quarta-feira, outubro 07, 2015

A cortina começa a se fechar para Dilma

Adelson Elias Vasconcellos



Dilma foi reeleita em outubro, tomou posse em janeiro e, nove meses depois, o Brasil ainda espera que ela comece a governar. Até agora, o que se viu, e ainda se vê,  é uma presidente envolta num único objetivo: manter-se no poder. Nem na sua recente reforma ministerial  a meta visava reduzir o tamanho do Estado, seu enorme e asfixiante custo para a sociedade.  Buscou-se, unicamente, compor uma maioria legislativa capaz de brecar qualquer iniciativa para a abertura de um processo de impeachment. 

Ao longo do ano, a presidente não perdia, nem dia nem hora,  para falar em golpe à democracia qualquer movimento no sentido de alijá-la da cadeira presidencial. Jacques Wagner, que assumiu o comando da Casa Civil, deu seguimento ao discurso do “golpismo”. Afirmou com todas as letras que impeachment  é subversão. Impressionante. Como esta gente petista parece esquecer seu próprio passado ou, ainda, faz questão de ignorar o texto constitucional. Se bem que, para a confraria do crime que insiste em ignorar e infringir as leis, nada estranha mais.

Vejamos: o impeachment já está previsto na constituição desde 1988. Foi subversão incluir o procedimento? Ou, quando o PT comandou o impeachment de Fernando Coolor ele estava subvertendo a democracia? Ou, também -  como esquecer? -  quando José Dirceu protocolou pedido de impeachment contra Fernando Henrique,  ele estava subvertendo a ordem institucional do país? 

Nem mesmo a alegação de que o resultado das urnas é soberano pode ser defendido. Um candidato que tenha abusado do poder político e econômico para fraudar e vencer, como por exemplo, utilizando em sua campanha recursos oriundos da corrupção, terá cometido crime previsto em lei e, neste caso, seu mandato é cassado nos rigores da lei.

Dilma Rousseff, já em 2013, havia sido alertada de que infringira a lei de Responsabilidade Fiscal. O parecer do TCU naquela ocasião aprovou suas contas, mas com 26 ressalvas. Ressalvas que deveria ter sido o seu norte para a condução das contas públicas no ano seguinte, 2014, e que ela ignorou solenemente. Achava-se soberana para fazer o que bem entendesse. Como já se disse muitas vezes, um presidente no Brasil pode muito, mas não pode tudo. 

O seu comportamento nestes últimos dias  em relação a análise de suas contas pelo Tribunal de Contas da União, foi muito além da estupidez. Revelou um ser perturbado, fora de órbita, sem o menor senso do ridículo, além de uma total desfaçatez externada nas ações do senhor Luiz Adams,  chefe da Advocacia Geral da União. Sabe-se que, em reuniões internas, a senhora Rousseff foi desaconselhada por muitos de seus mais próximos, inclusive pelo próprio vice-presidente, Michel Temer,  a não levar avante a briga com o TCU.  Mas quem disse que a arrogância presidencial permite a Dilma agir com bom senso e equilíbrio emocional?! 

O discurso preliminar do senhor Luiz Adams foi patético. Pedia que não se politizasse a avaliação das contas, mas quem, senão ele próprio , mais politizou o debate? 

A verdade é que, com a decisão do TSE de se abrir investigação sobre as contas da campanha da presidente, que pode até levar à cassação de seu mandato e do vice-presidente, a decisão do TCU pela rejeição que, agora, será avaliado pelo Congresso Nacional, e as seguidas derrotas no campo político, além da deterioração da atividade econômica, estão formando um cenário  de final de festa. O show está em seu derradeiro ato. 

Em termos de popularidade e aprovação, Dilma tem alcançado os piores índices que um presidente já teve em nossa história. A rejeição das contas, se acolhida também pelo Congresso, enseja a abertura de um processo de impedimento por crime de responsabilidade. Golpe? De jeito algum, está previsto em lei, está inscrito na constituição. 

Do resumo do relator do TCU, ministro Augusto Nardes, convém ressaltar dois aspectos importantes que provavelmente não receberão a devida atenção pela imprensa. Um, é quando ele afirma que seu relatório é produto do trabalho de uma equipe de 14 auditores, todos concursados. Assim, a análise das contas não foi obra do relator que apenas acolheu os estudos e suas conclusões de uma equipe perita neste trabalho. Como ele afirmou, se fosse para arguir a suspeição de alguém, seria ele e mais 14 auditores. 

A segundo questão é que chama atenção de maneira inquestionável quanto à má gestão fiscal do governo Dilma em 2014. Nardes assinalou que se encontrou na contabilidade do governo mais de R$ 2,00 TRILHÕES, isto mesmo, mais de R$ 2,0 TRILHÕES em passivos não contabilizados.  Não se encontrassem as 13 irregularidades apontadas pela auditoria do TCU, apenas esta vigarice já seria suficiente até para depor Dilma Rousseff. 

Agora, juntando-se o conjunto da obra, é possível concluir que a crise econômica em 2015, que aflige a população brasileira,  teve suas raízes fincadas ainda em 2013. Desde 2012, o preço das commodities no mercado internacional vem perdendo valor. Há pelo menos três anos que a economia chinesa,  nossa principal parceira comercial, vem perdendo fôlego.  Assim, qualquer analista com qualificação regular já poderia prever a necessidade do Brasil mudar os rumos de sua política econômica para evitar ser atropelado pelos fatos.  Afirmar,  como fez a presidente,  que só se deu conta da gravidade da crise após as eleições, é vigarice extrema. 

No fundo, muitas das medidas adotadas pelo ministro Joaquim Levy  já estavam costuradas e agendadas para serem colocadas em prática para depois das eleições enquanto Mantega era ministro interino da Fazenda.  Ou seja, Dilma insiste em mentir para o país achando que se justifica. Infelizmente (para ela) a lorota não cola mais. Para o povo brasileiro, a roubalheira na Petrobrás e o  estelionato eleitoral já são motivos suficientes para desejar vê-la longe do Palácio do Planalto. 

Em um texto curto, impossível seria listar todas as razões de incompetências, mentiras, políticas ruins, programas de cunho exclusivamente eleitoreiro, mistificação e corrupção que justificam o impedimento de Dilma Rousseff. Quando vemos movimentos de rua pedindo seu impeachment, além do FORA PT, FORA LULA, é esperançoso notar que a grande maioria dos manifestantes é formada por jovens, o que significa dizer que uma nova geração está se formando que rejeita a velha política e os métodos empregados   pelo PT. E se recusa, terminantemente, voltar ao século 19, que é onde mora a ideologia desta esquerda obsoleta, arcaica e vigarista. É uma geração que quer um país melhor, com governantes responsáveis e sérios e um Estado que retribua em serviços de qualidade o seu alto custo. É uma geração que abomina a hipocrisia dos salvadores pais e mães da pátria que, no fundo, governam apenas para si, para atender seus apetites patrimoniais e de poder autoritário. Recusam, com veemência a herança de um país moralmente apodrecido  e institucionalmente atrasado  que as esquerdas pretendem e sonham em deixar.   

E de toda esta anarquia que Lula e Dilma construíram e instalaram no Brasil desde 2003, esta é a boa notícia, isto é, temos uma juventude que rejeita o tal legado.  Dilma, no seu velho estilo de descontrole verbal e de senso de realidade, afirmou hoje que já vê luz no fim do túnel. Calma, senhora presidente, a luz é da porta de saída do Palácio. Só isso.    

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