domingo, agosto 31, 2014

Quem vai redescobrir a rota do crescimento do país

Izabelle Torres 
Revista ISTOÉ

Dilma Rousseff insiste em atribuir a fatores externos os números ruins de seu governo, Aécio Neves mostra propostas concretas para a economia e Marina Silva permanece com um discurso genérico sem explicar o que realmente pretende fazer

Acontece em toda época de eleição presidencial. À medida que o pleito vai se aproximando, os eleitores passam a prestar mais atenção na propaganda de TV dos candidatos e, principalmente, a exigir e comparar as propostas apresentadas pelos aspirantes a comandar o País. Neste ano, especificamente, em meio a um cenário de crescimento pífio, inflação em alta e diminuição do poder de compra pela população, a economia tem merecido um olhar mais apurado do eleitor. Para não embarcarem numa nau furada, procuram saber qual candidato será capaz de recolocar a política econômica – hoje navegando em mar revolto – no prumo.


Na corrida para tornar as ideias mais claras e conhecidas, o presidenciável Aécio Neves (PSDB) foi o primeiro a içar as velas. Diante de um eleitorado em busca de mudança e de setores econômicos ávidos por soluções para espantar a crise, Aécio baixou suas cartas e anunciou o economista Armínio Fraga como ministro da Fazenda, caso ele seja eleito. O anúncio foi feito durante as considerações finais do debate presidencial realizado pela Band na terça-feira 26. Com a declaração, o tucano sinalizou para um perfil mais ortodoxo da economia em eventual mandato e deixou clara sua prioridade para o controle rigoroso dos gastos públicos. Também foi uma demonstração de que garantirá previsibilidade e segurança na condução da política econômica. Não por acaso, nas pesquisas qualitativas realizadas pela equipe do PSDB durante o debate, o nome de Aécio foi associado a termos como “segurança” e “clareza de propostas”. Na avaliação do candidato, se, nas próximas semanas, ele conseguir personificar “a marca da confiabilidade”, os eleitores que anseiam por mudanças – quase 70% da população – optarão por ele no dia 5 de outubro. Hoje, segundo as últimas pesquisas, a maioria desses eleitores mudancistas se mostra inclinada a votar em Marina Silva – em segundo lugar na corrida presidencial.

O PRIMEIRO ENCONTRO
No debate da Band, Aécio Neves, candidato do PSDB, foi o que mais
explicitou as propostas para o País. Marina Silva, do PSB, preferiu
trabalhar os conceitos genéricos e Dilma Rousseff (PT), os números

O freio nas despesas do Estado e a retomada do tripé econômico formado pelo regime de metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal, propostos por Aécio Neves, marcam um contraponto essencial ao atual governo do PT. Para estimular a economia, a equipe de Dilma Rousseff seguiu a receita adotada pelo governo Lula em seu segundo mandato para sobreviver à crise internacional, qual seja: o aumento dos gastos públicos e o estímulo ao consumo com maior oferta de crédito. A estratégia funcionou com Lula, mas o modelo se revela esgotado. “O que quero demonstrar é o meu compromisso com a segurança econômica e a responsabilidade fiscal”, disse Aécio ao justificar o anúncio do ministro da Fazenda na semana passada. “O Brasil não é para amadores”, reforçou o tucano em entrevista no dia seguinte ao debate, repetindo, com outras palavras, frase cunhada pelo compositor Tom Jobim, para quem o País não era para principiantes.



Ao contrário de Aécio, a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva tem preferido trabalhar com conceitos e procurado driblar propostas específicas. Os principais deles: o de que o Brasil está cansado da polarização entre o PT e o PSDB e que ela é a mais talhada para unir o País em torno de projetos capazes de debelar a crise econômica. Ela, porém, não explica como poderá fazer o seu discurso virar prática. Apenas na quinta-feira 28, Marina esboçou o seu programa de governo. Mesmo assim, sem detalhamento das propostas. Em linhas gerais, a candidata do PSB garante que irá trabalhar pelo aumento da produtividade e pela recuperação da confiança dos investidores no País. A presença de colaboradores como o economista Eduardo Gianetti da Fonseca na campanha de Marina facilita a leitura do mercado sobre um eventual governo da candidata, especialmente porque Fonseca dialoga diretamente com o setor financeiro. “Se Marina for eleita, fará um governo mais parecido com o primeiro mandato de Lula, com atenção especial ao ajuste de contas”, tem dito Giannetti em recentes entrevistas. Em outra frente, o vice na chapa, deputado Beto Albuquerque, iniciou uma ofensiva de aproximação entre a candidata e o agronegócio, que representa 23% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Marina, que como parlamentar sempre se opôs aos ruralistas, agora quer convencê-los de que suas ideias para alavancar o crescimento do Brasil não se contrapõem aos setores produtivos.



JOGO ABERTO
Marina Silva e Aécio Neves discutem estratégias com assessores.
Apesar da ascensão da candidata do PSB, cenário ainda
é imprevisível faltando um mês para as eleições

A candidata do PSB ainda defende a institucionalização da independência do Banco Central. Segundo a ex-senadora, o compromisso de formalizar a autonomia do BC já havia sido assumido por Eduardo Campos, que comandava a chapa presidencial do PSB até sua morte trágica em um acidente de avião há três semanas. “Nós somos favoráveis à institucionalização. E existem vários modelos que estão sendo estudados para ver como ela se efetivará”, disse Marina. “Entendemos que era preciso dar um sinal forte, dizendo que a autonomia de fato, que agora estava sendo desacreditada, precisava agora ser institucionalizada”, acrescentou ela mais uma vez sem detalhar suas palavras.

A necessidade de se apresentar como candidata capaz de promover o crescimento do País e as mudanças desejadas pela população para os próximos anos, em meio a um cenário econômico desolador, vem impondo um desafio para a equipe da presidenta Dilma Rousseff, hoje alvo de todos os candidatos a sucedê-la no Palácio do Planalto. Para tentar sair da enrascada, nas entrevistas e debates a abordagem dos índices econômicos foi substituída pelos números do desemprego acumulado ao longo dos anos em que o PT comandou o País, e pelo aumento na renda das famílias brasileiras. Dilma tem pregado o esforço da sua equipe econômica – cuja atuação considera bem- sucedida – para manter o controle da inflação, que chega a quase 7% ao ano. Com esse discurso, a ideia da candidata à reeleição é mostrar que os índices do seu governo sofreram com o cenário internacional e que ela reúne as melhores condições para prover o efetivo crescimento do Brasil. As cartas foram postas na mesa. Com a palavra, o eleitor.









Desafiando a lógica, a física e o bom senso

Gilberto Simões Pires (*)

O incurável ministro Mantega, como se vivesse em outro planeta (já estou com pena dos habitantes desse planeta) sem dar a mínima para o enorme fiasco que se traduziu a economia brasileira por ele comandada nesses últimos anos, cometeu mais um impropério ao dizer, ontem, que o Brasil vai crescer 3% em 2015 e que a inflação ficará em 5%. Que tal?

Mantega, certamente, está vendo miragens pelos olhos e pelos poros. Se alguma coisa de verdadeiro pode acontecer em 2015 é o agravamento da recessão que já bateu nas portas da indústria. E não demora também deve bater nas portas do comércio. 

O Boletim Focus, do BC, que goza de grande credibilidade porque traduz o pensamento dos agentes do mercado, além de projetar um crescimento pífio, de 0,6%, (por enquanto) para 2014, não arrisca um índice maior do que 1,2% para 2015. 

Para não dizer que Mantega continua exatamente o mesmo MINISTRO MEDÍOCRE que sempre foi, desta vez ao menos apresentou uma evolução: abandonou o índice mágico, de 4%, que a cada ano anunciava para o crescimento da nossa economia. Agora, mesmo muito fora da casinha ( diminuiu para 3%) Mantega já evoluiu muito, não?

Seria ótimo que Mantega tomasse conhecimento dos dados apresentados nesta semana pelo ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, em artigo publicado na Folha de São Paulo. Eis, por exemplo, o resultado da comparação do quadriênio atual (de 2011 a 2014) com o anterior (de 2007 a 2010): 

1) uma redução do crescimento acumulado do PIB de 19,6% para 7,4%, uma queda de 60%;

2) uma ampliação da taxa de inflação acumulada de 22,0 para 27,0%, um aumento de 20%; e

3) uma deterioração do déficit em conta corrente acumulado de US$ 98,2 bilhões para US$ 268 bilhões de dólares, um aumento de 170%. Que tal?

Como os petistas desafiam a lógica, a física, a matemática e, principalmente, o bom senso, certamente vão desconsiderar o que não pode ser contestado. Vão encontrar culpados, como sempre fazem, em outras freguesias que não as deles. 

Ah, está cada vez mais difícil culpar a crise internacional, se forem observados os desempenhos econômicos de vários países latinos, como México, Chile, Colômbia, Peru, Panamá e Paraguai. Agora, para piorar o argumento petista, até os EUA deve crescer três ou quatro vezes mais do que o nosso encrencado Brasil.

Para finalizar, diante da repercussão que teve a minha NOTA DE NOJO, quanto à aprovação do projeto do PSOL, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, que resultou na troca do nome da Av. Castelo Branco para Av. Legalidade, só porque Ditador não pode ser nome de rua, faço aqui um desafio:

Partindo da mesma lógica e do mesmo fundamento, urge a troca dos nomes de pelo menos duas Avenidas. As que levam o nome de Getúlio Vargas e Júlio de Castilhos. Que tal? Vamos fazer campanha?

(*) Transcrito do Blog do Percival Puggina

Ficção Orçamentária

Celso Ming
O Estado de São Paulo

Hoje esta Coluna cuida de dois temas: o surpreendente avanço do PIB dos Estados Unidos e a peça de ficção produzida pelos ministros Miriam Belchior (Planejamento) e Guido Mantega (Fazenda).

O governo dos Estados Unidos (Departamento do Comércio) divulgou, nesta quinta-feira, os números finais das contas nacionais do segundo trimestre. E o resultado superou as expectativas. No período, o avanço do PIB da mais importante locomotiva do mundo foi de 4,2% ao ano. É um número robusto, que dispara consequências para a economia global e para o Brasil.

Nesta sexta-feira, o IBGE divulgará as Contas Nacionais, também do segundo trimestre. E o que se verá será o contrário disso, provavelmente um recuo avassalador do PIB brasileiro. O desempenho da economia dos Estados Unidos esvazia o argumento do governo Dilma de que o fiasco do País se deve, preponderantemente, à paradeira global. Um crescimento em bases anuais de 4,2% na principal economia do mundo não pode ser tomado como fator paralisante do Brasil. A única explicação para o comportamento decepcionante do setor produtivo brasileiro tem de ser procurada no universo das mazelas nossas.



A principal consequência do novo impulso americano deverá ser a retomada da velocidade das correias de transmissão no resto do mundo. As empresas dos Estados Unidos tendem a aumentar as encomendas a seus fornecedores tradicionais e, apenas por conta desse maior dinamismo, projetos de investimento devem sair das gavetas. Outra consequência deverá ser o disparo do processo de enxugamento monetário já anunciado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), que pode acontecer já no primeiro trimestre de 2015, ainda dependendo do comportamento do mercado de trabalho americano. Menos dólares circulando podem reduzir o afluxo de capitais para países mal resolvidos, como o Brasil.

Nesta quinta-feira, o governo anunciou o Projeto de Lei Orçamentária para 2015, que deveria servir de base para a definição dos números macroeconômicos. Infelizmente, a produção dos ministros Miriam Belchior e Guido Mantega continua sendo um jogo de faz de conta, e não um manual com um mínimo de credibilidade destinado a orientar a atividade produtiva do ano.

Para a elaboração de um orçamento é preciso prever variáveis importantes da economia, como a evolução do PIB e da inflação. São fatores vitais que determinarão tanto a arrecadação como a despesa. E lá no projeto de Orçamento estão, preto no branco, as afirmações de que, em 2015, o PIB crescerá 3,0% e a inflação será de 5,0% (veja a tabela acima).

Não se conhece nenhum analista, nenhuma consultoria, nenhum banco, nenhum administrador de patrimônio que prevejam crescimento do PIB, em 2015, tão alentado. O levantamento feito semanalmente pelo Banco Central (BC) com cerca de 100 instituições do mercado (Pesquisa Focus) aponta, para 2015, média de avanço de 1,2%.
Também é irrealista a projeção de inflação (IPCA) assumida pelo Orçamento. O mercado indica 6,28%. O próprio Banco Central, no seu Relatório de Inflação, trabalha com uma inflação para 2015 de 6,0% a 6,3%. Ou seja, o que vale para o Banco Central, no campo de sua especialidade, não vale para o resto do governo. Por aí já se vê que qualidade podem ter esses números.

CONFIRA:


A variação mensal do IGP-M continua negativa. Foi de -0,27% em agosto (em relação a julho).


Preços no atacado
No período de 12 meses (até agosto), o avanço do IGP-M foi de apenas 4,89%, enquanto a inflação (evolução do IPCA) deve ter ficado acima de 6,0%. Pesou no IGP-M negativo a queda de preços no atacado, principalmente a das commodities.

Aluguéis e financiamentos
Quem paga aluguel ou empréstimos imobiliários vai ter um reajuste mais baixo neste e nos próximos meses.

Abalos sequenciais

Alvaro Gribel e Marcelo Loureiro 
O Globo

Há muito tempo não se via uma semana com tanta notícia ruim na economia. Ontem, o IBGE divulgou o PIB negativo do segundo trimestre e revisou para baixo o dado do primeiro tri: recessão técnica. Também mostrou a indústria e o investimento se contraindo há um ano. Os números ainda estavam sendo assimilados quando o Banco Central anunciou mais um mês de déficit primário nas contas públicas.

A divulgação de dados preocupantes começou na segunda-feira, com a queda da confiança dos consumidores e um novo déficit na balança comercial. Depois disso, o país ainda tomou conhecimento da queda na confiança dos empresários da indústria, do setor de serviços, e o Banco Central avisou que as taxas de juros do sistema financeiro são as mais altas desde 2011.

O anúncio do PIB em recessão pelo IBGE foi apenas a formalização, por parte do instituto oficial de estatísticas, daquilo que várias entidades, economistas e empresários vêm dizendo sobre o país: estamos tendo um ano difícil.

Os feriados da Copa são a menor parte do problema. A fumaça está saindo do motor há muito mais tempo. As dificuldades são estruturais (vejam as notas abaixo), e não apenas interrupção da produção em dias de jogos. Também não se pode culpar a crise internacional porque vários países voltaram a crescer fortemente, como mostram números dos EUA, Inglaterra, Colômbia e México. O Brasil se aproxima de um grupo que é mal visto: Rússia, Turquia e África do Sul.

A combinação de baixo crescimento e deterioração das contas públicas aumenta o risco de corte da nota de crédito do país. Como estamos no primeiro degrau do investimento, uma nova queda significará um forte retrocesso, porque o Brasil voltará a ser considerado nível especulativo.

O tempo corre, e a necessidade de reversão da política econômica é cada vez mais urgente.

Sem poupança não há investimento
A lista de gargalos da economia brasileira é enorme. A taxa de poupança caiu a 14,1% do PIB no segundo trimestre, a mais baixa desde 2002. Já o déficit em conta-corrente, sinônimo de poupança externa, está em 3,5%. A soma dos dois índices (poupança interna mais poupança externa) não chega a 18% do PIB e é uma forte limitação para um país que precisa investir. Não à toa a taxa de investimento caiu para 16,5%, a menor desde 2007.

Inflação, imposto e dívida em alta
A inflação é alta mesmo com a atividade em queda, mostrando que o problema não é de fácil solução. A carga tributária em 36% do PIB é outro entrave. O governo não tem margem de manobra para arrecadar mais e combater o déficit nominal, que chegou a 3,84% em julho. A dívida bruta voltou a subir e chegou a 59% do PIB, quatro pontos acima de janeiro de 2011, quando a presidente Dilma tomou posse.

Com PIB forte haveria energia?
A escassez de água nos reservatórios e o uso permanente das termelétricas tornam a energia brasileira uma das mais caras do mundo, aumentando custos de produção. Não se sabe como estaria o fornecimento caso a economia estivesse tendo um ano forte em 2014. As estimativas de consumo estão abaixo do que foi projetado pelo setor.

Menos mão de obra disponível
A baixa taxa de desemprego é o melhor dado da economia, mas também significa uma dificuldade: o estoque de mão de obra disponível está menor. Se antes uma empresa aumentava facilmente seu quadro de funcionários, agora, terá que elevar a produtividade com treinamento e qualificação. Isso leva tempo e custa mais.

Contas do governo têm pior resultado em julho desde 1997

Veja online

Resultado primário do governo central ficou negativo em R$ 2,2 bilhões em julho, informou o Tesouro Nacional; no acumulado do ano, superávit é de R$ 15,23 bilhões

(Photodisc/VEJA) 
O resultado ruim mostra que as contas públicas 
seguem influenciadas pela economia fraca 

O governo central (formado pelas contas do Tesouro, do Banco Central e da Previdência Social) registrou déficit primário de 2,196 bilhões de reais em julho, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1997, informou o Tesouro Nacional nesta sexta-feira. Nos sete primeiros meses do ano, a economia feita para o pagamento de juros acumula saldo positivo de apenas 15,23 bilhões de reais. 

O resultado fiscal é a diferença entre os gastos e receitas do governo central. Quando as receitas superam as despesas, há o superávit primário, usado para arcar com os juros da dívida. A deterioração das contas públicas tem sido motivo de apreensão tanto no governo quanto para investidores. O resultado de 2014 é, inclusive, pior do que o verificado em 2008 e 2009, anos de crise, em que a arrecadação foi penalizada e o governo teve de financiar políticas anticíclicas para amenizar os efeitos da crise financeira internacional.

Em julho, a Previdência Social apresentou déficit de 4,996 bilhões de reais, segundo o Tesouro. Já a arrecadação de impostos e contribuições teve o pior resultado para o mês desde 2010, ao somar 98,82 bilhões de reais. Em relação a junho deste ano, as receitas subiram 8,12%, mas, ante julho do ano passado, caíram 1,6%. 

O governo central fica distante de cumprir a meta fiscal do segundo quadrimestre, de maio a agosto, de 39 bilhões de reais. 

O resultado ruim mostra que as contas públicas seguem influenciadas pela economia fraca, o que tem levado o governo a recorrer às receitas extraordinárias para tentar fechar suas contas. Neste ano, a projeção é de que elas somarão 31,6 bilhões de reais. Também têm pesado as fortes desonerações tributárias que, no semestre passado, somaram cerca de 51 bilhões de reais, quase 45% a mais do que em igual período de 2013.

Em 2014, a meta de superávit primário do setor público consolidado (a soma das contas do governo central, Estados, municípios e estatais) é de 99 bilhões de reais, o equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

RESULTADO PRIMÁRIO: O que é?
O resultado primário é diferença entre os gastos e receitas do governo central, formado por Tesouro, Banco Central e Previdência Social. Se essa diferença for positiva, o resultado é chamado de superávit primário. Se for negativa, é déficit primário.

Arminio Fraga rebate Mantega: ‘Estamos com crescimento negativo. A recessão está aí’

Cássia Almeida
O Globo

Elena Landau diz que Brasil vem perdendo para América Latina: ‘Não é por culpa internacional’

Armínio Fraga, ex-presidente Banco Central


RIO - O ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga disse que o resultado negativo do PIB não surpreendeu. Arminio, que será ministro da Fazenda se o candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves, for eleito, afirmou que a “economia vem passando por um processo que já vem apontando para esse crescimento baixo”:

— Durante os anos da presidente Dilma, o país cresceu dois pontos percentuais abaixo do que cresceu a América Latina.

Arminio rebateu as críticas feitas anteontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que afirmou que, em um eventual governo Aécio Neves, se os juros subirem muito, provocarão uma recessão. Ontem, o IBGE informou que a economia brasileira teve dois trimestres seguidos de queda, o que, segundo analistas, configura uma recessão técnica:

— Tentam pregar a recessão nos outros. Isso atrapalha a formulação da política atual. Estamos com crescimento negativo. A recessão está aí.

Ele cita a baixa taxa de investimento como outro problema e diz que esse cenário pode perdurar nos próximos trimestres:

— Torcemos para melhorar, mas pode perdurar sim.

‘PIB AJUDOU GOVERNO’
A economista Elena Landau, que foi diretora de desestatização do BNDES no governo Fernando Henrique Cardoso, endossa as palavras de Arminio.

— Nos últimos três anos, o Brasil cresceu 1,8% por ano em média. Muito menor que a América Latina. Não é uma questão pontual.

Ela cita o desempenho do Chile, com 5,1% em média, e da Colômbia, 4,8%:

— O Brasil perde de todo mundo. Não é por culpa de uma crise internacional. É erro na política econômica. Quando as commodities nos ajudaram a crescer, diziam que era a política econômica. Agora, dizem que é crise externa.

Segundo Elena, não há perspectiva de melhora para o fim do ano:

— Impuseram inflação de demanda. Esse PIB foi bom para o governo, senão estaríamos com a inflação acima do teto da meta e problemas com a oferta de energia.

Segundo semestre não deve mostrar alívio

Naiara Infante Bertão
Veja online

Economistas ouvidos pelo site de VEJA não estão animados com os próximos resultados da economia; expectativa é de 'pibinho'

(Luiz Guarnieri/BrazilPhoto Press/Estadão Conteúdo/VEJA)
Nuvens negras do 1º semestre não devem 
se dissipar rapidamente na segunda metade do ano 

Não foi uma surpresa para o mercado a economia brasileira entrar em recessão, com queda de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, assim como não será se os próximos trimestres mostrarem crescimento ruim. A constatação é de que o comércio e o setor de serviços não conseguiram capturar todo o potencial prometido com a Copa do Mundo. O consumo e os investimentos também não reagiram aos inúmeros pacotes de estímulo dados pelo governo.

“Os dados já disponíveis do terceiro trimestre ainda não mostram sinais de recuperação convincente”, escreveram os economistas Irineu de Carvalho Filho e Rodrigo Miyamoto do Itaú Unibanco, em relatório. Avaliando que o terceiro trimestre deve ser também fraco, os analistas podem revisar para baixo sua projeção de PIB para o ano todo, que hoje está em crescimento de 0,6%.  

Entre os indicadores que causam mais apreensão estão os de confiança. Indústria, consumidor, comércio e serviços - todos no menor patamar desde 2009. "Com a desorganização geral da economia, inflação alta, governo fortemente intervencionista, é passada pouca confiança aos empresários e isso reflete em investimento baixo", explica Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central e sócio fundador da consultoria Schwartsman & Associados. 

O PIB é analisado pelos economistas sob duas óticas distintas: a da oferta, representada pelo setor produtivo (agropecuária, indústria e serviços) e a dos gastos, representada por investimentos, consumo das famílias, gastos do governo e balança comercial (exportações menos importações).

A situação da indústria, por exemplo, é uma das piores sob a ótica da oferta, representada pelo setor produtivo (agropecuária, indústria e serviços): a produção industrial caiu em 11 dos 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na média nacional, a atividade caiu 6,9% em junho na comparação com igual período do ano anterior, o quarto mês consecutivo de recuo e o pior resultado desde setembro de 2009. Em relação a maio a queda foi de 1,4% e no acumulado do ano, de 2,6%. 

O consumo das famílias também não deve ajudar, na opinião do professor do Insper, Otto Nogami. Contribui para isso alto nível de endividamento da população combinado com a inflação. "A interferência do governo na dinâmica de mercado, congelando tarifas de energia e combustíveis, poderão exigir, depois das eleições, uma flexibilização nos preços, elevando a inflação para além do limite máximo da meta, de até 6,5%, e prejudicar a economia", comenta Nogami. Ele aposta em alta de apenas 0,6% para o PIB neste ano.

Para Marcelo Kfoury, superintendente do Departamento Econômico do Citi Brasil, dado o clima de incerteza com as eleições, este pode ser um fator de contração do PIB e, em especial, dos investimentos. Ele acredita, porém, que passada a eleição, o clima de incertezas pode se dissipar um pouco e a confiança ser retomada, ajudando a economia a apresentar algum crescimento no último trimestre do ano. 

Dilma baniu a macroeconomia do seu discurso

Josias de Souza


Dilma Rousseff baniu da sua plataforma eleitoral temas como crescimento econômico, taxa de câmbio e superávit fiscal. Fez isso por precisão, não por opção. Em matéria de macroeconomia, a candidata smplesmente não tem do que se vangloriar. Daí o esconde-esconde.

Nesta sexta-feira (29), como já esperavam os observadores mais atilados, o IBGE informou que o PIB brasileiro encolheu por dois trimestres seguidos. O que configura, no jargão técnico, uma recessão técnica. Tomada isoladamente, a indústria caiu pelo quarto trimestre subsequente, Um desastre.

Na propaganda eleitoral, Dilma refere-se a Marina Silva como a “incerteza da aventura.” E qualifica Aécio Neves de “volta ao passado”. Mas é ela que mete mais medo no mercado. A economia compreende todas as atividades do país. Mas nenhuma atividade do país consegue compreender a economia de Dilma.

Marina já avisou que planeja restaurar o tripé instituído em 1999, sob FHC, que combina metas de inflação, câmbio flutuante e superávit nas contas públicas. Aécio antecipou que, se eleito, acomodará na poltrona de ministro da Fazenda o economista Armínio Fraga, outro cultor do tripé. E Dilma? Silêncio.

No gogó, Dilma prometera inflação baixa e PIB alto. Obteve o inverso: carestia alta e crescimento mixuruca. Questionada, atribui a ruína à crise financeira internacional. e põem-se a festejar o “pleno emprego”. Jacta-se das 5,5 milhões de vagas com carteira assinada abertas na sua gestão.

O desaquecimento começa a mastigar os empregos. Em julho, abriram-se 11.796 mil vagas. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve uma queda de 71,5%. Foi o pior resultado desde 1999. Evidência de que, devagarinho, a crise vai chegando ao mercado de trabalho. Só o marketing de Dilma não vê.

Sem condições de falar sobre o presente, Dilma concentra-se no futuro, um espaço impreciso, onde cabe tudo, pois não pode ser cobrado ou conferido. No gogó, afirma ter preparado o país para ingressar num “novo ciclo de desenvolvimento”. Como? Ninguém sabe. Sob Dilma, só um indicador é pujante: a taxa de desconfiança sobre as intenções da candidata.

Não sobrará ninguém

José Fucs, Fillipe Mauro e  Marcos Coronato
Revista ÉPOCA

Se cada profissional de empresa privada que escrever mal e criticar a economia for demitido, teremos um problema de desemprego

(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters e Juan Manuel Serrano Arce/Getty Images)
 RESOLVIDO
Dilma e Botín, presidente do Santander. Ela reclamou 
de uma crítica, ele disse que o responsável foi demitido 

"Duvidamos que Dilma fará as mudanças necessárias.” “Dilma só recuperará a confiança do investidor se trocar a equipe econômica.” “Investidor estrangeiro, não compre nada no Brasil, porque Dilma tem grande chance de ganhar a eleição.” Essas críticas à gestão da presidente Dilma Rousseff, duríssimas, foram divulgadas em relatórios de bancos para seus clientes, escritos nos últimos meses, por um motivo bem simples: o cenário econômico piorou, as perspectivas são ruins, e ela se recusa a admitir a necessidade de correções de rumo. O conteúdo dos relatórios é esse, mas a linguagem é outra, mais técnica e empolada. Isso torna a leitura, normalmente, uma chatice. A maior parte desses relatórios está condenada a ir rapidamente para o lixo eletrônico. Na semana passada, um deles fugiu a sua sina e tornou-se peça de discussão eleitoral. Seríamos mais felizes se o texto tivesse, ao menos, melhorado o nível do debate. Não foi o caso.

O relatório do banco Santander afirmava que, caso Dilma tornasse a subir nas pesquisas eleitorais, “o câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta, e o índice da Bovespa cairia”. O texto, confuso e truncado, atribui a ela uma “quebra de confiança”, sem deixar claro quem deixou de confiar no governo ou no país. A análise se dirigia apenas aos clientes com renda mensal superior a R$ 10 mil. A partir do conteúdo, do remetente (uma instituição financeira) e do destinatário (os brasileiros mais ricos), o governo viu uma oportunidade para retomar a retórica do confronto. Dilma disse que tomaria uma “atitude bastante clara” perante o banco e fez o mercado financeiro temer represálias. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, normalmente cheio de jogo de cintura para lidar com essas situações, cometeu a injustiça de pedir publicamente a demissão de quem fora responsável pelo relatório. O presidente mundial do banco, Emilio Botín, apressou-se em confirmar a demissão. O Santander teria o direito de mandar embora um funcionário por ele escrever relatórios ruins ou por enviá-los sem as aprovações internas necessárias. Ao longo da semana passada, havia rumores de que mais demissões ocorreriam por causa do incidente. Mas é péssimo que fique no ar a sensação de que esses assalariados perderam o emprego pela submissão de uma empresa privada à retórica exaltada de políticos que se sentiram ofendidos. Pior ainda. Pela visão de mundo – ou pela estratégia eleitoral – que orientou as reações no PT, de um lado está Dilma, personificando um governo popular, empenhado em provocar transformações sociais. De outro, o mercado financeiro e os mais abastados, contra a mudança. É uma interpretação simplória e oportunista dos fatos.



O executivo pode responder às críticas com dados.
Cabe ao TSE coibir violações da lei eleitoral

Instituições como bancos, corretoras e consultorias financeiras têm o dever de ajudar seus clientes a tomar decisões diante dos cenários políticos e econômicos. Principalmente, quando esses cenários – como a eleição de um ou outro candidato – podem influenciar profundamente os efeitos de gastos, dívidas e investimentos. Os relatórios não são cabos eleitorais, mas devem usar opinião a respeito do cenário político, a fim de orientar o cliente. “O analista deve emitir opiniões também com base no que acredita, não apenas com base no que vê”, diz o consultor de reputação e imagem Rodolfo Zabisky, integrante do Movimento Brasil Mais Competitivo e ex-executivo financeiro. Ele diz que o relatório do Santander difere da maioria dos documentos do gênero apenas na forma. Não traz nenhuma novidade. Seu autor não foi o primeiro a apontar a fragilidade da economia brasileira ou a empolgação do mercado financeiro diante da piora das chances de reeleição de Dilma. 

Críticas ao governo atual foram feitas por instituições brasileiras, como o Itaú Unibanco e a consultoria Empiricus, ou estrangeiras, como a consultoria Eurasia e os bancos Morgan Stanley, Goldman Sachs e Nomura. Elas também ocorrem com outros governos.  Desde o início da crise global, em 2008, agências de classificação de risco foram verdadeiros carrascos dos governos dos países europeus com contas ruins. Empresas como Moody’s e Standard&Poor’s  rebaixaram as notas dos governos de Grécia, Espanha e França como pagadores de dívidas. Isso enquanto seus governos almejavam à reeleição e tentavam conter o avanço do voto punitivo. “Só o Brasil ainda não está habituado a esse tipo de avaliação, com comentário político, de bancos e entidades financeiras. É normal um banco dar sua opinião”, diz Lucia Hippolito, da Saber Consultoria.



Num país com liberdade de opinião, é bom que os bancos possam criticar e que a equipe econômica do governo possa contra-argumentar. A gestão atual tem poucos dados para fazer isso, mas poderia, por exemplo, lembrar ocasiões anteriores em que as projeções de bancos deram errado. Ou exibir o baixo nível de desemprego, ou mostrar o robusto fluxo de investimento externo para o Brasil, superior a US$ 60 bilhões nos últimos 12 meses, superior aos níveis registrados até 2010. Não se espera que um governo silencie diante de críticas. Na mesma semana em que Dilma reagiu contra o Santander, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, discordou de um relatório negativo a respeito do Brasil publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Mantega, nem sempre um exemplo de moderação nas reações, respondeu de forma elegante que sua análise da conjuntura diverge daquela feita pelo FMI.

Mesmo em casos de suspeita de partidarismo ou propaganda eleitoral indevida, não cabe ao Executivo fazer justiça com o próprio gogó. Manifestações que contrariem a Lei Eleitoral devem ser coibidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foi o que ocorreu com a consultoria Empiricus no final de julho. Ela comprara links de internet patrocinados pelo Google e disseminou pela rede “dicas” de como proteger o patrimônio caso Dilma fosse reeleita. O governo entrou com uma representação no TSE, e os anúncios foram retirados do ar, porque a Lei Eleitoral proíbe a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet. Tudo dentro das regras do jogo. Pode-se debater a lei, mas não ignorar uma decisão do TSE.

A despeito da indignação, real ou encenada, torna-se cada vez mais difícil para o governo descartar as críticas como se fossem implicância, reacionarismo ou manifestação ideológica. A última demonstração do mercado financeiro de que considera Dilma pouco amigável aos investimentos ocorreu em meados de julho, quando foi divulgada uma pesquisa do instituto Datafolha. A pesquisa apontava queda nas intenções de voto em Dilma no primeiro turno e empate técnico com o candidato do PSDB, Aécio Neves, no segundo turno. Apontava também uma alta rejeição a Dilma: 36% dos eleitores, naquele momento, afirmavam que não votariam nela em hipótese alguma. Como resultado, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subiu 2,5% em um dia.

Esse tipo de reação ocorre porque a maior parte dos indicadores econômicos, sob a gestão Dilma, vem piorando. No semestre, o governo teve o pior saldo de suas contas dos últimos 14 anos. Em meio ano, poupou R$ 29,4 bilhões, menos de um terço dos R$ 99 bilhões que afirmou que pouparia em 2014 para pagar juros de dívidas. A inflação oficial se mantém firme no topo da meta tolerável, de 6,5% ao ano. Ela estaria ainda mais alta, se o governo não contivesse artificialmente preços como a energia. E, na tentativa de conter preços e aquecer setores escolhidos a dedo, como petróleo ou aviação regional, a gestão Dilma piora o desempenho de empresas estatais e torra dinheiro do contribuinte. Dilma e sua equipe fariam bem em lidar melhor com as críticas, prestar mais atenção aos problemas reais e se concentrar na busca de soluções.

Mercado já considera que haverá estagnação este ano

Rennan Setti
O Globo

Depois de fraco desempenho do segundo trimestre, média das projeções para 2014 cai a 0,4%

RIO - O desempenho pior do que o esperado da economia no segundo trimestre obrigou o mercado a reduzir as estimativas de crescimento do Brasil em 2014. Em 11 novos cálculos compilados pelo GLOBO, a mediana das projeções caiu de 0,6% para 0,4%. Mas já há bancos prevendo que o PIB ficará estacionado este ano.

É o caso do Banco Fibra, que diminuiu de 0,5% para zero sua expectativa de expansão da atividade na comparação com 2013. O Itaú Unibanco também está bastante pessimista. O banco calcula que a expansão ficará entre zero e 0,2%, em vez do 0,6% previsto anteriormente.

O americano Goldman Sachs é outro que cortou significativamente sua projeção para o PIB em 2014, de 0,75% para 0,25%.

Já a consultoria MB Associados revisou de 0,6% para 0,5% a estimativa de crescimento para 2014. É o mesmo número esperado pelo banco Bradesco, que previa anteriormente um avanço de 1% e refez os cálculos por enxergar piora no “cenário de desaceleração da demanda doméstica, via redução do consumo do governo e dos investimentos e acomodação do consumo das famílias.”

Ao reduzir de 0,7% para 0,1% sua estimativa de avanço do PIB este ano, o Barclays espera agora que o Brasil tenha o quinto pior desempenho econômico entre 34 países. O banco inglês acredita que a economia brasileira só se dará melhor em 2014 do que Venezuela (-2,9%), Argentina (-0,8%), Itália (-0,1%) e Rússia (-0,1%). A média global de crescimento projetada pelo banco é de 3,2% em 2014.

Já para o Nomura, o PIB brasileiro crescerá 0,3% em vez de 1%. A Rosemberg Associados, por sua vez, reviu sua projeção de 0,8% para 0,5%, enquanto a Confederação Nacional do Comércio (CNC) reduziu de 0,9% para 0,6%. A economista Silvia Matos, da Fundação Getulio Vargas, previu uma expansão de 0,4%, em vez do 0,6% anterior, assim como a Kyros Investimentos.

A HERANÇA MALDITA DO PT: Indústria brasileira 'é uma das que mais perderam competitividade em dez anos'

Ruth Costas
BBC Brasil 


Para analista, ponto mais crítico 
para a indústria brasileira é a baixa produtividade

O Brasil é um dos países cuja indústria mais perdeu competitividade na última década, segundo um estudo da consultoria Boston Consulting Group (BCG) divulgado nesta sexta-feira.

O estudo analisa a competitividade de 25 economias exportadoras e tem como base um novo indicador criado pela BCG para medir os custos de produção da indústria em cada país.

Ele mostra que enquanto em 2004 os custos da indústria brasileira eram 3% menores que os da indústria americana, hoje são 23% maiores.

Com isso, estariam hoje no mesmo patamar da indústria italiana e belga e só seriam mais baixos que os de fabricantes australianos, suíços e franceses.

Quatro fatores
Para analisar a competitividade das empresas, o BCG considera principalmente quatro fatores: os níveis salariais dos trabalhadores, o preço da energia, os índices de produtividade em cada país e as taxas de câmbio.

Segundo a consultoria, mudanças nesses fatores alteraram de forma drástica as estruturas de custo das indústrias na maior parte dos países analisados e a capacidade de elas competirem no mercado internacional.

Ou seja, países que antes eram considerados caros, hoje estão relativamente baratos e vice versa.

O Brasil é classificado como um dos países em que as empresas estão "sob pressão", juntamente com Rússia, China, Polônia e República Checa.

"O Brasil perdeu terreno em todas as dimensões", diz o BCG, que atribui a "perda substancial de competitividade" da indústria brasileira ao fato do aumento de custos e apreciação cambial não terem sido acompanhados por uma alta da produtividade do trabalhador brasileiro.

O BCG destaca que, de 2004 a 2014, os salários quase que dobraram no Brasil e houve uma valorização de 20% do real em relação ao dólar.

No mesmo período, o preço da eletricidade no país também teria subido por volta de 90% e o do gás natural, 60%, enquanto a produtividade dos trabalhadores cresceu apenas 3%.

"No Brasil, o ponto mais crítico parece mesmo ser a falta de avanços substanciais na questão da produtividade na última década", disse à BBC Brasil Justin Rose, sócio e diretor da BCG.

Para ele, a pesquisa reforça a necessidade urgente do setor privado do país trabalhar em conjunto com órgãos públicos para reverter essa tendência, ampliando a capacidade da indústria brasileira atrair investimentos e ganhar espaço no mercado internacional.

Recessão já atingiu indústria de transformação e da construção, dizem entidades

Roberta Scrivano
O Globo

Os dois segmentos registraram a quarta retração trimestral consecutiva na atividade e já estão demitindo

Editoria de Arte


SÃO PAULO — Depois da divulgação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre deste ano, especialistas avaliam que dois grupos da indústria já estão em recessão. São eles: a indústria de transformação e a da construção. Ambos segmentos registraram o quarto recuo trimestral seguido da atividade, de acordo com dados do IBGE, e já estão demitindo. Juntos, os fatores caracterizam a recessão, explicaram Rogério César de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), e Paulo Francini, diretor de Economia da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) comprovam que a indústria de transformação começou a demitir consistentemente em março deste ano. Em relação à construção, os números da CNI apontam para retração no emprego desde 2012. Já de acordo com o IBGE, no segundo trimestre deste ano a queda da atividade da indústria de transformação foi de 2,4%, acumulando perdas de 5,5% nos últimos quatro trimestres. Na construção, o recuo observado entre abril e junho foi ainda pior e chegou a 2,9%. No acumulado dos últimos quatro trimestres, a redução chega a 7,8%.

Problemas estruturais, que vão desde o deficit em infraestrutura, passando pela burocracia até chegar no complexo sistema tributário nacional, além de questões conjunturais mais recentes, como a apreciação do câmbio, são os motivos apontados por Souza para justificar as dificuldades dos setores industriais.

— Para haver a reversão deste cenário, é preciso que haja a retomada da competitividade industrial. Esse é um processo difícil, que exige profundas reformas e que não será conquistado de uma hora para outra — ponderou o economista do Iedi.

Na opinião de Francini, a situação da indústria de transformação, embora tenha queda acumulada inferior à da construção, é a mais difícil, justamente pela gravidade dos problemas a serem enfrentados.

— Infelizmente, acreditamos que não há perspectiva de reversão desse quadro recessivo do setor num horizonte de curto prazo — lamentou Francini.

A consultoria Fitch Ratings, disse em relatório que as “perspectivas econômicas a médio prazo dependerão das medidas tomadas pelo próximo governo para restaurar a confiança, reduzir o custo de fazer negócios, facilitando os investimentos”.

Os dois especialistas também usam como justificativa para os prognósticos negativos, a forte queda dos investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) entre abril e junho. Os dados do IBGE mostram redução de 5,3% no segundo trimestre na comparação com o período anterior. Trata-se, também, da quarta diminuição trimestral consecutiva. Souza, do Iedi, diz que o fluxo de investimentos de hoje servem como uma espécie de termômetro da atividade futura.

— Se o empresário está postergando ou cancelando os investimentos é porque sabe que vai reduzir a oferta no futuro — explicou.

Francini, da Fiesp, reforça que os dados dos investimentos combinados com a “contínua deterioração dos fundamentos econômicos, não permitem vislumbrar recuperação expressiva da economia brasileira nos próximos trimestres”.

— Que o ano em curso será um desastre para a nossa economia, já sabemos. Queremos ter visão sobre urgência de medidas capazes de, a partir do próximo ano, alterar este cenário de queda — argumentou.

Os dados ruins do segmento industrial também gerou preocupação nos trabalhadores. Miguel Torres, presidente da Força Sindical, disse que o “dado é nefasto para as campanhas salariais das categorias com datas-base no segundo semestre”

— Com os resultados que estamos vendo, fica clara a incompetência da equipe econômica do governo — disparou o sindicalista.

AVISEM AO MANTEGA E A DILMA: Brasil é o único em recessão entre os países do Brics

Exame.com
Idiana Tomazelli e com colaboração de Álvaro Campos, EstadãoConteúdo

Dentro do grupo, que conta com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, Brasil é o único em recessão técnica

Marcelo Camargo/Agência Brasil 
Bandeiras dos Brics: Até os russos, afetados por sanções dos EUA 
e da Europa tiveram desempenho melhor

Rio e São Paulo - O Brasil teve o pior desempenho entre os países do grupo Brics - que conta ainda com Rússia, Índia, China e África do Sul - no segundo trimestre deste ano, sendo o único dentre essas grandes economias emergentes em recessão técnica.

Até mesmo os russos, afetados pelas sanções impostas por Estados Unidos e Europa em função da crise na Ucrânia, conseguiram evitar dois trimestres seguidos de queda noPIB.

Índia 
A trajetória de desempenho fraco pode antecipar a destituição do Brasil do posto de sétima maior economia do mundo. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Índia deve ultrapassar o País em termos de PIB em 2018.

"Mas isso considera projeções otimistas, então pode acontecer antes", disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, apostando que ocorra em 2017. Hoje, a Índia figura na 10ª colocação.

O FMI projeta crescimento de 1,3% para a economia brasileira em 2014 e de 2,0% em 2015, conforme o relatório Perspectiva Econômica Global atualizado em julho. O economista, contudo, considera esses resultados irrealizáveis. Ele projeta avanço de 0,2% neste ano e de 1,0% no ano que vem. A Índia, por sua vez, deve expandir 5,4%, acelerando para 6,4% em 2015, segundo o FMI.

"O Brasil de fato mudou de rumo. Isso reflete a falta de visão de médio e longo prazo. As medidas adotadas pelo País foram míopes, no sentido de ter um crescimento puxado por muito consumo e pouco investimento", avaliou Rostagno. "O governo esqueceu de preparar o País para o futuro", completou o economista.

Estados Unidos
No segundo trimestre, o crescimento da economia brasileira também ficou atrás de Estados Unidos, Alemanha e Itália (que teve recuo de 0,2% em relação a igual período de 2013), país ainda fragilizado pela crise na zona do euro e pela ausência de reformas.

No mesmo período, o PIB brasileiro registrou queda de 0,9%.

"Isso mostra que o Brasil sofre mais com questões internas. Nossas exportações contribuíram positivamente", afirmou Rostagno, que levantou os dados a pedido do Estado.

Segundo ele, os crescimentos da China (7,5%) e dos Estados Unidos (2,5%) no segundo trimestre em relação a igual período de 2013 reforçam que as dificuldades brasileiras são no plano doméstico. "Os Estados Unidos tiveram um primeiro trimestre ruim, mas foi por causa do clima", disse.

Ucrânia
Em outro levantamento, a Austin Rating listou o desempenho de 37 países, e o Brasil superou apenas a Ucrânia, que enfrentou queda de 4,7% no segundo trimestre em comparação a igual período do ano passado.

A Ucrânia está em conflito com a Rússia, acusada de invasão territorial e de fornecer armas e suprimentos a rebeldes separatistas.

Setor externo
O setor externo salvou o PIB brasileiro de registrar um recuo ainda mais intenso no segundo trimestre. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as exportações cresceram 2,8% em relação aos três primeiros meses do ano, enquanto as importações caíram 2,1%.

"Mas é um positivo por razões negativas. A queda nas importações se deu porque a demanda do mercado interno está se retraindo", observou José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). "Isso é determinado principalmente pela indústria, que está reduzindo compras de insumos e componentes", acrescentou Castro.

Importações. 
Diante do elevado endividamento e da renda crescendo menos, os consumidores acompanham o movimento de moderação nas compras, o que também ajuda a reduzir as importações.

Do lado das exportações, os embarques de soja garantiram o bom desempenho. "O setor extrativo mineral também está crescendo muito", observou Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE.

Para o terceiro trimestre, as exportações devem continuar crescendo, ainda que num ritmo mais tímido. A "vedete" da vez, disse Castro, será o petróleo, cujos embarques devem crescer na esteira da recuperação na produção. 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Brasil pode ter nota rebaixada após PIB e déficit público

Fabio Alves (*)
O Estado de S. Paulo

Analistas apostam que as agências de classificação de risco vão esperar o fim das eleições e as primeiras medidas do presidente eleito para decidir sobre o rebaixamento

(Foto: Reuters)
Mantega: “Não acredito” 

A contração mais forte do que analistas e investidores esperavam do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre deste ano, além da divulgação do terceiro déficit primário consecutivo das contas do setor público, coloca sob forte pressão de rebaixamento o rating soberano brasileiro.

O IBGE divulgou que o PIB do segundo trimestre deste ano contraiu-se 0,6%, mais do que a mediana das estimativas, de queda de 0,4%. E o PIB do primeiro trimestre foi revisado de expansão de 0,2% para contração de 0,2%, confirmando as expectativas de uma recessão técnica no Brasil.

As agências internacionais de rating vêm colocando grande peso no crescimento econômico para avaliação da qualidade de crédito soberano do Brasil, mas a Moody’s e a Fitch, que ainda não reduziram a nota de classificação do País, demonstraram mais paciência, dando a entender que esperariam o final do ciclo eleitoral para tomar uma decisão.

“As agências de rating não vão mexer nisso até depois das eleições”, diz um respeitado economista com conexões em Brasília. “Aguardarão posicionamento do governo eleito a respeito, mas se não mudar nada, a Fitch deve mover-se antes, embora tenha que mexer no ‘outlook’ (perspectiva) primeiro, para negativo.”

Já um economista-chefe de uma importante instituição financeira é da opinião de que o “downgrade” (rebaixamento) da classificação de risco brasileiro só acontece com a reeleição da presidente Dilma Rousseff. “A oposição vai ganhar o benefício da dúvida”, afirma a fonte. “Quanto a quem sai na frente, sinceramente não saberia dizer, mas um rebaixamento da Moody’s teria um peso maior que o da Fitch.”

Em março deste ano, a Standard & Poor’s rebaixou o rating brasileiro de BBB para BBB-, com perspectiva estável. Ao anunciar a mudança, a S&P citou o fraco crescimento brasileiro e a deterioração das contas públicas entre as causas do rebaixamento.

Para um renomado economista de um grande banco estrangeiro, a dinâmica atual de desaceleração forte da economia – reforçada pelo PIB do segundo trimestre deste ano – e de piora dos resultados primários do governo não impedirá, inclusive, um novo rebaixamento pela S&P, a qual já se antecipou à Moody’s e à Fitch.

“O natural seria a Moody’s e a Fitch convergirem seus ratings para a nota da S&P em relação ao Brasil, mas elas não deverão fazer nada antes das eleições”, argumenta o economista do banco estrangeiro. “O rebaixamento não é inevitável desde que haja um anúncio de ajuste macroeconômico pelo próximo governo, todavia essa tendência atual de crescimento da economia e contas do governo leva a um rebaixamento, inclusive mais um da S&P.”

Em entrevista coletiva logo após a divulgação do PIB, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou não acreditar que “haverá revisão do grau de investimento” do Brasil em 2015.

Em julho deste ano, a diretora e principal analista responsável por América Latina da Fitch Ratings, Shelly Shetty, disse que a manutenção do fraco ritmo de crescimento econômico do Brasil e da deterioração das contas do governo teria impacto negativo no rating soberano do País, podendo levar a um rebaixamento da nota no futuro. A Fitch atribui ao Brasil um rating BBB, com perspectiva estável.

Já a Moody’s, também em julho, divulgou um relatório com uma mensagem mais dura sobre a avaliação da economia brasileira e a perspectiva sobre o rating soberano do País. A agência de rating tem uma classificação de grau de investimento Baa2 para o Brasil, com perspectiva estável.

Com o título “Brazil’s Slowing Growth and Increasing Inflation Are Credit Negative” (ou “A desaceleração do crescimento do Brasil e a inflação crescente são negativas para o crédito”, numa tradução livre do inglês), o relatório diz que as tendências negativas para o crédito com menor crescimento e maior inflação sugerem que as condições macroeconômicas não irão melhorar durante o resto do ano, mesmo após as incertezas acerca da eleição presidencial de outubro terem se dissipado.

O pessimismo em relação ao Brasil se agravou hoje depois da divulgação das contas do setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção da Petrobras e Eletrobras), o qual apresentou déficit primário de R$ 4,715 bilhões em julho. É o terceiro mês consecutivo de déficit no resultado do setor público. Em junho, o resultado havia sido negativo em R$ 2,100 bilhões.

Para o economista-chefe de uma grande instituição financeira ouvido mais acima, o PIB de 2015 será ruim mesmo com vitória da oposição, pois receberá um “carry” (carrego) muito ruim e condições de renda e crédito igualmente negativas.

“A diferença relevante entre cenário de vitória de oposição versus reeleição será como 2015 termina e principalmente 2016, quando a melhora dos fundamentos reverteria trajetória de deterioração das expectativas, tanto entre consumidores como principalmente empresários”, explicou.

E como o próximo presidente terá que enfrentar a desaceleração da economia para evitar um rebaixamento do rating?

“Com retomada de confiança”, diz um importante investidor brasileiro. “Queda na confiança está ampliando efeitos contracionistas de política monetária: em um primeiro momento é preciso estabilizar isso com medidas que reduzam a incerteza no ambiente macroeconômico à frente.”

Para ele, a tese de altas na taxa Selic em breve perde força.

“Mas é preciso primeiro estabilizar a confiança para depois entender em que mundo estamos”, acrescenta. “Sem isso, e com inflação ainda elevada, cortes de juros no curtíssimo prazo podem piorar a situação”, diz.

(*)  Fábio Alves é jornalista do Broadcast

Brasil pode perder posto de 7ª economia para Índia

Exame.com
Idiana Tomazelli, Estadão Conteúdo

Hoje, o Brasil é a sétima maior economia do mundo, enquanto a Índia figura na 10ª colocação

Frederic Soltan/Corbis/LatinStock 
Centro financeiro de Haryana, na Índia: 
o país está em trajetória de aceleração

Rio - A Índia pode ultrapassar o Brasil em tamanho de economia antes do previsto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nas projeções do órgão, o país asiático superaria a economia brasileira em 2018.

"Mas isso leva em consideração projeções otimistas do FMI, então pode acontecer antes", afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, que considera bastante provável que isso ocorra já em 2017.

Hoje, o Brasil é a sétima maior economia do mundo, enquanto a Índia figura na 10ª colocação.

"O Brasil, que chegou a se aproximar do sexto lugar, agora fica mais afastado e pode até perder esse patamar antes do previsto", disse Rostagno.

O FMI projeta crescimento de 1,3% para a economia brasileira em 2014 e de 2,0% em 2015, conforme o relatório Perspectiva Econômica Global divulgado em julho.

O economista, contudo, considera esses resultados irrealizáveis. Ele projeta avanço de 0,2% neste ano e de 1,0% no ano que vem.

"O Brasil de fato mudou de rumo. Isso reflete a falta de visão de médio e longo prazo. As medidas adotadas pelo país foram míopes, no sentido de ter um crescimento puxado por muito consumo e pouco por investimento", avaliou Rostagno.

"O governo esqueceu de preparar o país para o futuro, para num segundo momento migrar para um modelo pautado em investimentos", acrescentou.

A Índia, por sua vez, está em trajetória de aceleração.

No segundo trimestre, cresceu 5,7% na comparação com igual período de 2013 (o Brasil, nesta comparação, cedeu 0,9%).

Em 2014, na projeção do fundo, a economia indiana deve se expandir 5,4%, acelerando para 6,4% em 2015, 6,5% em 2016 e 6,7% em 2017 e em 2018.

Em 12 meses até o segundo trimestre, a economia brasileira somou US$ 2,179 trilhões, nos cálculos de Rostagno. Em igual período, a economia indiana totalizava US$ 1,898 trilhão.

Todos os componentes do investimento caíram no segundo trimestre de 2014

Daniela Amorim, Idiana Tomazelli, Mariana Sallowicz e Vinicius Neder  
Agência Estado

IBGE aponta como causa o aumento dos juros, a desaceleração do crédito, o mau desempenho da indústria automotiva e o desaquecimento durante a Copa

RIO - A queda de 11,2% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no segundo trimestre de 2014 em relação a igual período do ano passado foi resultado de uma parada generalizada no período. "Todos os componentes dos investimentos caíram", disse Rebeca de La Rocque Palis, gerente de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Do recuo percebido, 52% se referem ao resultado de máquinas e equipamentos, enquanto 42% se devem à construção civil. Os outros 6% foram completados por investimentos ligados a agropecuária, entre outras atividades menores.

"Tivemos queda nos dois grandes grupos, com desempenho negativo da construção civil e recuo também na parte de máquinas e equipamentos, tanto na produção interna quanto na importação", disse Rebeca. "A produção interna de bens de capital foi um dos destaques negativos da indústria de transformação", reforçou.

Segundo Rebeca, o aumento dos juros, a desaceleração do crédito e o mau desempenho da indústria automotiva contribuem para a baixa nos investimentos. "A taxa Selic aumentou em relação ao segundo trimestre do ano passado, de 7,5% para 10,9%. A desaceleração do crédito também tem a ver com isso, influenciando diretamente", disse.

"Tem também essa questão da Copa do Mundo e a indústria automotiva, uma vez que parte grande é considerada investimento. Ônibus, caminhão, tudo isso é investimento. Como neste trimestre a produção da indústria automotiva caiu bastante, isso influenciou", acrescentou Rebeca. 

Analistas afirmam que PIB brasileiro pode afetar o Mercosul

Exame.com
Cleyton Vilarino, Agência EFE

Segundo o IBGE, o PIB encolheu 0,6% no segundo trimestre do ano, após a redução de 0,2% registrada entre janeiro e março

Chico Ferreira/Reuters 
Ministro da Fazenda, Guido Mantega, 
durante uma coletiva de imprensa em São Paulo

São Paulo - A contração pelo segundo trimestre consecutivo do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, interpretada pelos economistas nesta sexta-feira como uma "recessão técnica", pode afetar os demais países da região, principalmente os do Mercosul.

"Tudo depende de qual pedaço da América Latina se fale. Os países do Mercosul que são os mais integrados com o Brasil devem sofrer um pouco mais que os demais", comentou à Agência Efe o economista Emerson Marçal, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo o IBGE, o PIB encolheu 0,6% no segundo trimestre do ano, após a redução de 0,2% registrada entre janeiro e março. De acordo com os economistas, duas reduções trimestrais consecutivas já colocam o país em "recessão técnica".

A última vez que o Brasil registrou dois trimestres consecutivos de contração econômica foi no início de 2009, quando sofria os efeitos da crise econômica internacional.

No entanto, Marçal, doutor e especialista em macroeconomia, descartou que o país possa entrar em "crise", mas advertiu que Argentina, Paraguai e Uruguai, junto com Venezuela e os outros sócios do Mercosul, podem sentir os efeitos das medidas internas que o Brasil tomar para enfrentar a situação.

"Os outros países são mais integrados com a Ásia, como Chile e Colômbia, e são os que estão na Aliança do Pacífico (junto a México e Peru). Não serão tão afetados por estes números", acrescentou.

Para Marçal, "o mercado brasileiro é bem fechado e, se houver um efeito, talvez não seja tão forte frente à América Latina como um todo, mas com os países do Mercosul".

No entanto, o analista considerou que esse efeito será "de um crescimento um pouco mais baixo, no mesmo estilo de quando se fala que a economia brasileira é influenciada pela americana ou chinesa, que são parceiros comerciais importantes, mas não acontecerá nada mais forte que isso".

No caso particular da Argentina, comentou o economista, o país vizinho "está passando por uma crise muito mais por erros da política interna deles que por um efeito do que acontece no Brasil".

"Se fosse outra época, claro, uma forte desvalorização da moeda como ocorreu já afetaria com mais força nossos vizinhos, especialmente à Argentina", ressaltou Marçal.

Nesse sentido, a economista Lucia Andrade, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), explicou que "o efeito pode refletir-se em medidas aplicadas para as exportações, no comportamento do câmbio, nas taxas de juros adotadas e nos empréstimos que possam ser concedidos a outros países".

"Haverá, seguramente, uma forte pressão política frente a qualquer intenção do Brasil, em participar de projetos em outros países, tudo com o argumento de que um negócio em outro lado possa afetar o crescimento", concluiu Andrade. 

13 sintomas de que a economia brasileira está em recessão

Cley Scholz
O Estado de S. Paulo

Notícias recentes de diferentes setores da economia já apontavam sinais de que a economia brasileira entraria em uma fase negativa, o que foi comprovado com os dados divulgados pelo IBGE

SÃO PAULO - Notícias recentes de diferentes setores da economia já antecipavam o sentimento de que o Brasil caminhava para um resultado ruim em termos de evolução do Produto Interno Bruto (PIB), o conjunto de informações econômicas utilizado para medir o crescimento econômico.

O IBGE divulgou nesta sexta-feira, 29, que o País encolheu 0,6% no segundo trimestre. O resultado do primeiro trimestre foi revisado de 0,2% para -0,2%. Os resultados colocaram o Brasil em 'recessão técnica', o que ocorre quando há dois trimestres consecutivos de resultado negativo do PIB.

Confira abaixo treze sintomas da recessão:

 Mercado de construção apresenta desaceleração

1. Setor imobiliário
O setor de imóveis começa a mostrar sinais de desaceleração de vendas e lançamentos, após um ciclo de forte expansão. A venda de imóvel novo em São Paulo é a menor para junho em 10 anos.


Especialistas debatem propostas 
para destravar investimentos em infraestrutura

2. Construção civil
O esfriamento do setor de imóveis tem impacto na construção civil, que é grande empregadora. A situação é pior no tocante às obras de infraestrutura, mas os números das edificações residenciais também desaceleraram.

3. Crédito
A alta dos juros nos empréstimos e financiamentos e as incertezas sobre o futuro da economia em fase de eleições majoritárias afastam empresas do crédito. As empresas tomaram R$ 16,1 bilhões a menos de crédito entre junho e julho.


 Crédito mais fácil para reduzir estoques de montadoras

4. Vendas de veículos
 A indústria de veículos do Brasil teve em julho seu pior resultado de produção e vendas para o mês desde 2006, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 6, pela associação que representa o setor.

5. Setor de serviços
O desempenho fraco da indústria e do comércio afeta os resultados do setor de serviços, área que abrange, por exemplo, cabelereiros, dentistas, contadores e muitos outros.  A receita do setor em junho foi a menor desde 2012.


Setor de embalagens indica desaceleração

6. Indústria de embalagens
A produção de embalagens recuou 0,73% no primeiro semestre de 2014 em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) encomendada pela Associação Brasileira de Embalagem (Abre). O setor de embalagens é considerado um 'indicador antecedente', por mostrar quanto a indústria está produzindo.

7. Cautela dos bancos
 Com medo de atrasos e calotes, os bancos ficaram mais comedidos na concessão de crédito. Isso ficou evidente nos dados recentes do desempenho dos bancos divulgados pelo Banco Central.


Mantega disse ainda que, provavelmente, terá de revisar a previsão
 de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, de 1,8 por cento

8. Pacotes de estímulo
 Preocupado com os efeitos da alta dos juros e da queda da confiança de empresários e consumidores, o governo lançou mais medidas para incentivar crédito. Os bancos aplaudiram o anúncio.

9. Pessimismo do mercado
 Mercado financeiro vem reduzindo suas previsões para o crescimento da economia brasileira em 2014. Na última segunda-feira, 25, o mercado fez a 13% revisão consecutiva para baixo.


10. Dança da cordinha
 As projeções divulgadas pelo Banco Central semanalmente mostram que cada vez as projeções ficam menores, em um processo que foi apelidado de 'dança da cordinha' pelo jornal Financial Times.

11. Clima político
 O mau desempenho da economia brasileira já vem sendo usado por todos os adversários do governo Dilma nos programas do horário eleitoral gratuito. A incerteza política contribui para piorar a confiança de investidores, empresários e consumidores. Esta semana a palavra recessão deve passar a ser repetida com mais frequência.

12. Pedidos de falência
 Os pedidos de falência também indicam uma piora da atividade econômica. Em julho, os pedidos de falência aumentaram 23,7% em comparação a junho, para 141 requerimentos, segundo dados da Serasa Experian.

13. Crise no futebol
 Até o futebol brasileiro está em crise. Além do vexame da seleção brasileira na Copa 2014, os resultados financeiros dos clubes estão mostrando que a fase não está fácil para ninguém. As receitas dos clubes devem repetir este ano o fracasso de 2013 , segundo a consultoria Pluri, especializada no mundo esportivo.


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Estagnação depois da recessão técnica

TV Estadão 

Com variação negativa de 0,6%, no segundo trimestre de 2014 sobre os três meses anteriores, a revisão do crescimento do primeiro trimestre, de 0,2% sobre o último quarto de 2013, para recuo de 0,2%, a economia brasileira esteve em recessão técnica, no primeiro semestre do ano, devendo registrar pequena recuperação na metade final de 2014 e fechar o ano com expansão em torno de 0,5%, configurando um estado de estagnação.