sexta-feira, setembro 11, 2015

Igual, mas diferente

Alvaro Gribel
O Globo

Há duas grandes diferenças entre o que acontece com o Brasil e o que se passa com as economias do México, Chile, Colômbia e Peru. Por aqui, há uma recessão severa. Nesses países, não. E a nossa inflação é muito mais alta. Todos sentem os efeitos da queda dos preços das commodities, desvalorização de moedas e ameaça de alta nos juros americanos. Mas no Brasil isso intensifica um quadro que já era de fragilidade.

O Banco Central chileno está preocupado com a reputação, porque a inflação está na casa de 4% há mais de 12 meses. Por isso, cogitou subir os juros na última reunião, de agosto, mas, no fim, manteve a taxa em 3%. A economia está desacelerando, porque o preço do cobre está em baixa, e as exportações do produto são essenciais para o país . Ainda assim, não há expectativa de recessão, apenas redução do ritmo de crescimento.

No México, a inflação está nos níveis históricos mais baixos do país, na casa de 3%, mas o BC já cogita subir os juros porque está preocupado com a alta que virá do Fed, o Banco Central americano. A projeção do Itaú Unibanco é de crescimento de 2,4% para a economia mexicana este ano, com desemprego médio de 4,4% e inflação de 3%. Para o ano que vem, a estimativa é de alta de 3% no PIB.

A economia colombiana sente os efeitos da queda dos preços do petróleo, seu maior produto de exportação. Ainda assim, o país teve crescimento de 2,8% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2014, e deve divulgar um PIB em torno de 2,7% no segundo trimestre, número que sairá na sexta-feira. A taxa de inflação ficou em 4,47% em 12 meses até agosto e os juros estão em 4,5%.

Os peruanos têm convivido com inflação no teto da meta, e isso tem causado incômodo ao Banco Central. Mas a banda de flutuação por lá vai de 1% a 3%, e os juros estão em 3,25%. O Itaú espera crescimento de 3% no PIB do país este ano, e aceleração para 4% no ano vem.

A queda das commodities afeta a América Latina, mas o Brasil já tinha problemas internos e não se preparou para a piora na conjuntura internacional.



Pressão na inflação
A expectativa de inflação para 2016 subiu pela quinta semana consecutiva no Boletim Focus. Nesse período, a projeção do mercado saiu de 5,40% para 5,58%, ficando mais longe da meta de 4,5%. O dólar tão alto não estava na conta dos economistas e por isso os cálculos estão sendo refeitos. A notícia de que o governo pretende elevar impostos como IOF, Cide e IPI também pode pressionar os números do IPCA no ano que vem.

Balança comercial no azul
O saldo da balança comercial só acontece porque as importações (-21,7%) estão caindo mais do que as exportações (-16,5%). Ainda assim, é um alívio ver o saldo de US$ 7,85 bilhões de janeiro à primeira semana de setembro. No mesmo período de 2014, havia déficit de US$ 570 milhões. Reduzir o déficit em conta-corrente, que está m 4,34% do PIB, é um dos ajustes que o país tem que fazer.

RISCO ELEVADO. 
O seguro contra o risco do Brasil, o CDS, atingiu 382 pontos na manhã de ontem e chegou a ultrapassar o da Rússia.

QUEDA MENSAL. 
O IPCA de agosto sai na quinta-feira e deve ficar em torno de 0,2%. Em 12 meses, seguirá perto de 9,5%, diz Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio.

MEDO DO FED. 
Depois do FMI, foi a vez do Banco Mundial recomendar ao BC americano o adiamento da alta dos juros.

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