domingo, outubro 11, 2015

Reeleger Dilma é que foi tiro no pé (ou burrice)

Adelson Elias Vasconcellos



Há no Estadão desta quinta feira que mais parece aqueles casos bizarros que circulam na internet de tão absurda e inacreditável. A manchete da matéria já resume tudo: Planalto admite tiro no pé ao enfrentar TCU.

Meu Deus, quem aconselha a senhora presidente sobre estratégias de governabilidade? Não é possível que alguém, em sã consciência e com juízo perfeito, tivesse imaginado ser possível atacar uma instituição do Estado, da forma como o governo fez, ao reunir para uma coletiva de imprensa três ministros e anunciar abertura de guerra ao TCU e, especificamente, a um de seus pares, e ainda apostar que o STF daria ganho de causa  à bizarrice presidencial! 

Não se leu em lugar algum, logo após o cometimento de tamanha insanidade,  alguma linha em apoio ao esquema de guerra planejado e executado de forma tão afoita! Foi quase uma unanimidade  a crítica sobre o estratagema. Mais patético ainda foi ouvir de viva voz, o ministro chefe da Advocacia Geral da União confundir os deveres de um membro do judiciário com os de um ministro do TCU. Em que página da constituição ele encontrou tal confusão?  

Era tão certa a derrota, tanto nas iniciativas junto ao TCU, pedindo o afastamento do relator, ministro Augusto Nardes, quanto ao pedido de suspensão da sessão feito ao STF.    

Aí, logo após a derrota previamente anunciada, vem o governo dar uma de bonzinho, reconhecer que a declaração de guerra se tratou de um tiro no pé!!! Ora, façam o favor...

O mesmo se pode dizer da tal reforminha administrativa. Praticamente, todas as lideranças do governo, logo após o anúncio das mudanças feitas pela senhora presidente,  apostavam na certeza de que agora a coisa vai... Foi sim, mas prô  brejo, junto com a vaca que está tossindo até agora... Até o outrora ex-operário, hoje fanfarrão milionário,  caixeiro viajante das elites, chegou a afirmar que, com a reforma, assegurava-se a governabilidade. As escolhas foram as piores possíveis, ou alguém imagina que o ministério da Ciência e Tecnologia, por exemplo, vai produzir alguma coisa de útil para o país sendo comandado por um dono de restaurante carioca!!!  Segundo o jornalista Carlos Chagas, Dilma já bateu todos os recordes: seu ministério já sofreu 157 mudanças em apenas 4 anos e 10 meses de governo. E, como se viu nesta semana, sua base de sustentação continua mais frágil ainda. Seu programa de ajuste fiscal padece na espera para ser aprovado, e ainda existem pautas-bomba que pode jogar a economia no abismo. 

Dilma vai colecionando, em todas as suas iniciativas, derrotas sobre derrotas. Claro que parte se deve ao gênio tempestuoso da presidente, a arrogância sem limites,  a teimosia destemperada. Mas muitas destas ações malsucedidas foram provocadas por escolher maus conselheiros que, invariavelmente, apostam no erro.

Assim, a derrota no TCU, tão visível desde o início em que se anunciou o tal esquema de guerra, é mais uma das dezenas de patetices conduzidas, arquitetadas e levadas a efeito por um governo que ainda não se convenceu que “diálogo”, não é apenas ouvir e esquecer, é também ouvir e refletir antes de agir. Significa também delegar, coisa que Dilma não consegue fazer. Ora, se ela não consegue confiar em seus auxiliares mais próximos, e mesmo assim  acaba agindo a moda diabo, como quer que o país consiga entendê-la e lhe dê crédito?

A conclusão é mais do que óbvia: Dilma se mostrou extremamente competente para criar as crises em que seu governo mergulhou, levando de roldão para um beco sem saída a economia do país.

Ou seja, Dilma soube destruir tudo que havia de virtuoso no Brasil antes dela. E tem demonstrado total inapetência para construir repor outras virtudes no lugar.

Verdadeiro tiro no pé mesmo quem deu foi eleitorado que se deixou seduzir pela publicidade enganosa e não se deu conta de que a realidade, já no tempo da campanha, era completamente diferente.  E para pior.  

Se não aparecer fato concreto que empurre Dilma para um processo de impeachment, ter de aturá-la pelos próximos três anos, não vai ser fácil. Porque razão tem Hélio Bicudo e Fernando Henrique quando afirmam que Dilma já não governa mais, está sendo governada. Por sinal, mal governada, muito mal governada e, com  isso, vai afundando o país cada vez mais.

Rumo ao século 19
Vária vezes afirmamos que, com o PT no governo, o Brasil caminharia de volta ao século 19. Listamos as ações que nos conduziria para tamanho atraso.

Na quarta feira, com o parecer do TCU reprovando as contas de Dilma relativas a 2014, já chegamos à década de 30 do século passado. Somente em 1937, com Getúlio Vargas, um presidente teve suas contas rejeitadas. 

Se 2015 fechar, como se prevê, com queda do PIB, seria o segundo ano consecutivo de crescimento  no vermelho. E isto só se repetiu uma vez na história: foi em 1930 com o crash da Bolsa de Nova York. Falta pouco, basta recuar mais um pouquinho, e Dilma tem competência suficiente para isto, regrediremos até lá. 

Sem dúvida,  a era petista será um marco histórico. Em matéria de retrocesso nada se compara!

TCU: seriedade deve ser regra
Parece que a rejeição das contas da senhora Dilma pelo TCU começa a produzir seus efeitos positivos. Governadores e prefeitos reuniram-se para discutir, entre outras questões, a decisão histórica. E,  ao invés de buscarem soluções para aprimorar  a gestão fiscal de prefeituras e governos estaduais, saíram em defesa de uma flexibilidade na Lei de Responsabilidade. Temem serem surpreendidos com a rejeição de suas contas e, por conseguinte, terem de responder por crime de responsabilidade, consequência natural da má gestão dos recursos públicos colocados à sua disposição.

Tal desejo de flexibilidade é uma aberração. Hoje o que a sociedade está exigindo de seus governantes e representantes políticos é justamente o contrário do que os prefeitos e governadores estão propondo, isto é, maior rigor e eficiência no gasto público, total transparência destes gastos no sentido de se evitar desvios, desperdício e corrupção.  Portanto, o momento é oportuno para que o país dê um passo à frente para, ao invés de reduzir ou flexibilizaar, aumentar ainda mais a fiscalização sobre o que prefeitos, governadores e presidente estão fazendo com o dinheiro que arrancam da sociedade. Chega de compadrio, má gestão, ineficiência, desperdício e distribuição de privilégios  para grupos escolhidos a dedo.

Assim, que a decisão do TCU ao recomendar a rejeição das contas presidenciais com o rigor que se verificou, se torne uma rotina em toda a administração pública. Dinheiro de impostos não pode ser tratado mais com tamanha irresponsabilidade e descompromisso para com o interesse maior da sociedade. 

Dilma e a economia fechada
Em visita  nesta semana à Colômbia, a senhora Rousseff fez uma afirmação que soaria como piada (de mau gosto), se não fosse trágica. Disse que “Economia brasileira ainda é muito fechada", em evento com empresários  quando defendeu a abertura do mercado interno,

Ora, ora, presidente... Quem foi o gênio que criou a tal política do “conteúdo nacional”, hein? Quem fechou o mercado interno para a modernização e avanço tecnológico? Experimente dizer tal coisa aqui dentro do país, e logo alguém vai lembrar-lhe suas escolhas. Como já passou a eleição, por favor, nos poupe de sua hipocrisia! .

No país dos coitadinhos, chegamos perto de 60 mil homicídios/ano.  
Reportagem do jornal O Globo, texto de Tiago Dantas, apesar de trazer uma informação impressionante, parece que não mereceu nem da imprensa nem do governo o merecido debate.  Não é possível sabermos que 58.559 pessoas foram assassinadas no Brasil em 2014, e todos achem esta estatística a coisa mais natural do mundo.  Infelizmente, não é. Ela ilustra a que ponto de degradação moral chegamos, fruto da omissão dos governantes e da classe política em relação ao retorno que o Estado não  dá à sociedade .

Somem todas as guerras em andamento pelo mundo, computem a quantidade de mortos e chegaremos à triste constatação de que no Brasil se mata mais, num ano, do que todas as guerras juntas. Isto é triste e vergonhoso e revela a falência do Estado.

Em consequência, é até compreensível que 50% da população digam que bandido bom é bandido morto. O Brasil precisa se convencer de uma coisa: viver em sociedade requer valores que, as políticas estúpidas implementadas pelo PT e defendidas pelas esquerdas repelem com veemência, mas que estão transformando o país uma praça de guerra, sem lei, sem ordem e onde a vida não vale nada. Tanto é assim que matar um papagaio tem punição maior do que o assassinato de um ser humano.  Ou nos convencemos que sem segurança, sem punição rigorosa para quem mata,  não sendo em legítima defesa, merece ser retirado do convívio social por décadas ou esta estatística vergonhosa tende piorar.

Perguntinha: qual é a política de segurança  do atual governo? Se vocês tiverem dificuldade para lembrar de alguma, não se estressem, porque não há nenhuma. Além disso, nosso judiciário precisa fazer cumprir a lei, e deixar de sentir pena de bandido. Quem sofre são os milhões de inocentes, vítimas da incompetência, do descaso e da desídia do Poder Público.  E graças a isso tudo, o Brasil está cada mais selvagem e bárbaro. 

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