sexta-feira, setembro 11, 2015

'Baixa performance do Brasil está se tornando estrutural', diz Fitch

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Única das três agências de classificação que ainda mantém o país dois degraus acima do grau especulativo, Fitch diz que focará na dinâmica da dívida em sua próxima avaliação

(Justine Lane/EFE/VEJA)
Fitch manteve o rating BBB do Brasil, mas alterou a 
perspectiva para negativa, em avaliação feita em abril

A agência de classificação de risco Fitch afirmou nesta terça-feira que focará na dinâmica da dívida e no crescimento econômico quando for avaliar novamente a nota do Brasil e alertou que o mau desempenho do país "está se tornando estrutural". Em abril deste ano, a agência manteve o rating BBB do Brasil, alterando apenas sua perspectiva para negativa. A Fitch é a única das três principais agências - as outras são Moody's e Standard & Poor's - que manteve o país a dois degraus do terreno especulativo.

"A baixa performance do Brasil está se tornando estrutural", alertou a diretora sênior de ratings soberanos da Fitch, Shelly Shetty, durante conferência em Londres. "O foco de nossa atenção será sobre a dinâmica de crescimento e dívida. Não há limiar mágico", disse ela, acrescentando que o país já estava altamente endividado quando recebeu o grau de investimento.

A Fitch diz que o Brasil tem desafios crescentes na questão fiscal e também na retomada do crescimento econômico. O avanço médio de cinco anos está abaixo da mediana dos países com nota de crédito na faixa BBB e a inflação está bem acima da mediana desse grupo. Já o superávit primário vem caindo basicamente desde a média de 3,6%, entre 2003 e 2005, e se transformou em déficit no ano passado. "A meta de superávit (para este ano) foi reduzida de 1,1% para 0,15%", lembrou a agência na apresentação.

A Fitch ainda apontou que a dívida bruta brasileira estava em quase 60% do PIB no fim de 2014, acima da mediana da faixa BBB, de 40%, enquanto os gastos com juros como porcentual das receitas do governo estavam em mais de 15%, sendo que a mediana do grupo é de menos de 10%. "As dinâmicas de dívida são desafiadoras, mas não explosivas", afirma o texto, mostrando um gráfico que mostra que a dívida brasileira deve rodar perto de 65% até 2017.

Nesse slide, intitulado "Brasil: o grau de investimento está em risco?", a Fitch lembra que quando a Croácia foi rebaixada para o nível especulativo, em 2013, o principal motivo foi o crescimento fraco e os desafios fiscais. Na época, a dívida bruta daquele país estava em 69% do PIB.

Pontos positivos - Mesmo assim, a apresentação indica que o Brasil ainda tem alguns pontos positivos, como a alta proporção de dívida em moeda local e as contas externas robustas, inclusive com uma melhora na balança comercial nos últimos meses. A agência aponta ainda que a inflação está acima da meta, mas que as expectativas estão melhor ancoradas. Os desafios políticos, no entanto, crescem, com a popularidade da presidente Dilma Rousseff em uma mínima recorde. A Fitch também cita a recente desvalorização do real.

Na semana passada, ao comentar a proposta de Orçamento do governo para 2016, que veio com déficit de 30,5 bilhões de reais, a agência afirmou que "as revisões para baixo colocam a tendência do superávit primário bem abaixo do cenário base da Fitch usado em abril (quando o rating do Brasil foi reafirmado) e refletem os crescentes riscos para a trajetória das finanças públicas e da dívida."


 (VEJA.com/VEJA)


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