quarta-feira, setembro 02, 2015

Delator diz que empresas pagavam propina por medo

Redação
Diário do Poder

Delator diz que empreiteiras subornavam temendo represália

Segundo o empresário Augusto De Mendonça, Márcio Faria,
 ligado ao grupo Odebrecht, representava a empreiteira nos encontros

O empresário e delator da Operação Lava Jato Augusto de Mendonça afirmou à Justiça Federal nesta segunda-feira, 31, que o executivo Márcio Faria, ligado ao Grupo Odebrecht, participava das reuniões de empreiteiros para deliberar quem seriam os vencedores de licitações da Petrobrás. Mendonça depôs como testemunha de acusação no processo aberto contra executivos ligados à maior empreiteira do País, inclusive seu presidente, Marcelo Bahia Odebrecht, preso desde 19 de junho em Curitiba, base da Lava Jato.

Ele disse que as empreiteiras pagavam propinas a dirigentes da estatal petrolífera. "Por que as empresas pagavam propinas?", perguntou o juiz federal Sérgio Moro, que presidiu a audiência. “Pagavam porque a capacidade um diretor da Petrobrás de atrapalhar é muito grande. Todas as empresas tinham medo de não pagar. Eu acredito que todas pagavam.”

Indagado se o Grupo Odebrecht participava das reuniões para escolher os vencedores das licitações da Petrobrás, Mendonça afirmou. “Sim.” Em seguida, ele disse que Márcio Faria representava a empreiteira naqueles encontros.

O esquema começou a operar ‘no final dos anos 90′, disse o delator, mas foi sistematizado a partir de 2003 e 2004. Ele contou que eram reuniões mensais, coordenadas pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, também delator da Lava Jato.

“Nas reuniões que eu participei, em 2004 e 2005, pela Odebrecht era o sr. Márcio Faria.”

Segundo ele, nesses encontros as empreiteiras ‘discutiam quem teria prioridades em determinadas obras e outras não atrapalhariam oferecendo preços superiores’. “As empresas discutiam e escolhiam quais as oportunidades que gostariam de participar, havia um acordo entre elas.”

Augusto Mendonça declarou que a partir das obras da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, houve um ‘desequilíbrio’ entre as empreiteiras, o que provocou a criação do chamado clube e de um ‘campeonato esportivo’, com adoção de regras para que todas fossem contempladas com contratos na estatal petrolífera.

Segundo ele, apenas as grandes empreiteiras ficaram com as obras da Abreu e Lima, o que gerou um descontentamento entre as que ficaram com um volume menor dos contratos. “Houve uma adaptação, um ajuste da regra e isso foi escrito para que ninguém ficasse com dúvidas, como se as empresas fossem times, se dizia que o jogo começaria de novo.”

Ele atribuiu ‘um peso diferente’ à Odebebrecht. “Pelo peso e importância dela sempre tinha uma voz predominante dentro do grupo. No sentido de que quando ela queria alguma coisa era muito difícil que aquilo não fosse feito daquela forma. De outro lado se ela não quisesse alguma coisa certamente não seria feito.”

O juiz Sérgio Moro perguntou a Mendonça se as construtoras ajustavam os resultados das licitações. “Sim, as empresas escolhiam suas preferências e as demais respeitavam.”

A Odebrecht participava das reuniões?, insistiu o juiz. “Sim, senhor.” Ele citou, em seguida, OAS, UTC, Mendes Júnior, Camargo Corrêa.

“A Odebrecht ganhou obras nesses ajustes?”, indagou o juiz Moro. “Sim senhor, ganhou.”

Quais?

“Abreu e lima, marcante, e outra não me recordo.” (AE)

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