terça-feira, setembro 15, 2015

Para ‘FT’, economia brasileira ‘está uma bagunça’

O Globo 
Com informações Agências Internacionais

Em editorial, jornal britânico diz que crise política levou ao rebaixamento do país

LONDRES - “Se o Brasil fosse um paciente internado em um hospital, os médicos da UTI o diagnosticariam como um paciente terminal. O fígado não funciona mais, o coração vai parar em breve”. Assim começa o editorial do jornal britânico “Financial Times” sobre a situação do país que o fez perder o grau de investimento — chancela de investimento seguro — na quarta-feira passada. O editorial foi publicado no site do jornal neste domingo.

A frase de abertura do editorial é creditada a um senador do PT, que assistiu à ascensão do partido ao poder e vivencia “sua terrível queda”. O “FT” diz que a economia brasileira “está uma bagunça” e se refere à retração econômica que o país está vivendo como a pior recessão desde a Grande Depressão, na década de 30. O jornal cita a previsão de queda de 3% do PIB (Produto Interno Bruto, soma de bens e serviços produzidos) este ano e recuo de mais 2% em 2016. E lembra que, este mês, pela primeira vez no período democrático, o governo previu um déficit primário fiscal (a conta dentre receitas e despesas excluindo pagamento de juros).

Já o déficit fiscal nominal (incluindo o pagamento de juros) bateu 9% do PIB. “Esta foi a razão mais imediata por trás da decisão da agência de classificação de risco S&P rebaixar o Brasil a investimento especulativo”. Se outra agência seguir os passos da S&P, muitos investidores estrangeiros terão de vender suas ações e bens no país, agravando a situação, lembra o jornal.

Olhando para o ambiente externo — com desaceleração da China, o colapso dos preços das commodities e a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos —, “o Brasil está no início de um extremo estresse econômico”, avalia o “FT”. Mas, ironicamente, diz o jornal, não foram os problemas econômicos e, sim, a crise política que embasou, de forma mais ampla, a decisão da S&P.

“Dilma Rousseff, a presidente, não é querida pelo seu próprio partido e é profundamente repudiada por muitos: é a presidente com menos popularidade na história do Brasil”, continua o “FT”. É isso, frisa o jornal, que faz com que seja impossível ela responder com propriedade à turbulência econômica. “O Congresso está mais focado em salvar sua própria pele da investigação sobre corrupção bilionária envolvendo a Petrobras”.

Para o “FT”, uma ampla renovação política seria uma solução. Mas “há pouca chance de que isso ocorra antes das eleições de 2018”, conclui o jornal.

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