domingo, outubro 11, 2015

A danação de Dilma e uma cadeira vazia!

Adelson Elias Vasconcellos



Confesso que até agora procurei ter o máximo de paciência com as ações da senhora Rousseff. Não poderia olhar para o seu presente sem deixar de buscar em seu passado algumas razões para ao menos tentar justificá-lo. Um exemplo claro: Dilma foi ferrenha terrorista nos tempos da ditadura militar. Sua utopia era substituir aquele regime de exceção, por outro regime de ... de exceção. A senhora Dilma jamais pertenceu a qualquer movimento que clamasse pela redemocratização do país. Assim, muito embora hoje ela bata no peito para se declarar democrata desde criancinha, isto é apenas uma grossa mentira que ela própria – e os esquerdistas em geral – tentam colar em sua biografia.  As novas gerações que não viveram aqueles anos de chumbo, talvez até acreditem na lorota, mas para os que tem a memória histórica vivida e revirada, não engolem a patuscada.

Porém, já começa a cansar, e até a preocupar, o programa de governo deste segundo mandato da senhora Rousseff. Trata-se de um programa de uma única via, com só uma direção e um único objetivo a ser alcançado. Dentre milhares de assessores de zorra nenhuma, inúteis, totalmente dispensáveis sem nenhum prejuízo para o país, ela bem que poderia contratar um  analista, um psicólogo, um conselheiro  mental, ou qualquer especialista do gênero. Se for governar o país com o estado mental de que se achava tomada,  o Brasil viverá dias ainda piores do que os que têm sido neste ano. 

Publicamos há questão de uns dois meses, uma reportagem em que se denunciava que, por ocasião do impedimento do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, amiguinho muito chegado dos petistas, Dilma Rousseff se valeu de espiões cubanos para ela própria dar um golpe contra aquele país e abrir caminho para a entrada da Venezuela no Mercosul. Hoje, esquecendo toda a pantomima que aprontou, e até de certa forma agredindo a democracia do país vizinho, Dilma obcecada pela ideia de “impeachment”, soltou uma daquelas pérolas próprias de quem jamais  soube  o que significa um regime democrático. Nem Dilma nem o PT jamais conseguiram entender o que vem a ser respeito aos valores e princípios de uma democracia, razão porque o Brasil vive esta confusão política sem definir que caminho seguir. 

Nos regimes democráticos bastante amadurecidos, criou-se no regime de leis, um dispositivo para proteger a sociedade de maus governantes. O impedimento de um presidente, apesar dos efeitos colaterais que pode provocar – que serão sempre temporários -, estão regulados e disciplinados em regras bem específicas que orientam as razões e o caminho a ser seguido. Na história recente do Brasil, Fernando Collor foi “impinchado” segundo   critérios plenamente legais. Não se ouviu – como de resto não se ouve – ninguém de dedo em riste acusando que aquela ação foi um “golpe contra a democracia”. Tanto não é que ela seguiu os ritos previstos na Constituição  brasileira. 

O mesmo se deu no Paraguai em relação a Fernando Lugo. Sua deposição seguiu os ritos legais, previstos na Constituição daquele país. Aliás, a intervenção brasileira atentou até contra a própria constituição brasileira que veda a intromissão em assuntos internos de outras nações. Numa canetada totalitária, o Paraguai foi suspenso do Mercosul, e para dentro do bloco foi empurrada a Venezuela que, naquela época, democracia já não era, ferindo assim o próprio regimento do bloco. 

Agora, Dilma tenta traçar um paralelo com aquele fato à sua própria situação. Seja pela deterioração fiscal absurda que seu primeiro mandato jogou o país, seja pelo estelionato eleitoral que praticou, seja pelo uso de dinheiro produto da corrupção na Petrobrás em sua campanha,  seja pelo descumprimento de normas previstas na Constituição, na Lei de Responsabilidade Fiscal e na Lei Orçamentária, hoje já se tem ampla base legal que justifica a abertura de um processo de impedimento da senhora Rousseff.    Nem se venha alegar que o parecer do TCU, sobre a rejeição das contas de 2014, precisa ser aprovado pelo Congresso. O relatório é técnico,  mas sua aprovação ou desaprovação pelo Congresso é apenas político. O parecer do TCU elenca, ao menos, 13 infrações legais graves cometidas pela senhora presidente. E, para quem jurou cumprir e fazer cumprir a constituição ao ser empossada, o descumprimento em série de dispositivos constitucionais, feitos de modo premeditado e reincidente,  são motivos mais do que suficientes para se promover um impedimento presidencial. E nada há neste ato de golpe ou atentado à democracia. Até pelo contrário: trata-se da defesa dos mesmos princípios e valores descritos em nossa constituição. No caso específico da senhora Rousseff, golpista é ela ao atentar contra a lei e avocar para si um direito que não tem, que é o de não responder pelas infrações para manter-se impune. 

Desde 2013, o blog vem editando matérias dando conta da deterioração de todos os indicadores econômico do Brasil. Chegou-se a dado momento em que apenas o índice de emprego-desemprego restava ao governo para ser comemorado. E assim mesmo, ressalvado o fato de que, nas estatísticas do IBGE, tínhamos apenas cerca de 25 milhões de empregados e desempregados, para uma população economicamente ativa superior a 100 milhões. E hoje, até a estatística do emprego/desemprego foi para o espaço. Só em 2015, são quase 1 milhão de desempregados a mais.

A crise econômica brasileira é gravíssima. Dilma fechará 2015 colecionando mais um recorde histórico negativo. Fecharemos 2015 com dois anos seguidos de queda do PIB, fato que não acontecia desde 1930!!!! E olha que neste longo período tivemos muito presidente ruim, duas ditaduras – uma civil, Getúlio Vargas e uma militar, com cinco generais-presidentes -   mas o país soube sobreviver e superar-se. 

Dada as dificuldades que atravessamos, era para a senhora Rousseff simplesmente ignorar as movimentações de impeachment que sempre cercaram todos os presidentes pós 1985, e tratar de dar rumo ao país, buscar remover os entraves do crescimento, procurar caminhos para devolver o indispensável equilíbrio fiscal – sem o que não sairemos do lugar, correndo o risco até de retrocessos -,  cortar as muitas gorduras que provocam gastos desnecessários, combater com mão de ferro todos os atalhos – e são muitos – que impedem  que o Estado dê melhor eficiência ao gasto público, recuperar a qualidade perdida no tempo dos serviços básicos e até modernizando-os e ampliando-os, desobstruir os caminhos do ambiente de negócios do Brasil que é reconhecidamente ruim, enfim, o que não falta é campo de atuação para que a presidente possa justificar o próprio mandato. 

E o que vemos? Infelizmente, o país assiste atônito uma presidente andando em círculos, cuidando unicamente de proteger seu mandato, abrindo luta selvagem contra críticos, contra oposições, tentando cooptar políticos de todas as cores, atacando instituições, mas com um único propósito: não ser retirada do trono.

Ora, durante os anos de governo de Fernando Henrique, muitos foram os pedidos de abertura de impeachment encaminhados pelo próprio PT. E o que se viu? Ao invés do ex-presidente adotar a tática do cachorro, de correr atrás do rabo, conscientizou-se de que havia um país com graves problemas para ser governado, e viu neste caminho a única forma de calar seus críticos e não dar motivos legais para ser deposto. Ou não foi o mesmo que aconteceu com Lula?

O fato das oposições, sejam elas quais forem, criticarem os governos de ocasião, ou até armarem estratégias para atrapalharem os planos destes mesmos governos, nada mais é do que a própria obrigação de existirem. Aliás, oposição só existe nas democracias e,  neste sentido, não se pode entender ou pretender uma “oposição a favor”. 

Portanto, o que se espera da senhora Rousseff é que ela justifique o próprio mandato, governando o país, adotando medidas para resolução dos problemas presentes, e abrindo caminhos para a construção de um futuro melhor.  Enquanto for tomada por este estado obsessivo, de ver golpes em todos os cantos do seu gabinete,  distribuindo cartilhas para seus ministros  justificarem seus crimes fiscais e de responsabilidade, só dará motivos para que mais ações de impeachment sejam criados. E, se a voz do povo é a voz de Deus e a soberana vontade de um povo é o que conta, creio que o próprio povo brasileiro tem dado mostras em relação à senhora Rousseff de que a rejeita como presidente. Está na hora, mais do que na hora, da presidente tornar-se, de fato, presidente e começar a governar o país. 

Assim,  melhor que a presidente mude sua atitude mental, trace um projeto de país e dê a ele consequência. Porque se continuar governando unicamente seu próprio interesse,  não pode contrariar-se se o povo brasileiro desejar  alguém em seu lugar, dedicado a governar  os interesses do  Brasil. Neste caso, melhor seria  renunciar o cargo e ir cuidar de si em outro lugar que não o gabinete presidencial, porque até aqui a cadeira está vazia. Terá Dilma tamanha grandeza d’alma? 

Lula e a Odebrecht
Reportagem da Revista Época, reproduzida nesta edição, relata a movimentação do ex-presidente Lula em favor da Odebrecht, na tentativa de melar a operação Lava Jato. Mas não pensem que esta movimentação se dá por pura amizade. Lula está é tentando salvar o próprio pescoço. Ele sabe bem o que andou aprontando nos anos passados, ações que, tornadas públicas, não apenas comprometem  o sonho obsessivo de voltar à presidência depois de Dilma, como podem custar-lhe alguns anos fazendo companhia a José Dirceu e João Vaccari...   

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