domingo, setembro 20, 2015

Novos indicadores mostram piora da economia no segundo semestre

Julia Borba e Dimmi Amora 
Folha de São Paulo

Tony Gentile - 9.ago.2011/Reuters
O Brasil recua e entra em recessão

Números mais recentes da economia real indicam que a situação do país tende a piorar até o fim do ano. Encomendas de insumos essenciais para a produção, como energia e embalagens, continuam em queda em relação ao ano passado e a meses anteriores deste ano.

Outros setores, como a construção civil, ainda vão sentir reflexos mais fortes do tombo da economia nos últimos meses de 2015.

Para o pesquisador do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da FGV) Vinícius Botelho, o Natal não trará alento para a economia. "A dúvida agora é se haverá alguma recuperação no segundo semestre do ano que vem, porque ainda não temos nada que aponte nesse sentido."

Sondagem feita em agosto pela Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) mostra uma queda de 31% na venda e encomenda futura de energia em relação ao mesmo mês de 2014. Esses contratos de longo prazo variam de 3 a 18 anos.

A avaliação do setor é que grandes consumidores de eletricidade, como fábricas e indústrias, estão tentando adiar ao máximo a realização desses contratos.

Em uma análise mais ampla, a associação percebeu retração de 35% em agosto nas vendas da indústria elétrica e eletrônica como um todo.

Neste indicador também foram consideradas as vendas de materiais elétricos para instalações, equipamentos industriais e de automação, por exemplo. Na comparação com o mês de julho deste ano, a redução foi de 25%.

"A demanda caiu substancialmente e isso está relacionado com a diminuição da atividade econômica como um todo, da indústria, do comércio", disse Humberto Barbato, presidente da Abinee.

"Sem contar com a tarifa de energia mais cara, que faz com que as pessoas em casa também reduzissem o consumo", afirmou.

No setor de embalagens, as vendas no primeiro semestre foram 2,6% menores que no mesmo período do ano anterior. Segundo Luciana Pellegrino, diretora executiva da Abre (Associação Brasileira de Embalagens) a expectativa no início do ano era que o setor tivesse redução de 1,5% da produção.

SEMESTRE FRACO
Pellegrino disse que o segundo semestre, quando as vendas ficam aquecidas por causa das encomendas de fim de ano, terá vendas ainda menores que as dos primeiros seis meses. "Eu nunca tinha visto isso no setor", afirmou Pellegrino, lembrando que os clientes do setor dizem que seus estoques estão elevados, portanto, sem necessidade de encomendas.

A construção civil do país deverá fechar 500 mil vagas até o fim do ano depois de empregar no ano passado 3 milhões de pessoas.

Para José Carlos Martins, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), os lançamentos de imóveis caíram 13% nas principais regiões do país.

São 5.000 imóveis residenciais que deixam de ser construídos a partir deste semestre, já que o tempo médio entre o lançamento e o início da obra é de cerca de seis meses.

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