terça-feira, outubro 20, 2015

Sem seguro, usinas nucleares de Angra 1 e 2 podem parar

Bruno Rosa 
O Globo

Apólice das unidades vence dia 30 deste mês e ainda não foi renovada

Divulgação / Eletronuclear/02-04-2012 
Usina de Angra 1 

RIO - As usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 podem ter de parar de operar no fim deste mês, conforme antecipou o jornalista Ancelmo Gois em sua coluna no jornal O GLOBO na edição deste sábado. De acordo com fontes do governo, a apólice de seguro das duas unidades, que era feita pelo Bradesco, venceu no dia 30 de setembro. O fato de o Bradesco não ter renovado pegou de surpresa a própria Eletronuclear, responsável pelas usinas. Assim, “no sufoco”, segundo essa fonte, a apólice do Bradesco foi renovada por mais um mês, prazo que vence no dia 30 deste mês.

A Eletronuclear iniciou conversas com outras seguradoras, uma chegou a negociar a apólice, mas desistiu.

— É um problema complicado que tem de se resolver até 30 de outubro. Sem isso, as usinas vão ter que parar como manda a lei — disse essa fonte do governo que não quis se identificar.

A apólice paras usinas têm duração de três anos. No caso de Angra 1 e Angra 2, o valor somado é de US$ 1,3 bilhão.

— As usinas para operarem têm que ter um seguro cujos os termos são estabelecidos em tratado internacional de que o Brasil é signatário. É o Tratado de Paris — explicou essa fonte.

As duas usinas de Angra geram 648 megawatts médios, o que equivale a 0,94% de toda a energia gerada no país. Os dados são referentes ao dia 16 de outubro, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Procurada, a Eletronuclear não estava disponível para comentar. Também ainda não foram encontrados representantes do Bradesco.

PROBLEMAS TAMBÉM EM ANGRA 3
Mas os problemas vão além de Angra 1 e 2. A unidade Angra 3 - que está com 57,1% das obras concluídas e foi alvo de pagamento de propina, segundo revelou a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal - está hoje com as obras suspensas temporariamente. Segundo a Eletronuclear, o objetivo é “ter um apanhado geral da situação e verificar as condições financeiras”. Aind de acordo com a Eletronuclear, “será feita uma reavaliação minuciosamente de todos os contratos e as fontes de financiamentos, diante das dúvidas que passaram a pairar em função da Operação Lava-Jato”.

Apesar da paralisação, o objetivo é tentar concluir as obras de Angra 3 no final de 2018 e iniciar sua operação comercial em 2019. O empreendimento demandará investimentos totais diretos de cerca de R$ 14,8 bilhões, conforme a Eletronuclear.

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