segunda-feira, outubro 26, 2015

Com interrupção de obra, Comperj deve ter mais mil demissões

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

Construção de redes de tubulação foi paralisada pelo Consórcio Tubovias, formado pelas empresas Andrade Gutierrez, GDK e MPE

(Agência Petrobras/VEJA)
Projeto prevê a construção de 4,5 quilômetros de tubulação
 para interligar todas as unidades do Comperj 

Principal obra do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), a construção de redes de tubulação foi paralisada pelo Consórcio Tubovias, formado pelas empresas Andrade Gutierrez, GDK e MPE. O consórcio negocia com a Petrobras a liberação de aditivos contratuais sobre o valor do projeto, inicialmente orçado em 511 milhões de reais. A interrupção foi comunicada nesta quinta-feira a funcionários e sindicatos de trabalhadores, e a previsão é que entre 800 e mil pessoas sejam demitidas. Desde janeiro, mais de cinco mil trabalhadores foram desligados do projeto e as principais obras foram paradas.

O contrato do Consórcio Tubovias terminou em agosto, mas já havia um aditivo de prazo em vigor para garantir a continuidade das obras. Agora, o consórcio solicitou à direção da estatal uma nova revisão do contrato, referente ao valor do projeto.

Segundo fontes próximas à negociação, ao longo de toda a semana, representantes do consórcio e da Petrobras se reuniram para discutir o aditivo, sem chegarem a um acordo. O principal impedimento seria o recadastramento de fornecedores da estatal: todos os integrantes do consórcio são investigados na Operação Lava Jato e foram bloqueados pela petroleira.

Em reunião nesta quinta-feira com funcionários, representantes do consórcio informaram que a decisão visava evitar novos custos contratuais sem previsão de ressarcimento. "Informaram que não tinham como manter os trabalhadores sem contrato. A direção da Petrobras está enrolando. O novo programa de conformidade tem muita burocracia e auditorias para evitar processos de sobrepreço", explicou o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Empregados nas Empresas de Montagem e Manutenção Industrial do Município de Itaboraí (Sintramon), Marcos Hartung.

Procurado, o consórcio informou que não se pronuncia sobre o tema, que seria de responsabilidade da estatal. A Petrobras, por sua vez, ainda não se manifestou.

Obra – 
O consórcio assumiu a obra em 2013, sob liderança da construtora Andrade Gutierrez. O projeto prevê a construção de 4,5 quilômetros de tubulação para interligar todas as unidades do Comperj. O contrato original da obra, entretanto, foi firmado em 2011 com a MPE, ao custo de 731 milhões de reais.

Dois anos depois, a empresa atrasou a obra e alegou dificuldades para cumprir o contrato, que foi licitado novamente. Assim como a Andrade Gutierrez, a MPE é investigada na Lava Jato. Antes, em 2012, o Tribunal de Contas da União (TCU) já havia identificado superfaturamento de 163 milhões de reais no contrato. A empresa está bloqueada de novas licitações da estatal.

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