quinta-feira, outubro 23, 2014

A hora da verdade para Dilma e Lula está chegando

Comentando a Notícia

Segundo IBOPE e Datafolha, Dilma tem grandes chances de ser reeleita no domingo. O problema será o dia seguinte: ter de conviver com a própria herança e, o que é pior, ter credibilidade suficiente para poder governar. E a razão é simples: a candidata-presidente e seu padrinho sempre souberam de tudo sobre a roubalheira na Petrobrás. Nada fizeram, e este conhecimento associado com a omissão representa crime de responsabilidade.

Injustificável que sua candidatura se mantenha em pé diante de tantos crimes eleitorais cometidos. O abuso do poder político foi muito além do permitido. 

Em 2010, sua campanha foi financiada com o produto desviado da Petrobrás, o que também configura crime. 

Só a muita leniência de uma justiça eleitoral  prá lá de tolerante (para não se dizer coisa pior!), justifica que sua candidatura não tenha sido impugnada ou cassada. 

Pois é, senhora Dilma, tantas você fez para roubar a paçoca alheia que agora precisará engolir no seco. BOM PROVEITO!!!





Lula, quem sustenta amante com dinheiro público, não tem moral para condenar ninguém.

Adelson Elias Vasconcellos.

Chega a ser constrangedor o ponto a que é capaz de descer quem já ocupou, por oito anos, a presidência da República, como os ataques bestiais dirigidos por Lula especialmente a Aécio Neves, mas também ao PSDB. Poderia relacionar um número sem fim de motivos para que Lula fosse menos agressivo e mau caráter.Ou até, que refreasse a língua e não mentisse tanto. 

Nesta edição, o leitor tem vários artigos como Os ataques do PT à História, da jornalista  Miriam Leitão, ou o Brasil em 20 anos, do também jornalista Carlos Alberto Sardenberg, ambos publicados para o jornal O Globo, ou ainda, Beto & Paulinho, de J.R.Guzzo, para a Revista VEJA. São textos obrigatórios para quem quer ou recuperar a memória da história recente do país, ou até para conhecê-la sem a manipulação estúpida e grotesca promovida por Lula e Dilma. 

Lula deveria ao menos respeitar não só a história mas, sobretudo, os personagens que ajudaram o país a sair do atoleiro que achava metido no início da década de 90 do século passado. Mas seria esperar até demais para quem construiu sua biografia a partir da difamação sobre terceiros, inclusive sobre companheiros. 

Entendo que podemos destacar, entre tantos, ao menos três momentos  que ilustram bem o baixo nível de moral do ex-presidente. O primeiro foi a acusação que lhe foi feita  por Tuma Junior ao ao apontá-lo delator de companheiros durante a ditadura militar. Seu nome de guerra era Barba. Se a gente fizer uma retrospectiva perceberá que Lula jamais se furtou em fritar companheiros para preservar o próprio pescoço. 

Logo após a edição do livro de seu ex-secretário de justiça. Lula afirmou que o processaria. Passados alguns anos, não sabe de nenhuma iniciativa judicial movida por Lula.  E isto nos leva a crer que as acusações de Tuma Junior eram procedentes. Até porque, dizia ter provas.

Um segundo momento foi o modo traiçoeiro como Lula conseguiu afastar Joaquinzão do comando do sindicato dos metalúrgicos, tomando o seu lugar. Uma série de atos cafajestes, uma coleção infindável de calúnias valeram a Lula o posto tão desejado. Aliás, é o mesmo processo que hoje Lula emprega nas campanhas eleitorais.

Um terceiro, e este mais recente, é o caso da senhora Rosemary Noronha, que foi secretária da Presidência em São Paulo e que viajava ao lado de Lula em voos internacionais gozando de todo os privilégios para alguém bem mais importante do que uma simples secretária, (se que é vocês me entendem...).

Ora, quem traiu os amigos durante a ditadura, traiu amigos para tomar-lhes o lugar no meio sindical, e financia amantes com dinheiro público, tem moral para acusar alguém de alguma coisa? 

Que moral tem Lula para chamar alguém de bêbado, logo ele amigo de bons uísques quando presidente, e que em diferentes ocasiões subiu trôpego de bêbado em palanques eleitorais país afora, mesmo ocupando a presidência do país? 

Que estatura moral tem aquele que comandou a formação de bunkers para a montagem de dossiês falsos contra adversários políticos? Ou, ainda, depois de chamar Sarney de ladrão quanto este foi presidente da república, e ter contribuído diretamente para a deposição de Collor, os teve como aliados da primeira hora? Ou, também, que lixo moral pode ir à Belém do Pará beijar a mão de um Jader Barbalho, notório corrupto que renunciou ao mandato para não ser cassado? Ou, como esquecer  os efusivos abraços e apertos de mão com Paulo Maluff, na residência deste, comemorando a aliança política para eleger Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo?

Quem tem um histórico como este, não tem a menor condição de condenar ou criticar ninguém. 

Portanto, quem mantém amante com dinheiro público na presidência, não tem moral para acusar quem quer que seja de coisa alguma. Quem montou organizações criminosas no seio do poder, desviando e roubando dinheiro público para comprar apoio político, tem que estar preso e calado. Lula é teimosamente  aquilo que sempre foi: mau caráter e lixo moral.  Ao comparar tucanos com nazistas, o ex-presidente deveria estar em frente ao próprio espelho. Lula deveria ser vacinado, com urgência, contra a raiva, antes que acabe mordendo alguém.

Para encerrar: Lula, Aécio Neves não tem culpa de ter tido o pai que você gostaria de ter tido e não teve. Este tipo de ressentimento revela um caráter doentio e preconceituoso.  VÁ SE TRATAR!

TSE proíbe baixarias, mas libera crimes eleitorais 
O Tribunal Superior Eleitoral resolveu tomar um chá de moralidade e determinou o fim da baixaria, muito embora a campanha de Dilma e o ex-presidente Lula continuem liberados para fazerem o que bem entendem, dizerem o que lhes der na telha. Não que se justifiquem, mas baixarias sempre houve e haverá em campanhas políticas. 

Porém, o TSE até agora nada fez e está deixando rolar soltos os diferentes crimes eleitorais cometidos pela campanha de Dilma, com o abuso do poder político mais descarado que já se viu na história do país. E o que tem a dizer o senhor Dias Toffoli a respeito? Até agora, nada. Nem uma palavra, nem uma atitude, nem uma repreensão que fosse para por um freio nos abusos de se infringir uma lei que deveria valer para todos. Porém, ao que parece, para o PT, o senhor Dias Toffoli permite tudo,  até o mais descarado uso de estatais, como Correios, Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobrás em favor da candidata governista, além de ministros e toda a estrutura do Estado em favor de um único partido político. 

Para o blog, este estranho comportamento do presidente do TSE não causa nenhuma surpresa. Já havíamos previsto que isto aconteceria. Afinal, e de alguma forma, Dias Toffoli precisa retribuir o presente que lhe foi dado com sua nomeação para o STF. Deixando a campanha de Dilma agir num vale-tudo escandaloso, o favor está sendo pago com juros.

Estelionato eleitoral e pleno desemprego?
Na Folha online desta  quinta feira, ficamos sabendo que o   Governo segura dados que podem afetar a campanha de Dilma, tais como estatísticas sobre educação, desmatamento,  tributos, aumento da desigualdade e até a arrecadação federal. Aí, vem alguém justificar a cretinice dizendo que as decisões de não informar  têm caráter legal. Mas,  por outro lado, o mesmo governo que sonega dados tão importantes, não vê problema legal algum em divulgar pesquisa do IBGE que mostra menor desemprego desde 2002. E, até agora, ninguém conseguiu encontrar na Lei Eleitoral nenhum artigo, inciso ou parágrafo que vede estatísticas sobre o país.

Engraçado: pela mesma pesquisa do IBGE, ficamos sabendo, também, que o  número de pessoas ocupadas, contudo, ficou praticamente estável em 23 milhões. Ora, como a força de trabalho em idade ativa está na casa de 100 milhões de brasileiros, ou mais, é de se perguntar do que vive os outros 67 milhões de desocupados?  Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quinta-feira, o número de inativos subiu 3,7% em relação a setembro de 2013. Cerca de 690 mil pessoas entraram na inatividade neste período. Nem os analistas dão fé à pesquisa do IBGE.

Pelo sim, pelo não, isto nunca foi “pleno emprego”, e sim,  pleno desemprego.

Dilma e o diabo na terra do sol

Sebastião Nery
Tribuna da Internet

PARIS – Se o saudoso e talentoso baiano Glauber Rocha estivesse aqui, teria que trocar o título de seu belo filme (“Deus e o Diabo na Terra do Sol”) para “Deus e Dilma na Terra do Sol”.

Ela não enganou ninguém. No começo da campanha Dilma disse a jornalistas no Palácio da Alvorada:

– “Numa eleição a gente faz o diabo”.

E como está fazendo! No primeiro turno Dilma escalpelou, martirizou, torturou a elegante e tímida Marina, que preferia calar-se a responder à altura a mentiralhada e as grosserias de Dilma.

Agora vem o campeão do cinismo, esse inefável Lula, e acusa Aécio de ser “grosseiro” com Dilma porque “uma mulher não pode ser chamada de leviana”. Ora, a coisa mais leve que se pode dizer de Dilma é que é uma “leviana”. Na verdade o que a Dilma é é uma profissional da mentira. Como dizia o Padre Antonio Vieira dos ladrões, ela mente, mente, mente mais ainda, mente sempre, sempre, não pára de mentir.

Dilma agride a oposição com as palavras mais duras e até gestos obscenos. Perguntem a seus ministros o que é que ela faz quando é contrariada. E Lula quer convencer o país de que ela é só gordinha, uma inocente, pobrezinha, coitadinha, tão fragilzinha, santinha do pau oco.

DICIONÁRIO
O país gasta bilhões para ensinar a língua a seus alunos e aparece a Dilma estuprando a língua e criando novo dicionário. Quando a maioria de seus ministros apareceu enlameada em falcatruas, em vez de dizer que eles estavam fazendo roubalheiras ela inventou que o que eles faziam era apenas “malfeitos”. E porque era só “malfeitos” voltaram todos ao governo nos mesmos ministérios ou em penduricalhos do governo.

Quando explodiu o escândalo da roubalheira na Petrobras o país sabia que o que havia era roubo mesmo. Enfiaram a mão no dinheiro. Pois volta a dona Dilma a pôr os corruptos embaixo de suas vastas saias e os protege dizendo que não houve roubo. Houve apenas “desvios”.

O grave é que o hábito do cachimbo põe a boca torta. De tanto defender os corruptos do seu governo dona Dilma pode acabar agarrada pelo Supremo Tribunal Federal no “Mensalão da Dilma”.

O escândalo da Petrobrás é tão geral, tão amplo, tão vasto, que ninguém vai impedir que toda essa história acabe em uma rumorosa CPI no Congresso atingindo o dicionário, os “mal feitos” e os “desvios” da Presidente. Ela vai ter que providenciar um novo dicionário só dela.

TSE
Esta campanha eleitoral desmoralizou uma banda fundamental da política brasileira. Por exemplo, o uso do dinheiro público pelos candidatos oficiais. Dona Dilma transformou o Palácio da Alvorada em um escritoriozinho de segunda categoria onde ela reúne cabos eleitorais e apaniguados todos os dias. E tudo com dinheiro público.

Quem é que está controlando a farra aérea da Presidente com os aviões oficiais? Quem é que vai cobrar os gastos públicos da Presidente em toda a sua campanha pelo pais afora? Já sei. Vocês vão dizer que é o Tribunal Superior Eleitoral. Ora, o Tribunal Superior Eleitoral, com perdão da palavra, é um escritório eleitoral do Palácio do Planalto.

Afinal a maioria deles foi nomeada pela Presidente e está devolvendo em violações ilegais a nomeação que ganharam.

PESQUISAS
Ufa, passamos uma semana sem ouvir falar em pesquisas. Os principais institutos nacionais de pesquisas têm mais de meio século. Mas no primeiro turno de tal forma alguns chafurdaram na corrupção do governo que acabaram totalmente desmoralizados. O país com vergonha deles e eles, com mais vergonha ainda deles, calaram a boca, sumiram.

Mas evidente que esta semana eles vão voltar. Não perderiam a última faturada. Como dizem amigos meus, estudiosos de pesquisas, da Universidade de Brasília, as pesquisas brasileiras se transformaram no melhor negócio do mundo: você contrata uma pesquisa, negocia com outro instituto, os dois fingem que fazem a pesquisa e os dois apresentam o mesmo resultado, faturando ambos duas vezes de cada lado: com os jornais e  televisões que publicaram as pesquisas e com os candidatos protegidos pelas pesquisas fajutas. Isso se chama mamão com açúcar.

IMPRENSA
Sócia e apaniguada dos falsos institutos de pesquisa, a nossa querida imprensa vai sair gravemente atropelada desta eleição. E em tantas armações entraram que os leitores, por  não serem bobos,  já perceberam que tudo não passa de uma trapaça geral. Como vai ficar a fidelidade dos leitores? Como vão ficar as compras nas bancas e as assinaturas? Como vão ficar os hábitos de leitura vindos de gerações?

E os anúncios? As agências de publicidades, os empresários vão engolir assim essa agressão escancarada aos leitores?

O pior é que atrás dos espertos veem os espertinhos, os chamados “formadores de opinião”. Envergonhados de mentirem por conta própria, inventaram agora as “pesquisas qualitativas”. O gordinho sinistro da página 2 do “Globo” rola e embola inventando “pesquisas qualitativas”. Isto é uma asquerosa falta de respeito aos leitores e assinantes como eu.

Beto & Paulinho

Revista VEJA
J. R. Guzzo

Diante das versões francamente incompreensíveis que o governo vem apresentando a respeito dos atos de corrupção praticados na Petrobras ao longo dos últimos anos, talvez seja útil para o leitor ter na ponta da língua os fatos registrados a seguir. Versões são mercadoria barata. Fatos, porém, são o corpo e a alma da realidade. Podem ser ignorados por quem não gosta deles, mas não mudam, e não vão embora. No caso da Petrobras, aqui estão:

Paulo Roberto Costa, chamado de “Paulinho” pelo ex-presidente Lula e um dos convidados ao casamento da filha da presidente Dilma Rousseff, Paula, em abril de 2008, foi um dos mais altos diretores da Petrobras entre 2004 e 2012.

Em março deste ano “Paulinho” foi preso pela Polícia Federal, acusado de praticar atos de corrupção nas operações da estatal, e algum tempo atrás resolveu confessar seus crimes, por livre e espontânea vontade, dentro das condições legais que permitem redução de pena para réus que colaboram com a Justiça. Seu companheiro de delitos, o doleiro Alberto Youssef, ou “Beto”, fez o mesmo.

A partir daí ficou provado, acima de qualquer dúvida, que houve corrupção na maior empresa estatal do Brasil; é um fato que não pode mais ser apagado. Feita dentro das exigências da lei, a confissão é a “rainha das provas” — não pode ser suplantada por nenhuma outra, e é a única que garante consciência tranquila ao juiz que assina uma sentença de condenação.

O principal problema trazido pelas confissões de “Beto” e “Paulinho” não está nos atos de corrupção que eles cometeram individualmente nem nos benefícios pessoais que obtiveram. Está na sua associação direta com as empreiteiras de obras públicas, que, historicamente, figuram entre as empresas privadas mais influentes do Brasil.

Até agora não se falou muito disso, mas é certo que se vai falar — e aí os empreiteiros podem ficar na situação rara, provavelmente inédita, de ser acusados criminalmente com base em provas materiais inegáveis.

As construtoras contratadas para realizar obras na Petrobras fizeram pagamentos que chegaram indiscutivelmente a “Beto” e a “Paulinho”; ambos confessaram que esse dinheiro, após o desconto de suas comissões, era distribuído a diretores da estatal e a agentes do PT, do PMDB e do PP, partidos que controlam cargos-chave na diretoria, em pagamento pelos contratos que a empresa concedeu a diversas das maiores empreiteiras do país.

Apenas em uma operação, já comprovada, cerca de 35 milhões de reais foram pagos a empresas-fantasma de “Beto”, e “Paulinho”, por sua vez, provou ter recebido um mínimo de 70 milhões, que aceitou devolver ao poder público.

O PT, segundo afirmam os dois, é quem recebia mais dinheiro do esquema — 3% sobre o valor de cada contrato que ajudava a fechar, entregues ao seu tesoureiro nacional, João Vaccari Neto, através das empresas-laranja de “Beto”. O PMDB e o PP ficavam com 2% e 1%. Não vieram a público provas materiais dessas acusações. “Beto” e “Paulinho” falaram a verdade sobre si próprios; agora, para receberem sua recompensa, terão de provar que também estão falando a verdade sobre os demais acusados.

É fato público que as empreiteiras mantiveram relações íntimas com o ex-presidente Lula, um de seus filhos, diversos políticos e autoridades de primeiro nível nos governos dos últimos doze anos. O filho, “Lulinha”, vendeu à construtora Andrade Gutierrez — uma das maiores do ramo, e importante fornecedora de obras para a Petrobras e o governo em geral — parte de uma empresa de videogames que foi à falência; recebeu pela venda a soma final de 10 milhões de reais.

Lula participou com a Odebrecht, outro gigante da área, das negociações para a construção do novo estádio do Corinthians, em São Paulo. O ex-presidente viaja com frequência em jatinhos de empreiteiros e esteve no exterior tentando promover seus negócios internacionais.

É o que existe de real até agora. O governo, a esta altura, já deveria ter apresentado em sua defesa um mínimo de fatos que possam ser levados a sério — mas só fala que “está em curso” um “golpe de Estado”, organizado pela “grande mídia”, para derrotar Dilma na eleição.

Não foi a imprensa nem a oposição que fizeram as denúncias — foram os amigos “Beto” e “Paulinho”, e é a eles que o PT tem de se queixar se está infeliz. Golpe? O governo deveria ter mais cuidado com essa palavra. As urnas, só elas, vão decidir no dia 26 quem ganhará as eleições. Golpe é sustentar na véspera, como estão fazendo Dilma, Lula e o PT, que se o adversário ganhar a eleição não vale.

O nazismo na boca de Lula

O Estado de S. Paulo
Editorial 

A frequência com que as palavras "nazismo" e "nazista" são usadas para insultar tende a ser tanto maior quanto menor o conhecimento dos que as empregam do que foi efetivamente o mais hediondo regime que o Ocidente experimentou ao longo de sua história e do que fizeram os seus seguidores. Se mesmo na Europa as novas gerações parecem saber cada vez menos da barbárie que a devastou há 70 anos, não surpreende que em outras paragens os termos que a revestem tenham se tornado ao mesmo tempo corriqueiros e caricaturais - e, nessa medida, uma ofensa permanente à memória de suas vítimas. Um exemplo de livro de texto dessa banalização do mal acaba de ser dado pelo ex-presidente Lula, no lugar onde mais ele fica à vontade para usufruir da sua inesgotável propensão à baixeza: um palanque eleitoral.

Ao lado da afilhada Dilma Rousseff, em um comício que reuniu cerca de 40 mil pessoas no Recife, anteontem, ele equiparou as supostas agressões ao Nordeste da campanha do tucano Aécio Neves e de seus aliados às práticas nazistas na 2.ª Guerra Mundial. Lula falava para um público que, em geral, tem disso informação precária ou nenhuma. Mas aprendeu, como quase toda a gente, que o tal do nazismo é a coisa mais medonha que se pode conceber. Portanto, se ouve de Lula que a esse extremo chegam os presumíveis preconceitos e injustiças da oposição "contra nós", os nordestinos, deve ser a pura verdade. Lula não imaginaria que o sentimento de revolta que se esmerava em inculcar à sua plateia a dotaria do poder mágico de votar duas vezes em Dilma na decisão de domingo para se vingar dos "preconceituosos". Nem seria preciso: no primeiro turno, vencido em Pernambuco por Marina Silva, Dilma obteve 44% dos sufrágios ante menos de 6% de Aécio.

Logo se vê que a fúria de Lula não tem nada que ver com um hipotético imperativo de conseguir que a sua apadrinhada prevaleça numa capital, em um Estado e numa região onde ela e o seu adversário - a exemplo do que se passa em âmbito nacional, segundo as pesquisas - estariam engajados numa guerra sem quartel pelo voto de cada eleitor. O comício do Recife foi apenas (e tudo isso) uma oportunidade para ele dar vazão ao ódio que sente pelas "elites" - e que soube guardar no congelador quando, presidente, se amancebou com o que elas têm de pior. Muito mais do que o combate político, é esse sentimento que o leva a perder o que ainda possa ter em matéria de senso de proporção, ao comparar os adversários não só aos nazistas, mas a Herodes, "que matou Jesus Cristo por medo de ele se tornar o homem que virou".

Já investir contra Aécio, como também fez em Pernambuco, acusando-o de "grosseiro" com Dilma, é frio cálculo eleitoral. O neofeminista da temporada havia feito a sua aparição na antevéspera, em outro comício, então em Itaquera, na zona leste paulistana. "Esse rapaz não teve educação de berço para respeitar as mulheres", atacou. "E, sobretudo, uma presidente, mãe e avó."

Logo ele, que fez com brio a sua parte na profusão de baixarias para desqualificar a candidata Marina Silva na disputa do primeiro turno. A campanha de Dilma decerto tentará até o último instante mostrar um Aécio desdenhoso com as mulheres. Acredita que a ligeira ultrapassagem do senador pela presidente, no empate técnico registrado na pesquisa de segunda-feira do Datafolha, se deve em parte à irritação de uma parcela do eleitorado feminino com o fato de Aécio ter chamado Dilma de "leviana" em um debate.

Mas vêm de muito antes os primeiros registros da extensa folha corrida de Lula, no quesito relações de gênero. Todos quantos o conhecem de longa data - e também os seus interlocutores mais recentes, porque nisso ele não mudou - sabem o que ele diz das mulheres em conversas privadas, a sua queda por chulas piadas machistas, a sua prontidão para atribuir à condição feminina defeitos percebidos, por exemplo, em companheiras de partido e servidoras federais. Sem falar no palavreado que usou publicamente - numa feira de produtos comestíveis em Pelotas, em junho de 2003 - ao falar de seu primeiro filho com a esposa Marisa Letícia: "A galega engravidou logo no primeiro dia, porque pernambucano não deixa por menos".

Brasil em 20 anos (ou a verdade que Lula e Dilma não contam)

Carlos Alberto Sardenberg 
O Globo

Trajetória brasileira é igual à dos principais países emergentes. Com uma diferença: nós em geral chegamos atrasados

O Brasil chegou até aqui da seguinte maneira:

1. Estabilização macroeconômica, a partir da introdução do Real (1994) e de uma série de reformas que se prolongaram por uns dez anos, nos dois governos FH e no primeiro mandato de Lula.

2. Entre as reformas, a mais importante foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, estabelecendo regras para o gasto público e tornando obrigatória a geração de superávits primários para a redução do endividamento do governo. Essenciais as normas proibindo a União de financiar estados e proibindo bancos estaduais de emprestar para estatais.

3. Essencial também a reestruturação das dívidas dos estados, com base em uma legislação que simplesmente obriga os governos estaduais a gerar superávits mensais, em vez de déficits e dívidas, como era até então. Acrescente-se aqui o fechamento (e privatização) de bancos estaduais, até então máquinas de buracos sem fundo.

4. A reestruturação de todo o sistema financeiro, privado e público. Não esquecer: Banco do Brasil e Caixa estavam literalmente quebrados; foram capitalizados (R$ 9,5 bilhões só para o BB), saneados e colocados sob gestão profissional, ainda no governo FH.

5. As privatizações dos setores de telecomunicações, siderurgia, mineração e energia, todos com grande expansão posterior. As concessões de rodovias. A quebra do monopólio da Petrobras e sua transferência para a União, que passou a leiloar a concessão de campos de petróleo. Vieram novos investimentos privados nacionais e estrangeiros, que levaram às descobertas, inclusive do pré-sal. A Petrobras foi saneada e profissionalizada.

6. Reformas da Previdência.

7. Flexibilização de leis trabalhistas, como a introdução do banco de horas e do sistema de suspensão temporária do contrato de trabalho, largamente em uso hoje, e que impedem o aumento do desemprego.

8. O câmbio flutuante e o regime de metas de inflação (1999).

9. Alguma abertura no comércio externo.

10. As bases dessa verdadeira revolução estavam prontas quando Lula assumiu em 2003. Mas seu primeiro mandato foi essencial para consagrar um tipo de consenso macroeconômico, que pode ser assim resumido: não pode ter inflação; o governo tem que gastar menos que arrecada; a dívida pública tem que cair.

11. Reajustes reais do salário mínimo e programas sociais, já em funcionamento, mas ampliados de modo substancial com Lula

12. As reformas microeconômicas no primeiro mandato Lula, facilitando a vida de empresas e, muito especialmente, modernizando e dando segurança ao crédito, que simplesmente explodiu (imobiliário, consignado e automóveis). Isso foi o consumo das famílias.

13. A China caiu do céu. No início deste século, o Brasil mal exportava US$ 1 bilhão/ano para a China. Já em 2008 ultrapassava os 40 bilhões. A China puxou os emergentes e o Brasil foi na onda. Tornou-se superavitário no comércio externo. Sobraram dólares no Brasil, que o Banco Central comprou e formou as reservas.

14. A mineração e, sobretudo, o agronegócio, privados, que aproveitaram a oportunidade e tornaram-se grandes exportadores.

Essa trajetória brasileira é igual à dos principais países emergentes. Com uma diferença: o Brasil em geral chegou atrasado. Quando se acabou a inflação por aqui, ela já não era problema no mundo.

Outra diferença foi no ritmo de crescimento. Houve incrível expansão mundial, coincidindo com o início do governo Lula e durando até 2008. Todo mundo tirou pessoas das pobreza, as novas classes médias se formaram por toda parte. Mas no período 2003/07, por exemplo, o Brasil cresceu 4% ao ano em média, contra 4,8% do mundo e 7,6% dos emergentes. Foi assim em todos os períodos seguintes.

Depois da crise de 2008/9, o governo Lula começou a desmontagem do modelo, acelerada na gestão de Dilma Rousseff. As leis básicas não foram alteradas, mas as práticas, sim. O regime de metas de inflação está aí, mas a meta não é cumprida faz tempo.

A Lei de Responsabilidade fiscal está aí, mas o governo manobra as contas de modo a ampliar gastos — e dívidas. O governo empurra os bancos públicos para operações duvidosas e que logo, logo, apresentarão problemas. Práticas pré-Real.

Resultado: inflação alta, rodando na casa dos 6,5% ao ano (e, mesmo assim, “martelada”), enquanto o mundo todo tem inflação muito baixa; crescimento zero, enquanto os emergentes crescem 4,5%; juros na casa dos 11% ao ano, muito acima do padrão mundial e dos emergentes.

O desemprego é baixo em consequência daquelas mudanças que foram se consolidando. E não é uma proeza brasileira. Neste momento, o Brasil não gera empregos, a população trabalhando é estável faz algum tempo, segundo dados do IBGE. E, se continuar sem crescimento econômico, vai gerar desemprego.

E a taxa de desemprego nos outros países? Na casa dos 6%, pouco mais (Índia, 8,8%; Colômbia, 8,9%), pouco menos (México, 4,9%; Indonésia, 5,7%).

Resumão: o Brasil tem inflação maior, juros maiores, crescimento menor e desemprego igual, mas com tendência de alta.

A receita é óbvia.

Tem bububu no bobobó.

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Quem é Val Marchiori? Há respostas simples: apresentadora de TV, integrante do programa Mulheres Ricas, fã de roupas e objetos de luxo, grande consumidora de champagne francês, famosa das que aparecem em revistas de famosas. Há respostas mais difíceis: é amiga do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. Isso terá algo a ver com o empréstimo a juros baixinhos que conseguiu, embora não tivesse quitado empréstimo anterior? Embora amigos, a ponto de um ex-motorista do Banco do Brasil, Sebastião Ferreira da Silva, ter contado que costumava buscá-la a pedido do presidente do Banco do Brasil, terão seus dois encontros em Buenos Aires e no Rio, hospedados no mesmo hotel, quando Bendine estava em missão oficial, ocorrido por pura coincidência? É o que ele diz.

O fato: Valdirene Aparecida Marchiori levantou quase 2 milhões e 800 mil reais a juros de 4% ao ano - para pessoas comuns, os juros são superiores a 8% ao mês. Garantia? A pensão de seus filhos menores. O prazo para pagamento é de 106 meses, nove anos, sendo seis meses de carência. O dinheiro vem de uma linha do BNDES, subsidiadíssima - e o caro leitor sabe quem paga o subsídio.

Outro fato: a empresa de Val, a Torke, gerencia sua carreira (contratos de publicidade, recebimento de pensões alimentícias). E pediu o empréstimo para comprar cinco caminhões semirreboques, que foram imediatamente repassados a outra empresa, a Veloz, de seu irmão e da cunhada. 

Isso não é um escândalo. Escândalo é que seja só para ela, não para todos. 

E ela explica
Val Marchiori dá a resposta da Torke: diz que o empréstimo é "disponível para todos os empresários brasileiros, seguiu todas as regras e normas exigida pelos bancos envolvidos, não tendo recebido qualquer favorecimento". 

O começo do jogo
Petrolão, Mensalão, Cartel dos Trens, tudo isso fica muito longe do cidadão comum. É outro mundo. Mas a história de Val Marchiori é bem mais próxima. É para todos? Pequenos empresários que não aguentam mais os prazos curtos e os juros altos, procurem o presidente do Banco do Brasil! 

Aldemir Bendine, o Bom.

No tempo das vedetes
O título desta coluna é copiado de um clássico do teatro de revista. A peça rendeu filme com Ankito e um sucesso musical: http://youtu.be/HHOuN6yvbY4

O jeito certo
E, já que se falou em Petrolão, uma dúvida: tente remeter R$ 5 mil ou mais para alguém, sem nota fiscal. A remessa é comunicada às autoridades. Como é que os milhões e bilhões do Petrolão giram sem que os bancos saibam de nada?

Inculta e bela
Dilma capricha naquela língua estranha que usa, esquecendo com frequência de completar as frases. No debate da Record, usou uma palavra que deve ter aprendido naquele mesmo dia, de tanto que a repetiu: "estarrecida". Aécio também foi fundo: "proponho uma proposta", "vou enfrentar de frente".

O vencedor não se sabe, mas o perdedor destas eleições é com certeza o Português.

Boa ideia
De Lula: "Onde estava Aécio quando esta moça (Dilma) foi presa e torturada?" Talvez em aula, talvez no recreio: na época, Aécio tinha nove anos

E Lula, onde estava? Na data, era suplente da diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos. Alguns anos antes, estava na Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Alguns anos depois, preso no Dops, na sala do delegado-amigo Romeu Tuma. E nesta segunda-feira, em ato de apoio a Dilma Rousseff, insultando dois jornalistas, William Bonner e Miriam Leitão, e xingando a mãe de Aécio. Que feio!

Sem samba e sem pandeiro
Há tempos, Yitzhak Rabin, heroi de guerra, foi embaixador de Israel nos Estados Unidos. Deixou o cargo, voltou à política israelense, ganhou as eleições e assumiu o Governo. Descobriu-se então que tinha deixado uma conta bancária nos EUA, com saldo de US$ 10 mil - dinheiro dele, nada roubado. Mas israelenses não podiam ter conta no Exterior. Rabin renunciou. O filho do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, Omri, foi condenado à prisão por caixa 2 de campanha. Como o pai tinha tido um derrame, pôde ficar a seu lado, em liberdade. Quando o pai morreu, foi para a cadeia. A ministra da Economia do Japão, Yuko Obuchi, renunciou: seu partido usou verbas públicas para fins particulares. Yuko Obuchi disse que não sabia de nada, "mas que o desconhecimento não serve como desculpa". A ministra da Justiça do Japão, Midori Matsushima, distribuiu na campanha leques de papel com sua caricatura, nome e cargo. A lei eleitoral não permite brindes. Ela renunciou. Que é que esses casos têm em comum?

Nenhum ocorreu no Brasil.

Que é isso?
Eliana Calmon, ministra aposentada do STJ, candidata derrotada ao Senado pelo PSB da Bahia, disse ao Correio Braziliense que não teve problema para financiar a campanha. "Escritórios de advocacia de São Paulo me ajudaram, isso me deixou muito satisfeita". 

Falta completar: quais escritórios? E por quê?

carlos@brickmann.com.br
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***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

O PT se jacta de governar com prioridade para os pobres. Considerando que os banqueiros nunca ganharam tanto dinheiro como nos tempos de PT, e confirmado pelo próprio Lula, considerando que a elite empresarial nunca foi bem agraciada com o bolsa BNDES da qual Eike Batista é um exemplo (e que exemplo - recebeu R$ 10 bi e quebrou),   considerando os escândalos do mensalão e do petrolão e juntando o caso acima da apresentadora Val Marchiori, fica claro que, quem ganha muito dinheiro com os petistas, além deles mesmos, são as elites “amigas” do reino. O resto que se vire com bolsa família. E ainda acham que governam para os "pobres"! Pobres de espírito talvez...

Não há mal que sempre dure

Percival Puggina
Tribuna da Internet



A partir de 1930, superados os tempos em que as divergências políticas se resolviam com a mão no sabre ou o dedo no gatilho, a política rio-grandense foi crescendo em civilidade. Eram fortes os confrontos entre PSD e PTB, entre Arena e MDB, entre PDS e PMDB, mas a convivência se mantinha em limites razoáveis.

Graças a isso, minha geração nunca presenciou um antipetebismo, um antipedessismo, um antiarenismo ou um antipeemedebismo. Daí uma certa surpresa com o surgimento do antipetismo, força política com inusitada disposição para agir, tanto no campo da produção intelectual quanto na militância de rua. Sobrepondo-se aos partidos, o antipetismo desempenhou papel decisivo na sucessão estadual gaúcha de 2002, definindo as surpreendentes oscilações que se observaram ao longo do processo eleitoral.

Todos os analistas que se debruçaram sobre aquele pleito, dentro e fora do PT, foram unânimes em sublinhar esse fenômeno. Tarso Genro, então derrotado, também atribuiu ao antipetismo o resultado da eleição. O cientista político Giusti Tavares qualificou tal dito como tautológico, equivalendo a dizer que o PT perdeu porque seu adversário ganhou.

NOVA FORÇA POLÍTICA
Nestes dias, estamos assistindo o antipetismo surgir como força política dominante em diversas unidades da Federação. Foi ela que primeiro viu em Marina Silva uma possibilidade de interromper a hegemonia petista no pleito de outubro. Foi ela que, tão logo o petismo fez os estragos de costume na imagem da acreana, mudou-se para o Aécio Neves, produzindo a reviravolta contada pelas urnas do dia 5 deste mês.

É ela que agora, no Rio Grande do Sul, se mobiliza para impedir a reeleição de Tarso Genro. É ela que, nacionalmente, motiva a ação da oposição mais visível ao governo Dilma exercida por intelectuais e jornalistas com acesso a alguns meios de comunicação. E é ela que proporciona uma intensa mobilização oposicionista de massa, cotidiana e diuturna nas redes sociais. O antipetismo encontrou nessa nova mídia, tão caseira quanto universal, uma ferramenta de difusão de informações, de ditos e contraditos, assumindo à conta própria, aquilo que a oposição político-partidária não consegue fazer.

LEMBRANDO QUE…
O antipetismo, escrevi em artigo publicado no Correio do Povo em 27 de março de 2003, é a tempestade colhida pelos semeadores de ventos. Quem observou a conduta dos candidatos presidenciais nos debates da Bandeirantes e do SBT pode apreciar nas falas da presidente Dilma (e nas ensandecidas falas de Lula nos últimos dias) o modo de agir do petismo. Porque deixa de lado a ética, a verdade e o interesse nacional, essa conduta, com o tempo, concede ainda maior vigor aos que a ela e a seu partido se opõem. No coração do petismo se vai produzindo a lesão que, com o tempo, debilitará o partido e o levará à derrota.

Quantas e quantas vezes, nos últimos 12 anos, em artigos, vídeos e palestras, chamei a atenção para a descontinuidade entre o furor acusatório do PT contra o governo FHC e seu total desinteresse, após assumir o poder, em investigar aqueles a quem acusara! Assim é o petismo, sempre transformando mentiras e versões em verdades e fatos. Na oposição, bastam-lhe os danos causados pelas acusações que faz. No governo, bastam-lhe os dividendos do poder. Mas não há mal que sempre dure.

Ataques do PT à História

Míriam Leitão e Marcelo Loureiro  
O Globo

Deveria ser a safra dos debates profundos sobre o país, sobre suas dificuldades reais e a procura de solução para os inúmeros problemas que já existem e os que podem ser previstos. Mas os marqueteiros vestem a realidade com frases de fantasia, confortáveis para os candidatos, e afiam armas. Alguns fatos são deturpados e a história recente é reescrita até ficar irreconhecível.

É óbvio que foi o ex-presidente Fernando Henrique quem venceu a hiperinflação. Foi ele quem levou para o governo Itamar Franco os economistas com a tecnologia e a destreza para montar um plano que atendia a dois pedidos dos cidadãos: ser feito às claras, sem sustos e perdas, e matar o dragão que sobrevivera a cinco planos e devorava as finanças das famílias. Foi FH quem superou os desafios para consolidar o real e começou a reorganizar o estado. Acusar aquele governo de inflação alta é desonestidade.

Na distopia de George Orwell, 1984, os poderosos reescrevem a história. Quem viu a longa luta do Brasil para ter uma moeda estável sabe quem liderou a vitória sobre a inflação e lembra dos benefícios dessa conquista para as pessoas.

As ideias do PT sobre o combate à inflação eram toscas e perigosas. Seus economistas defenderam teses que nunca deram nem dariam certo; ou, o que é pior, um plebiscito sobre pagar ou não a dívida interna. Não pagá-la seria tomar o dinheiro de quem investiu em títulos públicos, como fez o ex-presidente Collor. O plebiscito e uma auditoria nas aplicações dos brasileiros foram defendidos pelo PT dois anos antes de assumir o poder. Se aplicasse o programa em 2003 teria destruído o real. Cotejar números descarnados dos fatos é um desrespeito à memória do país.

O PT não faria a estabilização e hoje a ameaça. Não são “choques de preços” que explicam a inflação estar acima do teto da meta. Inesperados sempre ocorrem e é por isso que existe a margem de flutuação. O governo atual aceitou uma inflação mais alta. A taxa passou o mandato inteiro arranhando ou furando o teto, porque perdeu o espaço para acomodar os choques. O PT deve a Antonio Palocci e à ajuda de Arminio Fraga ter vencido as naturais desconfianças sobre a capacidade do partido de conduzir a economia. Arminio socorreu o país em dois momentos-chave: ao assumir o Banco Central no meio da crise cambial, em 1999, e na transição política, em 2002. Ninguém é obrigado a gostar dele, mas esses são os fatos.

Da mesma forma que o PSDB tem o mérito de ter atendido a demanda do país por uma moeda estável; o PT tem o mérito de ter atendido a demanda do país por redução da pobreza e da miséria, e por ter ampliado os programas de renda mínima. Quem começou a defendê-los como política pública foi o senador Eduardo Suplicy. Repórteres iam ouvi-lo sobre qualquer assunto, e tinham uma aula sobre as políticas de transferência de renda.

Estudos foram feitos por especialistas em combate à pobreza. A política foi testada em municípios dirigidos por partidos diferentes: Campinas, PSDB; Brasília, PT; Belo Horizonte, PSB. Quando chegou ao governo federal, o valor da bolsa era pequeno. Mas aquela experiência trouxe dois avanços: iniciou a montagem de um cadastro dos beneficiários e vinculou o benefício à presença na escola. Outra preocupação do governo FH é que a bolsa não fosse vista como uma concessão partidária, mas um direito do cidadão.

A ideia inicial do PT, o Fome Zero, seria um retrocesso: era entregar selos para serem trocados por comidas, como os “food stamps", política testada nos Estados Unidos na Depressão e que virou programa social a partir dos anos 1960. O Fome Zero não saiu do papel, o governo corrigiu a rota e criou o Bolsa Família. A presidente Dilma colocou os focos nos mais pobres e o governo dedicou-se à busca ativa, que é procurar os que mais precisam. Prisioneiros das armadilhas do Brasil profundo, eles não tinham sequer noção dos seus direitos. A estabilização e a redução da pobreza são conquistas do país que nenhum governo deve ameaçar.

O combate à corrupção é uma demanda do Brasil e a presidente Dilma a enfraquece quando bate no peito e diz “a minha Polícia Federal”. Lembra muito a frase: “o Estado sou eu”.  

A hora da onça beber água

Arnaldo Jabor
O Estado de São Paulo

Dilma Rousseff: seu duro passado de militância e luta lhe deixou um viés de rancor e vingança, justificáveis. Ela foi uma típica "tarefeira" da VAR-Palmares e hoje, como tarefeira do PT, ela quer realizar o sonho de sua juventude. Por isso, quer estatizar o que puder na economia, restos de sua formação... (eu ia dizer "leninista", mas é "brizolista").

Seus olhos fuzilam certezas sobre como converter (ou subverter) a pátria amada. Petistas e brizolistas acham que democracia é "papo para enrolar as massas", como já declarou um professor emérito da USP; ela idealiza o antigo "proletariado" e despreza a classe média "fascista", como acha outra emérita professora.

Ela desconfia dos capitalistas e empresários, ela quer se manter no poder e virar o PT num PRI mexicano; ela finge ignorar a queda do muro de Berlim, o fim da guerra fria, ela ama o Lula, seu operário mágico que encarnou o populismo "revolucionário".

Conheci muitas "dilmas" na minha juventude. As "dilmas" eram voluntariosas, com uma coragem irresponsável diante da muralha da ditadura. Professavam uma liberdade mais grave do que os hippies da época; era uma liberdade dolorosa, perigosa, sacrificial, suicida, sem prazer, liberdade e luta. Até respeitável.

Mas, para as "dilmas" e "dirceus" do passado, a democracia era uma instituição "burguesa". Ela se considerava e se acha ainda "membro" (ou "membra"?) de uma minoria que está "por dentro" da verdade, da chamada "linha justa" que planejava um outro tipo de "liberdade" (Lenin: "É verdade que a liberdade é preciosa; tão preciosa que precisa ser racionada cuidadosamente" ).

Ela se julgava e se julga superior - como outros e outras que conheci (inclusive eu mesmo - oh, delícia de ser melhor que todos; oh, que dor eu senti ao perder essa certeza...). Nós éramos os fiéis de uma "fé cientifica", uma espécie de religião da razão que salvaria o mundo pelo puro desejo político - éramos o "sal da terra", os "sujeitos da história". Toda a luta progressista de hoje se trava entre a esquerda que amadureceu e ficou socialdemocrata e a esquerda que continua na ilusão de 63. A velha esquerda brasileira existe como nostalgia de uma esquerda que desapareceu.

Dilma foi executiva da comissão de frente que organizou a aliança de Lula com a liderança sindicalista pelega e com a direita mais vergonhosa do País, liderada por Sarney et caterva. Como era "trabalhadeira", Lula se impressionava com ela (ele que odeia o batente) e transformou-a em um "poste" que se revelou persistente no erro, com a típica burrice dos teimosos.

E aí ela começou a governar com um medidas e táticas pretensamente "socialistas" em um país capitalista. Dá em bolivarianismo, esse terror contra o povo da Venezuela.

A "claque" sindicalista que subiu ao poder nunca desistiu de seus planos; suas mentes são programadas para repetir as mesmas táticas. A esquerda velha continua fixada na ideia de "unidade", de "centro", de Estado-pai, ignorando a intrincada sociedade com bilhões de desejos e contradições.

Muitos riquinhos e mauricinhos hoje dizem que votam na Dilma porque ela seria "contra a pobreza". Não sabem de nada, tinham 10 anos quando FHC fez o Plano Real contra a vontade do PT e seus aliados. Hoje, esses mauricinhos se dão ao luxo de se sentirem de "esquerda", antes de irem para a balada.

São absolutamente ignorantes sobre política e acham o PT um partido de "esquerda", quando é claramente de "direita" ("É a economia, estúpidos!" - James Carville, assessor do Clinton contra Bush).

O povão do Bolsa Família não pode entender isso, mas esses babacas que estudaram deviam ser menos primitivos. Os petistas dão graças a Deus que muitos de seus eleitores não sabem ler. Por exemplo, eles não têm ideia do que seja o escândalo da Petrobrás e do aparelhamento do Estado cleptomaníaco que foi montado. Não entenderam nem o mensalão, pois, como disse o Lula, "povo pensa que dossiê é doce de batata". Votarão no escuro de suas vidas. Como se explica isso?

Resposta: o País tem um movimento "regressista" vocacional. O verdadeiro Brasil é boçal, salvacionista, para gáudio dos seus exploradores. E o PT aproveita.

A crescente complexidade da situação mundial na economia e na política os faz desejar um simplismo voluntarista que rima bem com o fundamentalismo islâmico ou com a boçalidade totalitária dos fascistas: "complexidade é frescura, o negócio é radicalizar e unificar, controlar, furar a barreira do complexo com o milagre simplista" (Lenin: "Qualquer cozinheiro devia ser capaz de governar um país").

O Plano Real e uma série de medidas de modernização que abriram caminho para a economia mundial favorecer-nos são tratados como se fossem uma política do governo atual, que só fez aumentar despesas públicas e inventar delírios desenvolvimentistas virtuais. Não houve um lampejo de reconhecimento pelo país que FHC deixou pronto para decolar e que foi desfeito (Stalin: "A gratidão é um sentimento de cachorros...").

Nesta eleição, não se trata apenas de substituir um nome por outro. Não. O grave é que tramam uma mudança radical na estrutura do governo, uma mutação dentro do Estado democrático. Querem fazer um capitalismo de Estado, melhor dizendo, um "patrimonialismo de Estado". Para isso, topam tudo: calúnias, números mentirosos, alianças com a direita mais maléfica.

Não esqueçamos que o PT não assinou a Constituição de 88, combateu a Lei de Responsabilidade Fiscal, foi contra o Plano Real para depois roubá-lo como se fosse obra do Lula. Alardeiam coisas novas que "vão" fazer, se eleitos de novo mas, pergunta-se: por que não fizeram nada durante doze anos?

É isso aí, bichos... Se Dilma for eleita, teremos o início de um bolivarianismo "cordial".

Heróis do mensalão tentam sobreviver ao petrolão

Guilherme Fiuza
Revista ÉPOCA

Luiz Inácio da Silva está de saco cheio - nas palavras dele, naturalmente. Caprichando no timbre pré-histórico que o Brasil consagrou, Lula atacou mais uma vez o denuncismo da imprensa burguesa, que fica publicando coisas desagradáveis sobre a Petrobras. O ex-presidente em exercício disse que não aguenta mais a mesma coisa em toda eleição. De fato, se não fosse essa mídia golpista a serviço da elite branca, os companheiros poderiam continuar a roubar a maior empresa brasileira de forma silenciosa e discreta, sem esse falatório todo que só atrapalha os bons negócios privados feitos dentro da estatal (abaixo da camada pré-sal).

O mais estranho de tudo é que, pelo cenário da corrida presidencial, parece que o eleitorado começou a acreditar nas manchetes da imprensa golpista - um absurdo, pois Lula já cansou de avisar aos brasileiros para não acreditar no que sai na mídia.

Eles nunca acreditaram, como se viu na reeleição dele em pleno mensalão e na eleição da sucessora, em pleno escândalo Erenice Guerra. Para corrigir essa perigosa distorção, segue um retrato do segundo turno da eleição mais surpreendente da história em manchetes elaboradas especialmente para não transbordar o saco de Luiz Inácio:

O presidente dos Correios que distribui panfletos de Dilma é ligado ao tesoureiro do PT que está no petrolão. Vote 13 pela coerência.

Dilma calou os críticos. Mesmo com os preços de energia amordaçados, ela acaba de estourar o teto da meta de inflação. Pensam que é fácil?

O despachante de José Dirceu na Papuda, e governador do DF nas horas vagas, não foi nem ao segundo turno. Infelizmente, há unhas que nem Delúbio desencrava.

Fantasmas do passado assombram a elite vermelha (aterrorizada com a ideia de ter de trabalhar a partir de 2015).

A Bolsa subiu, o dólar caiu, as ações da Petrobras dispararam. Volta, Dilma!

Com a boa votação de Luciana Genro, o Brasil enfim discutirá a sério a reforma agrária, o imperialismo ianque e, quem sabe, até as Diretas Já.

Marcelo Freixo, o revolucionário do bem, já declarou seu voto para Dilma. O recado das ruas em junho de 2013, portanto, foi o seguinte: deixa pra lá.

Lá vem a direita gritar que mais um petista (ligado ao governador eleito de MG, Fernando Pimentel) foi pego com uma montanha de dinheiro. Pura inveja da elite vermelha. Eduardo Jorge apoia Aécio e pira o GPS dos bonzinhos. Fica a dica: a esquerda éado relógio, e a direita a da caneta.

Falando em pureza, Luciana Genro liberou seus fiéis para votar em Dilma. Pela margem de erro, os puros poderão escolher de Collor a Sarney.

Mantega diz que Armínio cortará programas sociais. É verdade. O Bolsa Ministro Ocioso, por exemplo, desaparecerá.

Delatores revelam: Vaccari, tesoureiro do PT, regia o petrolão. Delúbio está morrendo de ciúmes.

Armínio ao PT: "Comparações com FH precisam ser mais honestas". Pedir honestidade ao PT? É um fanfarrão, esse Armínio.

O Brasil aguarda ansiosamente o manifesto dos intelectuais de esquerda em defesa da Petrobras e dos heróis que fizeram dela um anexo do PT.

Dilma diz que o petrolão só apareceu porque ela investigou. As cabeças cortadas também só apareceram porque o Estado Islâmico filmou.

Dilma disse que acha "muito estranha" a história contada pelos delatores da Petrobras. Bota estranha nisso, presidenta.

Dilma denuncia: divulgação dos podres da Petrobras é golpe. Cadê o manifesto dos intelectuais petroprogressistas contra o novo golpe da elite branca?

E os sonháticos... Cada vez mais erráticos. Nenhuma surpresa. A coletiva de Marina pós-eleição parecia um almoço de domingo. Haja poesia.

Um lembrete: nenhum jornalista, cientista político ou tucano genérico apostou em Aécio. Diziam que ele não batia no PT e estava no tom errado.

Aécio esterilizará as nordestinas (essa manchete é para poupar trabalho à central de inteligência dos companheiros).

Dilma reclamou das delações na Petrobras em época de eleição. É mesmo um absurdo. Mas roubar a empresa está liberado em qualquer época.

Se você também não suporta mais ver o filho do Brasil de saco cheio em véspera de eleição, siga @GFiu-za_Oficial: a política brasileira em manchetes que não ardem nos olhos e não irritam a alma sensível dos companheiros (só um pouco).

A falácia de um argumento eleitoreiro

O Globo
Editorial

Não se sustenta a ideia da candidata Dilma de que meta baixa de inflação pode levar a taxa alta de desemprego. Basta observar o que acontece no próprio continente

Em uma campanha eleitoral pobre em debates sobre projetos e infelizmente rica em ataques típicos da baixa política, têm havido poucos momentos nos embates em que se pode configurar não apenas divergências de fundo entre candidatos, mas também definir a essência do que pensam.

Uma dessas raras oportunidades ocorreu quando a candidata-presidente Dilma Rousseff, ao responder a uma questão econômica levantada pelo tucano Aécio Neves, estabeleceu uma relação mecânica, simplista, entre combate a uma inflação alta, como a brasileira, e desemprego.

No entender da candidata, se um governo estabelecer 3% como meta da inflação — número citado em entrevista por Arminio Fraga, ministro da Fazenda caso o vencedor domingo seja Aécio —, menos que os 4,5% em vigor, o desemprego irá a 15%, aproximadamente três vezes mais que o atual, na faixa dos 5%, o mais baixo desde o início do cálculo da taxa.

O objetivo da aspirante à reeleição, sob a legenda do PT, é justificar a leniência que deixou a inflação subir ao patamar de 6% e chegar aos 6,7%, acima do limite de tolerância dos 6,5%, e alertar que nada pode ser feito contra, sob o risco de gerar desemprego.

Eleições costumam patrocinar falácias. Esta é uma. Ora, nada na teoria econômica sustenta que mais inflação permite maior crescimento e, por decorrência, mais empregos, gerados de forma sustentada — um dos dogmas professados pelos “desenvolvimentistas”, “escola” da qual a economista Dilma faz parte.

Nem mesmo o Brasil serve de exemplo. O baixo desemprego no país tem curta sobrevida, diante da virtual estagnação da economia. Há muitos metalúrgicos em “lay-off” na indústria automobilística — ficam encostados um período, com parte dos salários paga pelo Estado —, devido ao desaquecimento interno e à crise argentina, enquanto a geração de empregos formais, em setembro, foi a menor desde 2001. O emprego desce a ladeira. E pior: a inflação se mantém elevada, com o país rumo à estagflação, o pior dos mundos. Quer dizer, manter a inflação nas nuvens em nada ajuda ao crescimento. Ao contrário, pois corrói o poder de compra do consumidor, portanto afeta a produção, adia investimentos, forma uma bola de neve.

No próprio continente, as autoridades de Brasília podem encontrar casos de economias com taxas de crescimento elevadas, em comparação com o atual padrão brasileiro, e inflação bem mais baixa.

Chile, Colômbia, Peru e México, não por acaso países mais abertos ao exterior, reunidos na Aliança do Pacífico, estão neste caso: o Chile, com inflação de 5%, em setembro, deve crescer 4% este ano; México, com pouco mais de 4%, expansão algo abaixo de 3%; Colômbia, inflação de 2,8%, crescimento de 4,7%; Peru, 2,7%, expansão de 4%.

Comparados à virtual estagnação brasileira e à inflação de 6,7%, são ilhas de prosperidade, e o desmentido real de argumentos eleitoreiros.

Dinheiro da Abreu e Lima chegava para doleiro em um dia, aponta laudo

Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt
O Estado de São Paulo

Peritos do Ministério Público Federal identificaram o fluxo relâmpago do dinheiro que saía da estatal até o caixa das empresas de Youssef

Laudo pericial do Ministério Público Federal revela que, por mais de uma vez, valores repassados pela Petrobrás para o Consórcio CNCC – controlado pela construtora Camargo Corrêa – nas obras da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, em apenas 24 horas iam parar nas contas das empresas do doleiro Alberto Youssef.

Preso na Operação Lava Jato, Youssef é acusado de pagar propinas a políticos e a partidos. Ele está fazendo delação premiada. Já apontou pelo menos 28 parlamentares como supostos beneficiários de propinas.

O laudo não imputa ilícitos às partes envolvidas na transação. Para a Justiça, a Petrobrás é vítima da organização criminosa da Lava Jato.

O documento indica o trajeto das transferências bancárias que iam aportar nas empresas de fachada do doleiro. A perícia foi anexada aos autos do processo federal sobre desvios e superfaturamento na refinaria.

Em um dos repasses analisados, a Petrobrás adiantou R$ 6,62 milhões para o Consórcio CNCC em 17 de janeiro de 2011. No mesmo dia, o Consórcio transferiu por meio de TED (Transferência Eletrônica Disponível) para a Sanko Sider, fornecedora de tubos para a obra, R$ 5,91 milhões. No dia seguinte, a Sanko repassou para a MO Consultoria, empresa de fachada de Youssef, R$ 1,7 milhão.

Ainda no dia 18, a MO Consultoria repassou R$ 238,5 mil para a conta da Labogen Química Fina, por meio duas TEDs. A indústria também era controlada, segundo a PF, pelo doleiro. No mesmo dia, a Labogen envia também por meio de TED R$ 238,5 mil para a Pionner Corretora de Câmbio. O laudo aponta ainda que operações semelhantes ocorreram diversas vezes, várias delas no prazo de um dia.

Os peritos identificaram 17 conjuntos de operações que “evidenciam que as empresas Sanko recebem recursos do Consórcio CNCC e da Construtora e Comércio Camargo Corrêa nas obras da Abreu e Lima e realizaram transferências para as investigadas (empresas de fachada de Youssef) em datas idênticas, ou próximas”.

CONFIRA A PLANILHA ABAIXO QUE RELACIONA OS PAGAMENTOS DA PETROBRÁS COM OS REPASSES PARA AS EMPRESAS DE YOUSSEF



A análise dos peritos do MPF foi realizada com base em duas planilhas da Petrobrás que indicam 13 mil pagamentos da estatal petrolífera para o Consórcio CNCC, a partir de abril de 2010 – quando teve início a implantação da Unidades de Coqueamento Retardado da Abreu e Lima – , e outros 32 pagamentos diretamente à Construtora Camargo Corrêa, desde 2009.

Esses pagamentos da Petrobrás para a CNCC são exclusivamente relacionados à Abreu e Lima e totalizam R$ 3,11 bilhões e R$ 54,2 milhões para a Construtora Camargo Corrêa, no período de 2009 a 2013.

O laudo é subscrito pelos analistas Jonatas Sallaberry e e Júlio Austríaco, peritos em contabilidade, e informa ainda que as empresas Sanko receberam R$ 195,5 milhões do Consórcio CNCC, entre 26 de outubro de 2010 e 26 de dezembro de 2013, além de outros R$ 3,6 milhões da Construtora Camargo Correa – integrante do Consórcio –, a partir de 26 de junho de 2009.

CONFIRA O PERCURSO DOS RECURSOS QUE SAIAM DA PETROBRÁS



Beneficiário. O documento mostra os caminhos de parte do dinheiro que a Petrobrás repassou para o Consórcio CNCC e indica sequencialmente a quantia que o Grupo Sanko distribuiu para o caixa das empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef: M.O. Consultoria, GFD Investimentos, Empreiteira Rigidez e Muranno Brasil. De 2009 a 2013, essas empresas de Youssef receberam do Grupo Sanko aportes que somaram R$ 38,5 milhões – valores líquidos, descontados cheques devolvidos e operações de natureza inversa.

Entre os maiores beneficiários dos recursos que saíram do caixa da Petrobrás está o laboratório Labogen, que Youssef usou para se infiltrar no Ministério da Saúde, durante a gestão do ministro Alexandre Padilha, em 2013, em busca de contrato milionário supostamente viabilizado pelo deputado André Vargas, então no PT.

Também aparece como captador desses valores outra empresa controlada pelo doleiro, a Piroquímica. Juntas, essas empresas de papel receberam R$ 37,6 milhões. O rastreamento do dinheiro mostra que os valores que passaram pelas contas da Labogen e da Piroquímica foram destinados, em sua maior parte, para casas de câmbio ou de empresas de exportação e importação e “outras remessas com destino não identificado pelas instituições financeiras”.

Anteriormente, quando questionado sobre os repasses às empresas de Youssef, o Grupo Sanko-Sider enfatizou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que “busca demonstrar de forma transparente sua idoneidade construída com trabalho e dedicação ao longo de 18 anos, reconhecidos pelo mercado”.

O Grupo Sanko observou, ainda, que as investigações “vêm confirmando as informações prestadas pelo Grupo Sanko são absolutamente corretas e as operações seguem as normas legais vigentes.”

O Grupo Sanko anotou que as empresas foram indicadas por Youssef. “A MO foi contratada para a execução de trabalhos técnicos e a GFD, para representação comercial. Repetimos: a Sanko-Sider não tem equipe própria de vendas, e todo o trabalho do setor é terceirizado.”

LEIA A ÍNTEGRA DO LAUDO PERICIAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

Dilma 2, a crise

Demétrio Magnoli
O Globo 

Em caso de vitória domingo, a presidente teria o cetro e o trono, mas careceria da legitimidade tipicamente democrática, que decorre da persuasão

Se, neste domingo, Dilma Rousseff obtiver a reeleição, estará instalado um governo de crise. A candidata terá sido eleita por metade do país, contra a vontade do eleitorado urbano do Centro-Sul e derrotando as aspirações de mudança que detonaram as manifestações de junho de 2013. Num cenário de acelerada deterioração econômica, o governo será compelido a restringir o crédito e o consumo, desonrando a nota promissória assinada pela candidata durante a campanha eleitoral. Refém da máquina do lulopetismo, a presidente que fracassou em seu primeiro mandato precisará inclinar-se a uma série de exigências políticas do PT. Então, lembraremos com saudade dos anos medíocres de Dilma 1.

Em eleições democráticas, o vencedor fica com as batatas. Na hipótese de triunfo de Dilma, mesmo que por um mísero voto de diferença, ela terá a legitimidade jurídica para governar — e Aécio deverá cumprimentá-la como presidente de todos os brasileiros. A legitimidade política, contudo, é algo diferente. Uma vitória do lulopetismo no domingo não significaria a reprodução dos triunfos anteriores de Lula e da própria Dilma, mas a reiteração anômala de um governo cujo tempo passou. Uma prova elucidativa disso está na campanha da presidente, que repete lendas sobre um passado já distante (o governo de FH) sem nunca articular um rumo de futuro.

A caravela do lulopetismo chegou ao porto do poder insuflada pelos ventos fortes de uma utopia possível: mais igualdade e justiça social. Aquela promessa de mudança rendeu alguns frutos, mas estiolou-se aos poucos, degradando-se num projeto político-partidário vazio. Dilma nada tem, hoje, a dizer aos cidadãos. A narrativa central de sua campanha é que todos os adversários (Eduardo Campos, Marina Silva, Aécio Neves) encarnam o mal absoluto. Só o PT e seus patrióticos aliados, entre os quais despontam as mais nefastas figuras da República, têm o direito de conduzir o país — eis a mensagem absurda veiculada pela campanha oficial. Dilma 2 seria o resultado do triunfo do medo, isto é, de uma inércia sustentada pela força esmagadora do aparelho de Estado. A presidente teria o cetro e o trono, mas careceria da legitimidade tipicamente democrática, que decorre da persuasão.

O lulopetismo beneficiou-se de um ciclo econômico internacional especialmente favorável, tanto sob o ponto de vista dos fluxos de capitais quanto sob o dos termos de intercâmbio. Nunca antes, sob a vigência da democracia, um mesmo bloco político experimentara doze anos ininterruptos de poder. Fenômenos similares de estabilização política, largamente influenciados pelo ciclo econômico global, verificaram-se na Rússia, na Turquia, na Venezuela e na Argentina. Contudo, desde 2010, ruíram os fundamentos externos do crescimento econômico moldado pela expansão do crédito e do consumo. A reversão do ciclo colhe o Brasil despreparado para enfrentar os desafios da conjuntura mundial. Num hipotético segundo mandato, Dilma seria obrigada a velejar contra o vento sem conhecer os segredos da triangulação.

Confrontado com a reversão do ciclo, o chavismo engajou-se na aventura de desafiar os manuais da economia de mercado, conduzindo a Venezuela aos abismos da inflação, do desabastecimento e de uma severa recessão. O lulopetismo, porém, não é uma variedade amenizada de chavismo. Ignorando o clamor dos chamados “desenvolvimentistas” do PT, Lula rejeita os desvios aventureiros extremos, preferindo oscilar em torno do eixo da ortodoxia. Os rumores sobre um possível retorno de Antonio Palocci ao leme da economia podem até se revelar falsos, mas indicam que Dilma 2 não nos atiraria no redemoinho da “venezuelanização”. Entretanto, também não avançaria na rota das reformas indispensáveis para inaugurar um novo ciclo de crescimento, que foram demonizadas impiedosamente durante a campanha eleitoral.

O vetor resultante é um governo de crise crônica. Num cenário de estagnação da economia e perda do dinamismo do mercado de trabalho, combatendo surtos inflacionários, ameaçado por desequilíbrios nas contas públicas e externas, o segundo mandato seria assombrado pelos amplos desdobramentos políticos do escândalo de corrupção na Petrobras. Então, uma presidente que perdeu o respeito da opinião pública se converteria em refém das múltiplas, contraditórias exigências de uma coalizão de poder cada vez mais esgarçada.

Dilma nunca teve peso específico no PT. Se reeleita, não terá nem mesmo a perspectiva de um novo mandato, que funciona como reserva estratégica de poder. A presidente fraca teria que se inclinar às correntes do lulopetismo descontentes com o jogo de contrapesos típico das democracias. O Congresso indócil, pronto a exercitar a arte da chantagem, o STF fortalecido pelo desenlace do julgamento do “mensalão” e a imprensa independente, que insiste em divulgar notícias desagradáveis, se converteriam em alvos do fogo do Executivo. Se chegar a existir, Dilma 2 será o governo dos “conselhos participativos” constituídos por movimentos sociais palacianos, de seletivas escolhas de juízes destinadas a desfigurar a corte suprema, da mobilização de ferramentas financeiras e políticas de atemorização da imprensa. No compasso da crise, conheceremos de fato a alma autoritária do PT.

A linguagem de uma disputa eleitoral não é mero fogo fátuo, que se dissipa na hora da proclamação do vencedor, mas um poderoso indicador do estado do sistema político. A campanha de Dilma pintou seus adversários como “inimigos do povo”, não como lideranças oposicionistas legítimas, e empregou largamente os recursos da difamação e da injúria pessoais. Num hipotético segundo mandato, seu governo não promoverá a ruptura econômica sonhada pelos insensatos, mas operará na esfera política segundo os critérios definidos nesses três meses de fúria. É só isso que, 12 anos depois, tem a oferecer o lulopetismo.

Aconteceu há 12 anos...

Suely Caldas
O Estado de São Paulo

O ex-presidente Lula negou ter convidado o economista Armínio Fraga para permanecer na presidência do Banco Central (BC) por mais algum tempo, quando se elegeu em 2002. A reconstituição dos fatos da época ajuda a entender por que Lula cogitou mas não oficializou o convite - erroneamente revelado pelo candidato Aécio Neves no debate da TV Band. Na verdade, a ideia de prolongar o mandato de Armínio no BC partiu de Antonio Palocci - principal coordenador da campanha de Lula e, depois, seu ministro da Fazenda - e ganhou força e adesões na cúpula do PT. Nas duas funções, Palocci teria de enfrentar a dificílima tarefa de acalmar empresários, investidores e o turbulento mercado financeiro, que ameaçavam jogar o Plano Real despenhadeiro abaixo e transformar a economia do País, sob Lula, num verdadeiro inferno.

A continuidade de Armínio no BC funcionaria como uma espécie de seguro, uma garantia para o mercado de que Lula não levaria adiante as maluquices que o PT pregou antes e durante os oito anos de governo FHC. Conversas com Armínio na civilizada transição de FHC para Lula (se Aécio vencer, Dilma Rousseff fará o mesmo?) convenceram Palocci da ideia, mas ela ganhou um opositor tão poderoso quanto ele: o ex-ministro José Dirceu, hoje prisioneiro em Brasília. Os dois alimentavam antiga rivalidade, acirrada na campanha, intensificada no governo e volta e meia intermediada por Lula. Este quase sempre dava razão a Palocci, mas desta vez acatou os argumentos de Dirceu: seria capitular diante do adversário e rival PSDB reconhecer a incompetência do PT de conduzir a economia e aderir sem disfarces ao que chamavam de neoliberalismo, tão criticado na campanha.

Aos fatos. Final de 2002. Ao longo do ano, o Plano Real viveu sua pior e mais grave crise: a Bovespa não parava de despencar, o dólar chegou a R$ 3,95 e o risco Brasil, a 2.500 pontos (comparando, no auge da crise de 2008 a taxa não passou de 250 pontos). As crises importadas do México, da Ásia, da Rússia, do ataque às Torres Gêmeas e da moratória argentina foram um leve sopro diante do vendaval destruidor do que ficou conhecido como "efeito Lula". De fora e dentro do País o ataque ao Real ficava mais forte a cada pesquisa eleitoral, a cada certeza da vitória do petista. As previsões para o ano eram terroristas: a inflação não ficaria abaixo de 50% (terminou o ano em 12,5%), tão cedo o Brasil não voltaria a tomar empréstimos no exterior e recessão e desemprego eram inevitáveis.

O candidato Lula percebeu o inferno que viveria seu governo e divulgou, em junho, a Carta ao Povo Brasileiro, em que assumia compromissos de respeitar contratos, combater a inflação e gerar superávits primários. Mas não convenceu o mercado, que só intensificava o ataque e tirava proveito do caos para especular e realizar lucros com a gangorra dos indicadores econômicos. Era uma situação que não interessava a FHC, que cumpria seu último ano de mandato e era obrigado a administrar uma crise que não criou, muito menos a Lula, que precisava do mínimo de estabilidade econômica para começar a governar.

Foi diante desse quadro que Palocci marcou um encontro entre Lula e Armínio Fraga, numa sala reservada do Aeroporto de Brasília. "Estou te entregando um país na UTI", avisou Armínio a Lula, descrevendo o quadro econômico e o que deveria ser feito para o doente melhorar e ganhar condições de, pelo menos, trocar a UTI pelo quarto. Lula e Palocci ouviram assustados e atentos. E Lula se convenceu a buscar um nome do mercado para o BC. Encontrou o tucano Henrique Meirelles.

Meses depois, já presidente, Lula relatou a sua versão da conversa com Armínio a um grupo de deputados. E gabou-se no costumeiro estilo fanfarrão: "Eles colocaram e eu tirei o País da UTI". Irritado com o relato parcial de Lula, o ex-presidente do BC respondeu em entrevista ao Estadão: "O País estava na UTI porque havia medo em relação ao futuro, e o futuro não estava em nossas mãos".

Já ministro, por vezes Palocci consultou Armínio para problemas que encontrava e ele nunca se negou a ajudar.

'FT' cita Marina, Aécio e destaca 'táticas de difamação' do PT

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

Jornal cita a afirmação do ex-presidente Lula, que comparou o tucano a nazista

(Joel Silva/Folhapress) 
O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) e a candidata derrotada
 no primeiro turno Marina Silva (PSB), concedem entrevista em São Paulo 

O jornal britânico Financial Times publica reportagem nesta quinta-feira com crítica ao debate político na reta final das eleições presidenciais no Brasil. Ao citar os ataques contra Marina Silva (PSB), o jornal destaca a acusação de que o PT usou "táticas de difamação" contra opositores.

O FT diz que a ex-ministra do Meio Ambiente acusa a campanha de Dilma Rousseff (PT) de "espalhar mentiras". Entre as acusações que teriam sido feitas contra Marina no 1º turno das eleições, estão a de que a candidata era homofóbica. "Marina Silva acusa o PT de Dilma Rousseff de usar servidores públicos para espalhar mentiras pelas redes sociais e contatos comunitários, como o alerta de que a candidata que é evangélica iria proibir videogames", diz o texto.

Em afirmação citada pelo jornal britânico, Marina diz que "uma coisa terrível que eles (PT) disseram era que eu sou homofóbica e que uma pessoa gay tentou se aproximar de mim e meus seguranças bateram com tanta força que ele morreu". "Você não tem ideia do que essas pessoas fizeram", completou a ex-ministra.

No segundo turno, a bateria volta-se contra o candidato Aécio Neves (PSDB) e o FT cita a afirmação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comparou o tucano a um nazista. "O tom negativo da campanha tem frustrado muitos membros da crescente classe média baixa do Brasil que estão desesperados para que os políticos debatam as questões críticas para o bem-estar, como a melhora da saúde pública, transporte e segurança", diz o jornal.

A reportagem trata, também, de respostas de apoiadores do tucano que comparam "a abordagem de Dilma Rousseff na economia com a de Cristina Kirchner na Argentina, cujos métodos intervencionistas a fizeram impopular com os mercados financeiros", diz o texto.

Indústria demite 59 mil trabalhadores em setembro

Daniela Amorim  
O Estado de S. Paulo

Na comparação com o mesmo mês de 2013, o setor eliminou 238 mil vagas, segundo o IBGE

A indústria dispensou 59 mil trabalhadores na passagem de agosto para setembro, uma queda de 1,7% no número de ocupados no setor, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com setembro de 2013, foram eliminadas 238 mil vagas, o equivalente a um recuo de 6,4% no número de empregados.

A construção também enxugou o número de ocupados em setembro ante agosto, uma queda de 3,5%, o equivalente a 63 mil empregados a menos. Em relação a setembro de 2013, o recuo foi de 4,4%, com a eliminação de 81 mil vagas.

O comércio demitiu cinco mil trabalhadores em setembro ante agosto, ligeira redução de 0,1% no total de ocupados. No entanto, contratou 22 mil pessoas na comparação com setembro do ano passado, alta de 0,5%.

Os serviços prestados a empresas tiveram aumento de 0,2% no contingente de trabalhadores de agosto para setembro, com a criação de nove mil vagas. Em relação a setembro de 2013, a alta foi de 1,9%, com 73 mil empregados a mais.

Na educação, saúde e administração pública, o número de ocupados aumentou 0,6% ante agosto, devido à entrada de 23 mil ocupados no setor. Na comparação com setembro do ano passado, o número de ocupados foi considerado estável, devido à abertura de apenas mil vagas.

Nos serviços domésticos, o contingente de ocupados aumentou 3,4% em setembro ante agosto, 46 mil trabalhadores a mais. Ante setembro de 2013, ainda houve queda de 0,3%, devido à saída de cinco mil empregados do setor.

Na atividade de outros serviços, aumentou em 0,4% o número de trabalhadores em setembro ante agosto, 19 mil pessoas a mais. Em relação a setembro do ano passado, o aumento alcançou 3,3%, com 140 mil novos postos de trabalho no segmento.

Desemprego menor em setembro não reflete a realidade, avaliam analistas

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

Diminuição na taxa de desemprego nas regiões avaliadas pelo IBGE é apenas reflexo de efeitos estatísticos; demissões recentes vão entrar nas contas em breve

(Reinaldo Canato/VEJA) 
Queda do desemprego não passa de um efeito estatístico 

A queda na taxa de desemprego, de 5% para 4,9%, entre agosto e setembro, não significa que o mercado de trabalho brasileiro esteja saudável. Segundo o sócio da Canepa Asset Management, Alexandre Póvoa, a variação não passa de um efeito estatístico, influenciado pelo aumento da inatividade.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta manhã de quinta-feira, o número de inativos subiu 3,7% em relação a setembro de 2013. Cerca de 690 mil pessoas entraram na inatividade neste período. No total, 19,2 milhões de brasileiros, nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, compõem a população não economicamente ativa. São inativas as pessoas que não têm trabalho e não tomaram nenhuma providência para encontrá-lo porque não têm interesse em trabalhar. Entram ainda na conta aposentados que deixaram de trabalhar e pessoas incapacitadas.

"A taxa de desemprego está em um ponto de inflexão e deve começar a piorar gradativamente, o que será mais visível em 2016", comenta Póvoa, da Canepa. Ele aponta que a indústria demitiu 59 mil pessoas em setembro, mostrando uma fragilidade muito grande. O setor de serviços, o grande empregador do país, também começa a fraquejar. Os serviços prestados a empresas, por exemplo, tiveram aumento de apenas 0,2% no contingente de trabalhadores de agosto para setembro. A expectativa do economista é que logo aparecerão o efeito do desemprego nos serviços.

A estabilidade da massa de renda real habitual dos ocupados (48,4 bilhões de reais) em setembro ante agosto mostra ainda que muitas empresas estão já chegando no limite da manutenção de sua base de funcionários. Vladimir Caramaschi, estrategista-chefe do Crédit Agricole Brasil, explica que, com as demissões vistas em alguns setores e a massa real estável, o número de vagas diminuiu e a população economicamente ativa também diminuiu.

Os dados dessazonalizados (sem interferências temporárias) do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) já apontam para uma forte queda na criação de empregos. Em setembro, o Brasil abriu 123.785 vagas formais de trabalho - o pior resultado para o mês desde 2001. O resultado corresponde à diferença entre 1.770.429 admissões e 1.646.644 desligamentos. 

"Uma hora isso deve se refletir nos números do IBGE", segundo Póvoa, da Canepa. "Em algum momento o denominador (número de pessoas procurando emprego) vai se estabilizar e o desemprego vai subir". A população economicamente ativa, formada por quem está empregado ou à procura de uma colocação no mercado (24,3 milhões de pessoas), recuou 1% em setembro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2013.

Assim, os economistas acreditam que a ligeira desaceleração da taxa de desemprego em setembro nas seis regiões metropolitanas do país é reflexo apenas de efeitos estatísticos e não indica que o mercado de trabalho esteja aquecido. "Isso não é sinal de força de trabalho", afirmou Caramaschi, do Crédit Agricole.

Segundo o IBGE, a taxa de desemprego de setembro é a menor para o mês desde 2002. Para Caramaschi, o debate sobre o motivo do arrefecimento do nível do desemprego é amplo, mas pode ter algum reflexo dos programas sociais, que acaba por permitir que a pessoa tenha condições de se dedicar aos estudos, por exemplo. "É uma discussão em aberto, mas o que podemos perceber." 

O fechamento de vagas indica que a atividade econômica do país está mais fraca e acaba batendo no emprego. Para os especialistas, esse cenário não deve ser revertido tão cedo. "Independentemente de quem vença a eleição, alguns ajustes macroeconômicos terão de ser feitos no ano que vem e que possivelmente não devem trazer benefícios ao mercado de trabalho", finalizou Caramaschi.