domingo, outubro 12, 2014

Golpe é roubar dinheiro público para comprar apoio político, senhora Dilma.

Adelson Elias Vasconcellos


A presidente Dilma chamou de 'golpe' o uso político de depoimentos sobre corrupção. Pois, então, vão aqui duas observações importantes: golpe é roubar dinheiro público para comprar apoio político, como se pode notar pelos depoimentos à Justiça Federal dados por dois operadores do petrolão, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras nos governos Dilma e Lula, e o doleiro Alberto Yousseff. E, a segunda observação importante é, se os papéis fossem invertidos, com o PT na oposição e o PSDB  na presidência durante os fatos narrados, duvido que, menos de 24 horas após as declarações, na forma e  conteúdo com que se deram, que o PT não protocolasse um pedido de impeachment e não recheasse sua propaganda eleitoral fazendo e dizendo coisas até piores do que a simples informação do acontecido. 

Não, presidente, R$ 10 bilhões de uma estatal desviados para comprar apoio político isto não é apenas um simples caso de corrupção, trata-se de um golpe contra a democracia, já que tenta subjugar sob seus pés a independência de um dos poderes mais representativos da sociedade brasileira que deveria, por missão constitucional, fiscalizar os atos do Executivo e, ao contrário,  se dobra às vontades e maldades por este cometido graças  a uma corrupção deplorável.

Estivessem os papéis invertidos, não seria apenas um pedido de impeachment que seria aberto: o PT trataria de por na rua seu exército de delinquentes não menos comprados, para berrar, promover arruaças, exibir palavras de ordem,  promovendo greves e pressionado o Ministério Público para abrir uma ação por crime de responsabilidade e improbidade administrativa contra o presidente da república. 

Fazer o que fez Aécio Neves é do jogo político, minha senhora. A oposição, cuja existência e independência é  quem consagra e garante a presença da democracia, está dentro do papel que lhe cabe. Pelo menos existe uma investigação já bem documentada de que se montou uma verdadeira organização criminosa dentro da Petrobrás. E os beneficiários dos crimes cometidos não foi a imprensa, nem os reacionários, nem a oposição, e sim o próprio PT, além de PMDB e PP, estes intimamente ligados na base de apoio político de seu governo, senhora Dilma Rousseff. 

Apenas para citarmos um exemplo de como age o seu partido, a própria Procuradoria Geral da República já arquivou processo do tal aeroporto construído por  Aécio, quando governador, em Cláudio, Minas Gerais. Entretanto, em sua campanha eleitoral a senhora insiste e teima em desqualificar o candidato adversário  apontando como um ato desonesto, algo que nem a Justiça reconhece como tal. E o que se dizer sobre as mentiras e difamações inventadas por sua campanha quanto ao governo FHC? Comprou a própria reeleição, diz a presidente. Cadê provas? Não existem, e nada foi apurado. Vendeu empresas estatais a preço de banana. Prove, então,  sua afirmação. Não basta acusar, senhora presidente,  tem que provar. Acusação sem comprovação não passa de leviandade e desvio de caráter, senhora Dilma.   Aliás, o PT teve doze anos para provar algum indício neste sentido. E jamais encontrou uma vírgula que desabonasse as operações e manteve tudo tal como encontrou.  

Afirma-se a rodo que FHC quebrou o país três vezes. Mentira, FHC encontrou o país falido, quebrado, com contas públicas em completo desalinho, uma inflação galopante de quatro dígitos, com dívida pública em moratória, sem crédito para comprar um parafuso no exterior. Todas suas afirmações aqui enumeradas não passam  de terrorismo eleitoral e golpe à verdade, aos fatos, à própria história. 

Tem mais: dizer que a política de FHC provocou desemprego, achatamento de salários e recessão, o que é isso senão brutal inversão dos fatos?  Ou, quando menos, golpe à verdade? Quem tem provocado recessão é o seu governo senhora Dilma Rousseff. São milhares de empregos fechando na indústria, crescimento na rabeira dos emergentes, inflação nas nuvens, juros mais altos do planeta, e um detalhe: quando tiver tempo, compare o crescimento de seu governo, sem crises, estabilidade econômica realizada,  não apenas com o governo FHC, mas com todos os governos da história republicana. E envergonhe-se desde já: o seu crescimento é o  TERCEIRO PIOR DA HISTÓRIA. É pouco? Falemos de achatamento salários. FHC manteve a tabela de isenção do imposto de renda na fonte até 5 salários mínimos. O seu governo cobra imposto na fonte já a partir de 2,5 salários mínimos, o que é isto, senão confisco salarial? E para fechar este bloco de verdades restauradas e repostas no seu devido lugar, saiba que o aumento real de salário mínimo do seu governo é cinco vezes menos do que a praticada por FHC. Debruce-se sobre os números reais, oficias, e pare de mentir ao povo brasileiro.

Quer ganhar eleição? Ok, é seu direito, mas faça-o com dignidade, com seus próprios méritos e  não apelando para a baixaria, para mentira e mistificação, tentando colar nos outros os seus próprios erros. 

Tivesse um pouco mais de vergonha, senhora Dilma, ao invés de se indispor a um caso gravíssimo de corrupção, ocorrido até mesmo durante seu período de governo,  teria mostrado ao menos algum sentimento de indignação e mandado abrir as portas da contabilidade da estatal para apuração de todos os atos vergonhosos. Para quem garganteia na televisão que não admite corrupção, que bate, faz e acontece, sua declaração não só é estúpida e vai contra tudo aquilo que o PT, na oposição, se indispôs e não cansou de denunciar. Mas vai, também, contra seu próprio discurso de intolerância à corrupção.  Não cabe à imprensa senão o papel de informar os fatos? Não foi isto que você disse semanas atrás? Então, que não provoque motivos para que a informação aconteça. Se corrupção existe, e ela está sendo investigado com extremo rigor, o povo tem o direito de saber o que se passa no submundo do poder. E, na qualidade de presidente eleita democraticamente,  a senhora Dilma Rousseff tem o dever de prestar contas a este mesmo povo, e não tentar no berro e na baixaria  abafar a roubalheira. 

Assim, senhora presidente, seja mais presidente, coisa que nos últimas meses parece haver esquecido. Faça sua campanha apontando seus méritos e  apresentando um projeto de governo coisa que até agora o eleitor desconhece. Não pratique delinquência eleitoral.  E não tente, como em tantas outras vezes, jogar o mundo sujo de seu governo para debaixo do tapete, tentando evitar que o povo conheça a podridão que se esconde à sua vista. E não negue, sobretudo, o direito que pertence à oposição de fazer política e condenar os atos criminosos do governo em exercício. Se é para esconder alguma coisa, que ao menos seja a de evitar que a sociedade perceba o mau caráter travestido com faixa presidencial. 

Para encerrar: pare de atacar o Ministério Público apenas porque investiga crimes petistas. Trata-se de um dever constitucional, senhora presidente. Procure conhecer um pouco mais a constituição. Se não quer ser investigada, então não dê  motivos.  Já encheu o saco dos brasileiros a tentativa cafajeste do PT de querer golpear, aparelhar e controlar de forma totalitária as instituições que são do Estado brasileiro, e não propriedades privadas de um partido político. E se o povo resolver eleger Aécio Neves, por favor, senhora presidente, não venha acusar o eleitor de ter dado um golpe no PT ou no país: alternância do poder faz parte da democracia, ou não?

Até porque, convenhamos, apenas em país cuja democracia foi golpeada pelo totalitarismo é que denúncia de corrupção do governo não pode ser revelada. Claro que para o ditador a informação seria um “golpe”, mas à sua honra e moral. 

Pode ser que demore muito tempo para o PT aprender a mais sublime das lições que a democracia pode ensinar: a de que a sociedade, os povos em geral, não são propriedade de partido político. Mesmo que vivam sob o jugo de ditadores, cedo ou tarde, brota do peito de todos um instinto muito humano: o amor à liberdade.  

A reclamação sem pé nem cabeça
Dilma reclama que o vazamento de parte dos depoimentos e de Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff foram eleitoreiros. Não sei que tipo de água Dilma anda tomando, mas deve ter uma mistura indigesta para confundir o seu raciocínio e faze-la perder o juízo. Acontece que não houve o tal vazamento. A divulgação foi feita pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz o processo Lava-Jato e isto foi confirmado por ele próprio.  

Depois, a parte que envolve autoridades com privilégio de foro não veio a público. Somente o STF tomará conhecimento. Assim, não se quebrou regra alguma, aliás se a íntegra não foi divulgada é porque justamente há “regras”.   

Assim, se a candidata-presidente tiver alguma queixa, dirija-se à Justiça Federal do Paraná, e não venha a público fazer ilações levianas. Não pega bem acusar o Judiciário de maneira tão torpe, assim como é execrável a acusação que fez ao Ministério Público de estar aparelhado por FHC. Dilma deveria ter a elegância dos bons perdedores. Quem escolheu Aécio foram os eleitores, nada a ver com Judiciário muito menos Ministério Público. Ou será que Dilma vai querer censurar Judiciário e Ministério Público? Isto é coisa para país bananeiro e governante chinfrim!!!  Não pratique má fé, senhora Presidente, por favor!!!

Um partido enlameado na corrupção

Adelson Elias Vasconcellos


As declarações do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff deram à Justiça Federal no Paraná, apenas detalhou aquilo que há muito tempo o pensamento independente, não ideológico, não corroído pelo obscurantismo ou servilismo, já vinha apontando, antes até do mensalão se tornar de conhecimento público: o PT, acumpliciado com o PMDB, montou nas estruturas do Poder  um governo organizado para o crime.

Esta balela de que se vale a senhora Dilma para tentar justificar o lamaçal é apenas uma iniciativa torpe de tentar ocultar o que todos já perceberam. Não é que hajam tantos escândalos de corrupção no poder público porque a fiscalização melhorou. De fato, e em muitos sentidos, a fiscalização evoluiu, até porque isto não vai além da obrigação de qualquer ente do Estado. Mas, é fato, a quantidade de corrupção atualmente praticada no país foi multiplicada por 10 vezes. Impressiona pelo número, pelos valores desviados e quantidade de servidores e instituições envolvidas. Em outros textos, alertamos que, se fizermos uma devassa nos ministérios, fundações, estatais, autarquias e fundos de pensão vamos constatar que nenhuma escapa às digitais petistas de aparelhamento, primeiro, e desvio de dinheiro público para o partido, em um segundo instante. 

O caso específico da Petrobrás, ao PT e PMDB, juntou-se o PP e os três, segundo cálculos iniciais das investigações, teriam desviado e lavado cerca de R$ 10 bilhões, tornando, assim, os valores apurados no mensalão troco de pinga. 

Dada a profundidade com a ladroagem com valores e quantidade de altas autoridades envolvidas, facilmente se tornará, em breve, o maior caso de corrupção da história brasileira. Ou seja, o PT consegue, neste campo, se superar a cada dia. 

Em  resposta aos depoimentos de Yousseff e Costa, o PT divulgou uma nota, assinada por seu presidente Ruy Falcão, contestando e repudiando as denúncias.  Só que entre a nota de Ruy Falcão e os depoimentos ponho  mais fé nos depoimentos. Primeiro, porque estão amparados pela delação premiada e, neste caso, não poderão mentir em juízo, sob pena de perderem as vantagens advindas da delação. Segundo, porque tudo o que disserem deverá amparar-se em documentação e outros tipos de provas.  E sabemos que tanto um quanto outro já entregaram farta documentação à Justiça atestando suas revelações feitas com riqueza de detalhes. E, por último, mesmo diante do julgamento do Mensalão, com laudos periciais produzidos pelo Instituto de Criminalística além de extratos bancários, gravações telefônicas e testemunhos diversos, o mesmo PT não se convenceu do crime do Mensalão e trata a questão, até hoje, como julgamento político. Ora, mesmo num julgamento político, havendo provas suficientes, não se inocentam os acusados.  E Rui Falcão jamais admitirá, de viva voz, que houve corrupção bilionária comandada pelo seu partido tanto nas entranhas do Poder, quanto nas estatais, no caso, a Petrobrás. Seu repúdio, portanto, e nada não significam coisa alguma.

Pena que para a opinião pública, não puderam ser reveladas as tais “altas autoridades” por questão de privilégio de foro. Seus nomes serão encaminhados diretamente ao Supremo Tribunal Federal.  

Mas o cerco feito até aqui comprova que há sim uma organização criminosa no seio do poder, e nela comparecem dirigentes partidários além de parlamentares e ministros do governo atual. E, por mais tentativas que os petistas venham fazer para tentar encobrir a sujeirada toda, este processo de desmascaramento de sua verdadeira identidade é inevitável .  Mesmo que a campanha de baixaria, mentiras e difamação promovida por  Dilma Rousseff, aliadas com terrorismo torpe, venham produzir a reeleição da atual presidente, seu governo viverá momentos de pânico. De um lado,  a economia se definhando lentamente, colocando em risco as conquistas da estabilidade nos últimos vinte anos. E, de outro lado, uma presidente comandando um governo sob suspeita e investigação, correndo o risco de sofrer processo de impeachment. 

A única saída para que o país não mergulhe numa estagnação profunda e uma crise institucional sem precedentes desde a redemocratização, é Dilma não ser reeleita. Seu governo há muito tempo perdeu o rumo e jogou toda a credibilidade do país, conquistada com sacrifícios, no lixo. Sua deposição pelas urnas daria ao país a possibilidade de colocar a casa em ordem, além de permitir que as investigações sobre o petrolão sigam seu curso normal e possam apurar todos os crimes praticados e os agentes envolvidos.  Manter o mesmo grupo político no comando, ao lado de uma investigação grave de corrupção histórica e bilionária, vai afastar investidores, não recuperará no nível desejado a confiança dos agentes produtivos.  O Brasil precisa amadurecer, tornar-se definitivamente sério, defendendo suas conquistas econômicas e sociais, preservando as instituições e o próprio Estado das ratazanas que corroem e debilitam o país. E, se a população em sua imensa maioria , já expressou o desejo de mudança, esta mudança só se produzirá mudando o comando do país, porque é a partir dele que se criou este triste quadro com o qual estamos vivendo há quase quatro anos. Chega de feitiçarias, bruxarias, manipulação e mentiras. Não precisamos nada disso para nos impor perante a comunidade internacional e tampouco adquirirmos o respeito que nos é devido. Estes que aí estão são escória que só sabem produzir miséria moral. 

Recordar é viver (vídeo)
Lula acha graça das mentiras que disse em entrevista a blogueiros no Instituto Lula - 2014. Dilma parece querer e seguir na mesma linha.


Alguém precisa avisar Marina Silva que ela perdeu a eleição

Adelson Elias Vasconcellos


No discurso que fez logo a proclamação do resultado do primeiro turno, Marina deu a entender que daria apoio à Aécio Neves por ter percebido que as unas votaram por mudança ao que está aí, e o que está aí é o governo Dilma e toda a ruindade que ela produziu em todas as áreas. 

Houve até jornalista que discorreu sobre a elegância da ex-senadora. Preventivamente, resolvi esperar. Em 2010 Marina resolveu ficar em cima do muro e isto pegou mal para ela. Agora, praticamente todos os partidos de sua coligação declararam apoio ao tucano. Marina resolveu marcar para quinta-feira, uma declaração em que iria dizer para que lado balança seu coração. E, inesperadamente, resolveu cancelar o encontro. Em lugar disto, mandou uma carta fazendo algumas colocações no mínimo absurdas. 

Suas exigências parecem muito mais partir de alguém que ganhou do que alguém que perdeu. Algumas até podem ser negociadas, mas exigirão negociação junto ao Congresso. Por exemplo, o fim da reeleição. Isto não pode ser imposto, já que atingirá outros executivos como governadores e prefeitos. Há, também, uma certa aprovação por parte da população que não vê mal algum em reeleger bons gestores públicos. E isto acontece com frequência.

Outra “exigência” é que Aécio retire e abandone projeto do senador Aloysio Nunes Ferreira de se reduzir, em determinados casos, a maioridade penal de 18 para 16 anos, e ainda assim sob aprovação do  Ministério Público da Infância e Juventude. E creio que também boa parte da população é simpática ao projeto. Mas também não é coisa que se imponha, precisa ser discutida no Congresso e amplamente com a sociedade. 

Marina vai mais longe. Quer que se desista da ideia de conceder ao Congresso Nacional a palavra final sobre demarcação de terras indígenas.  Questões ligadas ao território brasileiro são importantes e estratégicas demais para ficar sob a tutela de meia dúzia de fanáticos ideológicos. Aí, dona Marina, é uma questão de interesse do país, e não apenas circunscritas a interesses de ong’s, a maioria estrangeira. 

Outra questão, da mesma gravidade, é que Aécio se comprometa com as metas do MST. Hãããããã!!!??? Como é que  é, dona Marina? Querer submeter programas de governo a metas de uma entidade que, rigorosamente nem existe juridicamente, que age por meio de laranjas, que invade, destrói e depreda propriedade privadas produtivas, equivale a proposta estúpida de Dilma na ONU de que o mundo dialogue com o Estado Islâmico!!!

Quem apresenta um rol de exigências como esta, não está interessada em mudanças coisa nenhuma, como também não está interessada em apoiar quem quer seja, nem Dilma, nem Aécio, nem ninguém . Marina apoia apenas a ela mesma e ponto.  Tenta fazer ibope pessoal a custa de coisa alguma. Quer apenas mais alguns minutinhos de fama. 

Ora, majoritariamente, os votos de oposição foram dados a Aécio Neves, Foi o programa e as propostas que ele apresentou na campanha, que foi escolhido para se defrontar com o governo atual, e não as de Marina Silva. Sei não, mas alguém precisa avisar Marina Silva que ela perdeu a eleição. Que na corrida estão Aécio e Dilma.  Suas exigências vão exatamente no sentido contrário a um projeto de mudanças para se abraçarem ao que já existe.  Ora ela quer mudar o quê afinal? Ao alinhar-se com as mesmas políticas mantidas por Dilma, Marina demonstra que em seu coração ainda bate mais forte um coração petista. Marina deveria envergonhar-se em apresentar tal lista de cobranças. Fica claro que ela quer manter o mesmo comportamento vazio de 2010, e para não repetir o mesmo papel ridículo de antes, quer ter uma desculpa para não apoiar ninguém… Politicamente, Marina escolheu o limbo, lugar onde não nasce nada nem se produz nada. Há apenas um imenso vazio. Pena. Sua nova política é a não política e não existe democracia no mundo que sobreviva sem isto, por pior que ela seja praticada.  

Na carta divulgada neste sábado, através da qual Aécio se aproxima em ideias às tais exigências apresentadas por Marina Silva, o que vai ali é exatamente o mesmo entendimento que vai acima. A simples leitura ressalta, contudo, que o programa de Aécio em nada abrirá mão de suas convicções, ele apenas demonstra que seu programa tem mais pontos de convergência do que supõe a ex-senadora, mostrando ainda que algumas propostas dependem muito mais do Congresso do que do presidente.  Vamos ver que posição Marina assumirá. Seu partido, a família Campos e os partidos de sua coligação já manifestaram apoio   ao tucano. Desejará Marina querer ficar sozinha em cima do muro? Que condição, no futuro, ela terá para pedir apoio de quem quer que seja? Espera-se que o bom senso fale mais alto do que a prepotência.

Os demônios de Dilma

J.R. Guzzo
Revista EXAME

Dois fantasmas atormentam a candidata à Presidência: os novos lances do caso Petrobras e o desarranjo múltiplo na economia. São encrencas que vão dar muito o que falar mesmo depois de 26 de outubro

Reuters 
Perspectiva estranha: Dilma tem de lidar com o fato de que,
 caso vença, receberá uma herança maldita de si mesma

São Paulo - Se fosse uma astronauta americana em viagem pelo espaço, em vez de candidata à Presidência da República, é possível que a presidente Dilma Rousseff¬ estivesse passando neste momento a seguinte mensagem para a central de comando da Nasa: “Houston, nós temos um problema”.

Se quisesse ser mais precisa, poderia acrescentar: “Para falar a verdade, Houston, nós temos mais de um problema. Câmbio”. O problema de maior urgência para a candidata é ganhar de Aécio Neves daqui a duas semanas, na decisão do segundo turno.

É claro que alguma peça espanou no painel de controle onde aparecem as pesquisas eleitorais — os instrumentos garantiam, até quase a véspera das eleições, que Aécio estava morto, mas eis que o homem está perfeitamente vivo; pior que isso, pode dar uma trabalheira para ser vencido, pois surge na disputa 8 pontos abaixo de Dilma, apenas, quando chegou a estar com 25 a menos.

Ela continua favorita, pois nunca um candidato que chegou à frente ao segundo turno deixou de ganhar no resultado final. Mas sua nave, qualquer que seja o vencedor, está com dois outros problemas para lá de complicados; podem ser até mais calamitosos do que uma derrota na eleição.

O primeiro é uma alarmante pane no sistema chamado “Petrobras”, que parece ter escapado a todos os esforços para ser eliminada; não é fora de propósito imaginar que possa abater a nave em pleno voo ou tornar a vida da comandante Dilma um inferno depois do pouso na Terra.

O segundo é a falência múltipla de peças na máquina da economia, que nem a presidente nem os técnicos da equipe de apoio têm a menor ideia de como consertar; já tentaram todo tipo de gambiarra para fazer o conserto, e até agora nada deu certo.

Os dois problemas têm vida própria. Afetam diretamente a viagem eleitoral do segundo turno, mas não irão embora com o fechamento das urnas. Nem Deus sabe onde podem acabar.

Quanto ao primeiro grande problema de Dilma — a necessidade de chegar à frente de Aécio, que teve perto de 35 milhões de votos no primeiro turno e pode pescar à vontade nos 22 milhões do pesqueiro de Marina Silva —, o mais aconselhável é falar o menos possível.

Esses resultados comprovam outra vez que, entre aquilo que as urnas deveriam dizer e aquilo que de fato acabam dizendo, há mais mistérios do que supõe a vã filosofia dos institutos de pesquisa. Dilma teve 43 milhões de votos; levando-se em conta que o total de eleitores chega aos 143 milhões, vemos que 100 milhões de brasileiros não votaram nela.

A presidente, agora, tem de fazer alguma coisa a respeito e convencer a maioria de seus não eleitores a mudar de ideia. Aécio, basicamente, terá de fazer a mesma coisa. Na noite de 26 de outubro saberemos, com 100% de certeza, o bicho que deu; até lá, haverá apenas mais um oceano de pesquisas, palpites e desinformação em estado puro, razão pela qual não valerá a pena se estressar com o que ainda não aconteceu.

A coisa já é bem diferente com os dois diabos que saíram da jaula e estão soltos por aí. O primeiro, o da Petrobras, entrou na impiedosa engrenagem da Justiça, que ignora as necessidades dos políticos e a qualquer momento pode tomar os rumos mais inesperados.

Um deles, como ocorreu no mensalão, leva gente finíssima (o ex-ministro José Dirceu, por exemplo, chegou a ser considerado o “homem mais importante do país”) a alguma cela no complexo penitenciário da Papuda. O outro, o da encrenca na economia, tem tudo para fazer ainda muito estrago neste país antes que alguém consiga consertar o que está errado.

Por causa da geleia geral que criou na área econômica, Dilma tem diante de si uma perspectiva estranhíssima. Quanto mais se aproximar de uma vitória nas urnas, tanto mais envenenadas ficarão as áreas críticas para a gestão econômica, do câmbio à inflação, dos juros ao derretimento das contas públicas; nesse caso, receberá uma herança maldita de si mesma, fenômeno inédito em nossa longa história de fenômenos inéditos.

Bem-vindo ao segundo turno.

Pesquisa indica que Aécio abriu 17,6 pontos em relação a Dilma

Diário do Poder

Tucano abre 17,6 pontos, segundo pesquisa do Instituto Sensus


Segundo o Sensus, único instituto que previu Aécio 
no segundo turno, a rejeição a Dilma chegou a 46,3%


Pesquisa do instituto Sensus realizada em 24 estados e 136 municípios indica que o candidato do PSDB a presidente Aécio Neves (PSDB), abriu 17,6 pontos percentuais de diferença em relação à oponente Dilma Rousseff (PT). Segundo o Sensus, que entrevistou 2.000 eleitores, Aécio tem 58,8% dos votos válidos e Dilma 41,2%. Uma diferença de 17,6 pontos percentuais. O instituto Sensus foi o único que detectou o crescimento de Aécio e cravou que ele iria disputar o segundo turno com a candidata petista. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%.

O levantamento, contratado pela revista IstoÉ, foi realizado entre a quarta-feira (7) e este sábado (10) e é o primeiro a captar parte dos efeitos provocados pelas revelações feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa sobre o detalhamento do esquema de corrupção na estatal. “Além do crescimento da candidatura de Aécio Neves, observa-se um forte aumento na rejeição da presidenta Dilma Rousseff”, afirma Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus.

Segundo a pesquisa, a rejeição do eleitorado por Dilma chegou a 46,3%. A rejeição de Aécio Neves é de 29,2%. “O tamanho da rejeição à candidatura de Dilma, torna praticamente impossível a reeleição da presidenta”, diz Guedes. A pesquisa também capta, segundo o diretor do Sensus, os apoios políticos que Aécio recebeu durante a semana, entre eles o do PSB, PV e PPS.

As 2000 entrevistas feitas em 24 Estados e 136 municípios mostra que houve uma migração do eleitorado à candidatura tucana mais rápida do que as manifestações oficiais dos líderes políticos. No levantamento sobre o total dos votos, Aécio soma 52,4%, Dilma 36,7% e os indecisos, brancos e nulos são 11%, tudo com margem de erro de 2,2% e índice de confiança de 95%. Nos votos espontâneos, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, Aécio soma 52,1%, Dilma fica 35,4% e os indecisos são 12,6%.

“A analise de todos esses dados permite afirmar que onda a favor de Aécio detectada nas duas semanas que antecederam o primeiro turno continua muito forte”, diz Guedes. O tucano, segundo a pesquisa IstoÉ\Sensus, vence em todas as regiões do País, menos no Nordeste.

No PSDB, a espectativa é a de que a diferença a favor de Dilma no Nordeste caia nas próximas pesquisas, principalmente em Pernambuco, na Bahia e no Ceará. Em Pernambuco devido o engajamento da família de Eduardo Campos na campanha, oficializado na manhã do sábado 10. Na Bahia em função da presença mais forte do prefeito de Salvador, ACM Neto, no palanque tucano. E, no Ceará, com a participação do senador eleito Tasso Jereissati.

Além da vantagem regional, Aécio, de acordo com o levantamento, supera Dilma em todas as categorias socioeconômicas, o que, segundo a análise de Guedes, indica que a estratégia petista de apostar na divisão do País entre pobres e ricos não tem dado resultado. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-01076/2014.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA: 

Será que está compensando fazer campanha terrorista, com mentiras e baixarias de toda a ordem, dona Dilma? 

Será que é isto que o eleitor deseja ouvir dos candidatos ao cargo público mais importante do país?

Ou será que já não se cansaram do discurso do muito promete e não cumpre nada? Ou será que o eleitor é tão estúpido que não percebeu que os preços não param de subir? E que os empregos já se tornaram mais raros? Ou será, ainda, que as petroroubalheiras não chegaram aos ouvidos dos eleitores e estes já estão cansados de sustentarem políticos safados?  

Pense nisso, senhora Dilma Rousseff, talvez dê tempo de seu marqueteiro lhe aconselhar apresentar um programa de governo decente, além de sugerir que dê um ponto final ao discurso mentiroso! 

Aliás, muitos brasileiros ainda lembram que, quem acabou com a inflação e conquistou a estabilidade econômica foi Fernando Henrique, não o seu governo que continua fora de prumo e sem rumo.

Tremendona.

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

O primeiro turno já tem uma semana. E até as últimas horas Marina Silva, candidata do PSB e da Rede Solidariedade, não conseguiu decidir sua posição no segundo turno. Pode apoiar Aécio, pode apoiar Dilma, pode, como fez nas últimas eleições, recolher-se ao sacrossanto retiro do lar. Mas prefere comportar-se como a última bolacha do pacote: aquela que todos disputam na hora da fome.

O problema é que com o tempo a bolacha vai murchando. Boa parte dos eleitores de Marina decidiu sem aguardar sua orientação. O PSB, partido que lhe serviu de abrigo, optou por Aécio Neves, do PSDB; mas rachou em diversos Estados, desperdiçando a chance de, unido, consolidar-se e crescer nacionalmente. 

Como sempre, o que prevalece é o interesse de momento. Na Bahia, em que o PT venceu no primeiro turno (e o PSD de Gilberto Kassab levou Otto Alencar ao Senado), boa parte da Executiva do PSB, liderada por Lídice da Matta, ex-prefeita de Salvador, optou por Dilma; Eliane Calmon, esperança do PSB para o Senado, ex-ministra do STJ, derrotada, ficou com Aécio. Governadores do PSB, como Camilo Capiberibe, do Amapá, e Ricardo Coutinho, da Paraíba, estão com Dilma (e com Dilma, ao menos de coração, está o presidente do partido, Roberto Amaral). A ala majoritária do partido fica com Aécio. E Marina, quando decidir sua posição, talvez se surpreenda ao descobrir que não tem mais quem a siga. 

Que é que Marina quer? Parece sentir-se o candidato Tremendão, cantado por Erasmo. E esquece outro sucesso, este na voz de Eduardo Araújo: Goiabão.

A grande conversa
Palpite deste colunista (apenas palpite): depois de conversar com Renata Campos, viúva de Eduardo Campos, e de receber o convite feito pelo ex-presidente Fernando Henrique, Marina provavelmente irá declarar seu apoio a Aécio - talvez só uma declaração, sem participar da campanha. 

Mas não fará muita diferença: dos marineiros que já escolheram o lado, quem vai mudar?

Agora, vai
Multidões fluviais de eleitores ansiosos por orientação superior já sabem que candidato devem sufragar: Mino Carta declarou seu apoio a Dilma Rousseff.

A língua que falamos
A Assessoria de Comunicação dos Correios, referindo-se à nota Dinheiro Sobrando, publicada nesta coluna no último dia 8, informa: "Esclarecemos que não são veículos abandonados. Tratam-se de veículos com vida útil esgotada que já foram substituídos na frota e estão aguardando alienação. Conforme a legislação vigente, devem obrigatoriamente ser leiloados". OK, registrado.

Os veículos dos Correios "com vida útil esgotada" são 263. "Estão aguardando alienação" há quase dois anos, na Vila Matias, em Santos, ao ar livre, deteriorando-se. Há mais de seis meses o Ministério Público Federal cobrou providências dos Correios e até agora não foi atendido. O MP deu então 30 dias de prazo para que os veículos sejam inventariados, guardados em local adequado, dedetizados. Os que não puderem ser aproveitados devem ser vendidos - e logo.

Genoíno de volta
Depois de amanhã, terça-feira, está marcada a audiência para que José Genoíno, que foi presidente nacional do PT até ser condenado no processo do Mensalão, passe ao regime de prisão aberta. Condenado a quatro anos e oito meses, Genoíno terá cumprido 1/6 da pena e estará apto à progressão penal. Deverá apenas assinar um compromisso em que aceita as normas do regime aberto.

Também queremos
Escandalizado com o auxílio-moradia de R$ 4.737 mensais para juízes e promotores? Pois bem: três entidades que reúnem juízes protestaram contra os protestos e se queixaram de que o advogado-geral da União, Luiz Adams, que contesta na Justiça o auxílio que lhes foi concedido, utiliza moradia oficial. 

Beleza de argumento: se tem gente que também faz, por que não nós?

Saúde quase perfeita
As eleições já se foram, o governador petista de Brasília foi candidato e perdeu. Veja como está a saúde na capital do país: conforme ofício enviado na última quarta ao secretário da Saúde do Distrito Federal, uma das principais instituições de Brasília, o Hospital Regional do Gama, não tem suprimentos básicos para a terapia intensiva, para exames de laboratório, para tratamento de pacientes. Faltam glicose, anti-heméticos, antibióticos; não há cateteres, nem unidades para dosagem de creatinina. Falta também alimentação para os funcionários; tendo de sair para comer fora, reduz-se a disponibilidade de atendimento aos pacientes. 

O SUS, como disse Lula, está quase perfeito. Para ser perfeito, só falta funcionar.

Como é o nome dela?
A revelação é do jornal francês Stylist, destinado ao noticiário frufru. O ex-presidente americano Bill Clinton, depois de meses de hesitação, escolheu o nome de sua cachorra, uma fêmea de labrador, segundo informa, "muito afetuosa". Ela se chamará Monica. 

Na frase em francês arcaico que consta na Ordem da Jarreteira, a mais importante condecoração britânica, criada em 1347 pelo rei Edward 3º, "honi soit qui mal y pense". 

Maldito aquele que pensar mal.

carlos@brickmann.com.br 
www.brickmann.com.br

A iluminação pelas urnas

Fernando Gabeira 
O Estado de S. Paulo

Pesquisas, análises, previsões, fizemos de tudo para entender o futuro. Mas ele nos escapou, inúmeras vezes, ao longo do caminho. Nunca tivemos uma dose tão cavalar do imprevisível como nesta disputa de 2014.

Alguns jornalistas chamaram o processo de montanha-russa. As emoções foram tantas que, às vezes, essas bruscas oscilações acabaram por ofuscar o conteúdo.

Marqueteiros, campanhas de desconstrução, tudo isso, para mim, foi apenas uma cortina de fumaça. Sem me arriscar a previsões, perplexo com os sobressaltos da campanha, eu a via, no entanto, com uma simplicidade meio tosca: a luta cristalina entre oposição e um governo amplamente rejeitado.

Esse era o fio da meada. Em termos numéricos, a oposição é maioria. Mas quem, dentre os desafiantes, poderia encarnar esse sentimento?

Não sei em que momento preciso, mas creio que Aécio Neves decidiu, no final da campanha, encarnar essa rejeição ao PT e a um governo que assalta a Petrobrás, entre outros bens públicos. Marina Silva não conseguiu, ou talvez nem tenha aspirado a assumir esse papel de "nós contra eles e vamos lá." Além dos vínculos emocionais com um passado no PT, a sua disposição de governar com os bons dos dois lados talvez não fosse a melhor ideia para o momento, embora inatacável de um ponto de vista abstrato.

Apesar das emoções, algumas escolhas racionais estavam em jogo. Uma delas, na economia. Não basta derrotar o governo, é preciso ter projeto e equipe que possam combinar o crescimento econômico e a política social.

Momento importante para a escolha foi o último debate entre os candidatos. No debate anterior, a intervenção de Levy Fidelix acabou roubando a cena, com o agora famoso "aparelho excretor". Compreendo a reação à frase de Levy. Eu o conheci cobrindo um dia de sua campanha e creio que um caminho pedagógico talvez fosse melhor. Mostrar que as pessoas não são uma soma de aparelhos, senão estaríamos sendo vendidos na Casas Bahia.

Dizem que quem sai na frente no segundo turno termina na frente. É mais uma tentativa de controlar o futuro. Como se os candidatos não tivessem diante de si toda uma nova etapa, com idênticos tempos de televisão e debates cara a cara.

Visto superficialmente, o mapa eleitoral do Brasil contrapõe o Nordeste a São Paulo. Parece que estão em jogo, num polo, a amplitude da político social e, no outro, a impaciência com a estagnação. A tarefa de cada candidato é unir esses polos da forma mais convincente.

Indo um pouco mais longe, lembrando-me das constantes viagens às metrópoles nordestinas Recife, Fortaleza e Salvador, creio que há nelas um fator comum a todas as capitais: a consciência de que a corrupção drena os recursos do País e zomba da pessoa que trabalha duro para sobreviver.

No momento, o escândalo na Petrobrás está em curso. Um ex-diretor da empresa já firmou acordo de delação premiada. Depois dele veio Alberto Youssef, o doleiro, que promete entregar todos os documentos das operações de suborno. É uma trama secundária que envolve estas eleições, prometendo sempre influenciar o enredo principal. É o que numa história os americanos chamam de pay back, deixar alguma coisa no ar, seguir com a narrativa e explicar depois, ligando os fatos.

Estamos todos esperando o pay back do escândalo da Petrobrás. Enquanto isso, o segundo turno vai seguindo o seu curso. E pela dimensão do problema, quando se esgotar o processo eleitoral, o escândalo da estatal petroleira ainda estará sendo discutido.

No Rio de Janeiro, 2 milhões de eleitores foram às urnas e votaram nulo ou em branco. Isso se deve, parcialmente, a uma atmosfera política local desoladora. Mas os números foram grandes também em São Paulo. Considerável parcela dos brasileiros rejeita a escolha eleitoral: 38 milhões ficaram de fora, votando em branco, nulo ou faltando às urnas. Isso significa que, apesar de todas as peripécias emocionais, um problema de fundo ainda persiste: o descrédito no processo político.

Neste momento, o País precisa de um governo que, mantendo as conquistas sociais, retome investimentos, saiba gastar. E não considere a gratidão de uma parte do povo como um habeas corpus para saquear o Estado e financiar o partido dominante e seus aliados.

Não sei o que seria desta campanha sem um grande desastre e a montanha-russa em que se transformou, conforme descreveu o jornal El País. Mas à medida que os fatos se decantam, a grande encruzilhada econômica aparece e há uma chance de se debater o tema com mais clareza no segundo turno.

Vamos para um segundo turno. Se isso fosse teatro, diria que no segundo ato há uma crescente revelação dos personagens. No teatro, às vezes, é no segundo ato que as pessoas se revelam, o terceiro apenas lida com seus desdobramentos.

Como nessa peça enredos e subenredos se entrelaçam e se entrechocam, o melhor é sair para o saguão do teatro, tomar um café, conversar com outros da plateia e não perder o foco do enredo: o fim de uma época.

Tenho a esperança, como o pai de Fernando Sabino, de que no fim tudo terminará bem. Se não terminar, é porque ainda não chegou o fim.

Nessa peça está sendo jogado um pouco do nosso futuro. Um pouco, de certa maneira, nossa vida continua depois das eleições, como a vida dos foliões continua depois do carnaval.

No começo da campanha, escrevi um artigo intitulado Rumo às grandes emoções. Não sabia do que estava falando, a realidade nos reservava mais: um primeiro turno eletrizante. As pesquisas foram de surpresa em surpresa e a realidade, uma surpresa maior.

Um candidato chamado Sartori, no Rio Grande do Sul, tinha 29% na boca de urna e terminou com 42%. Se tiramos um r do Sartori, ficamos com Satori, um termo budista que significa iluminação. Com esse r a mais, as pesquisas foram tudo, menos iluminação.

Aécio recebe o apoio da viúva e dos filhos de Eduardo Campos em Pernambuco

Letícia Lins
O Globo

Tucano divulgou documento para garantir apoio de Marina Silva

Hans von Manteuffel / Agência O Globo 
O candidato Aécio Neves (PSDB) 
recebe o apoio de Renata Campos e família 

RECIFE - O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, recebeu neste sábado o apoio da família do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto num acidente aéreo em 13 de agosto. Os filhos do ex-governador participaram de dois eventos ao lado do tucano, em Recife. No primeiro, compareceram para dar um abraço no presidenciável e, no segundo, João Campos leu uma carta da viúva de Campos, Renata, com quem Aécio se encontrou à tarde.

"Hoje temos duas possibilidades: continuarmos como estamos ou tentar o caminho das mudanças. O Brasil pede mudanças. O governo que está aí tornou-se incapaz de realizá-las", escreveu a viúva na carta.

O texto foi lido por João Campos durante encontro da Frente Popular no Clube Internacional do Recife. Foi ele quem marcou maior presença na campanha majoritária do PSB em Pernambuco: João participou de caminhadas e comícios em 41 municípios para reforçar a campanha do hoje governador eleito Paulo Câmara (PSB).

Na carta, a família reconhece "avanços", mas diz ser fundamental "arejar a casa". E envia um recado para o tucano: "Aécio, acredito na sua capacidade de diálogo, de gestão. Sei que não é a primeira vez que seu caminho se cruza com o de Eduardo".

Renata diz ter certeza que o tucano empunhará as mesmas bandeiras defendidas pelo seu marido:

"Penso, Aécio, que hoje é um dia muito importante na sua caminhada. Você vai levar a garra e a energia do nosso povo, que são fundamentais e essenciais para a construção do novo Brasil. Somos nordestinos e pernambucanos e queremos juntos um novo construir Brasil. Siga em frente, Aécio, e que Deus nos proteja".

Ao sair da casa da família Campos – onde almoçou com cerca de 40 lideranças políticas do estado – o candidato do PSDB afirmou que fechou em Pernambuco "não apenas um pacto eleitoral, mas um pacto de uma vida toda pela decência na vida pública brasileira". Renata acompanhou o tucano até o portão da residência ao lado dos filhos, mas não gravou entrevista. Aécio reagiu com um sorriso e silêncio, quando lhe indagaram se havia recebido algum telefonema de apoio da ex-candidata Marina da Silva (PSB).

- Hoje estou muito feliz. E vou começar de trás para a frente. Acabei mais uma vez de comer o almoço da Dona Renata, um peixe maravilhoso, uma carne de sol saborosa. Eu vim buscar energia. Energia na alma, para continuar essa travessia. Eu me emociono ao voltar aqui à casa de Eduardo, porque aqui conversamos muito sobre o Brasil, tendo a Renata e os filhos como testemunhas - afirmou. E acrescentou:

- Saio daqui com uma responsabilidade que, se já era grande, ainda é maior. Para mim, hoje não foi nenhuma visita política. Hoje foi uma visita pessoal do coração. Fiz questão de trazer a Gabriela, minha filha, para conhecer os filhos de Eduardo. O que estamos fazendo aqui não é uma aliança eleitoral. É um pacto por toda uma vida. Pela decência na vida pública brasileira - ressaltou ele, antes de partir para um comício na cidade de Sirinhaém, na Zona da Mata, onde Marina teve o seu maior percentual de votação do país (74,19%).

AÉCIO DIVULGA DOCUMENTO PARA GARANTIR APOIO DE MARINA
Em sua passagem pela capital pernambucana, Aécio divulgou documento afirmando que "a Federação está doente, enfraquecida e debilitada" por padecer do "centralismo excessivo na esfera federal" e prometeu promover "a revisão desse Estado de coisas", devolvendo a estados e municípios "meios de exercerem sua autonomia constitucional, habilitado-os a levar a solução do problema para perto de onde ele ocorre". O manifesto consolida pontos em comum entre os programas de Marina Silva (PSB) e de Aécio e é uma condição para que o tucano receba o apoio da ex-presidenciável.

Aécio disse ainda ser preciso "devolver o Estado à sociedade brasileira". E fez um apelo: "É urgente revigorar nossa federação, fortalecendo suas bases". Ele prometeu promover o debate sobre o pacto federativo, articulado com a temática do desenvolvimento regional. Aécio comparou-se ao ex-presidente Juscelino Kubistchek.

O texto do documento divulgado por Aécio faz parte de uma carta divulgada pelo tucano, durante encontro com lideranças de movimentos sociais e a carta dos 21 partidos que integram a Frente Popular de Pernambuco, que é liderada pelo PSB. Aécio foi recebido em clima de festa, saudado com gritos de "Brasil pra frente, Aécio Presidente" e "País rico é país sem PT".

AÉCIO LEMBRA DE CAMPOS
O documento foi lançado no sábado no Recife, com pouco mais de 80 linhas. Ele assegurou que vai preservar "o legado e os sonhos" de Eduardo campos, mostrando que o documento é uma síntese do que querem as forças que agora o apóiam. Ele ressaltou que as urnas acusaram o desejo de mudança:
- A maioria do eleitorado, 60%, mostrou o desejo de mudança. Mudar significa tirar do poder os que o estão exercendo, mas significa, também, mudar para melhor, em primeiro e principal lugar visando a aprimorar práticas partidárias e eleitorais - afirmou.

Na carta, ele reiterou "o compromisso com valores democráticos, cuja efetivação depende de mantermos instituições virtuosas e de sermos capazes de entender que, no mundo atual, a ampliação da participação popular no processo deliberativo, através da utilização das redes sociais, dos conselhos, das audiências públicas sobre temas importantes não se choca com os compromissos da democracia representativa, que têm que ser preservados. Ao contrário, dá-lhes maior legitimidade". Aécio leu a carta no encontro com lideranças de movimentos sociais - negros, mulheres, pessoas com necessidades especiais e sindicalistas, - que ocorreu em um hotel, no bairro do Pina, na Zona Sul da capital.

Ele fez uma lista das conquistas do país durante as duas gestões presidenciais do PSDB. Segundo Aécio, o documento divulgado no Recife se baseia no tripé "juntos pela democracia, juntos pela inclusão social e juntos pelo desenvolvimento sustentável".

- O PSDB se orgulha de ter ajudado o Brasil a reencontrar o equilíbrio econômico. Não só fizemos a estabilização da moeda com o Plano Real, mas criamos instituições fundamentais para sua continuidade, sustentadas por políticas de transparência que infelizmente não vêm sendo seguidas pelo atual governo. O sistema de metas da inflação e autonomia operacional do Banco Central para fixar a taxa de juros e observar as livres oscilações de câmbio provaram ser ineficientes. Graças a essa base, inauguramos nova etapa de investimentos tanto internos quanto externos - disse Aécio.

Agência O Globo 
Aécio Neves ao lado da filha, Gabriela (de vestido), 
e dos filhos de Eduardo Campos 


AÉCIO: TUCANOS INICIARAM ENTREGA GRATUITA DE MEDICAMENTOS
Ele ressaltou ainda políticas sociais criadas nas gestões tucana, a implantação do Sistema Único de Saúde e atribuiu aos tucanos o início da entrega gratuita de medicamentos aos mais pobres:

- Falta muito ainda, mas o governo do PT maltratou a saúde pública.

Aécio prometeu reajuste da tabela dos serviços do SUS e recuperação de instituições filantrópicas que prestam serviços de saúde. Ele falou também em retomar a reforma agrária "com seriedade e prioridade" e prometeu levar adiante "o resgate da dívida social brasileira".

- Vamos ampliar e aprimorar as políticas existentes, inclusive transformando o Bolsa Família em política de Estado e não de governo, justamente para que não sofra descontinuidade ou interrupção.
O tucano disse esperar a vitória no segundo turno:

- A democracia, tal como a concebemos, não se faz destruindo os órgãos do Estado ao sabor de interesses partidários e privados, como foi feito com as agências reguladoras, as empresas estatais, os fundos de pensão, e a própria administração federal.

Para Aécio, é preciso "devolver o Estado à sociedade brasileira".

'NÃO VOU ACEITAR O QUE ELES ESTÃO FAZENDO'
Depois de ler a carta, Aécio foi para o Clube Internacional, ao lado do governador eleito Paulo Câmara (PSB), do senador eleito Fernando Bezerra Coelho (PSB), e do prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB). O governador do Espírito Santo (PSB), Renato Casagrande, também compareceu ao encontro.

- Em solo sagrado de Pernambuco, digo que não sou mais candidato a presidente só do PSDB e dos partidos aliados. Sou o candidato que vai trazer as mudanças, reduzir as disparidades regionais, o que vai permitir que as populações mais desfavorecidas sejam aquelas mais atendidas pelo Estado. Não vou aceitar o que eles estão fazendo, dividindo o Brasil em dois, entre nós e eles, norte e sul. Quero ser o presidente da integração de todos os brasileiros. Essa integração se fará construindo pontes, construindo alianças - disse.

O presidenciável tucano lembrou Campos:

- Nós tínhamos certeza de que um dia estaríamos juntos, construindo um Brasil melhor, mais honrado, mais generoso - afirmou, dizendo que fez questão de trazer sua filha Gabriela a Pernambuco, para ela "conhecer a boa política que ainda se pratica no Brasil".

O país “de saco cheio”

Ruy Fabiano
Blog Noblat

O país, sim, está de saco cheio dessa conversa fiada de defensores dos pobres, vítimas da elite opressora.



No mesmo dia em que os depoimentos do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef eram divulgados (quinta-feira, 9), o ex-presidente Lula desabafava, numa plenária do PT: “Eu já estou de saco cheio”.

Referia-se naturalmente às denúncias de corrupção, que envolvem seu partido e a ele próprio. E acrescentava: “Nenhum petista pode aceitar que um tucano bicudo o chame de corrupto”.

Além de supor que a hipótese (não demonstrada) de o adversário habitar o mesmo chiqueiro o isentaria, Lula se esqueceu de que nenhuma das denúncias que “enchem o seu saco” partiu de tucanos. Esses sempre foram exageradamente polidos na questão. Coube a FHC, ao tempo do Mensalão, esvaziar a campanha do impeachment. Lula, de certa forma, deve-lhe o mandato.

Quem denunciou o Mensalão foi um então aliado do governo Lula, o deputado Roberto Jefferson, que presidia o PTB. E quem está trazendo à tona o escândalo da Petrobrás é Paulo Roberto Costa, nomeado pelo próprio Lula diretor de Abastecimento e Refino daquela empresa. Dilma diz que não gostava dele, mas o incluiu numa seleta lista de convidados ao casamento de sua filha.

Não se trata, porém, de cuidar de afinidades, mas dos fatos. E esses tendem a continuar a “encher o saco” de Lula. O que veio a público dos depoimentos de Paulinho (forma carinhosa com que Lula o tratava) e Beto (outro apelido afetivo que indica intimidade) é só a ponta do iceberg. Vejamos.

Eles não puderam nominar os agentes públicos de escalão superior, aos quais fazem menção em diversas partes do depoimento, em face do benefício do foro privilegiado, que confere essa prerrogativa ao Supremo Tribunal Federal.

Governadores, ministros, parlamentares e presidente (e ex) da República só podem ser julgados pelo STF. Mas o STF já acatou as denúncias, o que indica que estão fundamentadas. Se não estivessem, seriam rejeitadas.

Acresce que Paulinho e Beto não estão blefando ou estariam jogando contra o próprio destino. Se a delação premiada for furada eles aumentarão suas já de si robustas penas. Alguém numa situação-limite dessas não ousa blefar. A delação premiada, convém lembrar, parte de uma confissão: o delator se reconhece como infrator. Portanto tudo o que diz tem alguma credibilidade, que nem por isso deixa de ser rigorosamente conferida.

A expectativa agora é quanto aos nomes “de cima”. Já se sabe como funcionava o esquema, quais partidos dele se beneficiaram, quanto ganharam e quais empresas privadas foram parceiras. Já não há dúvida de que uma quadrilha lesou a Petrobras por no mínimo seis anos (2006-2012), no reinado do PT.

Resta conhecer os chefes da quadrilha. Não é um momento confortável para a candidatura de Dilma Roussef, que, no entanto, no primeiro programa eleitoral do segundo turno, comprometeu-se a “continuar” combatendo (“ainda mais”) a corrupção. É no mínimo uma conflito existencial, em que o PT combate a corrupção que ele mesmo pratica. No caso específico da Petrobras, sabotou duas CPIs.

A primeira tentativa, ainda no governo Lula, provocou uma passeata anti-CPI, comandada no Rio pela UNE. O PT, que, nas palavras de Lula, vivia repetindo, ao tempo em que era oposição, que “quanto mais CPI, melhor”, tornou-se inimigo delas.

Há hoje duas CPIs em funcionamento para investigar a Petrobras: uma no Senado e outra, mista (Câmara e Senado). A primeira é chapa-branca e, em vez de investigar, esmera-se em desmontar tentativas de investigação. A segunda peleja com a má vontade do PT e do governo para levar avante os trabalhos.

Foi preciso que gente “do esquema” – Paulinho e Beto – entrasse em cena, em situação-limite, para que a colossal maracutaia começasse a ser desvendada. Os tucanos só agora parecem ter despertado para a necessidade de não assistir passivamente a mais um estupro aos cofres públicos.

Enquanto tudo isso ocorre, Dilma e Lula insistem em falar em nome dos pobres. Se Paulinho, sozinho – mero operador do esquema -, amealhou, numa única conta bancária, 23 milhões de dólares (mais de 55 milhões de reais), quanto terá ganho o “pessoal de cima”? O país, sim, está de saco cheio dessa conversa fiada de defensores dos pobres, vítimas da elite opressora.

A estrela desce

Dora Kramer
O Estado de São Paulo

De nada valeram os esforços do governo em conluio com os partidos de sua base aliada para impedir que as CPIs da Petrobrás investigassem se funcionava mesmo na maior estatal brasileira uma "organização criminosa" como apontou a Polícia Federal.

Pior, o bloqueio desesperado da tropa de choque só fez indicar que havia razão para tanto temor. A fumaça apareceu quando o ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa fez os primeiros depoimentos de seu acordo de delação premiada e dele transpiraram alguns trechos com a citação de partidos e políticos que teriam sido beneficiados por propinas, "sobras" de contratos da Petrobrás com grandes empreiteiras.

O governo saiu-se com a alegação de que não havia provas nem credibilidade no material publicado na imprensa. Pelo sim, pelo não, a presidente Dilma Rousseff alegou que se irregularidades tivessem ocorrido ela não ficara sabendo, mas, para todos os efeitos, garantiu, estavam todas sanadas.

O marqueteiro João Santana introduziu na campanha o tema corrupção - até então fora da cena - e Dilma passou a defender a tese de que os escândalos decorriam do combate férreo que seu governo dava aos "malfeitos". Chegou a substituir-se à Constituição, dizendo que a PF e o Ministério Público atuavam com independência graças às ordens dela.

Faltando duas semanas para o fim do primeiro turno, o Planalto enviou para o Congresso um pacote de medidas anticorrupção com cinco propostas, três das quais repetiam outras já em tramitação.

Nem bem começou a campanha para o segundo turno e já se vê que por debaixo daquela fumaça dos depoimentos de Costa ainda em segredo de Justiça havia muito fogo. A ele na delação premiada juntou-se o doleiro Alberto Youssef. Ambos por medo de terem o destino de Marcos Valério, dos integrantes dos chamados núcleo financeiro e publicitário do processo do mensalão que vão ficar na cadeia enquanto os políticos estão indo para casa.

Agora já começam a aparecer evidências. Os áudios dos depoimentos de Costa e Youssef dizendo que repassavam as propinas ao PT, PP e PMDB. Eles apontaram ainda o tesoureiro do PT, João Vaccari, como o intermediário do partido. A ex-contadora do doleiro, Meire Poza, afirmou à CPI que o PT deu dinheiro a um dos réus do mensalão (Enivaldo Quadrado, dono da corretora Bônus-Banval) para pagar a multa imposta pelo Supremo Tribunal Federal.

O PT evidentemente reage afirmando que é alvo de calúnias. Deverá - se já não o fez - acrescentar que são eleitoreiras. O problema com essa versão é que Costa, Youssef e Meire só têm chance de se beneficiar daquilo que afirmam se puderem provar. Note-se que o ex-diretor da Petrobrás já foi autorizado pela Justiça a sair da cadeia. E se o foi é porque o material por ele fornecido foi considerado útil para o desvendamento das autorias e da materialidade dos crimes.

O doleiro já descumpriu uma vez um acordo desse tipo. Reincidiu e agora, escaldado, dificilmente vai tentar driblar o Ministério Público e muito menos o juiz Sérgio Moro da Justiça Federal no Paraná. Ou se conduz de acordo conforme a regra, que implica confissão da verdade, ou fica na prisão queiram os advogados ou não até porque a assinatura do acordo implicou a dispensa de habeas corpus.

Na realidade o efeito eleitoral dessas denúncias é o menor dos problemas. Se com isso tudo a maioria ainda decidir que a presidente deve ter mais um mandato, está decidido. A discussão independe do período eleitoral. Ainda que tudo isso viesse a público no ano passado e Dilma dissesse que não sabia de nada a questão seria a mesma: o partido do governo cuja antiga cúpula foi condenada por corrupção, pego de novo em traficâncias de natureza semelhante tendo apenas mudado de endereço.


Falsa tentativa de dividir o país

Carlos Chagas
Tribuna da Internet

Antes mesmo do início da propaganda gratuita, quinta-feira, a presidente Dilma praticou a primeira baixaria de sua campanha. Foi na quarta-feira, no Piauí, onde pedia votos. A companheira-candidata abriu um confronto perigoso, desnecessário e profundamente injusto ao sustentar que os tucanos menosprezam o Nordeste. Acusou os adversários de dizer “que os votos da região são de pessoas de menos compreensão e que não sabem votar”. Criticou “a visão elitista dos que diminuem a opinião dos nordestinos”.

Estaria Dilma, para se reeleger, disposta a estimular a secessão no país? A dividir-nos geograficamente, atribuindo-se o papel de defensora dos pobres e oprimidos do Nordeste pelo fato de o Sul e o Sudeste concentrarem mais riqueza?

Seria bom que a presidente interrompesse essa estratégia, capaz de acirrar os ânimos. Deveria, durante seus quatro anos de governo, ter atendido com mais ênfase as carências do Nordeste (e do Norte), acima e além da distribuição do bolsa-família, que efetivamente beneficia mais os desprotegidos da região do que no restante do Brasil. Por uma questão evidente, dado o abandono com que governos anteriores, desde o Descobrimento, atuaram em favor do Sul e do Sudeste.

Dilma atribuiu essa falsa noção de integridade nacional “àqueles que nunca estiveram, no Nordeste e desconhecem a qualidade de seu povo”. Precisava ter meditado antes de embarcar na falsa tentativa de dividir o país. E lembrado que o Lula é nordestino, nascido em Pernambuco, projetado em São Paulo. Concordaria o ex-presidente com tamanho despautério?

Resta saber se Aécio Neves cairá na armadilha. Sua votação no Nordeste foi pífia, por isso ele prepara viagens à região. Mas se chegar lá defendendo-se, estará dando razão à adversária.

TEMORES
Cresce no PT e adjacências o temor de que venham a vazar antes do dia 26 os depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef feitos nos últimos dias à Polícia Federal e ao Ministério Público. Pelo que se sabe, eles tem revelado muita sujeira praticada junto à Petrobras, inclusive com nomes de políticos, parlamentares, governadores, ministros e penduricalhos. Uma lista inicial foi conhecida há semanas, mas o grosso da tropa ainda permanece em cone de sombra. Muitos foram reeleitos no último domingo, pelo que se sabe integrantes do PT, do PMDB e do PP. Não dá mais para cassar-lhes o registro. Só os mandatos…

QUANTOS MILHARES DE VOTOS VOARAM?
Conhecida parte da delação dos ladrões da Petrobras, José Roberto Costa e Alberto Youssef, na tarde de quinta-feira, a pergunta que varre o país de Norte a Sul refere-se a quantos milhares ou até milhões de votos terá perdido a presidente Dilma Rousseff?

Quem quiser que faça as contas, mas se inusitados não acontecerem até o dia 26, Aécio Neves está eleito presidente da República. Não dá para livrar a cara de Dilma, bem como do Lula, muito menos do PT, diante do escândalo agora denunciado. O partido dos companheiros levava 3% de todos os contratos superfaturados das empreiteiras com a Petrobras. PP e PMDB também participavam da lambança. Será possível que a presidente e o ex-presidente nada soubessem, com tanta gente envolvida? Por onde andou a Abin, encarregada de informar a chefe do governo? E o ministro da Justiça? Precisou a Polícia Federal investigar.

Vem muito mais chumbo grosso por aí. Quando o Supremo Tribunal Federal começar o julgamento dos políticos envolvidos na tramoia, assistiremos deputados, senadores governadores e ministros serem transformados em réus. Os que tiverem sido reeleitos perderão os mandatos. Quanto aos empreiteiros, serão expostos, junto com outros diretores da Petrobras. Serão abertas as portas da caverna do Ali Babá.

É impossível que essa monumental roubalheira não se reflita nas eleições presidenciais. É claro que Dilma não participou da coleta, mas o que dizer de líderes e integrantes do PT, PMDB e PP? Tivessem as denúncias sido conhecidas antes do primeiro turno das eleições e muito provavelmente o segundo turno estaria acontecendo entre Marina Silva e Aécio Neves.

Em suma, fica a indagação: quantos milhares ou milhões de votos a presidente terá perdido?

Usar recursos ilícitos em campanha é motivo para anular vitória em eleição?

Jorge Béja
Tribuna da Internet

Questão jurídica nova, relevante e de alta indagação, surge a partir do momento em que vieram a público, ainda que não inteiramente completas, as revelações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, que afirmaram, perante o Juiz Federal de Curitiba, que a campanha presidencial de 2010 foi abastecida com recursos ilícitos provenientes de contratos com a Petrobras e entregues ao PT e demais partidos políticos coligados à época. Tanto é o suficiente para considerar anulável aquele pleito presidencial, mesmo já passados perto de quatro anos.

O que se afirma é tão surpreendente quanto inédito na história eleitoral do país, sem que perca a base jurídica, de fato e de Direito, que a sustenta. O raciocínio é simples, lógico e não demanda dos juristas esforço mental para sua exposição e conclusão. O Código Eleitoral Brasileiro (Lei 4737, de 15.6.1965, com as alterações nele introduzidas posteriormente, inclusive após a Constituição Federal de 1988), dispõe no artigo 222 que “É também anulável a votação, quando viciada de falsidade, fraude, coação, uso de meios de que trata o artigo 237, ou emprego de processo de propaganda ou captação de sufrágios vedado por lei”.

ANULÁVEL
Tem-se, pois, que uma eleição para a qual foi empregado processo-meio de propaganda ou captação de sufrágios (leia-se: campanha) proibido por lei, tanto já é o bastante para que a mesma eleição seja anulável. A lei não diz que a eleição é nula, mas anulável. Este artigo 222 remete ao artigo 237 do mesmo Código Eleitoral, ao mencionar o “uso de meios de que trata o artigo 237″, como causa, também, ensejadora da anulação de uma eleição, ou votação, que são palavras sinônimas, neste caso. Então, vamos ler o que diz este artigo 237: “A interferência do poder econômico e o desvio ou abuso de poder da autoridade, em desfavor da liberdade do voto, serão coibidos e punidos”.

Indaga-se: ter abastecido o PT e demais partidos coligados, na campanha-propaganda das eleições de 2010, com recursos ilicitamente obtidos em contratos com a Petrobras não constitui “processo de propaganda ou captação de sufrágios vedados por lei”?. E ainda: também não representa a “interferência do poder econômico e o desvio ou abuso da autoridade, em desfavor da liberdade do voto”?

CÓDIGO ELEITORAL
Registre-se que o mesmo Código Eleitoral Brasileiro é cogente e imperativo ao afirmar que “Toda propaganda eleitoral será realizada sob a responsabilidade dos partidos, e por eles paga” (artigo 241). As revelações daqueles dois (Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef), que são mais do que revelações e constituem-se confissões, põem a descoberto o que, até então, era desconhecido. Ou seja, a captação de recursos ilícitos para aquela campanha presidencial, o que o Código Eleitoral Brasileiro proíbe e possibilita a anulação daquele pleito, senão todo o pleito, ao menos no tocante à presidência da República, em que Dilma saiu vitoriosa.

A questão da prescrição parece superada, porque ainda não consumada. Os delitos não foram cometidos tão longe no tempo. São até recentes. Mas ainda que fossem, o prazo prescricional passa a contar da data em que o(s) crime(s) foram descoberto(s), visto que, até então, estavam ocultados do eleitorado brasileiro. E somente nesta semana de Outubro de 2014 é que os delitos foram tornados públicos. E delitos de natureza permanente, enquanto não vindos à tona. Delitos de ordem pública e que vitimaram perto de 200 milhões de brasileiros.

Conclusão: até mesmo a eleição de Dilma, em 2010, pode ser anulada, com o seu despojamento do cargo que ocupou e, consequentemente, a também anulação de todos os atos presidenciais por Dilma praticados e assinados. Parece loucura, mas não é não. Basta confrontar os fatos, agora denunciados, com o Código Eleitoral Brasileiro.

Dois Brasis, quase

Demétrio Magnoli 
O Globo

Nos polos opostos do espectro político, sob as lentes do dualismo, emergem interpretações eleitorais rasteiras

‘Os dois Brasis” — o título é célebre; o autor, pouco conhecido. Publicada em 1957, nos anos áureos de JK, a obra do francês Jacques Lambert contrapunha o “novo” ao “arcaico”, esboçando os rumos de uma modernização pela qual o primeiro contaminaria o segundo até dissolvê-lo no caldo do progresso. A linguagem binária da sociologia do desenvolvimento, um eco de polaridades antigas (litoral versus sertão, cidade versus campo), projetava-se como geografia econômica: Sudeste versus Nordeste. Mais de meio século depois, a tese dualista parece se refletir como mapa eleitoral: Aécio triunfou no Centro-Sul; Dilma, no Norte-Nordeste.

A hegemonia lulopetista na “sua” região é avassaladora. Na Bahia, Dilma obteve 61% dos votos; no Ceará, 68%; no Maranhão e no Piauí, 70%. As derrotas coagulam singularidades: Pernambuco, terra de Eduardo Campos, escolheu Marina, assim como o Acre, terra de Marina; Roraima, estado de colonos traumatizados pela política indígena, sufragou Aécio. O Brasil que depende do poder central, das transferências públicas, dos programas de renda, teme a mudança. Lambert tinha razão? Não: a modernização reiterou o arcaísmo, atualizando-o.

A fronteira entre os “dois Brasis” atravessa o Centro-Sul. São Paulo deu a Aécio 29% de sua votação nacional. O tucano levou o Sul, mas não o Rio Grande do Sul, triunfou em todo o Centro-Oeste e venceu no Espírito Santo — mas perdeu no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. É que a “fronteira lambertiana” passa dentro dos estados. O Norte de Minas Gerais, cujos indicadores sociais assemelham-se aos do Nordeste, inclinou-se em massa para Dilma, tanto quanto a deprimida “Metade Sul” do Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro, Aécio levou a capital e a Região Serrana, enquanto Marina levou Niterói, mas Dilma ficou com a Baixada Fluminense e o interior do estado. Até em São Paulo a presidente-candidata obteve vitórias esparsas, quase restritas aos municípios pobres do Pontal do Paranapanema e do Vale do Ribeira.

O PT nasceu e cresceu nas grandes cidades do Centro-Sul, entre os jovens, a classe média e os trabalhadores qualificados, mas trocou de eleitorado depois de chegar ao poder. Hoje, esse universo é terra estrangeira para o lulopetismo: todas as capitais do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste alinharam-se com Aécio. Somados, Aécio e Marina tiveram algo entre 70% e 80% dos votos de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Brasília. No Nordeste, pelo contrário, entre as cidades mais importantes, Dilma só perdeu em Recife, Caruaru e Maceió (para Marina) e em Campina Grande, polo tecnológico e acadêmico (para Aécio). Os principais centros industriais viraram as costas ao PT, que perdeu no ABC Paulista, seu berço original, em Volta Redonda, no cinturão siderúrgico mineiro e na maioria das cidades manufatureiras do Sul. A “classe trabalhadora” vota contra o “Partido dos Trabalhadores”.

Nos polos opostos do espectro político, sob as lentes do dualismo, emergem interpretações eleitorais rasteiras. “Luta de classes”, diz uma esquerda caricata, oportunamente esquecida de que a antiga Arena tinha suas fortalezas eleitorais nas regiões e camadas mais pobres. “Desinformação”, replica uma direita primitiva, incapaz de entender as assimetrias da razão: a lógica dos outros. A rígida divisão regional do mapa eleitoral não é uma boa notícia política, mas o problema real se expressa nesse tipo de leituras do cenário nacional.

Há um mês, em entrevista à “Folha de S.Paulo”, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, um preposto do lulismo alçado pelo bloco acionário composto pelo BNDES e pelos fundos de pensão, ecoou a melodia da campanha de Dilma atribuindo as críticas ao governo a empresários rancorosos “da Faria Lima”. São Paulo esteve, ao lado de Porto Alegre, entre os primeiros grandes municípios administrados pelo PT, de 1989 a 1993 — e, depois de Luiza Erundina, voltou a eleger uma prefeita petista, Marta Suplicy, em 2001. O antipetismo registrado na onda de votos em Aécio não é um dado inerente aos paulistas, mas o fruto de uma longa experiência política. O núcleo central do empresariado, constituído por bancos, empreiteiras e companhias financiadas pesadamente pelo BNDES, dirigiu a maior parcela das doações legais de campanha para a presidente-candidata. A “elite branca paulista” é um álibi, tecido com a linguagem abominável da raça, para justificar o recuo do lulopetismo rumo ao Norte-Nordeste.

Na outra ponta, o mapa do voto é um convite à irrupção do preconceito antinordestino, que associa os sufrágios em Dilma à “ignorância” e ao “cabresto”. Não há nada de surpreendente na circunstância de que as escolhas eleitorais da população de escolaridade e renda inferiores são atraídas pela força gravitacional do poder de Estado. No passado, o tradicional voto de cabresto beneficiava os “coronéis”, chefes políticos locais que intercambiavam apoio eleitoral por favores pessoais, derramando dentaduras entre os habitantes de seus “currais”. O Bolsa Família não é uma “bolsa esmola”, como o qualificou Lula quando, nos idos do governo FH, ainda se chamava Bolsa Escola. O voto nas políticas de renda distingue-se positivamente do antigo voto de cabresto pois circunda os “coronéis”, inscrevendo-se de algum modo no campo do debate público sobre as políticas de combate à pobreza.

O conceito de “dois Brasis” é uma explicação sedutora, mas superficial, da cena eleitoral reiterada no domingo. Os “dois Brasis” estão em todas as regiões, como provam Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Além disso, crucialmente, a meta de superação da pobreza forma uma ponte política entre os “dois Brasis”, como prova o triunfo eleitoral de Lula em 2002, obtido com os votos majoritários do Centro-Sul, inclusive de São Paulo. Tanto um Brasil como o outro merecem mais que a exumação oportunista de uma ossada sociológica.

Em vídeo, FHC afirma que Lula mentiu. E quando foi que ele falou a verdade na vida?

Elizabeth Lopes  
O Estado de S. Paulo

Ex-presidente rebateu fala de petista que o acusou de criticar os nordestinos; para tucano PT 'fica querendo nos jogar contra o povo'

 São Paulo  - Em vídeo postado nesta sexta-feira, 10, em sua página oficial no Facebook, o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso diz que o ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva mentiu quando o acusou de criticar os nordestinos. "O PT fica querendo fazer demagogia, querendo nos jogar contra o povo, dizendo que o PSDB fez isso ou aquilo, que eu disse isso ou aquilo, o Lula mentiu, eu não falei de Nordeste ou de nordestinos, nada disso", disse.

Na postagem, Fernando Henrique disse lamentar que a presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, "tenha embarcado nessa, não é verdade". E disse: "O povo não é bobo, o povo sabe que quem fez o Plano Real fomos nós, quando fui ministro da Fazenda, que melhorou a vida de todo mundo, dos pobres, do trabalhador."

Veja a íntegra do vídeo:





Nas críticas à gestão petista, o ex-presidente tucano disse que é com o receituário do PSDB que se combate a pobreza "e não deixando a inflação voltar e depois aconselhando o povo a não comer carne, a comer tomate, a comer frango, ovo". E continuou: "Não é deste jeito que se resolve a pobreza. Nós, do PSDB, sim, fizemos o que dissemos e deu certo." 

O vídeo é mais um capítulo do embate que os dois ex-presidentes da República estão travando com mais frequência neste segundo turno, em prol de seus candidatos, Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).

Dilma e PT vetam perguntas, e Folha de São Paulo desiste de debate. Medo do que, hein? De ser confrontada com a verdade?

Tribuna da Internet
Deu na Folha

A Folha decidiu sair da organização do debate presidencial que estava preparando em conjunto com o SBT, UOL e rádio Jovem Pan. A decisão foi tomada após a campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) anunciar que não aceitaria a presença de jornalistas fazendo perguntas aos candidatos.

“Os debates são muito engessados por imposição da Lei Eleitoral e dos próprios candidatos. As regras impostas já vetam o direito à réplica para jornalistas. Agora, querem dar um passo atrás e proibir também as perguntas dos jornalistas. Nesse caso, para a Folha, fica sem sentido organizar um evento sobre o qual não terá nenhuma influência para representar os direitos e interesses de seus leitores”, diz o editor-executivo do jornal, Sérgio Dávila.

A campanha presidencial de Aécio Neves (PSDB) também não queria inicialmente a participação de jornalistas fazendo perguntas. Essa posição foi apresentada em reunião na tarde da última terça-feira (7). No dia seguinte, o tucano recuou e afirmou que aceitaria um bloco no qual os candidatos responderiam perguntas de jornalistas escolhidos por Folha, UOL, SBT e Jovem Pan.

PT RECUSA
A mudança de posição de Aécio foi informada ao comando da candidatura de Dilma, que se propôs a novamente analisar o assunto. Nesta sexta-feira (10), entretanto, a campanha petista informou que não desejaria mesmo as perguntas de jornalistas. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, explicou a posição do partido: “O debate no segundo turno deve ser entre os candidatos, um contra o outro; se for para fazer perguntas de jornalistas, é melhor fazer uma entrevista, como a presidente tem feito”.

O debate no SBT será realizado no dia 16 de outubro, uma quinta-feira, às 18h, um horário diferente dos encontros promovidos pelas outras emissoras, que são sempre mais tarde, no final da noite.

O portal UOL, empresa do Grupo Folha, continua participando do evento e deve fazer a transmissão ao vivo, pela internet. A Jovem Pan também vai transmitir o som do debate no dia 16.

O formato do encontro será tradicional, sem espaço para surpresas. Cada candidato terá tempo fixo para fazer perguntas, réplicas e tréplicas. O moderador será o jornalista Carlos Nascimento, do SBT, a quem caberá apenas o controle dos tempos de Dilma e de Aécio, sem autorização para emitir juízos de valor a respeito do conteúdo do encontro.

OUTROS DEBATES
Além do debate no SBT, há outros três encontros entre os presidenciáveis previstos. O primeiro será no dia 14, na Bandeirantes. Depois, no dia 19, na Record. O último será na Globo, dia 24. Em nenhum deles será permitida a participação de jornalistas fazendo perguntas. No evento promovido pela TV Globo, as campanhas de Dilma e de Aécio aceitaram que um dos blocos seja com perguntas de eleitores indecisos selecionados pela emissora.