segunda-feira, outubro 26, 2015

Com Dilma à frente, Brasil segue em queda livre. E rápida

J.R. Guzzo
Revista EXAME 

Flávio de Barros/Acervo Museu da República 
O Exército em Canudos: como nas derrotas naquele tempo,
 a situação hoje virou um “cada um que cuide de si”

São Paulo — Eis aí o Brasil, mais de três anos antes do dia previsto para o tão esperado encerramento do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, empenhado num vigoroso sprint ladeira abaixo.

A corrida já começou faz tempo, como todo mundo sabe, e ainda tem muito chão pela frente até a linha de chegada, mas provavelmente está num de seus melhores momentos — ganhou aquele impulso natural e crescente que a força da gravidade, essa velha conhecida de todos nós, impõe às coisas que estão caindo.

Se subiu, tem de descer, anotava Raul Seixas em suas observações gerais sobre o funcionamento da vida, e é isso, precisamente, o que está acontecendo neste 2015 que entra em sua reta final. Com uma particularidade: o presente governo, reeleito um ano atrás, começou a cair antes mesmo de concluir a subida. Teria chegado ao fundo do poço?

Ninguém é louco para se arriscar com palpites assim, não nesta revista; não dá para saber a profundidade exata do poço, e a Redação está formalmente instruída a não se meter com equações que só têm a incógnita. O certo, pelo registro dos fatos, é que a economia e a política estão em pleno acordo para se manter em queda ampla, livre e rápida. Esperar qualquer outra coisa é perda de tempo. 

A mensagem que o governo Lula-Dilma-PT está passando aos cidadãos brasileiros, juntamente com o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, partidos e quem mais consegue mandar em alguma coisa neste país, é a seguinte: “Não esperem nada daqui. Não vamos ajudar ninguém em coisa nenhuma. Governar, então, nem pensar.

Estamos cuidando exclusivamente de nós mesmos. O Brasil que vá para o diabo que o carregue. Virem-se”. A presidente da República não governa, pois não trabalha — dedica 100% do tempo à atividade de não ser deposta, mesmo porque a última coisa de que precisa é tornar-se uma ex-presidente, e portanto uma cidadã igual aos demais brasileiros, nestes momentos de trovoada que se formam a partir da legislação penal.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha — que virou de fevereiro para cá o grande inimigo do governo e do PT, depois de passar a carreira toda na mais perfeita paz com ambos, e talvez esteja a caminho de tornar-se um grande amigo de novo —, concentra todos os seus esforços em salvar o próprio couro.

O PT só pensa em grudar-se em seus empregos, acesso a verbas públicas e oportunidades de negócio com a máquina do Estado. Lula está plenamente empenhado em safar-se da maré enchente de denúncias contra dois filhos, um sobrinho, uma nora e sua própria atuação como lobista de empreiteiras. Os líderes da oposição têm como prioridade eliminar uns aos outros.

Os tribunais de Justiça querem mandar na vida política. A única proposta concreta que o governo tem para oferecer à população é criar de novo o imposto do cheque. Os ministros, sem exceção, dizem que é impossível lidar com um único problema urgente porque não têm dinheiro — e o pior é que não têm mesmo. Enfim: põe ladeira abaixo nisso.

Todos os personagens responsáveis por esse angu têm em comum, entre si mesmos, a perfeita convicção de que não são responsáveis por absolutamente nada, o que torna inútil qualquer tentativa de apresentar-lhes os fatos — é como dar um espelho a um cego.

Dilma quebrou o Brasil com uma inépcia jamais atingida antes dela, mas acha que não tem nada a ver com nenhum dos desastres que criou; diz que “a sociedade” tem de resolver os problemas e, enquanto isso, revela-se desapontada com as dificuldades que existem para estocar o vento.

Lula declara que receber dinheiro de empresas comprovadamente culpadas de atos de corrupção é uma atividade “patriótica” e da qual tem “orgulho”. A solução que ele e seu partido têm para a crise política é comprar aliados através da privatização do aparelho do Estado; para a crise econômica recomendam dobrar os erros já testados por Dilma nos últimos cinco anos.

É tempo de murici, como dizia o coronel Tamarindo em sua retirada na Guerra de Canudos. Cada um que cuide de si.

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