domingo, setembro 27, 2015

Mercado de trabalho formal tem pior agosto em 20 anos no país

Marcello Corrêa 
O Globo

País fechou 86,5 mil vagas com carteira. Em 12 meses, saldo já está em quase 1 milhão de postos perdidos 



Desempenho dos setores - Editoria de Arte

RIO - O Brasil fechou 86.543 postos de trabalho com carteira assinada em agosto, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério do Trabalho. Foi o quinto mês seguido que as demissões superaram as admissões, indicando a fragilidade do mercado no país, e é o pior agosto desde 1995. No acumulado do ano, o saldo está negativo em 572.792 vagas. Já em 12 meses, o mercado formal já perde quase 1 milhão de postos: o saldo chega a 985.669.

O saldo negativo de agosto é resultado de um total de 1.392.343 admissões, superadas por 1.478.886 demissões. O setor que mais fechou vagas foi o da indústria da transformação, que eliminou 47.944 vagas. Na construção civil, o saldo ficou negativo em 25.069, enquanto o comércio destruiu 12.954 empregos formais. Só dois dos oito setores pesquisados tiveram resultado positivo: serviços (aumento de 4.965 vagas) e administração pública (alta de 730 postos de trabalho).

No Rio, o saldo ficou negativo em 8.846, influenciando o resultado negativo de 54.190 da região Sudeste. O pior desempenho regional e do país, no entanto, ocorreu em Minas Gerias, onde as demissões superaram as admissões em 23.849 vagas, devido ao cultivo de café.

O ministro do Trabalho, Manoel Dias, admitiu nesta sexta-feira que o país pode fechar o ano com saldo negativo de 1 milhão de empregos, como preveem analistas do mercado.

— Podemos perder. Mas o governo conhece o caminho para recuperar — afirmou Dias, perguntado se o país poderia alcançar a marca negativa no fim deste ano.

Para o ministro, uma das saídas para a crise pode ser o aumento do investimento na construção civil, que, no ano, já perdeu 177.794 empregos formais. Segundo Dias, o governo já contratou R$ 36 bilhões em projetos de moradias populares, inclusive do programa Minha Casa Minha Vida, que devem gerar 3,7 milhões de empregos. Os recursos fazem parte do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS). O tempo em que essas vagas seriam preenchidas, no entanto, é incerto, podendo ser até o fim do ano ou em meados do ano que vem, pelas contas dos técnicos da pasta.

— Historicamente, a área da construção civil começa a contratar em torno do segundo semestre no maior número. No início do ano, há a compra do terreno, o projeto, a contratação do financiamento e geralmente em julho e agosto que aumenta a contratação para construção civil. Contratos já foram assinados — afirmou o ministro.

Na quinta-feira, em entrevista coletiva, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, havia adiantado que esperava uma desaceleração no fechamento de vagas, após um saldo negativo de 157.905 empregos em julho. Em agosto do ano passado, foram criadas 101.425 vagas formais.

O resultado é divulgado um dia após o IBGE revelar, na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) que a taxa de desemprego no país subiu no mês passado, alcançando 7,6% — pior resultado para o mês desde 2009. O número é referente a seis regiões metropolitanas: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre.

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