terça-feira, outubro 20, 2015

A exploração mineral brasileira à beira do abismo

Pedro Jacobi
Tribuna da Internet (*)


Mineração em crise e o governo não toma providências

Os três melhores indicadores de uma exploração mineral saudável em um país são: o emprego, a sondagem e o número de análises químicas feitas em laboratórios analíticos.

Depois da crise de 2008 a exploração mineral voltou a aquecer no Brasil atingindo, gradativamente, o seu pico em 2010-2011.

Nesta época a exploração mineral brasileira estava aquecida. O mercado era efervescente. Era difícil contratar geólogos experientes e quase impossível contratar a sondagem para os inúmeros projetos de exploração mineral. Os laboratórios de análises estavam abarrotados, refletindo o excelente momento da mineração brasileira.

Em 2012 somente as juniors (novas empresas) canadenses investiam US$416 milhões em 154 projetos no Brasil.

JUNIORS NO BRASIL
Foi um período de grandes descobertas minerais e o Brasil parecia ter um futuro brilhante.

Tudo ia às mil maravilhas até que, em 2011, de uma forma sub-reptícia começou o apagão mineral.

Este fenômeno foi o resultado de uma das decisões mais absurdas e pouco inteligentes, jamais feita por um governo brasileiro em toda a história republicana.

O Ministério de Minas e Energia, na época, era chefiado pelo Ministro Édison Lobão, famoso nas páginas de escândalos e corrupção e um dos arquitetos da crise, resolveu simplesmente paralisar as concessões dos alvarás de pesquisa e de lavra paralisando projetos e espantando o investidor.

UM TSUNAMI
A partir deste momento o Brasil viu um verdadeiro tsunami que arrasou, inexoravelmente, as empresas, os empregos e obliterou o setor mineral.

O governo brasileiro, na contramão da história simplesmente fechou a torneira da pesquisa e da exploração mineral ameaçando o setor com um “Novo Marco Regulatório da Mineração” que transitou, por anos, nos corredores do Congresso e, até hoje, quase 5 anos após a sua elaboração, ainda não foi aprovado.

Enquanto isso, lá fora, nos países onde a mineração recebe o devido respeito, os governos tentavam todas as formas para atrair o mesmo investidor que o MME e o Governo Brasileiro estavam expulsando do Brasil.

Esses governos foram bem sucedidos! E, hoje, estão revertendo os efeitos da crise atraindo novos investidores e novos projetos de exploração mineral.

SEM PESQUISA
Aqui no Brasil, a pesquisa mineral foi reduzida a praticamente nada. Um levantamento feito no DNPM, pela revista InTheMine, mostra um fenômeno perturbador. Os minerais mais pesquisados no mundo, que são ouro, metais básicos, e metais ferrosos estão desaparecendo das estatísticas do DNPM.

Isso é assustador e mostra a profundidade do desastre. É a pesquisa desses minérios que sustenta toda a cadeia da exploração mineral, gerando empregos, projetos, sondagens, geofísica, geoquímica e milhões de análises. A mesma pesquisa que sustenta toda uma cadeia produtiva que inclui as junior companies, as empresas de geologia e prospecção, de sondagem, laboratórios e as milhares de empresas de consultoria que fazem o setor crescer e gerar riquezas.

MINERAIS INDUSTRIAIS
Aqui no Brasil a pesquisa tradicional deu lugar aos minerais industriais. Os novos requerimentos feitos no DNPM são, principalmente, para areia, argila, granito e calcário.

Em 2013 predominaram os requerimentos para minerais industriais e, em décimo lugar veio os requerimentos para diamantes.

Em 2014 vemos o tímido retorno do ouro e do ferro que ficam na quinta e sexta posição, atrás dos industriais.

Qual o significado disso? É o fim da pesquisa mineral como a conhecemos!

É também o fim do investimento estrangeiro na exploração mineral do Brasil pois 90% da pesquisa mineral é feita para metais básicos, ouro, diamante e metais ferrosos. Um país que não busca esses minérios está fadado ao terceiro mundo.

Se ontem as juniors investiam mais de US$ 700 milhões por ano em busca de ouro, metais básicos e ferrosos em solo brasileiro, hoje os investimentos estão tendendo a zero.

E, com a falta dos investimentos, veremos as minas atuais se extinguirem sem novas descobertas minerais para repor o minério lavrado. A falta de descobertas nos obrigará a importar o minério que deveria estar sendo produzido aqui.

(*) Artigo enviado pelo comentarista Ricardo Sales

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