terça-feira, agosto 25, 2015

Aperto no crédito chega ao campo

Da redação
Veja online

Com a retirada de dinheiro das contas correntes e poupanças, os bancos estão dificultando mais a concessão de empréstimos; agricultores reclamam que isso pode atrasar o plantio

(Cristiano Mariz/VEJA) 
Fazenda de soja em Picos, no Piauí 

A escassez do crédito agora bate às portas do agronegócio, uma das únicas atividades da economia brasileira que continua crescendo mesmo com a crise. Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo na edição desta segunda-feira, produtores de soja estão reclamando da dificuldade em conseguir empréstimos a menos de um mês da semeadura da nova safra.

Os agricultores relatam casos de morosidade na análise dos pedidos de empréstimos, aumento das exigências por parte dos bancos e elevação dos juros. Segundo eles, o crédito mais restritivo tem atrasado a compra de insumos necessários para o início do plantio, como sementes e fertilizantes, e pode acabar com os consecutivos ganhos do setor.

A seca no crédito foi percebida logo no primeiro semestre, quando os produtores costumam recorrer às linhas de pré-custeio para comprar os insumos. Com o aumento da inadimplência e da retirada de dinheiro das contas-correntes e poupança, os bancos passaram a restringir mais a obtenção de empréstimos.

O Banco do Brasil, por exemplo, que responde por 65% do crédito rural, só emprestou 3,5 bilhões de reais para o pré-custeio com juros subsidiados de 8,75% ao ano no primeiro semestre. No mesmo período de 2014, esse valor era de 8 bilhões de reais.

O resultado foi um recuo de 14% na concessão total de crédito rural de janeiro a junho deste ano, segundo o Banco Central. "Neste ano, o pré-custeio foi nulo", afirmou Adolfo Petry, coordenador da comissão de política agrícola da Aprosoja-MT (associação dos produtores de soja do Mato Grosso).

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