quarta-feira, outubro 08, 2014

A hora da razão

O Estado de S. Paulo
Editorial

Depois de quatro anos de Dilma Rousseff, o Brasil está pior, sob todos os aspectos. A economia empacou e flerta com a recessão; o modelo de crescimento baseado no estímulo ao consumo dá sinais claros de esgotamento; o emprego desce, limitado às faixas salariais inferiores, e a inflação sobe, atropelando o teto da meta; o equilíbrio fiscal depende cada vez mais da contabilidade criativa; o Itamaraty foi sucateado e a diplomacia brasileira, colocada a serviço da visão de mundo petista; a corrupção se alastra no aparelho estatal, dando a impressão de que só não existe onde não é procurada; a insatisfação popular se amplia e aprofunda diante da incapacidade do governo de entregar aos cidadãos com um mínimo de qualidade os serviços pelos quais todos pagam.

A gestão Dilma é o que se pode chamar de fracasso retumbante. Um vexame que só não é maior do que a empáfia com que a candidata à reeleição vende na tribuna da ONU e na propaganda eleitoral o embuste de um país paradisíaco resgatado do subdesenvolvimento e da injustiça social por 12 anos de façanhas lulopetistas.

De quatro em quatro anos, porém, o sistema democrático nos dá a oportunidade de corrigir os rumos da gestão da coisa pública. É hoje o dia. Mais uma vez, as urnas eleitorais se abrem, oferecendo aos brasileiros a possibilidade de concretizar o desejo de mudança expresso nas manifestações de rua e claramente captado pelas pesquisas de opinião.

É preciso que o eleitor tenha claro, no entanto, o exato significado de mudança neste momento delicado da vida nacional. Mudar, hoje, significa apear do poder um partido que, ao arrepio de suas convicções originais, se concentrou em programas de governo sob medida para a viabilização de um projeto de perpetuação no poder, não se pejando de fazer, para isso, toda sorte de concessão às forças políticas mais corruptas e retrógradas do País que, antes suas inimigas, foram promovidas a "base aliada".

Não basta, porém, apear o PT et caterva do poder. É necessário saber como preencher o enorme vazio deixado pelo irresponsável pragmatismo populista de Lula e pela estonteante incompetência de Dilma Rousseff. E as possibilidades de concretização da alternância se resumem a duas candidaturas: Marina Silva, do PSB, e Aécio Neves, do PSDB.

A ex-ministra do Meio Ambiente, que se tem colocado claramente em oposição às pretensões reeleitorais de Dilma, experimentou um forte crescimento de sua candidatura logo após o trágico desaparecimento do ex-governador Eduardo Campos. Essa tendência refluiu, mas ainda hoje ela se apresenta como forte aspirante à disputa do segundo turno. O fato de Marina ter militado por duas décadas no PT, do qual se retirou movida por divergências programáticas, sugere que ela conhece muito bem aqueles que hoje combate e sabe, portanto, o que prejudica e compromete o País. Mas, ao mesmo tempo, algumas características de temperamento e as circunstâncias políticas que envolvem sua candidatura a transformam numa incógnita. E de incertezas o País está farto.

Aécio Neves, por sua vez, representa um grupo político que, com a idealização e execução do Plano Real, 20 anos atrás, demonstrou capacidade e competência para resgatar a economia brasileira do fundo do poço e assentar as bases para o desenvolvimento que permitiu os avanços sociais e econômicos do governo Lula. E os muito bem-sucedidos governos do PSDB nos dois maiores Estados da federação, São Paulo e Minas Gerais, neste com o próprio Aécio, são respeitável aval à candidatura tucana.

Eleito, Aécio Neves estará aglutinando um bloco de parlamentares, técnicos e homens de pensamento e ação, capazes de remover da administração pública e da política os vícios nelas implantados pelo lulopetismo - e capazes, também, de colocar o Brasil novamente no rumo do crescimento sustentado e responsável.

Para que isso aconteça - para que o Brasil possa de novo ser um país onde as esperanças de um presente estável e de um futuro promissor de fato se realizem -, cada brasileiro que deseja o retorno à administração pública dos valores da honestidade, da correção, do compromisso com a coisa pública e com a eficiência, deverá votar bem. Será uma escolha entre o atraso escandaloso dos "coronéis" e a modernidade.

Novo governo terá de usar o gogó

Raul Velloso
O Globo

O modelo simplista de expansão da demanda de consumo que vem sendo adotado desde 2003 está esgotado. A estagnação da produção industrial e da taxa de investimento, e, por último, a queda da taxa de crescimento potencial do PIB brasileiro de cerca de 4,5% ao ano, para algo entre 0 e 1% ao ano, são os principais sinais de que o modelo precisa mudar radicalmente. Agora, é preciso o País se voltar completamente para o crescimento do investimento,  especialmente em infraestrutura e especialmente privado (pois o setor público, além de ineficiente, está virtualmente quebrado), o que levaria ainda ao aumento da produtividade geral da economia, seja qual for o próximo governo.

Não adianta o governo dizer que a taxa de desemprego é baixa. Nas difíceis condições atuais, para o desemprego começar a aumentar seguidamente, é só um passo.

Outro problema ignorado pelo governo é a iminente crise fiscal em que suas políticas nos colocaram, depois de termos conquistado vários degraus de credibilidade nessa área, sem falar na inflação descontrolada. Como no Brasil o gasto público é muito rígido e sua expansão é parte fundamental do modelo econômico atual, tudo depende do que acontece com a receita.

Para compensar o setor industrial, principal prejudicado pelo modelo consumista em vigor, o governo desonerou a tributação incidente em especial sobre esse setor; aumentou brutalmente os empréstimos subsidiados a ele destinados principalmente via BNDES; achatou as tarifas de energia elétrica deixando uma conta gigantesca para a União e os consumidores pagarem futuramente; segurou os preços de combustíveis, tarifas de ônibus e pedágios; forçou a adoção das menores tarifas e taxas de retorno imagináveis nas concessões de serviço público; e, o que é pior, tem assistido impassível à queda do crescimento tanto do PIB como da arrecadação tributária e dos superávits fiscais.

O que mais faz é pôr em prática soluções não convencionais ou práticas condenáveis de contabilidade criativa, amplamente rejeitadas pelos analistas.

A recuperação do investimento e do crescimento do PIB é a única saída para evitar que o País perca sua classificação de “grau de investimento” pelas agências internacionais de risco, o que detonaria mais uma das crises de curto prazo que pareciam fora de nosso radar. Essas crises, como já se viu, provocam forte aumento da inflação, das taxas de juros e do desemprego.

A insistência do atual governo de atribuir a culpa desses resultados desfavoráveis à “situação externa” deixa de fazer qualquer sentido, pois a produção industrial mundial já se descolou da nossa há bastante tempo. Em que pese a importância desses resultados, praticamente nada disso tem sido abordado no debate eleitoral.  Para se qualificar para mais um mandato, o atual governo deveria reconhecer o fracasso do modelo que vem pondo em prática, e demonstrar como fará para nos retirar da armadilha em que estamos metidos.

Como, na melhor hipótese imaginável,  nem o gasto será cortado nem o crescimento do PIB e da arrecadação ocorrerão no curtíssimo prazo, o próximo governo terá de convencer os mercados, no gogó, que tem um programa de trabalho sério, crível e comprometido com esses objetivos. Penso que uma nova administração, mais comprometida com mudança, faria mais sentido no difícil momento que vivemos.

(Para uma discussão mais detalhada dos argumentos aqui apresentados, sugiro a leitura do artigo que estou colocando hoje em www.raulvelloso.com.br)

Cada peça em seu lugar.

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Nem todos os políticos próximos a Marina vão migrar para Aécio. O PSB se reúne hoje para decidir o futuro, mas deve dividir-se. Roberto Amaral, presidente do partido, está muito próximo de Dilma; o governador Ricardo Coutinho, da Paraíba, que luta pela reeleição, também (em seu Estado, o apoio de Dilma é importante para o segundo turno). O governador do Amapá, Camilo Capiberibe, é Dilma de coração, e ponto final.

Beto Albuquerque, vice de Marina, fecha com Aécio. Júlio e Tarciso Delgado, de Minas, são não apenas apoiadores, mas amigos de Aécio. O PSB de Pernambuco, que esmagou os adversários na eleição, é Aécio; a maior parte do partido, enojada com a campanha do PT contra Marina, deve segui-lo.

E o mais importante: Renata, viúva de Eduardo Campos, agora é Aécio desde criancinha. João, filho mais velho de Eduardo, adoraria entrar na campanha.

Marina Silva, que é quem tem votos no partido, vai com Aécio e promete empenhar-se por ele, desde que concorde com os principais pontos de seu programa de Governo. Sem problemas: todos já constam da lista tucana. E Marina, na campanha, garante que o apoio de Renata Campos não será apenas formal. A tragédia as aproximou; e se transformaram em amigas, numa ligação que envolve posição política, respeito mútuo, empatia. A presença de Marina na campanha é tão importante que Fernando Henrique Cardoso é quem a convida para participar. 

Para quem foi achincalhada e insultada pelo PT, é a volta por cima.

Acertando os pontos
O PPS, que apoiou Marina, fecha com Aécio. O PV de Eduardo Jorge decide hoje - a dificuldade é que, nos vários Estados, o PV adotou posições diferentes, ora ao lado do PT, ora contra o PT. O PSOL, ao que tudo indica, vai com Dilma.

Primeiras pesquisas
Amanhã, quinta, no Jornal Nacional, saem as pesquisas Ibope e Datafolha. É a primeira oportunidade para saber quem sai na frente - ou não, ou talvez sim. Aplicando-se a margem de erro, talvez saiam os números da eleição na Bolívia.

Há controvérsias
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, PMDB, segundo colocado na disputa pelo Governo paulista, vê a possibilidade de disputar a Prefeitura paulistana em 2016. Só há um problema: Michel Temer, que comanda o PMDB, quer vê-lo longe.

A hora... 
Há agora 28 partidos representados na Câmara Federal. No total, as legendas aliadas a Dilma têm 304 parlamentares; os adversários, 128. Mas não se impressione: se Dilma ganhar, os 304 se transformam em 404 de um dia para outro. Se Aécio ganhar, os 128 pulam para 328 antes da meia-noite do dia da apuração.

Dúvida: se é assim, para que tantos deputados? E para que tantos partidos? Teremos tantas correntes políticas nesse país que necessitem de partidos para organizar-se? A resposta, claro, é não: os partidos proliferam porque recebem bom dinheiro do Fundo Partidário (o PRTB de Levy Fidelix, por exemplo, tem pouco mais de R$ 100 mil mensais). Têm um determinado tempo na propaganda de TV, muito valioso. 

Em outras palavras, vale a pena montar um partido. 

...do limite
O Supremo derrubou uma vez a cláusula de barreira, que exigia 5% do eleitorado, dividido em nove Estados, para que um partido recebesse benefícios. Mas já se pensa nisso de novo. Mais um pouco, não haverá orçamento que chegue.

Coisa estranha
Está num vídeo amplamente divulgado: uma manifestação de agentes da Polícia Federal, no Rio, por aumento de salários. Críticas pesadas ao Governo Federal. E alguém, no carro de som, proclamando que, no dia em que os agentes federais contarem à imprensa o que sabem, acaba o Governo.

OK: ou eles mentem ou falam a verdade. Se mentem, é o fim da picada. Se não mentem, estarão prevaricando: um agente público não pode silenciar a respeito de irregularidades.

Dinheiro sobrando
Há 263 carros dos Correios abandonados há quase dois anos num terreno de Vila Matias, em Santos. Por que estão ali? Não se sabe. Por que estão ao ar livre, deteriorando-se, sujeitos a depredação e furtos? Não se sabe. A direção dos Correios não sabe? Sabe: em abril, há mais de seis meses, o Ministério Público Federal cobrou providências dos Correios. Talvez a carta não tenha chegado - e o fato é que até hoje os carros, comprados com o dinheiro do caro leitor, continuam abandonados. 

O Ministério Público determinou que os Correios, em 30 dias, guardem os veículos em lugar adequado, em que não se deteriorem; elimine focos de mosquitos nos carros abandonados; faça o inventário dos carros, mande consertar os que forem aproveitáveis e venda os que não forem.

Simples, não? Mas há quase dois anos os carros estão lá, sem que a estatal federal se mexa.

O cargo e a surra
O senador Vital do Rego, do PMDB paraibano, lutou e conseguiu ser presidente das duas CPIs sobre a Petrobras. A notoriedade não lhe valeu muito: ficou em terceiro lugar na disputa do Governo da Paraíba, com 5,2% dos votos.

carlos@brickmann.com.br 
www.brickmann.com.br

Um soco na onipotência

Roberto Damatta
O Estado de São Paulo

Todo mundo deve saber que a onipotência é o poder infinito e esmagador de um deus ou de uma figura dotada de capacidades titânicas para o bem ou para o mal.

No Brasil, os onipotentes que chegam ao poder são idolatrados, porque nossa cultura tem como base e modelo a gradação e a hierarquia e ambas têm uma extraordinária afinidade com o puxa-saquismo, com a bajulação, com a hipocrisia e com o bater em cavalo morto. É fácil torcer para o Brasil quando ele é pentacampeão e é mais fácil ainda negá-lo mil vezes, como fez São Pedro com Cristo, quando o Brasil perde de 7 a 1 para a Alemanha. Essa Alemanha que voltou a ocupar o lugar de superior em tudo - disciplina, coerência, treinamento e - quem sabe - a velha pureza racial que nós ainda lamentamos em certas situações.

O passado não discutido com sinceridade volta. Ele é apenas eclipsado.

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Começo essa crônica numa bela manhã e domingo e estou irremediavelmente dividido. Um lado meu gostaria que o PT perdesse - que fosse, para ser arriscadamente franco e para entrar em mais algumas listas negras, defenestrado do poder (mas, note bem, jamais da política brasileira). Um outro, porém, está convencido que Aécio achou o seu papel e o seu tom e vai ganhar num segundo turno. Como essa coluna sai na quarta-feira e o segundo turno vai ocorrer no dia 26, estou sendo moído pela angústia. Angústia que hoje faz parte do meu modo de ser. Não saber o futuro e aceitar o sofrimento é um modo de admitir a minha fragilidade diante da vida. Eu aprendi esse segredo. Por isso, não fujo da minha angústia, mas deixo que ela se manifeste e a recebo no meu coração. Procuro saber o que quer e, quando é possível, tomo um Joãozinho Caminhador com ela o que nos envolve na felicidade dos apaziguados. Dos que têm consciência de que, na vida, é preciso ter a noção do suficiente para sermos relativamente menos infelizes.

Sempre soube que não sabia, mas hoje tenho a mais absoluta certeza disso. Mas o não saber não me eximiu de ter declarado meu voto e ter sido admoestado por algumas pessoas que, muito mais sábias, me alertavam do risco que corria.

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Pois bem. Aécio Neves, com sua tranquilidade batalhou, enfrentou e virou o jogo. Foi o único que, no famoso debate da Globo, falou que todos os candidatos a presidente e, por implicação, a qualquer cargo eletivo - cargos que implicam não em grana e poder, mas em servir ao Brasil - se somavam. Todos os presidenciáveis, disse ele, continuavam projetos e planos que foram inventados e instituídos por seus antecessores. O único partido que negou isso foi o PT, que realizou sistematicamente o discurso Lulista do "nunca antes neste país" - exceto com ele e com o PT e que, no governo Dilma, usa o onipotente "nós" como a chave em todos os seus confusos discursos. O lulo-petismo está convencido (como ocorre com todo radical) que o Brasil e o mundo começam com eles. Aécio foi o único que falou numa continuidade de projetos como os de distribuição de renda que, em vez de separar, juntam posições do PT com os do governo de PSDB.

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Estou seguro de que esta eleição será, com Aécio, a da descoberta da soma e da continuidade. O Brasil, amigos, é muito maior que nós. Ele é um palco que não escolhemos para atuar e viver. A língua que falamos e os lugares onde nascemos e adquirimos consciência de nós mesmos e do mundo não foram inventados por nós. Do mesmo modo e pela mesma lógica de uma implacável finitude que desmancha onipotências, um dia sairemos do Brasil por mais que tenhamos achado que fazíamos todas as diferenças. Alguém se lembra do ministro da saúde do governo Rodrigues Alves? Aliás, leitor culto e educado, você sabe quem foi Rodrigues Alves?

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Um mundo em rede exalta individualidades, mas tem um lado oculto. Ele nos obriga a ver como estamos presos uns aos outros e como o discurso orgulhoso e valente do grande, mas iludido século 19 tem que ser modificado. Não basta ser contra banqueiros ou contra o nosso sistema produtivo, colocando-se no velho modelo dos revolucionários. É preciso saber como a rede nos afeta quando um pedaço dela se modifica. Estar enredado não significa estar enjaulado, mas se conhecer como uma parte menor, embora significativa, de um país e de um planeta. Um todo que segue somente em parte planificado porque o inesperado existe e faz parte - como prova essa eleição - da vida e do cosmos.

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Acabo de saber que vai haver um segundo turno e que o Aécio lá chegou. Minha angústia diminui de um lado, mas aumentou do outro.

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Cabe finalizar que, com essas eleições, iremos controlar os personalismos lulistas de índole malandra e neofascista. Todos os resultados pedem mais honestidade e seriedade com o governo da coisa pública. Tenho a esperança de liquidar com esses donos espúrios de um Brasil que é de todos nós. Esse é o pleito que nocauteou a onipotência e, com ela, a demagogia, a roubalheira, o aparelhamento do estado pelo governo, a corrupção deslavada, os dois pesos duas medidas no plano jurídico e econômico e, por último, mas não por fim, a autoridade absoluta de um partido cujo objetivo era muito mais o de trabalhar para um projeto de poder do que para o poder do Brasil.

Basta de PT

Marco Antonio Villa
O Globo 

Dilma foi a terceira pior presidente em termos de crescimento econômico. Só perdeu para Floriano Peixoto e Fernando Collor

Estamos vivendo um momento histórico. A eleição presidencial de 2014 decidirá a sorte do Brasil por 12 anos. Como é sabido, o projeto petista é se perpetuar no poder. Segundo imaginam os marginais do poder — feliz expressão cunhada pelo ministro Celso de Mello quando do julgamento do mensalão —, a vitória de Dilma Rousseff abrirá caminho para que Lula volte em 2018 e, claro, com a perspectiva de permanecer por mais 8 anos no poder. Em um eventual segundo governo Dilma, o presidente de fato será Lula. Esperto como é, o nosso Pedro Malasartes da política vai preparar o terreno para voltar, como um Dom Sebastião do século XXI, mesmo que parecendo mais um personagem de samba-enredo ao estilo daquele imortalizado por Sérgio Porto.

Diferentemente de 2006 e 2010, o PT está fragilizado. Dilma é a candidata que segue para tentar a reeleição com a menor votação obtida no primeiro turno desde a eleição de 1994. Seu criador foi derrotado fragorosamente em São Paulo, principal colégio eleitoral do país. Imaginou que elegeria mais um poste. Não só o eleitorado disse não, como não reelegeu o performático e inepto senador Eduardo Suplicy, e a bancada petista na Assembleia Legislativa perdeu oito deputados e seis na Câmara dos Deputados.

A resistência e a recuperação de Aécio Neves foram épicas. Em certo momento da campanha, parecia que o jogo eleitoral estava decidido. Marina Silva tinha disparado e venceria — segundo as malfadadas pesquisas. Ele manteve a calma até quando um dos seus coordenadores de campanha estava querendo saltar para o barco da ex-senadora.

E, neste instante, a ação das lideranças paulistas do PSDB foi decisiva. Geraldo Alckmin poderia ter lavado as mãos e fritado Aécio. Mas não o fez, assim como José Serra, o senador mais votado do país com 11 milhões de votos. Foi em São Paulo que começou a reação democrática que o levou ao segundo turno com uma vitória consagradora no estado onde nasceu o PT.

Esta campanha eleitoral tem desafiado os analistas. As interpretações tradicionais foram desmoralizadas. A determinação econômica — tal qual como no marxismo — acabou não se sustentando. É recorrente a referência à campanha americana de 1992 de Bill Clinton e a expressão “é a economia, estúpido”. Com a economia crescendo próximo a zero, como explicar que Dilma liderou a votação no primeiro turno? Se as alianças regionais são indispensáveis, como explicar a votação de Marina? E o tal efeito bumerangue quando um candidato ataca o outro e acaba caindo nas intenções de voto? Como explicar que Dilma caluniou Marina durante três semanas, destruiu a adversária e obteve um crescimento nas pesquisas?

Se Lula é o réu oculto do mensalão, o que dizer do doleiro petista Alberto Youssef? Imagine o leitor quando o depoimento — já aceito pela Justiça Federal — for divulgado ou vazar? De acordo com o ministro Teori Zavascki, o envolvimento de altas figuras da República faz com que o processo tenha de ir para o STF. E, basta lembrar, segundo o doleiro, que só ele lavou R$ 1 bilhão de corrupção da Refinaria Abreu e Lima. Basta supor o que foi desviado da Petrobras, de outras empresas e bancos estatais e dos ministérios para entender o significado dos 12 anos de petismo no poder. É o maior saque de recursos públicos da História do Brasil.

Nesta conjuntura, Aécio tem de estar preparado para um enorme bombardeio de calúnias que irá receber. Marina Silva aprendeu na prática o que é o PT. Em uma quinzena foi alvo de um volume nunca visto de mentiras numa campanha presidencial que acabou destruindo a sua candidatura. Não soube responder porque, apesar de ter saído do PT, o PT ainda não tinha saído dela. Ingenuamente, imaginou que tudo aquilo poderia ser resolvido biblicamente, simplesmente virando a face para outra agressão. Constatou que o PT tem como princípio destruir reputações. E ela foi mais uma vítima desta terrível máquina.

O arsenal petista de dossiês contra Aécio já está pronto. Os aloprados não têm princípios, simplesmente cumprem ordens. Sabem que não sobrevivem longe da máquina de Estado. Contarão com o apoio entusiástico de artistas, intelectuais e jornalistas. Todos eles fracassados e que imputam sua insignificância a uma conspiração das elites. E são milhares espalhados por todo o Brasil.

Teremos o mais violento segundo turno de uma eleição presidencial. O que Marina sofreu, Aécio sofrerá em dobro. Basta sinalizar que ameaça o projeto criminoso de poder do petismo. O senador tucano vai encontrar pelo caminho várias armadilhas. A maior delas é no campo econômico. O governo do PT gestou uma grave crise. Dilma foi a terceira pior presidente da história do Brasil republicano em termos de crescimento econômico. Só perdeu para Floriano Peixoto — que teve no seu triênio presidencial duas guerras civis — e Fernando Collor — que recebeu a verdadeira herança maldita: uma inflação anual de quatro dígitos. O PT deve imputar a Aécio uma agenda econômica impopular que enfrente radicalmente as mazelas criadas pelo petismo. Daí a necessidade imperiosa de o candidato oposicionista deixar claro — muito claro — que quem fala sobre como será o seu governo é ele — somente ele.

Aécio Neves tem todas as condições para vencer a eleição mais difícil da nossa história. Se Tancredo Neves foi o instrumento para que o Brasil se livrasse de 21 anos de arbítrio, o neto poderá ser aquele que livrará o país do projeto criminoso de poder representado pelo PT. E poderemos, finalmente, virar esta triste página da nossa história.

No segundo turno, um plebiscito

Elio Gaspari 
O Globo

 ‘Chega de PT’, ou ‘Mais PT’, essa será a escolha que o eleitorado fará daqui a três semanas

A doutora Dilma vai para o segundo turno sem uma plataforma clara. Em junho, durante a convenção do PT para anunciar um “Plano de Transformação Nacional”, no qual, além de generalidades, ela prometeu uma reforma dos entraves burocráticos e um projeto de universalização do acesso à banda larga. Como? Não explicou. No seu lugar, entraram autolouvações e manobras satanizadoras contra os adversários. Delas, a mais mistificadora é aquela que confunde os oito anos de Fernando Henrique Cardoso com uma ruína econômica e social. Foi o período de esplendor da privataria, época em que um hierarca do Ministério do Trabalho dizia que o aumento do número de brasileiros sem carteira assinada era uma boa notícia, mas deve-se ao tucanato algo muito maior: o restabelecimento do valor da moeda. Sem isso, Lula, Dilma e o PT não teriam conseguido quaisquer avanços sociais. Por questão de justiça, reconheça-se que o DNA demofóbico de parte do tucanato seria um obstáculo para que fizesse o que Lula fez.

A ideia segundo a qual o PT precisa continuar no poder porque no poder deve continuar é pobre e pode funcionar como uma armadilha. Na noite de domingo, a doutora Dilma afirmou que o “povo brasileiro vai dizer que não quer os fantasmas do passado de volta”. Pode ser, desde que se entenda que o Brasil de FHC foi um castelo mal-assombrado. Mesmo nesse caso, o PT faz sua campanha pretendendo continuar no governo pelos defeitos do adversário e não pelas suas próprias virtudes. Colocando a questão dessa maneira, deu a Aécio Neves a oportunidade de responder: “O Brasil tem medo dos monstros do presente”.

O desempenho da doutora no primeiro turno foi o pior desde 1998. Ficou em terceiro lugar em São Bernardo, no coração do ABC paulista. A bancada petista no Congresso perdeu 18 cadeiras. Em Pernambuco, foi dizimada. Boa notícia, o PT só recebeu de Minas Gerais, onde o eleitorado negou ao PSDB o mandato que lhe daria 16 anos de poder ininterruptos. É isso que o PT busca na esfera federal. Nunca na história deste país um grupo político homogêneo ficou no poder por 16 anos.

Dilma vai para o segundo turno com a arma do favoritismo de quem ganhou no primeiro. Contudo, faltam-lhe dois amparos. Agora, o tempo de televisão será o mesmo e os debates serão mano a mano. Aécio, como fez o petista Fernando Pimentel em Minas, falará em desejo de mudança. É o “Chega de PT”. Dilma defenderá o “Mais PT”. Darão ao pleito um tom plebiscitário. Seria melhor se discutissem propostas para os próximos quatro anos. O PT carrega êxitos e escândalos, porém, o programa de Aécio é mais uma coleção de platitudes e promessas. Seus capítulos para a educação e a saúde não enchem um pires. Se Marina Silva obtiver dele a meta de implantar em quatro anos o tempo integral nas escolas públicas, terá justificado sua passagem pela disputa. Em qualquer país que tenha um sistema universal de saúde com uma clientela de 150 milhões de pessoas, suas deficiências seriam discutidas por todos os candidatos. O assunto ficou fora dos debates. Aconteceu a mesma coisa com os planos privados, que coletam recursos de 48 milhões de fregueses e financiam generosamente seus candidatos.

Socialismo e costela

Percival Puggina
Tribuna da Internet


Embora pilote minha churrasqueira com razoável competência, não sou perito em cortes de carnes. Li outro dia que o corte de costela é o mais consumido no Rio Grande do Sul. Pessoalmente, porém, não sou bem sucedido nas ocasiões em que tento assá-las. Repete-se algo que muitas vezes ouvi anfitriões comentarem em churrascadas alheias: “Esta costela não é bem aquela”. Entende-se por “aquela”, nessa frase, a costela ideal, com bastante carne, pouca gordura, osso delgado, macia e saborosa.

Quando me falam em socialismo, em comunismo, sempre me lembro dessas costelas que não dão certo. As experiências históricas com o socialismo jamais correspondem a “aquele” socialismo ao qual o vendedor de ideologia está se referindo. Você refuga a tese apontando os fracassos do socialismo e do comunismo (este definitivamente saiu do vocabulário com vergonha do próprio nome), e o vendedor de ilusões o interrompe para dizer que “aquilo” nunca foi o verdadeiro socialismo.

Mas veja só, enquanto a costela, vez por outra, pode exibir um precioso corte “daquela”, o socialismo não tem sequer uma solitária laranja de amostra que possa ser observada no pé da laranjeira. Sua principal sedução é assim apontada por Norberto Bobbio: “O socialismo é cativante porque cada um pode idealizá-lo como desejar”.

RICOS E POBRES
A grande acusação que lançam contra o capitalismo ou economia de mercado é a de ser um sistema que beneficia os ricos e responde pela miséria do mundo. No entanto, se dermos uma olhada no mapa da pobreza extrema do World Food Program, veremos que ela se concentra em regiões e nações que não têm e nunca tiveram uma economia baseada na livre iniciativa, no empreendedorismo.

Não se conhece um único país cuja sociedade tenha sido rica e que empobreceu devido à sua inserção no mercado global. Do mesmo modo, não se conhece um único país cuja sociedade tenha evoluído econômica, social e politicamente enquanto se manteve num ambiente de economia estatizada e centralizada.

Pelo viés oposto, os países europeus e asiáticos que se libertaram do comunismo em fins do século passado e adotaram a economia de mercado encontram-se, hoje, em diferentes mas ascendentes níveis de evolução econômica e social. Tampouco se conhece uma única sociedade que, tendo vivido sob o regime comunista e dele se libertado, manifeste desejo de retornar àquela desgraceira.

Atropelados

José Casado
O Globo 

Lula, Dilma e o PT assustaram-se porque 57 milhões ‘ousaram duvidar’ de suas propostas, preferindo as de Aécio e Marina. Acabaram ultrapassados no ‘cinturão’ operário paulista

Um sentimento de perplexidade prevalece na cúpula do Partido dos Trabalhadores desde a noite de domingo. Em Brasília, por exemplo, os convidados para a celebração do triunfo de Dilma Rousseff (com 43,2 milhões de votos) acabaram figurantes de um pálido festejo.

Rouca, a presidente-candidata anunciou o plano de campanha para os próximos 20 dias: “O povo dirá que não quer os fantasmas do passado, como recessão, arrocho, desemprego (...) Não queremos de volta os que trouxeram o racionamento de energia, que tentaram incluir no processo de privatização a Petrobras, as empresas do setor elétrico, como Furnas, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica.”

É a renovada aposta num antigo receituário da política: qualquer coisa pode virar uma verdade, desde que mais de uma pessoa acredite.

Reflete a drástica mudança no humor petista depois de 12 anos no poder. Dissipou-se o tom de leveza e autojúbilo, permeado pela soberba da crença de que só ao PT cabe o papel de condutor da “mudança do Brasil”.

A raiz dessa comoção vai além da recuperação de Aécio Neves (34,9 milhões de votos), num esforço tão exuberante quanto solitário. Ou mesmo da resiliência de Marina Silva (22,1 milhões de votos) em sete semanas com dois minutos de propaganda no rádio e televisão, sob forte bombardeio em outros 15 minutos. O abalo petista tem mais a ver com o comportamento do eleitorado no Sudeste, especialmente em São Paulo, onde Lula surgiu, criou e consolidou o mais organizado partido político brasileiro.

Um mês atrás, na madrugada de sábado 6 de setembro, Lula mandou acordar dirigentes do PT. Na reunião improvisada, Lula desabafou seu “desentendimento” sobre o rumo da eleição. Fora a um comício em São José dos Campos, na hora de saída dos trabalhadores, e só encontrou meia praça cheia. Em outro, na porta 35 da Ford, em São Bernardo do Campo, a plateia não somou uma centena de pessoas.

“As pessoas podem, e devemos admitir, que não concordem com a gente ideologicamente”, disse. “O que não podemos aceitar é sermos tratados como segunda classe. Porque foi a partir do nosso partido que começou a mudar a história da administração pública nesse país.”

Acrescentou: “Vamos ter que fazer procissão, suar a camisa e discutir com aquelas pessoas que ousam duvidar da gente.” Wagner Freitas, presidente da CUT, emendou: “Não é possível, depois de 12 anos de trabalho exitoso, não ter resposta a essa direita ultrapassada.”

O mapa de votação de Dilma Rousseff mostra que o PT acabou atropelado no seu núcleo, o “cinturão” operário. Perdeu na capital (com 20,6% dos votos), em Santo André (27,6%), São Bernardo (32,7%), São Caetano (14,9%), São José (21,4%), Santos (20,1%), Campinas (25,7%) e Ribeirão Preto (20,7%).

Lula, Dilma e o PT assustaram-se porque 57 milhões “ousaram duvidar” de suas propostas, preferindo as de Aécio e Marina. Porém, o eleitorado que dizimou a bancada petista em Pernambuco, os premiou com os governos de Minas e Bahia, maioria de até 70% no Nordeste e a liderança na chegada ao segundo turno.

Agora, na encruzilhada, precisam optar entre a reinvenção da presidente-candidata e o velho receituário, que estabelece como missão a reforma do país sob critérios exclusivos do PT, não importando os desejos do eleitorado. 

Dois na gangorra

Dora Kramer
O Estado de São Paulo

Os fatos, assim como os desejos, não são dignos de confiança. Desobedientes, costumam criar pernas, nem sempre se realizam conforme o ansiado e têm parte com o inesperado.

Essa campanha é a prova cabal. O eleitorado deixou patente o desejo de mudanças. Primeiro nos protestos dos jovens de junho de 2013, com apoio massivo da população antes de degenerarem para a violência, e depois nas pesquisas de opinião. 

Ao longo da jornada eleitoral, os fatos se embaralharam de tal forma – notadamente depois da dramática entrada em cena do imprevisível – que as mudanças se sucederam no processo e pode ser que não se expressem no resultado, pois a presidente Dilma Rousseff, representante da continuidade, encerra a etapa preliminar como favorita. 

Ressalvada alguma nova surpresa do imponderável, a candidata à reeleição chega ao dia da eleição com o oponente do segundo turno ainda indefinido, em cenário de luta acirrada pela vaga semelhante ao de 1989. 

Naquele primeiro pleito pelo voto direto pós-regime militar, Luiz Inácio da Silva e Leonel Brizola disputaram milímetro a milímetro o espaço das urnas. Lula ficou com a vaga por 16,08% da preferência do eleitorado e Brizola perdeu com 15,45% dos votos. Fernando Collor venceu com 28,05%. 

O eleitorado do presidente do PDT certamente acompanhou a orientação do líder e majoritariamente votou no PT. Não adiantou. Fosse ao contrário é de se supor que Lula também orientaria o voto em Brizola. A despeito das divergências conhecidas e mágoas até hoje não de todo reveladas, os dois seguiram aliados e em 1998 concorreram na mesma chapa; Lula a presidente, Brizola a vice. 

Em 89, se Brizola tivesse passado para o segundo turno, mesmo com o apoio do PT dificilmente teria vencido Collor. Hoje, entre várias tolices que se contam como verdades históricas, atribui-se a vitória a uma edição do último debate entre Lula e Collor na TV Globo. Muito conveniente para expiar a culpa coletiva, mas a verdade é que a maioria estava eletrizada por aquele arrivista que se fantasiava de salvador da pátria. 

Tinha um marketing poderoso, o apoio de todos os meios de comunicação, que resolveram ignorar suas peripécias na prefeitura de Maceió e no governo de Alagoas para alimentar o conto do caçador de marajás. Ele contava ainda com o temor difuso de governos de esquerda. Neste aspecto Brizola era tão (ou mais) bicho papão quanto Lula. 

Portanto, aquele segundo turno era fava contada. Esse de agora não é. De onde a semelhança entre as duas situações (a de 89 e a de 2014) guarda relação apenas com a disputa acirrada pela vaga do segundo turno. Circunstâncias, candidatos, atmosfera e condições objetivas são completamente diferentes.

Fernando Collor era uma abstração. Dilma e o PT representam 12 anos de poder que estarão em julgamento. Para o bem e para o mal. A campanha da reeleição resolveu, como vacina, pôr o assunto corrupção na roda. Correu um risco, no primeiro momento parece ter convencido de que fez o papel de combatente, mas as provas da delação premiada de Paulo Roberto Costa estão começando a aparecer e a canoa pode virar.

Além disso, há os próprios candidatos. Se for Marina Silva a oponente, dificilmente o PSDB deixará de entrar na campanha para derrotar o PT. Mas ela já se mostrou pessoalmente mais fácil de ser massacrada. Os petistas encontraram a fórmula e Marina parece ter perdido a receita que enfeitiçou o eleitorado. 

Se o escolhido for Aécio Neves, o PSB e sua estrutura minguada terão pouco a oferecer. A posição da ex-senadora ainda é dúvida. Valerá mais o sentimento oposicionista, a perspectiva de alternância, a organização partidária, o peso de candidatos proporcionais eleitos e governadores de peso reeleitos no primeiro turno e, sobretudo, a capacidade do PSDB de fazer frente à guerra de extermínio que haverá.

APARELHAMENTO DOS CORREIOS – NOTA

A Associação dos Profissionais dos Correios – ADCAP, entidade sem fins lucrativos fundada em 20/12/1986, sem vinculação a qualquer partido político, em virtude das últimas notícias divulgadas acerca do aparelhamento político da ECT, vem a público manifestar o que se segue:

a) Nos últimos anos o aparelhamento político da ECT se acentuou com as mudanças introduzidas no Manual de Pessoal em 2011, que permitiram o acesso às funções técnicas e gerenciais por empregados e pessoas estranhas aos quadros de pessoal da Empresa sem a observância dos imperativos de competência técnica e capacidade gerencial;

b) Em decorrência dessas alterações, 18 (dezoito) dos 27 (vinte e sete) Diretores Regionais da ECT são filiados ao Partido dos Trabalhadores;

c) Além disso, muitas outras funções são ocupadas por critérios políticos nas Diretorias Regionais e na Administração Central da Empresa;

d) Como exemplos desse aparelhamento, registre-se que enquanto mais de 50.000 mil Carteiros labutam diariamente em condições muitas vezes desfavoráveis por uma remuneração mensal de cerca de R$ 1.500 (hum mil e quinhentos reais), outros Carteiros ligados à burocracia sindical e partidária ocupam elevadas funções em Brasília e nos diversos estados, alguns deles com remunerações superiores a R$ 20.000 (vinte mil reais);

e) O citado aparelhamento afeta também o Fundo de Pensão dos empregados dos Correios, o Postalis, frequentemente citado em notícias veiculadas pela imprensa contendo suspeitas de investimentos duvidosos e de operações fraudulentas;

f) O Postalis já acumula um déficit atuarial superior a R$ 2,2 bilhões em 2013/2014, levando em breve a uma drástica redução dos salários e benefícios dos empregados e aposentados dos Correios e atingindo cerca de 500 mil pessoal, o que levou a ADCAP a solicitar à PREVIC, junto com outras entidades representativas de empregados, a intervenção no Postalis;

Diante do exposto, a ADCAP comunica que está avaliando as medidas judiciais cabíveis e que oportunamente se manifestará novamente sobre o assunto.

Desmontando mais uma mentira do PT contra Aécio

Ricardo Setti
Veja online

COMO AS MENTIRAS CONTRA AÉCIO VOLTAM A CIRCULAR, REPUBLICO ESTE POST IMPORTANTE: ‘Tribunal de Justiça de Minas, por unanimidade, anula processo contra Aécio que vinha sendo utilizado para acusá-lo de “desvio” de dinheiro público’

(Foto: Luiz Alves / Agência Senado)
 Aécio: acusação era sobre se verbas para saneamento básico
 podiam ser consideradas investimentos em saúde 

Post publicado originalmente a 23 de agosto de 2013

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por unanimidade, anulou ontem o processo movido contra o senador e ex-governador Aécio Neves (PSDB-MG) por uma promotora de Justiça que questionava os critérios de investimento do Saúde durante parte de seu período à frente do governo do Estado (o mandato se estendeu de 2003 a 2010).

A ação judicial questionava se os 4,3 bilhões investidos em saneamento por empresa pública do estado poderiam ser considerados gasto em saúde, mas adversários do presidenciável tucano e blogs alugados espalhados por toda parte acusavam-no de “desvio de dinheiro público” — como se o ex-governador tivesse desviado, para si, dos cofres públicos.

Acusavam-no, portanto, de ladrão.

Na decisão,os desembargadores – os mesmos que julgaram o recurso  técnico anterior –  questionaram as motivações da promotora, que, segundo a decisão, não tinha competência legal para mover a ação. Registraram também que, na mesma época, diversos outros  Estados seguiram o mesmo procedimento sem infringir qualquer lei.

O processo decidido pelo TJ mineiro é algo a que estão sujeitos quaisquer ex-governantes: a uma ação de iniciativa do Ministério Público estadual, no caso tendo à frente a promotora Josely Ramos Pontes, que questionou, junto à Justiça, os critérios dos investimentos em saúde feitos por Aécio como governador.

O principal ponto do processo era impugnar que fossem considerados investimentos em saúde, além do dinheiro dos cofres estaduais aplicados no setor, os recursos próprios aplicados pela estatal Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) em saneamento básico (água e esgotos).

Além disso, a promotora levantou a possibilidade de que houvessem sido transferidos fundos do Tesouro de Minas para a Copasa, o que não seria legal. A Advocacia-Geral da União, que defende perante a Justiça os ex-governadores, apresentou provas de que não houve transferência de dinheiro — a única forma de o Tesouro de um Estado injetar recursos numa empresa pública é via aumento de capital, o que não ocorreu, segundo a Comissão de Valores Mobiliários, que fiscaliza empresas com capital em bolsa, como é o caso da Copasa.

Foram apresentados também documentos de auditorias realizadas pela própria empresa e por empresas especializadas independentes corroborando que não houve injeção de dinheiro.

MP estadual também processou Itamar pelo mesmo motivo
Diga-se de passagem que não se tratou de uma “acusação” apenas contra Aécio. A mesma integrante do Ministério Público mineiro, junto com outros dois colegas, já movera ação semelhante contra o ex-governador e ex-presidente Itamar Franco, que governou Minas entre 1999 e 2003 — um homem público probidade reconhecida até por inimigos. O ex-presidente faleceu em 2011, quando exercia mandato de senador.

A promotora pretendia que a Justiça enquadrasse Aécio por improbidade administrativa (lei nº 8.429, de 1992).

(Foto: Agência Senado) 
O ex-presidente Itamar Franco: 
de reputação ilibada, sofreu o mesmo tipo de processo por seu governo em Minas 

Tanto Aécio como o ex-presidente Itamar — cujo processo foi extinto por sua morte — estariam enquadrados na legislação porque teriam deixado de seguir conduta obrigatória, não investindo em saúde os percentuais do Orçamento estadual previstos em lei, mesmo que não tenha havido prejuízo ao Tesouro.

No entender da promotora, teria ocorrido “um dano moral”.

“A acusação é apenas de um suposto desvio de finalidade na utilização dos recursos”, disse Aécio ao blog ainda no curso do processo. “Não existe nenhum centavo desaparecido de nenhum lugar”. Ademais, acrescenta o senador, “os valores referem-se a investimentos em saneamento feitos nas regiões mais pobres do Estado. ( pequenas comunidades dos vales do Jequitinhonha e Mucuri ), o que ajudou a salvar a vida de milhares de crianças pobres”.

O senador considerou, na ocasião, que o processo tem “claro viés político”.

Governo Lula fez coisa parecida, e foi considerada legal
Se a tese defendida pelo MP estadual mineiro valesse, até o governo federal lulopetista teria problemas, uma vez que, durante o lulalato, recursos do programa Fome Zero foram declarados como investimentos em saúde e aceitos sem problemas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Vários Estados brasileiros atuaram da mesma forma, inclusive Estados com governadores petistas, como o Rio Grande do Sul, com Tarso Genro.

Os percentuais dos orçamentos da União, dos Estados e municípios foram estabelecidos em setembro de 2000 pela Emenda Constitucional nº 29, aprovada pelo Congresso. Houve, porém, uma grande disputa política pela regulamentação da emenda, que se estendeu até o ano passado.

Enquanto a emenda não foi regulamentada, ficou cabendo aos tribunais de contas dos Estados a decisão sobre o que podia ou não ser classificado como investimento em saúde. No caso mineiro — como, aliás, nos dos demais Estados em idêntica situação –, o Tribunal de Contas considerou regular a conduta do governo.

Em Minas, o Tribunal “recomendou”, porém, que se diminuíssem os valores investidos pela estatal de saneamento.

A campanha que estava em curso na web acusando Aécio de crimes, insinuando que houve “desvio” como se fosse roubalheira, era orquestrada por gente, sobretudo do PT e de grupos de esquerda radical, com o evidente objetivo de atingir o candidato do PSDB à Presidência em 2014.

Até jornalistas críticos duríssimos do partido e dos tucanos, porém, vinham mostrando que se tratava de mentira. Vejam, por exemplo, este link.

A falência das pesquisas

Carlos Chagas
Tribuna da Internet


Por incompetência ou má fé, os institutos de pesquisa deveriam ser banidos ou punidos, mas perderam toda sua credibilidade, apesar de haverem, na última semana e ontem, tentado ajeitar seus números fajutos anteriores. Admitir que tenham vendido seus números, seria a conclusão lógica, ainda que por falta de provas fique difícil a afirmação. A desmoralização, porém, é óbvia.

Tome-se, para começar, o Rio Grande do Sul. Passaram meses dando Ana Amélia como futura governadora. Pois o governador Tarso Genro chegou em segundo lugar e Ivo Sartori em segundo. O eleitorado gaúcho seria tão volúvel assim, a ponto de mudar de opinião em poucos dias? Em Pernambuco, passaram a apregoar a vitória de Armando Monteiro durante montes de boletins, mas será que Paulo Câmara já não era uma opção da maioria do eleitorado? Na Bahia, Paulo Souto parecia imbatível, quebrou a cara, os institutos sequer situavam Rui Costa.   No Rio, Garotinho ocupou a pole-position fictícia sem que os encarregados da aferição popular ligassem para Luís Fernando Pezão. No final, deu no que deu.

Multipliquem-se os erros por outros estados, ainda que o artifício da “boca de urna” tenha servido para disfarçar malfeitos e até faturamentos. Nem se fala das eleições para senador, apesar da farsa do que se ouviu esta semana, de “com a margem de erro” tudo pode acontecer. Até diferenças de 3 ou 4 % de duvidas, “para cima ou para baixo”, com o ridículo de acrescentarem ser o “nível de confiança de 95%”…

Existem países, como a França, onde as pesquisas são proibidas, mas proibidos, mesmo, deveriam ser os elogios dos meios de comunicação aos erros dos institutos, mesmo diante de falhas tão gritantes. É a evidência de um execrável conluio. No fundo, tudo se resume a um embuste.

Vem aí o segundo turno. A lambança deverá repetir-se, num escândalo tão grande quanto o do mensalão ou o da Petrobrás. Dinheiro voltará a correr entre institutos e candidatos, felizmente superados pelo eleitorado, responsável pela única pesquisa confiável, a própria eleição. Mesmo assim, as próximas eleições vem aí, daqui a dois anos, e as quadrilhas já estão preparadas para novas investidas.

ESCORREGÃO
Papelão, mesmo fez a Justiça Eleitoral, ao implantar a votação biométrica numa   série de estados. Em boa parte deles, não funcionaram as maquininhas de recolher as impressões digitais dos eleitores. O cidadão mostrava seus polegares e indicadores e nada se confirmava, obrigando o indigitado a repetir diversas vezes a tentativa de ser identificado. Será que a população perdeu a pele de seus dedos? O resultado foram longas filas, como em Brasília, pois as juntas apuradoras insistiam, até levando cremes para estimular, nos eleitores, aquilo que tecnologia não conseguia completar.

REPETIÇÃO
O pior de tudo é que, em termos nacionais, será preciso repetir tudo de novo, dia 26. Dilma chegou em primeiro lugar mas não deu para reeleger-se. A baixaria volta com redobrada intensidade, nas campanhas que recomeçam hoje. Mais ataques contra nossa paciência duas vezes por dia, no rádio e na televisão. Democracia é assim mesmo, melhor que seja assim…

Para Aécio, Brasil está espantado é com os monstros do presente

Elizabeth Lopes e Débora Bergamasco  
O Estado de S. Paulo

De acordo com candidato do PSDB, eleitor está assustado com inflação alta, recessão e corrupção

Em sua primeira entrevista coletiva, concedida nesta tarde em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, local onde obteve a maior votação neste primeiro turno, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, já deu o tom sobre como será a sua campanha neste segundo turno, contra a presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff. Depois de convidar Dilma a fazer uma campanha propositiva e de alto nível, ele criticou a adversária, destacando que é o único capaz de promover as mudanças desejadas pela maioria da população.

"Me surpreende abrir hoje os jornais e ver a candidata oficial falar de fantasmas do passado. Na verdade, os brasileiros estão muito preocupados são com os monstros do presente: inflação alta, recessão, corrupção. Portanto, para enfrentar isso é que nós nos preparamos e reunimos alguns dos mais qualificados brasileiros e estamos prontos para vencer a eleição e fazer a grande travessia", destacou o presidenciável tucano, ao lado do governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), do senador eleito por São Paulo, José Serra (PSDB) e do vice em sua chapa, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

Na entrevista, acompanhada por jornalistas do País e por correspondentes estrangeiros, Aécio falou que recebeu hoje pela manhã um telefonema "de forma muito honrosa" da candidata do PSB, Marina Silva, cumprimentando-o pelo resultado da eleição. "Retribuí também cumprimentando-a pela sua luta, e nós temos agora que dar tempo ao tempo. Cada liderança saberá o tempo de tomar uma decisão e qual será essa decisão. Não cabe a mim avançar nesse tempo", emendou, numa referência ao aguardado apoio da ex-ministra neste segundo turno da corrida ao Palácio do Planalto. 

Apesar da ponderação, ele disse que todos aqueles que têm o sentimento de que o Brasil precisa mudar para avançar, serão muito bem-vindos nessa caminhada. "Repito apenas que a minha candidatura é a encarnação da mudança pela qual clamam mais de 70% dos brasileiros. Vamos aguardar que cada força política, cada força da sociedade que não esteve conosco na primeira fase da campanha, possa, tomando sua decisão e se achar por bem, nos acompanhar."

Aécio garantiu que a campanha deste segundo turno para ele já começou. "Já conversei com parlamentares eleitos", frisou. E disse que sua candidatura não é só de um partido, mas representa a possibilidade concreta de o Brasil retomar o caminho do desenvolvimento. "Os votos da oposição mostram isso e eu estou honrado em estar no segundo turno."

Aécio disse ainda que vai respeitar sua adversária neste segundo turno porque isso também implica em respeito à democracia. E falou do desejo de ampliar a votação que teve neste primeiro turno, quando obteve 34,8 milhões de votos em todo o País. Inclusive em Minas Gerais, onde seu candidato, Pimenta da Veiga, perdeu a eleição para o petista Fernando Pimentel. Aécio disse que vai ser o mais votado em seu Estado neste segundo turno.

Com Armínio Fraga, Aécio ressurge em bom sinal para mercado

Exame.com
Julia Leite e Ney Hayashi, Bloomberg

Resultado do tucano nas eleições foi uma surpresa que está impulsionando os mercados após queda devido à expectativa de reeleição de Dilma

Valter Campanato/Agência Brasil 
Aécio Neves: com 34% dos votos, candidato tucano
 disputa o 2º turno da eleição contra a presidente Dilma

Nova York/São Paulo - Aécio Neves, o candidato presidencial brasileiro preferido por muitos investidores, foi um homem esquecido na campanha eleitoral dos últimos 30 dias.

O quão esquecido? Quando seu conselheiro econômico, Armínio Fraga, o ex-banqueiro central que ajudou a salvar o Brasil do calote em 1999, realizou uma coletiva de imprensa em Manhattan, no dia 4 de setembro, para promover as políticas do candidato à comunidade internacional, apenas três repórteres apareceram.

Por isso, quando ontem Aécio ficou em segundo lugar na eleição, forçando um segundo turno com a Presidente Dilma Rousseff, que busca um segundo mandato, o resultado foi uma surpresa que está impulsionando os mercados financeiros após uma queda nas últimas semanas devido à expectativa de reeleição de Dilma.

O UBS AG e a Allianz Global Investors preveem que as ações e a moeda registrarão ganhos de curto prazo devido à passagem de Aécio para o segundo turno.

Dilma recebeu 42 por cento dos votos ontem, seguida de Aécio com 34 por cento, e Marina Silva com 21 por cento, disse o Tribunal Superior Eleitoral, conforme o resultado registrado com 97 por cento dos votos contados.

O Ibovespa havia caído 12 por cento desde 2 de setembro, em um momento em que as pesquisas eleitorais mostravam um apoio maior a Dilma, que gerenciou o crescimento econômico mais lento de qualquer presidente em duas décadas.

O indicador pode subir quase 20 por cento em relação ao fechamento da semana passada, para 65.000 pontos, se Aécio vencer no segundo turno no dia 26 de outubro, segundo Geoffrey Dennis, diretor de estratégia de mercados emergentes do UBS.

Formado em Princeton
“O resultado ter sido tão próximo é uma surpresa”, disse Dennis, que cobre ações brasileiras desde o início dos anos 1990, em entrevista por telefone de Boston. Ele tem um rating de underweight para o país.

“Os investidores que buscam mudanças macro no Brasil sempre preferiram ver Aécio como próximo presidente”.

Aécio disse que nomeará Fraga como ministro da Fazenda caso se torne presidente. O economista formado pela Universidade de Princeton é um nome de peso na economia brasileira nas últimas duas décadas.

Ele foi presidente do Conselho de Administração da Bovespa, criou um fundo hedge que foi adquirido pelo JPMorgan Chase Co. e gerenciou fundos para o financista bilionário George Soros. Contudo, foi sua época no Banco Central que lhe rendeu maior notoriedade.

Chegando no início de 1999, na esteira de uma desvalorização cambial, Fraga aumentou as taxas de juros para 45 por cento em seu primeiro dia no cargo, para estancar as saídas de capital e recuperar a confiança dos investidores.

O real se recuperou imediatamente, diminuindo a crise financeira e permitindo que ele reduzisse as taxas para 19 por cento no fim daquele ano.

Arminio Fraga, ex-presidente do BC: economista pode se tornar
 ministro da Fazenda com Aécio na Presidência


Volatilidade do mercado
Ainda que as oscilações bruscas de preço devam continuar até que se conheça o resultado final da eleição, os ativos brasileiros deverão se valorizar após os resultados de ontem, pois alguns investidores esperavam que Dilma conseguisse uma vitória no primeiro turno, disse Kunal Ghosh, gerente de recursos da Allianz Global Investors em Cingapura, que tem US$ 511 bilhões em ativos sob gestão.

“O mercado vai gostar do fato de ele estar indo para o segundo turno e de que haja uma chance”, disse Ghosh, por telefone. “O mercado estará extremamente volátil”.

O Ibovespa cairia até 12 por cento em relação ao fechamento de 3 de outubro, para 48.000 pontos, se Dilma se reelegesse, segundo Dennis, do UBS. O índice subiu 1,9 por cento, para 54.539,55, no dia 3 de outubro.

O índice acionário do Brasil recuou 21 por cento no primeiro mandato de Dilma, contra uma queda de 13 por cento do MSCI Emerging Markets Index. A Petrobras e o Banco do Brasil SA, ambos estatais, tiveram um declínio de mais de 17 por cento no período.

“Uma derrota de Dilma seria muito positiva sob uma perspectiva acionária”, disse Wasif Latif, que ajuda a gerenciar US$ 28 bilhões em fundos mútuos como chefe de multiativos globais da USAA Investments, em entrevista, em Nova York, antes do resultado do primeiro turno. “A oposição provavelmente seria mais amigável ao mercado e aos negócios”.

Jarbas Vasconcelos migra de Marina para Aécio

Josias de Souza


Eleito deputado federal para a próxima legislatura, o ainda senador pernambucano Jarbas Vasconcelos apressou-se em anunciar seu apoio a Aécio Neves tão logo ficou constatado que sua candidata, Marina Silva, não fora para o segundo turno. Ele diz que buscará a adesão do que chama de “PMDB sadio” à candidatura presidencial do tucano. Vai abaixo a nota divulgada por Jarbas na noite passada:

***

"É público e conhecido que sou opositor do governo do PT. Um governo que acumula problemas. Problemas tão graves que colocam em risco tudo aquilo que a população brasileira construiu nos últimos vinte anos.

O Governo Dilma Rousseff bagunçou as contas públicas, permitiu que a inflação voltasse a assombrar os trabalhadores e é tolerante, conivente e até cúmplice da corrupção que hoje toma conta de todas as esferas da administração federal. É o que nos revelam as recentes investigações da Polícia Federal sobre a roubalheira bilionária na Petrobras, sem falar no uso e abuso político dos Correios, do escândalo do Mensalão – para ficar apenas nesses casos.

Apoiei, desde a primeira hora, a candidatura do ex-governador Eduardo Campos e, depois, com a tragédia do dia 13 de agosto de 2014, defendi a ascensão imediata da ex-ministra Marina Silva. Fiz isso por acreditar que ambos representavam o caminho para iniciar um novo ciclo na política do Brasil.

Hoje, o povo brasileiro  referendou o caminho de mudança, ao levar o País ao segundo turno das eleições presidenciais. Não podemos titubear e nem nos dividir.  O candidato Aécio Neves demonstrou força e determinação para chegar ao segundo turno. Aécio representa a possibilidade real de virarmos a página de um ciclo que se esgotou – socialmente, economicamente e politicamente.

Aécio tem história. É um homem afável, preparado, correto, que já provou que sabe governar. É um gestor experiente e articulado. Aécio é um líder político com a generosidade e a sensibilidade de governar para todos.

É diante dessa reflexão que, sem um pingo de hesitação, declaro meu apoio ao Aécio Neves e ao seu projeto para o Brasil. Nesta segunda-feira (6), irei a Brasília, onde já me engajarei em sua campanha.“

Jarbas Vasconcelos

Comunismo só funciona na miséria

João Pereira Coutinho
Folha de São Paulo

Karl Marx falhou: como cientista e até como profeta. Esse fracasso já foi referido em coluna (Será que Deus existe?). Mas faltou acrescentar um pormenor: Marx nem sequer previu que a sua "luta de classes" seria substituída por uma perpétua "imitação de classe".

O proletariado não desejava destruir o sistema capitalista. Pelo contrário: desejava antes participar nele, imitando a burguesia –nos seus hábitos e gostos– e desfrutando dos mesmos confortos materiais que só o capitalismo permite.

Se dúvidas houvesse, bastaria olhar para os confrontos em Hong Kong, com os manifestantes a exigir respeito pelas eleições de 2017 na ilha. Pequim ficou em estado de alerta.

Entendo: em 1989, o PC chinês contemplou a desagregação do comunismo na Europa com horror. Consta até que o líder de então, Deng Xiaoping, terá ficado assustado com os fuzilamentos sumários do encantador casal Ceausescu, na Roménia.

O colapso da União Soviética, pouco depois, deixou o aviso: não bastava reprimir uma população miserável, como aconteceu na Praça de Tiananmen. Era preciso responder aos anseios da população, o que significava abrir as portas a um "capitalismo de Estado" controlado.

Fatalmente, o PC chinês ignorou a maior fraqueza da teoria marxista: o capitalismo, e mesmo o "capitalismo de Estado", não se limita a matar a fome e a permitir carros ou roupas de grife.

Cedo ou tarde, a emergência de uma classe média significa também que as massas desejam mais: coisas intangíveis como liberdade, participação política e até o direito de governar.

Em Hong Kong, essas reivindicações podem ser explicadas (e reforçadas) pela tradição de liberdade que já existia antes da devolução britânica em 1997.

Mas, como informa a revista "The Economist", essas reivindicações são já sentidas em todo o país –de tal forma que uma das prioridades do regime nesses dias foi ocultar da população continental a "Revolução dos Guarda-Chuvas" de Hong Kong.

Durante décadas, vários especialistas sobre a China formularam a questão clássica: será possível ter uma sociedade capitalista sem o tipo de liberdades de uma sociedade democrática?

As imagens de Hong Kong são a primeira e promissora resposta. E são também uma confirmação histórica: para o comunismo funcionar, é importante que uma sociedade seja mantida rigorosamente na miséria.

Congresso eleito é o mais conservador desde 1964, diz Diap

Exame.com
Nivaldo Souza e Bernardo Caram, Estadão Conteúdo

Segundo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, parlamentares conservadores se consolidaram como maioria na eleição da Câmara

Arthur Monteiro/Agência Senado 
Congresso Nacional: levantamento do Diap mostra 
que o número de deputados ligados a causas sociais caiu

Brasília - Apesar das manifestações de junho de 2013 - carregadas com o simbolismo de um movimento popular por renovação política e avanço nos direitos sociais - o resultado das urnas revelou uma guinada em outra direção. Parlamentares conservadores se consolidaram como maioria na eleição da Câmara, de acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

O aumento de militares, religiosos, ruralistas e outros segmentos mais identificados com o conservadorismo refletem, segundo o diretor do Diap, Antônio Augusto Queiroz, esse novo status.

"O novo Congresso é, seguramente, o mais conservador do período pós-1964", afirma. "As pessoas não sabem o que fazem as instituições e se você não tem esse domínio, é trágico", avalia.

Ele acredita que a tensão criada pelo debate de pautas como a legalização do casamento gay e a descriminalização do aborto deve se acirrar no Congresso, agora com menos influência de mediadores tradicionais, que não conseguiram de reeleger.

"No caso da Câmara, muitos dos parlamentares que cuidavam da articulação (para evitar tensões) não estarão na próxima legislatura. Algo como 40% da 'elite' do Congresso não estará na próxima legislatura, seja porque não conseguiu se reeleger ou disputou outros cargos. Houve uma guinada muito grande na direção do conservadorismo", diz.

O levantamento do Diap mostra que o número de deputados ligados a causas sociais caiu, drasticamente, embora os números totais ainda estejam sendo calculados. A proporção da frente sindical também foi reduzida quase à metade: de 83 para 46 parlamentares.

Junto com a redução desses grupos, o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a descriminalização das drogas - temas que permearam os debates no primeiro turno da disputa presidencial - têm poucas chances de serem abordados pelo Congresso eleito, que tomará posse em fevereiro de 2015.

"Posso afirmar com segurança que houve retrocesso em relação a essas pautas. Se no atual Congresso houve dificuldade para que elas prosperassem, no próximo isso será muito mais ampliado. Houve uma redução de quem defendia essa pauta no Parlamento e praticamente dobrou (o número de) quem é contra", diz.

Parte consistente do conservadorismo, segundo Queiroz, virá da bancada evangélica. Ele estima que o número de religiosos desta corrente deve crescer em relação aos 70 deputados eleitos em 2010.

"A bancada evangélica vai ficar um pouquinho maior, mas com uma diferença: nomes de maior peso dentro das igrejas para melhor coordenar e articular os interesses desse segmento junto ao Congresso Nacional", diz. Entre essas lideranças, o Diap já identificou 40 bispos e pastores.

Militares
O Diap também estima um aumento consistente de policiais e militares eleitos. Queiroz prevê que o aumento de parlamentares com este perfil deve chegar a 30%.

"Esse grupo, necessariamente, vai fazer parte da 'bancada da bala', porque defende a defesa individual", diz, referindo-se ao lobby da indústria armamentista.

A ampliação desse grupo é uma onda que veio na contramão das manifestações populares de 2013.

"Isso é produto da alienação. Quem foi para rua, em grande medida, foi pedindo mudanças. Mas sem ter uma liderança capaz direcionar e coordenar (o movimento). Era 'contra tudo o que está aí'", observa.

Queiroz considera que, caso o candidato do PSDB, Aécio Neves, seja eleito, temas como a redução da maioridade penal, considerada uma proposta conservadora, avancem facilmente no Congresso.

"O PSDB perdeu em quantidade (reduziu de 12 para dez o número de senadores), mas é uma bancada que se renova do ponto de vista qualitativo. Só que com viés conservador", diz.

Dilma amplia vantagem nas cidades mais dependentes do Bolsa Família

Patrícia Britto
Folha de São Paulo

Criado no governo Lula e transformado em uma das principais bandeiras da gestão petista, o Bolsa Família teve mais impacto para ajudar a presidente Dilma Rousseff (PT) a ampliar sua vantagem sobre os adversários nas eleições deste domingo (5) do que no primeiro turno de 2010.

Neste ano, os 150 municípios com maior cobertura do programa federal (famílias atendidas em relação ao total de habitantes) deram à presidente uma votação média de 77,8% dos votos, ou 36,2 pontos percentuais acima da média nacional de 41,6%.

Essa vantagem ficou 7,3 pontos acima da que ela teve na eleição anterior.

No primeiro turno de 2010, a votação de Dilma nos 150 municípios com maior cobertura do programa foi de 75,8% e ficou 28,9 pontos acima da média nacional, de 46,9%.

Entre os 150 municípios com maior cobertura do Bolsa Família neste ano, 64 também estavam no ranking de mais beneficiados em 2010.

Apesar da vantagem de Dilma nesses municípios ser maior neste ano, ela perdeu para a candidata do PSB, Marina Silva, em duas das 150 cidades mais dependentes do programa de distribuição de renda. Em 2010, a petista havia vencido em todos as 150.

Editoria de Arte/Folhapress
Um dos locais onde Dilma perdeu para Marina nesse grupo é a cidade de Porto de Pedras (AL), a 93 km de Maceió. Lá, Marina teve 38,8% dos votos, enquanto Dilma foi a escolhida de 32,6% dos eleitores.

O município do litoral norte de Alagoas tem 8.253 habitantes e 1.670 famílias atendidas pelo programa federal. De acordo com estimativa usada pelo governo federal, 72,9% da população é beneficiada pelo Bolsa Família na cidade alagoana.

A outra cidade desse grupo onde Dilma perdeu para Marina é Sairé (PE), a 109 km do Recife, no agreste de Pernambuco. O Estado foi um dos dois únicos onde Marina foi a presidenciável mais votada neste domingo (5).

Na cidade pernambucana, de 10.633 habitantes, 2.133 famílias recebem o Bolsa Família, que beneficia 72,2% dos moradores. Lá, Marina teve 46,7% dos votos, ante 46,1% de Dilma.

Apesar de a presidente e candidata à reeleição ter destacado na campanha eleitoral outros programas como vitrine de sua gestão –como o Mais Médicos, Minha Casa, Minha Vida e Pronatec–, o Bolsa Família foi tema constante no debate presidencial neste ano.

Dilma foi acusada de insinuar que seus adversários representariam a descontinuidade do programa, enquanto Aécio e Marina prometeram manter e até ampliar o benefício, se eleitos. Aécio chegou a propor que o Bolsa Família seja transformado em lei, enquanto Marina prometeu criar um 13º salário para o programa.

Atualmente, 13,98 milhões de famílias no país são beneficiadas pelo programa federal. Em setembro, os repasses significaram R$ 2,4 bilhões. O Nordeste concentra 50,9% das famílias beneficiárias.
Dos 150 municípios com maior cobertura neste ano, 146 estão no Nordeste, três no Norte e um no Sudeste.

A força do voto aloprado

Guilherme Fiuza
Revista ÉPOCA 

Tem gente indignada com a denúncia de espionagem do Ministério da Justiça na Polícia Federal para prejudicar Marina Silva. Essa gente não aprende que esse tipo de coisa é normal. Talvez seja preciso o MEC patrocinar uma megaedição da biografia de Hugo Chávez e distribuí-la gratuitamente em todo o território nacional, para os brasileiros finalmente entenderem que o Estado existe para servir aos companheiros. Se bem que, pela performance da companheira Dilma no primeiro turno, pode-se concluir que boa parte do eleitorado já aceitou que não há separação de bens entre o PT e a máquina pública brasileira.

Segundo a denúncia, o secretário nacional de Justiça visitou na calada da noite, extraoficialmente, em plena campanha eleitoral, o diretor da Polícia Federal. Queria saber sobre um inquérito contra a gestão de Marina no Ministério do Meio Ambiente, que corre em segredo de Justiça. Foi uma missão, segundo a acusação, encomendada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Como se sabe, o ministro Cardozo é um funcionário criterioso. Só aparece para ações cruciais, como criticar publicamente as penas dadas aos mensaleiros. É isso que o país espera de um ministro da Justiça.

Também foi Cardozo o pombo-correio de uma denúncia truncada e adulterada contra os adversários do PT em São Paulo -que o ministro fez pousar sutilmente na mesa do Ministério Público. Nada mais natural, portanto, que ele use seu cargo para prospectar armas eleitorais contra Marina Silva. Se o PT traficou o sigilo fiscal de uma filha do adversário de Dilma na campanha de 2010 e ficou tudo bem, não haveria por que abandonar a tática agora. Dizem que o ministro Cardozo é candidato a uma vaga no supremo tribunal Federal. Considerando o perfil dos despachantes que o PT tem inoculado no STF, Cardozo faz absolutamente tudo certo para chegar lá.

Nas urnas, o Brasil vem dizer novamente ao bando: vão fundo! Ninguém terá esquecido a ação de Dilma Rousseff como ministra-chefe da Casa Civil, denunciada pela então secretária da Receita Federal, por tentar aliviar na marra o companheiro Sarney. Também é inesquecível a ação de Erenice Guerra, então braço direito de Dilma na Casa Civil, fuçando os arquivos governamentais para tentar montar um dossiê contra a ex-primeira-dama Ruth Cardoso. São incontáveis as ações da "inteligência" do PT, do famoso dossiê falso dos aloprados na eleição de 2006 à combinação de perguntas e respostas na CPI da Petrobras, passando pela adulteração de perfis de jornalistas na Wikipédia, de dentro do Palácio do Planalto. Tudo testado e aprovado pelo eleitor: vão fundo!

O primeiro turno da eleição presidencial foi basicamente uma disputa entre os concorrentes para provar quem é mais gay, quem é mais coitado e quem é mais alérgico aos bancos. Nesse imenso jardim de infância, a putrefação ao vivo da Petrobras, sob as rédeas de aloprados companheiros, não fez nem cócegas nas pesquisas eleitorais. O eleitor aprova, portanto, além da espionagem, a pilhagem.

A menos de uma semana da eleição, a bomba: o governo registrou, em agosto, o maior déficit nas contas públicas em 14 anos. Finalmente jogou às favas o compromisso com o superávit primário - um dos pilares da estabilidade econômica. Um rombo assumido e escancarado, que nem a contabilidade criativa e maquiagens associadas poderão esconder. Chegou, enfim, a conta da DisneyLula - essa indústria de favores, boquinhas e bocarras, que transformou o orçamento público numa megassena partidária.

A inflação rompeu o teto, a recessão chegou, e o valoroso povo brasileiro, que disse basta e anunciou que quer mudanças, vota majoritariamente no... PT.

Fora as hipóteses de sadomasoquismo e imersões satânicas, restam três explicações possíveis para tão impressionante fenômeno: 1) o povo quer que a capital do Brasil passe a ser Buenos Aires; 2) o eleitorado teme que Dilma saia da Presidência e nunca mais arranje um emprego; 3) notando o gigantesco esquema do "petrolão", montado nos 12 anos do governo petista, o eleitor concluiu que a rede de propinas é a melhor forma de distribuição das riquezas.

Façam suas apostas, depois cobrem da elite vermelha (esperem sentados).