quarta-feira, outubro 28, 2015

Ex-auxiliar de Youssef diz que Vaccari era ‘lobista de fundos de pensão’

Laryssa Borges
Veja online

Carlos Alberto Pereira da Costa afirmou que ex-tesoureiro do PT trabalhava para "influenciar" a aplicação dos recursos dos pensionistas

 (Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)
 O advogado Carlos Alberto Pereira da Costa em depoimento à CPI do BNDES 

O advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, apontado como um dos principais auxiliares do doleiro Alberto Youssef, confirmou nesta terça-feira, em depoimento à CPI dos Fundos de Pensão, que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto atuava como uma espécie de "lobista de fundos de pensão" e trabalhava diretamente para "influenciar" a aplicação dos recursos dos pensionistas.

Ele relatou aos parlamentares que Vaccari frequentava o escritório de Youssef e detalhou um episódio em que foi pago 3 milhões de reais desviados de uma transação entre a CSA Project Finance - empresa que estava no nome do advogado, mas era controlada por Youssef - e a Siderúrgica Barra Mansa (SBM). De acordo com o depoente, o empresário Claudio Mente, da CSA, disse que Vaccari estava "por trás" da propina cobrada em transações da Petros.

"Vaccari atuava como lobista de fundos de pensão. A CSA procurou Vaccari para que ele abrisse as porta dos fundos de pensão", disse à CPI.

João Vaccari Neto foi condenado a mais de 15 anos de prisão na Operação Lava Jato e responde a outras ações penais por suspeita de recebimento de propina de contratos fraudados na Petrobras. A Polícia Federal tem uma linha de investigação exclusiva para apurar irregularidades no fundo Petros.

Em depoimento prestado à Polícia Federal em agosto do ano passado, Pereira da Costa disse que atuou na venda de cédulas de crédito bancário (CCB) ao Petros, no valor de 13 milhões de reais,. Por meio de notas falsas de prestação de serviços, foram desviados 3 milhões de reais em propina.

À PF, o depoente havia informado que a propina tinha sido de 500.000 reais e destinada a Claudio Mente, Rubens de Andrade, Antonio Bahia, todos sócios da CSA, e funcionários da Petros, como o então gerente de Novos Negócios Humberto Pires Graudt. A Polícia Federal avalia que a CSA foi uma das empresas utilizadas pelo doleiro Alberto Youssef para lavar parte do dinheiro de outro escândalo político - o mensalão.

Renan Calheiros – 
No ano passado, em depoimento à Polícia Federal, a contadora Meire Poza, que trabalhava com Alberto Youssef, detalhou as negociações com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o deputado André Vargas (ex-PT) para obtenção de apoio político para que o doleiro pudesse fazer negócios com os fundos de pensão dos Correios e da Caixa Econômica Federal.

Em março de 2014, Youssef reuniu-se com Renan para, segundo Meire, fechar um acordo verbal para ser beneficiado com 50 milhões de reais do Postalis (fundo dos Correios) e Funcef (fundo da Caixa). 

Os recursos seriam utilizados na recuperação da empresa Marsans, mas não acabou se concretizando por causa do estouro da Operação Lava Jato. Segundo Pereira da Costa disse à CPI, a intermediação para o negócio seria feita com o "filho" de Calheiros. O depoente não citou qual dos filhos de Renan Calheiros. O senador nega o encontro com Youssef.

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