quarta-feira, setembro 17, 2014

Juízes censores e pesquisas sem truques.

Adelson Elias Vasconcellos



No Brasil há juízes e juízes. Uns se guiam pelo respeito às leis, enquanto outros distorcem as leis a seu bel prazer, muitas vezes por razões estranhas, exóticas, mesmo que tais distorções afrontem ao bom senso, à constituição, ao regime democrático.  Nesta segunda categoria  se incluem uma penca de juízes e magistrados que parecem sentir saudades da ditadura militar e sua ferrenha paixão pela  censura.  Não são apenas jornalistas e órgãos de imprensa  que se tornam vítimas desta agressão. Até um Conselho Federal de Medicina, por exemplo, pode ser alvo da estupidez e da ilegalidade, quando foi proibido de falar mal de Dilma Rousseff, como se a nossa soberana fosse uma deusa de virtudes, que não estivesse numa posição delegada pela própria sociedade que inclusive a tem sustentado nos últimos anos. Para dizer a verdade, Dilma parece que, além das organizações terroristas de que participou além da ditadura, só foi sustentada pelos contribuintes já que sempre encontrou bocas livres no serviço público.  Na única vez que se aventurou pela atividade privada, faliu com uma lojinha de R$ 1,99.

 Voltando ao caso dos juízes amantes da censura, a bola da vez é o governador Cid Gomes que parece conhecer as entranhas do judiciário de seu estado para encontrar alguém disposto a protegê-lo e censurar reportagem  sobre seu envolvimento com Paulo Roberto Costa, com quem, segundo  ele, jamais teve contato. Mas o jornalista Josias Souza, em seu blog,  traz à tona uma verdade inconveniente para o governador cearense: texto e foto comprovando que Cid Gomes conhece e já manteve reuniões de negócios com o ex-diretor da Petrobrás. 

http://www.comentandoanoticia.blogspot.com.br/2014/09/no-rastro-do-dinheiro-da-propinobras.html
Além disto, a reportagem da Revista ISTOÉ (reveja íntegra  aqui) não acusa em nada o senhor Cid Gomes. Apenas o relaciona entre aqueles a quem Paulo Roberto dedurou na sua delação à Justiça. A revista APENAS INFORMA, sem imputar acusação nenhuma. Aliás, Cid Gomes,  há pouco dias,  fez uma afirmação prá lá de cretina, na linha canastrão que Lula adora representar:  disse que se Marina ganhar, não terminará o mandato. O que isto quer dizer, senhor Cid Gomes, que você ou algum partido de oposição pretendem dar um golpe de estado?  Tome vergonha, governador!!!  Lula, naquele tal ato em favor da Petrobrás arre!), também afirmou, sem nenhuma vergonha ou decência, que os técnicos da campanha de Marina deveriam ser proibidos de falar. Eis a “democracia” desta malta!  

É lamentável que membros do Judiciário que deem  às costas para a Constituição e, dentre aquele segundo grupo de juízes citados acima, o interesse público seja jogado na lata do lixo. Aliás, seria conveniente que a imprensa verificasse as reais ligações do governador Cid Gomes com a juíza que o premiou e protegeu, impedindo com um ato inconstitucional que o povo do Ceará  conhecesse melhor este político que tem mania que fazer farra para seus familiares custeados com dinheiro público. Aliás, nem a sogra escapou destes agradinhos com o chapéu alheio...

Há dias que o site do jornalista Franklin Martins e a própria campanha de Dilma Rousseff praticam um terrorismo estúpido contra Marina Silva.  Depois de muito se criticar a baixaria parece que o TSE “acordou” de sua letargia e negligência  e resolveu agir. Já no caso do pastor Everaldo o TSE se mostrou bem mais rápido no gatilho. O pastor parece não poder falar da corrupção existente na Petrobrás. O TSE não gosta que adversários do governo o critiquem. Até aqui, ao que parece, somente Dilma Rousseff tinha a exclusividade da crítica e mais, tinha o salvo conduto para difamar e caluniar a oposição à vontade, sobre o patrocínio  e silêncio cúmplice do TSE. Ou seja, temos diante de nós o característico caso de dois pesos, duas medidas. 

Ontem, sem truques, o IBOPE divulgou nova pesquisa sobre a eleição presidencial. Pelos números  divulgados, e diante da patética atuação na semana passada, parece que o IBOPE resolveu ser menos desonesto.  Assim, Dilma não apenas parou de subir, mas acabou caindo, mesmo que dentro da margem de erro. E Marina ainda trava duelo ferrenho num empate técnico num provável segundo turno entre as duas.  Como o  universo de entrevistados me parece muito pequeno, pouco mais de 3.000 (no Datafolha foram mais de 10.000), é melhor esperar por uma pesquisa mais séria e mais abrangente.   De qualquer forma, ficou claro o truquezinho sujo que o IBOPE (que é contratado pelo Planalto) tentou aplicar. Quem cai é Dilma, não Marina. Quem sobe é Marina, não Dilma. 

A consequência da pesquisa foi a euforia com que os investidores atuaram na Bolsa, comprando grandes lotes de ações de estatais, principalmente Petrobrás. Fica nítido que o PT continua sendo um entrave aos negócios e ao crescimento do país. 

De qualquer forma, a certeza que se tem é que teremos um segundo turno e, neste caso, com os tempos de televisão igualados, Marina poderá explicitar melhor suas propostas, e não apenas responder aos ataques bucéfalos e preconceituosos que Dilma lhe dirige. 

Seja como for, e para aqueles que torcem por Marina, é bom prepararem seus espíritos. Caso Marina vença, o país assistirá um dos maiores atos de sabotagem a um governo democrático que se tem notícia. Aliás, já noticiamos isto aqui. De um lado, haverá o PT que, não apenas se sentirá cheio de ódio por perder o poder, mas também partirá para uma vingança contra quem o derrotou tendo saído  de seus quadros. De outro, teremos o PMDB que tentará se aproximar de Marina para cooptá-la e se manter aliado ao poder, não importando quem o exerça. Porém, Marina guarda reservas em relação a alguns de seus líderes, e é bem provável que parte do PMDB, pela primeira vez  desde a redemocratização, caminhe para oposição. 

Além disto, Lula buscará sedimentar o caminho para a sua volta em 2018. No ato cretino que proporcionou nesta segunda feira, diante da Petrobrás, com apoio de sindicatos, centrais e até o chefão do MST, ficou claro que os dias de um provável governo Marina Silva serão tumultuados com arruaças e vandalismo promovidos bandidos e canastrões da política nacional. A ameaça de Stedile foi direta para não deixar dúvidas. 

Também o PSDB prometeu oposição a Marina. Porém, desta vez seria conveniente os tucanos pensarem melhor. As propostas de Marina, no campo da economia por exemplo,  se ajustam ao pensamento do PSDB. Uma  união PSB e PSDB, com mais alguns pequenos partidos de linha liberal , poderiam contrabalançar a oposição xiita prometida pelo PT. E talvez o país pudesse, finalmente, ter um governo com um projeto de país, com respeito às instituições, livre do aparelhamento criminoso praticado pelo PT desde que assumiu,  e com condições de levar adiante as reformas estruturais tão necessárias para o desenvolvimento , claro, com uma política fiscal responsável e honesta. 

O ano de 2015, e creio que boa parte de 2016, já estão contaminados pela mediocridade imposta por Dilma Rousseff. É necessário uma correção  de rota e ela não será feita sem sacrifícios. Mas  me agrada especialmente a liberdade para o BC atuar com mais campo  na política monetária que, se for seguida por uma política fiscal séria, ajudará a trazer a inflação para ao centro da meta. Como também agrada o desejo de se reduzir  os atuais 4,5% para algo próxima a 3,00%. Ouvi de gente do governo que se Dilma for reeleita, haverá o desejo de se elevar os atuais 4,5% para 6,5%, o que  seria uma atitude estúpida e burra. Seria o mesmo que apagar incêndio com gasolina. 

Seja como for, é necessário afastar o PT do governo federal. Ato contínuo à posse, convém  que se faça um auditoria completa das contas públicas, reduzir o número de cargos comissionados e de ministérios em busca de eficiência de gastos e de gestão. A ordem para a Corregedoria é: onde houver repasse de dinheiro público que a fiscalização seja rigorosa, sem tolerância de nenhuma espécie. Não se pode aceitar que a corrupção não pode ser combatida tampouco que o dinheiro público não possa ser fiscalizado. Isto é piada de mau gosto, quando não de pura vigarice.  

Com pesquisas sujas ou não, com juízes amigos ou simpáticos ao governo tentando no grito, na marra ou na virulência calar a voz dos críticos, sejam eles empresas, instituições ou jornalistas e analistas de mercado, o fato é que o país está dizendo um “não” para Dona Dilma Rousseff.  Sua rejeição é, de longe, a maior entre todos os candidatos e a avaliação sobre seu governo já viveu dias melhores. A pouco mais de duas semanas da eleição, o que se tem é um país que parece ter esgotado sua paciência  com os métodos de governança e de fazer política dos petistas.  Pode-se dizer que os brasileiros querem ter uma vida normal, com trabalho, renda, serviços públicos decentes,  com saúde e segurança acima dos demais. 

Esta pantomima toda que as esquerdas, especialmente PT, adotam de brigas, corrupção, vandalismos e arruaças já não influenciam, a não ser negativamente, a sociedade brasileira. Este alvoroço todo em torno da Petrobrás é bem característico: enquanto a podridão do que se praticou na esstatal nestes últimos anos vai brotando  do submundo, Lula e sua gangue abraçam a sede da companhia, tentando no gogó tapar o sol com a peneira. 

De fato, e não só a Petrobrás, mas Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES, precisam voltar a ser empresas estatais. Sua privatização pelo petismo quase as leva à ruína. 

Políticas sociais: hora de repensar 
Recomendamos que os leitores reflitam sobre dois textos publicados nesta edição para medirem o tamanho da mentira que Dilma alardeia em sua propaganda. Uma, traz a informação de que, mais de 3 milhões, sofrem de desnutrição. E, noutro, estudo inédito encomendado pelo Ipea mostra que, entre 2006 e 2012, a fatia que os 5% mais ricos detinham na renda total do país passou de 40% para 44%. Ou seja, a miséria não “acabou” como Dilma se vangloria e a tal “distribuição de renda” via Bolsa Família é nada se comparado aos benefícios concedidos pelos governos Lula e Dilma à tal “zelite”. Banqueiros ganharam 8 vezes mais neste período do que durante o governo FHC, e a Bolsa BNDES distribuiu bilhões  sem que o PIB do país tivesse sofrido um salto de qualidade, pelo contrário, está minguando a cada ano que passa. 

Ainda assim,  o estudo divulgado pela FAO, traz dados bem intrigantes. Por exemplo, em outro levantamento similar, feito pela mesma FAO,  só que em 2013, apontava em 7% o número de brasileiros que passavam fome. Um ano depois,  reduziu-se espantosamente este número para 1,7%.  Mágica? Truque? Manipulação?  Mais uma vez, temos o truque da “mudança de critérios estatísticos”.  Parece que o PT vem se especializando nesta enrolação.

Ainda sob o governo Lula, tentando mostrar competência, e diante do PIB que se mostrava raquítico, mudou-se os critérios de cálculo do PIB e, SURPRESA!, o PIB espichou. Contudo,  e aí se revela uma farsa, nãoa se deram ao trabalho de se refazer a série histórica, para permitir confrontação de resultados. Mais adiante, já no segundo mandato, Lula mandou alterar outra vez a fórmula de cálculo. E tudo se repetiu.

Dilma Rousseff não deixou de fazer seu truque malabarista dos números. Querendo acabar com a pobreza por decreto, acolheu um estudo feito por Marcelo Nery, em que não podendo aumentar o número de brasileiros de classe média, simplesmente, reduziu as faixas de renda com que o IBGE historicamente sempre trabalhou e, SURPRESA DE NOVO, nada mais do que 30 milhões de pobres e miseráveis se tornaram classe média do dia para noite, sem que lhes fossem acrescentado um centavo de renda. Assim, veja que espetáculo de vigarice, hoje no Brasil quem ganha meio salário mínimo, ou pouco mais de R$ 300,00 já é classe média. 

No caso do estudo da FAO, há grandes vigarices. Uma, é que o seu filho já é um ex-faminto se puder ter merenda escolar no colégio em que estuda.  O brasileiro que se alimentar de um cachorro quente, ou um mero pastel de vento, também será um ex-faminto, mesmo que não coma mais nada no resto do dia. É bom lembrar que o diretor geral da FAO  é um petista de carteirinha, Jozé Graziano que foi o primeiro (e único) a dirigir o Fome Zero, que acabou substituído pelo Bolsa Família. Ninguém desconhece os resultados positivos dos programas, mas os resultados positivos em benefício da população nãoa podem deixar de levar em conta que tanto a redução da fome, quanto da pobreza, tiveram início em 1995, e não apenas durante os governos petistas. Desconhecer este fato se trata de vigarice na veia. 

Como já afirmamos várias vezes: ninguém está pedindo o fim dos programas ditos sociais, e sim sua reformulação para que, de fato,  produzam efeitos sociais de emancipação do cidadão até a condição de que se verifique a redução no número de beneficiários. Quando isto acontecer os tais programas poderão ser chamados de “sociais”.  

A mentira virou verdade

Arnaldo Jabor
O Estado de São Paulo

Aproxima-se a hora da verdade política do País. Hora da verdade ou hora da mentira? Mentira virou verdade? Nossas "verdades" institucionais foram construídas por 500 anos de mentiras. Portanto, virou uma razão de Estado para o governo do PT a proteção à mentira brasileira inventada pela secular escrotidão portuguesa. Se a verdade aparecesse em sua plenitude, nossas instituições cairiam ao chão. Por isso, o governo acha que é necessário proteger as mentiras para que a falsa "verdade" do País permaneça. E não é só a mentira que indigna. É a arrogância com que mentem. E a mentira vai se acumulando como estrume durante um ano e acaba convencendo muitos ingênuos de que "sempre foi assim" ou de que "erraram com boa intenção".

Não só roubaram cerca de 2 bilhões de reais desviados de aparelhos do Estado, de chantagem com empresários, de fundos de pensão, de contratos falsos, mas roubaram também nossos mais generosos sentimentos. A verdadeira esquerda se modificou, avançou, autocriticou-se, enquanto eles não arredaram os pés dos velhos dogmas da era stalinista e renegaram todo trabalho de uma esquerda mais socialdemocrata, como aliás fazem desde que não votaram nos 'tucanos' da época e o Hitler subiu ao poder.

"Nunca antes", nunca antes um partido tomou o poder no Brasil e montou um esquema secreto de "desapropriação" do Estado, para fundar um "outro Estado". Nunca antes se roubou em nome de um projeto político alastrante em todos os escaninhos do Estado, aparelhado por mais de 30 mil militantes.

O ladrão tradicional sabia-se ladrão. O ladrão tradicional roubou sempre em causa própria e se escondia pelos cantos para não ser flagrado.

Os ladrões desse governo roubam de testa erguida, como se estivessem fazendo uma "ação revolucionária", se orgulham de fingir de democratas para apodrecer a democracia por dentro.

A verdade está sempre no avesso do que dizem.

São hábeis em criar um labirinto de "falsas verdades", formando uma rede de desmentidos, protelações e enigmas que vão desqualificando as investigações de coisas como a CPI da Petrobrás e todos os crimes de seus aliados. Regozijam-se porque seus eleitores são ignorantes e pobres e não sabem nem o que é "dossiê" - pensam que é um tipo de doce. A verdade do Brasil é coloquial, feita de pequenos ladrões, sujos arreglos políticos, emperramentos técnicos. Hoje, sabemos que somos parte da estupidez secular do País. Assumir nossa doença talvez seja o início da sabedoria.

A verdade é que os petistas nunca acreditaram na "democracia burguesa"; como disse um intelectual emérito da USP - "democracia é papo para enrolar o povo".

O PT que se agarra ao poder degrada a linguagem. Falam de um lugar que é o auge de um baixo voluntarismo aventureiro, de uma ideia de socialismo decaída em populismo. A esquerda petista não tem memória. Dá frio na espinha vê-la tender para os mesmos erros de 64 e 68.

Na cabeça dessa gente ignorante e dogmática, nada é real; só a ideologia existe.

Todos os erros eram previsíveis por comentaristas e foram cumpridos à risca pelos governos petistas.
Milhares de petistas ocupam o Estado aparelhado e querem que a Dilma ganhe para permanecerem nas "boquinhas".

As Agências Reguladoras estão sendo assassinadas.

Dilma berra que o Banco Central não tem de ter autonomia.

A era Meirelles-Palocci foi queimada, velho desejo dos camaradas.

Qualquer privatização essencial foi esquecida. A reforma da Previdência "não é necessária" - dizem eles - não havendo nenhum "rombo" no orçamento (!). Os gastos públicos aumentaram, pois, como afirmam, "as despesas de custeio não diminuirão para não prejudicar o funcionamento da máquina pública".

Se reeleita, voltará a obsessão do "Controle" sobre a mídia e a cultura. E como não poderá se reeleger, o bolivarianismo vai florir e o passarinho do Chávez vai cantar em seus ouvidos. Nossa maior doença - o Estado canceroso - foi e será ignorada. Tudo o que construíram com sua militância foi um novo "patrimonialismo de Estado", com a desculpa de que "em vez de burgueses mamando na viúva, nós, do povo, nela mamaremos".

O perigo que corremos é sua reeleição, porque o país de analfabetos é boçal, espera um salvador da pátria. No fundo, brasileiros preferem uma boa promessa de voluntarismo e populismo, na base do "pau no burro" ou "bota para quebrar". Estamos prontos para ditadores e demagogos; para administradores e reformadores racionais, não.

Enquanto o óbvio se exibe, a covardia de muitos intelectuais é grande. Há o medo de serem chamados de reacionários ou caretas. Continuam ativos os três tipos exemplares de "radicais": os radicais de cervejaria, os radicais de enfermaria e os radicais de estrebaria. Os frívolos, os burros e os loucos. Uns bebem e falam em revolução; outros alucinam e os terceiros zurram.

A "presidenta" vive a missão impossível de ser "socialista e dirigir um país... ah... capitalista". A conclusão é que Dilma perdeu o controle da zona geral que Lula sabia 'desorganizar' com esmero e competência. Dilma não é competente nem para desorganizar. Não é apenas o fim de dois maus governos; é o despertar de um caos institucional que será mais grave do que pensávamos. Estamos diante de um momento histórico gravíssimo, com os dois tumores gêmeos de nossa doença: a direita do atraso e a esquerda do atraso. É uma herança que vai amaldiçoar o futuro. Como escreveu Bobbio, se há uma coisa que une esquerda e direita é o ódio à democracia.

O Brasil evolui pelo que perde e não pelo que ganha. Sempre houve no País uma desmontagem contínua de ilusões históricas. Com a história em marcha à ré, estranhamente, andamos para a frente. Como?

O Brasil se descobre por subtração, não por soma. Chegaremos a uma vida social mais civilizada quando as ilusões chegarem ao ponto zero.

Sabe nada e é inocente.

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Bem-aventurado é o cidadão comum, que embora tenha poucas possibilidades de reagir sabe muita coisa do que acontece neste país. Acompanha Pasadena, acompanha Abreu e Lima, acompanha o Mensalão, acompanha a gorjetinha. Saber tudo não se sabe, mas até onde nos cabe temos certa informação: alguns nomes já vazaram de político ladrão. É segredo de Justiça a delação premiada, mas há gente interessada em implicar inimigos, para parecer ilibada.

E, como nunca dantes na história desse país, quem não sabe tem certeza de estar mais informado do que um grande gatuno, por medo silenciado. 

É só perguntar qualquer coisa a um desses corruptos notórios, com certidão de ficha suja em três vias autenticadas, com firma reconhecida. Por exemplo, como é que, com o dinheiro de seu salário, conseguiu comprar um Rolls-Royce blindado, último tipo, com maçanetas trabalhadas em ouro. Ele tem a resposta na ponta da língua: ganhou de um amigo de infância, amigo mesmo, sujeito bom, trabalhador, que ficou muito bem de vida fazendo faxina em casas de família. Dinheiro desviado? Imagine! Se houve desvio, que seja punido. Mas eu não sabia!

Pois é, o lá de cima, o que tá assim com os hômi, o cumpanhêro dos cumpanhêro, não sabia aquilo que todos nós sabemos. Talvez não tenha tempo de observar as coisas, exercendo sua função de guerreiro do povo brasileiro e obrigado a não se lembrar de eventos que já lhe trouxeram grande prazer. Mas observar para quê? Basta botar a culpa na zelite galeguinha de zóinho azul para sair livre.

Sonháticos e pesadeláticos
É delírio. Mas neste país o delírio impera. E nem se falou na delirante sorte que, embora aleatória, mostra surpreendente preferência por quem dela precisa para explicar aumentos patrimoniais. 

Há carreiras que são uma loteria premiada.

MJST - os juízes sem teto
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, determinou que juízes federais que morem em cidades sem residência oficial disponível recebam auxílio-moradia. Digamos que o caro leitor seja transferido por seu empregador para outra cidade. Receberá auxílio para instalar-se, se a empresa for generosa, e depois pagará suas despesas. 

Mas juiz é diferente. O Brasil tem hoje 1.471 juízes federais e 131 desembargadores federais, segundo o Anuário da Justiça Federal 2014.

Flagrantes da vida real
Todos os limites foram ultrapassados: assaltaram o cardeal-arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta, perto de sua casa. E não foi por desconhecimento: d. Orani estava com as vestes de cardeal. Com ele, foram assaltados o fotógrafo oficial da Arquidiocese, um seminarista e o motorista. Os três bandidos que assaltaram o carro reconheceram o cardeal; um deles pediu desculpas, mas continuou a ameaçá-lo com a arma. Roubaram o cordão, o crucifixo, a caneta, o celular, uma réplica do anel que d. Orani recebeu do papa Francisco, a batina do seminarista, o paletó e a mochila do motorista e a câmera. Agora, as coisas estranhas:

1 - Logo depois do assalto, os objetos roubados (exceto a câmera) foram recuperados. Aquilo que raramente acontece quando um cidadão comum é assaltado aconteceu, por coincidência quando o roubo atingiu uma personalidade.

2 - Destaque-se a eficiência da Polícia, que conseguiu encontrar, recuperar - e devolver! - os objetos roubados, numa cidade do tamanho do Rio, mesmo sem ter conseguido prender os assaltantes. Louve-se seu belo trabalho de busca.

E só se descobrirá por que os bandidos insistiram no assalto, para em seguida abandonar os objetos roubados, caso sejam presos. Mas ainda não o foram.

Punhal amigo
Já há algum tempo se suspeita de que o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, PDT, não é especialmente ativo no apoio à candidata de sua coligação, a ex-ministra Gleisi Hoffmann, PT. Fruet, que deixou o PSDB por divergências com o governador Beto Richa, tem tradição antipetista. Mas Gleisi sempre garantiu que Fruet está empenhadíssimo na campanha. 

Agora já é possível medir o grau de comprometimento de Fruet com a candidatura de Gleisi: pôs dinheiro de seu bolso na campanha. Fruet doou para Gleisi, em dinheiro, a quantia de R$ 38,00 (trinta e oito reais). Agora, vai! Com a entrada do generoso doador, a campanha sobe de patamar e Gleisi, em terceiro lugar nas pesquisas, apanhando feio do governador Beto Richa (que pode ganhar no primeiro turno) e do ex-governador Roberto Requião, PMDB, talvez consiga ainda subir alguns pontinhos.

Inimigos íntimos
O PT de Curitiba rompeu com Fruet há meses, por causa de cargos. E a fidelidade aos aliados não é o ponto forte desta campanha, em lugar nenhum do Brasil. No Rio Grande do Sul, o peemedebista Pedro Simon e a pepista Ana Amélia apoiam Marina, enquanto o PMDB e o PP estão com Dilma. Em São Paulo, o governador Alckmin e seu candidato ao Senado, Serra, esforçam-se para demonstrar seu apoio a Aécio - dizem até que, outro dia, Alckmin nem cochilou durante o programa eleitoral de seu aliado. No Rio, Dilma largou o petista Lindinho e seu ex-ministro Marcelo Crivella, do PRB, e apoia o peemedebista Pezão, que disputa com o ex-petista Garotinho o primeiro lugar nas pesquisas.

carlos@brickmann.com.br 
www.brickmann.com.br

Presidente-candidata está mexendo com forças que só conhece de ouvir falar. Marina sabe, se preciso, ser Lula. Mas Dilma só sabe ser Dilma. E isso pode ser muito aborrecido

Reinaldo Azevedo


A presidente-candidata Dilma Rousseff e, em larga medida, o PT e seu marqueteiro estão mexendo com forças que não conhecem e podem, do seu ponto de vista, fazer uma grande bobagem. O partido decidiu esmagar Marina Silva. A candidata do PSB à Presidência reclamou da truculência e das mentiras levadas ao horário eleitoral — até Rodrigo Janot considerou que elas passam da conta e pediu que o TSE retire uma peça de propaganda do ar. Em resposta à adversária, Dilma sustentou que a Presidência não é para os fracos. Uma fala burra nos dias que correm. Lula deu de ombros e ainda esnobou, truculento: Marina não precisa chorar por ele. Manifestações arrogantes como essas podem ser fatais numa eleição.

Ontem, o PSB levou ao ar um trecho muito contundente de um discurso de Marina. Ao comentar que o PT espalhava por aí que, se eleita, ela vai acabar com o Bolsa Família, a candidata do PSB mandou um recado direto a Dilma, chamando-a pelo nome. Falou fino, porque é de sua natureza, mas falou grosso, com voz embargada e pausa dramática, tudo muito bem encaixado:

“Dilma, você fique ciente. Não vou lhe combater com suas armas; vou lhe combater com a nossa verdade. Tudo o que minha mãe tinha para oito filhos era um ovo e um pouco de farinha e sal com umas palhinhas de cebola picadas. Eu me lembro de ter olhado para o meu pai e minha mãe e perguntado: ‘Vocês não vão comer?’ E minha mãe respondeu: ‘Nós não estamos com fome’. Uma criança acreditou naquilo. Mas depois entendi que eles há mais de um dia não comiam”.

A candidata indagou, em seguida, como é que ela poderia, com aquela história, acabar com o Bolsa Família.

Pois é… Lula inventou uma categoria que vai ficar na política brasileira por muito tempo: os “Silvas”. É aquela gente que teve uma infância difícil, que lutou contra as vicissitudes da sorte e que venceu, sem esquecer suas origens. Verdade ou mentira, a construção é politicamente poderosa. Acontece que Marina pertence a essa família Silva. Em certa medida, sua história pode ser mais meritória — e meritocrática — do que a do próprio Lula. Afinal, adicionalmente, além de pobre, foi analfabeta por mais tempo do que o chefão petista, é mulher e negra.

Já adverti aqui e volto a fazê-lo: não tentem despertar o poder das vítimas. Os fortes e os brutos não entendem o seu potencial. Talvez Dilma devesse dar um pulinho correndo na Galleria Borghese, em Roma, e olhar aquela que é, para mim, a obra mais impressionante de Caravaggio: Davi segurando a cabeça de Golias (foto no alto). Tudo ali é demasiadamente humano: o ar plácido do mais fraco, que se sagrou vencedor, e a incompreensão que restou no rosto de Golias, o morto. Não há ódio nem sangue. Só um fato. A reprodução não dá conta. Quem puder tem de ver de perto. Mas retomo o fio.

Como construção de personagem e como narrativa a incendiar o imaginário, Marina sabe ser Lula, mas Dilma só sabe ser Dilma, e a personagem, convenham, não desperta grande interesse. Mesmo o aspecto que vendem como heroico de sua trajetória está muito longe da vida do brasileiro comum. É evidente que o PT, na política e, entendo, na lei foi muito além dos limites aceitáveis. Marina está a um passo de se tornar o Davi que ainda vai segurar, com ar piedoso, mas firme, a cabeça de Golias.

O desespero chegou com tal violência nas hostes companheiras que a artilharia pode ter sido usada precocemente. O que mais pretendem usar contra Marina, que seja compreensível para as massas? No segundo turno, caso as duas mulheres realmente cheguem lá, o tempo na TV será o mesmo, e Dilma já terá perdido há muito o troféu fair-play.

Dilma é uma esquerdista que veio das camadas superiores. Como diria Monteiro Lobato, da casa de pobre, ela não conhece nem o trinco — ou a falta de trinco. Lula conserva aquele charme popular, mas ele foi talhado, na medida, ao longo de vinte anos, para atacar tucanos. Assisti ontem ao programa do PT no horário eleitoral: está chato, repetitivo, tentando convencer os brasileiros de que o paraíso é aqui. Tenho certeza de que João Santana se pergunta que diabos ele tem a fazer com todo aquele tempo.

Vamos ver o que vai dizer a pesquisa Datafolha. Considerando só a pesquisa Ibope, a única com motivos para se preocupar é mesmo Dilma, que caiu três pontos em uma semana: de 39% para 36%. Sim, é verdade, estando certos os números, Aécio Neves, do PSDB, ainda está distante de um segundo turno, mas subiu quatro pontos, passando de 15% para 19%. Marina oscilou um para baixo e aparece com 30%. No segundo turno, a petista ameaçou tomar a liderança numérica na semana passada, ficando apenas um ponto atrás da rival (43% a 42%), mas a distância pode ter-se alargado: 43% a 40%. Como já vimos, Aécio melhorou, Marina resistiu e pode ter ascendido no segundo turno, e Dilma murchou nas duas etapas.

As barbaridades cada vez mais cabeludas da Petrobras certamente interferem nas escolhas dos eleitores. Mas creio que há mais: é crescente o repúdio à truculência do PT no trato com os adversários. Já houve um tempo em que Lula sabia ter o fabuloso poder da vítima. Hoje, ele só consegue entender a truculência dos algozes. Pode ser vítima, sim, mas da própria soberba. 

Tortuosos trajetos do dilmês

O Estado de S. Paulo

Se algo ficou evidente nos anos de governo Dilma foi a incrível batalha que ela mantém com a língua portuguesa e com o próximo - seja ele quem for. Nestes anos, o País pôde conhecer em detalhes o dilmês, um modo único de falar, que expressa não apenas ideias desconexas, mas evidencia um jeito conflituoso de se relacionar com o interlocutor. Talvez isso explique o fato de, apesar da sua longa vivência política, até 2010 Dilma Rousseff nunca ter disputado nenhuma eleição. Para ela, a comunicação em público e com o público deve ser um tormento. Mas o dilmês não é apenas uma maneira de falar. É também um comportamento que tem caracterizado a sua administração, marcada pelo convívio difícil, se não rude, com seus auxiliares, ações descoordenadas e falhas de harmonia.

Ao ver o projeto de reeleição cada vez mais distante do seu horizonte, e sob a orientação do chefe Lula - que, não de hoje, lhe vem sugerindo para deixar de lado eventuais escrúpulos e afirmar que o seu eventual segundo governo não terá nada a ver com o que se acaba, especialmente em relação à economia -, Dilma na semana passada começou a ceder e disse que, caso a população lhe dê um novo mandato, formará uma outra equipe. "Obviamente, novo governo, novas e necessariamente (sic) atualização das políticas e das equipes." No dia seguinte, surgiu nova oportunidade para seguir a recomendação do chefe Lula e, questionada sobre a permanência do ministro Guido Mantega no Ministério da Fazenda, ela respondeu: "Eleição nova, governo novo, equipe nova, agora só não faço uma coisa, não nomeio ministro em segundo mandato". Para todos, inclusive para o principal interessado, ficou certo que Guido Mantega deve continuar à frente do Ministério da Fazenda num eventual segundo mandato.

Naturalmente, Mantega - que é o ministro da Fazenda mais longevo da história recente do País - não ficou lá muito satisfeito com as declarações da presidente. Logo ele, que, sem se preocupar com a imagem pública e muito menos em demonstrar a consistência de seus conhecimentos de economia, leal e submisso, acompanhou Dilma pelos tortuosos caminhos que ela quis trilhar.

Diante do mal-estar criado, a presidente sentiu que era necessário socorrer o seu fiel escudeiro. E então novamente entrou em ação o dilmês. Tratou de explicar que o que havia dito - e todos haviam entendido - não era bem aquilo. Começou com o seu habitual "meu querido" - palavras gentis que, no entanto, significam que a presidente está se paramentando para a batalha e partindo para o ataque. "Meu querido, eu farei uma nova equipe, alguns (ministros) poderão ficar, outros serão renovados." E prosseguiu: "Um governo novo fará uma equipe nova. As pessoas que vão compor essa equipe podem vir do governo anterior, mas é uma nova equipe". Alguma dúvida sobre o que ela quer agora dizer?

Dias depois, Dilma voltou ao tema - a recorrência é uma prática habitual do dilmês - para dizer que Mantega sairá, mas não por causa de uma mudança nos rumos da economia. Simplesmente "por questões eminentemente pessoais".

Não é de todo estranho que Lula, velha raposa da comunicação, de vez em quando confidencie - não muito confidencialmente - seu arrependimento por ter escolhido Dilma como sua sucessora. De forma não indolor, ele prova agora o mesmo que a população brasileira provou nestes últimos quatro anos: um governo tão confuso quanto a fala de Dilma - aquela confusão que, no início de agosto, a fez assim explicar o porquê das atuais dificuldades do setor energético. "Temos regime hidrológico muito sensível à água."

O trajeto do dilmês não é linear. E os resultados, tampouco. Dilma queria comunicar algo em princípio simples: novo governo, novos rumos para a economia. Mas o fez de forma atabalhoada e sem se preocupar em ferir os sentimentos de Mantega. Muito menos considerou que a demissão extemporânea do ministro da Fazenda provocaria reações entre os agentes econômicos, corroeria ainda mais a credibilidade da duramente criticada política econômica do governo e poderia prejudicar a já abalada economia nacional.

A histeria do "Estado laico"

Percival Puggina
Zero Hora 

Virou moda invocar a laicidade do Estado para desqualificar opiniões, religiões e igrejas. É o tipo de coisa que só acontece no Brasil, país em que presidentes da República se atrapalham com rudimentos de português e matemática. Fosse o pensamento prática frequente entre nossa elite, tais invocações à laicidade do Estado seriam rechaçadas pelo que de fato são: ensaios totalitários visando a calar a boca da maioria da população.

A leitura dos preceitos que os constituintes de 1988 incluíram em nossa Carta Magna sobre o tema esclarece, acima de qualquer dúvida, que eles desejavam, nesse particular, limitar a ação do Estado e não das pessoas, suas religiões e igrejas, como agora, maliciosamente, lendo a Carta pelo seu avesso, alguns pretendem fazer crer. Enfaticamente, a CF determina ser “inviolável a liberdade de consciência e de crença”, que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença” e que o Estado não pode estabelecer ou impedir cultos.

Não são as opiniões de indivíduos ou, mesmo, de figuras públicas em que se perceba inspiração religiosa que violam a Constituição, mas as tentativas de os silenciar, de os privar do direito de expressão, aos brados de “Estado laico! Estado laico!”. Não, senhores! Foi exatamente contra essa pretensão que os constituintes ergueram barreiras constitucionais. Disparatado é o incontido e crescente desejo que alguns sentem de inibir a opinião alheia, para que possam _ veja só! _ falar sozinhos sobre determinados temas. E são tantos os desarrazoados neste país que poucos percebem o tamanho da malandragem.

Leigos ou religiosos, ateus ou agnósticos, detentores de mandato ou jurisdição, podem e devem ouvir suas consciências ao emitirem seus votos ou decisões. Talvez estejamos habituados a líderes que escolhem princípios como gravatas (ou echarpes) e estranhemos quem os tenha, bons e sólidos. A laicidade impõe limites ao Estado, não aos cidadãos!

Eu tenho o direito de emitir conceitos, com base religiosa ou não, fundados na cultura gaúcha ou tupiniquim, na doutrina marxista ou liberal, sem que desajuizados pretendam me calar. 

Essa minha liberdade tem garantia constitucional. E há dispositivos específicos para assegurá-la no que se refira às convicções religiosas e suas consequências. A histeria a esse respeito escancara não só recusa ao contraditório, mas também vocação totalitária. Por quê? Porque como bem se sabe, o totalitarismo, para cujo porto estamos sendo levados pelo nariz, não pode conviver com sistemas de valores que não sejam ditados pelo Estado e que ante ele não rastejem. É a esse mostrengo que andam chamando "Estado laico". Ele não é isso.

É um escárnio!

João Luiz Mauad
Instituto Liberal

Trata-se de um verdadeiro escárnio com o cidadão pagador de impostos do Rio de Janeiro

Leio no jornal “O Globo” que uma mensagem enviada na última terça-feira à Assembleia Legislativa (Alerj) pela desembargadora Leila Mariano, presidente do Tribunal de Justiça (TJ), prevê a concessão de uma bolsa de até R$ 7.250 mensais para financiar a educação de filhos e dependentes de juízes e desembargadores do Rio entre oito e 24 anos de idade. Se for aprovado na íntegra, o benefício pode causar, apenas este ano, um impacto de R$ 38,773 milhões aos cofres públicos… Está previsto também o benefício para os servidores do Judiciário fluminense.

A maioria dos magistrados recebe cerca de R$ 30 mil mensais brutos de vencimentos. No caso dos servidores, o auxílio será, no máximo, igual ao valor do maior vencimento básico da categoria, R$ 3 mil. Numa tabela anexa ao projeto, o TJ mostra que, para o ano que vem, a previsão de gastos é de R$ 128,877 milhões, e chegará a R$ 175,119 milhões em 2018. Magistrados e servidores também terão direito a receber, uma vez por ano, uma ajuda no valor de 50% de seus salários básicos para fazer cursos de aperfeiçoamento.

É estupefaciente! Essa gente perdeu qualquer senso de realidade, enquanto eu perco o senso de humor. Estamos falando de uma gente que ganha, em média, trinta mil reais por mês, enquanto a renda per capita brasileira, ANUAL, é de pouco mais de vinte mil reais. Depois, quando os liberais dizem que a verdadeira e única luta de classes que existe é entre os nababos encastelados no poder e os pagadores de impostos, ninguém leva a sério.

Fico embasbacado com a cara-de-pau. Reparem que uma das justificativas para o malfadado projeto de lei é dar cumprimento ao artigo 227 da Constituição Federal, o qual diz que “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação…” Para completar, Suas Excelências ainda tiveram a pacholice de estabelecer no P.L que a tal bolsa educação terá caráter indenizatório, e não remuneratório. Traduzindo o juridiquês, estará isenta de imposto de renda. É mole ou quer mais?

Trata-se de um verdadeiro escárnio com o cidadão pagador de impostos do Rio de Janeiro. Esperemos que a Assembleia Legislativa recuse essa barbaridade, embora eu, particularmente, não espere isso. Provavelmente, prevalecerá o corporativismo e a troca de favores de sempre entre as duas instâncias do poder estadual.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Infelizmente, o STF, num ato de puro corporativismo estúpido, aprovou o tal auxílio moradia de R$ 4.000,00 para todos os juízes federais . Faltou senso de realidade ao STF para o momento atual que vive o país. Creio que até se valeram da campanha eleitoral ocupar os espaços de opinião para aplicarem este golpe contra o contribuinte. São atos como este, dentre muitos outros, que fazem com que o Judiciário seja visto com desconfiança pela sociedade brasileira. Parece que a  única função deles é se servirem da sociedade, e não  contrário, como seria lícito esperar. Esqueceram que a aristocracia ficou sepultada no século 19, e tentam, como fidalgos, gozarem as delícias do reino às custas de um povo pobre e miserável. 

Amanhã vamos publicar um texto contando parte da saga, ou melhor, do calvário que o jornalista Hélio Fernandes e sua Tribuna da Imprensa vem atravessando para ver reparado os danos causados durante a ditadura militar. ATENÇÃO: são 35 anos de espera. E nada da justiça dar um ponto final ao processo.  E, assim como o Hélio, existem centenas de casos que se arrastam anos a fio na Justiça sem solução. Porém, na hora de avançarem no bolso do contribuinte para aprimorar o baú de privilégios e benesses, o Judiciário age com extrema rapidez.   

STF derruba censura à IstoÉ

Revista ISTOÉ

Luís Roberto Barroso cassou liminar de juíza cearense que impedia a circulação da edição de IstoÉ desta semana e a divulgação de matéria que cita o governador cearense, Cid Gomes, no escândalo de corrupção na Petrobras

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luis Roberto Barroso cassou a liminar deferida por uma juíza de Fortaleza a pedido do governador do Ceará, Cid Gomes, que suspendia a circulação da edição desta semana de IstoÉ. Com o fim da censura imposta pela magistrada de plantão Maria Marleide Maciel Queiroz, da 3ª Vara de Família da capital cearense, a revista volta a circular em todo o País, inclusive no Ceará, e a matéria em sua versão eletrônica já voltou ao ar.



O governador cearense decidiu entrar na Justiça para censurar IstoÉ porque seu nome é citado em uma reportagem da revista sobre a delação premiada do ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Gomes, assim como algumas dezenas de políticos brasileiros, foram citados por Costa no extenso depoimento que ele vem dando ao Ministério Público Federal após acordo de delação premiada.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA: 

Parabéns,  Ministro Barroso, por respeitar a Constituição e decretar o fim do ato estúpido de frear a livre informação. O que mais chama a atenção neste caso, nem foi a decretação da censura em si, coisa que se repete a torto e direito em todo o país. Chega a ser hilário é que a medida tenha sido tomada por uma juíza DA VARA DE FAMÍLIA da capital cearense,  como se a reportagem fosse imprópria para menores. Impróprio é, além da censura,  os atos de certos políticos que se escondem depois na tal “imunidade parlamentar” para se verem livres de responder na justiça por seus atos, ou, como no caso de Cid Gomes, arranjam um juiz amigo, mesmo que sua “jurisdição” seja outra, para protegê-lo.  

A corrupção aumenta ou diminui?

Gaudêncio Torquato
O Estado de S. Paulo 

O mais recente escândalo no País - a teia de interesses escusos dentro da maior empresa brasileira, símbolo que puxa o orgulho nacional desde sua fundação - dispara tiroteios entre exércitos situacionistas e milícias da oposição, sob densa fumaça eleitoral, deixando no ar a inevitável dúvida: mesmo com os mecanismos do Estado mais atentos e eficientes na investigação de bandalheiras, ilícitos e desvios, a corrupção tem aumentado nos últimos tempos? Ou os controles têm sido frouxos no combate às ações de larápios que capturam imensa parcela do Tesouro nacional?

Vejamos. Calcula-se a conta da corrupção em R$ 100 bilhões, com o Brasil ocupando a 72.ª posição na lista dos países mais limpos organizada pela ONG Transparência Internacional. A título de comparação, aqui pertinho, o Uruguai está na 19.ª posição e o Chile, na 22.ª. E não é por falta de prisões que a corrupção endêmica se espraia. Entre dezembro de 2008 e dezembro de 2012, o número de detentos no sistema penitenciário brasileiro por crimes contra a administração pública - corrupção e peculato, por exemplo - cresceu 133%, sete vezes mais que o aumento da população carcerária de então. Hoje quase 3 mil pessoas cumprem pena por esses crimes.

A primeira resposta à questão é, portanto, que os mecanismos do Estado têm melhorado seu desempenho tanto nas apurações como na prisão de criminosos. Mesmo assim a corrupção anda a galope. Como se explica a aparente contradição?

Tentemos examinar a questão sob um feixe de fatores. O primeiro diz respeito às transformações por que tem passado a política neste ciclo que os sociólogos designam como sociedade pós-industrial. A política esvazia-se de ideologia, na esteira da alienação que cresce com a abundância e da degradação dos mecanismos tradicionais da democracia liberal (partidos, parlamentos, bases políticas, oposições, etc.). A nova era descortina uma desoladora paisagem de competições ideológicas menos contrastadas e agora ancoradas em vastas organizações de interesses privados, de um lado, e, de outro, em burocratas da administração governamental e, ainda, em entes que abandonaram sua identidade de partidos de massas para alcançar o poder pelo poder (catch-all parties, partidos do agarra tudo o que puderes). Nessa modelagem, também chamada de tecnoburocracia, os especialistas-técnicos acabam formando parcerias com empresas e políticos. A política, por conseguinte, deixa de ser missão para virar negócio. Esse redesenho se projeta na paisagem mundial, com ênfase mais em um ou outro país, porem sem perder as características do modelo que Roger-Gérard Schwartzenberg chama de democracia das organizações.

Pulemos agora para nossas plagas tropicais, onde tal modelagem adquire proporções exageradamente enviesadas em razão de uma cultura política irrigada pelas fontes do passado. Os clássicos da nossa sociologia, como Sérgio Buarque de Holanda, são unânimes ao apontar os "interesses individuais e os familiares intervindo no trato da coisa pública de tal modo que o Estado perde sua função precípua de mantenedor da justiça e da ordem, passando a funcionar exclusivamente em benefício dos grupos que o controlam". A imagem que emerge é a da Grande Família. Honório Hermeto Carneiro Leão, marquês de Paraná, afirmava haver no Brasil "políticos capazes de todas as coragens, menos a coragem de resistir aos amigos". E que empreendimento se pode oferecer aos amigos? Ora, as coisas da res publica, na crença de que o Estado é a mãe, o pai, o herói, o salvador do povo.

Emerge aqui a figura do Estado providencial, com sua sombra se projetando sobre nossa cultura política. Getúlio Vargas, o ditador, deu força ao conceito. Foi ele que contribuiu para reforçar no País o que o pensador José Murilo de Carvalho nomeia como estadania, a cidadania fincada nos vãos do Estado. Diferentemente do modelo inglês de formação da planilha dos direitos, amparada primeiro nas liberdades civis, seguidas por liberdades políticas e por último, os direitos sociais, o Brasil estabeleceu inicialmente os direitos sociais, na sequência os direitos políticos e, por último, os direitos civis. A pirâmide da cidadania virou de cabeça para baixo. Essa inversão explica a valorização do Poder Executivo, capaz de prover necessidades e demandas dos cidadãos. A ilustração da vaca leiteira é recorrente: nela todos querem mamar. Deriva daí a fascinação das massas por quem detém o poder da caneta. Indivíduo e governo se confundem, para deleite dos governantes. O falecido senador Parsifal Barroso recordava os tempos em que governava o Estado do Ceará: "Aí vem o governo" era o que ouvia do povo que acorria para recebê-lo.

Fechemos o circuito: Estado providencial, expansão da vida econômica, cultura arraigada no familismo (filhotismo, nepotismo), tecnodemocracia em expansão, partidos e atores políticos ganhando fatias da massa administrativa, feudos distribuídos aos integrantes da base governista, competitividade acirrada, o que esperar de um país que entrou no ranking dos emergentes? Conviver com o presente, mas deixando os pés amarrados à velha arvore dos "ismos". Ainda mais quando o portfólio de riquezas se abre para os grandes negócios (petróleo, obras de infraestrutura, logística, etc.). A potência emergente tem um olho no futuro e outro no passado.

O poder invisível que age nas entranhas da administração pública se expande. Para ele, vale a pena investir no crime contra o Estado. Ademais, a punição demora, quando ocorre. Os criminosos de colarinho branco acabam usando seu poder ($) para adiar a pena. (Estudos dão conta de que 96% dos danos à sociedade são causados por crimes de colarinho-branco.)

Fechar as comportas da corrupção mais parece utopia. Mas é possível usar a velha receita: mudando as regras da política, coisas boas poderão vir. Importa ter vontade de sustar a metástase que devasta o corpo político. E fazer circular novo sangue.

O medo como método

Merval Pereira
O Globo 

O sociólogo Manuel Castells, um dos maiores especialistas em redes sociais, diz que o medo é a emoção primária fundamental, a mais importante de nossa vida a influenciar as informações que alguém recebe. Os recursos da moderna propaganda estão sendo usados à exaustão nesta campanha para explorar as descobertas mais recentes da neurociência, que já definiu que o eleitor vota mais com a emoção do que com a razão.

Mais uma vez o PT apela para o esquerdismo canhestro para tentar barrar a caminhada da hoje adversária Marina Silva, assim como fez com os candidatos do PSDB em pleitos anteriores. A privatização já foi o argumento da vez, mas, como o próprio governo petista teve que privatizar portos, rodovias e aeroportos para destravar os investimentos, achou-se outro bode expiatório contra Marina, como o Banco Central autônomo ou o petróleo do pré-sal.

Sempre aparentando uma estratégia de esquerda, uma suposta defesa dos desvalidos, o que o PT faz é explorar o medo das camadas menos informadas da população criando fantasmas contra seus adversários. O fenômeno mais interessante desta eleição é a troca de posições entre os candidatos do PSDB e do PSB, com Marina concretizando todos os projetos estratégicos previstos por Aécio Neves quando da campanha ainda participava o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.

Contando com o esquema partidário do PSDB, bem mais capilarizado que o do PSB, Aécio pretendia neutralizar a força do PT no Nordeste com boas votações em estados daquela região onde a oposição se fortalecera depois da eleição de 2010, como Bahia e Ceará, além de contar com a vitória natural de Campos em Pernambuco.

Se em 2010 Dilma elegera-se com votação espetacular no Norte e no Nordeste, onde tirara mais de 11 milhões de votos de diferença para o candidato tucano no 2^ turno, este ano alterações importantes indicavam que a votação naquelas regiões poderia ser diluída entre os três principais adversários, mesmo que Dilma continuasse com vantagem.

A entrada de Marina na disputa, devido à morte trágica de Campos, fez com que se concretizasse a mudança de quadro nas votações, mas a favor dela. Dilma, que teve média de 70% dos votos do Nordeste em 2010, neste momento está com 47%, enquanto Marina tem 31%. Aécio está com a mesma votação que Serra teve em 2010: 8% dos votos nordestinos.

Em PE, Marina manteve a maioria dos votos de Campos e lidera com 45%, enquanto Dilma tem apenas 38%. Na BA, Dilma está à frente com 50%, mas em 2010 teve 67%. Em nenhum dos dois estados, com 43% do eleitorado do Nordeste, Aécio está à frente, embora a coligação DEM-PSDB esteja vencendo a eleição para o governo na Bahia.

No Sudeste, Dilma está com 28%, em contraponto aos 46% que teve na última eleição, pois venceu em Minas. Marina hoje tem 36% dos votos do Sudeste, mais que Serra em 2010, mesmo este tendo vencido em SP. Marina, no momento, vence em São Paulo e disputa o segundo lugar em Minas com Aécio.

Em SP, o governador Geraldo Alckmin pode vencer no 1º turno. O PSDB tem vencido regularmente a eleição para presidente em SP, mas desta vez quem está à frente é Marina. No Rio, onde a presidente teve vitória com 3,7 milhões (43,8%) no 1º turno, e 4,9 milhões (60,5%) no 2º, a candidata Marina Silva lidera as pesquisas, impossibilitando que a presidente Dilma repita sua performance.

O esquema partidário paralelo que Aécio montou com dissidentes da base aliada do governo do estado, que rejeitaram o apoio do PT a Lindbeigh Farias, não está funcionando a seu favor. No Sul, Dilma caiu de 43% para 35%, e tem a mesma votação que Serra em 2010. Marina tem 28%, enquanto Aécio mantém 20%.

Mais um exemplo de que as alianças feitas não estão alavancando Aécio: no Rio Grande do Sul, a senadora do PP Ana Amélia vence para o governo do estado, mas Aécio está em 3º lugar. Marina atualizou seu programa de governo, em especial na parte econômica, e encontrou semelhanças com o eleitorado do PSDB, o que facilitará uma transferência de votos no segundo turno.

O PT, por seu lado, conseguiu dar à campanha o tom de confrontação radicalizada que lhe é propício. Marina terá que contar com a organização partidária dos aliados da oposição para fazer frente à máquina partidária petista no 2º turno. 

O 'Bolsa Voto'

O Estado de S. Paulo

Pesquisa de intenção de voto do Ibope mostra que o eleitorado mais fiel à presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, é formado predominantemente por beneficiários do Bolsa Família. Essa relação, demonstrada pelo Estado (5/9), comprova que os mais de dez anos de distribuição de benefícios sociais criaram e consolidaram a enorme clientela do governo petista - aquela que apoia a presidente com fervor e dificilmente vai alterar seu voto nem mesmo diante das evidências de seus erros administrativos.

Entre o final de agosto e o começo de setembro, a intenção de voto em Dilma entre os beneficiários do Bolsa Família cresceu de 50% para 57% na simulação de segundo turno contra Marina Silva. Já Marina caiu de 37% para 32% nessa faixa de eleitores. Em nenhum outro estrato a diferença a favor de Dilma é tão grande.

Os eleitores que são beneficiados de forma direta e indireta pelo Bolsa Família somam 23% do total, o equivalente a 32,6 milhões de pessoas. Se forem somados os beneficiários de outros programas sociais, como Minha Casa, Minha Vida, ProUni e Pronatec, o eleitorado que recebe alguma assistência do governo chega a 37% do total, algo em torno de 52,5 milhões de pessoas. Nesse universo, Dilma bate Marina por 48% a 39% em um eventual segundo turno - isto é, a diferença a favor da presidente é bem mais estreita do que quando se considera o eleitorado que recebe apenas o Bolsa Família.

Com isso, nota-se a importância do Bolsa Família para a manutenção da lealdade eleitoral, algo que já se intuía e que, agora, se verifica na prática por meio de pesquisas. Quando se exclui do universo de eleitores que recebem benefícios sociais aqueles que ganham o Bolsa Família, Dilma fica atrás: Marina ganharia, em segundo turno, por 47% a 38%.

Ou seja: não é todo benefício social que se traduz em voto firme para os petistas, e sim basicamente o Bolsa Família - aquele que deveria ser provisório e que é cada vez mais permanente, pois o governo que dele se orgulha não só é incapaz de criar as condições para que os beneficiários possam algum dia deixar de recebê-lo, como espera ganhar mais votos quanto maior for o contingente de assistidos.

Quando se analisa o eleitorado que não recebe nem o Bolsa Família nem qualquer outro auxílio do Estado, observa-se que o fôlego do PT e de Dilma diminui de forma acentuada. Nessa fatia, que representa 63% do total de eleitores, Marina abre uma diferença de 16 pontos porcentuais em relação a Dilma (50% a 34%) num segundo turno. Esse estrato responde por cerca de 70% das intenções de voto na candidata de oposição no eventual segundo turno, enquanto pouco mais da metade do total de intenções de voto em Dilma está entre esses eleitores. Pode-se dizer, portanto, que os eleitores que não recebem benefícios sociais não se sentem constrangidos ou impelidos a apoiar Dilma ou o PT - e são bem mais críticos em relação ao atual governo, pois boa parte deles apoia a oposição.

Ainda assim, o programa de governo do PSB prevê não só a manutenção do Bolsa Família, como sua transformação em "política de Estado", desvinculando-o dos desejos dos partidos e governantes de turno. Movimento semelhante já havia sido feito pelo candidato tucano, Aécio Neves. Logo, não há nenhuma liderança política representativa com disposição suficiente para discutir se o Bolsa Família deve ou não continuar a existir - mesmo porque, conforme mostrou a pesquisa do Ibope, nada menos que 75% dos eleitores são favoráveis à sua manutenção.

Nada disso, porém, impede que Dilma - com a intenção de garantir que nenhum naco de sua clientela cativa fique tentada a migrar para a oposição - apele ao discurso do medo, tentando fazer com que os eleitores pobres acreditem que os demais candidatos irão privá-los de seus benefícios.

Assim, Dilma reforça a visão autoritária segundo a qual os brasileiros que saíram da miséria não o fizeram por suas próprias forças, e sim graças à imensa bondade do PT, e somente os petistas são capazes de cuidar deles.

Dilma faz com Marina o que Collor fez com Lula

Ricardo Noblat

O que há em comum entre Dilma e Lobinho?

Conhecido no passado recente como “Lobinho 10%”, o senador Lobão Filho é candidato do PMDB, da família Sarney, de Dilma e de Lula ao governo do Maranhão. Está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto. Perde para Flávio Dino, candidato do Partido Comunista do Brasil (PC do B).

O que há em comum entre Dilma e Lobinho? Aguardem o parágrafo seguinte.

O medo da derrota aproxima Dilma e Lobinho. Bem como a principal arma que os dois usam para tentar vencer: a mentira. Além da mentira, manipulações, exageros, meias verdades e infâmias. 

Dilma e Lobão estão por trás das tempestades perfeitas de críticas que ameaçam afogar a evangélica Marina Silva (PSB) e o católico Flávio Dino.

Filho de Edison Lobão, o ministro das Minas e Energia citado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, como envolvido no escândalo de corrupção da empresa, Lobinho acusa Dino de querer implantar o comunismo no Maranhão.

Sim, senhor, o comunismo que acabou no mundo. Mas para Lobinho não importa. O poder é o que importa. É assim também para Dilma, Lula e o PT.

Resolução do PT diz que Marina é favorável à liquidação do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e do BNDES. Se depender dela, os bancos públicos acabarão esvaziados, o pré-sal perderá importância e a condução da política econômica caberá “a um banqueiro de confiança dos especuladores”. A Petrobras será vendida. E aí? 

Tudo mentira!

“Eu não tenho banqueiro me apoiando” afirmou Dilma. Marina é apoiada por Neca Setúbal, dona de 0,5% das ações do Banco Itaú. Neca nunca trabalhou no banco. Há dois anos, quando ajudou Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, a fazer seu programa de governo, foi apresentada pelo PT como educadora. Agora que ajuda Marina virou banqueira. E aí?

Aí que Dilma mentiu ao dizer que não tem apoio de banqueiro.

Os bancos já doaram R$ 9,5 milhões para a campanha dela. Para a de Marina, menos da metade disso.

"Está escrito no programa [de Marina]: autonomia do Banco Central. Todo mundo sabe o que significa”, disparou Dilma.

O programa de propaganda dela na TV sugeriu que autonomia do Banco Central é igual a faltar comida na mesa dos brasileiros.

Curioso. Em maio de 2010, candidata a presidente da República contra José Serra, Dilma defendeu a autonomia do Banco Central. Do mesmo jeito como Marina faz hoje.

Nos dois governos de Fernando Henrique, os bancos lucraram, em valores atualizados, R$ 31 bilhões. Nos dois governos de Lula, o pai dos pobres, R$ 200 bilhões em números redondos.

Lula sofreu o diabo na mão de Fernando Collor ao enfrentá-lo na eleição de 1989. O mínimo que Collor disse dele foi que era aborteiro e racista. Se ganhasse, garfaria a poupança dos remediados. 

Collor ganhou e garfou a poupança. A corrupção abortou seu mandato pelo meio.

Lula e Collor viraram aliados. Dilma admitiu fazer o diabo para se eleger. Marina sofre o diabo nas mãos dela e de Lula.

Na sabatina de O Globo, na última sexta-feira, Dilma garantiu que nunca teve afinidade com Paulo Roberto Costa, preso como um dos cérebros do esquema de corrupção da Petrobras estimado em R$ 10 bilhões. (O mensalão é troco).

Pois bem: segundo Lauro Jardim, da VEJA, Paulo Roberto foi um dos 300 convidado de Dilma para o casamento de sua filha em abril de 2008, em Porto Alegre. Lá, encontrou Lula que o chamava carinhosamente de Paulinho. E que com ele costumava se reunir para discutir os rumos da Petrobras. 

Arte Antônio Lucena


Janot defende suspensão de propagandas de Dilma com críticas a Marina

Ricardo Brito  
Agência Estado

Foco do procurador-geral Eleitoral são inserções com ataques à proposta de autonomia do Banco Central defendida pela candidata do PSB


O procurador-geral Eleitoral, Rodrigo Janot

O procurador-geral Eleitoral, Rodrigo Janot, defendeu a suspensão das propagandas veiculadas pela campanha da presidente Dilma Rousseff que criticam a proposta da adversária Marina Silva de conceder autonomia operacional ao Banco Central (BC). Em parecer encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira, Janot considerou as peças irregulares ao reconhecer que eles pretendem criar "artificialmente na opinião pública estados mentais, emocionais ou passionais". Tal conduta é proibida pelo Código Eleitoral. A manifestação de Janot pode ser acatada pelo TSE no julgamento do mérito das três ações da campanha de Marina que questionaram a propaganda. O caso deve ser analisado nos próximos dias.

Os advogados da candidata do PSB recorreram na semana passada ao tribunal contra a campanha sob a alegação de que a chapa de Dilma pratica "verdadeiro estelionato eleitoral" ao distorcer a proposta da adversária, uma vez que induz à percepção de que os bancos seriam os responsáveis pela condução da política de controle de juros e de inflação. Os advogados da candidata do PSB sustentam que a propaganda cria uma "cenário de horror" com a implantação da autonomia do BC ao chegar ao "absurdo terrorismo" de que a medida esvaziaria os poderes do presidente da República e do Congresso.

A propaganda, que foi ao ar nos dias 9, 11 e 12 de setembro e também em inserções durante o dia, mostra uma família sentada ao redor de uma mesa de refeição e mostra a comida sendo retirada aos poucos dos comensais à medida que um narrador fala das supostas consequências da autonomia do BC. Na semana passada, o TSE negou três pedidos de liminares apresentados pela defesa de Marina para suspender a propaganda. Contudo, Rodrigo Janot é a favor que o tribunal impeça a veiculação da campanha no julgamento do mérito.

"A cena criada na propaganda impugnada é forte e controvertida, ao promover, de forma dramática, elo entre a proposta de autonomia ao Banco Central e quadro aparente de grande recessão, com graves perdas econômicas para as famílias", afirmam os pareceres de Janot. Para ele, é inquestionável que a crítica meramente política é inerente à campanha eleitoral e constitui típico discurso de embate. "Seus limites, entretanto, não podem ser ultrapassados, a ponto de criar um cenário ad terrorem ou tendencioso, apto a gerar estados emocionais desapegados de experiência real", completaram.

Rodrigo Janot, que também é procurador-geral da República, manifestou-se contrariamente a outro pedido da chapa de Marina: conceder direitos de resposta à candidata do PSB no horário eleitoral reservado à campanha de Dilma. Para Janot, as peças não prejudicaram a candidatura de Marina. Ele disse que "a afirmação, ainda que controvertida, se insere no contexto de opinião pessoal acerca de um plano de governo" e que a visão de que a autonomia do BC signifique a entrega aos banqueiros de um grande poder de decisão sobre a vida das pessoas "não constitui inverdade flagrante, apta a ensejar direito de resposta".

TSE determina retirada do ar de site de apoio a Dilma

Laryssa Borges
Veja online

Site Muda Mais, comandado pelo ex-ministro Franklin Martins, tem feito o papel de liderar os ataques à candidatura de Marina Silva na internet

(André Dusek/Agência Estado/VEJA) 
O ex-ministro Franklin Martins: site Muda Mais foi barrado pela Justiça Eleitoral 

O ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta terça-feira a retirada do ar do site Muda Mais (www.mudamais.com.br), criado pelo PT e comandado pelo ex-ministro Franklin Martins. A página é uma das principais linhas de bombardeio na internet da campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) contra Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB). Na reta final das eleições, a candidata do PSB é o alvo principal das críticas.

Nesta terça-feira, o site Muda Mais criticou Marina por ter contratado o cineasta Fernando Meirelles para atuar em sua campanha após ela própria, como candidata, ter criticado, em seu programa eleitoral, um “Brasil cinematográfico” apresentado por Dilma na TV. Originalmente, a campanha de Dilma tinha dois endereços eletrônicos – o Muda Mais e o dilma.com.br. Porém,por causa de divergências com alguns posicionamentos divulgados pela equipe de Franklin, a campanha de Dilma passou a afirmar que desvinculou-se do Muda Mais. A empresa Digital Polis, que detém o registro da página oficial de Dilma, é vinculada à Polis Propaganda & Marketing, em cujo nome está o site Muda Mais.

Em decisão liminar, o ministro do TSE afirmou que, de acordo com a Lei das Eleições, páginas eletrônicas não podem veicular propaganda política, ainda que gratuitamente. Ele determinou a aplicação de multa diária de 50.000 reais em caso de descumprimento da decisão judicial. Para o magistrado, a manutenção da página, por conter forte conteúdo eleitoral favorável à Dilma, poderia provocar desequilíbrio na disputa eleitoral.

“Entendo que o sítio www.mudamais.com transgride a proibição [da Lei Eleitoral] pois, apesar de estar desvinculado da campanha da candidata Dilma Rousseff e registrado em nome de pessoa jurídica (Polis Propaganda & Marketing Ltda.), continua veiculando propaganda eleitoral irregular em favor daquela”, disse o ministro.

Procurada, a campanha de Dilma Rousseff não respondeu à reportagem.

Pastor Everaldo terá de retirar programa eleitoral contra o PT. Pelo visto, para o TSE só o PT pode ser “injurioso”.

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

(TV Globo) 
Campanha de Pastor Everaldo é condenada 
a tirar propaganda eleitoral contra o PT do ar 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu três liminares em favor da coligação de Dilma Rousseff, que entrou com ações contra propagandas eleitorais do candidato do PSC, Pastor Everaldo. Os programas associam o PT a atos de corrupção. 

Os petistas argumentam que o conteúdo é ofensivo, degradante e injurioso. Na peça representada, Pastor Everaldo diz que o dinheiro dos brasileiros está "sendo roubado" por um "bando de ladrões". "Agora, novamente vemos membros ligados ao governo do PT envolvidos em um escândalo ainda maior (que o do mensalão)", diz o candidato. O ministro do TSE Tarcísio Vieira de Carvalho Neto definiu que o PSC não pode reproduzir o conteúdo até a decisão final da causa. A assessoria do PSC informou que apresentou sua defesa. Para não deixar o horário eleitoral gratuito de rádio e TV fora do ar a partir de amanhã, um programa foi gravado às pressas.

Por meio de nota, Pastor Everaldo manifestou indignação e repúdio à ação impetrada pelo PT. "A atitude do Partido dos Trabalhadores vem confirmar o comportamento autoritário de um partido que não sabe lidar com a crítica", diz o documento. 

A eficácia e os riscos do terrorismo do PT nas eleições

Felipe Frazão e Gabriel Castro
Veja online

Campanha de Dilma reedita – ainda mais agressiva – linguagem televisiva de desconstrução dos adversários para conter onda pró-Marina Silva

(Reprodução/VEJA.com) 
Frame do comercial Dilma na TV - 
"Pré-sal é dinheiro para educação e saúde" 

No auge das eleições de 2002, o PSDB levou à campanha na televisão um depoimento da atriz Regina Duarte até hoje citado – e estudado – por marqueteiros e políticos de todas as matizes. "Estou com medo", dizia a atriz, em referência ao risco de perda da estabilidade econômica conquistada pelo governo Fernando Henrique Cardoso com a possibilidade de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e do Partido dos Trabalhadores. Na época, o mercado financeiro vivia um período de turbulência, uma vez que fazia parte do discurso do PT demonizar a iniciativa privada e abraçar teses como o calote da dívida externa. A peça publicitária causou alvoroço na campanha petista, que reclamou do tom agressivo e do rebaixamento da campanha. Pelas mãos do marqueteiro Duda Mendonça, nasceu o slogan "a esperança venceu o medo". O PT ganhou as eleições de 2002 e as duas seguintes. Após 12 anos, contudo, é o partido que agora adota o "discurso do medo" e, para reeleger Dilma Rousseff — a presidente-candidata que já afirmou que "pode fazer o diabo quando é a hora da eleição" —,  faz dele uma poderosa arma de disseminação de mentiras e boatos.

Em 2006, já instalado no Palácio do Planalto e com um novo marqueteiro, o baiano João Santana – Duda foi arrastado pelo mensalão –, o PT espalhou a suspeita de que o PSDB privatizaria a Petrobras e "venderia" a Caixa Econômica Federal se o tucano Geraldo Alckmin vencesse a disputa contra Lula. Quatro anos depois, os boatos eram que se José Serra (PSDB) derrotasse o então "poste" lançado por Lula, sua ex-ministra Dilma Rousseff, acabaria com o Bolsa Família. Nos dois casos, a avaliação no partido é que a terrorismo funcionou. Com um batalhão de militantes e capilaridade nos rincões do país, boatos como esses têm potencial para se espalhar como rastilho de pólvora. Em 2014, além desses fatores, o PT conta também com um exército virtual nas redes sociais, o que faz da artilharia ainda mais pesada. E, não bastasse, a própria presidente-candidata Dilma Rousseff, com seu padrinho político a tiracolo, têm repetido à exaustão o discurso de terrorismo eleitoral.

Acuado pela possibilidade registrada em pesquisas de que pode deixar o poder depois de três mandatos, o PT lançou uma ofensiva contra a adversária Marina Silva (PSB). Entraram em cena peças publicitárias sugerindo que a eleição de Marina provocaria insegurança institucional – ela foi comparada aos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor, este último, ironicamente, um aliado conveniente do próprio PT. Nesta semana, veio a público a mais aterradora delas: com uma trilha sonora digna de filme de terror, o filme mostra personagens-banqueiros, de gel no cabelo e olhar de predador, conspirando ao redor de uma mesa. Na sequência, uma família de negros sentada à mesa para jantar vê a comida sumir do prato, o suco desaparecer da jarra. O tema é a autonomia do Banco Central brasileiro — proposta defendida por Marina Silva que, segundo a propaganda desinformadora do PT, daria aos bancos privados o poder de retirar das pessoas tudo que elas conquistaram nos últimos anos.

Simultaneamente ao bombardeio na TV, Dilma Rousseff ganhou fôlego nas pesquisas e a arrancada de Marina estancou. O PT não perdeu tempo: na quinta-feira, levou ao ar uma nova peça, nos mesmos moldes, na qual afirma que Marina quer “reduzir a prioridade do pré-sal”, o que acarretaria prejuízo de “1,3 trilhão de reais para a Educação e Saúde” – além de ser uma ameaça ao emprego. Nas imagens, engenheiros debatendo sobre a exploração de petróleo se alternam com crianças tendo aula com livros em branco, as mãos na cabeça em sinal de espanto e a mesa escolar vazia.

"Isso é comum nas campanhas, e o PT faz muito bem. Mas a forma que eles estão usando é exagerada. É terrorista", diz o professor Antonio Flávio Testa, da Universidade de Brasília (UnB). Ele afirma que os 11 minutos e 24 segundos na TV da campanha petista – cinco vezes maior do que o de Marina – torna desigual a guerra de informação. Na opinião de Testa, a candidata do PSB deve articular uma reação mais firme aos ataques para evitar a sangria no primeiro turno. No segundo turno, os candidatos terão o mesmo tempo de televisão.

Reprodução/VEJA 
Propaganda do PT resgata 'discurso do medo' e sugere 
que pessoas voltarão a viver em situação de miséria

A receita não é novidade neste ano. A fórmula e a estética, aliás, são similares à adotada em maio pelo PT. O partido antecipou o que faria logo que as pesquisas de intenção de voto detectaram o desejo de mudança do eleitorado, chacoalhado pelos protestos de junho de 2013, e a queda na intenção de voto em Dilma. Levou ao ar em rede nacional uma inserção partidária dizendo que os “fantasmas do passado” não poderiam voltar. Como Marina era candidata à vice na chapa de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em agosto, o alvo preferencial era o tucano Aécio Neves.

Para o especialista em marketing eleitoral e presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, Carlos Manhanelli, a campanha passou das duas primeiras fases – apresentação biográfica dos candidatos e das propostas de governo. Agora, diz Manhanelli, os candidatos tentarão descontruir a imagem dos adversários para alterar os números das pesquisas eleitorais – a última etapa da campanha na TV. “Esse processo do medo é uma desconstrução da imagem do outro, assim como tentaram com o Lula. A Dilma não tem mais argumento, ela usou todos. Ela agora chegou à fase de usar artimanhas”, diz Manhanelli. 

Revés – 
O currículo vitorioso de campanhas do marqueteiro petista João Santana também é pontuado por uma derrota, atribuída internamente no partido pelo erro ao levar ao ar, nas eleições para a prefeitura paulistana em 2008, uma peça questionando a vida pessoal do então prefeito Gilberto Kassab (PSD), na época adversário de Marta Suplicy (PT). A campanha que perguntava se Kassab “era casado ou tinha filhos” não só minou as chances da petista como maculou a imagem de Marta. É o risco inerente a esse tipo de estratégia eleitoral. 

****** COMENTANDO A NOTÍCIA: 

Campanhas eleitorais: o 'medo' na TV
No link abaixo, os leitores poderão acessar a pagina da Veja online com os vídeos infames produzidos pela campanha de terror e baixaria de Dilma Rousseff.  Nego-me a incorporar no blog tamanha imundície, verdadeiro lixo. 

Clique aqui para assistir aos vídeos: 



Repasse ao Fundeb triplica, mas desempenho de escolas não melhora

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

Entre 2007 e 2013, verba federal foi repassada a dez Estados do Norte e Nordeste, que sequer atingem média nacional no Ideb

(Tiago Lubambo/VEJA) 
O gasto com um aluno da educação básica foi de 2 632 reais em 2008, 
seis vezes menos que o do ensino superior

O repasse da União ao principal fundo de financiamento da educação básica do país, o Fundeb, mais do que triplicou entre 2007, data da sua regulamentação, e 2013. Nesses seis anos, a verba federal foi repassada a dez Estados do Norte e Nordeste que não alcançaram o valor mínimo de investimento por aluno. Apesar da alta nos repasses, a maioria desses Estados nem sequer atingiu a média nacional da rede pública no Índice de Desenvolvimento Básico da Educação (Ideb) de 2013, que mede a qualidade das escolas públicas do país.

A maior parte dos Estados atendidos pelas verbas federais ainda ocupa a lanterna do Ideb, tomando como base tanto a rede pública (que inclui as esferas federal, estadual e municipal) quanto apenas a rede estadual. Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco e Piauí recebem aportes desde 2007. Já Amazonas entrou para a lista em 2008 e Rio Grande do Norte em 2011, segundo dados da Controladoria-Geral da União (CGU).

A transferência de recursos federais para os Estados passou de 2,9 bilhões de reais em 2007 para 9,3 bilhões em 2013, em valores já corrigidos pela inflação (IGP-DI). Trata-se de uma alta real de 221%, 12 vezes o crescimento da economia no período, segundo estudo da Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia da PUC-RS, em parceria com o Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (Sescon-RS).

Além da verba da União, destinada a socorrer entes federativos que não alcançam o investimento mínimo (em 2013, foi de 2.022,51 reais por aluno), o fundo tem ainda recursos estaduais e municipais, que financiam toda a rede pública.

No total, as verbas do Fundeb passaram de cerca de 67 bilhões de reais para 116 bilhões no mesmo período, também descontada a inflação. O dinheiro foi destinado ao pagamento dos salários de professores, compra de equipamentos e manutenção de atividades como merenda e transporte escolar.

Apesar da alta dos investimentos, a nota dos Estados que precisaram de ajuda financeira pouco avançou no Ideb. A situação mais crítica ocorreu no ensino médio. Nessa etapa, as redes estaduais de Alagoas, Maranhão e Rio Grande do Norte não tiveram nenhum tipo de melhora em seis anos. Em dois Estados, o resultado foi pior: Pará teve queda de 2,8 para 2,7 e o Piauí, de 3,1 para 3. Sete dos dez Estados não atingiram as metas para 2013 nesse ciclo — e os objetivos traçados pelo Ministério da Educação, segundo educadores, são pouco ambiciosos.

O Ministério da Educação informou que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) responderia sobre o Fundeb, mas o órgão não se manifestou.