domingo, agosto 30, 2015

Recuo do PIB foi pior do que previsto por analistas

O Globo
Com informações Bloomberg News

Contração média estimada por 41 economistas era de 1,7%

Guito Moreto / Agência O Globo
Navio sendo carregado de soja que será exportada para China. 
Crescimento das exportações é um dos poucos resultados positivos 

RIO - A economia brasileira no segundo trimestre apresentou contração maior do que a prevista por analistas. A queda de 1,9% no Produto Interno Bruto, ficou 0,2 ponto percentual acima do 1,7% estimado, na média, pelos 41 economistas consultados pela agência de notícias Bloomberg.

— Não há fontes de crescimento para o Brasil, pelo menos não no curto-prazo. Todos vemos os índices de confiança caindo — afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno. — Não há sinais de que a economia chegou ao fundo do poço, então acredito que continuaremos a ver números ruins aparecendo.

Para Rostagno, a revisão do PIB do primeiro trimestre de uma queda de 0,2% para 0,7% mostra que a recessão é “ainda mais profunda.”

— Quando se analisa a demanda doméstica, a contração foi bem ruim. Foi muito, muito severo o corte nos gastos com investimentos e consumo privado — afirmou o economista-chefe para a América Latina do banco Goldman Sachs, Alberto Ramos. — Foi uma queda geral e acentuada na atividade, quer se olhe do lado da oferta ou da demanda.

Antes da divulgação dos resultados, o ex-secretário do Tesouro Nacional e economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, afirmou que a previsão é de mais contração nos investimentos no futuro.
Na análise do economista-chefe de mercados emergentes da Capital Economics, Neil Shearing, uma das poucas notícias boas entre os dados apresentados foi o crescimento nas exportações. Houve aumento de 3,4% em relação ao primeiro trimestre.

— Uma contribuição positiva para o crescimento do PIB, vindo das exportações, é o primeiro sinal de que um real mais fraco está começando a trazer algum benefício para a economia brasileira — disse Shearing.

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