domingo, setembro 27, 2015

Entre emergentes, Brasil pode ter maior déficit pelo PIB

Exame.com
André Ítalo Rocha, Estadão Conteúdo

Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas 
Real: Brasil está na lista dos quatro emergentes
 mais vulneráveis a choques externos

São Paulo - Enquanto o governo tenta aprovar medidas de ajuste fiscal para evitar um rombo nas contas do próximo ano, o Brasil caminha para ser, em 2015, a economia emergente com maior déficit nominal em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), segundo levantamento da consultoria britânica Oxford Economics, enviado a clientes nesta quarta-feira, 23.

A consultoria prevê um déficit nominal de 7,5% do PIB nas contas públicas neste ano, três pontos porcentuais a mais que o nível do segundo colocado, o México.

Pela ordem, os demais países analisados são Índia, África do Sul, Rússia, China, Malásia, Polônia, Tailândia, Indonésia, Turquia, Filipinas e Coreia do Sul.

O relatório também destaca o nível do déficit em conta corrente do Brasil em 2015, que está em torno de 4% do PIB e, embora venha diminuindo ao longo do ano, como resultado de uma demanda menor por importações, "ainda é alto em relação à média dos emergentes".

A deterioração dos dois déficit, o fiscal e o de conta corrente, coloca o Brasil na lista dos quatro emergentes mais vulneráveis a choques externos, ao lado de Turquia, Rússia e África do Sul, de acordo com a Oxford Economics.

"E é provável que esses quatro países continuem vulneráveis por um bom tempo, já que seus governos, que enfrentam problemas econômicos, seguem relutantes em implementar reformas", diz o economista Simon Knapp, autor do estudo.

Knapp afirma que, desde junho, quando foi realizada a última edição deste relatório sobre os emergentes, as previsões para crescimento econômico ficaram mais cautelosas, com destaque para o Brasil, devido ao período prolongado de queda na demanda chinesa por commodities.

Dos 13 emergentes, apenas dois devem enfrentar recessão em 2015: Brasil (queda de 2,5%) e Rússia (recuo de 4%).

"No entanto, a vulnerabilidade do Brasil e da Rússia e suas posições externas só não são piores porque ambos construíram sólidas reservas em moeda estrangeira durante o ciclo de preços altos das commodities", pondera.

Nenhum comentário: