sexta-feira, setembro 11, 2015

Com dólar e juros em alta, 766 empresas pediram recuperação judicial, maior número desde 2006

Andrea Freitas
O Globo

Indicador Serasa Experian registra alta de 41,6% frente ao mesmo período de 2014; pequenas e médias são as que mais sofrem

Editoria de arte - Fonte: Serasa Experian


RIO - Os pedidos de recuperação judicial cresceram 41,6% de janeiro a agosto deste ano frente a igual período de 2014, segundo o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações. As 766 solicitações feitas nos primeiros oito meses de 2015 representam o maior para acumulado desde 2006, após entrar em vigor da Nova Lei de Falências, de junho de 2005. Só no mês passado, foram 139 empresas — 113,8% a mais do que um ano antes, quando 65 entraram com o requerimento. Em relação a julho, a alta de 3%.

Economistas da Serasa Experian dizem que o aprofundamento do quadro de recessão no segundo trimestre e sinais de enfraquecimento da atividade econômica no terceiro trimestre, conjugados com a alta do dólar e dos juros, geram dificuldades adicionais à solvência financeira das empresas.

Luiz Rabi, economista da Seresa Experian, explica como essas três variáveis afetam a saúde das empresas: a retração da economia leva a uma redução de caixa; a elevação dos juros encarece o custo financeiro; e a alta do dólar atinge as empresas não exportadoras, também elevando os gastos das empresas.

– É o pior dos mundos para quem não exporta. Com a diminuição da atividade econômica, a geração de caixa é menor, já que se vende menos, e o empresário acaba precisando de crédito, mas a um custo mais alto por causa das taxas de juros. E o dólar eleva os gastos das empresas. Ou seja, há um duplo aumento no custo num momento de queda de receita – explica Rabi.

De acordo com o indicador, as micro e pequenas empresas foram as que mais pediram recuperação judicial tanto em agosto quanto no ano. De janeiro até o mês passado, elas apresentaram 393 solicitações. Só no mês passado, foram 70. Um total de 54 empresas de porte médio pediram recuperação judicial em agosto e 228 no ano. As grandes registraram 15 solicitações no mês passado e 145 nos oito primeiros meses de 2015.

Segundo Rabi, o fato de pequenas e médias empresas serem a maioria é esperado porque elas também estão em maior número no país. O que chama a atenção, de acordo com ele, é que as grandes empresas representam a fatia recorde de quase 20% do total. E isso é preocupante:

– A participação das grandes empresas, de 18,9% do total, é a maior para o período em toda a série histórica, iniciada em 2006. São 145 de 766. Isso mostra que a crise está afetando todo mundo, empresas de todos os portes.

O total de 766 pedidos de recuperação judicial de janeiro a agosto é o maior já registrado pelo indicador da Serasa Experian desde 2006. Até então, o total mais expressivo fora em 2013, como 587 solicitações. No ano passado, foram 541 em igual período, enquanto em 2009, no auge da crise econômica mundial, foram 510.

De acordo com Rabi, em 2009, a Nova Lei de Falências, de junho de 2005, ainda era muito recente e, até por isso, o número de agora pode ser tão menor do que naquele momento crítico, já que há um período, uma curva de aprendizado para que os empresários saibam como utilizar o mecanismo da recuperação judicial. No entanto, a alta de mais de 40% de 2014 para 2015 mostra, segundo ele, que não trata-se apenas de aprendizado, mas de uma grave crise econômica.

– E isso se reflete nos indicadores de insolvência e inadimplência – diz Rabi.

Já os pedidos de falência totalizaram 1.156 nos primeiros oito meses do ano, 6,8% a mais do que em igual período de 2014, quando houve 1.082. No ano, 598 micro e pequenas empresas faliram, frente a 549 de janeiro a agosto de 2014. Entre as empresas de médio porte, houve uma redução no total de falência, passando de 273 para 267. Já entre as grandes houve alta: de 260 para 291.

Em agosto foram apresentados 185 pedidos de falência no país, alta de 6,9% em relação a julho, quando foram registradas 173 solicitações. Em comparação a agosto de 2014, quando houve 149 falências, a alta foi de 24,2%. As micro e pequenas empresas foram responsáveis pelo maior número de pedidos de falência (99), seguidas pelas médias (51) e pelas grandes (35).

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