quarta-feira, setembro 23, 2015

Inflação pelo IPCA-15 desacelera em setembro, mas no ano é a maior desde 2003

Andrea Freitas
O Globo

Taxa fica em 0,39% no mês. Em 2015, acumula 7,78% e, em 12 meses, 9,57%

Paulo Fridman / Bloomberg News 
Produtos expostos no mercado municipal Kinjo Yamato, em São Paulo 

RIO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, ficou em 0,39% em setembro, informou nesta terça-feira o IBGE. O resultado mostrou uma desaceleração frente a agosto, quando a taxa foi de 0,43%. Em 12 meses, a inflação acumulada é de 9,57% — mantendo-se como a mais elevada desde dezembro de 2003 (9,86%), já que a taxa de setembro foi exatamente igual a do mesmo mês do ano passado. No ano, a alta de preços é de 7,78%, maior taxa para o período de janeiro a setembro desde 2003 (8,46%).

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, sete desaceleraram frente a agosto, acompanhando o movimento da taxa geral. Vestuário passou de 0,01% para 0,36%, enquanto transportes foi de -0,46% para 0,78% – a maior variação de alta.Passagens aéreas (23,17%) e gás de botijão (5,34%) responderam por um terço da taxa do mês, com impacto de 0,13 ponto percentual e de 0,07 ponto percentual, respectivamente.

Além da elevação do preço dos bilhetes aéreos, outros destaques do segmento transportes foram as tarifas dos ônibus urbanos (0,65%) e os serviços de conserto de automóvel (1,08%).

Os preços do botijão de gás, do grupo habitação, subiram 5,34%, refletindo o reajuste de 15% que começou a vigorar no último dia 1º. A taxa de água e esgoto, do mesmo segmento, registrou alta de 1,59%. Na região metropolitana do Rio de Janeiro a elevação foi de 5,42%, por causa do reajuste de 9,98% que passou a valer em agosto. Artigos de limpeza (0,82%), aluguel residencial (0,60%) e condomínio (0,45%) também tiveram variação positiva.


Editoria de arte -  


ENERGIA ELÉTRICA CAI 0,37%
Também parte do grupo habitação, a conta de luz caiu 0,37% por causa das reduções na parcela do PIS/COFINS. A baixa ocorreu a despeito da alta de 6,83% registrada em Brasília, como reflexo do reajuste de 18,26% que passou a valer em 26 de agosto, e do 1,38% em Belém, devido à correção de 7,47% válida a partir de 7 de agosto.

O segmento habitação variou 0,68% em setembro, mas desacelerou frente à ao 1,02% de agosto. No ano, no entanto, é o segmento que acumula a maior alta, de 17,91%.

O grupo despesas pessoais variou 0,51%, ante 0,73% em agosto, tendo como principal pressão o item empregado doméstico, que teve elevação de 0,62%, seguido por serviços bancários (2,02%) e cabeleireiro (1,04%). Já saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,50%, desacelerando frente ao 0,83% do mês anterior, com o plano de saúde ficando com uma taxa de 1,06%.

O grupo alimentação e bebidas teve queda, de 0,06% – no IPCA-15 de agosto, havia sido registrada uma alta de 0,45%. Os preços dos alimentos consumidos em casa recuaram 0,37% frente ao mês anterior, já os consumidos fora de casa tiveram alta de 0,51%. Entre os alimentos que ficaram mais baratos de um mês para o outro estão a cebola (13,77%), o tomate (13,14%) e a cenoura (10,29%).

No Rio de Janeiro, a inflação segundo o IPCA-15 ficou em 0,45%, acima da taxa nacional e com forte aceleração frente ao 0,19% de agosto. No ano, a região acumula 10,18%, também mais do que os 9,57% da média do país.

A meta de inflação estipulada pelo Banco Central é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para baixo ou para cima. A inflação acumulada nos nove primeiros meses do ano pelo IPCA-15 já está acima do teto da meta de inflação do governo, que é de 6,5%. Ainda que este não seja o índice oficial de inflação no país, apenas uma prévia do resultado do mês, os números mais uma vez reforçam a avaliação de que a meta não será cumprida este ano.

Pelo último Boletim Focus, que reúne as principais projeções das instituições financeiras, a inflação esperada para 2015 é de 9,34%. O IPCA de agosto ficou em 0,22%. Em 12 meses, chegou a 9,53% e, no ano, em 7,03%.

A taxa do IPCA-15 é formada com base na coleta de preços situa-se entre os dias 15 do mês anterior e do mês de referência nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, Brasília e no município de Goiânia. Para a taxa de setembro, a pesquisa foi realizada entre 14 de agosto a 14 de setembro.


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