quinta-feira, outubro 15, 2015

Brasil só terá superávit primário em 2017, diz FMI

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

Segundo projeções do fundo, o governo não conseguirá cumprir as metas fiscais que estabeleceu para 2015 e 2016

(Andrew Harrer/Bloomberg/Getty Images/VEJA)
 Diretor do FMI Alejandro Werner vê recuperação na economia brasileira
 em 2016 se o governo conseguir um acordo político para implantar o ajuste fiscal 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que o Brasil não vai conseguir alcançar as metas fiscais para este e o próximo ano. No relatório Monitor Fiscal divulgado neste quarta-feira, a instituição prevê que o país terá um déficit primário de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e de 0,9% em 2016.

A estimativa do fundo é que o superávit primário só virá em 2017, ficando na casa dos 0,8%, para chegar a partir de 2019 com saldo positivo de 2,5% do PIB. O superávit primário acontece quando o governo consegue pagar os juros da dívida pública e dispor ainda de uma sobra de dinheiro.

(VEJA.com/VEJA)


O FMI ressalva que fez suas previsões com base no pacote anunciado pelo governo em agosto, quando o Planalto propôs um orçamento com déficit para 2016. A meta definida pela equipe econômica da presidente Dilma Rousseff é de alcançar um superávit primário de 0,15% este ano e de 0,7% em 2016.

O fundo piorou ainda outros indicadores fiscais do país. Para o déficit nominal, que inclui os gastos do governo com juros, a previsão do FMI é que fique em 7,7% do PIB em 2015 e 7,2% no ano que vem.

A dívida bruta, um dos indicadores que mais chamam a atenção das agências de classificação de risco, deve subir de 65,2% no ano passado para 69,9% em 2015 e chegar a 74,5% em 2016. O FMI utiliza uma metodologia diferente da usada pelo governo brasileiro para esse número e inclui os títulos do Tesouro detidos pelo Banco Central no cálculo.

Alejandro Werner, diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI, disse que a economia brasileira pode começar a se recuperar na segunda metade de 2016, caso haja um acordo político em Brasília que dê prosseguimento ao ajuste fiscal. Por enquanto, a credibilidade da política fiscal no Brasil continua sendo colocada em dúvida pelos mercados nacional e global.

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