terça-feira, outubro 20, 2015

Ausência de calor traz o frio, a ausência de luz traz a escuridão. A ausência de riqueza traz pobreza?

Mauro Calil
Exame.com

O frio e a escuridão só existem porque existem o calor e a luz. O frio é a falta de calor. A escuridão é a falta de luz. Mas a ausência de riqueza traria a pobreza?

A escuridão é sim a ausência de luz. Basta existir um filete mínimo de luz que a escuridão acaba. Da mesma forma, quando alguém chora ao invés de sorrir, lhe falta alegria. Basta que um estímulo lhe traga o sorriso para o choro cessar.

Seguindo neste sentido de ausência versus presença, a pobreza é, na verdade, um estado onde inexiste a riqueza. No entanto a riqueza é um conceito relativo, idiossincrático. Você pode ser rico em diversos níveis.

A luz, por ser energia resultante de condições físico-químicas e a alegria, por ser uma emoção, podem aparecer e desaparecer sem que tenhamos condições de armazená-las para voltar a usar quando nos faltarem. A presença de alegria, ou mesmo da luz, não dependem exclusivamente de nós.

Já a riqueza material pode ser estocada para que mantenhamos o nível de fartura desejado por prazo indeterminado, é assim que planejamos a aposentadoria, por exemplo. Alguns questionariam essa premissa ao ponderar qual seria o alcance da riqueza. Agora, repare que, assim como existe luminosidade maior ou menor, com céu nublado ou limpo, ao meio dia, ao amanhecer ou ao entardecer, a riqueza material é vista de forma diferente por cada um. Além disso, atende a necessidades diferentes.

Nem todos os seres vivem sob sol forte. A maior parte necessita de luminosidade amena. Somente as maiores árvores sobreporão suas copas ao topo da floresta dando condições de existência para toda a flora e fauna abaixo delas.

A pobreza se caracteriza pela a ausência de condições sócio-econômicas mínimas que permitam que você e a sua família possam coexistir. Sempre existirá uma árvore mais alta e uma vegetação rasteira mais rala. Ambas são necessárias para que a floresta viva. E todas são ricas.

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