sexta-feira, setembro 11, 2015

Rebaixamento reflete retrocesso fiscal, diz economista

Exame.com
Francisco Carlos de Assis e Paula Dias, Estadão Conteúdo

Mario Tama/Getty Images/AFP 
Agência Standard & Poor's (S&P)

São Paulo - O rebaixamento do grau de investimento do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) e a manutenção da perspectiva negativa para o rating do País são, segundo a economista-chefe da XP Investimentos e colunista do Broadcast (serviço de notícias em tempo real da Agência Estado), Zeina Latif, uma dupla resposta ao retrocesso da situação fiscal e econômica no último mês.

A S&P rebaixou o rating do Brasil de BBB- para BB+ e, mesmo assim, manteve a perspectiva negativa para o rating do Brasil. Zeina lembrou que, quando a agência colocou em negativa a perspectiva do Brasil, deixou bem claro que via esforço do País em promover o ajuste fiscal, mas que vislumbrava dificuldade na sua execução.

"Com o envio ao Congresso de um orçamento negativo, o governo confirmou a previsão da S&P de que o Brasil mostrava dificuldade de executar o ajuste fiscal", disse a economista.

Para ela, o governo não encaminhou nenhuma medida que seria tomada para corrigir o orçamento deficitário.

De acordo com Zeina, se cogita elevar impostos para tentar melhorar o lado fiscal, mas o governo parece não saber por onde começar. Hoje, em evento organizado pela Consultoria Falconi, fechado à imprensa, o ministro teria expressado sua preocupação com a possibilidade de perda do grau de investimento, disse ao Broadcast uma fonte que participou do encontro.

Na avaliação do economista-chefe da Garde Asset Management, Daniel Weeks, que esperava o downgrade para o final do ano, o rebaixamento do Brasil pela S&P para abaixo do grau de investimento - e com perspectiva negativa - veio bem antes do esperado e mostra que a situação do País é grave e que o governo está encurralado.

Segundo ele, a "gota d'água" para a tomada de decisão da S&P certamente foi a previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões em 2016, o que agravou uma situação já delicada desde as revisões das metas de superávit anunciadas em julho.

"Com a divulgação da previsão de déficit, a S&P refez as contas e percebeu que a trajetória do País não estava condizente com uma situação de investment grade", afirmou o economista.

Weeks lembrou que a S&P vem se antecipando às demais agências de classificação de risco e que em geral a Moody's não costuma demorar muito a se manifestar após uma movimentação da S&P.

Segundo o economista da Garde, o rebaixamento, somado à manutenção da perspectiva negativa, é uma indicação de que a situação do País continua bastante grave e que o governo não consegue avanços na redução da relação dívida/PIB principalmente devido ao imbróglio político.

"É uma indicação de que o governo está encurralado", afirma.

Na avaliação do economista da Garde, os mercados devem reagir de maneira bastante negativa nos negócios da quinta-feira, devido ao fato de a decisão ter sido tomada antes do esperado e a perspectiva ter se mantido negativa.

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