terça-feira, agosto 25, 2015

A entrevista da “incompetenta” ofende a inteligência dos brasileiros

Adelson Elias Vasconcellos




Durante a campanha eleitoral de 2010, este blog colocou dentre outras coisas que, caso Dilma fosse eleita, ela deveria escolher um de dois caminhos: ou dava uma banana para seu partido e governava com um projeto de Brasil bem definido, responsável e sério, ou descambava para dedicar seus quatro anos em nome de um projeto de poder hegemônico. 

Seis meses após empossada, voltamos à carga para anunciar que, infelizmente, a “presidenta” escolhera o pior caminho. A começar pela falta de um ajuste fiscal com  que deveria ter começado a governar, e que deixou de lado. Aliás, na campanha mesmo, quando inquirida a respeito, afirmara que ajuste fiscal era coisa do passado. Procurem no youtube que vocês encontrarão o vídeo. E por que ajuste fiscal? Porque Lula, para elegê-la abriu em demasia os cofres do Tesouro e gastou desenfreadamente o que podia e não podia. Foi uma farra irresponsável e de alto custo para o país. 

Lula tinha em mente o seguinte: primeiro, sonhava em voltar nos braços do povo (alô, Jânio Quadros), e precisava ter na cadeira presidencial um cordeirinho manso que não  mexesse nos esquemas armados por ele para se manter no poder com um Legislativo genuflexo e uma elite empresarial cooptada (os tais campeões nacionais). Hoje, a operação Lava-jato vem desvendando  todo este esquema. Assim, Dilma apenas manteria a cadeira aquecida para a volta triunfal de sua majestade. 

E por que deu errado? Porque, primeiro, Dilma ao vencer em 2010 simplesmente se achou. Achou que o povo a amava. Achou que era, de fato, competenta. Achou que o mundo todo deveria ajoelhar-se aos pés e ceder-lhe aos seus caprichos grotescos. 

É claro que Dilma, obedienta ao seu criador, não mexeu um dedo para que a operação Lava Jato nascesse. Aliás, terá sido uma das últimas a tomar conhecimento. E quando isto se deu, já era tarde para tapar o sol com a peneira. E foi a partir daí que o angu encaroçou. Mesmo assim, berrou que se tratava DE UM GOLPE, que na Petrobrás havia uma gestão de primeiro mundo, lise, transparente. Esta gestão lisa já provocou o reconhecimento de perdas de R$ 6 bi no balanço da própria estatal e a devolução, por enquanto de “módico” R$ 1,8 bi ao caixa da companhia. É de se imaginar se a tal gestão lisa fosse desonesta no entender da presidenta!!!! 

Na noite desta segunda feira, Dilma chamou repórteres dos jornais O Estado de São Paulo , Folha de São Paulo e O Globo para conceder uma entrevista para espanto geral, já que foi um chamamento inesperado (mas só para os jornalistas).  Se a entrevista foi aconselhada por Lula, até é possível, mas a preparação, notou-se logo, foi arquitetada, roteirizada e ensaiada sob o comando do marqueteiro palaciano ( o 40° ministro).

O objetivo era mostrar uma presidenta humilde,  cândida, suave, devotada a exibir seu lado mais humano, parecendo ser do povo mesmo. Deve ter sido desesperador para Dilma reconhecer ao menos um de seus erros, o de avaliação e reconhecimento de um crise (que, aliás, foi construída inteiramente pela própria). Ao reconhecer que errou ao não ter vislumbrado antes a gravidade da crise, Dilma se parou a dizer coisas sem sentido e o que é pior: a ofender a inteligência dos brasileiros com tutano. Quer dizer então que, em agosto, setembro e outubro não se tinha ideia do que acontecia? Quer dizer que o barril de petróleo estava em cem e agora chegou a 43 dólares? Ou que o preço das commodities despencaria tanto?  Que a arrecadação federal só iria cair a partir de novembro?

Ora, dona presidenta e governanta Dilma Rousseff, tenha a santa paciência! A arrecadação já vinha em queda desde o início de 2014. O barril de petróleo não caiu tão de repente, e esteve em 141 dólares o barril, que foi quando a Petrobrás anunciou planos mirabolantes de investimentos e expansão. A atividade econômica vinha em queda há bem mais tempo, basta ver as sucessivas quedas do PIB de 2012 para cá. A indústria já vinha ladeira abaixo há dois anos e já fechara, em agosto, mais de um milhão de vagas.  Também a balança comercial vinha se deteriorando muito rapidamente e o rombo só não se mostrou maior por conta do truque mafioso das exportações de plataformas marítimas. O déficit em conta corrente só crescia e a dívida pública  já atingia a barreira perigosa de 60% do PIB. E o que dizer da inflação? E do rombo no setor elétrico de mais de R$ 60 bilhões que agora está jogado no colo dos brasileiros?

O único indicador a demonstrar alguma vida inteligente e virtuosa de seu governo, mesmo antes da campanha de 2014 iniciar, era justamente o índice de emprego/desemprego, e assim mesmo, levemente manipulados conforme demonstramos aqui em inúmeros textos, Mas, então, já se sabia que, cedo ou tarde, o fantasma do desemprego mostraria suas garras, como de fato este ano estamos vendo com imensa tristeza. 

Portanto, não venha com seu ar de hipocrisia falsa tentar contar-nos uma história diferente, tentando esconder o quanto seu primeiro reinado pontificou em incompetências, improvisos, feitiçarias (alô, Mantega), escolhas ruins. Exemplos não faltam, cara senhora. O que foi o desastre da intervenção estapafúrdia no setor elétrico, senão a tentativa de criar um evento eleitoreiro? Ou, então, o que foi o destrambelho de baixar os juros na marra, no grito, sem nenhuma proteção  contra a inflação,como por exemplo, corte de gastos federais? Ou ainda, a um alto custo, manter o câmbio artificialmente para a desgraça da indústria interna? Ou os pacotes amalucados de “concessões” tentando tabelar o lucro dos empresários?  Ou será por qual outra razão que desconhecemos, que vossa senhoria ordenou que o IPEA escondesse os dados da economia durante a campanha eleitoral? 

Desde de 2012 este blog se honra em classificá-la como presidenta medíocre em razão do quadro real da economia, a caminho do abismo,  além de apontá-la, com fatos e não balelas e truques retóricos, que vossa senhoria terminaria seu mandato como a terceira pior presidente deste país ao longo de sua história, perdendo apenas para Floriano Peixoto e Fernando Collor.  

Dizer que errou em perceber a gravidade da crise, perdoe-me, cara senhora, mas se na campanha vossa excelência mentiu sobre o que era o Brasil e sobre o que iria fazer e NÃO FAZER,  mente agora de novo. Até porque, em menos de uma semana após o fechamento das urnas  que lhe garantiram um segundo mandato, o que seu governo fez? Tarifaços na luz, nos juros e nos combustíveis. E antes mesmo de ser reempossada, apresentou ao país um pacote de ajuste fiscal com medidas exatamente opostas às de sua campanha, inclusive com a vaca tossindo até agora por mexer em direitos trabalhistas. Assim, faça-nos o favor, se não tem  nada de útil para nos dizer, que ao menos nos poupe o tempo perdido em ouvir lorotas e novas mentiras. 

Diga, senhora presidenta: quando foi que, em seu primeiro mandato, a inflação esteve no centro da meta que, lembrando, é ainda de 4,5%?  E ela só não estourou o teto, de 6,5%, graças às mandracarias praticadas nos combustíveis, e nas tarifas públicas em geral.

Vir agora, oito meses depois de  inaugurado seu segundo período no poder, apresentar um pacote de reforma administrativa com redução de ministérios, cortes de secretarias, autarquias e cargos de confiança, é no mínimo vigarice pura. Para lembrar, cara senhora: qual foi a reação de vossa excelência e como classificou igual proposta feita por Aécio Neves durante a campanha passada, ou mesmo do que vossa senhora afirmou em recente entrevista à Folha de São Paulo? No primeiro caso, classificou a proposta de visão tecnocrática, e no segundo, que não passava de pura lorota. 

Esta pseudo reforma, que em outro texto classificamos como insípida e demagógica, deveria ter sido o primeiro  passo a ser dado em seu pacote de ajuste fiscal. E quando se tentou no Congresso aprovar iguais medidas de reforma administrativa, bem recentemente, os petistas retiram-se para que o assunto não avançasse. 

Desta forma, senhora presidenta, desculpe a franqueza: vossa senhoria não apenas mentiu na campanha e nesta entrevista, não apenas é medíocre e irresponsável como se constata pela crise econômica costurada apenas por suas mãos,  mas também vale tanto quanto uma nota de R$ 3,00, seja pelo estelionato eleitoral, seja por considerar o povo brasileiro como um bando de idiotas que não sabem distinguir o bom do péssimo governante. Sua desaprovação popular não atingiu o recorde histórico a que chegou gratuitamente ou por força da direita, dos neoliberais, da mídia xexelenta  ou outros inimigos fantasmas  e imaginários. 

Assim, pare de enganar a si mesma dizendo, Brasil afora, que a crise será uma travessia passageira. Não será. Será longa, consumirá todo o seu segundo reinado e provocará muita falência, desemprego e ranger de dentes (de raiva).  Aproveite o tempo para entregar a seu sucessor um Brasil ao menos consertado de todos os seus erros.  

Detalhe importante, senhora presidenta: a crise chinesa começou há dois meses, a brasileira desde janeiro de 2011. Portanto, não venha com a vigarice de justificar sua incompetência com a crise chinesa, ok?

E, por fim, faça-nos um favor: não continue enxovalhando o nome do Brasil lá fora. Pague as contas do país como as embaixadas, a ONU e a OEA e não permita que fornecedores de carros de luxo, para que sua coorte faustosa  ostente em suas viagens inúteis aquilo que não é, precisem reclamar na imprensa mundial o pagamento dos débitos. Milhões de brasileiros vivem, trabalham e estudam  mundo afora ou estão no exterior a trabalho ou a passeio. E não podem ser transformados em objeto de chacota por culpa e conta de um governo caloteiro e irresponsável.

Um reflexão: considerada sua entrevista sobre a crise, é de se perguntar, como foi que vossa excelência conseguiu diploma de economista?

AGUARDEM PARA AMANHÃ:
A verdade sobre a dívida do Brasil

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