branco ou anular o voto. É difícil que este eleitorado, que não aceitava os demais candidatos, aceite trocar Marina por eles. Marina pode perder votos entre os antigos eleitores de Eduardo Campos ou entre os novos participantes da cena política, que voltariam ao voto branco ou nulo. 

E é aí que as principais campanhas concorrentes vão trabalhar: provar que Marina, ao contrário do que parece, não é o novo, é contra o progresso, não representa o povo que foi às ruas. 

Democracia na prática
A entrevista da presidente Dilma Rousseff a William Bonner e Patrícia Poeta, no Jornal Nacional, foi um retrato em alta definição de nossa democracia como ela é. Os repórteres perguntaram o que deveriam perguntar e a presidente respondeu o que achou conveniente responder. Os repórteres insistiram, ela também.

E, com todos os esforços dos dois bons entrevistadores, o público continuou sabendo exatamente o que sabia antes da entrevista.

Briga boa
É briga boa: Carlinhos Cachoeira, condenado a 39 anos de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha (aguarda o julgamento do recurso em liberdade), não gostou de ser citado pelo candidato do PMDB ao Governo goiano, Íris Rezende, como personagem central "do maior escândalo de que se tem notícia na administração deste país". Reagiu duro, com artigo publicado no Diário da Manhã, de Goiânia: "Os canalhas também envelhecem". 

Fala de doações de campanha, "de assuntos não tão republicanos", e diz que está tudo documentado. O governador tucano Marconi Perillo, candidato à reeleição com ampla vantagem sobre Íris, não se envolveu na briga, mas sua equipe divulgou fartamente a carta de Cachoeira. Íris reagiu acusando Cachoeira de ser "preposto do governador". 

Continua nos próximos dias.

É vendaval
É uma injustiça dizer que o Legislativo não trabalha, ainda mais nesses dias de início de campanha. É injusto também acusar o Legislativo de decidir com lerdeza. A Assembleia do Ceará acabou de aprovar projeto do governador Ciro Gomes, do PROS, criando novos cargos, sem concurso, na diretoria da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados, com o salário-teto do Estado: R$ 16.147,69 mensais. O projeto tramitou na Assembleia por uma semana, passou por todas as comissões técnicas de praxe e foi rapidamente aprovado. Os dois diretores serão nomeados imediatamente e terão mandato de quatro anos; o novo governador, que toma posse em 1º de janeiro, será obrigado a engoli-los. 

Os recursos
De onde vem o dinheiro? Simples: a verba necessária para as duas novas diretorias foi retirada do Fundo Estadual de Combate à Pobreza. Nada mais justo: embora viva a maior seca dos últimos 50 anos, o Ceará tem dois pobres a menos.

Os milagres da tecnologia
A ONG Contas Abertas, fiscal dos gastos públicos informa que a Presidência da República determinou a compra de uma câmera fotográfica digital Canon EOS SD, de última geração, por R$ 9.400,00.

Para melhorar a imagem de nossos governantes, só se vier com turbo Photoshop UltraMaxLier acoplado.

carlos@brickmann.com.br 
www.brickmann.com.br

Marketing eleitoral na embalagem opaca do ilusionismo

Gaudêncio Torquato 
O Estado de São Paulo

Uma campanha política é uma guerra de cinco batalhas. A primeira se inicia na convenção partidária, com o lançamento dos nomes dos candidatos. Depois, a luta pelo crescimento do perfil que se dá no corpo a corpo. O terceiro embate ocorrerá com a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Na primeira quinzena de setembro, inicia-se o quarto desafio: consolidar a candidatura; e a quinta batalha, sob as armas dos debates e das mobilizações, visa alçar o candidato aos primeiros lugares do ranking.

Para sair na frente, o primeiro passo é conhecer o perfil dos eleitores. Em tempos de corrupção escancarada, a sociedade brasileira desconfia de perfis que prometem obras faraônicas, expressam mensagens inflamadas e ações espetaculosas de marketing. O momento é favorável a figuras que direcionem o foco de seu discurso para os problemas urgentes das comunidades. A discussão sobre política econômica é abstração para as massas, mas não deixa de ganhar repertórios selecionados.

A desconfiança generalizada vem se transformando na mola para a mudança de paradigma na política. A sociedade brasileira começa a analisar o processo de maneira mais atenta e racional. O ideário da inovação e da renovação ganha espaço em meio a nomes carimbados do quadro nacional.

Na contramão dos avanços, o marketing eleitoral patina nas pistas do passado. A razão para tanto é o crédito na teatralização da vida pública. Estarão interessados em empacotar os perfis na embalagem opaca do ilusionismo.

A esperteza, o vale-tudo, a dramatização, os recursos artificiais e a hipocrisia têm sido a tônica da cultura política no ciclo da sociedade pós-industrial. A política e seus meios inspiram a personalização do poder. O marketing, nessa esteira, serve ao princípio maquiavélico de que “os fins justificam os meios”. E o palanque da política acaba sendo o palco do teatro, do espetáculo, dos dramas e das comédias.

Felizmente, o Brasil das ruas cheias de gente clamando por mudanças funciona como aríete contra os espetáculos falsos da política. O eleitor está mais apurado, mais exigente, mais desconfiado. Programas eleitorais mostrando candidatos como produtos de consumo de massa, com a imagem construída via efeitos cosméticos, podem ser um bumerangue.

O que se vê hoje no cenário da campanha eleitoral para presidente é um triste retrato da longa distância que separa os anseios do povo do discurso dos candidatos. Não existe a menor conexão entre o recado das massas e as falas vazias dirigidas a pequenos públicos escolhidos pelas assessorias dos partidos. Maior prova foi um início de campanha gelado, desprovido de qualquer emoção, até que a morte de Eduardo Campos mudou tudo.

A verdade se imporá sobre a ficção nesta campanha. Por tudo isso, nunca esteve tão na ordem do dia o lema: “Chegou a hora de passar o Brasil a limpo”.

Marina Silva? Cuidado!

Percival Puggina

 Denunciar os terríveis malefícios prestados à Igreja Católica pela Teologia da Libertação (TL) faz parte dos deveres cívicos e religiosos que me impus desde que comecei a escrever para jornais, nos anos 80. A TL é uma versão comunista da teologia cristã, que serve ao comunismo e desserve á Igreja. Já levo 29 anos tratando, periodicamente, desse lastimável mas necessário tema.

 Passadas quase três décadas, não encontrei motivo para corrigir uma linha sequer do que escrevi a respeito, muitas vezes incluindo no rol das minhas execrações vastos setores da hierarquia da Igreja instalados na CNBB, em alguns de seus órgãos e em segmentos de sua assessoria. Esses setores, nos anos 80, estavam mais preocupados com promover o PT e suas pautas. Agora estão mais preocupados com proteger os efeitos políticos sobre o PT das estripulias que esse partido promove com cotidiana dedicação.

 Pois foi nesse mal coado e azedo caldo de cultura, cozido em água benta, que se formou Marina Silva, a senhora acreana que a morte de Eduardo Campos traz à ribalta desta eleição. Cuidado! A fala mansa da ex-vice de Eduardo Campos não se harmoniza com a rigidez e o radicalismo de suas posições. O dever cívico de conhecê-las não se cumprirá ouvindo o meigo discurso eleitoral que vem por aí. Há informações muito mais precisas e irrefutáveis na biografia da candidata.

Seu primeiro alinhamento político deu-se com filiação ao Partido Comunista Revolucionário (PRC), célula marxista-leninista albergada no PT onde militou durante uma década. Foi fundadora da CUT do Acre e lá, filiada ao PT, conseguiu o primeiro de uma série de mandatos legislativos: vereadora em Rio Branco, deputada estadual, senadora em dois mandatos consecutivos. Em 2003, no primeiro mandato de Lula, assumiu a pasta do Meio Ambiente, onde agiu como adversária do agronegócio. Sua gestão deu-lhe notoriedade internacional e conquistou ampla simpatia de organizações ambientalistas europeias que agem com fanatismo anti-progressista em todo mundo, menos na Europa...

Foram cinco anos terríveis para o desenvolvimento nacional. No ministério, Marina travava projetos de infraestrutura, impedia ou retardava empreendimentos públicos e privados, aplicava a torto e a direito um receituário avesso às usinas, aos transgênicos, ao agronegócio, principal motor do desenvolvimento nacional e responsável pela quase totalidade dos superávits de nossa balança comercial. Os pedidos de licenças ambientais empilhavam-se, relegados ao descaso. Empreendimentos eram cancelados por exaustão e desistência dos investidores. Sempre irredutível, Marina incompatibilizou-se com governadores, com os setores empresariais e com a então ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Foram cinco anos terríveis!
Quando se sentiu politicamente firme, largou a Igreja Católica, mudou-se para a Assembleia de Deus e para o PV. 

Depois, largou não sei que mais e se mudou para o projeto da Rede. Mas isso não a fez menos alinhada com as trincheiras de combate às economias livres, ao agronegócio, e ao evangélico domínio do homem sobre os bens da Criação. A ecomania de Marina Silva inverte a ordem natural nesse convívio, submetendo os interesses da humanidade às determinações que diz extrair do mundo natural. No fundo, vestido com floreios ecológicos, é o velho ódio marxista à propriedade privada dos bens da natureza.

De um leitor, a respeito da animosidade de Marina Silva para com o agronegócio: "Ela é uma praga de gafanhotos stalinistas reunidos numa pessoa só".

Páreo duro

Dora Kramer
O Estado de S. Paulo

A primeira pesquisa do instituto Datafolha com a inclusão do nome de Marina Silva em substituição ao de Eduardo Campos como titular da chapa presidencial do PSB não surpreendeu.

Ao contrário: correspondeu perfeitamente à expectativa de que a ex-senadora alcançasse o candidato do PSDB, Aécio Neves, em termos de intenções de votos. A leitura fria dos números não autoriza dizer que o resultado seja reflexo da comoção nacional decorrente da morte trágica do ex-governador de Pernambuco.

Quando perdeu a condição legal de se candidatar porque não conseguiu registrar seu partido no prazo permitido por lei, Marina aparecia com 27% nas pesquisas de opinião. Como vice não havia ainda conseguido transferir esse capital para seu companheiro de chapa, cujo índice estava no patamar de 8%.

Demonstração clara de que é no mínimo questionável a influência do vice na incorporação de votos. Na realidade, ninguém vota em vice. No momento em que a ex-senadora passa à condição de herdeira da candidatura, nada mais natural que recupere boa parte de seu patrimônio pessoal.

Está escrito na pesquisa: nem a presidente Dilma nem o senador Aécio perdem um ponto porcentual sequer. Ela fica com os 36% anteriores e ele com os 20% registrados na penúltima consulta. Marina pontua 21%. De onde saem esses votos? Os números indicam que das categorias "outros", "brancos/nulos" e "não sabe".

Na consulta de quinze dias atrás, esse conjunto somava 35% dos pesquisados. Na pesquisa atual o índice cai para 13%. Diferença: 22%. Um ponto porcentual a menos que o índice de intenção de votos registrado para Marina Silva. Matematicamente ao menos parece que temos uma evidência.

Os eleitores de Dilma e Aécio ficam onde estavam. Os de Marina despertam. Criam um novo interesse pela eleição, o que é ótimo para o processo como um todo, tende a aumentar a quantidade de votos válidos e, com isso, a participação do eleitorado.

Mas, esse é o primeiro momento e há muitas variáveis daqui em diante a serem consideradas antes de se estabelecer um cenário de resultado confiável. A mais importante delas: como vai se comportar o eleitorado diante de uma candidatura de Marina Silva não mais como uma "outsider", mas como uma possibilidade concreta de presidente?

Outra: qual a posição da candidata será de franca oposição ao governo? E os adversários, PT e PSDB, partirão para o ataque? Menos ou mais agressivo? Qual a calibragem de maneira a mostrá-la menos preparada para governar, mas sem transformá-la em vítima das grandes e tradicionais forças políticas?

São questões a serem resolvidas nos próximos dias, aí sim, considerado o fator comoção. O ambiente tende a se normalizar e, nele, há dificuldades para Marina.

A relação tensa com o PSB no tocante às alianças regionais cujo fiador era Eduardo Campos, o financiamento de campanha e até um dado importante - surpreendente - da pesquisa; a melhora em seis pontos porcentuais na avaliação positiva do governo da presidente Dilma.

Em suma, a eleição que antes era difícil para dois candidatos, agora é difícil para três.

'Medômetro'. 
No ranking informal - troca de impressões, ainda sob o impacto da morte de Eduardo Campos - de executivos de grandes bancos o tucano Aécio Neves segue em primeiro lugar nas preferências. Marina Silva fica na segunda posição e o receio maior continua sendo em relação à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Como esperado, a resistência à candidatura do PSB aumenta no setor de agronegócio, onde é difícil a quebra do gelo entre outros fatores por ausência de disposição de parte a parte. O papel de mediador era feito por Campos, que conseguiu algum avanço na sabatina da Confederação Nacional da Agricultura, há duas semanas.

Na ocasião, porém, a plateia recebeu com frieza explícita a então candidata a vice.

JN: Dilma mudou muito, e não deixou endereço

Josias de Souza


Com o passar dos anos, as pessoas mudam muito. Por exemplo: a Dilma que foi ao ar na noite desta segunda-feira no Jornal Nacional não tinha nada a ver com a Rousseff que prevaleceu na sucessão de 2010 como protótipo da eficiência gerencial. Em menos de quatro anos, a personagem perdeu o colorido e o discurso. Hoje, surpreende mais pelas perguntas que é obrigada a ouvir do que pelas respostas que não consegue dar.

Já na primeira pergunta, Willian Bonner pronunciou o vocábulo “corrupção” uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete vezes. No seu governo houve uma série de escândalos de corrupção, disse ele. Houve corrupção na pasta da Agricultura, corrupção nas Cidades, nos Esportes… Houve escândalo de corrupção na Saúde, nos Transportes… Houve corrupção no Turismo, no Trabalho… A Petrobras é alvo de duas CPIs.

Bonner, finalmente, indagou: qual é a dificuldade de se cercar de pessoas honestas, que lhe permitam formar uma equipe de governo honesta, que evite esta situação que nós vimos de repetidos casos de corrupção? Não há uma sensação no ar de que o PT descuida da questão da corrupção?

A Dilma de 2010, durona e irascível, talvez colocasse o inquiridor petulante para fora da biblioteca do Alvorada a pontapés. A Rousseff de 2014, treinada para suportar o insuportável, repetiu o mesmo lero-lero ensaiado que vem recitando na série de entrevistas e sabatinas que a campanha eleitoral lhe impõe.

No meu governo e no do presidente Lula, a Polícia Federal ganhou autonomia, ela respondeu. Nos nossos governos, o procurador-geral não é chamado de engavetador-geral da República. Criamos a CGU e a Lei de Acesso à Informação, blá, blá, blá…

Antes famosa por mandar para o olho da rua ministros pilhados em malfeitos, Dilma agora defende o lixo que varreu. Muitos daqueles que foram identificados pela mídia como praticantes de atos indevidos foram posteriormente inocentados, declarou, abstendo-se de dar pseudônimo aos bois.

E Bonner: em quatro casos de corrupção, a senhora trocou um ministro por alguém que era do mesmo partido e do mesmo grupo político. Isso não é trocar seis por meia dúzia? Nesse ponto, Dilma citou como evidência do apuro ético de sua administração o caso da chantagem do PR. Em troca de 1min15s de propaganda no rádio e na tevê, o partido do mensaleiro preso Valdemar Costa Neto exigiu a demissão do ministro Cesar Borges (Transportes).

Fui muito criticada por ter substituído o César Borges pelo Paulo Sérgio, declarou a presidente-candidata. Ora, o Paulo Sérgio foi meu ministro e foi ministro do presidente Lula. Quando saiu do ministério, ele ficou dentro do governo noutro cargo importante, que é da Empresa de Planejamento Logístico. O Cesar Borges o substituiu. Posteriormente, eu troquei o César Borges novamente pelo Paulo Sérgio. E o César Borges também ficou dentro do governo, na Secretaria de Portos. Os dois são pessoas que eu escolhi.

Mas não foi exigência do partido?, estranhou Bonner. Dilma enforcou-se com a própria corda: os partidos podem fazer exigências, ela consentiu. Mas eu só aceito quando considero que ambos são pessoas íntegras, competentes, com tradição na área. Troquei porque eu tinha confiança nessas pessoas. Hummm… O telespectador ficou sem entender porque Dilma entregou o escalpo de Cesar Borges ao PR, partido de notória reputação, se o considerava um ministro assim, digamos, irrepreensível.

Na sequência, Bonner esfregou, por assim dizer, o mensalão na face da anfitriã. Seu partido teve um grupo de elite de pessoas corruptas, declarou. Comprovadamente corruptas, enfatizou. Foram julgadas, condenadas e enviadas à prisão, voltou a realçar. Eram corruptos, insistiu. E o PT tratou esses condenados por corrupção como guerreiros, vítimas de injustiça. Isso não é ser condescendente com a corrupção?

A exemplo do que fizera noutras entrevistas, Dilma recorreu à desconversa: eu sou presidente da República, afirmou, como se desejasse convencer-se a si própria de sua condição privilegiada. Não faço nenhuma observação sobre julgamentos realizados pelo Supremo Tribunal Federal. Sabe por quê? Porque a Constituição exige que o presidente da República respeite a autonomia dos outros Poderes.

Mas a senhora condena o comportamento do PT?, insistiu o entrevistador. Eu tenho minhas opiniões pessoais, mas não julgo ações do Supremo, Dilma voltou a escorregar. Bonner insistiu: e quanto à ação do partido? Enquanto eu for presidente, não externo opinião a respeito de julgamento do Supremo, repetiu a entrevistada, como um disco de vinil arranhado.

Entre venenoso e generoso, Bonner ofereceu a Dilma uma derradeira oportunidade para distanciar sua presidência do escândalo que tisnou a gestão do padrinho-antecessor: mas candidata, a pergunta que eu lhe fiz foi sobre a postura do seu partido. Qual sua posição a respeito da postura do seu partido?

Mais lulodependente do que nunca, Dilma preferiu arrastar as correntes dos fantasmas alheios: não vou tomar nenhuma posição que me coloque em confronto com o STF, aceitando ou não. Eu respeito a decisão da Suprema Corte brasileira. Isso não é uma questão subjetiva. Para exercer a Presidência, eu tenho de fazer isso.

De duas, uma: ou Dilma concorda com Lula, que disse que o julgamento dos mensaleiros foi “80% político”, ou aprova as condenações e silencia apenas para não fazer a pose de um navio abandonando os ratos. O petismo não toleraria tamanha afronta.

Patrícia Poeta mudou de assunto. Corrupção não é o único problema, disse ela. A saúde continua sendo a maior preocupação dos brasileiros, segundo o Datafolha. Isso depois de 12 anos de governos do PT. Mais de uma década não foi tempo suficiente para colocar a saúde nos trilhos?

Convidada a fazer um balanço de três mandatos, Dilma falou do Mais Médicos, um programa improvisado em cima da perna, no ano passado, nas pegadas do ronco das ruas de junho. Nós enfrentamos um dos mais graves desafios que há na Saúde, a candidata afirmou. Nós tivemos uma atitude muito corajosa, ela acredita. Contratamos 14.462 médicos, incluindo os cubanos. Cinquenta milhões de brasileiros que não tinham atendimento médico passaram a ter.

A entrevistadora foi ao ponto: a senhora diria, então, diante dos nossos telespectadores, que enfrentam filas e filas nos hospitais, que muitas vezes são atendidos em macas e não conseguem fazer um exame de diagnóstico, que a situação da Saúde no nosso país é minimamente razoável depois de 12 anos de governos do PT?

Não, não acho, não acho, viu-se compelida a admitir Dilma, com a ênfase de três negativas. Quando se imaginava que ela serviria às câmeras uma autocrítica, a candidata dividiu as culpas com governadores e prefeitos. O Brasil precisa também de uma reforma federativa, porque há responsabilidades federais, estaduais e municipais, disse Dilma, antes de repisar a tese segundo a qual o Mais Médicos levou 50 milhões de brasileiros para o Éden da saúde.

Cutucada sobre a inflação alta e o PIB baixo, Dilma serviu o kit básico de desculpas: a crise internacional, o excesso de pessimismo e a perspectiva de melhorias neste segundo semestre. Convidada a utilizar os segundos finais da entrevista para enumerar seus planos para o segundo mandato, declarou o seguinte:

“Fui eleita para dar continuidade aos avanços do governo Lula. Ao mesmo tempo, nós preparamos o Brasil para um novo ciclo de crescimento. O Brasil moderno, mais inclusivo, mais produtivo, mais competitivo. Nós criamos as condições para o país dar um salto, colocando a educação no centro de tudo. E isso significa, Bonner, que nós queremos continuar a ser um país de classe média. Cada vez maior a participação da classe média, mais oportunidades para todos… Eu acredito no Brasil. Acho que, mais do que nunca, todos nós precisamos acreditar no Brasil e diminuir o pessimismo. E peço o voto dos telespectadores e…'' Acabou o tempo, interrompeu Bonner.

Restou a impressão de que, por mais que seus sucessivos entrevistadores tentem, Dilma nunca vai chorar pelo leite derramado durante o seu governo. O diabo é que os 35% de eleitores que a rejeitam parecem achar importante saber quem derramou o leite, por quê e em que circunstâncias… Até para que o fenômeno não se repita num eventual segundo mandato.

Dilma pede um voto de confiança. Mas um telespectador refratário à reeleição talvez pergunte aos seus botões: por que diabos eu deveria confiar uma bandeja com um copo de leite a uma presidente que se esquiva de explicar desastres que envergonhariam qualquer garçom de boteco? Aliás, se fossem repetidas num botequim, algumas das perguntas que soaram no Alvorada talvez terminassem numa troca de sopapos. Mas a Dilma de 2014 já não é a mesma Rousseff de 2010. Ela mudou muito. E não deixou endereço.

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

Sendo o jornalista  competente e bem informado que é, Bonner poderia  ter desmentido a senhora Rousseff numa afirmação grosseiramente mentirosa, a de que foi Lula quem criou a Corregedoria Geral União. Não foi. A C.G.U., encarregada de investigar a má conduta dos órgãos públicos, é criação de Fernando Henrique Cardoso, já no distante ano de 2.001.Qualquer pesquisa simples no Google indicará a mentira contada por Dilma que, aliás, apenas repete a mesma mentira tantas vezes contada por Lula. Aliás, os governos petistas sempre foram muito ávidos em se tornarem pais de crianças que não eles que geraram. Outro exemplo, entre tantos outros, é a estabilidade econômica que, se Dilma for eleita, será jogada no lixo por sua extrema competência em ser INCOMPETENTE  e MEDÍOCRE.   

Frutos do controle petista

O Estado de S. Paulo 
Editorial

Nem produzindo e refinando mais petróleo a Petrobrás consegue melhorar seu desempenho financeiro, como mostram os resultados do primeiro semestre deste ano, na comparação com os da primeira metade de 2013. O lucro líquido do período, que alcançou R$ 10,4 bilhões, foi 25% menor do que o do período janeiro-junho do ano passado. Dominada politicamente pelo governo do PT - e por isso submetida a um regime de controle de preços que lhe impõem custos cada vez mais insuportáveis e, ainda assim, obrigada a executar um ambicioso programa de investimentos -, a estatal não poderia produzir resultados muitos melhores do que os que vem apresentando. Ou seja, com perdas para os investidores e para o País.

Com o objetivo de conter as pressões inflacionárias, em boa parte decorrentes da inconsistência de sua política econômica e da fragilidade de sua política fiscal, o governo Dilma Rousseff vem segurando os preços dos combustíveis para os consumidores. Essa política, ou antipolítica, tarifária vem causando prejuízos bilionários para a empresa na área de abastecimento. No primeiro semestre deste ano, por exemplo, essa área registrou prejuízo de R$ 8,6 bilhões, 29% maior do que na primeira metade de 2013.

A empresa chegou a uma situação tal que, quanto mais refina e vende gasolina e óleo diesel, além de outros derivados, mais tende a perder dinheiro, pois o preço cobrado nas bombas não é suficiente para cobrir os custos de produção. E vem refinando mais petróleo. No entanto, como sua capacidade de refino ficou estagnada nos últimos anos, está sendo obrigada a utilizá-la num nível acima do recomendável. Como ela própria reconheceu, o processamento em seu parque de refino no segundo trimestre de 2014 alcançou 98% da capacidade instalada, 2 pontos porcentuais acima do registrado nos três primeiros meses do ano. É um nível de utilização que pode dificultar a manutenção indispensável para reduzir os riscos de interrupção das operações ou de acidentes.

Mesmo assim, por causa dos fortes estímulos do governo petista à venda de automóveis, o consumo interno de combustíveis vem crescendo num ritmo que a Petrobrás não tem mais condições de acompanhar com sua produção própria, o que a tem forçado a importar derivados, sobretudo gasolina, pelos quais paga em dólares ao preço internacional e é obrigada a vender a preços controlados pelo governo - e insuficientes para cobrir seus gastos.

A área de abastecimento é a principal responsável pela geração dos recursos para os investimentos da Petrobrás - e também pela geração dos resultados financeiros para os acionistas. Em crise, como mostram os números recentes, ela não tem gerado os recursos suficientes para sustentar o bilionário programa de investimentos da empresa na área de exploração, cuja ação está concentrada no pré-sal. No primeiro semestre, os investimentos foram 6% menores do que os do mesmo período de 2013.

Sem gerar recursos suficientes, a Petrobrás vem procurando no mercado financeiro o capital de que necessita para sustentar seus investimentos. O resultado é a expansão da dívida em ritmo acelerado. No fim do primeiro semestre, a dívida líquida da Petrobrás correspondeu a 3,94 vezes sua capacidade de geração de resultados (conhecida como Ebtida, que corresponde ao lucro antes do pagamento de impostos e juros e do lançamento contábil de depreciações e amortizações), acima do índice de 3,52 registrado no fim do primeiro trimestre e muito superior ao considerado ideal pela diretoria da empresa, de 2,5 vezes.

Com a concentração de investimentos no pré-sal, a produção nessa área alcançou o recorde de 542 mil barris em julho. Mas, com a redução dos investimentos nas áreas já em exploração, sua decadência se acelerou, ocasionando a queda mais rápida de sua produção.

Os problemas que a empresa enfrenta para explicar o ruinoso negócio da compra da Refinaria de Pasadena, no Texas - se explicações há para isso -, são a face política de uma crise que já era aguda nos planos administrativo e operacional.

Chegou a hora da saudável e esperada alternância democrática no poder

Mário Assis
Tribuna da Internet

Em 1994, o embaixador Rubens Ricúpero, então ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, foi flagrado em um programa de TV, fora do ar, com a frase: “O que é bom a gente mostra. O que é ruim, a gente esconde”.

Nos 12 anos dos governos petistas e, notadamente, agora, nos seus estertores, o método Ricúpero foi adotado e praticado sem limites, às avessas. A Dilma não pode falar em herança maldita. Claro! Mas faz referências, ameaçadoras e amedrontadoras, sobre uma possível volta de condições ruins para os brasileiros, associando-as aos dois governos do PSDB – 1995/2002.

Dilma mostra à exaustão o Bolsa Família – que não é do PT. A origem é o Bolsa Escola implantado pelo senador Cristovam Buarque, no governo do DF. Dilma exibe Minha casa minha vida, a política externa, obras dos PAC’s e algumas outras poucas coisas mais!

Esconde, por conveniência política: que surfaram quase 10 anos nas ondas favoráveis e originadas nas transformações realizadas antes de assumirem o poder. Reforma da previdência; controle fiscal; superávits nas contas públicas; aumento da arrecadação; estabilidade econômica; câmbio flutuante; Lei de Responsabilidade Fiscal; Plano Real; o sistema de fixação de metas para a inflação; respeito aos fundamentos macroeconômicos; enfim um conjunto de iniciativas, muitas impopulares, mas que permitiram alguns avanços, usufruídos pelos governos petistas.

Apesar das promessas de campanha de que seriam revistos ou revogados, não foram e, ainda, foram aprofundados com o Palocci e o Meirelles. Lembrando, também, do instituto da reeleição, que teve forte resistência do petismo.

INCOMPETÊNCIA
Dilma não mostra e nem esconde, porque não tiveram uma gestão competente: os problemas na área de energia; as privatizações – algumas questionáveis e, agora, apresentadas com o sofisma de concessões; a má gestão na administração pública – estrutura organizacional inchada e fora de controle e a criação de inúmeros cargos comissionados, aparelhando a estrutura governamental com os “companheiros”.

Mas, não consegue esconder a corrupção e os malfeitos. Já em 2003, o escândalo com o Waldomiro, assessor do Dirceu na Casa Civil, flagrado no aeroporto de Brasília “negociando” com Cachoeira. Logo após, o “Mensalão”. Inicialmente admitido por um constrangido Lula, falando em traidores. Depois negado enfaticamente. Mentiras &Mentiras. Até que a Ação Penal 470 os condenou. As  alianças políticas espúrias e melancólicas, encobertadas com a alegação da tal governabilidade” contradisseram os históricos discursos petistas que pregavam a ética e a moralidade na política e na administração pública, até chegarem ao Poder. Jogaram a história política do partido na lama.

Para não me alongar muito, vamos ao período Dilma. Desastre total. Ela é patética. Governo meramente assistencialista. Educação, saúde, segurança, infraestrutura, enfim as questões centrais, de interesse direto da população, relegadas ao abandono. Desvios e desperdícios de dinheiro público, em obras superfaturadas, atrasadas e paralisadas.

OBRAS INCONCLUSAS
É preciso algum assessor mais corajoso alertar à presidente que desde 2007, quando foi nomeada “mãe do PAC”, ela própria é a principal responsável pela condução das grandes obras do Brasil. Segue então uma lista de obras inconclusas e mesmo superfaturadas da era PT:

Transposição do rio São Francisco: deveria ter ficado pronta em 2010, mas hoje tem só metade das obras concluídas. A promessa agora é terminá-la em 2015 ou 2016, ao custo de R$ 8,2 bilhões. O preço inicial era de R$ 4 bilhões.

A ferrovia Transnordestina deveria estar pronta em 2010. Dos 1,7 mil km previstos apenas 96 km estão integralmente prontos. O custo saltou de R$ 4,5 bilhões para R$ 7,5 bilhões.

A Ferrovia Oeste-Leste deveria começar a funcionar em sua primeira fase em julho de 2013. O orçamento passou de R$ 4,3 bilhões para R$ 5 bilhões. Não há novo prazo para a Fiol ser inaugurada.

A Refinaria Abreu e Lima quando ficar pronta será a mais cara já feita no mundo. O custo começou em R$ 4 bilhões e já chegou a R$ 35,8 bilhões. Por enquanto tem frequentado mais as páginas policiais do que as de economia.

A Refinaria Premium I foi uma das maiores promessas da então candidata Dilma para o Maranhão. Passados quase quatro anos, o local onde ocorreu a promessa é apenas um terreno com terraplanagem inconclusa.

A lista, na verdade, não tem fim. A presidente Dilma não tem sido capaz de entregar suas obras prometidas. Falta apenas admitir que ela comandou todo esse fracasso com mão de ferro nos últimos sete anos. A presidente tem tudo a ver com isso.

Nessa toada, pipocam os problemas com a Petrobras e na Eletrobras, misto de corrupção e incompetência. Mantega e sua atrapalhada política econômica, privilegiando a indústria automobilística, gerando problemas nos grandes centros, obrigando o país a importar mais combustíveis e tendo impactos pífios no  crescimento econômico.

Ainda temos uma situação inusitada, porque ao mesmo tempo, anunciam um baixo índice de desemprego e um aumento significativo no auxílio desemprego.

ARROCHO NA APOSENTADORIA
Desde os governos Lula, o arrocho nas aposentadorias e pensões do INSS está causando sérios problemas sociais entre os idosos. A revisão das tabelas do IR e das alíquotas,  promessas de 2002, até hoje não cumpridas e relegadas ao esquecimento.

Não tenho procuração tucana e nem ligação com o PSDB. Encontro-me numa confortável posição de isenção, livre de paixões políticas, podendo, do planalto, observar e fazer as leituras e avaliações que a independência me permite.

Por fim, avalio que o prazo de validade dos petistas no Poder venceu. É hora da mudança. É hora da renovação de ideias e práticas! A tal da saudável e esperada alternância democrática no Poder.

Um desastre chamado Dilma!

Ricardo Noblat

William Bonner empurrou a presidente Dilma Rousseff para o canto do ringue. E ficou batendo nela até cansar. Até resolver lhe dar algum refresco, quando ofereceu um minuto e meio além dos 15 previstos para que ela fizesse suas considerações finais.

Como Dilma, atarantada, não conseguiu respeitar o tempo que lhe coube, Bonner e Patrícia Poeta decretaram o fim da terceira entrevista do Jornal Nacional com candidatos a presidente. As duas primeiras foram com Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

De longe, a entrevista com Dilma foi um desastre. Para ela. Não chamou Bonner e Patrícia de “meus queridos”, como costuma fazer quando se irrita com jornalistas que a acossam com perguntas incômodas. Mas chegou perto.

Passou arrogância. Exibiu uma de suas características marcantes – a de não juntar coisa com coisa, deixando raciocínios pelo meio. Foi interrompida mais de uma vez porque não conseguia parar de falar, e fugia de respostas diretas a perguntas.

Perguntaram-lhe sobre corrupção. Dilma respondeu o de sempre: nenhum governo combateu mais a corrupção do que o dela. Bonner perguntou o que ela achava de o PT tratar como heróis os condenados pelo mensalão. Foi o pior momento de Dilma (terá sido mesmo o pior?).

Dilma escondeu-se na resposta de que como presidente da República não poderia comentar decisões da Justiça. Ora, a resposta nada teve a ver com a pergunta. E Bonner insistiu com a pergunta. E Dilma, nervosa, valeu-se outra vez da mesma resposta. Pegou mal. Muito mal.

Quando foi provocada a examinar o estado geral da economia, perdeu-se falando de “índices antecedentes”. Provocada a dizer algo sobre o estado geral da saúde, limitou-se a defender o programa “Mais Médicos”.

Seguramente, nem em público, muito menos em particular, Dilma se viu confrontada de modo tão direto, seco e sem cerimônia como foi por Bonner e Patrícia. Jamais. Quem ousaria? Surpreendida, por pouco não se descontrolou.

Reprodução da TV Globo 
Bonner, Patrícia Poeta e Dilma. 

Ex-líder do governo Dilma, senador Romero Jucá declara voto em Aécio e ataca a petista

Tribuna da Internet
Deu em O Tempo

Senador Romero Jucá (PMDB-RR)

Ex-líder do governo Dilma Rousseff, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) fez críticas à gestão da petista e declarou voto no candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Em palestra em Roraima para economistas, Jucá disse que votará no tucano porque é o nome com “um pouco mais de condição de mudar a linha de pensamento que não combina com o Brasil”.

“Na minha avaliação, temos que mudar o rumo econômico que o Brasil está tomando. A gente tinha duas opções de voto, o Aécio e o Eduardo. Hoje perdemos uma. Eu não quero influenciar ninguém, mas vou declarar o meu. Vou votar no Aécio”, afirmou.

DILMA É SOCIALISTA
Apesar de integrar o partido de Michel Temer (PMDB), candidato a vice na chapa de Dilma, Jucá disse que o governo do PT “falha ao pender para a linha ideológica” e adota um modelo econômico que dá certo na “Albânia e no Cazaquistão”, mas não no Brasil.

“A Dilma tem um discurso socialista e a prática dela é socialista. Você tem um governo ideológico na forma de comandar a economia. Ideologia, centralização, estatização, não combina com capitalismo. Isso dá certo na Albânia, Cazaquistão e alguns lugares onde a visão é outra. No caso do Brasil, nós temos que ter estabilidade e uma boa perspectiva”, afirmou.

Convidado a falar sobre política e economia, Jucá fez as críticas durante palestra no Conselho Regional dos Economistas de Roraima. A palestra ocorreu na semana passada, no dia da morte de Eduardo Campos (13). O conselho gravou o áudio do encontro, que foi divulgado pelo site “Rede Brasil Atual”.

Por meio de sua assessoria, Jucá confirmou o que disse na palestra, mas afirmou que não comentaria suas declarações.

Na palestra, Jucá disse que, como economista, não votará no governo Dilma Rousseff por discordar das ações de sua área econômica. O peemedebista chegou a falar em “tarifaço” que ocorrerá no país se a petista for eleita em outubro.

NÃO VOTO NO PT
“Estamos vivendo um momento de grande dificuldades e definições. Eu fui líder do Fernando Henrique, do Lula e do começo do governo da Dilma. Mas sou economista. E vou dizer a vocês com muita sinceridade: do jeito que o governo está tocando a economia, eu não voto no PT. O Brasil não aguenta quatro anos do jeito que os caras estão levando.”

O peemedebista disse que o governo Lula foi diferente do de Dilma porque o petista fazia um discurso social, mas tomava medidas capitalistas, enquanto a presidente mantém a linha socialista. Também criticou alianças do governo com países como Venezuela e Argentina, além do modelo legislativo adotado pelo Palácio do Planalto. Jucá disse estar “cansado” de pegar leis do Executivo e “ter que mudar tudo”.

“É pouca gente ali [no Congresso] que sabe o que está fazendo. Normalmente, as pessoas votam ali sem saber. Quando você chega na Câmara então, é uma loucura”, criticou.

Além de ter sido líder de Dilma até 2012, Jucá também foi líder no Senado de parte do governo Lula e na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O senador também é relator do Orçamento da União de 2015, peça considerada vital para o futuro presidente do país.

ATAQUES
As críticas de Jucá são reproduzidas, nos bastidores, por uma ala do PMDB insatisfeita com Dilma. Parte do PMDB considera que a presidente não dialoga com o Congresso e impõe medidas econômicas contrárias ao que defende a sigla.

Em junho, o partido aprovou o apoio à reeleição de Dilma com críticas ao PT e ao governo. Foram 398 votos pela manutenção da aliança (59%) contra 275 (41%) da ala que defendia o rompimento. Em 2010, o apoio peemedebista à chapa de Dilma havia sido aprovado por 85% dos convencionais.

A ala contrária a Dilma chegou a discursar contra a aliança e a distribuir panfletos em que acusa o governo de ineficiência e corrupção.

Maior aliado do PT na coalizão dilmista, o PMDB possui cinco ministérios, mas reclama constantemente que seu espaço é pequeno e que não tem autonomia total nas pastas sob sua responsabilidade.

O tabuleiro econômico

Gazeta do Povo - PR
Editorial

Infelizmente, a lógica da campanha e o formato dos programas de rádio e televisão não permitem debates mais profundos em termos teóricos e técnicos

As teorias econômicas destinam-se a explicar o funcionamento do sistema econômico. A política econômica é o meio pelo qual o governo interfere no funcionamento do sistema e é dividida em pelo menos quatro grandes partes: a política fiscal, que compreende a estrutura de tributação e a forma como o governo gasta o dinheiro arrecadado; a política monetária, que trata da administração da moeda, do juro e do crédito; a política cambial, que responde pela administração do preço das moedas estrangeiras e das regras de relação financeira com o resto do mundo; e a política de intervenção, referente à administração de preços e à regulação do mercado e do setor privado.

Por definição, o governo é uma entidade econômica que não produz. Inicialmente, o único meio de que o governo dispõe para financiar (pagar) a máquina do Estado e o conjunto de serviços públicos é apropriando-se (pela tributação) de parte da renda nacional. Adicionalmente, o governo pode gastar mais do que arrecada, o que o leva a se socorrer de duas saídas possíveis: tomar empréstimos (fazer dívida pública) e/ou emitir moeda. Outro meio pelo qual o governo pode obter receita é montar empresas estatais com dinheiro dos impostos e usar as receitas dessas empresas para sustentar os gastos públicos. Porém, na maioria das vezes, as empresas estatais são mais sorvedouros de dinheiro do que provedoras de recursos para o tesouro nacional.

De um lado existe o Produto Interno Bruto (PIB) e, de outro, a renda nacional, cujos valores são rigorosamente iguais. O PIB e a renda são apenas os dois lados da mesma moeda. O PIB é composto por duas fatias apenas, os bens e serviços de consumo e os bens de capital. A renda nacional é a soma de salários, juros, aluguéis e lucros. Esse quadro fecha o grande tabuleiro da economia sobre o qual o governo deve atuar na tentativa de conseguir as quatro grandes metas: o crescimento do PIB, o aumento do emprego, o controle da inflação e a distribuição da renda.

Em época de eleições, um dos principais debates (se não o principal) deveria ser como cada candidato pretende atuar sobre esse grande tabuleiro, seus programas e suas políticas. Infelizmente, o debate econômico tem se resumido à apresentação de um extenso rosário de promessas e benefícios em favor do povo, cuja razão está na tentativa de conquistar o maior número de votos, sem maiores considerações sobre temas técnicos como viabilidade, gestão e eficiência. Os candidatos procuram se apresentar mais como arautos da bondade social do que como portadores das teorias certas e políticas adequadas para o progresso do país.

Vale ressaltar que a lógica da campanha e o formato dos programas eleitorais no rádio e na televisão não permitem debates mais profundos em termos teóricos e de melhor conteúdo técnico. Apesar disso, é lamentável que a discussão sobre como os candidatos pretendem atuar sobre o grande tabuleiro econômico, essencial para o desenvolvimento, fique à margem e, quando muito, seja abordada de maneira superficial.

Uma vez no governo, o vencedor da eleição será mais ou menos eficiente muito mais em função de sua política econômica do que em função das medidas para cumprir suas promessas de bondade feitas durante a campanha. A própria presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, está diante dos custos políticos de uma série de indicadores ruins na economia, situação que tem levado preocupação a seus assessores de ¬marketing eleitoral.

A economia é área complexa e a realidade tem a mania de mostrar que certas medidas boas para solucionar problemas de curto prazo acabam se transformando em problemas no longo prazo. Um exemplo é a elevação da demanda agregada por meio do aumento do consumo das pessoas a qualquer custo. O Brasil fez isso – o que ajudou a conter os efeitos da crise mundial iniciada em 2007 – e as pessoas entraram em uma onda de consumo movido a crédito farto e juro alto, o que acabou desaguando numa crise de endividamento e aumento da inadimplência. A conta chegou e o quadro se inverteu, sendo esse um dos fatores responsáveis pelo baixo crescimento econômico dos últimos dois anos.

Agora é que a campanha eleitoral começa de fato (retardada em alguns dias por causa da morte trágica do candidato Eduardo Campos), oportunidade em que a população poderá cobrar dos postulantes que apresentem suas ideias e planos, e não fiquem apenas nas velhas promessas assistencialistas.

A volta do tripé

Celso Ming
O Estado de São Paulo

Nas plataformas de economia, a oposição segue relativamente unida; Ambas as chapas defendem a volta do tripé econômico abandonado pela mistura de heterodoxia com populismo, adotada pela presidente Dilma

O professor Eduardo Giannetti da Fonseca, um dos coordenadores do programa econômico da candidatura que deverá ser encabeçada agora por Marina, está avisando que não há divergências significativas entre as propostas de política econômica da chapa PSB-Rede e do PSDB. Enfim, nas plataformas de economia, a oposição segue relativamente unida.

Ambas as chapas defendem a volta do tripé econômico abandonado pela mistura de heterodoxia com populismo, adotada pela presidente Dilma, que ela chegou a chamar de Nova Matriz Macroeconômica. A volta ao tripé significa que os três principais comandos da economia reunidos pelo governo teriam um manejo de tipo clássico.

(FOTO: EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO)
 Giannetti. Oposição alinhada 

Ou seja, a política fiscal teria de perseguir o equilíbrio das contas públicas e a estabilização da dívida por meio do cumprimento de um superávit primário (sobra de arrecadação destinada ao pagamento da dívida), de 3,1% a 3,5% do PIB; a política monetária manteria o volume de moeda na economia em proporções tais (nível dos juros) que garantissem a inflação na meta, que hoje é de 4,5% ao ano; e, em vez de seguir represada, a política cambial teria de voltar a deixar que as cotações da moeda estrangeira flutuem, com algum grau de sujeira, é claro, que é o que cabe de monitoramento pelo Banco Central.

Três são as observações que podem ser feitas a partir da observação de Giannetti. A primeira é a de que, embora permeiem as escolhas pelas urnas, as propostas de política econômica muito raramente são explicitadas nas campanhas eleitorais. O eleitor não se comove com o tamanho do rombo em conta corrente, com o cumprimento ou não das metas fiscais. O que ele sente é a mordida da inflação no seu orçamento doméstico e as ameaças a seu emprego. Embora sejam decisivas nas urnas, essas variáveis tendem a permanecer mais ocultas.

A segunda observação é a de que a defesa da política econômica que melhor poderia pavimentar o caminho para o crescimento sustentável e para o retorno da confiança não significa garantia de governabilidade. Esta depende da capacidade de coordenação do governo. Se eleito, nenhum dos três principais candidatos teria maioria no Congresso. A capacidade de liderança e de mobilização conta tanto quanto, ou até mais, do que a defesa de uma proposta equilibrada.

Em terceiro lugar, é bastante improvável que, num eventual segundo mandato, a presidente Dilma pudesse repetir uma política econômica tão desequilibrada quanto a que manteve neste primeiro. O estilo de governo pode continuar o mesmo: voluntarista, imediatista e mal amarrado. Mas a simples necessidade de correção dos problemas que aí estão vai exigir a volta aos manuais (back to the book).

Os preços administrados terão de ser corrigidos; a inflação não poderá mais ser contida pela âncora cambial. E, para garantir a arrumação geral, será inevitável uma política fiscal substancialmente mais austera.
A novidade que deverá permear as propostas de política econômica do próximo governo é a de que já não há margem para os experimentalismos cujos resultados sejam esse crescimento miserável, inflação no teto e economia desarrumada. Pode-se ter um orçamento que dê maior ou menor importância ao atendimento das demandas sociais, mas não se pode mais desafiar o equilíbrio das contas públicas.

CONFIRA:

O gráfico mostra como evoluiu e a quantas está o nível de confiança do industrial brasileiro.



Caiu de novo
A Pesquisa Focus, do Banco Central, trouxe a 12ª queda da projeção do mercado para o crescimento do PIB deste ano. A média das cerca de 100 instituições que apresentam semanalmente suas projeções é de um avanço de apenas 0,79%. Dia 29, saem as Contas Nacionais do segundo trimestre. É resultado que pode definir novas revisões, tanto para cima como para baixo, com impacto potencial sobre a direção da campanha eleitoral.

Pré-sal não garantirá investimento de 10% do PIB na educação, diz ministro

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

Atualmente, valor investido representa 5,3% do PIB

(SAE-PR/VEJA) 
Henrique Paim, ministro da Educação 

O ministro da Educação, Henrique Paim, afirmou nesta terça-feira, durante o Fórum Estadão Brasil Competitivo, que os recursos provenientes dos royalties da extração do pré-sal "não serão suficientes" garantir o investimento de 10% do PIB na educação. O Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado em junho pela presidente Dilma Rousseff, prevê que 75% dos royaltes sejam usados para elevar o investimento público em educação gradativamente até 2024, atingindo 7% do PIB em 2019 e 10% em 2024. Atualmente, o valor investido representa 5,3% do PIB.

O aumento no repasse deverá assegurar as 20 metas e mais de 200 estratégias estabelecidas pelo PNE para aumentar o acesso e mellhorar a qualidade da educação no Brasil: elas abrangem desde creche e pré-escola até a pós-graduação. A meta 20, que trata do aumento do investimento no setor, foi uma das mais criticadas durante os quatro anos em que o plano ficou em debate no Congresso por não especificar as fontes de receita. A única fonte estabelecida pela lei é o repasse de 75% dos royalties do pré-sal.

Paim destacou ainda a necessidade de avanços no ensino superior, uma das áreas de destaque no PNE. Ele considerou uma conquista o crescimento no número de matrículas nas universidades no Brasil, mas ponderou que é preciso "garantir que seja um crescimento com qualidade". O ministro defendeu também que é preciso garantir avanços na pós-graduação e na pesquisa, com universalização do acesso às universidades brasileiras.

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

Demorou até demais para alguém do governo vir a público desmentir as promessas que, antes da votação tanto do PNE quanto das regras do pré-sal, foram feitas à exaustão.

Mas este papo furado do ministro da Educação não tem sentido. Já provamos aqui inúmeras vezes que o problema da educação brasileira não falta de recursos. Em níveis mundiais, até que investimos o mesmo que a média dos países europeus, por exemplo. Só que investimos mal, priorizando investimentos maiores no ensino superior em detrimento ao ensino básico. Além disso, é sabido que, de cada dez reais destinados à educação, apenas 2 ou três reais chegam, de fato, à escola. O resto, o grande resto, fica pelo caminho. 

O dinheiro da educação deveria ser o mais transparente, com balanços publicados na imprensa de cada centavo gasto, para que a sociedade policie a ação governamental. 

Assim, este discurso do senhor Henrique Paim, da escassez de recursos, é papo velho e defasado. Está na hora do Estado brasileiro, em todos os seus níveis, se comprometerem com a educação e a levarem a sério. Enquanto não se fizer isto, o Brasil não pode sonhar com um futuro melhor do que a irrelevância que vive atualmente. 


FT: eleitores parecem não se importar com a queda da economia brasileira

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

Segundo jornal britânico, investidores acreditam que vitória da oposição traria mudanças positivas para o país; mas o eleitorado parece não enxergar os problemas econômicos

(Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/VEJA) 
FT comparou estimativas do mercado 
para crescimento da economia com "dança da cordinha" 

Artigo publicado no blog Beyonbrics, do jornal britânico Financial Times, aponta a piora dos indicadores econômicos do Brasil, que se traduz na redução da perspectiva de crescimento para 2014 de 0,86% para 0,81%, mas anota que "os eleitores parecem não se incomodar". 

O FT cita dados da pesquisa Ibope da última semana, que deu 38% das intenções de voto para a presidente Dilma Rousseff (PT), 23% para Aécio Neves (PSDB) e 9% para Eduardo Campos (PSB), praticamente os mesmos números da rodada anterior, de julho, em que a petista aparecia com os mesmos 38%, o tucano marcava 22%, e o socialista, 8%. A aprovação do governo da presidente oscilou de 31% no levantamento anterior para 32%.

"Nos últimos meses, os preços dos ativos no Brasil mantiveram tendência de alta numa correlação inversa com a subida ou queda de Dilma nas pesquisas. Mas esse tipo de raciocínio não parece estar no radar do eleitorado", aponta o texto. O FT cita ainda a intervenção do governo no caso Santander, que demitiu analistas por causa de um relatório que previa um cenário ruim para a economia brasileira com a reeleição de Dilma. "A opinião do mercado irritou o governo", informa o texto.

O FT também comparou as projeções da pesquisa Focus do Banco Central à "dança da cordinha", uma vez que a previsão para o crescimento da economia brasileira cai um pouco mais a cada rodada. 

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

No artigo “It’s the economy, stupid!… Só falta explicar”, do Geral Samor para a Veja online, que reproduzimos nesta edição, fizemos um comentário que explica a pouca importância dada pela maioria do povo brasileiro às questões econômicas. Além da barreira que a pouca formação escolar e alto grau de desinformação, esta consequência da primeira, também pesa o discurso um tanto vazio das oposições diante de um eleitorado que “se vendeu” por bolsas miseráveis, mas que asseguram certa acomodação  num padrão de vida pouca coisa melhor.  

Esta é a razão maior da nossa crítica ao programa Bolsa Família, ela, indiscutivelmente, conduz grande parte dos beneficiários à acomodação. Não se trata, portanto, de um programa social na acepção da palavra, e sim um mero complemento de renda, quando a renda todas de uma família. Não há incentivo para os indivíduos se libertarem deste assistencialismo capenga. Não se impõem que cada um busque seu aprimoramento profissional e, deste modo, possa desfrutar de empregos com salários melhores. 

E o exemplo que sempre trazemos de um programa que impõem este compromisso é o seguro desemprego.  Há um limite para que cada um desfrute do auxilio financeiro.  O Bolsa Família não limites, basta ser cidadão brasileiro pobre e o direito estará assegurado. E se tudo continuar na configuração atual do programa Bolsa Família, os beneficiários permanecerão nele a vida toda. Desculpem, mas isto tem outro nome, mas jamais o de “programa social”. 

Além disso, a oposição precisa compreender uma coisa básica: este contingente de pessoas – são mais de 40 milhões de beneficiários – precisa de atenção e de ser ouvido em tempo integral. Aproximar-se deles apenas em vésperas de eleição,  e achar que qualquer discurso será suficiente para conquistar-lhe a confiança, é acreditar em Papai Noel. 

PSB escolhe Beto Albuquerque para vice de Marina

Talita Fernandes e Marcela Mattos
Veja online

Deputado é apontado como um nome orgânico do partido e mantém boa interlocução com Marina Silva; reunião da Executiva será nesta quarta-feira

(Zanone Fraissat/Folhapress) 
O deputado Beto Albuquerque, futuro vice de Marina Silva 

O comando do PSB decidiu indicar o deputado gaúcho Beto Albuquerque, de 51 anos, para a vice na chapa que será encabeçada pela ex-senadora Marina Silva à Presidência da República. A decisão será oficializada na reunião da Executiva Nacional da sigla, agendada para esta quarta-feira, em Brasília. No encontro, o PSB também formalizará a indicação de Marina como substituta de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na semana passada.

O nome de Beto Albuquerque era apontado como favorito desde as primeiras conversas – ele só não seria escolhido se Renata Campos, viúva do ex-governador, aceitasse o posto. Para a cúpula do PSB, o deputado preenche os principais requisitos para a vaga: era braço direito de Campos, tem boa relação com a ex-senadora e é apontado como um nome orgânico do partido –  está filiado ao PSB desde 1986.

Renata Campos chegou a ser procurada pelos socialistas, mas recusou a proposta porque quer priorizar sua família neste momento – o filho mais novo, Miguel, tem seis meses.

Albuquerque aproximou-se de Marina Silva em outubro do ano passado, quando o quase partido da ex-senadora, a Rede Sustentabilidade, teve o registro negado pela Justiça Eleitoral. O deputado acompanhou as primeiras negociações ao lado de Campos e concordou que a aliança com a ex-senadora daria maior respaldo ao projeto do pernambucano.

Gaúcho de Passo Fundo, Albuquerque está em seu quarto mandato na Câmara e tentaria, neste ano, uma vaga ao Senado. A candidatura, entretanto, não havia decolado até agora – ele aparece em terceiro lugar nas pesquisas –, o que facilitou para que ele abrisse mão da disputa.

Assim como Campos e Marina, Beto Albuquerque orbitou os governos petistas. Na Câmara, foi vice-líder do ex-presidente Lula. À época, Beto era porta-voz de Lula sobre temas espinhosos, como o mensalão e a CPI dos Correios. Também foi o socialista quem anunciou a assinatura da medida provisória que autorizaria o plantio de soja transgênica na safra 2004/2005. À época, ministra do Meio Ambiente Marina Silva foi uma das principais oponentes ao projeto. Agora, uma de suas tarefas será justamente ser mediador de temas sensíveis, como os conflitos entre os ambientalistas "marineiros" e setores ligados ao agronegócio aos quais Campos se aproximou para fazer alianças nos estados. 

No desembarque do governo petista, Beto Albuquerque assumiu a linha de frente do partido dentro e fora do Congresso Nacional, tornando-se um dos principais articuladores da campanha de Eduardo Campos. Na campanha, também assumiu posição mais combativa, principalmente em relação ao PT. Quando representantes do partido chamaram o pernambucano de “tolo” e “playboy mimado”, coube ao parlamentar gaúcho assumir a reação: anunciou que o partido, até então em posição de independência, passaria a ser oposição no Congresso Nacional.

It’s the economy, stupid!… Só falta explicar

Geraldo Samor
Veja online

O pai de família Israel Araújo, de 41 anos, trabalha como pedreiro numa cidade de 50 mil habitantes do interior de Minas — o Estado que Aécio Neves governou e de onde, costuma lembrar, saiu com 92% de aprovação.

Em outubro, seu Israel, como é conhecido, pretende votar em Dilma Rousseff. 

“Acho que ela está dando um bom seguimento ao governo do Lula,” disse ele à coluna em duas horas de conversa. “Não é tão bom quanto o do Lula, mas é bom.”

Apesar dos avanços dos outros dois candidatos e de seus próprios tropeços — como sua aparição de ontem no Jornal Nacional — a Presidente Dilma continua sendo a favorita para outubro, evidenciando a dificuldade da oposição em comunicar à maioria da sociedade, com eficácia, os problemas econômicos que se avolumam após 11 anos e meio de PT no poder.

A crítica à política econômica de Dilma é conhecida de quem lê os jornais e paga impostos: a economia cresce quase nada, a inflação está assanhada há anos, o gasto público explodiu, e os empresários só investem se forem ‘loucos’ (segundo um dos mais governistas da classe). Por fim, o partido que está no poder inspira dúvidas sobre seu compromisso com as liberdades individuais, o que afeta o ambiente econômico no longo prazo.

Seu Israel, no entanto, vê a coisa de forma diferente.

A coluna perguntou por que ele aprova o Governo Dilma. Em vez de apontar uma ou outra iniciativa do governo, Israel emitiu um veredito sobre os últimos 10 anos: “O brasileiro hoje come melhor do que uns 10 anos atrás. A alimentação melhorou muito. Antes o café da manhã era só um cafezinho mesmo, hoje já tem pão, leite, manteiga…”

Seu Israel, que mora no alto de um morro na periferia da cidade, tem uma renda mensal de 1.800 reais, além dos 60 reais que recebe do Bolsa Família para um de seus três filhos, a menina de oito anos. (O mais velho já saiu da idade elegível, e o do meio, de 16, foi cortado do programa por não ter ido à escola regularmente).

 Nas eleições majoritárias, a busca da vitória é uma cruzada pelo Santo Gral do Mínimo Denominador Comum e pelo convencimento do “homem médio”, aquele centro de gravidade onde se sedimentam os raros consensos sociais, que então se transformam em mandatos e legitimidade.

Na campanha que elegeu Bill Clinton em 1992, o marketeiro James Carville fez história ao cunhar a expressão: “It’s the economy, stupid!“. Tudo que Clinton tinha que fazer era explorar o PIBinho de George Bush.

Mas com o Brasil ainda próximo do pleno emprego, a inadimplência ainda em patamares razoáveis e os ganhos de consumo da nova classe média ainda criando uma sensação de bem estar, a tarefa da oposição é mais difícil:  falar dos problemas que ainda não estão à vista de muitos — mas que irão complicar a vida de todos a partir do ano que vem.

Seu Israel, o “homem médio” a ser convencido, entende de racionalidade econômica. Antes de se tornar pedreiro, ganhava a vida como pintor, mas resolveu mudar de profissão porque “todo mundo que perdia o emprego virava pintor, e aí não dava pra tirar a mesma coisa que antes”, disse ele. Além disso, a pintura de um apartamento dura apenas alguns dias, enquanto uma obra qualquer o mantém empregado por muitos meses.

Apesar de tomar decisões econômicas racionais, ele não consegue analisar a política econômica sob a mesma ótica.

A coluna perguntou a seu Israel se ele estava incomodado com a inflação e quem era responsável por isso. Sua resposta: “Acho que isso aí são os grandes empresários”. 

Um banqueiro que acredita que Dilma será reeleita diz: “O boom econômico ainda não acabou, pelo menos na cabeça das pessoas. Ela foi eleita pelo boom e vai ser reeleita por isso. Você tem uma deterioração [da economia], e quem é mais sofisticado vê isso, mas essa piora ainda não é determinante para o povão.”

A cabeça do seu Israel é, assim, o campo de batalha onde as chances de vitória da oposição exigem o melhor do marketing político.

Como converter o voto deste brasileiro médio, mais decisivo para o resultado das urnas do que os partidários que fazem a guerrilha diária nos blogs, no Twitter e no Facebook?

 Como mostrar para seu Israel que o bem-estar que ele sente hoje foi comprado com uma hipoteca sobre o futuro — e, pior, que a conta está prestes a chegar?

Como falar para este trabalhador sobre os esqueletos dos juros subsidiados, a distorção de preços que existe hoje na economia, como explicar que a inflação já está fazendo o trabalho que as políticas fiscal e monetária não fizeram, e que, se o rumo atual for mantido, sua renda amanhã será menor que a de hoje?

Os economistas sempre disseram que a grande dúvida desta eleição é se a economia vai enfraquecer rápido o suficiente para expor as más escolhas econômicas do Governo Dilma, e com isso virar o jogo… ou se a Presidente vai escapar por pouco.

Com as últimas pesquisas e o ‘fenômeno Marina’, muita gente já acha que a Era Dilma está chegando ao fim, mas, por via das dúvidas, convém combinar com seu Israel.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

No texto, muito bem exposto por sinal, há um aspecto que até pode passar despercebido pelo leitor menos atento, mas convém grudarmos nele por ser elemento chave nesta eleição, como também o mesmo fator pesou em 2006 e 2010. Vejam lá: o senhor Israel tem uma renda de R$ 1.800,00, ou quase três salários mínimos. Ou seja, uma renda média superior a um grande lote de brasileiros que trabalham. Mas, mesmo assim, ele recebe um “bolsa família” de R$ 60,00. Se o filho do meio, não tivesse deixado de frequentar (por que deixou?) de estudar, e seu Israel receberia duas bolsas.  É claro que só a renda mensal, já seria possível manter a família com café da manhã com pão e leite. Talvez a renda não pudesse cobrir alguns outros gastos, não tão essenciais, mas para o básico, certamente, ela cobriria. Mas ele ganha “bolsa família” e isto faz muita diferença na cabeça das pessoas.

Outro aspecto que se extrai do texto do Geraldo, é que cerca de 2/3 da população brasileira convergem em duas formações deficientes: a educacional, quando o indivíduo tem pouco discernimento de questões de economia, por exemplo, e a de informação, derivada da deficiência educacional. Assim, este enorme contingente de pessoas – são muitos milhões – não pensa além do vencimento da última prestação a pagar. Para eles, pouco importam as dificuldades que advirão de um governo medíocre que comprometeu oi futuro do país com escolhas ruins. A exemplo do senhor Israel, os culpados da inflação são os empresários e não o governo que gasta mais do que arrecada. Para ele que, provavelmente, tenha uma formação escolar deficiente, serviços como educação, saúde e segurança não são questões aflitivas.   Na saúde, por exemplo, enquanto ele não tiver que penar para buscar assistência a ele próprio ou um dos seus, vendo  pessoas nas portas dos hospitais desesperadas tentando ser atendidas, ou até requerendo na Justiça o direito à uma internação, a questão não existe. 

Esta gente toda se acostumou nos últimos anos a viver precariamente, mesmo que com menos dificuldades do que no passado. São pessoas limitadas em seus anseios. Somente despertarão para a dura realidade que as aguarda quando esta, de fato, lhes bater à porta.  O discurso terrorista pregado pelos petistas de que as oposições, se eleitas,  suprimirão direitos e programas sociais tem um peso enorme.

Seu Israel tem trabalho hoje, para ele isto é o que mais importa, mesmo que amigos e vizinhos seus que trabalham na indústria estejam sem ocupação. Mudar este quadro, que é cultural também, não é tarefa das mais fáceis. O discurso para derrubar o muro da ignorância e da desinformação precisa de muito mais do que aquele que a oposição tem oferecido. Para qualquer pessoa mediamente formada e informada, é indiscutível avaliar o governo Dilma como medíocre. ele é. Algumas das escolhas feitas nestes últimos quatro anos, no plano econômico, são bombas relógio que irão explodir no futuro próximo.  Porém, pessoas como o senhor Israel não tem este alcance de consciência. Para eles, o importante é apenas o presente, e isto por ora está garantida relativa segurança, muito embora esta relativa segurança não tenha suas raízes fincadas pelo petismo, mas foi este partido que melhor soube vender seu peixe, mesmo que tenha roubado a isca, a vara e o anzol do vizinho.