quinta-feira, outubro 16, 2014

Onde foi que Dilma aprendeu economia, meu Deus!

Adelson Elias Vasconcellos

Acabo de assistir ao debate do SBT. Tenho minhas reservas ao modelo adotado. Para meu gosto, acho que deveria haver uma escolha de temas específicos, pelo menos em um ou dois blocos, para que cada um apresentasse PROPOSTAS, e saísse do lamaçal.

É claro que voltaremos em outro texto para falar sobre debates, seus formatos, etc. Mas no de hoje, queria destacar um dos maiores absurdos que já se ouviu, quanto mais um absurdo dito por quem diz ter se formado em ECONOMIA. Adoraria saber como uma faculdade pode conceder diploma a alguém que parece desconhecer princípios básicos da matéria.

Às tantas, falando sobre inflação, a senhora Dilma Rousseff, do alto de seu saber pitoresco,  afirmou  que Aécio "... queria levar a inflação para 3% e que isso só seria possível se o desemprego fosse levado a 15%...".   Onde diabos ou em que cartilha ou manual de botequim a senhora Dilma tirou tamanho absurdo? Quem lhe fez este cálculo estúpido, Mantega ou o marqueteiro "Goebels" Santana?

Países decentes, com governos competentes, conseguem manter juros quase zero, inflação não superior a 2,0% ao ano, crescimento 3 a 5 vezes maior  e, vejam que beleza, desemprego em torno de 5,0%.  Ou seja, crescem mais do que o Brasil (aliás dentre as 20 maiores economias todos crescem mais do que o Brasil), e conseguem manter juros baixos, desemprego baixo e inflação baixa. 

Dona Dilma, faça um favor a si mesma: pare de falar absurdos e volte a estudar economia. Dado o resultado medíocre de seu governo e suas afirmações estúpidas nesta campanha, fica claro que a senhora deve ter faltado às aulas mais importantes.

A lição de JK

Sebastião Nery
Tribuna da Internet


PARIS – Ninguém me contou, eu vi. Foi há muito tempo, na década de 50. Eu morava, estudava e trabalhava em Minas como jornalista político (“O Diário”, “Diário da Tarde”e “Jornal do Povo”do Partido Comunista). Juscelino havia resistido ao golpe que levou Getúlio ao suicídio em 24 de agosto de 1954 e era candidato natural do PSD, do PTB e das esquerdas à Presidência da República em 1955.

Todos os dias invariavelmente íamos ao Palácio da Liberdade ver o governador e saber o que havia no pais e em Minas. Juscelino era um forte sitiado. A UDN mobilizou um cerco nacional no Congresso, na imprensa e sobretudo nos quartéis para vetar e impedir a candidatura de JK. Ele nunca perdeu o sorriso aberto com os olhos apertados.

Enfrentou tudo: a oposição desvairada de Lacerda na imprensa, o jogo duplo, às vezes triplo, de Assis Chateaubriand e Roberto Marinho nos seus jornais e televisão,  e sobretudo a resistência de uma banda do PSD dentro do seu partido, a começar por Benedito Valadares em Minas.

MINAS
Dias atrás uma jornalista perguntou ao senador Aécio Neves se ele se sentia um homem de sorte. Respondeu tranquilamente:

– Eu sou é determinado. Quando decido vou em frente.

Esta foi a grande lição que o Aécio recebeu de Juscelino e herdou do avô Tancredo Neves. Ser determinado e vencer os obstáculos. O que a UDN fez naquela época para detonar a candidatura de Juscelino pareceria hoje inacreditável. Só não era pior do que a artilharia bandida do PT hoje.

A UDN de Minas, achando pouco ter quase a unanimidade da imprensa nacional, ainda criou um jornal de luta, bem feito, bem escrito, com dinheiro à vontade: “Correio do Dia”. Nele escreviam os líderes nacionais da UDN como os de Minas, a maioria nossos brilhantes e queridos professores nas faculdades de Direito e de Filosofia.

Nas salas de aula eram sábios varões gregos. Nos palanques e jornais, demônios: Pedro Aleixo, Milton Campos, J M de Carvalho, José Cabral, Horta Pereira, Afonso Arinos, tantos outros. Pareciam imbatíveis, no entanto foram derrotados todos, um a um, e mais seus aliados Magalhães Pinto, Zezinho Bonifácio, pelo determinado Juscelino.

Para ganhar tiveram que rasgar a história libertária de Minas, inclusive o valente Manifesto dos Mineiros de 1943, indo buscar nos quartéis os generais hoje envergonhados do golpe de 1964. JK resistiu a tudo, venceu dentro de seu partido, o PSD, ganhou o apoio dos trabalhistas e da esquerda e em 1955 elegeu-se  Presidente.

AÉCIO
Até sábado, a internet trazia a notícia de que as primeiras pesquisas do IBOPE e do Data Folha no segundo turno, davam 2 pontos de frente para Aécio diante de Dilma. Já domingo chegava a bomba: o Instituto Sensus de Minas trazia a disparada de Aécio com 15 pontos a mais.

Conheço o Sensus. Conheço o Ricardo Guedes. É um instituto sério. É um pesquisador sério. Tem seu nome a zelar. Não iria comprometer a história, a imagem do instituto que ele dirige numa pesquisa fajuta que viesse a ser desmentida em 15 dias, como aconteceu com o espetáculo ridículo do IBOPE e do Data Folha no primeiro turno, errando em 15 pontos de diferença na última semana. Sem falar na espantosa e inacreditável Boca de Urna do Ibope, “pela margem de erro”.

Em 1955 a UDN dizia que Minas “massacraria” Juscelino na eleição. Quem garantiu a vitória de JK com 36,8% dos votos nacionais (não havia segundo turno, o mais votado do primeiro era o eleito) foi a votação esmagadora que Minas deu a Juscelino, anulando a vitoria de Adhemar de Barros em São Paulo e de Juarez Távora  no Rio.

Assim como Minas e tirando Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o resto do país também deu a vitória a Juscelino.

Está na hora de Minas pedir perdão ao Brasil pelo crime que cometeu em 1964 ajudando os norte-americanos e os generais golpistas a tomarem o poder e expulsarem Minas e seus líderes (Juscelino, Magalhães Pinto, Pedro Aleixo, Milton Campos), liquidando  seus bancos (Moreira Salles, Nacional, Mineiro do Oeste), vetando seu comando no Congresso Nacional, martirizando sua economia.

A missão de Aécio é recolocar Minas no seu tamanho nacional. Segunda maior população, segundo maior eleitorado, segunda maior economia, Minas tem a oportunidade de cobrar seu passado e é preciso que os mineiros tenham consciência disso e no segundo turno reparem o erro do primeiro, dando a Aécio a maior votação do Estado.

DILMA
Quem precisa de maracutaias e falcatruas  é Dilma e o PT com o escândalo da Petrobrás surpreendendo os mais incrédulos dos petistas. Agora a nação já sabe que o PT (Lula, Dilma, a direção nacional) instalou na Petrobrás a mesma “organização criminosa” que a Polícia Federal, o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal de Joaquim Barbosa denunciaram, condenaram e prenderam no Mensalão.

A Nação sabe também que Dilma é uma siderúrgica de mentiras. Ela mente, mente demais, repete, insiste, e tudo o que diz é mentira, só mentira, sempre mentira. Mente nos números do governo, mente nos dados da economia e mente sobretudo no seu falso e dissimulado olhar.

Dilma sai desta campanha com nome novo: “Dilmentira”.

Por que Dilma mente?

Felipe Mirtanda
Empiricus Consultoria

Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário. Se George Orwell estivesse por ai, seria prontamente acusado de terrorismo eleitoral.

Enquanto insistirem em falar mentiras sobre os “neoliberais”, cumprirei o compromisso de falar verdades sobre o governo.

Há dois elementos constrangedores envolvendo o governo Dilma: a incompetência e a desonestidade intelectual - essa última conhecida popularmente como hábito da mentira.

Inventam o que querem para evitarem a mudança de endereço. Abaixo listo as dez mentiras que mais me incomodam, cujas implicações ao seu patrimônio podem ser substanciais.

Restrinjo-me a questões de economia e finanças. Não imagino que a mitomania limite-se a essa área, mas prefiro manter-me no escopo, por uma questão de pertinência desta newsletter.

Ao não reconhecer os erros, mantém-se a rota errada da política econômica. Bateremos de frente com uma crise financeira em 2015.

1. “A crise vem de fora.”
Esse é o discurso oficial para justificar a recessão técnica em curso no Brasil. O que os dados podem nos dizer sobre isso? Comecemos do mais simples: o crescimento econômico do Governo Dilma será, na média, dois pontos percentuais menor àquele apresentado pela América Latina. Nos governos Lula e FHC, avançamos na mesma velocidade dos vizinhos.

Indo além, há de se lembrar que a economia mundial cresceu 3,9% em 2011, 3% ao ano entre 2012 e 2013, e deve emplacar mais 3,6% em 2014. Nada mal.

Comparando com o pessoal mais aqui ao lado especificamente, Chile, Colômbia e Peru, exatamente aqueles que adotaram políticas econômicas ortodoxas e perseguiram uma agenda de reformas na América Latina, cresceram 4,1%, 4,0% e 5,6% ao ano, entre 2008 e 2013.

Enquanto isso, a evolução média do PIB brasileiro na administração Dilma deve ser de 1,7% ao ano.
A retórica oficial, desprovida de qualquer embasamento empírico, continua ser de que a crise vem de fora. Aquela marolinha identificada pelo presidente Lula, lá em 2008, seis anos atrás, ainda deixando suas mazelas.

2. “A política neoliberal vai aumentar o desemprego.”
Não há como desafiar o óbvio de que o produto agregado (PIB) depende dos fatores de produção, capital e trabalho. Ora, com o PIB desabando por conta da política econômica heterodoxa, cedo ou tarde bateremos no emprego.

Podemos não conseguir precisar qual a exata função de produção, ou seja, de como o PIB se relaciona com o nível de emprego, mas não há como contestar a existência de relação entre as variáveis.

O crescimento econômico da era Dilma é o menor desde Floriano Peixoto, governo terminado em 1894, subsequente à crise do encilhamento. Há uma transmissão óbvia desse comportamento para o emprego.

Os dados do Caged de maio apontaram a menor geração de postos de trabalho desde 1992. Em sequência, junho foi o pior desde 1998. E julho, o pior desde 1999. O dado de setembro, recém divulgado, foi o pior desde 2001. 

Quem vai gerar desemprego é a nova matriz econômica - não o fez ainda simplesmente porque essa é a última variável a reagir (e a única que ainda não foi destruída).

3. “A oposição quer acabar com o reajuste do salário mínimo.”
Essa é uma mentira escabrosa por vários motivos. O primeiro é trivial: o candidato da oposição (embora pareça haver dois, há apenas um) já se comprometeu, em dezenas de oportunidades, em manter a política de reajuste de salário mínimo.

Ademais, quando Dilma se coloca como a protetora do salário mínimo, está simplesmente contrariando as estatísticas. O aumento real do salário mínimo foi de 4,7% ao ano entre 1994 e 2002, de 5,5% ao ano entre 2003 e 2010, e de 3,5% ao ano entre 2011 e 2013.

Ou seja, o reajuste do mínimo na era Dilma é inferior àquele implementado por Lula e também ao observado no período FHC. Ainda assim, Dilma se coloca como o bastião em favor do salário mínimo.

4. “A política neoliberal proposta pela oposição vai promover arrocho salarial.”
Esse ponto, obviamente, guarda relação com o anterior. Destaquei-o mesmo assim porque denota a doença de ilusão monetária ou uma tentativa descarada de enganar a população.

Arrocho salarial já vem sendo promovido pela atual política econômica, por meio da disparada da inflação. O salário nominal, o quanto o sujeito recebe em reais no final do mês, não interessa per se. O relevante é como e quanto esse numerário pode ser transformado em poder de compra - isso, evidentemente, tem sido maltratado pela leniência no combate à inflação.

Precisamos dar profundidade mínima ao debate. Se você consegue aumentos sistemáticos de salário acima da produtividade do trabalhador, a contrapartida óbvia no longo prazo é a inflação, que acaba reduzindo o próprio salário real.

O que os “neoliberais” querem é perseguir aumentos de produtividade maiores e duradouros. Isso permitiria dar incrementos de salário substanciais, sem impactar a inflação.

Caso contrário, aumentos do salário nominal serão corroídos pela inflação.

5. “O Brasil quebrou três vezes.”
O Brasil quebrou uma única vez, em fevereiro de 1987, no governo Sarney, quando foi decretada a suspensão do pagamento dos juros da dívida externa.

Quebrar é uma definição explícita e até mesmo técnica, ligada à moratória, o que é bem diferente de recorrer ao FMI, grosso modo um acesso a um dinheiro barato, sem mito ou fábula.

Durante o governo FHC, houve três empréstimos do FMI: i) durante a transição do câmbio fixo para flutuante entre 1998 e 1999; ii) durante a crise de 2001, ano especialmente difícil por conta da quebra (verdadeira) da Argentina; e iii) em 2002, por conta da chegada ao poder de Lula, que impusera aos mercados grande incerteza e, por conseguinte, enorme fuga de capitais.

Bom, mas como verdades não são o forte da campanha, logo ouviremos de novo sobre as três vezes que o Brasil (não) quebrou.

6. “A política monetária foi exitosa.”
A frase foi proferida por Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, em seminário nos EUA sobre política monetária. A inflação brasileira já estourou o teto da meta, de 6,50% em 12 meses, ignorando o princípio básico de um sistema de metas, em que o centro do intervalo deve ser perseguido. A banda de tolerância de dois pontos existe apenas para abarcar choques exógenos.

O IPCA de setembro aponta variação de 6,75% em 12 meses, estourando o limite superior do intervalo.

Transformamos o teto no nosso objetivo e represamos cerca de dois pontos de inflação através do controle de preços de combustíveis, energia e câmbio.

Esse é o tipo de êxito que esperamos da política econômica?

7. “Precisamos de um pouco mais de inflação para não perder empregos.”
Para ser justo, a frase, ao menos que seja de meu conhecimento, não foi dita ipsis verbis por nenhum membro do Governo. Entretanto, a julgar pelas decisões e diretrizes de política monetária, parece permanecer o racional da administração petista.

O velho trade-off entre inflação e crescimento, em pleno século XXI?

Bom, antes de entrar no debate acadêmico, pondero que poderia até ser verdade se houvesse, de fato, crescimento. Conforme supracitado, não é o caso.

Ignorando esse fato e fingindo que vivemos crescimento econômico pujante, a questão sobre o trade-off entre inflação e crescimento parece apoiar-se numa discussão tacanha sobre a Curva de Phillips.

O debate até faria sentido se estivéssemos nos idos de 1970. Dai em diante, Friedman, Phelps e outros destruíram o argumento de mais inflação, mais emprego.

A partir da síntese de 1976, naquilo que ficou batizado de crítica de Lucas, com trabalhos posteriores sobretudo de Kydland e Prescott, a fronteira do conhecimento passou a incorporar a ideia de que o trade-off entre inflação e desemprego existe apenas a curtíssimo prazo.

Ao trabalhar com uma inflação sistematicamente mais alta, rapidamente voltamos a um novo equilíbrio, com nível de preços maior e o mesmo nível de emprego original.

E, sim, o espaço aqui está aberto para o pessoal da Unicamp rebater o argumento de Lucas (professor Belluzzo incluindo, sem nenhum tipo de enfrentamento aqui; convite educada e genuinamente a um derbi das ideias). Criticam-nos por ouvir apenas a oposição e ignoram que eles declinam nosso convites - só pode haver vozes governistas e/ou heterodoxas em nossos eventos se elas aceitarem participar, certo? Lembre-se: fizemos o convite ao competente Nelson Barbosa, que, infelizmente, não pode comparecer por incompatibilidade de agenda.

8. “As contas públicas estão absolutamente organizadas. O superávit primário, embora menor do que em 2008, é um dos maiores do mundo. Dizer que há uma desorganização fiscal é um absurdo.” 
A preciosidade foi dita pelo ministro Guido Mantega em entrevista ao jornal Valor. O superávit primário do setor público não é somente menor àquele de 2008. No primeiro semestre, foi o menor da história, em R$ 29,4 bilhões. 

Agosto marcou o quarto mês consecutivo de déficit primário, de modo que o acumulado está em R$ 10,2 bilhões. 

O superávit acumulado no ano até agosto é de 0,3% do PIB, enquanto a promessa do governo (para segurar o rating) é entregar 1,9% do PIB.

Essa é a herança que a “absoluta organização das contas públicas está nos deixando.”

9. “Nunca foi feito tanto pelo pobre neste país.”
Intuitivamente, você já poderia desconfiar da afirmação quando pensa na inflação, que é um fenômeno essencialmente ruim para as classes mais baixas. Os abastados têm um estoque de riqueza aplicada em ativos que remuneram acima da inflação. Logo, estão em grande parte protegidos. A inflação é um instrumento clássico de concentração de riqueza.

Mas há de ser além da simples intuição, evidentemente. Estudos mais recentes indicam que, depois de 10 anos consecutivos em queda, a desigualdade de renda no Brasil parou de cair de forma estatisticamente significativa em 2012. Documento IPEA n 159 é categórico em dizer que a concentração de renda no Brasil cai sistematicamente até 2012; a partir daí, há dúvidas.

O índice de Gini apresenta queda marginal entre 2011 e 2012, enquanto as curvas de Lorenz dos dois anos estão sobrepostas, indicando, grosso modo, estagnação na melhora.

Ainda mais problemático, estudo encomendado pelo IPEA a partir de dados do Imposto de Renda mostra concentração de renda entre 2006 e 2012 - em 2012, os 5% mais ricos do País detinham 44% da renda; em 2006, o percentual era de 40%.

A política econômica heterodoxa não cresce o bolo e também não o distribui de forma mais equitativa.

10. “A oposição faz terrorismo eleitoral.”
Se você compactua com um dos nove pontos anteriores, você é um terrorista eleitoral, egoísta e interessado apenas em si mesmo. Provavelmente, é financiado por um dos candidatos de oposição.

Enquanto isso, a situação acusa a candidata oposicionista de homofóbica e de semelhanças com Fernando Collor. Sim, ele mesmo, parte da base de apoio da....situação.

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

Creio que o Felipe Miranda se esmerou em apontar um pouco das muitas mentiras que Dilma, Lula e o PT contam, especialmente em tempo de eleição. Mas, entendo, faltou responder a questão aberta no título e que até até é bem simples. Para ganhar a eleição somente a mentira permite enganar e "convencer". Se o PT, Dilma e Lula fossem apenas dizer a verdade, principalmente sobre as ações de seus governos e de corrupção neles praticadas, eles não apenas perderiam as eleições, mas estariam na cadeia que é lugar de bandido. Por aí se entende o ódio que nutrem pela imprensa livre independente, a que não se curva ao servilismo e clientelismo.

SBT vai fazer a mesma armação que a BAND fez com o PT?

Carlos Newton
Tribuna da Internet


Sempre que ia iniciar um show ou programa de televisão, o célebre palhaço Carequinha, cujo centenário transcorre em 2015, fazia a mesma pergunta: “Hoje tem espetáculo?” E ele mesmo respondia: “Tem, sim senhor!“. Hoje é dia. Teremos mais um debate entre os dois candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), um embate que ninguém pode perder.

Como começa às 18 horas, a programação é mais destinada às donas de casa, aos aposentados e aos jovens nem-nem, que nem trabalham nem estudam e, consequentemente, não entram nas nossas criativas estatísticas de desemprego.

E depois ainda faltarão mais dois debates, semana que vem, na TV Record e na TV Globo, dando uma canseira no respeitável público. No programa de hoje no SBT, que vai ao ar menos de 48 horas depois do debate anterior na  Band, os dois candidatos precisam desesperadamente mudar o repertório, para não entediar os telespectadores.

A expectativa é enorme. Qualquer vacilo pode ser fatal e nenhum dos pretendentes está em condição de perder eleitores, porque as pesquisas de opinião estão inteiramente desmoralizadas, ninguém acredita nelas e os candidatos não sabem em que situação realmente estão na disputa pela Presidência.

INTERVALOS COMERCIAIS
A maior expectativa diz respeito aos intervalos comerciais. Há enorme interesse em saber se o SBT vai fazer a mesma armação da Band, inserindo estrategicamente propaganda produzida pelo PT atacando o candidato Aécio Neves.

Já explicamos aqui na Tribuna da Internet que alguém levou uma bolada na Band para prestar o serviço ao PT, porque é impossível haver esse tipo de coincidência. A propaganda dos partidos é entregue às emissoras em pacotes, e quem decide em que intervalo comercial vai entrar esse ou aquele anúncio é a equipe de operadores de vídeo da emissora, que fazem a escolha aleatoriamente e nem se preocupam em prestar atenção em que comercial é escolhido para inserir. A equipe recebe apenas uma ordem por escrito dizendo assim: Intervalo tal, programa tal, anúncio 1 (Ponto Frio); anúncio 2 (TAM), anúncio 3 (chamada do programa tal), anúncio 4 (propaganda do PT). E o operador então edita uma fita com esses anúncios, nesta ordem, para que a inserção seja feita naquele determinado intervalo comercial.

Dizer que foi “coincidência” a Band fazer em pleno debate aquelas inserções atacando Aécio Neves, sem a menor dúvida, é menosprezar a inteligência alheia. Em televisão, como se sabe, tudo é possível se você tiver 30 dinheiros, digamos assim.

Vamos ver hoje como se comporta o Departamento de Programação do SBT.

PT e seus braços na imprensa tentam fazer com o juiz Sérgio Moro o mesmo que fizeram com Joaquim Barbosa

Reinaldo Azevedo

Espero que Deus me fulmine antes com um raio, daqueles que eram muito comuns no Velho Testamento — sem chance para apelo a instância inferior (já que se tratava de uma decisão do Supremo) —, se, algum dia, eu me sentir tentado a censurar um juiz por ter cumprido a sua função só para proteger um partido da minha predileção.

A que me refiro? Leio colunistas isentos como militantes do Talibã a condenar o juiz Sérgio Moro por ter autorizado a divulgação do depoimento de Paulo Roberto Costa, que não estava protegido pelo sigilo de justiça. Um desses colunistas chega a afirmar que o Moro poderia ter esperado mais três semanas. A afirmação é explícita, é arreganhada: o sujeito acha que a ignorância do que lá foi dito faria bem ao brasileiro. Desligadas as urnas, então o eleitor ficaria sabendo: “Ah, então, dos 3% da propina, 2% iam para o PT? Que bom que ninguém me avisou antes!”

O mesmos senhor vetusto que afirma essa barbaridade babava de satisfação com os vazamentos sobre o suposto cartel de trens em São Paulo, que vinham do Cade — cuja investigação, esta sim, estava e está protegida por sigilo. Que tipo de gente é essa que cobra que se omita dos brasileiros o conteúdo de uma investigação aberta, pública, e que se regozija com a divulgação ilegal de informações? Eu respondo: é uma gente que pretende que petistas e, no geral, esquerdistas estejam acima da moralidade comum e mereçam um tipo especial de proteção.

Sempre que leio um troço asqueroso assim, como aconteceu há pouco, fico com vergonha em lugar da pessoa. Sobretudo porque o sujeito serviria para ser meu pai. Coloco-me no lugar do suposto filho e fico com vergonha. Graças a Deus, o Rubão nunca me fez passar por isso. Quem era o Rubão? Ora, o meu pai, que jamais justificaria a ação de ladravazes e vagabundos só porque fossem seus amigos ideológicos. Até porque não era amigo nem de ladravazes nem de vagabundos. Ganhava a vida trocando molas de caminhão, como operário. Em vez de culpar os outros por isso e por aquilo, ele preferiu me passar uma orientação: “Estude!”.

Daqui a pouco, tentarão mandar o juiz Sérgio Moro para a guilhotina moral, como fizeram com Joaquim Barbosa. Não que ambos sejam iguais ou operem com os mesmos critérios. Nada disso! A única coisa que os une é tomar decisões que estão em desacordo com o partido oficial e com seus porta-vozes oficiosos na imprensa. Para essa gente, uma verdadeira indústria criminosa que estava em ação tem de ser omitida para que ela não contamine a decisão do eleitor. Que caráter tem uma pessoa que defende que a ignorância faz bem à democracia?

É uma gente literalmente nojenta.  

O PT carregou ‘Paulinho’ porque quis

Elio Gaspari 
O Globo

Assim como ocorreu com o ‘mensalão’, o comissariado achou que levaria o caso com a barriga, errou duas vezes

A doutora Dilma chamou de “golpe” a exposição dos depoimentos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, e do operador financeiro Alberto Youssef. Pode-se achar que tenha sido meio girafa a escolha da ocasião, entre os dois turnos eleitorais. Mesmo assim, o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, ouviu-os no desempenho de suas atribuições e tinha obrigação tornar públicas as informações que recebeu. “Golpe” houve quando a dupla e seus comparsas delinquiram.

Como aconteceu no caso do mensalão, o comissariado fez várias apostas e perdeu todas. Houve um dia em que o governo poderia ter saído da crise, tomando o caminho da moralidade: 19 de março de 2014. Na véspera, respondendo a uma indagação da repórter Andreza Matais, a doutora Dilma redigiu uma nota dizendo que, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, aprovara a compra da Refinaria de Pasadena baseada em “informações incompletas” de um parecer “técnica e juridicamente falho”. Era só continuar nessa linha.

No dia 20 de março a Polícia Federal prendeu Paulo Roberto Costa. Tratava-se de uma investigação relacionada com suas transações com Youssef, um notório operador de ilegalidades, que já passara por dois escândalos.

Se o comportamento do Planalto e a ação da Polícia Federal tivessem andado na mesma direção, teria sido possível abrir a caixa-preta da Petrobras. Doeria, mas seria uma boa marca para o governo. Como no caso do mensalão, os sábios resolveram fazer o contrário. Deram marcha a ré e criou-se um “gabinete de crise” para lidar com o problema provocado pela nota de Dilma. Erro, a nota não era a origem de um problema, mas de uma solução.

Youssef e o “amigo Paulinho” (diminutivo carinhoso usado por Lula) continuavam na cadeia. O comissariado sabia que empreiteiras, fundos de pensão, fornecedores e políticos haviam caído na rede da investigação. Temia-se que Paulo Roberto Costa virasse um “homem-bomba”. O comissariado operou e “Paulinho” passou com louvor por uma CPI. Disse que tinha R$ 1,2 milhão em casa para fazer pagamentos e o líder do PT considerou sua fala “satisfatória”. Não se tratava mais de fingir que não se sabia, mas de encobrir o óbvio. Apostaram que o “amigo” ficaria calado e levaram a bomba para dentro do governo.

Parecia possível empurrar o caso com a barriga, pedindo-se até mesmo a anulação das provas já conseguidas. Em junho, o governo suíço bloqueou US$ 23 milhões que o “amigo” guardava no ultramar. Ele voltou a ser preso e dois meses depois começou a colaborar com a Viúva. Youssef acompanhou-o. Deu no que deu e no muito que dará.

O governo apostou no efeito barriga. A blindagem chegou ao absurdo quando a doutora Dilma disse que demitira o “amigo Paulinho”. A ata da Petrobras informa que ele pediu demissão, mas ela acrescentou que esse é um “direito” dos servidores. Errado, não existe esse direito. Na ata onde está o registro de sua saída lê-se que o presidente do conselho da Petrobras, ministro Guido Mantega, “determinou o registro do agradecimento do colegiado ao diretor que deixa o cargo, pelos relevantes serviços prestados à companhia”. Falta definir “relevantes serviços”.

Lula está de “saco cheio” e o país, também

Ruy Fabiano
Tribuna da Internet



No mesmo dia em que os depoimentos do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef eram divulgados (quinta-feira, 9), o ex-presidente Lula desabafava, numa plenária do PT: “Eu já estou de saco cheio”.

Referia-se naturalmente às denúncias de corrupção, que envolvem seu partido e a ele próprio. E acrescentava: “Nenhum petista pode aceitar que um tucano bicudo o chame de corrupto”.

Além de supor que a hipótese (não demonstrada) de o adversário habitar o mesmo chiqueiro o isentaria, Lula se esqueceu de que nenhuma das denúncias que “enchem o seu saco” partiu de tucanos. Esses sempre foram exageradamente polidos na questão. Coube a FHC, ao tempo do Mensalão, esvaziar a campanha do impeachment. Lula, de certa forma, deve-lhe o mandato.

ALIADO DE LULA
Quem denunciou o Mensalão foi um então aliado do governo Lula, o deputado Roberto Jefferson, que presidia o PTB. E quem está trazendo à tona o escândalo da Petrobrás é Paulo Roberto Costa, nomeado pelo próprio Lula diretor de Abastecimento e Refino daquela empresa. Dilma diz que não gostava dele, mas o incluiu numa seleta lista de convidados ao casamento de sua filha.

Não se trata, porém, de cuidar de afinidades, mas dos fatos. E esses tendem a continuar a “encher o saco” de Lula. O que veio a público dos depoimentos de Paulinho (forma carinhosa com que Lula o tratava) e Beto (outro apelido afetivo que indica intimidade) é só a ponta do iceberg. Vejamos.

Eles não puderam nominar os agentes públicos de escalão superior, aos quais fazem menção em diversas partes do depoimento, em face do benefício do foro privilegiado, que confere essa prerrogativa ao Supremo Tribunal Federal.

DENÚNCIAS FUNDAMENTADAS
Governadores, ministros, parlamentares e presidente (e ex) da República só podem ser julgados pelo STF. Mas o STF já acatou as denúncias, o que indica que estão fundamentadas. Se não estivessem, seriam rejeitadas.

Acresce que Paulinho e Beto não estão blefando ou estariam jogando contra o próprio destino. Se a delação premiada for furada eles aumentarão suas já de si robustas penas. Alguém numa situação-limite dessas não ousa blefar. A delação premiada, convém lembrar, parte de uma confissão: o delator se reconhece como infrator. Portanto tudo o que diz tem alguma credibilidade, que nem por isso deixa de ser rigorosamente conferida.

A expectativa agora é quanto aos nomes “de cima”. Já se sabe como funcionava o esquema, quais partidos dele se beneficiaram, quanto ganharam e quais empresas privadas foram parceiras. Já não há dúvida de que uma quadrilha lesou a Petrobras por no mínimo seis anos (2006-2012), no reinado do PT.

Resta conhecer os chefes da quadrilha. Não é um momento confortável para a candidatura de Dilma Roussef, que, no entanto, no primeiro programa eleitoral do segundo turno, comprometeu-se a “continuar” combatendo (“ainda mais”) a corrupção. É no mínimo um conflito existencial, em que o PT combate a corrupção que ele mesmo pratica. No caso específico da Petrobras, sabotou duas CPIs.

PASSEATA ANTI-CPI
A primeira tentativa, ainda no governo Lula, provocou uma passeata anti-CPI, comandada no Rio pela UNE. O PT, que, nas palavras de Lula, vivia repetindo, ao tempo em que era oposição, que “quanto mais CPI, melhor”, tornou-se inimigo delas.

Há hoje duas CPIs em funcionamento para investigar a Petrobras: uma no Senado e outra, mista (Câmara e Senado). A primeira é chapa-branca e, em vez de investigar, esmera-se em desmontar tentativas de investigação. A segunda peleja com a má vontade do PT e do governo para levar avante os trabalhos.

Foi preciso que gente “do esquema” – Paulinho e Beto – entrasse em cena, em situação-limite, para que a colossal maracutaia começasse a ser desvendada. Os tucanos só agora parecem ter despertado para a necessidade de não assistir passivamente a mais um estupro aos cofres públicos.

Enquanto tudo isso ocorre, Dilma e Lula insistem em falar em nome dos pobres. Se Paulinho, sozinho – mero operador do esquema -, amealhou, numa única conta bancária, 23 milhões de dólares (mais de 55 milhões de reais), quanto terá ganho o “pessoal de cima”? O país, sim, está de saco cheio dessa conversa fiada de defensores dos pobres, vítimas da elite opressora.

Derrapando no atoleiro.

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Nas investigações do Petrolão, há um falso problema; um problema real, sério; e o esboço de uma solução para - adivinhe! - o falso problema.

O problema real é que as principais empreiteiras do país estão sob fogo. E nós com isso? O caso é que estas são as empresas nacionais com capacidade para grandes obras, no Brasil e no Exterior. Se forem declaradas inidôneas, se a suspeita prejudicá-las em concorrências, o país terá de contratar firmas estrangeiras, desperdiçando know-how nacional e desmontando um setor que, tecnicamente, funciona bem desde o Governo JK. E quem garante que empreiteiras de fora terão comportamento diferente das nacionais, se intimadas a pagar ou perder? 

Solução? Este colunista não tem a menor ideia. Se houve ilegalidades, tem de haver processos; se houver condenações, têm de ser cumpridas, na forma estrita da lei. Como conciliar essa necessidade imperiosa com a preservação do que há de bom nas empresas? Quem souber, quem tiver alguma ideia, que se manifeste.

O problema falso é evitar que o escândalo do Petrolão prejudique o Governo e seu partido. O problema é falso porque ninguém tem nada com isso: quem se beneficiou de malfeitos que responda por eles - inclusive eleitoralmente, se for o caso. 

Mas é para o falso problema que o Governo Federal busca uma solução: convencido de que a Polícia Federal tomou o freio nos dentes, busca enquadrá-la com medida provisória que beneficia delegados e prejudica agentes. Pode ser pior: os agentes da Federal articulam uma grande greve para os próximos dias.

O que sai da boca... 
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, sugeriu à população que reaja à alta de preços trocando a carne por ovos. A inovação pode render um estrogonovo; mas ficaria difícil fazer um ovo a cavalo. 

...o que entra na boca
O programa eleitoral do PT defendeu o secretário, e disse que, no tempo dos tucanos, povo só comia carne se mordesse a língua. E agora, que mandaram comer ovos? Antes, que é que o povo tinha de fazer para botar ovos na boca?

Tudo junto... 
O ex-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, disse que ao apoiar Aécio o partido jogou fora um trabalho de anos de construção de um grande partido de esquerda. O novo presidente do partido, Carlos Siqueira, que conduziu o partido á aliança com Aécio, era o homem de confiança do falecido governador Miguel Arraes, até hoje reverenciado em Pernambuco, fundador e símbolo do moderno PSB, avô de Eduardo Campos. A viúva de Campos, Renata, amiga de Marina Silva, apoia Aécio e tem total confiança em Siqueira. Marina detesta Siqueira.

...e misturado
Só PSB? Não! Junior Friboi, amigo de Lula, forte doador de campanha do PT, integrante do PMDB de Goiás, decidiu apoiar no segundo turno o candidato que Lula detesta, Marconi Perillo, do PSDB; bateu duro no rival de Marconi, Iris Rezende, candidato de seu partido, o PMDB; anunciou que, depois das eleições, levará adiante seu projeto político, que inclui o PMDB e exclui Íris.

Lembrando: quem levou Junior Friboi ao PMDB foi Lula. O partido lhe garantiu a candidatura ao Governo. Esqueceram de combinar com Íris. Junior Friboi, que convenceu o rei Roberto Carlos a comer carne, não convenceu o cacique Íris Rezende a largar o osso. Íris terá cacife no PMDB para trocar a carne Friboi por ovo?

Em nome do filho
Jefferson Lima, radialista, 39 anos. Foi candidato ao Senado pelo Pará e teve mais de 700 mil votos. Ficou em segundo, derrotado pelo petista Paulo Rocha, e à frente do tucano Mário Couto, candidato à reeleição, nome nacional. Por que teve tantos votos? Jefferson centrou sua campanha num ponto: de todos os candidatos, era o único ficha limpa. Pois bem: no segundo turno, decidiu apoiar para o Governo o filho do famoso Jáder Barbalho, Helder, do PMDB, apoiado pelo PT e por Dilma. 

Terremoto: sua esposa Michelle foi a primeira a condenar sua atitude. "Não compactuo com isso, estou chocada, envergonhada... não concordo e não apoio", escreveu no Instagram. E disse que espera que seu filho "não siga o mau exemplo do pai". 

Jefferson Lima. Um nome a ser guardado com carinho.

O homem que acreditava
Por que o ficha-limpa Jefferson Lima decidiu apoiar Hélder Barbalho? Dizem que lhe foi prometida a legenda do PMDB para candidatar-se a prefeito de Belém. Dizem também que o PMDB lhe prometeu que não teria de se preocupar com os custos da campanha. 
E dizem também que ele acreditou nas promessas.

Adeus, amigo

Certa vez, uma indústria de produzir câncer decidiu nos processar - Marli Gonçalves e eu. Escolheu, para o processo, o local onde conhecia todo mundo, e que era distante para os réus. Quem nos acompanhou a Duque de Caxias, numa longa viagem de carro, foi o dr. Antônio Carlos Barros. E lá derrotou os fabricantes de câncer. Antônio Carlos, ótimo advogado, morreu há pouco. Já faz falta.

carlos@brickmann.com.br 
www.brickmann.com.br


Dilma viu a uva do vovô

Arnaldo Jabor
O Globo

Imagine um automóvel quebrado; em vez de chamar um mecânico, chamam um marceneiro. É isso que estão fazendo. Esta é a causa do desastre atual de economia


É necessária uma cartilha bem clara para a população que se perde nesse sarapatel de mentiras e manipulações da candidata a presidenta. Por exemplo, o povo não entende frases como: “Nosso produto interno bruto é mínimo por falta de corte nos gastos fiscais”. Ninguém sabe o que é isso, principalmente no Nordeste-Norte. Ao contrário do que diz Dilma, os pobres que não puderam estudar são, sim, absolutamente ignorantes sobre os reais problemas brasileiros. Vamos ao diálogo da cartilha:

— Dilma viu a uva. Dilma viu o vovô. Dilma diz que viu o povo, mas não viu. Dilma viu Maduro, Dilma viu Chávez... Dilma viu o ovo. Mas não viu o novo.

— Por que ela gosta de governos como Cuba, Venezuela, Argentina?

— Porque para ela, no duro, a sociedade é composta de imbecis e de empresários imperialistas. Dilma pensa igual a eles. Ela e a “Cristina botox”.

— Por que ela pensa igual a eles?

— Porque é possuída por uma loucura antiga chamada “revolução socialista”, que fracassou no mundo todo. Imagine um automóvel quebrado; em vez de chamar um mecânico, chamam um marceneiro. É isso que estão fazendo. Esta é a causa do desastre atual de economia e da crise política. Para eles, quanto pior, melhor. O problema é que eles é que estão no governo, e essas ideias são tiros no pé. Mais uma vez, repito o filósofo Baudrillard: “O comunismo hoje desintegrado tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro, não através da ideologia nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de desfuncionamento e da desestruturação brutal”. Por isso, erram tudo, por incompetência. O governo ataca e quer mudar o Estado para possuí-lo.

— Por quê?

— Para o PT, as instituições não valem nada (burguesas) e têm de ser usadas para o projeto do PT.

— Qual é o projeto do PT?

— Fundar uma espécie de bolivarianismo tropical e obrigar o povo a obedecer o Estado dominado por eles.

— Que é bolivarianismo?

— É um tipo de governo na Venezuela que controla tudo, que controla até o papel higiênico e carimba o braço dos fregueses nos supermercados para que eles só comprem uma vez e não voltem, porque há muito pouca mercadoria.

— Por que os petistas não fazem reforma alguma?

— Porque não querem. A reforma da Previdência não existirá, pois, segundo o PT, “ela não é necessária”, pois “exageram muito sobre sua crise”, não havendo nenhum “rombo” no orçamento. Só de 52 bilhões. Por isso, a inflação vai continuar crescendo, pois eles não ligam para a “inflação neoliberal”.

— O que é inflação?

— Ahhh... é sinônimo de “carestia”.

— Por que o PT ataca tanto os adversários?

— Porque eles têm medo de perder as 100 mil “boquinhas” que conquistaram no Estado. Essa gente não larga o osso. Para isso, topam tudo: calúnias, números mentirosos. Eles também têm medo que suas roubalheiras sejam investigadas. Vejam o caso do “Petrolão.” Perto dele, o “mensalão” é um troco.

— Por quê?

— A Petrobras foi predada e destruída pela metade porque essa empresa sempre foi vista como propriedade de uma esquerda psicótica.

— Este roubo foi feito por vagabundos sem moral?

— Não. A Petrobras foi assaltada pelos próprios diretores para que o dinheiro fosse dividido entre o PT, PP e PMDB, para seus políticos apoiarem o governo Dilma e para novos malfeitos.

— Por que Dilma diz que não viu nada?

— Para negar que viu. Claro que viu. É necessário mentir para o “bem” do povo. Sim. Eles acham que são “mentiras revolucionárias.” Aliás, você sabe o que é Pasadena?

— Não...

— É o nome da refinaria da qual Dilma autorizou a compra.

— Por que Dilma assinou a compra da refinaria?

— Ela afirma que não sabia… Mas como é possível que, sendo a presidente do Conselho da Petrobras, tenha autorizado (apenas informada por duas folhas de papel) a compra de uma refinaria por um preço 300 vezes mais caro do que vale?

— Não sei.

— Você compraria uma casa que vale 100 mil reais pelo preço de 1 bilhão e duzentos mil?

— Só eu fosse louco ou mal-intencionado.

— Ela comprou. Comprou também pelo desprezo que os comunas têm por “administração”, coisa de empresários burgueses… Ou por pura incompetência…

— Por que a Dilma e PT não mudam de ideia, vendo tantos erros?

— Ó, ingênuo eleitor! Porque a Dilma e PT são sacramentados por Deus e não erram nunca. Quem erra somos nós. Quem discordar é inimigo. E querem se eternizar no poder.

— E por que nós do povo acreditamos nisso?

— Porque acham que Dilma “ama” o povo. Precisam ver como Dilma trata os garçons do Palácio...

— Por que, então, tantos intelectuais informados vão votar na Dilma mesmo assim?

— Porque acham que o PT ainda tem um grãozinho de romantismo social e também porque temem ser chamados de reacionários, neoliberais. O nome “esquerda” ainda é o ópio dos intelectuais.

— Por que não mudam de ideia?

— Porque essa ideologia é um tumor inoperável em suas cabeças. É espantoso que não vejam o óbvio: a desconstrução do país.

— Por que Dilma e Lula aparecem juntinhos do Collor?

— Porque o Collor pode trazer votos de Alagoas... o estado mais rico de pobres.

— Por que eles querem tanto os votos dos pobres?

— Porque, em geral, têm Bolsa Família. Mas o que não sabem é que com a volta da carestia...

— Inflação...

— Isso. Com a volta da inflação, a graninha do Bolsa Família vai mirrar, sumir, perder o valor. Isso eles não explicam.

— E por que eles dizem que a luta eleitoral é entre ricos e pobres? Pobres do Norte-Nordeste contra os riquinhos do Sudeste e Sul?

— Porque eles falam assim para esconder que a luta é entre pobres analfabetos x pessoas mais sensatas e informadas. Quem sabe disso, não vota nela.

— Mas, afinal, o que é o projeto do PT?

— O programa do PT é um plano de guerra. Eles odeiam a democracia (eles sempre usaram a democracia para negá-la depois). Eu me lembro do Partidão. Eles diziam: “Apoiaremos a democracia como tática. Depois a gente vê”. Dilma também pensa assim: a democracia é um meio, não um fim. Por isso, tem de haver uma cartilha para explicar o programa do PT: Dilma diz que viu o povo, mas não viu. Dilma viu o ovo. Mas não viu o novo.

Herança maldita

Francisco Daudt
Folha de São Paulo

O povo já rejeitou o que está aí; não é tão idiota quanto os outros pensavam que ele fosse

O que há de comum nas situações descritas a seguir?

Madame declara que renovará sua equipe econômica caso reeleita (só queria saber que economista se prestaria ao mesmo papel de manteiga derretida, de capacho onde Madame limpa os pés depois de ditar os rumos da economia, pois, desde que disse que os métodos de Palocci --os mesmos da equipe que fez o Plano Real-- eram rudimentares, todos sabem que a ministra da economia é ela).

Madame declara que Marina, ao dar autonomia ao Banco Central, vai entregar o país aos banqueiros e vai tirar a comida da mesa dos pobres (sabendo que é a inflação que tira a comida da mesa, que ela não se importa que se descontrole e que seu mentor colocou um banqueiro na direção do BC, Henrique Meirelles, que, enquanto esteve lá, manteve-se autônomo), em total insulto à inteligência de alguém minimamente informado, apostando na ingenuidade dos pobres.

Lula declara que teve uma herança maldita do governo FHC, pois pegou o país com dólar a R$ 4 (sabendo que o dólar subiu pela mesma razão que sobe hoje, quando o mercado vê perigo de Madame continuar mandando na economia, ou seja, por medo do PT, e que caiu rapidinho, tão logo Lula cumpriu a promessa de não divergir, na economia, dos rumos dados pelo antecessor).

Madame declara que o povo deve temer a volta dos fantasmas do passado (a que fantasmas se refere? À inflação controlada? Ao Bolsa-Escola idealizado por d. Ruth para não se tornar curral eleitoral, pois estimulava a independência? À economia bem conduzida por Malan, mantida por Lula no seu primeiro mandato?).

Madame esconde que sua política populista para energia elétrica está sendo ruinosa para contas públicas, que são varridas para debaixo do tapete e para que a população pague por ela no ano que vem.

Ela diz que o deficit da balança comercial não vem da gasolina importada cara para ser vendida barata e maquiar os índices de inflação, mas do gasto da elite no exterior, que deve ser punida com IOF.

Marina disse que gostaria de morar no Brasil pintado por Madame e seus marqueteiros, mas é obrigada a viver no Brasil real.

Madame diz que "não sabia", assim como Lula "não sabia" de nada de mal que se passasse na Petrobras e no mensalão.

Madame teme que o PSDB privatize a Petrobras e diz que é antipatriótico "atacar" a empresa, quando justamente o que se quer é reestatizar uma Petrobras tornada ineficiente e dominada por um partido que a aparelhou e que a saqueou.

O denominador comum de todas essas histórias é o CINISMO, o deboche com que se mente e se engana o povo pobre e desinformado.

Marina, um contraste de integridade gritante, sobretudo quando posta ao lado de Madame, disse que o povo já rejeitou o que está aí. Não é tão idiota quanto os outros contavam com que ele fosse.

Capistrano de Abreu propôs uma constituição de apenas dois itens:

1. Todo brasileiro é obrigado a ter vergonha na cara.

2. Revoguem-se as disposições em contrário.

A herança maldita desses 12 anos de lulopetismo é a falta de vergonha na cara que desceu sobre nós em cascata, vinda do Planalto.

Aécio massacra Dilma no primeiro debate na TV

Carlos Newton
Tribuna da Internet


O debate na Band, intermediado por Ricardo Boechat, começou com atraso e só acabou depois de meia-noite. Quem teve condições de acompanhar até o fim viu a confirmação do que dissemos aqui na Tribuna da Internet, ao final do primeiro programa reunindo os então sete principais candidatos à Presidência da República, no primeiro turno: “Se depender dos debates, Aécio Neves já está eleito“.

Essa avaliação se repetiu nos outros enfrentamentos pela TV no primeiro turno, especialmente no debate final, realizado pela TV Globo. Em todas as oportunidades, Aécio Neves se saiu melhor do que os demais candidatos. E nesta terça-feira, no mano a mano contra Dilma Rousseff, foi um arraso.

O que se viu foi uma candidata despreparada, insegura e infantil, falando em seu idioma próprio, o “dilmês”, com as concordâncias trocadas e as frases inacabadas, desabando diante de um candidato seguro, preparado e que expunha suas opiniões com clareza e senso de orientação.

DESPREPARO TOTAL
Na verdade, a ignorância (a palavra certa é esta) de Dilma Rousseff chegou a ser constrangedora. Para quem tinha um mínimo de conhecimento sobre os temas em debate, dava até pena constatar os disparates.

Por exemplo, até mesmo sobre o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), que Dilma insistiu em transformar num dos pontos mais abordados do programa, ela mostrou que não sabia nada sobre o assunto. A certa altura do debate,  tentou corrigir Aécio, que reclamara da pequena duração dos cursos , e disse que tinham “120 meses”, ou seja, dez anos. Na verdade, Aécio estava correto: os cursos do Pronatec têm apenas entre dois meses e um ano de duração, mas Dilma não sabia.

Desorientada, confusa e delirante, a presidente chegou a dizer que “86 por cento das crianças estão na pré-escola”, o que mostra a que ponto de desvario esta senhora esteve tomada. Ora, se este número fosse verdadeiro, o governo deveria decretar feriado nacional para que pudéssemos comemorar essa histórica conquista social.

UMA PERGUNTA NO AR
Foram quase duas horas de uma exibição grotesca da candidata do PT. Em nenhum momento Dilma Rousseff conseguiu realmente atingir Aécio Neves, que chegou a reclamar de uma pergunta dela, que de tão confusa era quase ininteligível. Ao mesmo tempo, a presidente deixou sem respostas importantes questões que a todos interessam, como o segredo que cerca o financiamento do BNDES ao porto de Mariel, em Cuba.

Ao final do programa, ficou uma pergunta no ar: como é que nós, brasileiros, em 2010 conseguimos eleger para a Presidência da República uma pessoa tão despreparada?

###

PS – Com este debate, a Band comandou a audiência do horário, o que demonstra que a política volta a interessar grande parte da população.

No debate, ficou claro um conluio entre a BAND e o PT

Carlos Newton
Tribuna da Internet

A situação mais perniciosa no debate realizado terça-feira à noite pela Band foi registrada nos intervalos comerciais. A cada um desses intervalos, entraram no ar propagandas eleitorais do PT esculhambando Aécio Neves. No primeiro e no segundo intervalos, a corrosiva mensagem do PT foi exibida duas vezes. E para disfarçar a flagrante existência de um conluio entre a Band e o PT, nesses dois intervalos entrou  no ar também um comercial de Aécio agradecendo o apoio de Marina Silva e do PSB.

Mas nos outros intervalos, a evidência passou a ser ainda mais clara, pois a Band parou de exibir a mensagem de Aécio e continuou levando ao ar apenas o comercial do PT.

UMA EVIDENTE ARMAÇÃO
Quando falamos em conluio com a Band, estamos nos referindo à emissora como um todo, porque esse tipo de coincidência não existe em campanha eleitoral. Não há essa possibilidade de serem exibidos tantos comerciais de um só partido num programa tão estratégico como o debate presidencial.

Quem trabalha em televisão sabe que esses comerciais são enviados à emissora em pacotes, para serem exibidos aleatoriamente durante a programação. Não há possibilidade de se concentrar tais anúncios num único programa, sem que haja um acordo com a direção da emissora ou com seus operadores de videotape (o cargo é este), profissionais que gravam previamente os blocos de anúncios de todos os intervalos comerciais da programação.

Estamos fazendo esse esclarecimento para que não se culpe apressadamente a Band, antes de se fazer uma apuração a respeito deste estranhíssimo favorecimento à candidata do PT.

Não sabemos quem foi o autor do golpe nem quanto ele levou nessa empreitada, mas não há dúvida de que ocorreu uma tramoia que pode ser considerada crime eleitoral.

Essa estranha coincidência jamais foi vista em debates presidenciais anteriores. É uma inovação muito criativa, mas que pode acabar mal, porque alguém terá de assumir essa responsabilidade.

Recomendação da Polícia Federal: NÃO VOTEM NO PT

Celso Serra
Tribuna da Internet

Policiais insatisfeitos já lançaram o movimento SOS Polícia Federal


Repassando uma mensagem que faz sucesso na internet e vale a pena conferir.

O governo Dilma Rousseff, ao contrário do que ela afirma, está dificultando a atuação da Polícia Federal no cumprimento de seu dever constitucional de órgão do Estado, não ampliando o seu efetivo; não qualificando seus integrantes; não reajustando salários; não modernizando seus meios; reduzindo os recursos e centralizando o pagamento de diárias e gastos operacionais no gabinete do ministro da justiça etc.

Essa situação insuportável para servidores do Estado brasileiro levou as lideranças da Polícia Federal a recomendarem que não se vote no PT nessas eleições.

Veja a gravação abaixo indicada e preste atenção no que diz o policial em cima do carro, sobre a corrupção em geral e… especialmente na Petrobras:




PF fecha elo de propina em fundo da Petrobrás

Ricardo Brandt  
O Estado de S. Paulo

Suspeita é de que tesoureiro do PT intermediou mau negócio fechado por diretores com doleiro

A Polícia Federal acredita ter conseguido fechar o ciclo de uma transação que teria envolvido o pagamento de propina de R$ 500 mil a dois diretores do fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás, feito com empresas do ex-deputado federal José Janene (PP-PR), morto em 2010, e do doleiro Alberto Youssef - um dos alvos centrais da Operação Lava Jato - e que causou prejuízo de R$ 13 milhões ao órgão.

No computador de Youssef, há uma pasta com 12 arquivos referentes aos negócios do doleiro com a Petros.

O negócio teria sido intermediado, segundo suspeita a PF, pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e tratado diretamente com dois diretores da Petros - indicações petistas, entre eles o ex-presidente do fundo Luiz Carlos Fernandes Afonso (2011-2014).

A PF registra a possível interferência de um político não identificado "de grande influência na casa" na liberação de um seguro, em órgão do Ministério da Fazenda, que era condicionante para a transação.

"Esse recurso foi desviado para pagamento de propina para funcionários da Petros", afirmou Carlos Alberto Pereira da Costa, advogado que, segundo a PF, atuava como testa de ferro de Alberto Youssef.

Costa tinha em seu nome pelo menos duas empresas usadas pelo doleiro, uma delas envolvidas nessa transação com a Petros, a CSA Project Finance. Ele afirmou ao juiz Sérgio Moro que na operação foi retirada uma propina de R$ 500 mil que serviu para pagar os dois diretores da Petros.

Citados. 
Os diretores são petistas e já citados em outros dois escândalos, segundo registra a PF. "As negociações eram realizadas pelo lado da Petros pelo senhor Humberto Pires Grault Vianna de Lima, gerente de novos projetos da Petros, e pelo senhor Luis Carlos Fernandes Afonso, diretor financeiro e de investimentos."

Afonso foi nomeado diretor em 2003 e depois nomeado presidente da Petros, em 2011, cargo que ocupou até fevereiro de 2014. Lima era diretor de Novos Projetos e foi nomeado diretor de investimento da Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp).

O ex-presidente da Petros foi condenado em primeiro grau por improbidade sob a acusação de ter cobrado 'pedágio' de uma fundação para que ela ganhasse um contrato na Prefeitura de São Paulo, em 2003. Na época, ele era secretário de Finanças do governo Marta Suplicy (PT). A condenação é de 2012 e está em fase de recurso.

Ferro velho. 
A transação na Petros envolveu a compra de título de crédito emitido por uma empresa falida que havia sido adquirida por Janene e por Youssef. A Indústria de Metais Vale (IMV) foi criada para reciclar ferro velho e vender o material para siderúrgicas, mas estava parada. Ela foi registrada em nome do advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, réu da Lava Jato.

Com a empresa falida, o grupo aportou nela R$ 4 milhões em 2007 e firmou contrato com a CSA Project Finance, que é do doleiro e está em nome de Costa também - para que essa fizesse um projeto de recuperação e captasse recursos antecipados. Para isso, fechou um contrato de venda com recebimento antecipado de uma grande siderúrgica nacional. "Com o objeto de antecipar recebíveis oriundos de um contrato de compra e venda de ferro gusa (sucata), celebra entre a IMV e a Barra Mansa, assim adquirindo investimento necessário para a instalação de uma planta industrial, a IMV emitiu Cédula de Crédito Bancário, no montante total de R$ 13.952.055,11", diz a PF.

Os termos da cédula de crédito estão no HD do computador de Youssef. Com o título de crédito emitido pelo Banco Banif Primus, o grupo, via CSA e coligados, passou a tratar com os diretores da Petros a compra pelo fundo de pensão.

Documento apreendido pela Lava Jato com o grupo mostra que eles teriam sido recebidos na Petros pelo então diretor, que depois virou presidente.

Vaccari é suspeito de ser o intermediador dos negócios do grupo com a Petros. No capítulo sobre a compra do título de crédito da empresa IMV há um histórico sobre suas relações com o partido. Seu nome foi citado na confissão dos réus como elo de pagamentos de propinas em outras áreas e especificamente na Petros em um e-mail interceptado entre os alvos da Lava Jato.


A cartada do 'golpe'

O Estado de S. Paulo
Editorial

Decerto preocupada com a possibilidade real de derrota no segundo turno, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, parece ter definitivamente perdido a compostura. Em comício em Canoas (RS), na semana passada, a petista deixou toda a prudência de lado e acusou a oposição de tramar um "golpe".

Que não se considere menor essa gravíssima denúncia apenas pelo fato de que ela foi feita em meio ao natural improviso palanqueiro. Dilma sabia muito bem o que estava dizendo e a quem se dirigia quando declarou, em outras palavras, que seus adversários estariam em pleno curso de uma ruptura institucional com o propósito de apear o PT da Presidência.

A acusação de Dilma foi uma reação à repercussão dos depoimentos prestados à Justiça Federal pelos principais operadores do gigantesco escândalo de corrupção na Petrobrás, o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. Ambos relataram, em detalhes, como o PT recebia parte da propina cobrada de empresas que tinham contratos com a estatal.

"Eles jamais investigaram, jamais puniram, jamais procuraram acabar com esse crime horrível, que é o crime da corrupção", discursou Dilma, referindo-se, como sempre de forma genérica e leviana, aos governos tucanos. "Agora, na véspera eleitoral, sempre querem dar um golpe. Estão dando um golpe. Esse golpe, nós não podemos concordar."

Ao usar três vezes a palavra "golpe" na mesma declaração, Dilma ultrapassou os limites da civilidade. Embora ela própria já tenha dito que, em época de eleição, se pode "fazer o diabo", uma presidente da República deve saber que não pode destruir pontes com nenhuma parte da sociedade, pois ela governa para todos, e não somente para seus simpatizantes. Quando diz, com todas as letras, que a oposição é "golpista", Dilma liquida qualquer possibilidade de diálogo, num eventual segundo mandato, com aqueles que representam cerca de metade dos eleitores do País.

A acusação de que a oposição ao PT e os críticos do governo são "golpistas" é recorrente entre os militantes petistas. Na visão dessa turma, que se baseia na mitologia lulista, opor-se a um governo que descobriu o Brasil em 2003 só pode ser sedição. Enquanto era verbalizada apenas pela virulenta claque petista, essa diatribe não causava danos significativos. Mas, quando é a própria presidente da República que decide vocalizar tamanha sandice, que não encontra nenhum respaldo na realidade, isso significa que o Brasil, sob o PT, entrou de vez no clube dos bolivarianos - aqueles países governados por líderes autoritários que dividem a sociedade em "nós" e "eles" e que denunciam "golpes" a todo momento para justificar seus apuros.

Para sustentar sua teoria da conspiração, Dilma sugeriu que os depoimentos dos envolvidos no escândalo da Petrobrás foram deliberadamente vazados para servir à "manipulação política" por parte da oposição. "Eu acho muito estranho e muito estarrecedor que, no meio de uma campanha, façam esse tipo de divulgação", disse a presidente.

No entanto, os depoimentos a que ela se referiu não foram "vazados". A ação na qual eles foram colhidos não corre em segredo de Justiça - e, nesses casos, a Constituição manda dar publicidade ao processo. Pelo cargo que ocupa, Dilma deveria saber disso, especialmente antes de fazer acusações tão graves. Mas o comitê de campanha da presidente não parece se importar com o que determina a lei, pois pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral Eleitoral, sabe-se lá com que argumentos, para impedir que esses depoimentos continuem a ser publicados.

Assim, preocupa observar que, ademais de sua incapacidade como presidente, Dilma agora flerta com o autoritarismo daqueles que não conseguem aceitar o contraditório e a alternância no poder. Ela incorporou a seu discurso as teses de uma militância rastaquera - que pode falar o que bem entende porque não tem responsabilidades institucionais. Se atribui a seus adversários intenções golpistas, segue-se que Dilma deslegitimará o resultado das urnas, se este lhe for desfavorável. Definitivamente, não é uma atitude digna de alguém que preze a democracia.

Como roubaram a Petrobrás

O Estado de S.Paulo
Editorial

Começam a brotar os detalhes daquele que se afigura como um dos maiores escândalos de corrupção da história brasileira - o assalto à Petrobrás, que teria movimentado ao menos R$ 10 bilhões. Os mais recentes depoimentos dos principais personagens desse escabroso esquema, montado para drenar os recursos da maior empresa estatal do País, revelam a quem foi repassado o produto do roubo - e, mais uma vez, como tem sido habitual ao longo dos governos lulopetistas, aparecem fartas digitais do PT.

Fica cada vez mais claro que figuras de proa desse partido - muitas das quais já foram presas por corrupção - permitiram na última década o arrombamento dos cofres do Estado por parte de delinquentes, servindo-se desse dinheiro para financiar seu projeto de poder.

À Justiça Federal no Paraná, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobrás e um dos pivôs do escândalo, confirmou que uma parte do dinheiro desviado financiou as campanhas do PT, do PMDB e do PP em 2010.

Contando detalhes que só quem participou da operação poderia conhecer, Costa revelou que de 2% a 3% dos contratos superfaturados eram desviados para atender os petistas. Segundo ele, várias diretorias da estatal eram do PT. "Então, tinha PT na Diretoria de Produção, Gás e Energia e na área de Serviços. O comentário que pautava a companhia nesses casos era que 3% iam diretamente para o PT", relatou o ex-diretor, em depoimento gravado. No caso de sua diretoria, Costa afirmou que os 3% eram repartidos entre o PP, ele e o doleiro Alberto Youssef, o outro operador do esquema. Já a Diretoria Internacional repassava os recursos desviados para o PMDB, segundo disseram Costa e Youssef.

Costa afirmou que o contato dos diretores envolvidos nos desvios era feito "diretamente" com João Vaccari Neto, tesoureiro do PT. O nome de Vaccari Neto foi confirmado por Youssef, que também prestou depoimento à Justiça Federal.

Os tentáculos do esquema não se limitavam às diretorias da Petrobrás. Em 2004, segundo declarou Youssef, os "agentes políticos" envolvidos no escândalo pressionaram o então presidente Lula a nomear Costa para a Diretoria de Refino e Abastecimento, ameaçando trancar a pauta do Congresso. "Na época, o presidente ficou louco e teve de ceder", disse o doleiro. Esse relato, se confirmado, revela como a máfia instalada na Petrobrás se sentia à vontade para manipular até mesmo o presidente da República e o Congresso em favor de seus interesses criminosos. E essa sem-cerimônia talvez se explique pelo fato de que membros proeminentes do próprio partido de Lula, a julgar pelos depoimentos, estavam cobrando pedágio e se beneficiando da roubalheira na estatal.

Os depoimentos de Costa e de Youssef foram os primeiros dados à Justiça depois do acordo em que decidiram contar tudo o que sabem em troca de redução de pena. Se oferecerem informações falsas, perderão imediatamente o benefício - logo, os dois têm total interesse que sua delação seja levada a sério.

Além disso, ambos ofereceram atas e documentos que, segundo eles, comprovariam as reuniões da quadrilha, os esquemas de pagamento e as transações para lavagem de dinheiro em empresas offshore. As autoridades sabem que estão lidando com material explosivo. Segundo a defesa de Youssef, ele e Costa foram apenas operadores do esquema - os verdadeiros líderes "estão fora desse processo, são agentes políticos".

Diante da enorme gravidade dos fatos até aqui relatados, e ante a certeza de que se trata apenas de uma fração de um escândalo muito maior, seria legítimo esperar que Lula e a presidente Dilma Rousseff viessem a público para dar explicações convincentes sobre o envolvimento de seus correligionários nos crimes relatados. No entanto, Dilma preferiu queixar-se do vazamento dos depoimentos de Costa e de Youssef - como se o mais importante não fosse o vazamento, pelo ladrão, de dinheiro da Petrobrás. Já a reação de Lula foi típica daqueles que se consideram moralmente superiores: ele se disse "de saco cheio" das denúncias de corrupção contra o PT. Pois os brasileiros podem dizer o mesmo.

Petrolão: governo barra convocação de tesoureiro do PT

Marcela Mattos
Veja online

Governistas resistem à tentativa da oposição de levar João Vaccari Neto à CPI para esclarecer participação em denúncias de desvios de verbas da Petrobras

(Geraldo Magela/Agência Senado/VEJA) 
Reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras 
para análise do plano de trabalho e de requerimentos - (14/05/2014) 

Deputados e senadores governistas barraram nesta terça-feira a tentativa da oposição de convocar o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para prestar esclarecimentos à CPI da Petrobras. Vaccari foi apontado pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa como um dos responsáveis pelo duto montado para desviar recursos para políticos e partidos governistas – PT, PMDB e PP.

Oficialmente, o comando do colegiado alegou que não haveria quórum suficiente para aprovar os requerimentos e que ainda busca uma alternativa. A oposição reclamou: “Está claro que estão querendo segurar a ida do Vaccari. Mas alguma coisa tem de acontecer até a próxima semana. A gente quer uma sessão relevante antes das eleições”, disse o deputado Mendonça Filho (PE), líder do DEM na Câmara dos Deputados. “É evidente que a base do governo está agindo para evitar a ida do tesoureiro. E é mais evidente ainda que a base recebe orientação da presidente Dilma Rousseff, que tenta a reeleição”, afirmou o deputado Antônio Imbassahy (BA), líder do PSDB na Câmara.

Os parlamentares decidiram se reunir nesta terça após as novas revelações feitas à Justiça Federal por Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef. De acordo com Costa, o PT ficava com a maior parte do rateio da propina e o responsável por captar esse dinheiro era João Vaccari Neto. Ainda segundo o ex-diretor da Petrobras, Vaccari negociava diretamente com o então diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque.

No encontro realizado nesta tarde no gabinete do presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), os parlamentares pediram uma reunião emergencial para aprovar a convocação de Duque e Vaccari, cujos pedidos de audiência já foram apresentados, além de agendar a audiência do doleiro Youssef, que já teve a convocação aprovada, para o dia 22. Ness data, também está marcado o depoimento de José Carlos Consenza, diretor de Abastecimento que substituiu Paulo Roberto Costa na estatal.

Vital prometeu entrar em contato com os líderes governistas para checar a viabilidade de uma convocação ainda nesta semana, mas admite ser “difícil” por causa das eleições. Como o colegiado é formado em sua maioria por deputados e senadores aliados do Palácio do Planalto, a presença desses parlamentares é obrigatória para que seja atingido o quórum mínimo para as votações. “Não há nenhum tipo de pressão. A função de investigação do Congresso Nacional não pode ser contaminada por um processo eleitoral que, em quinze dias, pode trazer consequências que não sejam aquilo que é dever do Congresso, que é apurar de forma limpa e imparcial os fatos”, disse.

Nesta quarta, Vital do Rêgo deve ingressar com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso à íntegra das delações premiadas.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Para ver como são as coisas: quem ouve Dilma tagarelar na propaganda eleitoral e até nos debates, imagina que a governanta faz e acontece no combate à corrupção. Quando chega a hora de provar que o discurso é coerente com as ações, fica claro que uma coisa nada tem a ver com a outra. Na hora “h”, no escurinho do cinema, o governo Dilma continua a impedir qualquer investigação que possa incriminá-lo. 



Dilma obtém mais apoios em Estados com 2º turno, mas maioria não usa sua imagem

Edgar Maciel e  Isadora Peron
O Estado de S. Paulo

Entre os 28 candidatos a governos que disputam a segunda etapa da eleição, 16 declararam apoio à reeleição da presidente

Na luta pelo apoio nos Estados, a presidente Dilma Rousseff saiu na frente de Aécio Neves no 2.º turno. Dos 28 candidatos que concorrem nos 14 Estados onde haverá uma nova disputa, a petista tem ao seu lado 16 deles, contra 10 do tucano. Apesar da vantagem numérica, Dilma tem recebido um apoio tímido da maioria deles. Até a noite de segunda-feira, por exemplo, ela havia aparecido no horário eleitoral de TV apenas cinco deles, enquanto o tucano foi exibido por sete apoiadores.

Um Estado que ilustra bem a situação de Dilma é o Rio. No terceiro maior colégio eleitoral do País, a petista tem o apoio formal tanto do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) quanto do senador Marcelo Crivella (PRB), mas, por enquanto, não apareceu na propaganda de TV de nenhum deles. O peemedebista, apesar de declarar ter um “carinho muito especial” por Dilma, não proibiu que seus aliados confeccionassem materiais de campanha em que aparece ao lado do presidenciável tucano, num movimento que vem sendo chamado de “Aezão” (mais informações no texto abaixo).

O mesmo acontece no Amapá, onde Dilma tem palanque duplo, mas visibilidade zero. Lá, tanto o atual governador, Camilo Capiberibe (PSB), quanto Waldez Góes (PDT) não têm nem sequer material ao lado da presidente. As duas campanhas dizem que até o fim da semana a situação será resolvida.


Poucos candidatos ao governo no 2º turno
 mostraram Dilma em seu programa

No Rio Grande do Norte, Dilma recebe apoio de Henrique Alves (PMDB) e Robinson Faria (PSD), mas é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem aparece no horário eleitoral. Em pelo menos dez Estados, o ex-presidente é mais lembrado pelos aliados do que a atual candidata.

Entre os mais fiéis a Dilma, está o gaúcho Tarso Genro (PT), candidato à reeleição. Ele fez toda a sua campanha vinculada à da presidente. “Represento aqui a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula”, costuma dizer em quase todas as aparições públicas. Outro aliado que tem se mostrado fiel é o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB). Mesmo com seu partido tendo decidido apoiar Aécio, ele aposta na imagem da presidente, que teve mais de 55% dos votos no Estado, para vencer o tucano Cássio Cunha Lima.

No Ceará, onde a presidente obteve uma vantagem de 2,4 milhões de votos sobre Aécio no 1.º turno, os dois candidatos ao governo tentam colar sua imagem na dela: Camilo Santana (PT) e Eunício Oliveira (PMDB).

Fidelidade. Com menos apoio nos Estados, Aécio ganha vantagem na fidelidade de seus candidatos. Seis deles já veicularam sua imagem na televisão, entregaram santinhos e usaram até mesmo sua plataforma de propostas para ganhar votos.

Em Mato Grosso do Sul, o tucano Reinaldo Azambuja tenta integrar sua imagem ao do presidenciável para vencer o petista Delcídio Amaral. “Nós vamos para a rua e vamos levar nossa militância para promover a mudança no Brasil”, disse. No Acre, terra de Marina Silva, que declarou apoio ao tucano no domingo, Marcio Bittar (PSDB) divulga o nome de Aécio em cada ato de campanha, destacando os projetos de reforma política e o fim da reeleição.

Na segunda-feira, o tucano também recebeu outro apoio de peso, do candidato ao governo do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), que terminou o 1.º turno na liderança. Eles devem gravar juntos para a propaganda eleitoral nos próximos dias. No DF, Aécio também tem o apoio do representante do PR na disputa, Jofran Frejat.

Na Paraíba e no Rio Grande Sul, Aécio vive uma situação parecida. Apesar de os candidatos à reeleição apoiarem Dilma, os dois favoritos a ganharem a eleição estão com o tucano: Cassio Cunha Lima (PSDB) e Ivo Sartori (PMDB). 

Colaboraram Anna Ruth Dantas, Carmem Pompeu, Alcinéa Cavalcante, Marcos Moraes, Janaína Araújo, Quetila Ruiz, Loide Gomes, Lucia Morel e Itaan Arruda Dias, Especiais para O Estado, e Elder Ogliari