quinta-feira, agosto 21, 2014

E só Carolina não viu...

Adelson Elias Vasconcellos.

A situação é a seguinte: as famílias já esgotaram sua capacidade de endividamento, vivem no limite do calote que, por sinal, continua alto. Cheques sem fundos, devolvidos pela segunda vez,  atingiram o maior patamar desde 1991. A indústria brasileira vai de mal a pior, com queda na produção, nas vendas, no faturamento e agora até no emprego. O setor de serviços e do comércio já andam com freio de mão puxado.  Os investimentos, tanto públicos quanto privados, seguem em queda livre. Em resumo, o modelo do consumismo a qualquer preço já se esgotou e, tal qual a canção de Chico Buarque, “..e só Carolina não viu...”,  o governo Dilma continua não enxergando que insistir no modelo, abarrotando o mercado com mais crédito, não dará resultado algum. Ora, o crédito fácil já nem existe mais, em razão de uma SELIC a 11,0%. O sujeito que já está endividado, passaria atestado de perfeita burrice em si mesmo se tomasse mais crédito, e um crédito agora mais caro.

Quando o governo da senhora Rousseff resolveu jogar o preconceito para o lado e abriu o caminho para concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, resolveu querer manter entre os seus dedos o total controle da situação. Pretendeu tabelar os lucros com baixíssima rentabilidade, tirando dos interessados a capacidade de reinvestir. Aconteceu o óbvio: ninguém demonstrou o menor interesse pela brincadeira. Vendo que seu plano ia dar em nada, o governo começou a remover alguns dos gargalos que colocara nos marcos regulatórios e nos editais de licitação. A cada semana, lá vinha uma nova redação, criando mais confusão. Aí, já batendo o desespero, o governo resolveu inverter a lógica: ao invés dele impor regras e mais regras no atopelo e de forma autoritária, chamou alguns investidores e empresários para dialogar e tentar saber aquilo que todos já sabiam e comentavam abertamente. Se não aumentar a taxa de retorno das concessões, não aparecerá nenhum maluco dando dinheiro de graça para o governo, ou por outra, ninguém pagará para trabalhar. Na época, aqui se disse que o governo já não tinha plano algum, agia por puro desespero. Afinal, alguns aeroportos precisavam de urgentes investimentos e a Copa iria cobrar alto preço político se não fossem reformulados e sua capacidade ampliada.   

Da mesma forma agora. Diante da perspectiva de encerrar seu mandato com uma das piores taxas de crescimento da história, a senhora Rousseff já passou a agir na base do desespero, tentando impor um crescimento qualquer ao custo que for.  Então, dê-lhe jogar mais dinheiro num mercado já empanturrado de crédito. Por que não deu certo primeiro lote de R$ 45,0 bi de algumas semanas atrás? Porque não há demanda para este volume todo de crédito.  E não tem como dar certo agora que se joga mais R$ 25 bi. 

O governo insiste em prescrever o remédio errado para a doença que acomete a economia brasileira. E o faz uma vez que ainda não conseguiu traçar um diagnóstico correto desta doença. Então, dê-lhe comprimido para dor de cabeça, quando o mal é insuficiência respiratória. Juros altos, endividamento alto, carga tributária alta, falta de projeto de país, burocracia asfixiante, incapacidade de controlar gastos públicos, incompetência na determinação de prioridades são apenas alguns dos sintomas para a doença do baixo crescimento.   

Faz tempo que, em seus discursos até na entrevista dada ao Jornal Nacional e nos primeiros movimentos do programa eleitoral,  dona Rousseff teima em apregoar como causas para o crescimento insípido, a crise internacional, o pessimismo e mais um rosário de outras diatribes que não combinam em nada com a realidade. Crise internacional houve em 2008/2009 e 2010. Dali prá frente, todos os emergentes passaram a reagir e crescer mais do que o Brasil. E o pessimismo não é causa, e sim fruto do governo medíocre comandado por Dilma Rousseff. No desespero de querer manter o poder, o governo cuidou da política e esqueceu-se do país. 

Como já disse aqui várias vezes: Dilma até pode ser reeleita, mas isto nada tem a ver com as virtudes de seu governo e, sim, muito mais, com a falta de uma oposição mais robusta, mais presente, com um discurso mais afinado com o eleitorado. Se todos os brasileiros tivessem uma formação intelectual de bom nível e pudessem ter acesso por inteiro à informação qualificada, não haveria a menor possibilidade dele conceder mais quatro anos para Dilma continuar errando.

Quando Lula vem na propaganda eleitoral  afirmar que Dilma merece mais um mandato, porque ele, Lula, teve um segundo mandato melhor, na verdade ele próprio está reconhecendo que este primeiro governo de Dilma é ruim. Contudo, ao seu modo, Lula tenta distorcer os fatos a seu favor. Ocorre que, rigorosamente, foi o primeiro, não o segundo período, em que Lula realizou um governo voltado ao país, apesar do mensalão. Enquanto Antonio Palocci se manteve no ministério da Fazenda, os fundamentos básicos da economia herdados de FHC foram mantidos e permitiram à Lula ter poder de fogo para abrir as comportas da gastança desenfreada com o objetivo único de eleger Dilma. 

Se é verdade que ele entregou o governo com uma taxa de crescimento superior a 7,0% em 2010, nunca é demais lembrar que, no ano anterior, em 2009,o PIB fechou o ano no vermelho. Contudo, houve ali uma circunstância que não se repetiria: a crise financeira internacional, obrigou os países da Comunidade Europeia mais os Estados Unidos a inundarem o mercado com muitos bilhões de dólares e por aqui o Brasil não fez diferente, espichando o crédito para um mercado com um bom potencial de absorção, muito embora, como sempre se advertiu, este potencial fosse limitado pela renda média do brasileira ser relativamente baixa.  E isto fez a diferença. Porém, este vendaval passou. E, tal qual a canção do Chico, “... só Carolina não viu...”, só o governo da senhora Rousseff não viu a mudança dos ventos. 

Teima em querer impor um diagnóstico cujos sintomas indicam quadro diferente. Prescreve medidas que sequer contemporizam os sintomas, e se rebela porque o mercado, mais ligado a realidade, insiste em dizer que o governo está errado e reage com pessimismo ao tratamento que o governo quer empurrar goela abaixo. 

Não se sabe se a deterioração da economia até outubro, será suficiente para alertar a maioria do eleitorado, fazendo-o buscar outras alternativas que não Dilma Rousseff. Mas de uma certeza há quase unanimidade no país: o próximo governante, seja ele quem for,  já terá comprometido metade de seu mandato na tentativa de arrumar a casa que lhe será entregue.  Como afirmava, com propriedade, o ex-governador Eduardo Campos, Dilma será a primeira governante a entregar o país, nos últimos 20 anos, em situação pior da que encontrou. E tudo isto por insistir em não ver, como a Carolina da canção, que a realidade que a cerca, desde que assumiu em janeiro de 2011, mudou muito.        

E aí entra a questão do que o governo teima em não enxergar: os juros subiram por conta da inflação fugindo do controle. Apesar disto, os preços continuam altos. Ora, jogar mais dinheiro no mercado, para aumentar o consumo, jogará mais pressão sobre os preços e, se eles começarem a subir para além do teto da meta, só restará aumentar ainda mais os juros. E juro alto significa refrear a atividade econômica, num país francamente estagnado. É, a senhora Rousseff vestiu mesmo a roupagem da Carolina da canção...Só ela não vê.

Esperteza demais faz mal
A informação trazida no meio da tarde pelo Globo online de que Graça Foster e Nestor Cerveró teriam transferidos bens imóveis de sua propriedade para familiares (ou laranjas), pegou mal. Não foram transferências feitas, digamos, há uns dois anos atrás. Não! Foram feitas neste ano de 2014, precisamente a partir março, quando estourou de fato o escândalo da compra da refinaria Pasadena pela Petrobrás. 

Não sou do tipo de pedir a cabeça de quem quer seja baseado apenas em suspeitas ou boatos. Porém, Cerveró foi o ilustre redator da mensagem enviada ao Conselho de Administração da estatal pedindo a compra da refinaria. E, Graça Foster, fazia parte da diretoria à época da compra e tinha e teve acesso amplo a todas as informações. E como não esquecer o teatro montado na antessala da presidência da Petrobrás, para ludibriar a CPI instalada justamente para investigar os negócios da maior empresa nacional!

Tudo junto e misturado, creio que o melhor e mais saudável, seja para Graça Foster, seja para a própria Petrobrás, que a atual presidente pedisse  licença temporária e se afastasse por um tempo. A estatal já sangrou em demasia com o represamento de preços imposto pelo governo Dilma. Manter uma presidente, sob suspeita e em investigação, é sangrar ainda mais a companhia. Não estou sugerindo, prestem atenção, a demissão de Graça Foster. Mas ela deveria pensar em sua própria biografia dentro da Petrobrás e, também, até por dever de ofício, no interesse maior em preservar a imagem já muito arranhada da companhia.    

Nem pessimismo nem terrorismo, apenas o realismo!

Ubiratan Iorio
Instituto Millenium

A verdade é que temos uma bomba relógio, que vem sendo armada desde a metade do segundo mandato do governo anterior

Fundamentos econômicos lamentavelmente destruídos. Do lado fiscal, agigantamento do Estado, aparelhamento partidário deste, gastos permanentemente crescentes estraçalhando as possibilidades de equilíbrio orçamentário que, mesmo sem nunca ter sido atingido, ao menos não era explosivo. Em maio, o maior déficit primário desde muitos anos; déficit nominal já ultrapassando os 4% do PIB. Na esfera cambial, abandono do regime de câmbio flutuante e consequente “administração” da taxa de câmbio mediante intervenções do Banco Central, mantendo o real sobrevalorizado em relação ao dólar (e ao Euro) para, repetindo um erro mais velho do que Matusalém, “controlar” a inflação de preços; contas externas em queda livre. 

Regime monetário também espicaçado: metas de inflação lenientes e mesmo assim descumpridas; inflação de preços efetiva, descontadas as pajelanças para engessá-la mediante represamento de tarifas, beirando os 8% ao ano, acima, portando, do limite superior da meta; falta de discernimento entre causa e efeito, para saber que inflação não é o crescimento dos preços, mas sim a emissão de moeda; crédito recentemente estimulado em tempos de alta dos índices de preços; taxa Selic apontando para o alto nos próximos meses, após cerca de seis anos de sucessivas baixas do Copom, movidas politicamente para “estimular” a economia. 

Política externa completamente escrava da ideologia, acordos danosos à nossa economia com parceiros que em pouco ou nada podem beneficiá-la; tarifas especiais contra produtos de parceiros comerciais tradicionais, como “castigo” por serem capitalistas; alinhamento com países do Mercosul e outros de economias praticamente rupestres, sem qualquer ganho para nosso país; afugentamento de investimentos externos, pelas restrições às liberdades e mudanças frequentes na política econômica.

Obstáculos à livre iniciativa e desestímulos a investimentos e à busca pela eficiência. Ações de empresas estatais despencando como resultado de operações danosas ao patrimônio dos acionistas (e dos pagadores de tributos). E nem quero escrever sobre a questão, endêmica, da corrupção. Quero me ater tão somente a esse quadro da economia. Um quadro preocupante, sem qualquer dúvida.

Tudo isso – e muito mais – não é invenção, ou picuinha entre economistas, ou simples oposição política ao governo, ou mera antipatia pelos que estão no poder. São fatos concretos, frios, indiscutíveis e irrefutáveis. Quando olhamos para o futuro, qualquer economista com formação razoável, seja “austríaco”, monetarista ou mesmo keynesiano, sabe o que eles significam.

A verdade é que temos uma bomba relógio, que vem sendo armada desde a metade do segundo mandato do governo anterior, quando, para enfrentar a crise internacional – que foi então diagnosticada como uma “marolinha” – se estimulou o crédito barato e se reduziu a taxa Selic para “puxar” a demanda (e para vencer as eleições de 2010). Essa bomba está prestes a explodir. Nada de alarmismos, de previsões de fuga astronômica de capitais, de hiperinflação, de superdesemprego, de confiscos de poupança, de congelamentos de preços, de calotes do governo ou de caos generalizado. O economista que disser isso, ou pensa que tais fenômenos podem ser previstos com precisão (o que não é verdade) ou está querendo apavorar clientes potenciais para vender-lhes consultoria.

Mas, em respeito às leis da economia, sinto-me na obrigação de alertar que os minutos para que a bomba relógio exploda estão minguando e que, portanto, estamos nos aproximando de uma situação econômica muito difícil. Não sei se o artefato montado pela incompetência da equipe do atual governo vai explodir já, ou seja, ainda no mandato que expirará em 31 de dezembro, ou se vai estourar nas mãos do próximo presidente, seja ele quem for.

O quadro para o futuro, como já escrevi, embora não possa ser mensurado, já pode ser vislumbrado com certeza e resumido em uma palavra: estagflação! Para quem não conhece o economês, isso significa simplesmente que os aumentos de preços vão se acelerar e o desemprego vai aumentar. Mas quanto, só Deus sabe…

Se a taxa de crescimento do PIB em 2014 chegar a 1%, já será muito, o mesmo se podendo dizer se a inflação anual de dezembro ficar abaixo dos 8%. A inadimplência vai aumentar, as vendas e o crédito vão sofrer baques, as contas externas vão se deteriorar mais, o Real vai se desvalorizar perante o dólar, as taxas de juros vão subir e a produtividade, bem como as taxas de poupança e investimento, na melhor das hipóteses, não vão crescer. Provavelmente, cairão.

Relatórios recentes de bancos nacionais e estrangeiros apontam claramente para esses efeitos, embora, obviamente, tenham desagradado ao governo, que insiste em afirmar que tudo está sob o seu controle e que essas projeções não passam de “terrorismo eleitoral”.

Não se trata de terrorismo, nem de pessimismo, gente! É apenas realismo, resultante da aplicação da boa teoria econômica. Ninguém pode se sentir feliz escrevendo essas coisas que estou colocando neste artigo, porque são tristes. Mas a economia é uma ciência que, mesmo não sendo exata, possui leis que não podem ser atropeladas, porque cedo ou tarde a conta da incompetência terá que ser paga.

O próximo presidente terá uma tarefa árdua pela frente, sem qualquer dúvida. A casa está semidestruída e precisando de uma reforma completa. Realmente, é uma pena, mas nos últimos seis anos regredimos pelo menos uns vinte.

Já está dando na vista: TCU adia mais uma vez análise sobre bloqueio de bens de Graça Foster

Tribuna da Internet
Sabrina Craide, Agência Brasil


O Tribunal de Contas da União (TCU) adiou novamente a análise sobre o bloqueio dos bens da presidente da Petrobras, Graça Foster. O ministro José Jorge, relator do caso do tribunal, manteve o voto apresentado no início do mês, que pede a indisponibilidade dos bens de Graça Foster, mas retirou o processo da pauta da reunião de hoje, após uma notícia publicada na tarde de hoje (20) no site do jornal O Globo. A reportagem informa que a presidenta e o ex-diretor da Área Internacional da empresa Nestor Cerveró doaram imóveis a parentes após o escândalo sobre a compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

José Jorge prometeu que irá apresentá-lo novamente na semana que vem. Segundo ele, as informações da reportagem ainda devem ser analisadas e confirmadas, mas já indicam a necessidade de aprovar a indisponibilidade dos bens. “Se isso for verdade, e dependendo da sua extensão, isso configura uma burla ao processo de apuração da irregularidade. É gravíssimo”, disse o ministro.

Para o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, mesmo que tenha havido a transferência pontual de bens, isso não se configura em fuga patrimonial. “Fuga patrimonial é desfazimento integral do seu patrimônio em favor de laranjas, de pessoas não identificadas, de forma que você não possa recuperar esse patrimônio. Não é o caso. Tenho certeza de que a presidenta e os demais diretores que estão sendo acusados vão esclarecer isso com a maior tranquilidade”.

INDICIADOS
O relatório de José Jorge inclui Graça Foster e Jorge Luiz Zelada no processo que julga responsabilidades por supostas irregularidades na aquisição da Refinaria de Pasadena pela Petrobras. A ação sugeria a indisponibilização dos bens dos responsáveis pelos prejuízos atribuídos à Petrobras na compra da refinaria norte-americana.

Durante a sessão de hoje, o ministro Walton Alencar Rodrigues apresentou uma nova proposta, incluindo os dois como responsáveis, mas sem o bloqueio dos bens.

Ha duas semanas, a decisão sobre a inclusão do nome de Graça Foster havia sido adiada por José Jorge, que quis mais tempo para avaliar a situação depois que Adams defendeu que Graça Foster não tivesse o patrimônio bloqueado. No mês passado, o TCU determinou a devolução de US$ 792,3 milhões aos cofres da Petrobras pelos prejuízos causados ao patrimônio da empresa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O ex-senador José Jorge é apenas mais um a embromar. No assunto Petrobras, está tudo dominado pelo governo. Congresso, Executivo, Judiciário… o governo faz o que bem entende. A desculpa de José Jorge é patética. Diz precisar de mais tempo para “analisar” a denúncia de O Globo. Ora, a reportagem só mostrou que os bens precisam ser urgentemente bloqueados, antes de sumirem. (C.N.)

TRISTE CONSTATAÇÃO: Brasileiro não reconhece escola como instituição importante na formação da cidadania

Dandara Tinoco
O Globo

Para entrevistados em pesquisa sobre democracia participativa, família, universidades e mídia contribuem mais para educação cívica

Stock Photo 
Sala de aula: escola não está entre principais instituições ligadas 
ao ensino de educação cívica para brasileiros 

RIO - O brasileiro não reconhece a escola como elemento importante na formação da cidadania. O sistema de educação básica aparece em penúltimo lugar - atrás apenas do Judiciário - em avaliação da contribuição das instituições para formação e disseminação dos valores cívicos feita em pesquisa da CPM Research com 1.110 entrevistados. A família aparece em primeiro lugar, seguida da universidade, da mídia, da polícia e do Ministério Público. O estudo será apresentado nesta quarta-feira no Encontro Internacional do Ciclo Educação para o Futuro, na PUC-SP. Segundo o estudo, feito com habitantes das cinco regiões do país no início deste mês, os brasileiros não admitem ter deficiências na formação sobre o assunto. A maioria se considera cidadão ativo por ter consciência de seus direitos e deveres.

- As manifestações de junho de 2013 mostraram a nossa incapacidade no que diz respeito à cidadania ativa. Cada um saiu de casa com o seu cartaz, dizendo o que era importante para si, mas sem estar organizado. Isso vem de uma falta de formação no ensino básico, que não nos ensina sobre nossos direitos e deveres como cidadãos - avalia Oriana Monarca White, diretora da CPM Research e membro do Núcleo de Estudos de Futuro (NEF) da PUC-SP.

Entre as ações consideradas mais importantes para ser um cidadão ativo, “ensinar as crianças a serem cidadãos ativos desde os primeiros anos da escola” aparece em quinto lugar e “acompanhar o trabalho dos representantes públicos” em nono, atrás, por exemplo, de “ter um CPF”, em sétimo lugar.

Oriana desenvolve pesquisa de pós-doutorado sobre o tema. Ela compara a situação do Brasil com a de outros países como Itália e Espanha, onde o ensino de cidadania ativa é orientado por programas conduzidos pelos ministérios da educação. Durante um mês, a professora aplicou métodos usados por esses países em duas escolas públicas de São Paulo. O projeto envolveu exibição de filme, leitura de contos e fotografia.

- A ideia foi fortalecer alguns preceitos e ensiná-las a se articular na hora de reclamar - conta Oriana.

Duas educadoras italianas, Milva Valentini e Patrizia Bracarda, vão participar do encontro na PUC-SP. Depois de apresentar o projeto de pós-doutorado, em outubro, Oriana pretende enviar propostas sobre o tema para o Ministério da Educação:

- A discussão desse tema nas escolas, desde muito cedo, precisa ser imposta pelo ministério. É incrível que a sociedade civil - através de ONGs, por exemplo - se organize para trabalhar com isso. Mas precisamos de leis tratando do assunto.

O retrato da educação na AL

O Estado de S. Paulo
Editorial

Realizado com base na observação diária do comportamento em sala de aula de mais de 15 mil professores em 3 mil escolas públicas da América Latina (AL) e do Caribe, relatório do Banco Mundial sobre o ensino básico na região mostra uma ominosa contradição. Revela que, apesar dos investimentos feitos na última década, e que levaram à universalização da oferta de vagas no ensino fundamental e ao aumento dos índices de escolaridade do ensino médio, os países da região - com exceção do Chile - não têm conseguido melhorar a capacidade de aprendizagem dos estudantes em matérias fundamentais, como matemática e leitura, disciplinas consideradas vitais pelo Banco Mundial para que as novas gerações possam desenvolver pensamento crítico e ampliar as habilidades cognitivas.

A consequência é que a ineficiência do sistema educacional se tornou o principal gargalo do desenvolvimento econômico e social dos países latino-americanos e caribenhos, levando-os a se distanciar cada vez mais dos países do Leste Asiático. O estudo foi feito com o objetivo de estimular os governos da região a reformularem suas políticas educacionais, adotando novos critérios para a seleção de docentes para o magistério público.

Como o ensino básico na América Latina e no Caribe está num nível de qualidade abaixo dos padrões necessários a uma economia competitiva e capaz de ocupar espaços maiores no mercado mundial, os países dessa região carecem de capital humano para poder diversificar a produção, aumentar as exportações de maior valor agregado e assegurar crescimento sustentável.

Segundo o relatório, a maioria dos professores de educação básica na região tem baixo domínio técnico das disciplinas que ensinam, adota práticas pedagógicas ineficazes, faz uso limitado das novas tecnologias da informação, não consegue manter os alunos interessados nas aulas e dedica apenas 65% de sua carga horária para atividades didáticas. O tempo restante é gasto com atividades administrativas. O resultado é a perda de um dia inteiro de instrução por semana, comprometendo a alfabetização e o aprendizado de matemática. "Alunos com professor fraco dominam 50% ou menos do currículo para a série em que estão. 

Alunos com um bom professor têm um ganho médio de um ano. E estudantes com professores excelentes avançam uma série ou mais", afirma o relatório, depois de enfatizar que "tempo de instrução é o recurso mais caro de uma escola".

O estudo aponta ainda que a América Latina e o Caribe têm 7 milhões de professores de ensino básico. A maioria está envelhecendo e, por causa dos baixos salários, as autoridades educacionais não conseguem contratar jovens preparados para substituir os que se aposentam, especialmente nas disciplinas de matemática, ciências e línguas estrangeiras. "A América Latina não está atraindo pessoas de alto calibre de que precisa para construir sistemas educacionais de classe mundial. Os países da região parecem estar presos numa armadilha, com baixos padrões para o ingresso no magistério, candidatos de baixa qualidade, salários baixos e com pouco profissionalismo em sala de aula e resultados educacionais deficientes", afirma o relatório. O cenário é diametralmente oposto ao dos países bem-sucedidos nos rankings internacionais de avaliação escolar, como Finlândia, Cingapura e Coreia do Sul. Garantindo bons salários e boas condições de trabalho, esses países têm conseguido recrutar jovens talentosos para o magistério público.

Por causa das especificidades dos países latino-americanos e caribenhos, as estratégias recomendadas pelo Banco Mundial para que melhorem a qualidade do ensino básico são diversificadas. O denominador comum está no aumento de rigor nos critérios de recrutamento dos professores. "A seleção é a pedra angular das reformas educacionais", conclui o relatório, depois de fazer uma observação importante: quanto maiores forem os incentivos para motivar os docentes a ampliar seu desempenho pedagógico, mais atraente será a profissão e melhores serão os candidatos ao magistério público.

Educadores criticam demora do governo federal para divulgar Ideb

Demétrio Weber,  Lauro Neto e  Leonardo Vieira
O Globo

Autoridades e especialistas dizem que publicação do índice que avalia ensino deveria ocorrer no primeiro semestre

BRASÍLIA E RIO - Uma das principais referências para políticas educacionais na educação básica, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) está atrasado na escola. Divulgado a cada dois anos, o indicador mede a qualidade do aprendizado e da infraestrutura das cerca de 190 mil unidades escolares de ensino fundamental e médio em todo Brasil. Em 2010, foi liberado em julho. Em 2012, no dia 14 de agosto. Para este ano, no entanto, ainda não há uma data exata; o Ministério da Educação (MEC) diz apenas que será “nos próximos dias”. A demora vem gerando críticas entre especialistas e autoridades.

Segundo o secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, a demora prejudica o planejamento pedagógico e a implementação de melhorias do ensino:

— Esse atraso complica a vida de todos os secretários. À medida que o tempo passa, perde-se a chance de fazer algum tipo de correção. Usamos as avaliações bimestrais para fazer correções, mas o Ideb é um índice que compara o comportamento ao longo do tempo. Por ser externo, é uma avaliação mais isenta e permite comparar com o restante do país, qual a velocidade de melhora e onde temos que atuar.

Criado em 2005 para balizar políticas para a educação, o Ideb estabelece metas bianuais até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil. O cálculo do indicador, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão vinculado ao MEC, leva em conta a taxa de aprovação dos alunos e as médias de desempenho na Prova Brasil, para escolas e municípios, e no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), para nível estadual e federal. O Ideb estabelece uma nota de 0 a 10 para cada escola, rede de ensino, município e estado, além de traçar uma média nacional.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também criticou a demora na divulgação dos resultados do Ideb de 2013:

— Tem duas explicações: incompetência ou manipulação. Não tem tem outra alternativa — afirmou o senador. — Ou foram incompetentes para cumprir o prazo ou estão escondendo resultados negativos. Temo que estejam fazendo na educação o que fazem hoje na economia, com a chamada contabilidade criativa.

Buarque, que foi ministro da Educação no primeiro ano do governo Lula, em 2003, destacou a importância de os resultados virem a público durante a campanha eleitoral, a fim de serem debatidos pelos candidatos.

O presidente do Inep, José Francisco Soares, disse que a demora se deve à análise de recursos apresentados por escolas e redes de ensino. Segundo ele, isso ocorreu depois que o Inep divulgou os resultados da Prova Brasil a todas as mais de 50 mil escolas participantes, bem como aos secretários estaduais e a representantes da Undime, entidade que reúne secretários municipais de Educação. Soares afirmou que não existe hipótese de manipulação:

— O fato de já termos divulgado para as escolas, impede o uso “estranho” dos resultados — afirma Soares. — Afinal, esses resultados já não são privados: dezenas de autoridades da área de educação e 60 mil escolas tiveram acesso a eles. Falar em manipulação é uma hipótese de quem não conhece o sistema.

Antes de ser divulgado nacionalmente, os resultados do Ideb são repassados antecipadamente e sob embargo a escolas e secretarias estaduais e municipais. No Rio, a Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) afirmou que recebeu há dois meses apenas os microdados sobre taxas de rendimento (aprovação de alunos, reprovação e abandono). O ideal, segundo o órgão, seria que a entrega acontecesse entre março e maio. Mas, de acordo com a autarquia do MEC, não há atraso para divulgação do índice, uma vez que nunca houve uma data preestabelecida.

DIVULGAÇÃO ANTECIPADA
Este é exatamente este ponto o criticado pela pedagoga da Universidade de São Paulo (USP) Paula Louzano. Acadêmica com doutorado em Política Educacional pela Universidade de Havard, ela acha que os dados deveriam ser publicados com mais antecedência:

— É importante que o resultado possa sair o mais rápido possível. Temos que trabalhar para divulgar isso no primeiro semestre. Tem que ser uma meta. Se for uma tendência de cada vez atrasar mais, com um mês de diferença para mais, é ruim. A tendência deveria ser encurtar o tempo, criar formas para acelerar o processo, sem comprometer a qualidade do processo. É um direito das escolas saber antes de isso se tornar público.

Ministro da Educação quer revisão do ensino médio e novo currículo

Paulo Saldaña, Dayanne Sousa e Igor Gadelha  
O Estado de S. Paulo

Censo da Educação Básica, divulgado em fevereiro, mostrou queda no número de alunos matriculados no País nesta etapa

SÃO PAULO - A dificuldade para melhorar os índices de desempenho educacional no ensino médio não é exclusividade de São Paulo. O diagnóstico se repete em todo País e especialistas apontam problemas similares em outros países. O ministro da Educação, Henrique Paim, voltou a falar nesta terça-feira, 19, sobre a necessidade de revisão da etapa.

 “Não podemos conviver com essa realidade de que apenas 8% dos estudantes do ensino médio estão fazendo educação profissional”, declarou o ministro, que comentou que a penetração do ensino profissional é muito superior em outros países do mundo. Paim participou do Fórum Estadão Brasil Competitivo, especial sobre educação e mercado de trabalho. 

O ministro ainda falou sobre a construção de uma base curricular comum no País. “O ministério tem condição de conduzir esse processo para que se possa definir claramente o que é que os nossos estudantes precisam aprender”, disse. Como o Estado adiantou, o MEC iniciou em julho os debates para a construção da base. “É importante conseguirmos definir essa questão, respeitando a diversidade de cada sistema e cada escola.”

Censo. 
Além da atenção na qualidade, o País ainda tem problemas de acesso nesta etapa. O Censo da Educação Básica, divulgado em fevereiro, mostrou queda no número de alunos matriculados no País no ensino médio, ao mesmo tempo em que há cerca de 1,5 milhão de jovens que deveriam estar nesta etapa e estão fora da escola.

No último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), de 2011, o ensino médio da rede pública do País ficou estagnado em 3,4 - a meta é chegar a 5,2 em 2021. 

No xadrez de Marina, apesar do roque, só o xeque-mate resolve

Carlos Chagas
Tribuna da Internet


Existe no xadrez um artifício chamado “roque”, quando um dos contendores troca de lugar o rei pela torre, pulando por cima de outra peça e isolando a maior figura coroada de sua equipe, protegendo-a ao menos por alguns lances. Na sucessão presidencial em curso, forçada pela necessidade absoluta de entrar e continuar no jogo, Marina Silva acaba de “rocar”, isto é, livrar-se dos ataques iniciais dos peões adversários, ficando por algum tempo a salvo de investidas do outro lado. A  necessidade é de preservar-se nesses primeiros lances, quando virou candidata presidencial. O problema é que o “roque” consiste em manobra defensiva, quando se sabe que para dar o xeque-mate no oponente será preciso avançar.

O que fará a ex-ministra e senadora para depois de ficar momentaneamente a salvo na batalha, traçar a estratégia que a levará  da defesa ao ataque? Sabe que nem Dilma nem Aécio parecem dispostos a atirar a primeira pedra sobre ela, ao menos no início da nova fase da disputa presidencial.

De início, precisará calcular como, nesse estranho tabuleiro de três conjuntos de peças em luta, atingirá sua principal adversária, Dilma Rousseff, pondo fora de combate bispos, cavalos, torres e peões governistas. É preciso levar a contenda ao campo oposto, até com agressividade. Melhor estratégia não haverá senão demonstrar erros e recuos praticados pela administração dos companheiros. Apontar onde falharam os propósitos do PAC 1 e como são aleatórios e fugazes os projetos do PAC 2. Quanto se gastou inutilmente no desvio das águas do rio São Francisco, por exemplo, e quanto se perdeu com a privatização de portos, aeroportos e rodovias.  Quais os resultados obtidos pelo palácio do Planalto no combate à corrupção? O que foi feito para interromper a escalada da impunidade? E para a preservação do meio ambiente, em especial na Amazônia?

GUERRA AO PT
Sem poder sofrer ataques por haver-se desligado da administração federal ainda no governo Lula, a candidata agora socialista sabe da importância de declarar guerra ao PT, muito mais do que apenas defender-se. Denunciar que além de esmolas assistencialistas, os governos Lula e Dilma não avançaram um centímetro na ampliação dos direitos do trabalhador ou na defesa das investidas vitoriosas dos conservadores.

Se verdadeiros os números positivos expressos na primeira pesquisa efetuada depois da morte de Eduardo Campos, fazendo-a vencer Aécio na simulação do primeiro turno, e Dilma no segundo, Marina tem consciência da importância de criar e sustentar um cerco implacável à cidadela oficial. Precisa de argumentos poderosos para demonstrar o fracasso da administração petista e, em seguida, alinhar suas soluções para o futuro do pais. Tudo em menos de um mês e meio. E sem descuidar do flanco por onde atacará Aécio Neves.

São Paulo e Minas constituem terreno escarpado e hostil a Marina, estados infensos a deixar-se envolver pela rede de mudanças sociais e econômicas profundas com que ela poderia envolvê-los. Eduardo Campos percebeu a importância de sentar praça na Pauliceia, mas sua tática era de aderir primeiro para conquistar depois, dificilmente capaz de ser adotada pela candidata.

De todas essas vãs considerações, emerge uma necessidade fundamental: Marina precisa elaborar imediatamente seu plano de governo, quer dizer, de candidata, com a dificuldade adicional de não contrariar nos fundamentos o que havia sido traçado por quem agora está substituindo. Em suma, um jogo de xadrez para gente grande…

As traições de Marina. Bem que avisei!

Dener Giovanini
O Estado de S. Paulo

Em 2003, ainda no começo do governo do presidente Lula eu, que ainda não era jornalista, dei uma entrevista para o Estadão na qual afirmava categoricamente: “não confio na Marina Silva nem para cuidar do meu jardim”


Em 2003, ainda no começo do governo do presidente Lula eu, que ainda não era jornalista, dei uma entrevista para o Estadão na qual afirmava categoricamente: “não confio na Marina Silva nem para cuidar do meu jardim”, CLIQUE AQUI para conferir. Confirmei minhas palavras no discurso que proferi na ONU ao receber de Kofi Annan o prêmio das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Os petistas se arrepiaram, reclamaram e me criticaram. Não deu outra: se arrependeram. Em 2010, quando o Partido Verde aceitou a bancar a candidatura de Marina para presidência da República, novamente eu avisei em diversas oportunidades, que eles estavam dando um tiro no próprio pé. Fui criticado e esculhambado por algumas lideranças do PV. Não deu outra: eles também se arrependeram.

Quando Eduardo Campos oficializou a candidatura de Marina Silva como vice em sua chapa eu não perdi a oportunidade. Novamente afirmei em entrevistas e artigos que o PSB iria se arrepender. E, mais uma vez, não deu outra: Marina, além de não transferir votos, ainda criou uma série de dificuldades políticas para Eduardo, levando seu nome a patinar entre 10% do eleitorado. Não fosse sua trágica morte, ele sairia da eleição muito menor que entrou. E grande parte da culpa teria o sobrenome Silva.

Seria eu um implicante sem razão contra Marina Silva ou será que Deus me concedeu o dom da adivinhação? Nem uma coisa, nem outra. Sou apenas um pragmático, que não dá asas a paixões avassaladoras de momento e nem me deixo levar pelas emoções de ocasião. E assim penso que deva ser cada brasileiro que tenha consciência sobre a sua responsabilidade de decidir o destino do país.

Marina Silva foi ministra de Lula por oito anos e “abandonou” o governo quando percebeu que seu ego se apequenava diante do crescimento da influência da então também ministra Dilma Rousseff. O Planalto estava pequeno demais para as duas. Também deixou o Partido Verde ao perceber que a legenda não se dobraria tão fácil a sua sede de poder. Eduardo Campos sentiu o amargo sabor de Marina ao ver alianças importantes escorrerem por entre seus dedos. Marina atrapalhou, e muito, sua candidatura. Isso é um fato que nem o mais bobo líder do PSB pode negar.

Marina está fadada a trair
O grande ego é o pai da traição. Quem se sente um predestinado e prioriza o culto a personalidade tem medo da discordância, da crítica. É esse medo que gera uma neutralidade perigosa e falsa. E a neutralidade é a mãe da traição. Seres humanos com grandes egos quase sempre se posicionam entre o conforto de “lavar as mãos” e o silêncio covarde de suas convicções.

Marina Silva é assim. Simples assim.

Nas últimas Eleições presidenciais Marina ficou NEUTRA. Alguém se lembra?

Ao contrário do que desejavam seus milhões de eleitores – que ansiavam por uma indicação, uma orientação ou um caminho – Marina calou-se. Não apoiou Dilma e nem Serra. Com medo de decidir, declarou-se neutra. E ajudou a eleger Dilma.

Claro, não se espera de um político uma sinceridade absoluta, mas pelo menos transparência em algumas das suas convicções básicas. Isso Marina não faz. E quem não o faz assume o destino da traição. Vejamos:

a)      Se eleita, Marina Silva irá mudar o atual Código Florestal?
SIM (trairá o agronegócio)
NÃO (trairá os ambientalistas)

b)      Se eleita, Marina Silva irá abandonar os investimentos no Pré-sal e passará a investir em fontes alternativas para a matriz energética?
SIM (trairá a Petrobrás e seus parceiros)
NÃO (trairá os ambientalistas)

c)       Se eleita, Marina Silva irá interromper a construção de Belo Monte?
SIM (trairá os empresários)
NÃO (trairá os ambientalistas)

d)      Se eleita, Marina Silva irá apoiar o casamento gay?
SIM (trairá os evangélicos)
NÃO (trairá os movimentos sociais)

e)      Se eleita, Marina Silva será contra a pesquisa de células tronco?
SIM (trairá os pesquisadores e a academia)
NÃO (trairá os evangélicos)

f)      Se não for ao segundo turno, Marina repetirá sua posição de 2010?
SIM (trairá a oposição)
NÃO (trairá a si mesma)

Essas são apenas algumas perguntas que Marina Silva não responderá. Ou o fará por meio de respostas dúbias e escamoteadoras, bem ao seu estilo. No final, ninguém saberá realmente o que ela pensa. Sob pressão, ela jogará a responsabilidade para a platéia e sacará de seu xale sagrado a carta mágica:FAREMOS UM PLEBISCITO!  Esse é o estilo Marina de ser. E esse é o tipo de comando que pode levar o Brasil ao encontro de um cenário de incertezas e retrocessos. O que ela fala – ou melhor – o que ela não fala hoje, será cobrado no Congresso Nacional caso venha a se eleger. Como Marina negociará com a bancada ruralista? Com a bancada religiosa?

Você, caro leitor, vai arriscar?

Eu não. Se não me bastassem os fatos, tive a oportunidade de olhar profundamente os olhos de Marina e de segurar em suas mãos. E não gostei do que vi. E não tenho medo de críticas. E tenho orgulho das minhas convicções.

Marina: olhei em seus olhos e segurei em suas mãos. Dener Giovanini


Marina candidata: 'Crescimento do PSB é tão importante quanto a criação da Rede'

Marcela Mattos e Talita Fernandes
Veja online

A prática, contudo, não coincide com o discurso: ela não subirá em todos os palanques do partido nos Estados

(Sergio Lima/Folhapress) 
PSB confirma o nome de Marina Silva como a candidata do partido 
à Presidência da República no lugar de Eduardo Campos. 
O deputado Beto Albuquerque será o candidato à vice 

Depois de um dia inteiro de reuniões a portas fechadas, que começaram por volta das 11 horas, o PSB formalizou na noite desta quarta-feira a indicação da ex-senadora Marina Silva para encabeçar a chapa à Presidência da República. Às 20h20, Marina iniciou seu pronunciamento na sede do partido em Brasíla. A mensagem central do discurso foi de que o vínculo que existia entre ela e Eduardo Campos, morto na semana passada e de quem a ex-senadora anteriormente era vice, agora se estende ao PSB e à Rede Sustentabilidade: "Para mim, tão importante quanto a criação da Rede é o crescimento do PSB. Estamos juntos nesse sentido". Mas, apesar da retórica de união, Marina não subirá em todos os palanques do PSB nos Estados. "Onde não tem consenso, o PSB terá suas escolhas e a Rede as suas", disse. 

O deputado gaúcho Beto Albuquerque, que patinava na tentativa de se eleger ao Senado neste ano, será o novo vice na chapa.

Ex-petista, ex-ministra de Lula, Marina Silva, depois de sair das eleições 2010 com patrimônio de quase 20 milhões de votos, passou a articular a criação de um partido, a Rede Sustentabilidade. Seu propósito era concorrer ao Palácio do Planalto neste ano por essa legenda, mas os planos foram frustrados pela Justiça Eleitoral, que indeferiu o pedido de registro da agremiação por problemas formais. Sem legenda, ela aceitou filiar-se ao PSB como vice numa chapa encabeçada por Eduardo Campos, principal líder da sigla. Nos dez meses entre o anúncio da parceria, o que transparecia é que a união era entre duas personalidades políticas fortes, muito mais do que entre dois partidos. O principal indício disso era na maneira como Marina se recusava a endossar algumas alianças do PSB nos estados. Ela não escondia que viabilizar a Rede no aspecto legal era sua prioridade. É justamente essa a grande novidade no discurso de hoje: o fato de ela colocar PSB e Rede no mesmo plano. 

"Sinto-me parte solidária e interessada que o PSB leve adiante os planos de futuro partidário que tinham a inspiração de Campos. Sem Eduardo, temos hoje o que sempre nos uniu: a consciência clara de onde queremos chegar juntos. O programa é o pacto selado, o acordo maior que nos une", disse.

Mas o fato é que as arestas não foram aparadas: as divergências entre o PSB e os "marineiros" nos palanques estaduais continuam. "Hoje temos 14 estados com Rede e PSB juntos. O que foi decidido em termos de coligação é que o PSB tinha o direito de escolher essas alianças e que eu seria preservada de ter que apoiá-las. Nesse momento, permanece o mesmo que fizemos", afirmou Marina. "O Beto representará o PSB junto a essas alianças e eu estarei ao lado dos candidatos do PSB a deputado estadual e federal como já estava antes."

Campos – 
O luto pela trágica morte de Campos permeou a longa jornada de negociações e também se refletiu no discurso de Marina, que se emociou e teve de interromper a fala com a voz embargada. "Tudo aquilo que fizemos juntos é o que faremos daqui pra frente. Quero agradecer a todos vocês que comigo e Beto... Beto e eu... é difícil. A gente falava Eduardo e Marina", disse, ao se apresentar pela primeira vez como parte de uma nova chapa.
A partir desta quinta-feira, Marina terá pouco mais de dois minutos na propaganda eleitoral de rádio e televisão.

'Terceira via' de Marina ainda é uma incógnita, dizem analistas

Hugo Bachega
BBC Brasil 


Analistas apontam para o desconhecimento 
de grande parte dos projetos e ideais defendidos por Marina

Apontada como "terceira via" entre os candidatos à Presidência da República, Marina Silva entra na corrida oficialmente nesta quarta-feira com políticas e ideias que permanecem em grande parte uma incógnita.

O termo "terceira via" tem sido associado a Marina pela própria, além de imprensa e analistas. Entretanto, a expressão reflete um conceito baseado na reconciliação da direita e esquerda, com políticas sociais progressistas e ações econômicas ortodoxas. Teve como representantes recentes o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, trabalhista, e o ex-presidente americano Bill Clinton, democrata.

Especialistas vêem Marina mais como uma "terceira opção" à polarização PT x PSDB que tem dominado o pleito nacional há 20 anos. Bandeira que sua campanha deverá reforçar ao enfrentar a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB) na eleição presidencial.

"A terceira via implica algum compromisso entre a social-democracia e o neoliberalismo, uma nova tentativa de achar resultados positivos sociais junto com parcerias com o setor privado", disse à BBC Brasil Anthony Pereira, diretor do Brazil Institute do King’s College de Londres.

"Realmente não está claro se Marina representa isso. Acho que por enquanto a terceira via dela representa uma opção diferente com um conteúdo indefinido."

A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será oficializada nesta quarta-feira como candidata do PSB à Presidência, substituindo o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo há uma semana.

Ruptura
Desde 2010, quando foi candidata ao Palácio do Planalto pelo Partido Verde - finalizando no terceiro lugar com cerca de 20 milhões de votos, uma surpresa -, Marina já se colocava como alternativa à política convencional. Criticava o "fisiologismo" da "velha política" e defendia uma "ruptura".

Quando tentou sair candidata investindo no lançamento do seu próprio partido, a Rede Sustentabilidade, a ex-senadora disse não ser "nem de esquerda, nem de direita".

Com o fracasso no lançamento da legenda, surpreendeu o cenário político se aliando a Campos como candidata a vice, numa plataforma com pontos favoráveis a investidores. Aliados de ambos relataram choques de ideais entre os grupos.

"Ela como pessoa, sem dúvida, é uma terceira via. Agora, uma sustentação conceitual, programática, de planos de governo, é uma coisa que ainda estamos esperando para ver", disse Marcos Troyjo, diretor do BricLab, da Universidade de Columbia, em Nova York.

Para Anthony Pereira, "fora da área do meio ambiente, não vejo um conteúdo muito concreto que possa chamar de terceira via".

Ambientalista de posições firmes, a candidata é vista como defensora do desenvolvimento econômico com proteção ambiental. O desafio será vender esta postura como possível, diz Pereira.

"O Brasil pode ter políticas públicas sustentáveis mas também orientadas ao crescimento forte. Este pode ser um argumento muito interessante."

'Marinês'
Marina é vista por muitos analistas como herdeira dos votos de eleitores descontentes com o atual cenário político. Mas muitos creem que os ideais que ela representa ainda são desconhecidos, gerando incertezas.

Uma pista do que pensa a futura candidata é dada por aqueles que a cercam, diz Troyjo, que aponta nomes "muito competentes" assessorando Marina, como os economistas André Lara Resende e Eduardo Gianetti da Fonseca.

"Mas tem gente também que tem, do ponto de vista ambientalista, uma visão tão preservacionista dos recursos naturais que eu acho que é um obstáculo ao tipo de velocidade e proporção de crescimento econômico que o Brasil precisa", disse.

Marina assumiu candidatura do PSB 
após a morte de Eduardo Campos em acidente aéreo

Os discursos de Marina passaram a chamar atenção na reta final da campanha de 2010, com o crescimento dela nas pesquisas. Muitos se depararam com palavras difíceis, com poucos conceitos ou projetos concretos.

"Não é bem claro, por exemplo, as políticas públicas que ela quer adotar. As pessoas associam ela com o meio ambiente, mas ela também é associada a políticas mais conservadoras em temas sociais, por exemplo, contra casamento gay, aborto", disse Pereira.

Agora, alçada ao centro da disputa, com exposição maior na mídia e forçada a participar de debates com os outros candidatos – que não deverão poupá-la de ataques e críticas – a atenção será ainda maior.

"Vai haver, de fato, maior atenção ao que ela diz. É óbvio que para ela subir mais, e se manter lá em cima nas pesquisas, não é uma coisa banal, porque as contradições vão começar a aparecer", disse João Augusto de Castro Neves, diretor para América Latina da consultoria de risco político Eurasia, em Washington.

"Tanto Dilma como Aécio já estão sofrendo este tipo de fiscalização há muito tempo já. A Marina agora vai sofrer isso", disse.

A presidente no sufoco

O Estado de S. Paulo
Editorial

Nunca antes nos 3 anos, 7 meses e 18 dias de Dilma Rousseff no Planalto o público tinha tido a oportunidade de ver o que subordinados da "gerentona" conhecem por humilhante experiência própria: a chefe à beira de um ataque de nervos. Com a diferença de que, no seu gabinete, ela se sente literalmente em casa para descarregar a ira com as presumíveis dificuldades da equipe em captar o seu pensamento - o que, tendo em vista as peculiares circunvoluções de sua forma de expressão, se explica plenamente.

"Não há no inferno", escreveu Shakespeare, "fúria comparável à de uma mulher rejeitada." Ou de uma Dilma Rousseff contrariada - e sem poder pôr no devido lugar o responsável real ou imaginário pela afronta. Foi o que a audiência do Jornal Nacional (JN) da segunda-feira descobriu ao acompanhar a entrevista dos apresentadores William Bonner e Patrícia Poeta com a candidata à reeleição. Ela foi a terceira a ser arguida na série de sabatinas de 15 minutos com os principais aspirantes à Presidência, iniciada com o tucano Aécio Neves, a quem se seguiu o ex-governador Eduardo Campos, na véspera de sua trágica morte. (Quando a sua candidatura tiver sido formalizada, também Marina Silva será convidada.)

Por ser presidente, Dilma teve o privilégio de receber os jornalistas na residência oficial do Alvorada, à frente de estantes de livros encadernados e cuidadosamente dispostos, sem sinal de manuseio, um cenário escolhido para denotar solenidade, elevação e a nobreza da função presidencial. Nada que ver com o ambiente do JN, nos estúdios da Rede Globo, no Rio de Janeiro, em que os donos da situação, como Aécio e Campos sentiram na pele, são os âncoras do principal noticioso da TV brasileira, infundindo, nas suas perguntas, contundência e conhecimento de causa à altura dos seus implacáveis colegas britânicos - a referência mundial no gênero.

Mas logo na resposta ao primeiro disparo de Bonner sobre uma das duvidosas distinções do governo - as denúncias de casos de corrupção em sete ministérios - ficou claro o desamparo da presidente. Faltava-lhe o ponto no ouvido pelo qual o seu marqueteiro João Santana poderia conduzi-la, se não a terra firme, ao menos para longe do vórtice. Pior ainda, faltava-lhe o conforto das gravações irrepreensivelmente produzidas que confeccionam uma imaginária Dilma estadista. Com o misto de irritação e impaciência que denotaria durante toda a entrevista, ela desandou a juntar frases e mais frases que tinham em comum a extensão, a desconexão e a pretensão.

Para mostrar superioridade ética, por exemplo, disse que os governos petistas não têm um "engavetador-geral da República", como, segundo a oposição, teria sido o titular do Ministério Público Federal nos anos Fernando Henrique. E reivindicou, para "nós", a criação da Controladoria-Geral da União. Na realidade, Lula pouco mais fez do que mudar o nome do órgão fiscalizador do Executivo (Corregedoria-Geral da União) instituído pelo tucano em 2001 e fortalecido no ano seguinte com a absorção da Secretaria Federal de Controle, antes vinculada ao Ministério da Fazenda. Em dado momento, tentando cortar o interminável palavrório da candidata, o entrevistador recebeu uma dose de Dilma em estado puro: "Então, continuando o que eu estava dizendo…".

Fez-se de desentendida quando Bonner lhe perguntou o que achava de o PT tratar como vítimas os companheiros condenados pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão. Pelo menos três vezes ela repetiu que, como presidente, "não julgo ações do Supremo", por mais que o jornalista reiterasse que o objeto da pergunta era a conduta de seu partido, não o veredicto do Tribunal. A esta altura, Dilma parecia prestes a explodir. Quando o assunto passou a ser a economia, diante dos números amargos, de conhecimento público, sobre a inflação e o PIB, saiu-se com um "não sei da onde que estão (sic) seus dados". O tempo do programa estourou depois de quatro perguntas apenas e Dilma precisou ser interrompida quando pedia "o voto dos telespectadores".

Terminado o sufoco, a presidente tomou uma decisão prudente, embora apequenadora: cancelou a entrevista que daria em seguida à Globo News.

TSE cassa liminar que punia consultoria que avaliou Dilma

Veja online

Tribunal votou contra representação que pedia a aplicação de multa e retirada de anúncios na internet da Empiricus Research

(Evaristo SA/AFP/VEJA) 
Votaram contra a liminar cinco ministros e dois foram favoráveis 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por maioria, cassar a liminar que impunha censura à consultoria Empiricus Research, acusada pela coligação “Com a Força do Povo”, que tem a petista Dilma Rousseff como candidata à reeleição à Presidência, de fazer propaganda na internet com conteúdo negativo contra a petista e positivo para o candidato tucano Aécio Neves. A informação foi divulgada nesta manhã pelo colunista de VEJA, Reinaldo Azevedo. 

Votaram contra a liminar os ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux, João Otávio de Noronha, Luciana Lóssio e Dias Toffoli, presidente do tribunal. No entendimento dos magistrados, não houve propaganda eleitoral nos seguintes anúncios que foram alvos da denúncia: “Como se proteger da Dilma: saiba como proteger seu patrimônio em caso de reeleição da Dilma, já” e “E se o Aécio Neves ganhar? Que ações devem subir se o Aécio ganhar a eleição? Descubra aqui, já”.

Em nota divulgada pelo TSE, o ministro Gilmar Mendes afirmou que teme que "esse tipo de intervenção da Justiça Eleitoral em um tema de opinião venha, a realmente, qualificar uma negativa intervenção em matéria de livre expressão". “Tentar tutelar o mercado de ideias não é o papel da Justiça Eleitoral", reforçou. Na mesma linha, o ministro Luiz Fux afirmou que o critério da Justiça Eleitoral é o de "respeitar a soberania popular e manter o minimalismo diante do jogo democrático". 

Já o ministro e relator Admar Gongaza foi favorável aos reclamantes e votou no sentido de multar a Empircus em 15 mil reais e de retirar o conteúdo da rede. Segundo ele, houve excesso nas expressões utilizadas nos anúncios e uma "clara estratégia de propaganda subliminar". Além de Gongaza, a ministra Laurita Vaz votou a favor da aplicação da multa.

TSE manda Dilma corrigir irregularidade em propaganda de TV

Carolina Brígido
O Globo

Peça teve o intuito de confundir o eleitor e fazer parecer que não se tratava de propaganda eleitoral

Terceiro / Agência O Globo
Peça da campanha de Dilma Rousseff teve o intuito de confundir o eleitor 
e fazer parecer que não se tratava de propaganda eleitoral, segundo ministra do TSE 

BRASÍLIA — A presidente Dilma Rousseff foi a primeira candidata à Presidência da República a receber um puxão de orelha do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ministra Maria Thereza de Assis Moura, integrante da Corte, determinou que a propaganda na televisão da candidata estampasse a assinatura da coligação e a legenda com a identificação de que se trata de propaganda eleitoral gratuita. Segundo a ministra, essas regras não foram cumpridas no primeiro dia de exibição da campanha na televisão, na terça-feira. Não há punição para a irregularidade, apenas um alerta para que isso não se repita.

A decisão foi tomada no julgamento de uma representação da coligação Muda Brasil, do tucano Aécio Neves. De acordo com a ação, a peça teve o intuito de confundir o eleitor e fazer parecer que não se tratava de propaganda eleitoral, mas de mensagem institucional. “Após assistir à mídia, identifiquei que, na propaganda veiculada, não aparece a legenda identificando a coligação Representada e os partidos políticos que a compõem, em clara violação ao disposto no artigo 7º da Resolução TSE nº 23.404”, escreveu a ministra.

Conforme esta regra, na propaganda para eleição majoritária, a coligação precisa divulgar obrigatoriamente as legendas de todos os partidos políticos que a integram. Já na propaganda para eleição proporcional, cada partido político usará sua legenda sob o nome da coligação.

“De igual modo, em contrariedade ao artigo 46 da mesma Resolução, não há durante a transmissão a identificação pela legenda ‘propaganda eleitoral gratuita’”, afirmou a ministra. Segundo a magistrada, a identificação é necessária para que os eleitores conheçam o responsável pela veiculação da propaganda eleitoral.

A legislação não prevê punição para a irregularidade. “Cabe à Justiça Eleitoral, ante a falta de norma sancionadora, apenas advertir a Representada para que, em seus programas futuros, identifique de forma clara e legível o nome da coligação responsável pela peça veiculada”, explicou a ministra. A coligação de Aécio Neves também pedia que a propaganda deixasse de ser veiculada no mesmo dia, à noite. A ministra não analisou esse pedido, porque o processo chegou às mãos dela após a veiculação da propaganda noturna.

A indústria sangra

Celso Ming
O Estado de São Paulo

Não deixa de ser paradoxal que uma indústria superprotegida, como a brasileira, que atua em uma das economias mais fechadas do planeta, esteja perdendo competitividade, até mesmo aqui no Brasil, transformado hoje em mercado cativo.

Nesta terça-feira, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, advertiu que “a indústria vive talvez um dos piores momentos da história”. Assim, um a um, os dirigentes revelam seu desapontamento pelo definhamento do setor.

Não deixa de ser paradoxal que uma indústria superprotegida, como a brasileira, que atua em uma das economias mais fechadas do planeta, esteja perdendo competitividade, até mesmo aqui no Brasil, transformado hoje em mercado cativo.

(FOTO: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO)
 Andrade. Dias difíceis 

Sempre haverá aqueles que pedem ainda mais proteção ou que pregam contra a inserção da indústria brasileira nas cadeias globais de valor. Estes não conseguem explicar por que o agronegócio, que enfrenta o mesmo custo Brasil, a mesma precariedade da infraestrutura e o mesmo câmbio fora de lugar, dá um show de competitividade, enquanto a indústria está todos os dias sangrando mais.

Em artigo publicado nesta terça-feira no jornal Valor Econômico, o economista José Augusto Arantes Savasini põe o dedo nessa ferida dolorosa. Até agora, prevaleceu o ponto de vista de que a indústria tem de ser amplamente protegida, dentro do princípio de que não pode depender de suprimento externo e tem de ser autossuficiente. Savasini argumenta que essa política hoje prevalecente, defendida pelos próprios dirigentes do setor produtivo, é um tiro no pé e uma das principais causas do seu definhamento.

Como consequência dessa escolha estratégica, feita lá atrás e não corrigida, todos os subsetores são protegidos em todas as etapas de produção com elevadas tarifas de importação. O resultado é o de que o produto final incorpora os altos custos das máquinas, dos insumos, das peças e componentes. Tudo isso junto, ainda tem de enfrentar impostos e juros altos demais.

A reivindicação recorrente da indústria é a de que o governo proveja ampla desvalorização cambial que se destine a compensar a baixa competitividade. Ora, a proteção cambial cai, como chuva, sobre todas as etapas da produção e puxa outra vez para cima os custos finais. Como a hemorragia segue, a indústria briga por mais câmbio. Quando vem, outra vez os custos sobem e a roda viciada dá mais uma volta.

Savasini sugere que o processo de recuperação da indústria comece com gradual retirada da proteção aduaneira e com uma progressiva inserção da indústria no sistema global de produção e de agregação de valor.

Nesse processo, ficará claro que alguns setores não conseguirão subsistir porque não são competitivos. Mas a indústria brasileira como um todo tende a sair fortalecida porque incorporará tecnologia, baixará seus custos e conquistará mercado externo.

Este não é ainda o ponto de vista que prevalece no setor. Os atuais dirigentes industriais continuam mais propensos a aceitar favores episódicos, a defender fartura de subsídios e a distribuição de toda sorte de pirulitos que o governo sempre está disposto a fornecer.

Mas as coisas parecem bem mais maduras para mudar. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) há alguns anos também entoava o mesmo samba de uma nota só, que pedia cada vez mais proteção. Hoje é o primeiro dos organismos da indústria a defender uma política mais racional, mais moderna e mais madura.

CONFIRA:


Aí está a evolução medida em período de 12 meses da receita nominal do setor de serviços.

Desaquecimento
O crescimento de junho, de 5,7% em comparação com junho de 2013, é o mais fraco desde janeiro de 2012. Não é consequência apenas da Copa que teve tantos feriados. Reflete o desaquecimento geral da economia.

Olha o petróleo
As cotações do WTI, o petróleo mais leve dos Estados Unidos, caíram ontem para US$ 94,98 por barril, as mais baixas desde 17 de janeiro.

Indústria em perda dupla

Alvaro Gribel e Marcelo Loureiro 
O Globo

A indústria brasileira vem sofrendo duas frentes de baixa. Uma, interna, com a desaceleração do consumo, e outra, externa, com a queda das exportações. Tirando da conta a exportação contábil das plataformas de petróleo, a indústria vendeu US$ 2,7 bilhões a menos em produtos manufaturados de janeiro a julho, com redução de 5,6% sobre o mesmo período de 2013. Só de carros, a queda é de US$ 1 bilhão.

Os números da balança comercial mostram a falta de competitividade da nossa indústria. Com a crise na Argentina, o setor de transportes foi diretamente afetado, porque cerca de 80% das vendas externas de automóveis têm como destino o país vizinho. Como o problema cambial dos argentinos vem de longe, houve tempo considerável para se buscar outros mercados, mas isso não aconteceu. O resultado foi um recuo de 35% nas exportações de automóveis, de US$ 2,9 bilhões para US$ 1,9 bilhão, segundo o Ministério do Desenvolvimento.

Quando se olha a indústria de transportes como um todo, incluindo aviões, tratores, ônibus, trens, motores e peças, a perda é de US$ 2,3 bilhões até julho. A venda de peças para veículos caiu US$ 536 milhões, enquanto a de motores recuou US$ 238 milhões. Entre os itens que subiram — mas não a ponto de reverter o quadro — estão trens, ônibus, peças para helicópteros, motores e turbinas para aviões.

Alguns produtos tiveram aumento das exportações. A venda de tubos de ferro, aço e acessórios, por exemplo, disparou 115%, com aumento de receita de US$ 458 milhões, enquanto a de tubos flexíveis subiu US$ 145 milhões. Mas, ainda assim, o número final entre os produtos manufaturados é de queda.

Essa fraqueza industrial é ruim porque ameaça a preservação de empregos que são considerados de alto nível de qualificação, quando comparados com o setor de serviços, por exemplo. Mas as consequências vão além disso. Com um déficit em conta-corrente na casa de 4% do PIB, cada dólar a menos que deixa de entrar no país aumenta a fragilidade externa de nossa economia.

De janeiro a julho, as exportações de produtos básicos cresceram US$ 3,4 bilhões, enquanto as de produtos semimanufaturados caíram US$ 1,6 bilhão. Ou seja, a participação da indústria no nosso comércio externo está ficando menor em 2014.

De volta ao azul
Depois de cair por quatro meses seguidos, a indústria deve voltar ao azul quando for divulgado o indicador de julho. O problema é que as projeções não indicam recuperação para o tombo de 1,4% da produção industrial de junho. O Itaú, por exemplo, estima alta de 0,7%. O Bradesco, 0,5%; enquanto a LCA consultoria prevê crescimento de 0,3%.

Vários indicadores antecedentes sugerem melhora sobre o mês anterior. A venda de veículos subiu 17% de junho para julho. Já o fluxo de caminhões pesados nas estradas aumentou 3,2%, enquanto a expedição de papelão ondulado cresceu 9,5% de um mês para o outro. Nada disso, no entanto, sugere retomada forte. Os números são menores quando comparados com o mesmo mês do ano passado.

O que falta são reformas
A economista Fernanda Consorte, do banco Santander, prevê crescimento da indústria de apenas 0,1% de junho para julho. O que tem impedido uma alta maior é a falta de reformas que deem competitividade ao setor.

— Não há reformas em curso ou mudança iminente no câmbio. Não haverá recuperação forte na produção nos próximos meses — disse.

Tudo bem ou tudo péssimo

José Paulo Kupfer
O Estado de São Paulo

É natural que o ambiente eleitoral contamine as análises econômicas. Nada mais previsível, nesse momento, do que a possibilidade de o calendário das eleições potencializar os temores sobre o futuro da economia. Por isso, a verdade é que o quadro das reais possibilidades e dificuldades costuma passar mais ou menos longe do descrito no calor das campanhas.

Essa característica não é uma jabuticaba, como outras exclusividades brasileiras. A tendência é que seja assim em todas as democracias em que a alternância de poder só é possível pela via do voto universal. Basta lembrar os radicalismos republicanos e democratas que afloraram na campanha de reeleição de Barack Obama, em 2012.

Lá como cá - e como em qualquer outro lugar - o debate entre o tudo bem dos situacionistas e o tudo péssimo dos oposicionistas tende a excluir ou encobrir as muitas nuances da real situação econômica e de suas perspectivas. Explica-se: os surtos de pessimismo ou otimismo das forças envolvidas nos embates eleitorais se baseiam mais nos níveis subjetivos de confiança ou desconfiança do que nos fundamentos econômicos.

Diferença, no caso específico da presente eleição brasileira, só mesmo o acirramento dessas características, a partir da carga emocional adicionada ao processo pelo inesperado e trágico desaparecimento, em acidente aéreo, do candidato Eduardo Campos e da ascensão de Marina Silva, sua emblemática vice, ao palco da disputa pela Presidência.

Tudo o que se poderia esperar do script eleitoral ficou mais embaralhado e ganhou cores mais intensas. É de se prever, assim, que essa maior intensidade também se reflita nas análises. Porém, não custa lembrar que, mesmo sem essa dose extra de emoção, avaliações econômicas ponderadas costumam estar sempre entre as primeiras vítimas dos períodos eleitorais.

"Estabelece-se uma confusão entre incertezas e falta de perspectivas", observa Nelson Barbosa, ex-secretário executivo da Fazenda e agora professor da Escola de Economia da FGV-SP. O que se tem hoje, segundo ele, são mais incertezas do que, de fato, falta de perspectivas.

As incertezas turbinadas pelo período eleitoral deverão ser reforçadas no fim deste mês com a divulgação pelo IBGE da variação do PIB no segundo trimestre do ano. Todos os indicadores apontam para um recuo da atividade econômica em relação ao trimestre anterior, compondo um primeiro semestre de recessão ou perto disso.

O resultado negativo provavelmente virá acompanhado de uma queda acentuada nos investimentos, o que aumentará ainda mais a desconfiança em relação aos rumos da economia. Se faltava alguma coisa para determinar uma paralisia empresarial, ainda que presumivelmente temporária, não deverá faltar mais nada.

Nada mais propício a digressões de cunho eleitoral, na direção de soluções heroicas, do que um quadro de baixo crescimento e inflação alta, como o que se apresentará na reta final da campanha presidencial. Pode ser, no entanto, que o simples desfecho da eleição, ao remover o grande entrave da incerteza sobre os rumos da política econômica, recoloque o mínimo de previsibilidade que falta agora às decisões econômicas.
Entre a declaração do presidente em exercício da Fiesp, Benjamin Steinbruch, na semana passada, de que "só louco investe no Brasil" e o anúncio da General Motors, no mesmo dia, de que fará investimentos de R$ 6,5 bilhões, em cinco anos, há um enorme espaço para ajustar preços relativos e limpar a estrada da recuperação econômica, requisito para empreender reformas mais estruturais.

Se o passado não muito distante for instrutivo, veremos que, nas crises do último quarto de século, a resposta aos ajustes de preços relativos, como os que terão de ser feitos em 2015, já no ano seguinte dá o ar da graça, com crescimento em alta e inflação cadente.

HERANÇA PETISTA: Produzir no Brasil é 23% mais caro do que nos EUA, de acordo com estudo

Érica Fraga
Folha de São Paulo

A capacidade de competição da indústria brasileira sofreu uma reviravolta negativa na última década.

Hoje, o custo de produzir no Brasil é 23% maior do que nos Estados Unidos. Em 2004, era 3% inferior.

A conclusão é de um estudo recém-divulgado pela consultoria The Boston Consulting Group (BCG).

A pesquisa comparou os custos de produção dos 25 principais países exportadores do mundo.

Além dos Estados Unidos, o custo de produção no Brasil ultrapassa, significativamente, o de outros países emergentes como China, Índia, México e Rússia.

A consultoria analisou os custos de produção dos 25 países levando em conta quatro fatores: salários na indústria, produtividade do trabalho, custo de energia e taxa de câmbio.

Editoria de Arte/Folhapress

Segundo o BCG, o Brasil perdeu competitividade em todos os quesitos analisados.

Com isso, o custo de produção da indústria no país aumentou 26% em relação ao dos EUA entre 2004 e 2014.

Salários mais elevados combinados com um crescimento muito fraco da produtividade explicam três quartos desse aumento.

O BCG ressalta que os salários pagos na indústria mais do que dobraram ao longo da última década.

BAIXA EFICIÊNCIA
O problema, segundo a consultoria, é que essa tendência não foi acompanhada por um aumento significativo da produtividade dos trabalhadores brasileiros.

Um forte ganho de eficiência teria permitido às empresas conseguir um aumento de sua capacidade de produção suficiente para cobrir os maiores custos trabalhistas. Mas a produtividade cresceu apenas 1% ao ano no período analisado.

O lento aumento da eficiência é explicado por fatores como baixa oferta de mão de obra qualificada, falta de investimento, infraestrutura inadequada e burocracia excessiva.

A consultoria afirma ainda que o forte aumento do preço da eletricidade para a indústria –que dobrou na última década– e o maior custo do gás natural também contribuíram para erodir a capacidade de competição do setor no país.

SOB PRESSÃO
De acordo com a tendência do custo de produção ao longo da última década, o BCG classificou os países em quatro grupos.

Os que se encontram em situação mais crítica foram chamados de "sob pressão". É nesse grupo que o Brasil foi incluído. As demais nações classificadas assim foram China, Rússia, República Tcheca e Polônia.

Entre os cinco, o Brasil foi o que teve o maior aumento de custo de produção, segundo o BCG.

No outro extremo, entre as chamadas "estrelas emergentes globais", estão México e Estados Unidos. A competitividade dos dois países foi impulsionada por fatores como baixo aumento dos salários e ganhos de produtividade.

O relatório ressalta que o mundo deixou de ser dividido em continentes competitivos versus caros.

Atualmente, há casos de países muito competitivos e outros nem tanto em todos os continentes. Segundo o BCG, isso deve guiar as decisões de investimento no futuro.

A consultoria prevê que a produção industrial deve se tornar cada vez mais regionalizada, centrada nos países mais competitivos de cada uma das regiões.