sexta-feira, agosto 28, 2015

A verdade sobre a dívida do Brasil – 1ª Parte

Adelson Elias Vasconcellos

Dada a extensão o texto, resolvi dividi-lo em duas partes. Creio ser mais absorver a importância do tema. E faço porque, no fundo, senhoras e senhores, esta dívida nos afeta, porque  é no nosso bolso que ela vai arder.

Além disto, se o montante da dívida atual se justificasse por ter sido aplicada em infraestrutura, qualificação dos serviços públicos, saneamento básico, dentre outras melhorias que elevasse o padrão de vida dos brasileiros, vá lá: a gente até entenderia. 

Contudo, sabemos muito bem que não foi isso que aconteceu. Não pensem que são os investimentos que tornam tão elevados os impostos, ou a melhoria da saúde, educação, segurança, etc.  Hoje, a dívida consome cerca de 50% da arrecadação, e assim mesmo apenas para pagar sua rolagem. Portanto, se você pensa e sonha em um dia ter a carga de impostos reduzida, pare de sonhar. Pela situação que chegamos, isto não vai acontecer tão cedo. 

Faz tempo que o blog prometeu tratar deste tema espinhoso que é a divida do Brasil, seja interna ou externa. Como o governo brasileiro não é dos mais transparentes em termos de informações, foi preciso percorrer uma longa jornada para chegarmos à verdade. 

De certa forma, já desmascaramos a mentira contada por Lula, quando ainda presidente, sobre o tal pagamento da dívida externa e a quitação dos empréstimos junto ao FMI. Só eu sei o quanto apanhei na ocasião. Porém,  de posse de dados concretos, podemos afirmar que estávamos certos. 

No fundo, o Lula presidente nunca pagou dívida nenhuma como vociferou aos quatro cantos do planeta. O truque foi trocar uma dívida relativamente pequena, mas barata, por outra mais cara, bem mais onerosa para o país. Ou, em outras palavras, deixamos de pagar uma dívida a juros baixos, 4% ao ano, para assumir outra, a 18% ao ano. Se isto for sinal de inteligência, me desculpem, mas vou passar a chamar jumento de doutor!!!! 

Se o leitor tiver paciência e pesquisar no arquivo do blog encontrará alguns textos nossos sobre o assunto. Eles são bem antigos.

Na segunda feira, logo após o anúncio pelo Banco Central de que a dívida do país atingira R$ 2,6 trilhões, fizemos nova tentativa de ir em busca dos fatos reais sobre a dívida. Porém, fomos atropelados pela entrevista a jornais dada pela “presidenta”,  sobre a qual comentamos em texto  próprio. Porém, um número informado pela presidente não foi possível engolir que é o montante do orçamento da União gasto com Previdência.  Assim, é necessário um parênteses. 

Dilma, dentre tantos disparates, passou ao público uma informação totalmente equivocada. Disse que a Previdência Social consome, sozinha, 55% do orçamento da União. Já nem quero saber quem transmitiu este número para a presidente. Considerando-se a desinformação do Ministro do Trabalho sobre de emprego/desemprego, não me surpreenderia que o dado sobre previdência fosse transmitido pelo ministro da própria pasta. Doloroso reconhecer que o Brasil elegeu uma presidente que além de medíocre, é desinformada sobre a realidade do país que governa e usa a mentira como arma preferencial para tentar defender o indefensável, a de que seu partido e seu governo estão fazendo o país andar para trás. 

Segundo o site  da ONG , AUDITORIA CIDADÃ DA DÍVIDA, abaixo segue quadro com a repartição do Orçamento da União, versão 2014.

Orçamento Geral da União (Executado em 2014) – Total = R$ 2,168 trilhão



Reparem lá: em juros e amortizações da dívida consumiram, em 2014,  45,11% da arrecadação federal, enquanto a coitadinha da Previdência  não chegou nem a 22%, portanto menos da metade do número informado pela senhora presidente. Assim, fosse real o número informado pela soberana, 55,0%, teríamos a condição grotesca de consumir, com o serviço da dívida mais os encargos da previdência,  a extravagância  de 100,11% (???) da arrecadação federal, o que seria uma monstruosidade, não é mesmo?. 

Considerando-se tudo o que teria ainda que ser pago, inclusive os gastos e transferências obrigatórias, além do próprio funcionalismo, seria o caso de se dizer que “fecha esta birosca que o país faliu”. Como não é o caso, e para melhor informar e tranquilizar  o grande público, estamos fazendo aqui o devido reparo.  

Mas retomo o tema sobre a dívida brasileira. O blog entrou em contato com a ONG, AUDITORIA CIDADÃ DA DÍVIDA, através de e-mail, pedindo esclarecimentos sobre qual a dívida real do país. E o fizemos  considerando que o Banco Central, no início da semana, informara que a dívida seria de R$ 2,6 trilhões, enquanto o próprio site da ONG  informava a seguinte composição da dívida brasileira:

Estoque da dívida - jun/2015

Interna: R$ 3.585.829.906.868,44
3 TRILHÕES, 585 BILHÕES, 829 MILHÕES, 906 MIL, 868 REAIS E 44 CENTAVOS

Externa: US$ 554.963.473.388,75
554 BILHÕES, 963 MILHÕES, 473 MIL, 388 DÓLARES E 75 CENTAVOS 

Ora, entre 2,6 trilhões que é a informação oficial, e aquela que a ONG considera, de 3,5 trilhões,  há uma diferença brutal entre os dois dados. Foi por essa razão que solicitamos que a Auditoria Cidadã da Dívida nos esclarecesse seu número, para verificarmos qual dado está correto.

Na segunda parte deste texto, vamos às devidas explicações. Adianto que os números estão certos tanto de um lado quanto de outro. A diferença está entre o governo desconsidera do cálculo final que,  a nosso ver, como que maquia a dívida total. Porque, afinal de contas, dívida é divida, não importando quem deve para quem. Assim, parece-nos que os números fornecidos pela ONG, AUDITORIA CIDADÃ DA DÍVIDA,  é que são os corretos e isto significa que o Brasil já ultrapassou os 100% do PIB em endividamento.

Aliás, quero aqui agradecer ao Rodrigo Avila, da AUDITORIA CIDADÃ DA ATIVA, por ter atendido o nosso pedido e ter nos enviado as devidas explicações que serão expostas na continuação deste texto, que apresentaremos ao final da edição de domingo.AGUARDEM..

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