sexta-feira, agosto 28, 2015

A mentira grotesca do Ministro do Trabalho e uma sugestão final

Adelson Elias Vasconcellos


Manoel Dias, ministro do Trabalho, 
enrolado nos números de sua pasta.

No blog do Noblat, há um texto de Edjalma Borges, no qual ele dirige quatro perguntas bem simples ao, por enquanto,  ministro do Trabalho, senhor Manoel Dias, sobre emprego e mercado de trabalho brasileiro.

Um ministério deveria ser formado por pessoas sérias, competentes e com grande capacidade e formação técnica de reconhecida reputação nas áreas de sua atuação. Contudo, quando se tem um ministro como o senhor Manoel Dias não se pode esperar grande coisa. Este cidadão de fala mansa e fácil, sequer é capaz de reconhecer o mundo ao seu redor, quanto mais encontrar soluções para os problemas existentes que lhe digam. Tanto é assim que, se na reforma administrativa anunciada, mas sem nenhuma definição por ainda estar em “estudos”, a senhora Rousseff resolver extinguir o Ministério do Trabalho, dada não só a inutilidade do ministro como ainda o esvaziamento que a pasta sofreu nos últimos anos, ninguém sentirá falta e,  muito menos, saudades. Hoje, toda a política trabalhista desenvolvida pelo governo petista é ditada pela CUT, para o bem e para o mal, cuja ascendência  e maior poder de decisão superam a quase nenhuma autoridade do ministro.

Uma das questões apresentadas ao senhor Manoel foi esta:  Como fica a questão da sua permanência no ministério com a saída do PDT do governo?

E eis a pérola solta como resposta:  A decisão de eu permanecer não está em discussão. É algo, porém, que cabe primeiro ao partido e depois a presidente

Para tudo, parem as máquinas. Quer dizer que o ministério da presidente não é escolhido por ela, e sim, pelos partidos? Isto nos leva a crer que os partidos é quem tem maior poder do que a  própria presidente, certo? Não é à toa que o país está virado de cabeça para baixo, e chegamos a tal ponto de irrelevância!!! Santo Deus...

Mas a maior batatada ainda estava por vir. Para a questão  “Como o senhor avalia o crescente desemprego no país?”, eis a resposta do ministro:

É um momento de preocupação, mas também não podemos ignorar que o Brasil nesses últimos 12 anos gerou 23 milhões de novos postos de trabalho e ainda mais importante que a geração foi o aumento real do salário, 76,5% acima da inflação. Nós hoje temos 50 milhões de trabalhadores formais no Brasil e destes no primeiro semestre, 400 mil deixaram de existir. Estamos empreendendo políticas ativas, construindo programas que visam recuperar a capacidade de investimento e por via de consequência a geração de novos postos de trabalho.

Em tão poucas linhas, uma coleção enorme de disparates!

Primeiro, onde ele foi buscar esta fantástica geração de 23 milhões de empregos nos 12 últimos anos, é difícil de imaginar. Se foi nas estatísticas do ministério que comanda (ou faz de conta), sem dúvida que eliminar a pasta do Trabalho se torna uma necessidade imediata. Não presta nem para fazer conta. Se a tentativa foi vangloriar-se, creio que o ministro escolheu a munição errada. 

Em maio de 2014, o jornal O Estado de São Paulo, publicou um texto primoroso sobre o tema “Salário mínimo”.  A quem interessar, eis aqui o link para acesso. 




Na matéria, é exibido o quadro acima quadro bem explicativo, sobre o aumento do salário mínimo quando comparado com a inflação, considerando-se o período de 20 anos. De fácil leitura e conclusão, se percebe que, enquanto o salário mínimo cresceu no período 1.019,2%, quando descontada a inflação do período, a alta se reduz a 146%, segundo pesquisa do Instituto Assaf. De acordo com o estudo, houve aumento real do poder de compra dos salários, mesmo com a inflação corroendo boa parte dos reajustes.

No período, o salário mínimo passou de R$ 64,79 em 1994 para R$ 724 nos dias atuais. 

Mas não podemos ficar apenas nisso. Até o final do governo FHC, a tabela de imposto de renda na fonte ficava isenta até 5 salários mínimos,. A partir de 2003, com a chegada do PT, a tabela foi sendo progressivamente  defasada, ao ponto de que hoje a isenção chegar a menos da metade, isto é, menos de 2,5 salários. Assim, pergunto: de que vale aumentar de um lado, e expropriar de outro? Informação à parte: segundo auditores fiscais, a defasagem da tabela do imposto de renda é atualmente superior a 60%, ou seja, o que os  governos Lula/Dilma deram com uma das mãos, arrancaram com a que sobrou e mais os dois pés.

Mais: fazendo de conta que o cálculo de valorização real do salário mínimo seja aqueles  76,5% acima da inflação,  dito pelo ministro, pergunta que se impõe: como a valorização real no período dos últimos 20 anos foi de 146%, a quem competiu conceder a diferença? Reparem: se em 12 anos de PT, o aumento real de foi de 76,5%,  concluiu-se que com FHC,  em oito anos,  o aumento real foi de 69,5%, certo? Como FHC não corroeu os ganhos com aumento de carga tributária via imposto na fonte, fica claro que oito anos de FHC fizeram pelo trabalhador muito mais que os 12 do PT.  E um detalhe a acrescentar: enquanto os oito anos de FHC foi de arrumação da casa e com a economia mundial crescendo na média anual entre 2,5 a 3,0%,  Lula já recebeu o país com a economia estabilizada e o PIB mundial crescendo acima de 5% entre 2003 a 2008. Portanto, Lula fez menos podendo ter feito mais,  isto é um fato conclusivo.,  

Mas o que revela a completa desinformação (ou seria má fé?) do ministro está na afirmação de que “... Nós hoje temos 50 milhões de trabalhadores formais no Brasil e destes no primeiro semestre, 400 mil deixaram de existir...”.

Segundo o próprio IBGE, temos no Brasil pouco mais de 25,0 milhões de trabalhadores formais em plena atividade e cerca de 2 a 3 milhões de desempregados que ainda procuram emprego.  Creio que o ministro somou na sua aritmética torta trabalhadores formais e informais.  E acrescento: fossem 50 milhões de trabalhadores formais, com carteira assinada e direitos garantidos, acreditem, o déficit da Previdência teria se transformado num monumental superávit  o que justificaria reposições maiores nos valores das aposentadorias da iniciativa privada.

E, não, senhor Manoel Dias, não foram apenas 400 mil empregos que foram fechados, foram mais de 700 mil.

Se o ministro ou o seu ministério quiser contestar os números acima, fica o espaço disponível o quanto desejarem para os devidos esclarecimentos. E até que haja contestações aos dados aqui lançados, deixamos uma sugestão ao ministro Manoel Dias: ou peça para sair por desconhecer completamente os temas a que  sua pasta está imbuída, ou, da próxima vez que conceder entrevistas, não passe atestado de mentiroso: informe-se melhor. 

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