quarta-feira, outubro 28, 2015

PF suspeita de ex-ministro de Lula no esquema de compra de MP, diz a PF

Redação
Diário do Poder 

Ministro mais ligado a Lula, Carvalho é suspeito de conluio

(FOTO: WILSON DIAS) 
Gilberto Carvalho era o mais íntimo ministro de Lula e 
foi mantido por Dilma em seu primeiro governo, a pedido do ex-presidente. 

A Polícia Federal suspeita de “conluio” entre Gilberto Carvalho, ex-chefe de gabinete do ex-presidente Lula, e lobistas acusados de pagar propinas para obter benefícios fiscais, segundo relatório dos investigadores da Operação Zelotes. O ex-ministro foi conduzido sob vara para depor na PF, na manhã desta segunda-feira (2&), na nova fase da Operação Zelotes.

Documentos indicam relação entre Carvalho e a Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia Corporativa e levantam suspeitas sobre venda de três medidas provisórias editadas pela Presidência da República, entre 2009 e 2013, que concederam incentivos fiscais para o setor automotivo.

A nova etapa da Zelotes investiga um consórcio de empresas acusadas de manipular julgamentos dentro do Carf e também de "comprar" medidas provisórias, pagando vantagens indevidas a autoridades públicas.

“Constatamos que as relações mantidas entre a empresa do lobista Mauro Marcondes e o Gilberto Carvalho, são deveras estreitas", diz o relatório assinado pelo delegado Marlon Oliveira Santos, da Polícia Federal.

Os documentos obtidos nas investigações, diz a PF, "fortalecem a hipótese da 'compra' da medida provisória para beneficiamento do setor automotivo utilizando-se do ministro que ocupava a 'antessala' do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, responsável direto pela edição de medidas provisórias".

Num dos papéis apreendidos, a PF diz que "fica evidenciada" a participação de Carvalho em projetos da firma "em especial na prorrogação dos incentivos para o setor do ano de 2015 a 2020". "Não há referência expressa de participação na prorrogação de 2010 a 2015, mas acreditamos que as relações profissionais entre essas pessoas tenham se iniciado ainda antes de daquele período do segundo semestre de 2009", diz o relatório.

A PF apreendeu anotações que apontam o nome de Gilberto Carvalho na casa do lobista Alexandre Paes dos Santos. Um dos trechos fala numa reunião ocorrida em 16 de novembro de 2009.

Num dos trechos, está escrito "Café: Gilberto Carvalho", seguido de siglas de impostos (PIS/Cofins), nomes de Nelson Machado (ex-secretário-executivo do Planejamento), Carlos Alberto (que a PF acredita ser Carlos Alberto de Oliveira Andrade, dono da Caoa, revendedora e distribuidora de veículos), Paulo Ferraz (representante da Mitsubishi), além de siglas das empresas seguidas de números ("CAOA – 16.000 – 2.500" e “MMC – 16.000 – 4.000 – 2.500 + 5 X 380").
Outro documento apreendido, segundo a PF, "reflete o grau de intimidade de relacionamento" entre Carvalho e a Marcondes e Mautoni. Nele, a PF diz que Cristina Mautoni, mulher do lobista Mauro Marcondes, , faz recomendação para comprar presentes para as filhas de Carvalho.

A nota de Carvalho
Leia abaixo a íntegra da nota divulgada nesta segunda por Gilberto Carvalho:

“Na manhã desta segunda-feira, 26/10/2015, fui intimado pela Polícia Federal a comparecer, às 10 horas, à Superintendência da instituição a fim de “prestar esclarecimentos no interesse da Justiça”. Fui ouvido pela delegada Dra. Graziela Machado da Costa e Silva, sem a presença de advogado, respondendo a todas as questões por ela formuladas.

Os temas versaram a respeito da atuação do escritório do senhor Mauro Marcondes junto ao Governo Federal, e da acusação de que teria havido pagamentos em relação à publicação de Medida Provisória que determinaria incentivos à indústria automobilística no Centro Oeste do País. Relatei à delegada federal os contatos que tive com o senhor Mauro Marcondes, dentro da minha função de Chefe de Gabinete da Presidência da República durante o mandato do Presidente Lula (2003 a 2010). Neguei qualquer interferência no andamento da referida MP, como já havia feito por meio da imprensa, assim como declarei jamais ter recebido valores da parte do senhor Mauro Marcondes ou de qualquer outra pessoa durante meu trabalho ao longo de 12 anos no Palácio do Planalto.

Ciente da minha conduta e interessado que toda a verdade venha à tona, tomei a iniciativa de colocar à disposição da Justiça meus sigilos telefônico, fiscal e bancário, o que ficou devidamente consignado. Reafirmo que jamais o Presidente Lula, a quem servi com orgulho, ou os componentes do seu gabinete, se envolveram neste tipo de negociação. Os projetos de lei, medidas provisórias ou iniciativas de qualquer natureza sempre foram tomados na estrita e preocupada política de defender o desenvolvimento econômico e social do País. Gilberto Carvalho."

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