sexta-feira, setembro 11, 2015

Brasil falha em políticas de inclusão que vão além de programas sociais, diz estudo

Ana Clara Costa
Veja online

Levantamento do Fórum Econômico Mundial mostra que transferência de renda não é eficaz o suficiente para resgatar população da pobreza

 (Wilson Dias/ABr/VEJA) 
Desigualdade: só políticas de transferência de renda
 não ajudam a aumentar inclusão

O Fórum Econômico Mundial divulgou um estudo em que analisa o que os países têm feito para implementar políticas inclusivas que não só resgatem pessoas da pobreza, mas também tragam crescimento e desenvolvimento. O levantamento The Inclusive Growth and Development Report reúne dados de uma pesquisa feita anualmente pelo Fórum, e que mostra o desempenho de diferentes países em quesitos como educação, empreendedorismo, corrupção e transferência de renda. Entre as economias de renda média-alta, grupo de 26 nações do qual o Brasil faz parte, o país se encontra abaixo da média em praticamente todos os quesitos. Em corrupção, está em 25º lugar, enquanto em educação, 24º. O único item em que o país teve bom desempenho é o de transferência de renda: 7º entre 26.

O estudo aponta que o Brasil está abaixo da média se comparado aos países correlatos, como Argentina, China, Rússia e África do Sul. O levantamento sugere, ainda, que mesmo que o país retome o caminho do crescimento, uma parcela ampla da população não deverá ver os benefícios desse avanço por um longo período. "O desenvolvimento é um processo multidisciplinar e complexo. Por isso, elevar a renda não deve ser a única política de inclusão. É preciso melhorar instituições como os sistemas públicos de educação, o judiciário, o mercado de trabalho, a competição e o investimento", afirma o documento.

Segundo um dos autores do estudo, Richard Samans, que também é um dos diretores do Fórum, as políticas de transferência de renda deveriam ser parte da estratégia de inclusão, mas não o centro. "Depender de transferências não é o suficiente. É preciso um modelo institucional e econômico que trabalhe em prol da inclusão. Fazer as coisas em dimensão única não resolve. É preciso pensar de forma sistemática, não singular", afirma.

Corrupção – 
Sobre o péssimo desempenho do Brasil no quesito 'corrupção', Samans explica que o Fórum chegou a essa classificação com base em uma pesquisa feita com executivos de todo o mundo, anualmente. A constatação, diz ele, é de que a corrupção, segundo os empresários, é uma parte relevante dos negócios tanto públicos quanto privados no Brasil. "Isso é ruim porque a corrupção rouba o incentivo de o empreendedor criar seu próprio negócio, pois ele sabe que terá de desembolsar propina para funcionar e isso é desestimulante", afirma. Ao agir contra o empreendedorismo, a corrupção funciona como uma espécie de antídoto à vontade dos indivíduos de criar a própria riqueza, aponta Samans. "Criar empresas é uma forma essencial de ajudar as pessoas a evoluírem para a classe alta e, neste caminho, receber sua fatia do progresso. A corrupção mata essa vontade".

O estudo ressalta ainda o que é ponto pacífico entre economistas: somente o crescimento econômico pode melhorar o padrão de vida dos indivíduos. O Fórum reconhece que, ao analisar o Produto Interno Bruto de um país, é impossível garantir que ele será repartido igualmente entre a população. Mas argumenta que somente o crescimento pode aumentar a soma de riqueza disponível em cada nação para que a população tenha ao menos a oportunidade de buscar sua fatia.

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