segunda-feira, outubro 26, 2015

Brasil e Venezuela levarão América Latina à recessão, diz FMI

Henrique Gomes Batista
O Globo

Fundo espera que região tenha contração de 0,3% neste ano

Reuters / Mariana Bazo  
Gian Maria Milesi-Ferretti e Maurice Obstfeld durante a entrevista  

LIMA - Maurice Obstfeld, economista-chefe do Fundo Mentário Internacional (FMI), afirmou na manhã desta terça-feira em Lima que o Brasil e a Venezuela fazem com que a América Latina tenha recessão em 2015. O Fundo informou hoje que espera uma recessão de 3% no Brasil neste ano e de 10% na Venezuela, o que deverá contribuir para que a economia de toda a região se retraia em 0,3% neste ano. Em entrevista, ele disse que a queda do preço das commodities(produtos básicos com cotação global, como soja, petróleo e minério de ferro) afeta todos os países, mas alguns conseguiram enfrentar melhor os problemas, principalmente os que conseguiram fazer um bom colchão fiscal, como Peru, Chile e Colômbia.

— Se nos fixarmos no Brasil e na Venezuela vemos dois países com contração forte neste ano e com recessão no ano que vem e isso reduz o crescimento médio do continente — disse Obstfeld, que afirmou que não há história nem solução única para os países da região.

Obstfeld disse que a depreciação das moedas dos países que exportam commodities é algo natural quando cai o valor dos produtos e que isso é um fato positivo, pois mantém uma renda em moeda local, que compensa a redução do valor das matérias-primas. Ele afirmou que isso só gera riscos para países com forte endividamento externo, mas ele disse que isso não tem sido um problema muito grande até agora.

O economista ainda disse que a desvalorização das commodities explicam parte da queda do crescimento. Falando de maneira geral sobre os emergentes, ele disse que, além da queda do preço dos produtos, muitas nações convivem com instabilidade política e perda de credibilidade fiscal, o que piora as perspectivas econômicas destas nações.

Gian Maria Milesi-Ferreti, vice-diretor de pesquisas financeiras do FMI, afirmou ainda que o crescimento da economia argentina neste ano, causada por uma forte expansão fiscal, deverá ser revertida ano que vem com uma pequena recessão, de -0,5% a -0,2%. O país está passando por uma eleição presidencial.

Além disso, disse, a forte desvalorização do real deverá impactar no comércio com os países vizinhos, em especial Argentina e Uruguai. Falando sobre a Venezuela, ele afirmou que o país já vivia problemas econômicos que foram agravados com com a queda do preço do petróleo. Apesar do forte impacto do valor no PIB regional, ele disse que esta queda da economia do país não deve contaminar muito a região, pois o país está cada vez mais fechado.

O economista-chefe do FMI disse que não trabalha com a possibilidade de uma recessão global e afirmou que está “confortável” com a previsão de crescimento que o Fundo fez para a China, de crescer 6,8% neste ano e de 6,3% no ano que vem e que não sentiu a necessidade de reduzir suas previsões com os últimos dados do país asiático, que mostram uma queda na atividade econômica.

— Os dados de manufatura podem ter vindo mais fracos, mas vemos ainda um forte crescimento no setor de serviços — disse Obstfeld, que lembrou ainda que a China consome cerca de 50% das commodities do mundo e 60% do minério de ferro global, o que impacta mais os países que exportam estes produtos.

Nenhum comentário: