segunda-feira, outubro 26, 2015

MAIS UMA? Governo planeja criar estatal para cuidar de projetos de infraestrutura

Fábio Monteiro
Folha de São Paulo

Maja Susli - 19.out.15/reuters

O governo federal planeja criar uma estatal para cuidar da elaboração de projetos de rodovias, portos, aeroportos e demais obras de infraestrutura. Essa estatal teria um regime especial para contratação e não precisaria seguir as atuais regras da Lei de Licitações.

Para isso, o governo deve enviar, em breve, ao Congresso Nacional um pacote de medidas visando a criação de um nova modalidade para contratação de projetos específicos na área de infraestrutura. Batizada de "PPP Mais", a proposta busca atrair o investimento privado para obras consideradas estratégicas pelo governo.

O grupo de trabalho que elaborou a proposta é composto por juristas, procuradores e especialistas em licitações públicas.

A comissão, criada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, recebeu a missão de procurar soluções e propostas legais para facilitar a entrada de capital privado em obras do setor público.

Luiz Carlos Murauskas - 29.set.2015/Folhapress
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy

A proposta da estatal, que tem sido chamada de Estruturadora Pública Nacional, é ter um quadro bastante enxuto de servidores e com liberdade na contratação de empresas privadas de consultoria para elaboração dos projetos. A nova estatal poderia ser usada também por governos estaduais e municipais.

"O país tem pressa. Nós temos um desafio de aumentar a confiança nos programas públicos", disse Carlos Ari Sundfeld, membros do grupo.

Segundo ele, a proposta tem grande relevância e precisa ser tratada como prioridade para auxiliar a retomada do investimento.

A ideia de uma estatal voltada para elaboração de projetos de infraestrutura não é novidade. Em 2012, o governo criou a EPL (Empresa de Planejamento e Logística) que tem o objetivo de preparar estudos para a interligação de portos, rodovias, hidrovias, aeroportos e ferrovias. Em um primeiro momento, a empresa teve papel relevante no setor, mas veio perdendo espaço político no governo.

Uma das principais reclamações das empresas privadas que participam de processos licitatórios é com relação ao processo de liberação de licenças. Para tentar contornar o problema, a nova estatal deverá ter em cada projeto a formação de um consórcio, formado pelas diversas áreas envolvidas no processo de concessão de autorizações.

Moacyr Lopes Junior/Folhapress


CONTROLE
Também está prevista a presença de órgãos de controle, que deverão acompanhar todas as etapas dos processos de seleção e execução dos projetos.

Além da criação da estatal, o pacote de medidas que será enviado ao Congresso visa permitir que as obras de infraestrutura no país tenham um ambiente mais aberto ao capital privado.

As atuais regras de habilitação das empresas, que exigem experiência comprovada em grandes obras, por exemplo, não serão aplicadas nesse regime especial. A participação de empresas estrangeiras também será facilitada.

"O 'Mais PPP' pretende disciplinar uma série de contratos avançados que o poder público pode fazer com a iniciativa privada", afirmou Egon Bockmann Moreira, professor de direito econômico da Universidade Federal do Paraná, também integrante do grupo de trabalho convocado por Levy.

O governo também analisa a possibilidade de mudanças pontuais na Lei de Licitações para dar mais segurança jurídica aos contratos elaborados e aos agentes públicos responsáveis por esses projetos. 

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

É impressionante a capacidade que os governos tem para criar estatais completamente inúteis e desnecessárias e, em consequência, jogar no lixo recursos públicos que melhor atenderiam o interesse público.

Vejam no texto a justificativa porca para a nova invencionice da senhora Dilma. "... Em 2012, o governo criou a EPL (Empresa de Planejamento e Logística) que tem o objetivo de preparar estudos para a interligação de portos, rodovias, hidrovias, aeroportos e ferrovias. Em um primeiro momento, a empresa teve papel relevante no setor, mas veio perdendo espaço político no governo...".

Ora, se a EPL, criada para cumprir rigorosamente as mesmas funções desta nova estatal, vinha perdendo espaço político no governo, por que então não reformulá-la para adequá-la às novas necessidades e prioridades?  

O doloroso é a teimosia do governo em não querer limitar-se às leis existentes. A nova estatal será criada para atuar em "... regime especial para contratação e não precisaria seguir as atuais regras da Lei de Licitações...". Ora, se com licitação e tudo, a corrupção já corre solta, imagine uma estatal que não se enquadre à lei, livre para agir como bem entender? 

Como a nova estatal vai cumprir as mesmas funções, o que pretende o governo fazer com a EPL? Vai fechar? Vai desmontar sua estrutura? E quanto custou ao país manter uma estatal inútil que será substituída, em obrigações idênticas, por outra? 

E quanto a dizer que "... a estatal, que tem sido chamada de Estruturadora Pública Nacional, é ter um quadro bastante enxuto de servidores..." não passa de pura balela. Será mais um cabidaço de empregos para acomodar vagabundos mamadores das gordas tetas do Tesouro Nacional. O que os governos não conseguem é manter estruturas enxutas por onde passam.  Fica claro porque o Estado não cabe mais no orçamento.

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