domingo, setembro 28, 2014

Boazinha, com o pescoço dos outros.

Carlos Brickmann
Brickamnn & Associados Comunicação

Dilma é mulher e sempre se disse defensora dos direitos humanos. Como a advogada Samira Saleh al-Naimi, de Mosul, Iraque. Dilma propõe diálogo com o Estado Islâmico, que corta a cabeça de pessoas de outras religiões e trata as mulheres como inferiores. Samira foi assassinada agora pelo Estado Islâmico por defender os direitos humanos. Dilma condenou, em Nova York, quem luta contra o Estado Islâmico. E nem tocou no nome de Samira, vítima da barbárie.

Dilma defendeu os bárbaros, criticou quem luta contra eles e proclamou as excelsas virtudes que enxerga em seu Governo, ao viajar a Nova York para abrir a Assembléia Geral da ONU - tarefa que tradicionalmente cabe ao Brasil. Lá havia 150 chefes de Estado. No entanto, relata o jornal americano Washington Post, a reunião de cúpula da organização beneficente Clinton Global Initiative, organizada pelo ex-presidente americano Bill Clinton, "ofuscou o encontro da ONU". Pergunta o jornal, um dos três mais importantes dos Estados Unidos: "A qual evento você preferiria ir: a um que começa com Leonardo Di Caprio, Eva Longoria e uma banda de rock, ou a um que começa com a presidente brasileira Dilma Rousseff?" Ainda bem que a repercussão foi pequena. Menos vergonhosa.

A má repercussão foi mais forte no Brasil. Tirando os bate-bumbos que acham lindo ser Tiradentes com o pescoço dos outros, Dilma foi muito criticada. Mas não há o que estranhar: a julgar por boa parte dos ministros e auxiliares que escolheu, a presidente não deve acreditar que cabeça seja muito importante.

Fogo alto
A briga é feia entre Dilma e Marina. Uma está chamando a outra de petista.

Quem te viu... 
O ex-presidente Lula, tentando salvar a reeleição do governador Tarso Genro, à beira da derrota para a jornalista Ana Amélia Lemos, disse no horário eleitoral gratuito do Rio Grande do Sul que nunca viu um jornalista se sair bem num cargo do Poder Executivo. A senadora Ana Amélia, do PP (que lá é pró-Aécio), trabalhou na revista Visão e foi uma das estrelas da RBS, afiliada à Rede Globo.

...quem te vê
Lula pode até ter razão. Mas levou para seu Governo, como ministros, o ex-repórter Édison Lobão e o repórter e apresentador Hélio Costa (que tentou eleger governador de Minas). Apoiou o jornalista Eduardo Suplicy para a Prefeitura e o Governo de São Paulo. Apoia um dono de jornal, Henrique Alves, para o Governo do Rio Grande do Norte. Seu vice, em 1989, foi o jornalista Fernando Gabeira, ex-Jornal do Brasil; com a saída de Gabeira, a vice ficou com João Paulo Bisol, ex-RBS. Sarney, seu guru, é dono da TV Mirante e do Estado do Maranhão.

Pois é
O jornalista Elio Gaspari informa que Dilma usa Louis Vuitton. É mala.

Pois pois
Elio Gaspari informa também que Aécio usa Salvatore Ferragamo. Digamos que esses candidatos não têm as mesmas preocupações dos cidadãos comuns.

Sugestão de pauta 
Não é só o presidente venezuelano Nicolás Maduro que conversa com animais. Um passarinho piou a este colunista a sugestão de que alguém pergunte à irmã da ministra Marta Suplicy, Tetê Smith de Vasconcellos, em quem é que vai votar para presidente. Deve ser Dilma, claro. Mas passarinhos sabem o que piam.

Fumaça de los puros
Boteco é para os fracos. Mas existe um substituto perfeito para aquela fraternal convivência de boteco, só que com preços bem mais altos para bebidas e petiscos da mesma qualidade. Como é bom cultivar a tolerância! Há um ministro do Supremo que frequenta a mesma tabacaria em São Paulo, na elegante região dos Jardins, utilizada por boa parte dos investigados na Operação Lava Jato.

Hermanos, irmãos
Com um dia de intervalo, Brasil e Argentina implantaram mais um controle de passageiros de voos internacionais, com exigências parecidíssimas. As empresas aéreas têm de informar ao Governo a frequência com que o passageiro viaja, e até mesmo a poltrona que ocupa no voo. 

Coincidência, não é mesmo?

Cavalos dele... 

Roberto Requião, candidato do PMDB ao Governo do Paraná, em seu mandato anterior (de 2003 a 2010) colocou 88 de seus cavalos na Granja Canguiri, residência oficial do governador; lá, eles eram alimentados e tratados por conta dos cofres públicos. O Regimento da Polícia Montada da PM do Paraná precisou destacar seis soldados para cuidar da cavalhada. Todos esses dados constam do relatório final de um inquérito policial-militar, assinado pelo comandante da PM paranaense, coronel César Vinícius Kogut, e divulgado pela Folha de S.Paulo. O IPM foi encaminhado à promotora Cláudia Cristina Madalozo e à Justiça Militar.

...dinheiro nosso
De acordo com o IPM, Requião mantinha os cavalos para passeios matinais com amigos. Mantinha também no local, sempre à custa do dinheiro público, antas, cachorros, porcos, pavões e veados. 

E os burros aqui pagavam a conta.

carlos@brickmann.com.br 
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Contas a pagar

Carlos Alberto Sardenberg 
O Globo

No Brasil, país jovem e de renda média, governo gasta 12% do PIB em aposentadorias, incluindo a dos funcionários públicos

O mais eficiente dos programas sociais foi a valorização do salário mínimo, com reajustes acima da inflação desde a implantação do Plano Real, em 1994. Naquele momento, a grande reivindicação dos movimentos sindicais era o mínimo de US$ 100, valor rapidamente alcançado e politicamente alardeado pelo então presidente FH. É verdade que, de início, ajudou o truque do real valorizado em relação à moeda americana. Depois, com a desvalorização do real, o mínimo foi para baixo. Mas hoje, mesmo que o dólar dispare até R$ 4, o salário mínimo ainda fica na casa dos 200 dólares. Isso forçou os demais salários para cima, distribuiu renda e melhorou muito a vida dos aposentados do INSS, especialmente da área rural.

Eis a vantagem e eis o baita problema: o piso do INSS é um salário mínimo, de maneira que a conta da Previdência também sobe acima da inflação. Em números redondos, o governo federal paga o mínimo para cerca de 20 milhões de beneficiários do INSS. Portanto, um mísero real de aumento no mínimo custa nada menos que R$ 260 milhões/ano para o governo federal.

Para 2015, o aumento será de pelo menos R$ 65, conforme a regra legal. O índice de reajuste é igual ao crescimento do PIB de dois anos atrás (2,5% em 2013) mais a inflação do último ano (digamos, 6,3% agora em 2014). Ou seja, 8,8%, levando o mínimo para R$ 788,09, como consta da última versão da Orçamento. Só aí, tem um custo adicional para a Previdência de pouco menos de R$ 17 bilhões. Incluindo outros pagamentos do governo federal vinculados ao mínimo, o acréscimo de despesa vai a R$ 22 bilhões, dinheiro suficiente para mais de uma refinaria de petróleo, bem planejada, é claro.

Essa regra de reajuste vale só até este ano. Assim, em 2015, primeiro ano do próximo presidente, será preciso aprovar uma nova regulamentação. E parece claro que as finanças públicas não permitem a continuação desses extraordinários ganhos reais. Além disso, formou-se uma injustiça distributiva. Os aposentados do INSS que ganham mais de um mínimo tiveram reajustes bem menores, apenas acompanhando a inflação. Com o passar dos anos, esses aposentados viram cair seus rendimentos quando calculados em proporção ao piso. Resumindo: a pessoa se aposentou ganhando dez mínimos e hoje está recebendo cinco. Pode-se argumentar que o valor real dos benefícios foi preservado, mas como tudo na vida é comparação...

O fato é que há uma demanda dos trabalhadores para o que consideram a reposição do valor das aposentadorias acima do mínimo. Quem se aposentou com dez mínimos considera um direito voltar a esse valor.

Só aí, o próximo presidente tem duas maldades a fazer, se for para colocar as contas em ordem. Reduzir o reajuste do mínimo e negar a reposição aos demais aposentados.

Acrescente aí o fator previdenciário, uma fórmula de calcular a aposentadoria por tempo de contribuição e por idade, que reduz o valor do benefício e desestimula a retirada precoce. Em resumo, obriga a pessoa a trabalhar mais anos se quiser receber o benefício pleno.

A norma foi introduzida no governo FH como um quebra-galho. Substituiu a regra fixando idade mínima para aposentadoria, prevista em emenda constitucional que não passou no Congresso. Resumindo, portanto, trata-se de uma política aplicada em todos os países que já têm gastos públicos elevados com aposentadoria: fazer com que as pessoas trabalhem mais, contribuam mais e ganhem menos.

No Brasil, um país jovem e de renda média, o governo gasta algo como 12% do PIB em aposentadorias, incluindo a dos funcionários públicos. É o mesmo patamar de nações ricas e velhas, como França.

Tudo considerado, temos: o governo gasta muito com aposentadorias; o governo gasta muito no geral; há demanda forte para manutenção dos ganhos reais para o mínimo e correção das aposentadorias de valor mais elevado.

As normas vigentes até aqui contribuíram para melhorar a renda e o consumo. E ajudaram a arruinar as contas públicas. Desmontar isso é, pois, um custo social, político e econômico.

Não é de estranhar que os candidatos não queiram falar desses temas. Ou que fiquem dando voltinhas.

Mas não há como a sociedade brasileira fugir dessa questão, se pretende assentar bases para um crescimento sustentado. O governo já recolhe em impostos quase 40% do PIB e gasta tudo. Não tem mais de onde tirar. Logo, é necessário reduzir gastos públicos. Não tem como escapar disso. Não escapamos de um freio nas aposentadorias. Mas tem um jeito de fazer o ajuste preservando os gastos sociais básicos. Basta privatizar tudo que não for social.

É, isso mesmo, privatizar, outro tema....

Papel de centroavante não é o de fazer gols

Fernando Gabeira
O Estado de S. Paulo

Dilma Rousseff não para de nos surpreender. Agora disse que o papel da imprensa não é o de investigar, mas, sim, divulgar as informações que produzem os órgãos do governo.

Minha surpresa é maior ainda. Dilma apresentou a Lei de Acesso à Informação, depois de longo trabalho da Associação Brasileira do Jornalismo Investigativo. A lei foi impulsionada pelo trabalho do jornalista Fernando Rodrigues, que sugeriu a criação de uma frente parlamentar, monitorou todas as reuniões da comissão da Câmara que analisou o projeto, organizou seminários e trouxe gente de vários países para falar sobre o tema. Por que tanto empenho dos repórteres na aprovação de uma lei de acesso? O próprio nome de sua entidade é uma pista que Dilma não poderia desprezar: jornalismo investigativo.

Dizer que a imprensa não deve investigar é o mesmo que dizer que um centroavante não deve fazer gols. É uma frase absurda até para quem não conhece bem o futebol. E absurda para quem conhece o papel histórico da imprensa. A geração de Dilma acompanhou o escândalo do Watergate, que encerrou a carreira de Richard Nixon. Ela sabe disso e usou o tema para dizer que sua frase foi interpretada erroneamente. Com um pedacinho de papel na mão, ela tentou consertar o desastre.

Poderia passar o dia citando casos de importantes investigações da imprensa. Prefiro mencionar os casos de governos que pensam que esse não é o papel dos jornalistas. Vladimir Putin, por exemplo, também acha que o papel da imprensa não é investigar. A jornalista Anna Politkovskaia resolveu investigar o trabalho das tropas russas na Chechênia e foi assassinada. Sua morte chamou a atenção do mundo para a repressão contra a imprensa na Rússia.

A China expulsa correspondentes estrangeiros com frequência, ora por tentarem entrar em áreas proibidas no Tibete, ora por mencionarem a fabulosa riqueza pessoal dos burocratas que dirigem o país. E o jornal cubano Granma jamais vai investigar de forma independente um desmando do governo porque o castigo é desemprego, prisão e até pena de morte.

O jornalistas brasileiro Vladimir Herzog foi morto sob tortura durante o regime militar não tanto porque investigou, mas talvez porque só desconfiasse ativamente das notas oficiais da ditadura. No governo do PT não se persegue ou mata jornalista, dirão seus defensores. Mas não deixa de ser inquietante suspeitar que isso não se faça agora só porque a correlação de forças não permite. Um dirigente petista chamado Alberto Cantalice fez uma lista de nove jornalistas que considera inimigos, preocupando as entidades do setor aqui e fora do Brasil.

A frase de Dilma pode ser considerada um ato falho. Os intelectuais que se mantêm fiéis ao esquema, apesar das evidências de sua podridão, sempre vão encontrar uma forma de atenuar essa barbaridade. E os marqueteiros, um pequeno texto para convencer de que ouvimos mal o que Dilma disse. Os ato falhos, tanto em campanha como fora dela, são extremamente didáticos. No caso, a frase de Dilma revela com toda a clareza o pensamento autoritário da presidente: cabe ao governo produzir as informações e à imprensa divulgá-las ou até criticá-las, o que os jornalistas não podem é buscar os dados por conta própria.

Numa célebre intervenção sobre a espionagem americana, Dilma contou ter dito a Barack Obama: "Quando a pasta de dente sai do dentifrício, não pode mais voltar". Certas frases, quando escapam, têm o mesmo destino do creme dental: não podem voltar para o tubo, que é o artefato que Dilma queria mencionar ao dizer dentifrício. Espero que Obama a tenha entendido, com a mediação dos intérpretes. Creio que a entendo muito bem quando diz que o papel da imprensa não é investigar.

O governo petista pôs o Congresso de joelhos e alterou substancialmente a correlação de forças no Supremo Tribunal. Ele considera que a ocupação de todos os espaços vai garantir-lhe não só governar como quiser, mas o tempo que quiser. Porém a imprensa e as redes sociais ainda escapam ao seu controle. E creio que escaparão sempre, pois o País está dividido. O que mantém tudo funcionando é a existência de gente curiosa, que lê, troca informações e gosta de ser informada por órgãos independentes do governo. Mesmo se Dilma for reeleita, com sua truculência mental, uma considerável parte do Brasil que rejeita os métodos e o discurso do PT continua por aí, cada vez mais forte e mais crítica.

Apesar da alternância democrática, certos governos podem durar muitos anos. Mas creio ser impossível se perpetuarem quando têm a oposição das pessoas que prezam a liberdade.

Liberdade de quê?, perguntariam. Consumir mais, melhorar a renda não ampliam a liberdade? Ao se impor na Franca, o socialismo de Jean Jaurès e, mais tarde, de Léon Blum dizia que a justiça política tinha de se acompanhar da justiça econômica. Blum era um fervoroso e racional defensor da República. O PT inventou que seus opositores não gostam de pobre em aviões ou em shopping centers, que a oposição ao seu governo é fruto de intolerância classista.

Exceto um ou outro idiota, ninguém é contra a presença de pobres em aeroportos ou shoppings. O PT deturpou a ideia de República. Em nome de melhorias econômicas, armou o maior esquema de corrupção da História e agora flerta abertamente com a supressão da liberdade de imprensa. Ele usa uma aspiração republicana para sufocar as outras e seu líder máximo, amarfanhado, se veste de laranja para defender de inimigos imaginários a Petrobrás, que o próprio governo assaltou. Suas farsas estão mais grotescas e os atos falhos, mais inquietantes.

Sou do tempo do mimeógrafo. Ainda que consigam devastar a imprensa e proibir a internet, publicações clandestinas seguirão contando a história. Não faremos comissões futuras para investigar a verdade. Vamos conquistá-la aqui e agora, porque, como diz Dilma, a pasta saiu do dentifrício, ou o dentifrício saiu da pasta. Só não vê quem não quer ou é pago para confundir.

Estranho, mas não tenho nenhum medo de governos autoritários. Apenas uma sensação de tristeza e preguiça por ter de voltar a esses temas na segunda década do século 21.

Petrolão para todos

Guilherme Fiuza
O Globo 

Se o esquema irrigou tantos companheiros nos últimos 12 anos, imagine no pré-sal. Ninguém mais vai precisar trabalhar

Dilma sobe nas pesquisas, a bolsa despenca, e lá vêm os gigolôs da bondade denunciar a trama capitalista contra o governo do povo. Mas o que dizer então da bolsa eleitoral? Quanto mais apodrece o escândalo da Petrobras, mais Dilma se recupera nas pesquisas. Será que o eleitor está querendo virar sócio do petrolão?

Só pode ser. O espetáculo da orgia na maior empresa brasileira chegou ao auge com a delação premiada do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Em ação raríssima entre os oprimidos profissionais, o réu decidiu abrir o bico. Talvez tenha aprendido com a maldição de Valério — que demorou a soltar a língua, e de repente a quadrilha (desculpe, ministro Barroso) já estava em cana. E seu silêncio não valia mais nada. Diferentemente do operador do mensalão, o despachante do petrolão não quer mofar. E saiu entregando os comparsas.

Apontou duas outras diretorias da Petrobras como centrais da tramoia, dando os nomes dos seus titulares — indicados, que surpresa, pela cúpula do PT. Isso em plena corrida presidencial. Então a candidata petista está ferida de morte, concluiria um marciano recém-chegado à Terra. Não, senhor marciano: após o vazamento da delação, a candidata do PT subiu nas pesquisas.

Ora, não resta outra conclusão possível: o eleitor quer entrar na farra do petrolão. Está vendo quantos aliados de Dilma encheram os bolsos com o duto aberto na Petrobras, e deve estar achando que alguma hora vai sobrar um qualquer para ele. É compreensível. Se o esquema irrigou tantos companheiros nos últimos 12 anos, imagine quando a prospecção chegar ao pré-sal. Ninguém mais vai precisar trabalhar (a não ser os reacionários que não cultivarem as relações certas).

É o show da brasilidade. O operador do petrolão é colocado no cargo no segundo ano do governo Lula, indicado por um amigo do rei já lambuzado pelo mensalão. No tal cargo — a Diretoria de Abastecimento da Petrobras —, ele centraliza um esquema bilionário de corrupção, que floresce viçoso à sombra de três mandatos petistas. A exemplo do mensalão, já se sabe que o petrolão contemplava a base aliada do governo popular. E quase 40% dos brasileiros estão dizendo que votarão exatamente na candidata desse governo lambuzado de petróleo roubado.

Mas os progressistas continuam sentenciando, triunfais: o Brasil jamais será o mesmo depois das manifestações de junho de 2013. Nesse Brasil revolucionário, cheio de cidadãos incendiados de bravura cívica, a CPI da Petrobras, coitada, agoniza em praça pública. Sobrevive a cada semana, a duras penas, com mais um par de manchetes da imprensa burguesa e golpista, que insiste em sabotar o programa do PT (Petrolão para Todos). Tudo em vão. Com uma opinião pública dessas, talvez os companheiros possam até desistir do seu plano chavista de controle da imprensa: o assalto à Petrobras não faz nem cócegas no cenário eleitoral. Contando, ninguém acredita.

O marciano está tonto. Pergunta, angustiado, que fim levou o escândalo da Wikipédia. Tinham dito a ele que dois jornalistas influentes — da teimosa parcela dos que não se venderam ao governo popular — tiveram seus perfis adulterados com graves difamações, e que isso fora feito de dentro do Palácio do Planalto. Agora informam-no que o selvagem da Wikipédia, outra surpresa, é filiado ao PT. E funcionário do Ministério das Relações Institucionais de Dilma. O inocente ser de Marte pergunta, já com falta de ar, o que a presidente da República está fazendo para provar que o espião não está seguindo diretrizes da cúpula do governo.

A resposta faz o marciano desmaiar: nada. Dilma Rousseff não precisou fazer absolutamente nada para provar que o criminoso palaciano não seguiu ordens superiores. Apesar da folha corrida do PT na arte de montar dossiês e traficar informações sobre adversários, o Brasil deixou por isso mesmo. Como também tinha deixado a combinação de perguntas e respostas na CPI da Petrobras, com participação do mesmo Ministério das Relações Institucionais. Nem uma passeata, nem uma ruazinha fechada, nem um cartaz, nem uma queixa no Twitter. Os brasileiros abençoaram a guerra suja do PT para ficar no poder.

O Brasil está louco para virar Argentina. Assistiu chupando dedo à tentativa de golpe no IBGE, com a tentativa de interrupção da pesquisa de emprego. Agora o mesmo IBGE, de forma inédita, apresenta seus indicadores anuais e desmente os dados no dia seguinte. Como até o marciano sabe, a companheira Kirchner adestrou o IBGE de lá, que passou a fazer música para os ouvidos do governo. O PT segue firme nessa escola, com sua já famosa maquiagem contábil, que acaba de raspar o Fundo Soberano para ajudar a fechar a conta da farra.

O eleitor está certo: vamos reeleger Dilma. Assim chegará o dia em que não apenas a elite vermelha, mas todo brasileiro terá direito à propina própria. Chega de desigualdade.

Que a ONU não perca a oportunidade!

Maria Helena RR de Sousa (*)
Brickmann & Associados Comunciação

... presidenta de um país que enfrentou galhardamente as decapitações no seu estado do Maranhão, sabe que não é pela força bruta que se resolvem esses problemas, mas pelo uso da força das palavras exatas, no tempo certo, i.e., pela diplomacia. Será que a ONU vai perder a oportunidade de enviar...


A presidente da República Federativa do Brasil, presidenta Dilma Rousseff, mulher de fibra, de coragem e que deplora o sentimentalismo exagerado dos que se chocaram com a violência e a crueza do ISIS, abriu a 69ª Assembleia Geral da ONU com um discurso excelente que não foi compreendido pela imprensa tupiniquim.

Dona Dilma recordou a todos os que se achavam no plenário da ONU o que ela e Lula não se cansam de repetir: o Brasil acabou com a miséria, com a fome, com a desigualdade e com a mortalidade infantil e combateu a homofobia, além de seu governo lutar em favor da transparência e do combate à corrupção.

Ela acentuou que três em cada quatro brasileiros integram a classe média e os estratos superiores da sociedade. Como segundo o IBGE somos 201 milhões, façam as contas, senhores, e vejam o tamanho de nossas classes média e superiores! É estupendo!

Enfim ela fez um retrato desta potência, no que fez muito bem. Não era possível deixar que o resto do mundo só visse o Brasil como o país cujos cidadãos gastaram em oito meses 17 milhões de dólares em compras e passeios no exterior!

Somos muito mais do que isso e temos uma chefa que não se curva diante de país algum. Por exemplo, querer que o Brasil assinasse a Declaração de Nova York sobre Florestas quando já reduzimos em 79% o desmatamento das florestas nos últimos dez anos! Onde já se viu tamanho desaforo?

Pois ela não assinou coisa nenhuma!

E por que cargas d’água ela se curvaria aos desejos de certos chefes de Estado no combate ao ISIS? O uso da força, nesses casos, seria uma prova de fraqueza intelectual e moral! 

Mas dona Dilma, presidenta de um país que enfrentou galhardamente as decapitações no seu estado do Maranhão, sabe que não é pela força bruta que se resolvem esses problemas, mas pelo uso da força das palavras exatas, no tempo certo, i.e., pela diplomacia.

Será que a ONU vai perder a oportunidade de enviar dona Dilma como sua Embaixadora Plenipotenciária para dialogar com o ISIS? 

Não creio que com sua vida atribulada desde mocinha ela tenha tido tempo de aprender muitas línguas, mas para isso ela tem a assessoria do brilhante Marco Aurélio Garcia, que seria um embaixador ex aequo et Bono.

Da minha parte, além da confiança em sua atuação, tenho, sinceramente, muita pena dos membros do ISIS. Eles não sabem o quanto é cortante um meu querido dito em dilmês!

Que a ONU não perca a chance única que lhe foi dada por Deus e envie, o mais urgente que puder, dona Dilma ao encontro do ISIS.

São meus votos.

* Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa - Professora e tradutora. Vive no Rio de Janeiro. Colabora para diversos sites e blogs com seus artigos sobre todos os temas e conhecimentos de Arte, Cultura e História. Ainda por cima é filha do grande Adoniran Barbosa. 

Nosso homem no califado

Demétrio Magnoli
Folha de São Paulo 

O Brasil tornou-se o primeiro e único país do mundo a reconhecer o Estado Islâmico

Você pensa que Dilma Rousseff foi a Nova York gravar filmes de propaganda eleitoral no palco iluminado da Assembleia Geral das Nações Unidas? Talvez fosse esta a intenção exclusiva, mas a viagem presidencial deixou um inesperado rastro de destruição. Em dois dias, o governo provou a tese de que o Brasil não pode almejar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Entre as 2.511 palavras de um discurso provinciano, obviamente revisado por João Santana, não apareceu o termo "terrorismo". Contudo a peça desviou-se do roteiro principal para, mirando a guerra em curso contra o Estado Islâmico (Isis), diagnosticar a inutilidade do "uso da força" e a natureza contraproducente da "intervenção militar". Na entrevista à imprensa internacional, a posição brasileira foi pintada com tintas mais nítidas, o que resultou numa obra quase surrealista.

Dilma condenou diretamente os bombardeios na Síria, divergindo da maioria dos países do Oriente Médio, que participam da operação ou a respaldam politicamente. O tom da condenação ficou vários decibéis acima do utilizado pela Rússia e pelo Irã, que se limitaram a registrar protocolarmente a violação de uma insubstancial "soberania síria". O próprio regime sírio, interessado no enfraquecimento militar do Isis, preferiu mesclar esse registro inevitável com uma declaração de apoio ao "combate contra o terror". É só o conforto gerado pela irrelevância diplomática e pela distância geográfica que propiciou à presidente a chance de exercer o curioso direito à irresponsabilidade.

O Brasil tem razões para introduzir temas que não se inscrevem no discurso de Washington sobre a versão 2.0 da "guerra ao terror", recordando os desvios abomináveis da versão original, de George W. Bush. Há pouco, o conservador britânico Boris Johnson, ex-prefeito de Londres, sugeriu casualmente descartar a presunção de inocência de qualquer um que viaje à Síria ou ao Iraque sem notificação prévia, transferindo ao "suspeito" o ônus de provar que não participa da rede do terror. Os ecos de Guantánamo e da autorização da tortura devem servir para guarnecer a vulnerável fortaleza das liberdades civis. Dilma, porém, não pronunciou nenhuma palavra sobre os princípios da lei nas democracias, escolhendo a estrada da delinquência diplomática.

Na entrevista, Dilma jogou num saco abrangente coisas tão distintas quanto a invasão do Iraque, em 2003, a operação aérea na Líbia, em 2011, a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza, em julho, e os bombardeios contra o Isis, para repudiar "o morticínio e a agressão dos dois lados", referindo-se à coalizão liderada pelos EUA (um lado) e ao Isis (outro lado). No jargão diplomático, "dois lados" é a senha para o conflito entre Estados ou, no mínimo, entre forças combatentes legítimas. Por essa via, incidentalmente, e salvo algum desmentido futuro, o Brasil tornou-se o primeiro e único país do mundo a reconhecer o Estado Islâmico. Diante disso, o que é aquele célebre 7 a 1?

"Dois lados." Nessa linha, nossa presidente ofereceu sua alternativa à operação de guerra: "o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU". Como, simultaneamente, pela voz de seu secretário-geral, a ONU solidarizava-se com os bombardeios, Dilma colocou o Brasil em rota de colisão com as Nações Unidas.

A ideia de "diálogo" com o Isis, formulada quando os terroristas decepavam mais uma cabeça, talvez agrade ao antiamericanismo primitivo que hipnotiza as correntes mais anacrônicas da esquerda brasileira, mas não protegerá os curdos, as minorias religiosas e as mulheres ao alcance da fúria jihadista. Entretanto o governo brasileiro obrigou-se moralmente a levá-la adiante --e, parece-me, temos em Marco Aurélio Garcia a figura ideal para cumprir a missão de plenipotenciário de paz em Mossul (Iraque) ou Raqqa (Síria), as sedes do califado.

O autorretrato de Dilma

O Estado de S. Paulo 
Editorial

Por ter chorado numa entrevista ao dizer que fora "injustiçada" pelo ex-presidente Lula, a candidata Marina Silva foi alvo de impiedosos comentários de sua rival Dilma Rousseff. "Um presidente da República sofre pressão 24 horas por dia", argumentou a petista. "Se a pessoa não quer ser pressionada, não quer ser criticada, não quer que falem dela, não dá para ser presidente da República." E, como se ainda pudesse haver dúvida sobre a sua opinião, soltou a bordoada final: "A gente tem que aguentar a barra". Passados apenas oito dias dessa suposta lição de moral destinada a marcar a adversária perante o eleitorado como incapaz de segurar o rojão do governo do País, Dilma acabou provando do próprio veneno.

Habituada, da cadeira presidencial, a falar o que quiser, quando quiser e para quem quiser - e a cortar rudemente a palavra do infeliz do assessor que tenha cometido a temeridade de contrariá-la -, a autoritária candidata à reeleição foi incapaz de aguentar a barra de uma entrevista de meia hora a três jornalistas da Rede Globo, no "Bom dia, Brasil". A sabatina foi gravada domingo no Palácio da Alvorada e levada ao ar, na íntegra, na edição da manhã seguinte do noticioso. Os entrevistadores capricharam na contundência das perguntas e na frequência com que aparteavam as respostas. Se foram, ou não, além do chamamento jornalístico do dever, cabe aos telespectadores julgar.

Já a conduta da presidente sob estresse, em um foro público, por não ditar as regras do jogo nem, portanto, dar as cartas como de costume entre as quatro paredes de seu gabinete, é matéria de interesse legítimo da sociedade. Fornece elementos novos, a menos de duas semanas das eleições, sobre o que poderiam representar para o Brasil mais quatro anos da "gerentona" quando desprovida do conforto dos efeitos especiais que lustram a sua figura no horário de propaganda e, eventualmente, do temor servil que infundiu aos seus no desastroso primeiro mandato. Isso porque os reverentes de hoje sabem que não haverá Dilma 3.0 em 2018 nem ela será alguém na ordem das coisas a partir de então.

A presidente, que tão fielmente se autorretratou no Bom Dia, Brasil é, em essência, assim: não podendo destratar os interlocutores, maltrata os fatos; contestadas as suas versões com dados objetivos e ao alcance de todos quantos por eles se interessem, se faz de vítima como a Marina Silva a quem, por isso, desdenhou. Cobrada por não responder a uma pergunta, retruca estar "fazendo a premissa para chegar na conclusão (sic)", ensejando a réplica de ficar na premissa "muito tempo". É da natureza dessas situações com hora marcada que o entrevistado procure alongar-se nas respostas para reduzir a chance de ser atingido por novas perguntas embaraçosas. Some-se a isso o apreço da presidente pelo som da própria voz - e já estaria armado o cenário de confronto entre quem quer saber e quem quer esconder.

Mas o que ateou fogo ao embate foram menos as falsidades assacadas por Dilma do que a compulsiva insistência da candidata, já à beira de um ataque de nervos, em apresentá-las como cristalinas verdades. Quando repete que não tinha a mais remota ideia da corrupção em escala industrial na diretoria de abastecimento da Petrobrás ocupada por Paulo Roberto Costa de 2004 (quando ela chefiava o Conselho de Administração da estatal) a 2012 (quando ocupava havia mais de um ano o Planalto), não há, por ora, como desmascarar a incrível alegação. Mas quando ela afirma e reafirma - no mais desmoralizante de seus vexames - que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) não mede desemprego, mas taxa de ocupação, e não poderia, portanto, ter apurado que 13,7% dos brasileiros de 18 a 24 anos estão sem trabalho, é o fim da linha.

Depois da entrevista, o programa fez questão de convalidar os números da jornalista que a contestava. De duas, uma, afinal: ou Dilma, a economista e detalhista, desconhece o que o IBGE pesquisa numa área de gritante interesse para o governo - o que simplesmente não é crível - ou quis jogar areia na verdade, atolando de vez no fiasco. De todo modo, é de dizer dela o que ela disse de Marina: assim "não dá para ser presidente da República".

Deixem o Paulinho do Lula delatar em paz!

José Nêumanne  
O Estado de S. Paulo

O ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que o ex-presidente Lula chamava na intimidade de Paulinho, alimentou, durante algum tempo, a ilusão de que uma eventual delação dele abalaria a República a ponto de ameaçar a realização das eleições de outubro. Seria ele um megalomaníaco? Por mais que as informações que resolveu repassar à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público (MP) sobre a roubalheira na estatal sejam de fato relevantes e ameacem a reputação de vários figurões graduados no alto comando dos Poderes republicanos, ninguém cogitou em momento algum de adiar a disputa. E mais ainda: essa delação não alterou o cacife eleitoral dos candidatos à Presidência de forma mais significativa do que o fez a queda em Santos do avião em que viajava o presidenciável socialista Eduardo Campos.

Não que suas revelações sejam de pouca monta. O que ele já disse e ainda tem a contar é muito relevante e muito grave, como demonstra o pouco que vazou até agora. O suficiente para irritar a ainda favorita à vitória, a presidente petista Dilma Rousseff, que tem passado a impressão generalizada de que se preocupa mais em evitar vazamentos do que em tomar conhecimento dos delitos gravíssimos cometidos para punir os responsáveis por eles.

Os executivos do poder federal e parlamentares eventualmente citados nesses vazamentos também não têm sido atingidos diretamente em suas pretensões de ascensão na carreira. O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), continua favorito na eleição para governador de seu Estado, o Rio Grande do Norte. O mesmo ocorre com o filho de Renan Calheiros (PMDB), que disputa o governo de Alagoas, e o de Edison Lobão (PMDB), que é o preferido do clã Sarney na sucessão de Roseana, no Maranhão. O próprio ministro de Minas e Energia continua fagueiro no posto, embora meio à sombra dos holofotes depois de ter dito à chefona Dilma que as acusações contra ele seriam falsas.

Mesmo tendo sido fundamental para a eleição de pregadores da moral e dos bons costumes, casos de Jânio Quadros e Fernando Collor, no passado, a corrupção como cavalo de batalha volta a ser agora, como já o fora nas duas disputas perdidas pelo brigadeiro Eduardo Gomes, lana caprina. Em artigo em que não se refere à gatunagem, talvez por achá-la irrelevante, o diretor da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Joaquim Falcão, listou uma série de motivos para o eleitor apartidário votar de novo no governo. Está na cara que a economia degringola, e o autor reconhece isso, mas, como ele aduziu, decide-se o voto na vida real e no instante atual.

Falta aos opositores à candidata à reeleição autoridade moral para isolá-la na fogueira de bruxa do furto do erário. O nome do socialista Eduardo Campos certamente vai figurar entre os maganões republicanos citados pelo Paulinho de Lula. Embora nem de longe isso afete a reputação de sua sucessora na corrida presidencial, Marina Silva, é claro que qualquer "malfeito" (para adotar o educadíssimo eufemismo empregado por Dilma para evitar termos pesados como furto na definição de delitos cometidos pela "companheirada") de Eduardo poderá fragilizá-la.

O caso dos tucanos, embora não citados nos vazamentos que tiram o sono dos governistas, é diferente, mas também não é muito confortável. À medida que a quebra do silêncio pelo delator vai jogando lama na reputação dos maiorais, fica cada dia mais claro que têm relação entre si os três escândalos mais estrondosos dos últimos 12 anos: a morte de Celso Daniel, o mensalão e a roubalheira na Petrobrás. O que já era sabido se tornou comprovado quando apareceu na papelada de Meire Poza, contadora do doleiro Alberto Youssef, o documento do "empréstimo" do operador do mensalão a uma personagem na morte do ex-prefeito de Santo André.

Não foi à toa que a presidente da República cometeu o lapsus linguae de negar aos jornalistas seu direito (na verdade, dever, pois o direito de ser informado é do cidadão) de investigar. Ela até quis corrigir, mas sua frase, de uma clareza incomum em seu estilo, é injustificável. O delator do mensalão, Roberto Jefferson, contou que no Congresso o assunto era conhecido. E não foi revelado pela oposição, mas, sim, por uma entrevista dele à Folha de S.Paulo. A oposição, comprometida no caso pela origem tucana do esquema em Minas, não se empenhou em esclarecer a confissão de Marcos Valério ao MP de que teria dado R$ 6 milhões a Ronan Maria Pinto para este parar de chantagear Lula e Gilberto Carvalho pelo envolvimento de ambos não na execução de Celso Daniel, mas na garantia de impunidade para os assassinos. Revelada pelo Estado, a transação teve a prova achada pela PF.

A oposição cobra de Dilma sua omissão nos furtos na Petrobrás, pois ela foi ministra de Minas e Energia, chefe da Casa Civil, presidente do Conselho de Administração da estatal e presidente da República enquanto o Paulinho de Lula e seus comparsas assaltavam a empresa. É estarrecedor que alguém pretenda ser uma "gerentona" eficiente sem ter percebido o óbvio. Mas o mesmo se pode dizer do Tribunal de Contas da União e dos parlamentares oposicionistas, que não tomaram conhecimento, por exemplo, de documentos em que o roubo era denunciado interna corporis na empresa.

Como um meliante enviou R$ 1 bilhão para o exterior sem que autoridades ou parlamentares ficassem sabendo? Como um subalterno (caso do delator) pôde cobrar uma propina milionária na compra da refinaria belga no Texas, denunciada pela Veja? O procurador-geral Rodrigo Janot e o juiz Sérgio Moro têm razão ao negar a Dilma (para quem o gatuno "tinha credenciais" para ser diretor da estatal) e à oposição acesso à confissão que a Nação quer que seja levada a termo. E é espantoso que isso não interfira nos votos dos lesados.

Pessidilma

Alexandre Schwartsman
Folha de São Paulo

A culpa é sempre dos outros: a seca, a chuva, a safra, os EUA, a China, o câmbio ou o "Pessimildo"

Por que não conseguimos trazer a inflação de volta à meta? Simplesmente porque o governo federal não quer, fato aparente em suas repetidas mostras de satisfação com uma taxa que não ultrapasse o limite superior permitido, 6,5%.

Há pouco, por exemplo, a presidente afirmou que "a inflação tenderá para o centro da meta a partir de novembro ou dezembro", mesmo reconhecendo que fechará o ano apenas pouco abaixo do nível crítico. Essa fala isoladamente não significa muito, mas afirmações como essa abundam, não apenas no discurso presidencial, mas também no que se refere a praticamente todas as autoridades econômicas.

O próprio Banco Central, supostamente o responsável pela manutenção da inflação próxima à meta, comemorou acintosamente até quando a inflação ficou exatamente em 6,5% (em 2011).

Como de hábito, a culpa é sempre dos outros: a seca, a chuva, a safra, os Estados Unidos, a China, o câmbio ou o "Pessimildo"; jamais resultado do manejo inadequado de política econômica, manifesto na visível piora das contas públicas, assim como de uma política monetária temerária, que reduziu a taxa de juros mesmo em face de inflação alta e crescente.

E, como sempre, a promessa é de queda da inflação no ano que vem, ou no próximo. A convergência lenta, às vezes "não linear", e nunca verdadeira, é geralmente justificada como uma tentativa de preservar o nível de atividade.

Na prática, porém, independentemente de termos registrado inflação média superior a 6% ao ano nos últimos quatro anos, o país chega ao fim deste período com crescimento medíocre, inferior a 2% ao ano e muito próximo de zero em 2014.

E nem adianta argumentar que as coisas teriam sido ainda piores caso houvesse um esforço para conter a inflação.

Como se sabe, a relação negativa entre crescimento e inflação só existe em prazos curtos; ao longo de quatro anos teria sido possível trazer a inflação de volta à meta a tempo de retomar o crescimento e compensar qualquer perda de produto, ainda mais porque, até 2011, o BC ainda dispunha da credibilidade herdada de gestões anteriores.

A verdade é que o descaso com o problema tem agravado a questão do crescimento. Nem tanto porque uma taxa de inflação na casa de 6% produza, por si só, um estrago muito maior do que uma taxa de 4,5%, mas, sim, por causa das tentativas desastradas de lidar com a alta de preços por meio de intervenções diretas na economia.

O congelamento do preço da gasolina, por exemplo, teve forte impacto negativo na capacidade de investimento da Petrobras. Adicionalmente, "amassou" o setor de açúcar e álcool, dando uma lição inesquecível àqueles que acreditaram nas palavras do governo acerca do futuro de biocombustíveis.

Já a intervenção no setor elétrico deve ter liquidado qualquer fiapo de confiança acerca do respeito às regras do jogo.

Não é por outro motivo que o investimento, como já destacado neste espaço, apresenta quatro trimestres consecutivos de queda, recuando a níveis observados pela última vez em 2007.

Da mesma forma, para evitar que a inflação se cristalize acima do limite permitido, o BC tem feito pesadas intervenções no mercado de câmbio, afetando negativamente nossas exportações.

Em outras palavras, a falta de disposição para combater a inflação e a aceitação tácita que bastaria mantê-la levemente abaixo do limite superior para poder decretar vitória nos colocaram numa situação delicada. Para evitar chegar a patamares superiores ao permitido no fim deste ano, o governo recorreu a controles de preços e câmbio, com consequências adversas para nosso crescimento.

A culpa, portanto, não é do "Pessimildo", mas da "Pessidilma", a gestora iluminada que, por sua conta e risco, abandonou o bem-sucedido regime macroeconômico que nos assegurava a estabilidade, obtendo em troca inflação alta e crescimento risível, uma combinação verdadeiramente inigualável. Vai para o trono ou não vai?

Por que, fora do Brasil, ninguém prestou atenção ao discurso de Dilma na ONU?

Tribuna da Internet
Gustavo Chacra, O Estado de São Paulo

Ninguém, fora do Brasil, se importa com o discurso da presidente brasileira na Assembleia Geral da ONU (nos anos anteriores, com a espionagem da NSA e Palestina, houve uma maior atenção). O mesmo valia para época que Fernando Henrique Cardoso estava no poder. Lula, na primeira vez, causou algum impacto porque no Ocidente, onde Brasil não costuma ser considerado ocidental, as pessoas adoram o exotismo do Brasil e histórias de vida romanceadas como a do ex-presidente. Marina Silva, se eleita, também atrairá holofotes em sua primeira visita a Nova York como presidente porque tem uma história exótica na forma como o Ocidente gosta de enxergar o Brasil, ligada à Amazônia.

Normalmente, na ONU, as pessoas apenas prestam atenção nos discursos dos presidentes dos EUA, do Irã e, em menor escala, de Israel e da Palestina. Além, claro, de seus próprios presidentes. Mesmo representantes da Grã Bretanha e da França causam pouco impacto – procure declarações deles na imprensa brasileira nos próximos dias. De ano para ano, dependendo do tema em discussão, prestam mais atenção em algum líder, como Morsy, então presidente do Egito, dois anos atrás. Além, claro, de figuras esquisitas, como Fidel e Kadafi – neste caso, mais pelo surrealismo destes líderes.

O discurso de Dilma não foi transmitido por nenhuma das redes de TV de notícias dos EUA – Fox News, CNN, MSNBC e Al Jazeera America. Uma delas colocava a chamada “Awaiting Obama”, enquanto comentaristas especulavam sobre o discurso. Não teve e não terá nenhum impacto fora do Brasil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O artigo, enviado por Ricardo Sales, é interessante e verdadeiro. Essa situação só mudará quando Brasil tiver um presidente de verdade, que saiba atuar como um dos líderes dos BRICS, firmando acordos de desenvolvimento com esses importantes países e com nações que cultivam uma postura independente, como a Suécia. Lula e Dilma são primários, não enganam ninguém. Fernando era um pavão fantasiado de político, não tem a menor ideia do significado da expressão “interesse nacional”. Resumindo: procura-se um estadista no Brasil. (C.N.)

A injustiça social de Dilma

Vinicius Torres Freire 
Folha de São Paulo

A desigualdade de renda no Brasil ficou na mesma entre 2011 e 2013, os três primeiros anos de governo de Dilma Rousseff. O bem-estar social no entanto aumentou bem nesses anos, inclusive no fraquinho 2013. Isto é, a renda de todas as classes cresceu. Ainda assim, a candidata-presidente Dilma Rousseff (PT) será avacalhada de modo extremo, portanto oportunista, culpada pelo fato de que a distribuição de renda parou de melhorar (não piorou).

A campanha petista vai provar um pouco do gosto do lixo ignaro que despejou na campanha marinista com aquela história de banqueiros do demo.

Isto posto, nem de longe está tudo azul ou rosa no Brasil que aparece no balanço anual da situação socioeconômica, publicado ontem pelo IBGE, a Pnad 2013.

Primeiro, porque em um país ainda muito iníquo como o Brasil não é possível aceitar sem mais que a desigualdade deixe de diminuir. Segundo, porque ao menos parte dessa estagnação se deve ao baixo crescimento da economia dos anos Dilma. Terceiro, porque o governo não teve imaginação ou capacidade de alterar algumas características sociais e econômicas do país, as quais produzem desigualdade.

Repita-se que o bem-estar social, no que depende da renda, pode melhorar mesmo sem redução da desigualdade. Talvez a melhora se torne assim desnecessariamente mais lenta. A renda de todas as "classes" aumentou em 2013 ("classe" aqui é cada décimo em que é dividida a população). Mas os rendimentos dos 10% ou 20% mais pobres cresceram menos.

O que pegou? Provavelmente, reajustes menores do salário mínimo devido ao crescimento menor da economia, do PIB (o mínimo reajusta benefícios previdenciários e assistenciais, embora não o Bolsa Família). O crescimento menor do emprego também deve ter feito estragos.

É possível ainda que a redução adicional e rápida da desigualdade dependa agora de programas política e economicamente mais difíceis de implementar. Para dar dois exemplos elementares:

1) Mexer nos impostos de modo a favorecer os mais pobres, assim como melhorar a redistribuição de renda (as transferências de renda nem sempre favorecem os mais pobres);

2) Melhorar a educação e a infraestrutura de modo a retirar os mais pobres de trabalhos improdutivos, quando há trabalho, em especial em cafundós sem infraestrutura (sem estrada, sem acesso a mercados etc.): agricultores de subsistência, catadores em geral, prestadores de serviços primitivos, empregados do microcomércio precário, para ficar apenas em casos aberrantes.

Mas há mais: o Brasil tolera que se empreguem pessoas em ocupações de produtividade e salários baixos (para não falar do desperdício humano): frentista, cobrador de ônibus, porteiro, segurança. Falta de escola e baixo investimento dá nisso.

O governo até que se mexeu um pouquinho, com Pronatec, subsídios para faculdades (ruins...) e microcrédito. Mas é muito pouquinho. A escola básica é o que sabemos, e o investimento em infraestrutura (ou quase qualquer outro) decresceu devido à política econômica ruim.

A Pnad aliás diz coisas interessantes sobre escola, infraestrutura social e consumo. Mas isso fica para outro dia. 

Reverso da fortuna

Dora Kramer
O Estado de São Paulo

Ainda que o PT consiga renovar sua permanência por mais quatro anos no Palácio do Planalto, o partido não será o mesmo depois dessa eleição. Sairá dela menor do que entrou.

Talvez não de maneira significativa do ponto de vista do número de deputados e senadores, mas certamente sob o aspecto político e principalmente no que diz respeito à meta que o PT se impôs quando, em outubro de 2002, ganhou nas urnas seu primeiro passaporte de acesso ao poder central.

A ideia era construir uma hegemonia política de forma a que o partido fosse o centro desse universo em torno do qual as legendas ditas aliadas girassem sem brilho próprio nem força suficiente para sobreviver de maneira independente. A oposição, pelo plano, deveria ser reduzida a uma insignificante formalidade para assegurar a aparência democrática.

Graças à firmeza das instituições, à liberdade de imprensa, ao excesso de sede ao pote que levou o PT a escancarar demais seus projetos de controle provocando reação contrária e à ambição que despertou revolta nos partidos da coalizão, o projeto não prosperou conforme o esperado.

Isso se expressa na dificuldade que a candidata à reeleição está enfrentando e aparece também no quadro das disputas estaduais. Dos 26 estados e mais o Distrito Federal, o PT está em primeiro lugar em apenas quatro deles, sendo que só um (Minas Gerais) tem peso político e densidade eleitoral.

Tal fragilidade vai se refletir no Congresso. Se ganhar a Presidência, os atritos que arrumou com os parceiros na tentativa de fazê-los submissos apresentarão a fatura. Se perder, deve se preparar para enfrentar a fuga daqueles que aderiram por interesse e não são adeptos da dieta de pão e água.

Cenografia. 
Os Poderes Executivo e Legislativo insistem em importunar o Judiciário com essa história de pedir acesso aos depoimentos de Paulo Roberto Costa no acordo de delação premiada antes de concluído o inquérito e, se for o caso, oferecida a denúncia pelo Ministério Público.

A Polícia Federal já negou a solicitação, a Procuradoria-Geral da República também. Agora o assédio é sobre o Supremo Tribunal Federal. Na sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff anunciou o envio do pedido ao ministro Teori Zavascki.

“Eu quero saber”, disse ela. Antes, quando a revista Veja publicara alguns nomes de políticos citados por Costa, a presidente havia se aborrecido com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, porque ele não a informara sobre o que estava sendo dito nos depoimentos iniciados no dia 29 de agosto.

A presidente critica com veemência o vazamento de informações, mas o que ela pediu ao ministro, à PF, à Procuradoria e agora ao STF é que essas instâncias quebrem o segredo de Justiça. Isso não é possível. Tanto a presidente quanto os deputados e senadores sabem disso.

Portanto, se insistem, é porque fazem jogo de cena. Pretendem passar a ideia de que tomam providências, quando não tomaram quando estas estiveram ao seu alcance. O governo fez vista grossa ao esquema de corrupção na Petrobras agora delatado e depois usou a base governista como tropa de choque para impedir as investigações no Congresso.

Os parlamentares aliados, que nesta semana farão o teatro do pedido de liberação no gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal, tampouco fizeram a sua parte quando ainda era tempo. Agora é tarde.

O silêncio do ex-diretor da estatal na sessão da CPI semana passada falou por si. Quando esteve lá em junho, logo depois de libertado e ainda sem saber que seria preso de novo e corria o risco de ser condenado a pesadas penas, Paulo Roberto falou. Disse que nada havia de errado na companhia. Na versão dele à época, um primor de correção à prova de qualquer auditoria.

Agora calou em público para preservar o valor do que diz em segredo de Justiça, seu único trunfo.

Pronta a persistir nos mesmos erros

Rogério Furquim Werneck (*)
O Globo

Não se vê, no discurso da presidente Dilma, o mais tênue sinal de disposição para corrigir o rumo da política econômica

Aos trancos e barrancos, o governo chega ao primeiro turno da eleição presidencial com a economia fazendo água por todos os lados. Apesar do represamento do câmbio e dos preços de energia létrica e combustíveis, a inflação em 12 meses rompeu o teto de tolerância da meta. Em queda há 17 semanas, a mediana das expectativas de crescimento do PIB em 2014 já não passa de mísero 0,3%. Com o saldo da balança comercial praticamente zerado, o déficit em conta corrente deste ano deverá ser de mais de US$ 80 bilhões, ou 3,5% do PIB. E, na esteira de um longo processo de perda de credibilidade do registro das contas fiscais, o resultado primário do setor público em 2014, extirpado de receitas e despesas não recorrentes, deve ser inferior a 0,5% do PIB. Mesmo quem nunca nutriu ilusões sobre o que esperar desse governo jamais imaginou que o desastre pudesse atingir tais proporções.

O que é especialmente desanimador é que não se vê, no discurso da presidente Dilma, o mais tênue sinal de disposição para corrigir o rumo da política econômica, à luz dos equívocos cometidos nos últimos anos. A impressão que se tem é que a intenção da candidata à reeleição é dobrar a aposta e persistir nos mesmos erros, na vã esperança de que o desempenho da economia no segundo mandato acabe por lhe dar razão.

O que o Planalto contemplava era poder conduzir a campanha da reeleição no mundo encantado de João Santana, ao largo de qualquer discussão mais séria sobre o desempenho da política econômica. Mas a rápida deterioração do quadro econômico, as críticas dos demais candidatos e o assédio da mídia vêm tornando essa estratégia cada vez mais difícil. E deixando claro que a presidente não tem qualquer proposta articulada de reorientação da política econômica, para fazer face às dificuldades que vêm sendo enfrentadas.

É o que ficou evidente na entrevista concedida por Dilma Rousseff no programa “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo, que foi ao ar na manhã de segunda-feira. Instada pelos entrevistadores a esclarecer como pretende reverter o quadro de estagnação e inflação alta, caso seja reeleita, a candidata gastou nada menos que oito minutos em uma resposta repleta de evasivas, subterfúgios e rodeios, da qual pouco ou nada se salva.

Na resposta, a presidente se aferra ao diagnóstico turrão — e conveniente — de que não há nada de errado com sua política econômica e que tudo decorre da crise econômica mundial. Como “a situação do mundo está extremamente problemática”, o país “está na defensiva em relação à crise internacional”, empenhado em “proteger emprego, salário e investimento”. Não houve a mais leve menção ao fato de que, não obstante esse suposto empenho, o investimento está em queda há quatro trimestres.

Pressionada pelos entrevistadores a ser mais específica, Dilma revela, afinal, que sua ideia é “apostar numa retomada”. E apressa-se em esclarecer que “na retomada, você muda a sua política econômica de defensiva para ofensiva” e que “eu posso, na retomada, gastar menos para sustentar emprego, salário e investimento”. Mas logo recua: “Só que investimento eu tenho de manter.” Se não, “eu comprometo emprego e salário”.

“Então o que nós achamos?”, indaga Dilma. “Nós achamos que a gente tem de ver como é que evolui a crise”, pois, “se ela evoluir para uma situação um pouco melhor”, o país “pode entrar em uma outra fase, que precisa menos estímulos”, “pode ficar mais entregue à dinâmica natural da economia e pode, perfeitamente, passar por uma retomada”.

Parece difícil de acreditar, mas não foi mais do que isso que a candidata a presidente que, com folga, lidera as pesquisas de intenção de voto no primeiro turno, tinha a dizer sobre como pretende lidar com os sérios desafios de política econômica que o país tem pela frente.

Se o leitor não teve oportunidade de ver a entrevista, pode recorrer ao site do programa, onde estão disponíveis tanto o vídeo como a transcrição. É imperdível.

(*) Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio

Ética: um conceito cada vez mais divorciado da política

Josie Jeronimo 
Revista ISTOÉ

O vale-tudo eleitoral, as mentiras das campanhas, as candidaturas de políticos corruptos e os recentes escândalos nos Três Poderes expõem a crise dos valores éticos no País

As primeiras eleições presidenciais depois da ditadura militar, realizadas em 1989, ficaram marcadas pela acirrada disputa entre o “caçador de marajás” Fernando Collor de Mello e o petista Luiz Inácio Lula da Silva. Na reta final da campanha, quando as pesquisas apontavam empate técnico entre os dois concorrentes, Collor levou ao programa de TV o depoimento de Miriam Cordeiro. Ex-namorada de Lula, ela o acusava de ter proposto um aborto quando estava grávida de Lurian, filha do casal, na época com 15 anos.


A cartada foi decisiva para a vitória de Collor e o episódio entrou para a história brasileira como a primeira grande baixaria política da democracia que se instalava no País. O que poderia servir de exemplo sobre práticas a serem esquecidas e condenadas pela sociedade, porém, tornou-se regra das campanhas eleitorais. Nos 25 anos seguintes à refrega de 1989, a ética e a política seguiram caminhos distintos. Sucessivos escândalos de corrupção em quase três décadas de democracia revelaram aos brasileiros uma profunda crise nos valores que deveriam nortear o comportamento dos governantes. Apesar de avanços inegáveis, como a Lei da Ficha Limpa, hoje prevalece nas campanhas e no exercício do poder um vale-tudo que contamina candidatos e instituições. Os programas dos partidos apresentados no rádio e na TV expõem ataques pessoais, acusações infundadas, mentiras e distorções sobre as propostas dos adversários. Nesta semana que antecede o dia das eleições, o jogo bruto das campanhas tende a se intensificar. Nesse ambiente de abusos, resta aos eleitores redobrar a atenção na hora do voto, método mais eficiente na tentativa de resgatar os valores éticos tão imprescindíveis a uma sociedade desenvolvida em todos os aspectos.

A tática do jogo sujo ficou tão banalizada que nem mesmo as autoridades escondem seus maus costumes. Em março do ano passado, num lampejo de sinceridade, a presidenta Dilma Rousseff revelou em um discurso feito na Paraíba sua filosofia nas disputas pelo poder: “Podemos fazer o diabo quando é hora de eleição”. Pelo que se viu nas últimas semanas, Dilma e outros candidatos cumprem à risca esse ensinamento. A falta de filtros morais no jeito de fazer política se manifesta desde a negociação das coligações, acertadas na maioria das vezes em função de mais tempo nos programas de TV, até a formação dos governos, definida em função do rateio de cargos em todos os escalões. “A ética brasileira foi cunhada pelo absolutismo, que centraliza os poderes do Estado, mas que por não ser um governo totalmente legítimo precisou cativar os setores que poderiam se rebelar. Daí nasceu a troca de favores e a venda de cargos”, afirma o professor da Unicamp Roberto Romano, especialista em filosofia política e ética.


Estudo elaborado pela ONG alemã Transparência Internacional
 situa o País na 72ª posição entre 177 nações analisadas 
sob o critério de percepção de corrupção

Esse sentimento de subversão generalizada dos preceitos republicanos tem reflexos deletérios para a imagem do Brasil no mundo. O último estudo elaborado pela ONG alemã Transparência Internacional situa o País na 72ª posição entre 177 nações analisadas sob o critério de percepção de corrupção. Pelas projeções feitas sobre os resultados de 2014, a tendência é piorar essa classificação. “Há criminosos candidatos que não foram enquadrados pela Lei da Ficha Limpa, e escândalos como o da Petrobras impactam os avaliadores. Fica a impressão de que no setor público até os contratos de faxina têm esquema de corrupção e que sem propina nem o cafezinho é servido”, afirma Léo Torresan, presidente da Amarribo, associação que representa a organização alemã em solo brasileiro.
Os exemplos da falta de honestidade apareceram com força logo depois da primeira eleição direta para a Presidência. Em 1992, o então presidente, Fernando Collor, foi submetido a um processo de impeachment após ser alvo de denúncias de corrupção. No governo Fernando Henrique Cardoso, para aprovar a emenda constitucional que permitiu a reeleição de ocupantes de cargos executivos, deputados foram acusados de vender seus votos. Em 2005, no mais rumoroso caso de corrupção da história recente, os brasileiros foram surpreendidos com o “mensalão”, nome pelo qual ficou conhecida a transferência de dinheiro ilegal do PT para partidos aliados. O então presidente Lula se defendeu com o argumento de que se tratava de “caixa 2” de campanha, o que configura crime eleitoral, mas é disseminado por quase todas as legendas. O STF, porém, entendeu que se tratava de compra de apoio parlamentar. Com isso, foram parar na cadeia alguns figurões do PT, como o ex-ministro José Dirceu, da Casa Civil, e o ex-presidente do partido José Genoino.



A lista de escândalos com dinheiro público, no entanto, não escolhe partidos. No ano passado, os brasileiros souberam pela ISTOÉ que, no Estado de São Paulo, durante as gestões tucanas de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin foi montado um propinoduto em que autoridades, em troca de verbas para campanhas do PSDB paulista, usavam influência política para interferir na assinatura de contratos com as empresas Alstom e Siemens para a construção do metrô. Investigações identificaram pagamento de R$ 13,5 milhões só em propinas. No Distrito Federal, o então governador José Roberto Arruda teve a carreira interrompida depois de divulgadas imagens de um vídeo que o mostraram recebendo pacotes de dinheiro ilegal. O envolvimento no caso provocou a prisão de Arruda, por dois meses, na sede da Superintendência da PF em Brasília. Apesar da imoralidade das imagens, até três semanas atrás, Arruda liderava as pesquisas para governador. Ele só decidiu desistir da disputa depois que teve a candidatura impugnada pelo TSE com base na Lei da Ficha Limpa. Mais recentemente, irrompeu o escândalo da Petrobras. Em depoimento sob o regime de delação premiada, o ex-diretor da estatal, hoje preso, acusou parlamentares, governadores e ministros do governo Dilma de participação de um esquema de corrupção que sangrou os cofres da Petrobras em bilhões. O próprio delator admitiu ter recebido US$ 23 milhões de uma única empreiteira.

Os métodos condenáveis não são exclusividade do Executivo e Legislativo do País. Mancham também o Judiciário. Embora não seja crime, a prática de indicar parentes para cargos de destaque se tornou corriqueira nos tribunais. É o que faz atualmente o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Fux está empenhado em assegurar a nomeação de sua filha Marianna Fux para desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ela disputa o posto com outros 38 cidadãos com credenciais para a função. A pressão do ministro do STF ganhou repercussão nacional nos últimos dias e fez com que a OAB mudasse o processo de escolha, com o objetivo de blindar-se de possíveis críticas de favorecimento à filha do ministro. Letícia Mello, filha de outro ministro do STF, Marco Aurélio de Mello, teve sucesso em empreitada semelhante. Em abril deste ano, ela tomou posse como desembargadora no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo). Marco Aurélio afirmou, à época, que não pediu votos aos desembargadores, mas reconheceu que telefonou para agradecer a atenção que os magistrados deram à filha quando ela os visitou nos gabinetes.

"Fica a impressão de que no setor público até os contratos de faxina têm
esquema de corrupção e que sem propina nem o cafezinho é servido",
afirma Léo Torresan, presidente da Amarribo



O presidente da Câmara, Henrique Alves, quer que o juiz Marlon Reis,
idealizador da Lei da Ficha Limpa, seja punido pela publicação de um
livro em que relata casos de parlamentares corruptos

Na atual campanha eleitoral, os exemplos de tentativas de ludibriar os eleitores surgem aos borbotões. Durante entrevista na semana passada ao telejornal “Bom Dia Brasil”, da TV Globo, a presidenta Dilma apresentou números econômicos irreais contestados de imediato pelos jornalistas. Ao forjar situações inexistentes, distorcer e falsear dados oficiais, os políticos conseguem piorar uma prática tornada pública, involuntariamente, em 1994, pelo então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero. Na ocasião, enquanto aguardava o momento em que seria entrevistado pela TV Globo e, sem saber que o microfone estava aberto, Ricupero expôs o que nenhuma autoridade diz em público. “Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”, disse o ministro. Captadas por aparelhos com antena parabólica, o ministro perdeu o cargo.

Apesar das evidentes rupturas com os princípios éticos, a realidade demonstra como é difícil mudar o comportamento dos poderosos. Em junho do ano passado, as ruas das principais cidades brasileiras foram tomadas por milhões de pessoas que protestavam por mudanças na política e nos governos. Agora, no entanto, observa-se a dificuldade em institucionalizar esse clamor. O mesmo aconteceu com a “Primavera Árabe”, nome pelo qual ficaram conhecidas as manifestações que sacudiram países do Oriente Médio e do norte da África a partir de dezembro de 2010. Passada a turbulência inicial, muita coisa continua como antes. No Egito, por exemplo, depois da derrubada do ditador Hosni Mubarak, a disputa pelo poder no país continua sendo travada pelos militares e pela Irmandade Muçulmana. Também no Brasil, a história demonstra que mesmo as grandes rupturas ocorridas em nome do combate à corrupção se revelaram inócuas. Em 1954, Getúlio Vargas cometeu suicídio quando seu governo era acusado pelos adversários de se ter transformado em um “mar de lama”. Dez anos depois, os militares deram um golpe e assumiram o poder com a bandeira da moralidade, mas foram escorraçados do poder em 1985 quando a censura não conseguia mais abafar o que ocorria nos porões do regime autoritário.

A poucos dias do primeiro turno das eleições, ainda há tempo para os brasileiros provocarem uma interferência efetiva na triste realidade. Somente o eleitor, na solidão da cabine de votação, pode afastar os maus políticos. Se dependêssemos apenas das autoridades, não haveria solução. O melhor exemplo disso talvez tenha sido dado pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves. Na semana passada, ele encaminhou ao Conselho Nacional de Justiça uma representação contra o juiz Marlon Reis, um dos principais responsáveis pela aprovação da Lei da Ficha Limpa. Alves quer que Reis seja punido pela publicação de um livro em que relata dezenas de casos de parlamentares envolvidos em corrupção. “Afirmei e reafirmo que há entre os deputados pessoas que alcançaram seus mandatos por vias ilícitas. Estes precisam ser detidos, o que demanda uma profunda mudança do vigente sistema eleitoral, corroído por uma mercantilização do conceito de política”, diz o juiz. O primeiro passo para isso pode ser dado pela sociedade no dia 5 de outubro.

Corruptos, tremei!
Com a aposentadoria do ministro Joaquim Barbosa, é do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba Sérgio Moro o título de algoz dos corruptos, atualmente. Moro é considerado o principal especialista brasileiro no crime de lavagem de dinheiro. À frente do Caso Banestado, criou método de trabalho que levou à condenação de 15 réus e o mapeamento da movimentação irregular de U$ 30 bilhões. Aos 41 anos, o magistrado tem um extenso currículo. Assessorou a ministra Rosa Weber durante o julgamento do mensalão, em 2012, e agora é o responsável pelo processo da Operação Lava Jato, escândalo que abala as estruturas do poder por envolver a Petrobras e parlamentares da base governista.

ALGOZ
O juiz Sérgio Moro é o responsável pelo
processo da Operação Lava Jato

Campanha de Dilma em 2010 pediu dinheiro ao esquema do 'petrolão'

Rodrigo Rangel
Revista VEJA

Paulo Roberto Costa, no processo de delação premiada, diz às autoridades que, no fim do governo Lula, o ex-ministro Antonio Palocci o procurou para pedir 2 milhões para a nova disputa à Presidência

(Dida Sampaio/Estadão Conteúdo/VEJA)
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, presta depoimento
 à CPI da estatal sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, 
e as obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco 

Há três semanas, VEJA revelou que o ex-diretor da Petrobras havia dado às autoridades o nome de mais de trinta políticos beneficiários do esquema de corrupção. A lista, àquela altura, já incluía algumas das mais altas autoridades do país e integrantes dos partidos da base de apoio do governo do PT. Ficou delineada a existência de um propinoduto cujo objetivo, ao fim e ao cabo, era manter firme a adesão dos partidos de sustentação ao governo. 

O esquema foi logo apelidado de “petrolão”, o irmão mais robusto mas menos conhecido do mensalão, dessa vez financiado por propinas cobradas de empresas com negócios com a Petrobras. À medida que avançava nos depoimentos, Paulo Roberto ia dando mais detalhes sobre o funcionamento do esquema e as utilidades diversas do dinheiro que dele jorrava. Era tudo tão bizarro, audacioso, inescrupuloso e surpreendente mesmo para os padrões da corrupção no mundo oficial brasileiro, que alguém comparou o esquema a um “elefante-voador” — algo pesadamente inacreditável, mas cuja silhueta estava lá bem visível nos céus de Brasília.

A reportagem de VEJA estampada na capa da edição de 10 de setembro passado revelou a mais nítida imagem do bicho. Ninguém contestou as informações. Agora, surge mais um “elefante-voador” originário do mesmo ninho do anterior. Paulo Roberto Costa contou às autoridades que, em 2010, foi procurado por Antonio Palocci, então coordenador da campanha da presidente Dilma Rousseff. O ex-diretor relatou ter recebido o pedido de pelo 2 milhões de reais para a campanha presidencial do PT. 

A conversa, segundo o ele, se deu antes do primeiro turno das eleições. Antonio Palocci conhecia bem os meandros da estatal. Como ministro da Fazenda, havia integrado seu conselho de administração. Era de casa, portanto, e como tal tinha acesso aos principais dirigentes da companhia. Aos investigadores, Paulo Roberto Costa contou que a contribuição que o ex-ministro pediu para a campanha de Dilma sairia da “cota do PP” na Petrobras.

Quando as autoridades quiseram saber se o dinheiro chegou ao caixa de campanha de Dilma em 2010, Paulo Roberto limitou-se a dizer que acionou o doleiro Youssef para providenciar a “ajuda”. Pelo trecho da delação a que VEJA teve acesso, Paulo Roberto Costa diz não poder ter certeza de que Youssef deu o dinheiro pedido pela campanha de Dilma, mas que “aparentemente” isso ocorreu, pois Antônio Palocci não voltou a procurá-lo.

PSB quer apuração de espionagem contra Marina

Exame.com
João Domingos, Estadão Conteúdo

PSB irá pedir ao Ministério Público que apure o uso da estrutura do Ministério da Justiça para espionar candidata Marina Silva

Vagner Campos/MSILVA Online 
Marina Silva: PSB pede que MP apure espionagem à candidata

Brasília - O PSB vai requerer ao Ministério Público que apure o uso da estrutura do Ministério da Justiça para espionar a candidata do partido à Presidência da República, Marina Silva. "Houve uma intervenção não republicana do Estado para fins eleitorais e partidários", disse o deputado Walter Feldman, coordenador da campanha de Marina, ao comentar as informações de que o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, visitou no dia 5 de setembro, à noite, o diretor da Polícia Federal, Leandro Daiello, para se informar sobre um inquérito que corria em segredo de Justiça e investigava supostas irregularidades cometidas na Pasta durante a gestão da candidata do PSB.

A informação sobre as andanças de Paulo Abrão foram publicadas pela revista semanal Veja e pela Folha de S. Paulo desta sexta-feira. De acordo com a notícia, o encontro não constava da agenda oficial de Abrão e teria ocorrido a pedido do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O inquérito investigaria suspeita de corrupção em benefícios que teriam sido concedidos à empresa de cosméticos americana Natural Source International Ltd. Entre os nomes citados na investigação estaria o do empresário Guilherme Leal, dono da Natura e ligado a Marina. Abrão justificou que buscava informações para uma revista. Mas não disse qual.

"Isso que ocorreu foi muito grave e compromete todas as instituições democráticas", disse Feldman. "Nosso departamento jurídico já foi acionado. É a inversão deslavada do uso da estrutura do Estado, o que nos leva a perder a credibilidade nas instituições", disse Feldman. Existem também informações de que integrantes do PT têm visitado o Ministério do Meio Ambiente atrás de irregularidades no uso do cartão corporativo, viagens a trabalho e convênios com ONGs durante a gestão de Marina Silva (2003/2008).

Na quarta-feira (24), o presidente do PT, Rui Falcão, atacou a campanha de Marina durante entrevista coletiva. Ele disse que quando Marina foi ministra, dez diretores e gerentes da Pasta foram demitidos por improbidade administrativa e malversação de recursos públicos. Falcão citou as exonerações no MMA em resposta ao fato de Marina ter dito recentemente que o PT havia indicado pessoas para a Petrobrás que "causaram malfeitos".

MENTIRA PORCA: Ministério da Justiça disse que dados sobre Marina foram para atender a imprensa. Heinnnnn?????

Diário do Poder
Nivaldo Souza, Agência Estado

Ministério da Justiça nega perseguição a Marina Silva

Foto: Mary Leal/GDF 
Ministério da Justiça negou investigação de Marina. 

Brasília - O Ministério da Justiça (MJ) divulgou, há pouco, nota rebatendo acusação de que o chefe da Secretaria Nacional de Justiça, Paulo Abraão, teria ido à Polícia Federal para pedir informações sobre um inquérito envolvendo a candidata à presidência pelo PSB, Marina Silva, com suposto interesse político para prejudicar a oponente da presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff. 

“Os procedimentos legais foram rigorosamente atendidos, não havendo nenhuma razão plausível para que se pretenda dar ao caso a dimensão de uma busca persecutória motivada por razões eleitorais ou pessoais”, afirma a pasta.

Segundo reportagem deste sábado (27), do jornal ‘Folha de S. Paulo’, Abrão teria pedido acesso a um inquérito aberto pela PF para apurar um suposto caso de corrupção e prevaricação no Ministério do Meio Ambiente, durante a gestão de Marina na pasta, entre 2003 e 2008. O inquérito foi arquivado em 2012.

O ministério afirma que a pedido da revista ‘IstoÉ’, em 5 de setembro, o acesso à investigação foi solicitado para atender à demanda da publicação. “Em atendimento imediato a esta solicitação, o diretor do Departamento de Polícia Federal informou que este inquérito já fora relatado e já fora arquivado em julho de 2012, não sendo público o acesso aos autos. Esta informação foi prontamente repassada ao jornalista, sem quaisquer outros esclarecimentos adicionais. Naturalmente, nem o jornalista e nem o secretário Nacional de Justiça tiveram acesso aos autos do inquérito”, diz o Ministério da Justiça.

A pasta comandada pelo ministro José Eduardo Cardozo afirma ainda que “apenas foi cumprida a sua obrigação de atender à demanda solicitada por um órgão de imprensa” e que, nestes casos, é “muito frequente e de praxe que autoridades e servidores” de órgão subordinados à Justiça “mantenham despachos rotineiros para atendimento de demandas gerais”. 

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

É não ter vergonha nenhuma na cara tentar aplicar tamanha mentira. Ora, se a imprensa quiser informações sobre Marina vai pedir justo para um Ministério comandado por um petista? É falta de criatividade na gandaia petista querer empurrar a culpa para esta ação cafajeste justo para a imprensa? Para ganhar uma eleição não precisa jogar a dignidade na lama.

Até porque, seus capachos e paus mandados tentaram desentocar um processo que havia sido arquivado por falta de provas, além de fazerem uma devassa no Ministério do Meio Ambiente tentando encontrar qualquer porcaria que servisse para a campanha terrorista da senhora Dilma. 

Não seja canalha, senhor Eduardo Cardozo, ou ao menos tente disfarçar com menor descalabro!!! Já basta a campanha desonesta da senhora Dilma para envergonhar o país!!!!