terça-feira, setembro 30, 2014

Com Dilma não há plano B

Adelson Elias Vasconcellos


Boa parte do eleitorado brasileiro está prestes a conceder mais quatro anos de mandato para Dilma Rousseff. A grande razão de ser para o instituto da reeleição é permitir que bons gestores públicos sejam premiados pela sua atuação honrada, honesta e competente, além de permitir que exatamente estes mesmos gestores tenham a possibilidade de concluírem o trabalho que iniciaram. Isto impede que, a cada nova mudança de executivo seja municipal, estadual ou federal, ponha-se por terra boas administrações. 

Pois bem, no caso de Dilma Rousseff não se tem a menor dúvida de que seu governo foi medíocre e está colocando em risco uma das maiores conquistas da sociedade nos últimos cinquenta anos que é a  da estabilidade econômica, a partir da qual todo o resto se torna possível, principalmente no campo social.  Ao lado deste feito, outra grande conquista foi o fim da ditadura militar e a consequente redemocratização do Brasil.

A grande verdade  é que não há um único indicador, seja ele econômico, social ou mesmo até do cumprimento da própria missão do Estado na área de serviços – educação, saúde, segurança, saneamento, infraestrutura – que aponte uma direção virtuosa. Este Brasil de fantasia que a presidente – candidata apresenta em seu horário eleitoral, é vergonhosamente mentirosa.

Uma das balelas que o petismo comemora, o tal pleno emprego, não passa de um arremedo estatístico. Já falamos disto muitas vezes. Mesmo o PNAD revisto não consegue esconder a falsidade desta comemoração. Ali se vê que aumentou o número de jovens que simplesmente não estudam nem trabalham. E que, apesar do aumento populacional, a força de trabalho do país diminuiu. Adicionalmente, acrescente-se que, mais de 66 milhões de brasileiros, mesmo em idade economicamente ativa, não fazem parte da estatística do desemprego por não estarem “procurando emprego”. Para uma população economicamente ativa em torno de 100 milhões, pouco mais de 25% estão empregadas. Assim, a pergunta que se impõem: onde fica o tal pleno emprego?

Uma das outras muitas mentiras proferidas por Dilma Rousseff é que o crescimento do PIB é baixo por conta da crise externa. Ok, só falta nos dizer em que planeta ainda existe “crise externa” porque na Terra, dentre as 20 principais economias, apenas Brasil, Argentina e Venezuela estão em permanente crise. Os demais, e os dados oficiais estão a disposição de todos,  vão muito bem obrigado, e crescendo duas a três vezes mais do que o Brasil governado por Dilma Rousseff. 

Vimos aqui várias estatísticas no plano econômico comprovando que, a partir de janeiro de 2011, nossos indicadores  entraram em queda livre. Não há um único que se salve. O PNAD, mesmo depois de revisto, mostra que a queda da desigualdade praticamente se manteve estagnada com Dilma no poder. 

No campo da segurança pública, a criminalidade nunca foi tão assustadora como nestes últimos anos.   
Enquanto a arrecadação de impostos cresce, não pela prosperidade econômica, mas sim pelo aumento da carga tributária, os investimentos dão marcha a ré.

Praticamente não se tem uma única grande estatal  gozando de boa saúde financeira. Este governo deslocou do Tesouro Nacional mais de R$ 300 bilhões para financiar o crescimento,  e o resultado é um vexame só: quanto maior foi o tamanho das remessas, inversamente proporcional foi o crescimento do PIB. Em compensação, a dívida pública que os governos petistas receberam em R$ 600 bilhões, já ronda a casa dos R$ 2,5 trilhões. E, por conta deste gigantismo todo, hoje, apenas para honrar a rolagem desta dívida, o governo federal consome mais de 50% do seu orçamento apenas para pagamento de juros. 

A indústria, já cambaleante desde 2006, vem declinando há três anos. Produção menor, desemprego, faturamento menor e perda de participação no PIB nacional, além do fato de que o país parou de exportar manufaturados e semimanufaturados, portanto, com maior valor agregado, há muito tempo. Em compensação – como se tal fosse consolo -, a cada ano que passa aumenta mais a presença de produtos importados no comercio interno.  Voltamos ao tempo do Brasil Colônia, Brasil Império, Brasil subdesenvolvido do início do século passado: exportamos exclusivamente matéria prima. 

Em razão disto tudo, o país está ficando na rabeira do  mundo de alta tecnologia. Comemoramos a geração de milhões de empregos no setor de serviços, empregos estes cuja imensa maioria se constitui de ofertas de menor qualificação e menor salário. Empregos que exigem melhor formação demoram a encontrar pessoas habilitadas para ocupá-los. Isto é constatado em qualquer área de Recursos Humanos.   

Vertiginosamente, o Brasil está perdendo competitividade, inovação, modernização. Ou, em resumo: estamos ficando para trás, perdendo o bonde da história. Contudo, a candidata que apresenta um governo com tamanha debilidade, com tão grande ineficiência e incompetência indiscutíveis em todas as áreas de atuação, se apresenta para ser reeleita sem ter a coragem - e  respeito para com o eleitor – em propor um miserável plano de governo. Diante de tantas mazelas geradas neste governo medíocre, não propõe uma única solução, nada. 

No campo da corrupção, a novidade que a senhora Dilma nos traz é que, em seu segundo provável mandato, irá combatê-la com mãos de ferro. Pergunta: por que não o fez em seu primeiro mandato, permitindo a sangria da Petrobrás por exemplo?  E ainda tem a cada de pau de vir a público afirmar que foi ela quem determinou que a Polícia Federal investigasse os tais “mal feitos” na estatal. Uma ova, dona Dilma, não seja hipócrita! Não minta com tamanha desfaçatez. 

Primeiro, que a Polícia Federal sendo uma instituição do Estado, e não do governo, não precisa da autorização de quem quer que seja para investigar.   Segundo, que seu governo sequer tinha conhecimento das diligências promovidas pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público sobre as ações nebulosas  que se passavam na estatal. Terceiro, que seu governo se empenhou o quanto pode para evitar a instalação de qualquer CPI no Congresso. Não conseguindo, colocou sua tropa de choque para impedir que qualquer investigação ali prosperasse, chegando ao cúmulo de encenar um teatrinho de perguntas e respostas, cujos ensaios foram feitos na sala da presidência da Petrobrás. E, para arrematar, há seis meses instalou-se uma auditoria na Petrobrás, sem que se tenha produzido até aqui qualquer resultado. 

Além disso, ainda cabe uma indagação: por que, até agora, a Lei Anticorrupção aprovada pelo Congresso, não foi regulamentada pelo governo? Para quem posa de xerife, tá faltando bala nesta escopeta!!!

Além disso, quem do governo Lula e da própria Dilma, esteve mais perto da administração da Petrobrás, maior influência exerceu enquanto Ministra de Minas e Energia e, posteriormente, da Casa Civil, no comando da estatal, influindo inclusive nas escolhas de diretores, até porque foi presidente do Conselho de Administração da companhia?  Bate no peito para afirmar que foi ela quem demitiu Paulo Roberto Costa, contudo deixa claro que não foi por corrupção mas por falta de afinidade. Ora, achar que não teve responsabilidade política sobre toda a podridão que escorreu no submundo da Petrobrás é achar que todos somos tolos. E, oxalá, que nas confidências já delatadas por Paulo Roberto e nas que ainda fará o doleiro Yousseff não surjam as digitais da “gerentona”. Porque, se eleita, pode sofrer processo judicial por crime de responsabilidade. Dilma carrega para dentro de um provável segundo mandato uma crise institucional sem precedentes.   

E o que se dizer sobre o escandaloso confisco salarial dos mais pobres via imposto de renda na fonte e a correção abaixo da inflação das faixas tributáveis? Vê se a CUT vem a público denunciar esta ação infame? Não fala porque, além dos cargos doados aos vagabundos, conta com os muitos milhões do imposto sindical sem fiscalização.   

Poderia citar a tal política externa ideologizada da petista. Além de manchar a história do país  com uma atuação sofrível, conseguiu isolar o Brasil do mundo moderno civilizado.  

Em caso de reeleição de Dilma, para o  país restará o consolo de que a presidente será herdeira de si mesma. Terá de conviver com as mazelas e as incompetências  produzidas durante seu primeiro período no poder. Porque, de resto, as perspectivas de que tudo possa ficar ainda pior são infinitas. A começar pelo fato de que, recentemente, afirmou que não precisamos de um ajuste fiscal mais profundo. Ou seja, a tal contabilidade criativa vai continuar, a dívida pública continuará crescendo, a inflação não terá como descer a níveis decentes, o investimento permanecerá ou estagnado ou caindo ainda mais, e a manipulação tende a crescer para abrir caminho para a eleição de 2018.  Se o primeiro ciclo foi ruim, e ela ainda assim pode ser reeleita,  no segundo mandato tenderá a se achar poderosa e competente demais para mudar. O segundo será cópia piorada do primeiro. Nada do que já está ruim que não possa ficar ainda pior. Não subestimem, por favor, a capacidade de ser medíocre, arcaica, mentirosa, ignorante e mistificadora da senhora Dilma.  

E que a imprensa fique alerta: a qualquer custo, Dilma vai atender ao apetite do seu partido no sentido de criar uma regulação dos meios de comunicação. Vem por aí chantagem, coação e censura. Talvez neste dia o eleitorado brasileiro caia na realidade de que, ao reeleger Dilma, jogou no lixo sua própria democracia.  Se nas políticas públicas podemos apontar a culpada pelos erros cometidos, nas urnas não temos escolha: é o eleitorado dilmista ou petista que será o único irresponsável pela ladeira abaixo que nos espera. Não há plano B. Sequer chega a ser um tiro no escuro: é jogar o país no abismo mesmo e  sem corda de salvação.

O abismo que nos espera

Adelson Elias Vasconcellos


A senhora Roussef pode ter diploma de economista, mas de economia seu entendimento é um zero  absoluto. Espanca a estatística e os números da maneira mais cruel. Até fica difícil entender como, tendo a seu dispor, uma imensa equipe de assessores e até de jornalistas,  suas falam revelam uma dolorosa ignorância e informação sobre a realidade.  Para a presidente, não existem verdades a não ser aquelas em que acredita ou crias de acordo com seu interesse. 

Isto fica muito claro na entrevista concedida ao programa Bom Dia, Brasil, da Rede Globo de Televisão. Segue abaixo, texto do Estadão dando um resumo das muitas divergências entre ela e a jornalista Miriam Leitão. Sempre que senhora Dilma afirmava verdadeiros absurdos estatísticos, seja sobre a economia brasileira ou até mesmo a de outros países, como Estados Unidos ou mesma da Alemanha, espancou a verdade da forma mais acintosa. Não acostumada a ser contrariada por seus assessores que, por medo e constrangimento de serem espancados verbalmente pela irritadiça e descontrolada presidente,  não conseguiu esconder sua irritação diante de alaguem, de posse de informações e números reais, teve a ousadia de confrontá-la. 

Quando nos deparamos com a propaganda eleitoral da senhora Rousseff fica claro que aquele país que ela tenta vender, não é o Brasil que temos que conviver diariamente. E quando se refere aos adversários, fica fácil descobrir não só o despreparo, mas o destempero injustificável de alguém que deveria, pelo cargo que ocupa, ter ao menos um pouco de escrúpulos. E aí fica impossível perceber se a má fé entranhada no caráter é que provoca esta falta de escrúpulos, ou se dá o contrário.

Vou reafirmar aqui o que venho dizendo muito antes de marina Silva entrar no jogo. Não será, para mim ao menos, surpresa alguma se Dilma Rousseff conquistar um segundo mandato. E diante de tanta porcaria que já tomou conta da paisagem brasileira, também nãoa temo em afirmar que os beneficiários do Bolsa Família serão responsáveis não apenas pela reeleição desta senhora, mas também pelo imenso retrocesso na condição social e econômica do país. Estarão regando e fortificando com adubo fresco a erva daninha que sufocará o país dentro em breve. 

E por conta de míseros R$ 70,00 por cabeça, estarão condenando  o Brasil a um futuro sombrio. Economicamente, muito pouca coisa resta da nossa estabilidade econômica. O modelo implementado já começa a produzir seus maus frutos.  Não só mandaram para o espaço o tripé que sustentava nossa estabilidade, como ainda estão exterminando a saudável condição de equilíbrio das contas públicas. Hoje, já são mais de R$ 70 bilhões pendurados como esqueleto no Tesouro Nacional, fruto de subsídios que, cedo ou tarde, terão que ser pagos.  

Os investimentos públicos estão caindo ano após ano por excesso de gastos inúteis e total falta de previdência. O buraco aberto pela mexida no mercado elétrico é destes poços cujo fundo não se enxerga mais. O tala Fundo Soberano já foi para o espaço apenas para cobrir os rombos orçamentários. Nosso déficit em conta corrente tende a bater, cada vez com mais insistências,  recordes históricos. A falta de responsabilidade para com a economia necessária para quitar os juros da dívida pública, tende ou a consumir 100% da arrecadação federal – até 11 de setembro,  foram mais de R$ 800 bi, ou 51% do orçamento da União – ou a comprometer o grau de investimento, já em estágio negativo, junto a as agências de risco. Isto acabará encarecendo futuras ofertas de títulos  públicos e até a captação de empréstimos externos pelas empresas brasileiras.  

Estamos diante do estouro da boiada, isto é, a abertura das comportas por onde se represam as tarifas públicas e preços controlados. Se tal abertura não for feita com critério, não apenas a inflação fugirá ainda amais ao controle, como a única arma de que o governo dispõe é elevar ainda mais os juros.  Ora, diante deste quadro, impossível não reconhecer que o país está à beira de um quadro recessivo. Falta muito pouco para isto acontecer, e a primeira consequência será desemprego em massa – fenômeno já em curso -  perda do poder aquisitivo da população, e claro, empobrecimento geral.  Por favor, não pensem que isto é terrorismo ou pessimismo. É uma dura e muito cruel realidade que já nos ronda algum tempo. 

Mas querem dar  a ridícula e patética presidente atual mais um mandato de 4 anos? Ok, sigam em frente. Também os generais presidentes da ditadura, quando alertados para a bomba relógio que estavam armando, deram de ombros e chamaram os críticos de pessimistas, tal qual a senhora Dilma Rousseff repete o mesmo refrão. 

Porém, para quem pode viver aquele período nefasto, e o compara com as medidas que estão adotadas, com o modelo que está sendo imposto na economia, encontra fácil e rapidamente  as mesmas semelhanças. 

E um detalhe importante: a renda dos mais pobres dos pobres, em  razão da inflação “quase” controlada dos quatro anos de Dilma, caiu vertiginosamente. Convivendo com uma taxa de desemprego de 33,9%, os cerca de 10 milhões de brasileiros que respondem por apenas 5% do total da renda nacional viram seus rendimentos encolherem em 10,2% de 2012 para 2013, já descontada a inflação do período. Não se espera que a presidente mande o IBGE rever sua revisão. Vai mandar ver na manipulação vergonhosa das estatísticas de pobreza e miséria que assolam o Brasil. O detalhe é que tal “erro” de banalidade só existe na cabeça de quem não tem vergonha na cara e age com absoluta má fé.

Como Dilma não tem coragem de apresentar um miserável programa de governo, onde aponte soluções para os problemas do momento, até porque somente sua imbecilidade e cegueira, fruto da incompetência e desqualificação, é incapaz de enxergar “problemas”, estamos caminhando inexoravelmente para o abismo ao preço de R$ 70,00  por cabeça de cada beneficiário do bolsa esmola que engana bobo.  Dilma, não dá prá ignorar, é o fracasso em pessoa. E a conta quem pagará são os mesmos beneficiários dos R$ 70,00. Valerá a pena votar pelo dinheirinho tão fácil?

Certamente, não será minha geração que trabalhará duro para tentar recolocar o Brasil nos trilhos. Em 12 anos, o tamanho do retrocesso consumirá duas a três gerações à frente, que tiveram seu futuro comprometido e  que precisarão despender enorme sacrifício  para recuperar   o que foi jogado fora junto com o obscurantismo que tomou de assalto o pensamento da sociedade ao custo de R$ 70,00. Haja mediocridade pobre e barata! 

Desemprego não é baixo, não
O governo comemora o índice3 de 5,05 no desemprego de agosto, conforme apontou o IBGE. Olhando a aparência seria para comemorar não fosse...

... não fosse  a redução na força de trabalho ativa, conforme apontado pelo mesmo IBGE. Assim, tomando-se por base a real força de trabalho, em idade ativa economicamente, o índice seria muito maior. São milhões os trabalhadores que, simplesmente, deixaram de procurar trabalho, e este contingente não é computado na estatística. Aliás, por que o IBGE deixou de divulgar este dado importante, é algo que não se justifica e que mereceria alguma explicação.

Ela quase não sabia de nada
Tanto na campanha, quanto  até no discurso palanqueiro proferido na ONU, Dilma se jacta de que seu governo investiga tudo. Que ela não admite corrupção, que não joga sujeira para debaixo do tapete.  No fundo, Dilma mente vergonhosamente. Ela sabia da compra superfaturada de Pasadena, como também sabias dos esquemas escabrosos que corriam dentro da Petrobrás. O “eu não sabia de nada” não passa de engodo e mero cacoete...

Tanto é assim que, documentos obtidos pelo GLOBO revelam que a presidente Dilma Rousseff foi informada em 2009 sobre “indícios de irregularidades graves” nas obras da refinaria Abreu e Lima, quando era ministra da Casa Civil. Na época, ela pediu para a Controladoria Geral da União (CGU) apurar o caso, mas o processo acabou arquivado sem punir ninguém.

Portanto, o que Dilma não saiba nada é governar com competência. Quanto aos mal feitos e os esquemas de corrupção, ele sempre soube tanto quanto Lula sabia do mensalão...

A versão de Lula para o roubo a banco
Por Maquiavel, na Veja online:

No melhor estilo socialista préhistórico, a propaganda eleitoral do PT na televisão elegeu os banqueiros como vilões nesta campanha. O ex-presidente Lula levou uma versão desse discurso para um palanque na cidade de Santo André, no ABC paulista, na noite desta quarta-feira. No tom jocoso que às vezes o aproxima do deputado-palhaço Tiririca e o afasta do mínimo de compostura que deveria sempre pautar o comportamento de um ex-presidente da República, Lula deu a entender que roubar um banqueiro não é nada de tão condenável. Disse Lula: "A coisa está tão grave que é pobre roubando pobre. Eu, antigamente, via: ‘Bandido roubou um banco’. Ficava preocupado, mas falava: 'Roubar um banqueiro… O banqueiro tem tanto que um pouquinho não faz falta. Afinal de contas, as pessoas falavam: ‘Quem rouba mesmo é banqueiro, que ganha às custas do povo. Eu ficava preocupado... Era chato, mas era… Sabe, alguém roubando rico”. A fala do petista só não foi a pior da semana (que ainda não acabou) porque o discurso da presidente-candidata Dilma Rousseff na ONU, equiparando os bárbaros decapitadores do Estado Islâmico (EI) às forças ocidentais que os combatem, ultrapassa todos os limites da infelicidade.

Fica esclarecido porque eles não acham nada estranho montar esquemas para assaltarem os cofres públicos, tampouco deixar o país sem programa de segurança pública, razão pela qual o número de homicídios atingiu mais de 56 mil/ano, tornando o Brasil um dos países mais violentos do mundo.
E, a menos que a legislação brasileira tenha mudado, a fala de Lula representa incitação ou, quando menos, apologia ao crime. Com a palavra o Ministério Público.

Dilma e a imprensa

Adelson Elias Vasconcellos


Muito embora as derrapagens cometidos em seu governo sejam tantas, os petistas ainda tentam colar na senhora Dilma Rousseff a imagem de gestora competente. Ela mesma se autoproclama como tal. E ai de quem duvidar ou criticar qualquer ação deste seu governo medíocre!

Pois bem, nestes tempos de campanha eleitoral, a senhora Rousseff tem procurado ser o mais agradável possível com os jornalistas. Porém, como seu jeito tosco e bronco não muda nem que a vaca tussa em inglês, francês, espanhol ou alemão, há vários momentos em que a candidata derrapa no vernáculo e mostra sua verdadeira face. Foi o que aconteceu quando foi interpelada por jornalistas sobre as delação do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa.  Às tantas, a presidente saiu-se com esta preciosidade:  “O Papel da imprensa não é investigar”. 

Trata-se de afirmação estúpida, a revelar uma total ignorância de qual seja o papel da imprensa. Sempre que a imprensa, na ânsia de informar, não checar suas fontes, não investigar minuciosamente a informação quanto à sua veracidade, estará sujeita a cometer erros graves, capazes de jogar por terra sua credibilidade junto à opinião pública. 

É dever da imprensa, portanto senhora Rousseff, investigar toda e qualquer informação. Até porque, diferentemente dos órgãos de fiscalização e controle, como Ministério Público, Polícia Federal e Corregedoria Geral da União, compete à imprensa dar ciência à sociedade dos atos cometidos , para o bem ou para o mal, das autoridades públicas. 

Esta preciosidade ignorante foi pronunciada diante da irritação da senhora presidente pelo fato de lhe ter sido negado acesso ao processo da delação do ex-diretor da estatal. Tivesse um pingo da tal competência que se tenta atribuir-lhe, e certamente sequer pediria acesso ao processo. Simplesmente, por lei, ele deve ser mantido em sigilo enquanto perdurarem   as investigações e diligências conduzidos pela Polícia Federal para verificar a veracidade das informações prestadas. Tal cuidado é imprescindível até para resguardar a idoneidade daqueles a quem o ex-diretor imputou alguma culpa e responsabilidade sobre os crimes praticados.

Informou ainda a presidente que irá pedir ao relator no STF, ministro Teori Zavascki, que lhe seja concedido acesso às informações prestadas por Paulo Roberto Costa.  Talvez o ministro se sinta coagido a abrir mão da legalidade e quebra ao sigilo que a lei determina e impõe, permitindo  que a senhora Rousseff possa bisbilhotar o que ninguém mais é permitido.  

De qualquer forma, deveria a senhora  Rousseff procurar conhecer o real papel da imprensa, para não incorrer no ridículo de ser taxada como ignorante. Até porque existe uma categoria de jornalistas classificados como “jornalistas investigativos” que cumprem exatamente este papel que a presidente parece ignorar ou faz questão de negar. 

O bolsa família e a mentira canalha da candidata
Uma das coisas que a senhora Dilma poderia aprender com a imprensa era informar-se melhor sobre determinados temas ou fatos antes de divulgar o que epnsa saber. É claro que nenhum candidato da oposição falou ou sequer pensa em acabar com o bolsa família, produto nascido no governo de FHC. Porém, Dilma no melhor  estilo cafajeste-baixo nível anda a espalhar esta farsa país afora. 

A sorte desta senhora é que tanto Aécio quanto Marina Silva são decentes e não irão processar Rousseff pela calúnia, muito embora ela faça enorme forçar por merecer. 

 Como é patético alguém rebaixar-se a tal ponto para continuar apegado ao poder. E não é por missão em benefício próprio. Dilma defende com os dentes os empregos dos vagabundos com que seu partido  aparelhou as instituições de Estado e que, mercê a esta ação reprovável, nunca o Estado brasileiro, ao longo de sua história, sofreu tanto com corrupção, ladroeiras, desvios e, claro, enriquecimento ilícito a custa dos trabalhadores cuja maioria é imensamente pobre. 

Dias depois, conseguindo juntar seu tico e teco, a senhora Dilma voltou atrás em sua afirmação estúpida e refez a afirmação infeliz. Claro, seus marqueteiros a alertaram sobre a ignorância revelada e a instruíram a reconstruir seu pensamento. A correção não invalida, contudo, seu pensamento real. Até porque seu partido tem, como sonho de consumo, calar a imprensa independente e os críticos ao seu governo,  o que se revela na afirmação recente de Lula que, ao referir-se aos analistas econômicos da equipe de Marina Silva, afirmou categórico que alguém deveria proibi-los da falar. Eis aí bem desenhada a noção nenhuma que eles têm da imprensa livre e da crítica.  Vale apenas aquela a que os aplaude, não contesta e se rende ao fanatismo ideológico. Mas, neste caso, já não estaremos falando de democracia, certo?

Covardia ou medo?
Segundo informa a Folha, a Polícia Federal tenta há 7 meses ouvir Lula sobre o mensalão, mas o ex-presidente não atende convite por temer que teor de depoimento vaze para imprensa.Para um governo que se jacta de deixar a Polícia Federal livre para investigar, não pega bem o mentor e padrinho de Dilma Rousseff fugir da PF. Como se trata de um cidadão comum, já sem a tal “prerrogativa” de foro privilegiado, bem que a PF poderia substituir o “convite” por uma intimação. 

Neste caso, a gente até poderia acreditar na tal “independência” da PF que, é bom lembrar, subordina-se ao Ministério da Justiça, comandado por um petista. Vai rolar?

Abusando do direito de ficar calada
Rui Martins, jornalista, escritor, editor do Direto da Redação, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura, escreveu um texto em que diz aguardar excusas da senhora Dilma Rousseff sobre sua afirmação de que “a função da imprensa não é fazer investigação e sim de noticiar”. Considerando que nem sempre o tico e o teco da presidente conseguem se encontrar, é melhor criticar a estupidez do que aguardar um pedido de desculpas que pode ficar pior. Considerando que a Dilma sequer reconhece o quadro crítico da economia, que para ela vai muito bem obrigado, também é inútil imaginar que ela vá descer do orgulho e demonstrar tamanha   grandeza de caráter. Em casos assim, Rui, a gente apenas critica e lamenta.

O estranho bye, bye do TSE para Maluf. 
O TSE negou o registro da candidatura de Paulo Maluf, candidato  a deputado federal por São Paulo. Motivo: Maluff foi considerado ficha suja por ter sido condenado por improbidade administrativa. Inacreditável é que ele tivesse enormes chances de ser eleito, segundo as pesquisas. 

Mas, mais inacreditável foi o resultado do TSE. Contrários à candidatura, além da relatora, houve mais três votos contrários e, pasmem!, três votos a favor da candidatura do Malu, o fugitivo da Interpol.  Depois estes juízes e magistrados acham que merecem aumento de salário e bolsa moradia. Só no Brasil!!! Depois querem que os políticos sejam “honestos” e “decentes”.  

Uma vergonhosa mentira que Dilma conta
Esta campanha terrorista que Dilma espalha pelo país, difamando e caluniando seus adversários, sem que o TSE ponha um freio na indecência, conta uma das mentiras mais vexatórias, dentre tantas já contadas pelo petismo.  Afirma que seus adversários, se eleitos, irão tirar comida dói prato dos brasileiros (quem está roubando o poder aquisitivo do pobre é a inflação da Dilma), que irão provocar desemprego ( indústria já está desempregando há três anos e o comércio irá desempregar cerca de 30 mil até o final deste ano o governo é Dilma), e de que o salário mínimo só teve aumentos reais com os governos petistas. 

Numa excelente reportagem da Folha, temos um quadro comparativo dos aumentos reais do salário mínimo a partir do Plano Real. (clique aqui)

Vejam lá: enquanto no governo FHC o aumento real, descontada a inflação foi de 4,7%, média anual, no governo da senhora pomposa Dilma Rousseff foi de ridículos 2,5%, na média anual. 

Dilma deveria se envergonhar de mentir tanto. Mas vergonha, no caso, é para quem tem caráter.   Logo...

Espera inútil
Os Estados Unidos através da Subsecretária do Departamento de Estado, Roberta Jacobson, declaram nutrir esperanças de que o Brasil participe da coalizão internacional na luta contra o terror do Estado Islâmico. Creio que os americanos podem perder as esperanças. Este governo é ideologicamente inclinado a apoiar governos ditatoriais, terrorismo de qualquer espécie e tudo o mais que se referir a escória da humanidade.  O DNA desta gente é feito de canalhice. 

Assim, se Dilma se mantiver por mais quatros anos é mais fácil a diplomacia cair ainda mais na imoralidade do que dar mostras de civilidade.

Dilma e os pingos nos “is”
Dilma participou nesta segunda de um comício em Campo Limpo, em São Paulo, com a presença de Lula, Alexandre Padilha, Fernando Haddad, Alosio Mercadante, dentre outros componentes da camarilha. Claro, e não seria diferente, Lula, desconhecendo por completo o real papel da imprensa para uma democracia, espancou o quanto pode a liberdade da imprensa em ser livre, sem se submeter e ajoelhar no milho para o governo de turno. Na vez da senhora falar, a candidata à reeleição se saiu com esta: “A onça vai beber água. Eu vou botar os pingos nos Is”  .

Ok, senhora presidente: vamos por os pingos nos “is” começando por desmanchar sua campanha eleitoral eivada de mentiras e mistificações? Ou, ainda, que tal concorrer  com um mínimo de decência e respeito ao eleitor, submetendo-lhe um programa de governo? Ou que tal desfazer aquela contabilidade criativa do ex-ministro em exercício, Guido Mantega, e apresentar com transparência a real situação das contas públicas? Ou, ainda, que tal deixar o Congresso agir livremente e cumprir seu papel constitucional de fiscalizar os atos do Executivo (está na constituição, viu?), não ordenando que sua base não mais crie empecilhos para instalação de CPIs?  Ou, ainda, que tal vir a público explicar  o colosso de sua política econômica que conduz o Brasil para crescimento quase zero, com inflação alta e juros estratosféricos? 

Se é para por pingos nos “is” atenha-se aos fatos e pare de mentir para a Nação.  Enquanto o Brasil for democracia, e não um estado policial, enquanto vigorar como direito de qualquer  cidadão a livre manifestação do pensamento e opinião,  vamos continuar cobrando ações do governo que é eleito e sustentado para produzir benefícios para todo o país, e não apenas para os militantes do partido no poder, certo?  Não espere, não ao menos deste blog, agrados e paparicos ou, ainda, críticas a favor em troca de subsídios federais.  Precisa desenhar? 

Mantega e a margem de erros

Adelson Elias Vasconcellos


Guido Mantega, o nosso ex-ministro da Fazenda em exercício, vai poder deixar o cargo plenamente realizado. Afinal,  dentro da margem de erro que foi sempre sua característica, conseguiu acertar os prognósticos para a  nossa economia.  Para menos, quando fala em crescimento: dos 2,5% previstos, vai fechar o ano em 0,5%, isto se tudo o mais der certo. Para mais, é  quando se refere a inflação; A meta sendo 4,5%, chegaremos ao teto da meta que é dois pontos para mais,  ou 6,5%.

E, como prêmio por seus acertos, dentro das margens de erro, já foi demitido antes mesmo de limpar as gavetas e deixar o cargo. Deve ser um caso único de cumprimento de aviso prévio de 120 dias. 

Talvez, como economista, Mantega tenha suas virtudes, e muitas das medidas tomadas  ou  mesmo adiadas, tenham sido contra a sua vontade. Sabemos que a verdadeira Ministra da Fazenda, é a senhora Rousseff.   

Lembro das muitas vezes que Mantega fez afirmações num dia, para logo depois ser desmentido ou por Lula ou mesmo por Dilma. Dependesse exclusivamente dele, e os artifícios empregados para vencer a  crise financeira de 2009, já teriam sido retiradas há mais tempo. E isto aconteceu ainda no governo Lula. 

Mantega, de certa forma,  sai um pouco chamuscado do ministério. Afinal comandou a pasta durante este decréscimo de crescimento do país. Não se pode isentá-lo de todo por apresentar em 2010 um crescimento de 7,5& (apesar de um 2009 ter fechado no vermelho) para, nos anos seguintes,  a média anual ter caído abaixo de 2,0%. 

Contudo, que delineou a trajetória da economia nunca foi Mantega.  Os caminhos foram traçados por Dilma Rousseff que, apesar de ter diploma de economia, não entende absolutamente nada do ofício.  Basta vermos e ouvirmos  suas  declarações desconexas, sua imperícia com os números. Mantega, portanto, em muitos momentos, foi apenas um personagem a encarnar um enredo cujo roteiro não foi por ele traçado. 

Mantega, além do otimismo às vezes até surrealista, sempre acreditou na possibilidade de que, no gogó, seria possível conduzir a economia para um crescimento mais virtuoso. Porém, e mesmo que não confesse, ele sabe que, sem reformas substanciais, apenas como remendos e truques, o máximo que   se pode conseguir são pequenos  resultados de curto prazo, Nada além disto. 

Existe imensa diferença entre o Mantega sob o governo Lula e o Mantega do governo Dilma. Lula ouvia mais, e até procurava por opiniões de terceiros.  Lula tinha um objetivo claro, Dilma, ao contrário, não tem objetivo nenhum, anda às cegas arrastada apenas pela arrogância e pela estupidez com que sempre tratou seus auxiliares. 

Lula, fruto da convivência com empresários e políticos ao longo de muito anos, aprendeu que não se pode ir contra a realidade.  E talvez a maior lição dentre tantas que colecionou, foi justamente quando nos  governos  Itamar e FHC deu-se vida ao Plano Real e todas as reformas que advieram. Mercadante (e o próprio Mantega) buzinaram que não daria certo. Há no youtube vídeos com declarações do Lula condenando o Plano.  Ironicamente, foi Lula o maior beneficiário do Plano pelo qual se alcançou a tão almejada estabilidade econômica. Com ela, e com a economia mundial vivendo seu melhor momento graças ao crescimento chinês, que se pode conviver com crescimentos social e econômico conjugados.  As boas sementes havia sido lançadas ao solo fértil da estabilização,  e o tempo da colheita havia chegado. 

Então o que deu errado? Bem, ninguém imaginava ou previa a crise de 2009. E ela mostrou quão falsa era a ideia de que o Brasil chegara ao paraíso.  Naquele momento, por falta de reformas, e até pelo preconceito de Lula em relação capital privado no campo das concessões publicas, perdemos as melhores oportunidades de sairmos da crise mais fortes, mais bem preparados e um imenso campo de realizações. Foram muitos  os bilhões de dólares que viajaram pelo mundo em busca destas oportunidades. Os principais países desenvolvidos emitiram moeda a rodo para tentar conter a crise, com destaque para a Comunidade Europeia e Estados Unidos.  

Muitos alertas partiram deste blog para que o Brasil revisse seus marcos regulatórios no campo de infraestrutura e melhorasse seu ambiente de negócios. Contudo, nem Lula nem Dilma souberam ver tais oportunidades. Insistiram num modelo – o do consumo a qualquer preço – que no caso brasileiro sofria imensas limitações de médio e longo prazo. 

Os programas de distribuição de renda se, de um lado, permitiriam que o mercado de consumo se revigorasse, a renda média do trabalhador sendo muito baixo, por outro lado, impunha que o modelo encontrasse alternativas de crescimento que elevasse esta renda para que o consumismo a qualquer preço pudesse ter vida mais longa. 

Do lado da indústria, desde 2006, já emitia sinais de exaustão.  O custo Brasil impunha aos produtos aqui produzidos um ônus que os produtos similares chineses não carregavam. Hoje, apenas para se ter uma ideia, cerca de um quarto do que se vende no país é importado. 

E as margens de erros se sucederam a partir de 2011. Ainda em campanha, Dilma Rousseff demonizou qualquer ajuste fiscal. Entendia que era coisa do passado. Nos anos seguintes, o Brasil queimou gorduras acumuladas em gastos sem retorno, ou seja, em despesas correntes, e não em investimentos. A dívida pública saltou de R$ 600,0 bi para algo próximo a R$ 2,5 trilhões. Nesta semana, para fechar as contas públicas e cumprir pífia  meta de superávit primário, o governo Dilma lançou mão do saldo que havia no Fundo Soberano. E ainda teve o desplante de considerar as críticas como “absurdas”. Ao final de seus quatro anos, e como sempre afirmamos o resultado é o que importa, o crescimento desceu a pior média da história,  abaixo de Collor, Sarney.  

Vamos ver, em caso de reeleição de Dilma, quem será o boneco que aceitará exercer o papel de marionete para a senhora Dilma terminar sua obra de hipotecar e comprometer o futuro do país. Seja quem for, deverá saber lidar com margens de erros, só que desta vez com muitos pontos percentuais para mais e para menos.  


A evidência de um fracasso

O Estado de S. Paulo
Editorial

Quando apresentou Dilma Rousseff como candidata a sua sucessão nas eleições de 2010, Luiz Inácio Lula da Silva vendeu aos eleitores a imagem de uma gerente eficientíssima, a quinta-essência da competência administrativa, a verdadeira "mãe do PAC", o Programa de Aceleração do Crescimento, pacote de realizações nunca antes imaginadas na história deste País. Como base daquela campanha eleitoral, Dilma apresentou um programa criado para chamar de seu, o PAC 2. Quatro anos depois, apenas 15,8% das realizações prometidas em 2010 foram concluídas, 38,6% continuam em execução e 45,6% - quase a metade - permanecem no papel. Conclusão inescapável: o governo não funciona, é ineficiente, incapaz de cumprir satisfatoriamente até seus programas prioritários.

Esse fenômeno, definido como crise de Estado pelo professor José Arthur Giannotti em entrevista publicada pelo Estado no domingo (14/9), "acontece quando você decide em cima e a decisão não chega embaixo. E o Estado, dessa forma, não funciona. Já temos uma crise de decisão. Ela continua se Dilma ou Marina vencerem".

Na opinião do professor emérito de Filosofia da USP, essa crise tenderá a se agravar no caso da reeleição de Dilma porque "o PT e particularmente o Lula vão interferir muito mais no governo", assim como, na hipótese da eleição de Marina, esta terá de superar o desafio de "encontrar uma nova funcionalidade" para substituir esta "base aliada enorme que destruiu o Estado para ser construída e criou 39 ministérios", dos quais "nem a Dilma lembra mais quais são os ministros".

Esse é o resultado do completo aparelhamento da máquina governamental promovido pelo lulopetismo - por ironia, a pretexto de garantir a "governabilidade" - com o único propósito de criar condições para sua perpetuação no poder.

De fato, o que se pode esperar, em termos de eficiência, de um governo cujos cargos técnicos, em todos os níveis, são preenchidos para atender aos interesses políticos dos partidos que integram a "base aliada" em vez de levar prioritariamente em consideração a qualificação profissional e a idoneidade moral dos nomeados?

Obras do governo não são tocadas por funcionários públicos, mas por empreiteiras que, obviamente, procuram maximizar lucros. A responsabilidade dos funcionários do governo é agir com base nos mais rigorosos critérios de preservação do interesse público em todas as fases do processo de preparação e execução de um projeto, desde o edital e a preparação dos necessários contratos até a fiscalização das obras.

Ora, não se pode esperar que apaniguados políticos, cujo maior, se não único, mérito é usar uma estrela vermelha na lapela, sejam capazes de questionar competentemente aspectos técnicos ou orçamentários de projetos apresentados por empreiteiras mais do que experientes em negociar com o poder público. E seria ingenuidade imaginar, diante das evidências diariamente expostas na mídia, que os mais elevados padrões éticos sempre predominem nessas negociações.

Não foi por outro motivo que, durante seu governo, Lula se queixava sempre da atuação do Tribunal de Contas da União, que considerava extremamente rigorosa na fiscalização dos contratos para a realização de obras públicas.

Não foram Lula e o PT que inventaram a corrupção. Na verdade, o combate a ela sempre foi uma de suas principais bandeiras antes de chegarem ao Palácio do Planalto. A corrupção é produto do patrimonialismo historicamente predominante nas instituições governamentais desde os tempos coloniais. O lulopetismo tem apenas dedicado seus 12 anos no poder a aprimorar em benefício próprio os métodos da corrupção, como o demonstram, com uma estarrecedora clareza, o processo do mensalão e, agora, o escândalo da transformação da Petrobrás em fonte de recursos a serviço dos interesses políticos de PT e aliados.

E o mais trágico - o fenômeno diagnosticado pelo professor Giannotti do qual Dilma já deve estar se dando conta - é que esse verdadeiro poder invisível entranhado na máquina governamental tende a adquirir vontade própria. Ou seja: a decisão que se toma embaixo não é sempre, necessariamente, a que vem de cima.

O caráter fica

J.R. Guzzo
Revista VEJA

Uma das vantagens mais interessantes da hipocrisia, talvez o vício preferido das campanhas eleitorais, é seu baixo custo. A rigor, fazendo a conta na ponta do lápis, a hipocrisia não custa nada, quando se considera que o hipócrita jamais pretende cumprir suas promessas, nem se comportar com as virtudes que atribui a si mesmo diante do público — encerrada a disputa, volta a ser o que sempre foi, e dá por zeradas todas as dívidas que parecia estar contraindo quando tinha de pedir voto aos eleitores.

Disputas pela Presidência da República, é claro, não são a oportunidade mais adequada para o público assistir a exibições de boa conduta. Assim mesmo, a campanha eleitoral de 2014 parece superar tudo o que já foi feito neste país, até agora, em matéria de embuste; só deverá ser superada, talvez, pela próxima corrida, em 2018.

Não há inocentes nesta rixa de terceira classe, mesquinha, desonesta e sem o menor vestígio de vida inteligente; desde o primeiro dia de campanha, ainda não apareceu nada que pudesse ser descrito pela palavra “ideia”. Mas o pior desempenho, de longe, fica com a concorrente mais forte até agora, Dilma Rousseff, porque ela não é apenas a candidata oficial – antes disso, é a presidente da República, e esse cargo lhe impõe obrigações formais perante todos os brasileiros, sem exceções. A primeira delas é o respeito.

Dilma, pela posição que ocupa e pelo juramento que fez ao assumir a Presidência, não tem o direito de tratar os eleitores como uma manada de ignorantes que não dispõem da capacidade de pensar com um mínimo de independência — e por isso não precisam ouvir argumentos, explicações e raciocínios que façam nexo, ou respeitem fatos. Vale tudo aí. Se Dilma não for eleita, garante sua campanha, a comida vai sumir das mesas. As crianças passarão a receber livros em branco. Os banqueiros vão ordenar demissões em massa, fechar escolas e acabar com o Bolsa Família.

Por ser negra, magrinha e de origem paupérrima, ou por lembrar que passou fome na infância, a concorrente Marina Silva é acusada de ser uma “coitadinha” — e uma pobre-diaba como ela, segundo Dilma, não tem condições de ser presidente. Só Lula, o seu principal patrocinador, tem o direito de se apresentar como operário e receber diploma de herói. Marina é igual a Fernando Collor — embora a candidata oficial não explique por que isso seria tão ruim assim, já que o mesmo Collor é hoje um dos seus aliados mais valiosos. Só Deus sabe o que ainda vai dizer até o dia da eleição.

O resultado prático de toda essa insensatez é que a campanha eleitoral da suprema magistrada do Brasil, que deveria ser a mais sóbria e mais fiel à verdade dos fatos, acabou sendo a mais hipócrita de todas. Um cavalheiro, segundo o ensinamento de Oscar Wilde, nunca deve trapacear quando está com boas cartas na mão. Dilma tem um jogo lindo – até agora sempre esteve à frente nas pesquisas, tem seis vezes mais tempo que Marina na televisão e usa todos os dias a máquina do governo para caçar votos. Mas sua campanha tornou-se um monumento à trapaça.

Não existe nenhuma disputa de “classes” na eleição, como pretende a propaganda oficial, em que a opção seria escolher o lado dos pobres, o dela, contra o lado dos ricos, o dos outros. A única coisa realmente em jogo é o interesse material: mais de 20 000 cargos ocupados pelo PT e amigos, a manutenção de um convívio de doze anos com empreiteiras e as oportunidades de negócios junto a empreendedores como o homem atômico da Petrobras e atual presidiário Paulo Roberto Costa, o doleiro Youssef e por aí vai.

Não existe a mais remota sinceridade nos alertas de que um Banco Central independente vai tirar as grandes decisões financeiras “das mãos dos brasileiros” – como se no governo Dilma eles decidissem alguma coisa a respeito. Não existe motivo para acreditar nas promessas de “limpeza” na Petrobras, quando Lula diz que a empresa é vítima de “ataques” de tubarões imaginários — e não dos tubarões de carne e osso mantidos lá dentro durante todo o seu governo e o de Dilma.

A complicação que o Brasil vive hoje vai além da falta de decência, de lucidez e de bons modos da campanha. Campanhas eleitorais são transitórias, mas os seres humanos que participam delas são permanentes. É uma pena, mas Dilma não vai mudar de caráter quando a campanha acabar — continuará sendo exatamente a mesma. Se ganhar, não vai fazer um ato de contrição e se arrepender da hipocrisia de uma disputa deformada pela falsificação da realidade; não se transformará numa pessoa que nunca foi.

Dilma e os mercados: não existe petista grátis!

Reinaldo Azevedo

Os mercados, como se diz no jargão da área, derreteram nesta segunda-feira. O índice Bovespa despencou, atraído, principalmente, pela queda das ações da Petrobras, e o dólar disparou. Os investidores estavam botando preço nos números da pesquisa Datafolha divulgada na sexta, que indicaram que a posição de Dilma melhorou. Na hipótese mais alarmista, não seria impossível ela ganhar mais uns cinco ou seis pontos e até vencer no primeiro turno, coisa na qual, francamente, não acredito. Nas últimas três eleições, o PT teve nas urnas menos votos do que lhe conferiam os institutos de pesquisa. De todo modo, os mercados estão mais de olho no risco do que nas hipóteses de salvação.

Pois é… Dilma e o PT inventaram a equação do capeta — contra o país e, em certa medida, contra si mesmos. A presidente tem uma de duas alternativas para explicar por que o país terá uma expansão próxima de zero neste ano, com inflação quase estourando o limite superior da meta e juros nas estrelas: ou admite que o problema é interno, que fez as escolhas erradas e que é, enfim, uma gestora incompetente ou joga toda a culpa no cenário externo, e o Brasil apenas estaria reagindo a uma realidade internacional adversa. Ainda está para ser inventado nas terras de Santa Cruz um político que faça um mea-culpa, não é mesmo? Não seria um petista a iniciar a fila. Assim, os companheiros decidiram culpar o resto do mundo. A “companheira presidenta e governanta” está a dizer que não há nada a fazer a não ser depender da boa vontade de estranhos — quem sabe torcer que os outros se ferrem para que a gente melhore…

Entendam: isso vale por um diagnóstico. Acontece que 10 entre 11 analistas — e o que está na contramão é petista — consideram que o cenário externo para a economia brasileira será, no ano que vem, mais adversário do que neste ano. Entenderam a lógica elementar, até pedestre, da equação com a qual Dilma acena ao país? Se o mundo é culpado por nosso mau desempenho e esse mundo ainda nos será mais hostil, então… Pior: desde 2002, esta será a eleição mais arriscada para o PT. O desgaste do partido é gigantesco. Vejam, só como indicador, o resultado eleitoral do partido em Estados como São Paulo, Paraná e Rio. O quadro é de humilhação eleitoral. Em momentos assim, em vez de o PT se mostrar mais aberto, faz o contrário: ele se volta para os seus fundamentos — ou para seu discurso fundamentalista.

Não pensem, por exemplo, que aquele discurso estúpido de Dilma na ONU, quando sugeriu diálogo com cortadores de cabeça, passa em branco. Não passa, não! Ele dá notícia de uma presidente descolada da realidade internacional, periférica, isolada em seu círculo de mediocridade, incapaz de liderar uma nação emergente.

O discurso é sinal de que a jeca, em seu casaquinho que lhe corta, de forma desastrada e desastrosa, a silhueta na parte do corpo que menos a favorece, está mesmo em desarmonia com o mundo. Aquele casaquinho vermelho é metáfora de um país burro, acanhado, ao qual, cada vez mais, se dá menos bola.

Não existe petista grátis. Sempre tem um preço. O de agora é altíssimo.

Mercado vê em Dilma ameaça maior do que no início da campanha

Ana Clara Costa
Veja online

Para analistas ouvidos pelo site de VEJA, discurso eleitoral da presidente evidencia guinada à esquerda e guerra declarada ao setor privado

 (Felipe Cotrim/VEJA.com) 
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, 
chega minutos antes do início do debate promovido pela Rede Record, em São Paulo 

Enquanto o eleitor parece cada vez mais inclinado a oferecer à presidente Dilma Rousseff a oportunidade de um novo mandato, investidores sinalizam exatamente o oposto. Um forte movimento de venda de ações fez com que o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, recuasse 4,52% nesta segunda-feira, a maior queda em três anos. O dólar também disparou, chegando a ser cotado a 2,47 reais — seu maior valor desde 2008, período agudo da crise financeira internacional. A moeda americana perdeu força no final do pregão e fechou a 2,45 reais. As ações das empresas estatais lideraram as baixas: Petrobras caía 8,7%, enquanto o Banco do Brasil mergulhava 8,4%. As ações da própria BM&FBovespa recuavam 8,3% no mesmo período.

Não é de hoje que o mercado financeiro tem reagido de forma pessimista à possibilidade de reeleição da candidata petista. Desde março deste ano, as ações (em especial as da Petrobras) têm oscilado ao sabor das pesquisas eleitorais. Depois da trágica morte do peessebista Eduardo Campos, em agosto, e da ascensão de Marina Silva ao posto de presidenciável, as chances de reeleição de Dilma haviam diminuído — o que trouxe certo alívio para a bolsa e o dólar.

Contudo, a melhora da atual presidente nas pesquisas, que apontam sua vitória no segundo turno ante ambos os concorrentes, Aécio Neves e Marina, fez com que um movimento de venda de ações se aprofundasse na bolsa. O Ibovespa chegou a cair quase 6% na abertura, com os papéis da Petrobras recuando 10%. Em ambos os casos, a queda é muito mais profunda do que o que foi assistido no início de 2014, quando as primeiras pesquisas começaram a ser divulgadas criando alta volatilidade na bolsa. 

O que mudou de lá pra cá, segundo analistas ouvidos pelo site de VEJA, é que aumentou (e muito) a aversão que o mercado nutria em relação à candidata. "Muitos têm opinião pior do que antes sobre a provável política econômica num segundo governo Dilma. Eles perceberam uma inflexão à esquerda em seu discurso, especialmente na questão envolvendo a independência do Banco Central", afirma o economista Tony Volpon, do Nomura. A presidente Dilma encampou o discurso de que ter um BC autônomo significaria "entregar o país a banqueiros". A presidente também questionou a necessidade de se cumprir o superávit primário, que é a economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida, e reafirmou seu compromisso com subsídios à indústria num momento em que o próprio setor industrial pede maior abertura econômica.

Segundo o analista Felipe Miranda, da Empiricus, antes da morte de Campos, os investidores tinham dúvida se um novo governo Dilma atravessaria uma curva de aprendizado, admitindo erros e retomando um caminho mais ortodoxo. "Hoje, resta pouca dúvida de que um segundo mandato representaria mais do mesmo, com algum recrudescimento, pois a guerra contra o setor privado, num momento em que precisamos retomar os investimentos, está declarada em caráter explícito", afirma Miranda, autor do livro O Fim do Brasil, lançado na semana passada pela editora Escrituras.

Um movimento de queda foi percebido nesta segunda-feira em todos os mercados emergentes, porém, nenhum na mesma intensidade que o Brasil. Nos Estados Unidos, o S&P recuou 0,2% e o Dow Jones, 0,25%. "É um movimento global que pode ser visto na Coreia do Sul, Taiwan, índia, Turquia, África do Sul e Israel. Isso porque acredita-se que a economia americana não está se recuperando no ritmo acelerado que antes se achava", avalia o economista-chefe da Gradual, André Perfeito.

Palpite infeliz

Zuenir Ventura
O Globo


Ao contrário de Lula, que fazia o maior sucesso no exterior, onde recebeu o apelido de “o cara”, dado por Barack Obama, a presidente Dilma não se saiu bem esta semana na ONU. Primeiro, foi muito criticada por ter levado para a abertura da Assembleia Geral um discurso eleitoreiro, de candidata, mais do que de chefe de nação, ao exaltar sem qualquer pudor feitos de seu governo, como diminuição da fome, redução da desigualdade social etc., etc.

Comportou-se como se estivesse em campanha. Aliás, a intenção era essa, transformar o lugar em palanque, de onde, por meio de gravação, se dirigiria ao público daqui. Com isso, porém, ela teria enfraquecido nossas antigas pretensões a uma vaga no Conselho de Segurança da organização.

Também não pegou bem na Cúpula do Clima da mesma ONU o Brasil ter se recusado a assinar o acordo que prevê o desmatamento zero até o ano de 2030, alegando que não foi consultado sobre sua elaboração. Outro motivo seria o fato de que a meta contraria o nosso Código Florestal, que autoriza o corte legal na Amazônia. Pode ser, mas entre os ambientalistas a decisão foi considerada um retrocesso.

Houve ainda a posição simplista em relação ao terceiro tema abordado pela nossa candidata-presidente na sua viagem diplomática: o bombardeio, sob liderança dos EUA, dos alvos do Estado Islâmico (EI) na Síria. No momento em que era decapitado pelos jihadistas mais um refém, provavelmente o quarto, ela preferiu condenar energicamente a ação americana.

Depois de afirmar que “o Brasil é contra todas as agressões”, como se pudesse ser a favor, ela apresentou sua sugestão, um palpite absolutamente infeliz, para pôr fim à guerra: o diálogo com os terroristas, ou seja, com o grupo que chama de “mensagens de sangue” as atrocidades que pratica, filma e depois coloca o vídeo macabro na internet.

É difícil imaginar a cena: a vítima ajoelhada aguardando a execução, o carrasco em pé ao lado, com o rosto coberto e a faca na mão, e o mensageiro da paz propondo ao verdugo, ansioso por acabar seu trabalho:

— Senhor jihadista, não corta ainda, não. Vamos conversar. Sei que podemos nos entender.

Seria risível, mas é trágico.

O delator Paulo Roberto Costa fez mais uma revelação estarrecedora: confessou que recebeu US$ 23 milhões de empreiteira no exterior para facilitar contrato com a Petrobras, além de US$ 1,5 milhão em propina para não atrapalhar a compra da refinaria de Pasadena.

E olha que o doleiro Alberto Youssef, o outro homem-bomba, mal começou a falar. Vem muito mais coisa por aí. Aguardem. Por muito menos, numa época em que escândalo político ainda escandalizava, não era rotina, o país ficou conhecido como “mar de lama”. Bons tempos.

A grande tolerância - da inflação ao terrorismo

Rolf Kuntz  
O Estado De S. Paulo

Tolerância é a grande marca da candidata Dilma Rousseff: tolerância à inflação, ao desarranjo das contas públicas, à estagnação da economia brasileira, aos desaforos dos parceiros bolivarianos e pro-bolivarianos e, é claro, ao terrorismo internacional. Depois do humilhante desempenho de sua chefe em Nova York, o chanceler Luiz Alberto Figueiredo tentou limpar o vexame. Não houve sugestão, segundo ele, de diálogo com o Estado Islâmico. De acordo com o ministro, a presidente propôs diálogo "no âmbito da comunidade internacional" para solução dos problemas da Síria e do Iraque. O esforço do diplomata foi inútil. Não havia como desmentir o óbvio. Depois de lamentar "enormemente" os bombardeios, a presidente recomendou a busca do entendimento entre os "dois lados". Talvez por falha de comunicação, ou por diferença de fuso horário, um dos "lados" estava ocupado em cortar a cabeça de mais um refém. O decapitado foi um francês, porque o destinatário principal da mensagem, nesse caso, era a França. O presidente François Hollande talvez devesse ter dialogado. Mas dialogar, nesse caso, significaria obedecer.

As demais tolerâncias da presidente Dilma Rousseff, a começar pela tolerância aos próprios erros, também foram expostas em sua passagem pelos Estados Unidos. Apresentando-se como chefe de Estado e de governo, mas agindo principalmente como candidata, ela aproveitou seu discurso na ONU e o contato com a imprensa para alardear os feitos da administração petista e condenar qualquer ensaio de seriedade no combate à inflação e a outros problemas, nunca plenamente reconhecidos, da economia brasileira.

Nova York foi apenas um palanque especial para a campanha. Lá, como no Brasil, a candidata continuou falando sobre a inflação como se a variação dos preços nunca tivesse ficado acima da meta, isto é, acima de 4,5%, e a gestão das contas públicas fosse a mais prudente e austera. Na mesma semana foi anunciado o uso de R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano para fechar as contas de 2014. A ideia foi logo defendida pela candidata, mas criticada até por funcionários da equipe econômica. O uso desse dinheiro, argumentam esses críticos, envolverá a venda - com a consequente desvalorização - de grande volume de ações do Banco do Brasil. Mas essa discussão só ocorre porque faltou no governo o debate, muito mais importante, sobre como cuidar direito das contas públicas.

A arrecadação de agosto, embora anabolizada com R$ 7,13 bilhões do Refis - o programa de refinanciamento de dívidas tributárias - foi insuficiente para mudar o panorama fiscal. A arrecadação de janeiro a agosto, R$ 771,79 bilhões, foi apenas 0,64% maior que a de igual período de 2013, descontada a inflação. Há alguns meses o pessoal da Receita ainda projetava um crescimento real de 3% neste ano. Agora se estima 1% e esse resultado ainda vai depender de mais anabolizantes, como novos pagamentos do Refis, dividendos, bônus de concessões e até o dinheiro do Fundo Soberano.

O fiasco da arrecadação é explicável em boa parte pelo baixo nível de atividade econômica. Ao divulgar os valores acumulados em oito meses, o pessoal da Receita chamou a atenção, em seu relatório, para alguns dos "principais fatores". De janeiro a agosto a produção industrial foi 2,7% menor que a de um ano antes. As vendas de bens e serviços, no varejo, 0,09% inferiores. O valor das importações, em dólares, 1,2% mais baixo que o dos mesmos oito meses de 2013.

Sem poder negar esses e outros números muito ruins, a presidente Dilma Rousseff e seus ministros atribuem a paradeira econômica do Brasil à situação internacional. Em outras palavras, os problemas vêm de fora, porque o governo cuida muito bem da economia nacional. Mas também essa conversa é desmentida seguidamente pelos fatos. A economia americana cresceu no segundo trimestre em ritmo equivalente a 4,6% ao ano. Além disso, o produto interno bruto (PIB) do período de abril a junho foi 2,9% maior que do mesmo trimestre do ano anterior. As economias peruana, colombiana e chilena continuam com desempenho muito melhor que o da brasileira, apesar de alguma desaceleração - e todas com inflação muito menor. Nem é preciso citar os casos da China e de outras potências da Ásia.
Nem o governo federal projeta para este ano um crescimento econômico acima de 0,9%. Esse número foi divulgado há poucos dias pelo Ministério do Planejamento, juntamente com a revisão de receitas e despesas orçamentárias do quarto bimestre. No mercado, a projeção do aumento do PIB já havia caído para 0,3%.

A inflação, depois de hibernar por alguns meses, saiu novamente da toca. Na sexta-feira o IBGE divulgou sua nova pesquisa do Índice de Preços ao Produtor (IPP). O aumento, em agosto, foi de 0,48%. Foi a primeira alta desde fevereiro. A elevação acumulada em 12 meses é pequena, 2,5%, mas a aceleração é clara e já havia sido indicada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em sua coleta dos preços por atacado. A reação dos preços ao consumidor também é evidente. Nas quatro últimas coletas, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), também da FGV, passou por 0,12% em 31 de agosto e 0,21%, 0,39% e 0,43% nas pesquisas seguintes. Os números são atualizados semanalmente, mas sempre com base num período equivalente a um mês. O IPCA-15, prévia do índice oficial produzido pelo IBGE, bateu em 0,39% no período encerrado no meio de setembro. Em 12 meses a alta acumulada chegou a 6,62%.

A candidata continua recusando, no entanto, qualquer ação séria para conter a alta de preços. Ações sérias poderiam incluir uma administração melhor das contas públicas, com menor gastança e menor distribuição de benefícios fiscais e subsídios. Em caso de necessidade, o Banco Central poderia elevar os juros básicos, mantidos em 11%. A presidente rotula essas políticas como recessivas. É uma fala surrealista, num cenário de estagnação com inflação. Mas há quem pareça acreditar.

Os saqueadores

Ives Gandra Da Silva Martins  
O Estado de S. Paulo

Ayn Rand (1905-1982) foi uma filósofa, socióloga e romancista com aguda percepção das mudanças que ocorreram na comunidade internacional, principalmente à luz do choque entre o sucesso do empreendedorismo privado e o fracasso da estatização populista dos meios de produção, na maior parte dos países de ideologia marxista. Seu romance A Revolta de Atlas, escrito há mais de 50 anos, talvez seja o que melhor retrata a mediocridade da corrente de assunção do poder por despreparados cidadãos que têm um projeto para conquistá-lo e mantê-lo com slogans contra as elites em "defesa do povo", o que implica a destruição sistemática, por incompetência e inveja, dos que têm condições de promover o desenvolvimento.

No romance, os medíocres ameaçam o governo dos Estados Unidos e começam a controlar e assumir os empreendimentos que davam certo, sob a alegação de que os empreendedores queriam o lucro, e não o bem da sociedade. Tal política tem como resultado a gradual perda de competitividade dos americanos, o estouro das finanças, a eliminação das iniciativas bem-sucedidas e a fuga dos grandes investidores e empresários, que são perseguidos, grande parte deles desistindo de administrar suas empresas, com o que os governantes se tornam ditadores e o povo passa a ter os serviços públicos e privados deteriorados. Não contarei mais do romance, pois o símbolo mitológico de Atlas, que sustenta o globo, é lembrado na revolta dos verdadeiros geradores do progresso da Nação.

O que de semelhante vejo na mediocridade reinante no governo federal do Brasil, loteado em 39 ministérios e 22 mil amigos do rei não concursados, vivendo regiamente à custa da Nação, sob o comando da presidente da República, é a destruição sistemática que, nos últimos anos, ocorreu com a indústria brasileira, abalada em seu poder de competitividade por um Estado mastodôntico, que sufoca a Nação com alta inflação, elevada carga tributária, saldo desprezível na balança comercial, superávit primário ridículo e maquiado, rebaixamento do nível de investimento exterior, desvio em aplicações de capitais que deixam de ser colocados no País para serem destinados a outras nações emergentes, perda de qualidade no ensino universitário e na assistência social. Por outro lado, os programas populistas, que custam muito pouco, mas não incentivam a luta por crescimento individual, como o Bolsa Família (em torno de 3% do Orçamento federal), mascaram o fracasso da política econômica. O próprio desemprego, alardeado como grande conquista - leia-se subemprego -, começa a ruir por força da queda ano após ano do produto interno bruto (PIB), que cresce pouco e cada vez menos, e muito menos que o de todos os países emergentes de expressão.

É que o projeto populista de governo, que o leva a manter um falido Mercosul com parceiros arruinados, como Venezuela e Argentina, sobre sustentar Cuba e Bolívia, enviando recursos que seriam mais bem aplicados no Brasil, fechou portas para o País celebrar acordos bilaterais com outras nações. Prisioneiro que é do Mercosul, são poucos os acordos que mantemos. Tal modelo se esgotou e, desorientados, os partidários de um novo mandato não sabem o que dizem e o que devem fazer. Basta dizer que o "ex-ministro da Fazenda em exercício" declarou, neste mês de eleição, que em 2015 continuará com a mesma política econômica, que se revelou, no curso destes últimos anos, um dos mais fantástico fracassos da História brasileira. Parece que caminhamos para uma estrada semelhante à trilhada por Argentina e Venezuela.

No romance de Ayn Rand, quando os verdadeiros empreendedores, que tinham feito a nação crescer e a viam definhando, decidiram reagir, denominaram os detentores do poder, nos Estados Unidos imaginário da romancista, de "os saqueadores". Estes, anulando as conquistas e os avanços dos que fizeram a nação crescer para se enquistarem no poder, por força da corrupção endêmica, da incompetência, de preconceitos e do populismo, levaram o país à ruína.

À evidência, não estou alcunhando os 39 ministérios e os 22 mil não concursados de integrantes de um grupo de "saqueadores", como o fez Ayn Rand. Há, todavia, na máquina burocrática brasileira - com excesso de regulamentação inibidora de investimentos, assim como de desestímulo ao empreendedorismo, e escassez de vontade em simplificar as normas que permitem o empreendedorismo, apesar do esforço heroico e isolado de Guilherme Afif Domingos, uma gota no oceano -, algo de muito semelhante entre o descrito em seu romance há mais de 50 anos e o Brasil atual. Basta olhar o "mar de lama" da corrupção numa única empresa (Petrobrás). O que mais impressiona, todavia, é que, detectada a ampla corrupção na empresa - são bilhões e bilhões de dólares -, o governo tudo faça para congelar a CPI e não desventrar para o público as entranhas dos mecanismos deletérios e corrosivos que permitiram tanto desvio de dinheiro público e privado. O simples fato de não querer apurar a fundo, de desviar a atenção desse terrível assalto à maior empresa pública privada, procurando dar-lhe diminuta atenção, como se o governo nada tivesse de responsabilidade, torna suspeita a gestão, pelo menos na denominada culpa in vigilando.

Precisamos apenas saber se o eleitor brasileiro está consciente de que, se não houver mudança de rumos, o Brasil de país do futuro, como escreveu Stefan Zweig, se tornará, cada vez mais, o país do passado, vendo o desfile das outras nações passando-lhe à frente, por se terem adaptado às mudanças de uma sociedade cada vez mais complexa e competitiva, em que apenas os países que se prepararem terão chances.

Duas agendas na política econômica

Samuel Pessoa
Folha de S.Paulo

É impossível encontrar qualquer descontinuidade entre governos na evolução do gasto público na área social

Tenho insistido neste espaço que duas agendas distintas têm pautado a formulação da política econômica desde a redemocratização.

A primeira agenda eu chamei de contrato social da redemocratização. Trata-se da decisão que a sociedade brasileira tomou em 1988, e que foi materializada no texto constitucional, de construir um Estado de Bem-Estar Social padrão europeu continental.

A implantação desse Estado explica praticamente a totalidade do crescimento da carga tributária que houve desde o início dos anos 90 até hoje.

Em todos os pleitos eleitorais desde então, a sociedade tem renovado seu apoio ao projeto de construção de um amplo Estado de Bem-Estar Social padrão europeu continental. E é por este motivo que todas as forças políticas relevantes apoiam esse projeto, e há enorme continuidade no avanço dos programas sociais do governo.

Como argumentei na coluna do dia 17 do mês passado, é impossível encontrar qualquer descontinuidade entre governos na evolução do gasto público na área social. Além das informações reportadas naquela coluna, tanto em junho de 2013 quanto em fevereiro 2014 apresentei neste espaço vários dados que documentam a continuidade do gasto social.

Ao longo dos diversos governos ocorreu alteração das prioridades no interior da área social.

Como escrevi, “na década de 90, a prioridade foi o ataque à pobreza entre os idosos e a construção das redes públicas e universais de saúde, com o SUS, e de educação, com o Fundef. A partir dos anos 2000, a prioridade passou a ser a infância, materializada, entre outros, no exitoso programa Bolsa Família. Mais recentemente, passou-se a atacar a educação superior, com Prouni e Fies, e o problema de moradia, com o Minha Casa, Minha Vida. Aparentemente, a educação pré-escolar será uma das prioridades do próximo governo, independentemente de quem ganhe a eleição.”

A segunda agenda na formulação da política econômica chamei de ensaio nacional-desenvolvimentista. Trata-se de recolocar no centro da política econômica um modelo de desenvolvimento adotado no Brasil, de forma mais ou menos consciente, nas cinco décadas de 1930 até 1980.

Consiste em fazer com que o Estado determine a natureza do processo de desenvolvimento econômico. O nacional-desenvolvimentismo não conversa com o Estado de Bem-Estar Social. O nacional-desenvolvimentismo não implica, necessariamente, carga tributária elevada, ao contrário da construção de um Estado de Bem-Estar.

O recente ensaio nacional desenvolvimentista incluiu muitas medidas, como as que listo em seguida:

1. Alteração no regime de câmbio flutuante para fortemente administrado;

2. Maior tolerância com a inflação;

3. Adoção de artifícios para atingir a meta de superavit primário, reduzindo a transparência da política fiscal, além de fortíssima redução do superavit primário;

4. Controle de preços para tentar conter a inflação;

5. Expansão do papel do BNDES na intermediação do investimento, com forte discricionariedade em relação aos favorecidos;

6. Tendência a fechar a economia ao comércio internacional;

7. Direcionamento da política de desoneração tributária a alguns setores ou bens, em vez de estendê-la de forma equitativa a todos os setores produtivos;

8. Aumento do papel do Estado no setor de petróleo e intervenção desastrada no setor elétrico;

9. Dificuldade ideológica em relação ao emprego do setor privado na oferta de serviços de utilidade pública e infraestrutura em geral;

10. Adoção indiscriminada da política de conteúdo nacional e de estímulo à produção local sem a preocupação com o custo de oportunidade dos recursos.

Não há nada de social nos 11 itens acima. O contrato social da redemocratização produz constrangimentos ao nosso crescimento, pois resulta em baixa taxa de poupança e investimento. Mas foi o ensaio nacional-desenvolvimentista, que está conosco desde 2009, o responsável por ter feito o crescimento despencar dos 4% dos anos Lula até o 1,6% na média de Dilma. Desfazendo esta lista, podemos voltar a crescer 3%, sem alterar o contrato social da redemocratização.

O ‘Efeito Papuda’ veio para ficar

Elio Gaspari
O Globo

Em 1500, quando Pedro Álvares Cabral chegou à Bahia, deixou dois degredados na praia. Um deles chamava-se Afonso Ribeiro. Tinha dezoito anos, trabalhara com um grão-senhor e metera-se num assassinato. Ele viveu anos no meio dos índios e, não se sabe como, acabou resgatado por outra expedição, regressando à Europa. Contou sua história a um tabelião, mas até hoje o papel não foi achado. Por suas artes e pela sorte, a pena de degredo deu em nada e Afonso Ribeiro pode ser considerado o patrono das pessoas que se safam da lei. Passaram-se 514 anos e a bancada de maganos que está presa na Papuda mostra que essa escrita começa a ser quebrada.

A ideia segundo a qual “isso não vai dar em nada“ perdeu eficácia. Pode ser que não dê, mas se der, a cana está lá. Foi essa percepção que levou Paulo Roberto Costa, um poderoso ex-diretor da Petrobras, a colaborar com o Ministério Público. Seguiram-no o operador de câmbio da rede financeira de Alberto Yousseff e, na semana passada, o próprio. Em todos os casos, preferiram trocar de lado, contando o que sabem, a arriscar décadas de cadeia. (Pelo “efeito Papuda”, Marcos Valério, o mago do caixa dois do mensalão foi condenado a 40 anos de prisão e José Dirceu, chefe da Casa Civil e “técnico” do time de Lula, a dez, podendo passar ao regime aberto ainda este ano.)

Paulo Roberto Costa e Yousseff decidiram colaborar, contrariando a opinião de advogados. O que eles têm a contar ultrapassa de muito o acervo de informações que Marcos Valério detém. Em suas operações há as digitais de grandes bancos, empreiteiras e empresas internacionais de comércio exterior. Se o Ministério Público e juiz federal Sérgio Moro trabalharem direito e em paz, poderão expor a maior e mais antiga rede de maracutaias nacionais. Coisa tentada sem sucesso em dezenas de processos e diversas CPIs.

Foi com a colaboração de delinquentes que a Justiça americana quebrou a espinha dorsal de camarilhas de Wall Street e da Máfia. Um de seus chefões, Tommaso Buscetta (Don Masino) operava no Brasil e foi preso em 1972. Sua captura foi apresentada pela ditadura como uma demonstração da eficiência da polícia. Afinal, ele fora interrogado pelo delegado Sérgio Fleury, o vice-rei da repressão política. Palhaçada. Extraditado para a Itália, acabou levado para os Estados Unidos. Lá, ninguém lhe encostou a mão e ele passou a colaborar com a Justiça, tornando-se o primeiro “capo” a revelar a rede de operações e influências da Máfia. Ganhou nova identidade, fez uma plástica e morreu em 2000.

A colaboração de Paulo Roberto e Yousseff demanda paciência e tempo, com o prosseguimento de interrogatórios e acareações. Não haveria Paulo Roberto sem conluio com grandes empresas nacionais e estrangeiras. Da mesma forma, não haveria Yousseff sem bancos que operassem suas traficâncias. Em todos os casos, o melhor que essas empresas têm a fazer é seguir o exemplo da Siemens, que ajudou a desvendar a rede de propinas na venda de equipamentos para governos tucanos de São Paulo.

A ideia segundo a qual só há corrupção na política contém um vício. Se a corrupção fosse só dos políticos, no caso do parlamentares, os doutores iriam a Brasília na segunda-feira e ficariam até quinta trocando propinas. Se fosse assim, na sexta a conta ficaria zerada. Falta botar na roda as empresas que movem o circo, e essa é a trilha que Paulo Roberto Costa e Yousseff podem mostrar à Viúva.

Os caciques do PSB detonaram o Rio
No final de junho, o Partido Socialista, coligado com o PROS, tinha candidato ao governo do Rio. Era o deputado Miro Teixeira, indicado por Marina Silva que à época era um apêndice na chapa de Eduardo Campos. Ele entraria numa disputa em que os favoritos eram medidos muito mais pela escala dos defeitos do que pela qualidade de cada um. Pezão, com a herança de Sérgio Cabral; Garotinho, com sua própria biografia, e Lindbergh Farias com a marca petista. Num lance de astúcia, o PSB do Rio se articulou para apoiar Lindbergh. Coisa esquisita, visto que Eduardo Campos fazia campanha contra o comissariado.

Defendendo a candidatura de Miro, Marina Silva chegou a organizar uma viagem ao Rio, subindo o Morro da Mangueira com ele e Eduardo Campos. Não tiveram a companhia de um só representante do PSB. Desde então, Miro disputa mais um mandato de deputado federal. Estava eliminada a possibilidade de o Rio de Janeiro ter um candidato a governador que nada tivesse a ver com Cabral, Garotinho ou o comissariado.

Semanas depois caiu em Santos o jatinho em que viajava Eduardo Campos, Marina tornou-se competitiva, mas sua coligação ficou sem candidato no Rio. Teria sido uma boa ideia levar aos eleitores um nome com dez mandatos de deputado federal sem nódoa. Mais: Miro Teixeira foi buscar a reeleição e pode exibir um levantamento do trabalho da bancada fluminense, na qual é o parlamentar com maior assiduidade (98% de comparecimento às sessões) e menor despesa com penduricalhos de gabinete. Enquanto houve quem gastasse R$ 1,2 milhão, ele só custou R$ 398 mil que pagaram passagens do Rio para Brasília em quatro anos.

Aécio esclarece
Aécio Neves corrige e esclarece:

“Não uso sapatos Ferragamo e não me lembro sequer de ter um dia entrado numa loja da marca”.

Aécio calça produção nacional.

Gato na tuba
A OAB do Rio de Janeiro se encrencou no processo de indicação de advogados para o quinto constitucional do Tribunal de Justiça. Entre os candidatos está a advogada Mariana Fux, de 33 anos, filha do ministro Luiz Fux, do STF, e são muitos os adversários de sua escolha, por motivos variados. Jogo jogado.

Ela teve suas credenciais aceitas pela comissão competente da Ordem. O passo seguinte seria sua inclusão (ou exclusão) numa lista sêxtupla. O gato entrou na tuba quando, para preservar “a lisura do processo”, o julgamento das credenciais da advogada foi remetido ao Conselho da Seccional. Como seria esse mesmo conselho quem organizaria a lista, a providência soa redundante (porque o Conselho pode recusá-la) e casuística (porque só valeria para ela).

No centro da questão está o fato da advogada ser filha do ministro. Se alguém demonstrar que Fux fez pressão nepotista, ela não pode ser desembargadora, nem ele ministro. Sem isso, rito é rito.

A nuvem do casuísmo desapareceria se a “lisura do processo” se tornasse permanente, transferindo-se aos Conselhos os julgamentos das credenciais de todos advogados indicados pela OAB.

Luiz Hildebrando
Foi-se embora Luiz Hildebrando Pereira da Silva. Por comunista, ralou quinze anos de exílio. Por cientista e brasileiro voltou ao país e continuou suas pesquisas buscando a cura da malária, em Rondônia.

Como ele escreveu, despedindo-se: “Au revoir”.

Dilma e o pacto com o diabo

Mary Zaidan
Blog Noblat

Campanhas eleitorais costumam ser mais emoção do que razão. São sempre criticadas por não se aprofundar em temas urgentes, por abusar dos ataques e contra-ataques. Mas nunca antes na história deste país uma campanha foi tão infame e deseducadora. O retorno da presidente Dilma Rousseff à liderança isolada da disputa depois de artilharia intensa – tendo a mentira como principal arma – não deixa dúvidas. Corrobora com a maquiavélica tese do vale tudo, de se fazer o diabo.

Marina Silva foi bombardeada por Dilma e Aécio Neves. Mas até o capeta se assustou com a tática usada pelos petistas para desconstruí-la.

De uma hora para outra, a ex-ministra de Lula virou defensora do capital e dos banqueiros, companheira de tucanos neoliberais que querem aniquilar com as estatais, acabar com o Bolsa Família e com a CLT.

Vencida a primeira batalha, a campanha de Dilma tratou de proteger o flanco que poderia sangrá-la: a roubalheira na Petrobrás, que começou a ganhar forma e endereço com a delação premiada de Paulo Roberto Costa.

Especialistas em transformar os males que os afligem em virtudes, os petistas rapidamente produziram uma nova Dilma contra a corrupção. Não aquela Dilma-faxineira que chegou a fazer sucesso no primeiro ano de mandato e que sucumbiu. Outra personagem, desta vez encarnando a líder no combate à impunidade.

Há duas semanas, em todas as entrevistas e discursos – incluindo a fala eleitoral na abertura da Assembleia da ONU –, Dilma empunha a bandeira anticorrupção. Na sexta-feira, prometeu endurecer contra agentes públicos que prevaricam, além de reformar a Justiça e criar leis para facilitar a perda de bens adquiridos de forma ilícita.

Tudo promessas para um eventual segundo mandato, sem explicar por que até agora nada fez.

Garantiu ainda que pretende tornar crime a prática de caixa 2. Prova inconteste de que, assim como o seu partido, ela desconsidera por completo a lei eleitoral, que prevê punição de até dois anos de prisão para o delito. Uma proposta feita pela OAB, que não obteve aval de seu governo, amplia a pena para até oito anos. 

Dilma ainda terá de explicar por que disse que não sabia de “malfeitos” na Petrobrás, quando, segundo reportagem do jornal O Globo, ela própria, então ministra da Casa Civil, pediu para que a Controladoria da União investigasse desvios apontados pelo TCU nas obras da refinaria de Abreu e Lima, processo arquivado sem investigação.

Mas isso não apoquenta a presidente. Afinal, faltam apenas sete dias para as eleições. A ordem continua sendo fazer o diabo. Ainda que se saiba que a conta que ele costuma cobrar seja fatal.


(Imagem: Ailton de Freitas / Agência O Globo)
 Dilma Rousseff durante entrevista sobre a sua campanha